domingo, 12 de abril de 2009

DOMINGO DE PÁSCOA DA RESSURREIÇÃO DO SENHOR - SOLENIDADE DAS SOLENIDADES (Oitava da Páscoa)

















Exatamente como o Natal, é em Santa Maria Maior em que se faz a estação desta festa, a maior de todo o ano.


A Igreja não separa nunca Jesus de Maria e glorifica com a mesma apoteose o Filho e a Mãe.


Jesus Rescuscitado se dirige em primeiro lugar ao Pai, em homenagem de sujeição incondicional, enquanto a Igreja, por seu lado, levanta a Deus um hino de sentido reconhecimento e lhe suplica que venha em socorro dos filhos que lutam contra o mundo o demônio e a carne, a caminho da nova pátria do Céus. Mas para isto é necessário comer o cordeiro com os Ázimos da virtude, duma vida santa e impoluta. O Evangelho apresenta-nos as santas mulheres correndo ao sepulcro para ungir com o nosso amor e a nossa fidelidade à virtude o coração do mestre, não morto, porque é imortal, mas alanceado, dilacerado pelos crimes do nosso tempo e, possivelmente, da nossa má conduta.


Evangelho de Domingo de Páscoa:


Continuação do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São Marcos: Naquele tempo: Passado o sábado, Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago, e Salomé compraram aromas para ungir Jesus.
E no primeiro dia da semana, foram muito cedo ao sepulcro, mal o sol havia despontado.
E diziam entre si: Quem nos há de remover a pedra da entrada do sepulcro?
Levantando os olhos, elas viram removida a pedra, que era muito grande.
Entrando no sepulcro, viram, sentado do lado direito, um jovem, vestido de roupas brancas, e assustaram-se.
Ele lhes falou: Não tenhais medo. Buscais Jesus de Nazaré, que foi crucificado. Ele ressuscitou, já não está aqui. Eis o lugar onde o depositaram.
Mas ide, dizei a seus discípulos e a Pedro que ele vos precede na Galiléia. Lá o vereis como vos disse.


Victimae Paschali:



Victimae paschali laudesimmolent Christiani.Agnus redemit oves: Christus innocens Patri reconciliavit peccatores. Mors et vita duello conflixere mirando: dux vitae mortuus, regnat vivus. Dic nobis Maria, quid vidisti in via? Sepulcrum Christi viventis, et gloriam vidi resurgentis: Angelicos testes, sudarium, et vestes. Surrexit Christus spes mea: praecedet suos in Galilaeam. Scimus Christum surrexisse a mortuis vere: tu nobis, victor Rex, miserere. Amen. Alleluia.



Lefebvre, Dom Gaspar. Missal Quotidiano e Vesperal. Bruges, Bélgica; Abadia de S. André, 1960.

sábado, 11 de abril de 2009

SÁBADO SANTO - A GRANDE VIGÍLIA PASCAL (TRÍDUO SANTO)



























A Igreja, que vai anualmente renovando na liturgia os sucessos da vida do Salvador, dos quais nos convida a participar, celebra nas festas da Páscoa o aniversário de Jesus vitorioso sobre a morte. É o acontecimento central de toda a história, para onde converge toda a vida radiosa do Redentor, e o ponto culminante da vida da Igreja no seu ciclo litúrgico.




A Ressurreição do Salvador é prova irrefragável da sua divindade, porque era necessário, com efeito, ser Deus para poder, como dizia Jesus, "dar a vida e tomá-la de novo", e a base indestrutível da nossa fé.




A Páscoa é a sanção definitiva da vitória da humanidade sobre a morte, a carne e o mundo. Porque, de direito, nós morremos e ressuscitamos com Jesus Cristo; de fato é a virtude operante dos mistérios da redenção que fecunda e transforma a vida íntima da Igreja e dos fiéis.




Todos os anos, a Igreja, ao recordar-nos a ressurreição do Senhor e o batismo que nos permitiu a participação definitiva deste grande mistério, mergulha-nos, por assim dizer, num banho novo que nos regenera e transforma para a vida nova da graça. Por este motivo a Páscoa Cristã, mais que o aniversário de um acontecimento histórico, é o prolongamento da ressurreição do Senhor. O Martirológico Romano, com efeito, proclama "que a ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo é a solenidade das solenidades e a nossa páscoa", fórmula que encerra a réplica perfeita do mistério do Natal. Porque se no Natal devemos nascer com o Senhor para a vida divina que desceu com ele à terra, na Páscoa com igual razão devemos ressuscitar para a vida nova que nos mereceu com a sua Paixão. Isto permite-nos compreender que a Igreja tenha escolhido a Páscoa para se dedicar com carinho verdadeiramente maternal à formação daqueles que são, na frase de São Paulo, os filhos "rescém-nascidos" das chagas do Senhor, alimentando-os com o pão novo e instruindo-os nas coisas da vida sobrenatural. "Se ressuscitastes com Cristo, procurai o que é do alto, da vida nova a que fostes chamados, e não o que é da terra". "Mortificai os apetites da carne, despojai-vos do homem velho, revesti-vos do novo". Quando puserdes a túnica branca do batismo, pensais que deveis conservar sempre a brancura da vossa alma, diz Santo Agostinho.




O tempo pascal deve ser, pois, para nós todos um período de renovação. Deve ser a imagem da vida no céu. A vida sobrenatural e a vida dos batizados deve ser a terra a antevisão, a ante-experiência dulcíssima da ressurreição final e da posse definitiva da pátria celeste, onde Jesus nos precedeu para nos preparar o lugar.




A liturgia convida-nos a acompanhar as várias aparições do Senhor: no sepulcro em Emaús, na Galiléia e no Cenáculo; e apresenta-no-lo lançando os fundamentos da Igreja e preparando os Apóstolos para o mistério da Ascensão.




No dia seguinte ao Sábado, ainda com o lusco-fusco, Maria Madalena e mais duas santas mulheres foram ao sepulcro. Era o primeiro dia da semana judaica: o Domingo de Páscoa. Um anjo havia movido a pedra que tapava o sepulcro e os guardas fugiram com medo. Madalena, ao ver o túmulo aberto e vazio, corre a advertir Pedro e João, que ficaram em Jerusalém, de que tinham roubado o Senhor. Entretanto o anjo havia anunciado as outras duas que Jesus ressuscitara.




Pedro e João voam ao sepulcro e constatam dolorosamente a falta do Mestre. O corpo de Jesus não estava ali. Tinham no roubado certamente. Madalena, que regressara depressa, quer ver de novo o sepulcro. Talvez se tivesse enganado. E senão há de ver e beijar pelo menos o local onde repousara o corpo de seu amigo. E viu, não Cristo morto nem o lugar vazio, mas o Cristo vivo e ressuscitado. À tarde deste mesmo dia, dois discípulos que desciam para Emaús, vêem também o Mestre e veem anunciar a boa nova aos apóstolos que por sua vez lhe dizem de sua aparição a Pedro.




Depois apareceu no Cenáculo. E depois de oito dias volta a aparecer-lhes para reprender e confirmar na fé a incredulidade de Tomé. Depois da oitavas de Páscoa, regressando os Apóstolos a Galiléia, o Senhor aparece nas praias do mar aos sete que pescavam e revela-se igualmente a quinhentos discípulos numa montanha que previamente lhes designara e que terá sido o Tabor ou, com maior probabilidade, qualquer colina nas margens do lago, como as das bem-aventuranças.




O Evangelho do Segundo Domingo depois da Páscoa refere-nos a parábola do Bom pastor, e muito a propósito, a seguir o batismo dos neófitos. Os três domingos seguintes e o da vigília da Ascensão são tirado dos capítulos 16 e 17 de São João, quer dizer, do discurso da Ceia, em que o Senhor fala aos Apóstolos da Ascensão, da vinda do Espírito Santo e da sua nova presença entre os discípulos.




O Tempo Pascal é, por assim dizer, um longo dia de festa que vai da vigília Pascal até o Sábado depois de Pentecostes, e em que se celebram sucessivamente os mistérios da ressurreição e da Ascensão do Salvador, tendo por Epílogo a Solenidade de Pentecostes. A data da Páscoa de que dependem as demais festas móveis, foi objeto das decisões conciliares. Tendo o Senhor padecido e julgado na Páscoa Judaica e devendo a solenidade do novo mistério substituir na idade nova os velhos ritos judaicos, houve a Igreja por bem conservar para a Páscoa Cristã o modo de contar dos judeus. Ora entre o ano lunar, que eles seguem, e o Solar há uma diferença de onze dias, que obriga a festa da Páscoa a oscilar entre 22 de Março e 25 de Abril.




Durante o tempo pascal, a Igreja adorna-se com profusão e os órgãos que na quaresma se conservavam emudecidos ressoam de novo nas abóbadas engalanadas dos templos. O Alleluia, que é o cântico por excelência do ciclo pascal, enche as almas de alegria e plenitude. Ao asperges substitui-se o Vide aquam, evocativo da água e do sangue que correram do lado de Jesus símbolo do Batismo e da Eucaristia. Não há jejum e o Regina Coeli recita-se de pé, como convém a vencedores. Até a Ascensão o Círio Pascal, símbolo da presença visível de Jesus, ilumina e aquece com a sua chama radiosa a assembléia dos fiéis; e os paramentos brancos, sinal da graça da ressurreição, alegram as funções do culto.




Outrora, a Igreja proibia no tempo pascal as festas dos santos menos notáveis para não distrair a atenção dos fiéis da contemplação de Jesus Triunfante. Mas para os apóstolos e mártires compôs-se missa especial, por terem sido eles quem de mais perto se associou as lutas e vitórias de Cristo. Os Mártires sobretudo, nesta parte do ano, formam o cortejo do divino ressuscitado.




A liturgia da noite pascal era em outros tempos das mais importantes do ano. Durante a tarde do Sábado Santo, reunia-se os fiéis na Igreja de São João do Latrão, para o último escrutínio dos catecúmenos. Depois, à noite, começava a vigília ou a vela Pascal, que terminava ao romper da alva com o batismo solene: submergidos ou sepultados com Cristo nas águas batismais, os neófitos nasciam para a vida na graça a hora em que o Salvador saía triunfante do sepulcro, ao alvorecer do dia de Páscoa. Seguia-se a Missa: toda a comunidade dos fiéis celebrava o sacrifício da redenção, nas ações de graças e nas alegrias da ressurreição.





No século XIII, começou a celebração da vigília pascal a ser antecipada para o sábado de manhã. Pela recente reforma feita pela Santa Sé, passou-se de novo para o meio da noite de Páscoa. Voltando assim ao seu verdadeiro lugar, a antiga liturgia readquire todo o seu significado e permite ao povo cristão reviver, com mais perfeita compreensão, o mistério de graça e de luz em que se renova, de ano para ano, a vida dos batizados.


Evangelho da Festa:

Continuação do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São Mateus
: Naquele Tempo:
Depois do sábado, quando amanhecia o primeiro dia da semana, Maria Madalena e a outra Maria foram ver o túmulo.
E eis que houve um violento tremor de terra: um anjo do Senhor desceu do céu, rolou a pedra e sentou-se sobre ela.
Resplandecia como relâmpago e suas vestes eram brancas como a neve.
Vendo isto, os guardas pensaram que morreriam de pavor.
Mas o anjo disse às mulheres: Não temais! Sei que procurais Jesus, que foi crucificado.
Não está aqui: ressuscitou como disse. Vinde e vede o lugar em que ele repousou.
Ide depressa e dizei aos discípulos que ele ressuscitou dos mortos. Ele vos precede na Galiléia. Lá o haveis de rever, eu vo-lo disse.



Regina coeli, laetare, alleluia! Quia quem meruisti portare, alleluia! Resurrexit sicut dixit, alleluia! Ora pro nobis Deum, alleluia! Gaude et laetare, Virgo Maria, alleluia! Quia surrexit Dominus vere, alleluia!



















Feliz Páscoa!

Alleluia, Alleluia, Alleluia!!! CRISTO RESSUSCITOU Alleluia!!!













Desejamos a todos os nossos leitores, familiares e amigos uma feliz e santa Páscoa! Feliz Páscoa! Alleluia!

SÁBADO SANTO (TRÍDUO SANTO)


Com a reposição da Vigília Pascal a seu tempo e lugar próprio e primitivo (noite do sábado para o domingo), o Sábado Santo passou a ser, com a nova reforma, como era antigamente, dia de luto para Igreja; dia em que esta se recolhe amorosamente junto do sepulcro do seu Divino Esposo, na meditação silenciosa da sua Paixão e Morte; dia alitúrgico", privado da celebração do Sacrifício Eucarístico e distribuição de comunhão.




O desnudamento e silêncio da Igreja (silêncio apenas interrompido pelo ofício das horas canônicas) traduz um sentimento de "ausência", sentimento este, no entanto, acompanhado de uma devota e "religiosa expectação" da vitória final daquele que, com sua morte, saiu vencedor da mesma morte.





Lefebvre, Dom Gaspar. Missal Quotidiano e Vesperal. Bruges, Bélgica; Abadia de S. André, 1960

sexta-feira, 10 de abril de 2009

SEXTA-FEIRA SANTA DA PAIXÃO E MORTE DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO (Dia de Jejum e abstinência)







A Sexta-feira Santa é o dia de mais pesado luto. Cristo morreu neste dia. Conseqüência do pecado, e assim o império da morte sobre todas as nossas vidas humanas estende-se ao próprio chefe da humanidade, o Filho de Deus feito homem.


Mas, todos os cristãos, o sabem muito bem, esta morte, que Jesus partilhou conosco e que para ele foi tão atroz, estava nos planos de Deus respeitantes a salvação do mundo. Imposta pelo Pai a seu Filho, foi por este aceite pelo nosso resgate. Desta forma, a cruz de Cristo tornou-se a glória dos cristãos. Já ontem o cantávamos: Toda a nossa glória está na cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo"; e hoje a Igreja repete, apresentando esta mesma cruz a nossa adoração: "Eis o lenho da Cruz, no qual pendeu a salvação do mundo". E Aqui temos a Sexta-feira Santa como sendo um dia de luto, é também o dia em que os homens restituíram a esperança, o dia que conduz as alegrias da Ressurreição.




Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João:
Naquele Tempo: Jesus saiu com os seus discípulos para além da torrente de Cedron, onde havia um jardim, no qual entrou com os seus discípulos.
Judas, o traidor, conhecia também aquele lugar, porque Jesus ia freqüentemente para lá com os seus discípulos.
Tomou então Judas a coorte e os guardas de serviço dos pontífices e dos fariseus, e chegaram ali com lanternas, tochas e armas.
Como Jesus soubesse tudo o que havia de lhe acontecer, adiantou-se e perguntou-lhes: A quem buscais?
Responderam: A Jesus de Nazaré. Sou eu, disse-lhes. (Também Judas, o traidor, estava com eles.)
Quando lhes disse Sou eu, recuaram e caíram por terra.
Perguntou-lhes ele, pela segunda vez: A quem buscais? Disseram: A Jesus de Nazaré.
Replicou Jesus: Já vos disse que sou eu. Se é, pois, a mim que buscais, deixai ir estes.
Assim se cumpriu a palavra que disse: Dos que me deste não perdi nenhum (Jo 17,12).
Simão Pedro, que tinha uma espada, puxou dela e feriu o servo do sumo sacerdote, decepando-lhe a orelha direita. (O servo chamava-se Malco.)
Mas Jesus disse a Pedro: Enfia a tua espada na bainha! Não hei de beber eu o cálice que o Pai me deu?
Então a coorte, o tribuno e os guardas dos judeus prenderam Jesus e o ataram.
Conduziram-no primeiro a Anás, por ser sogro de Caifás, que era o sumo sacerdote daquele ano.
Caifás fora quem dera aos judeus o conselho: Convém que um só homem morra em lugar do povo.
Simão Pedro seguia Jesus, e mais outro discípulo. Este discípulo era conhecido do sumo sacerdote e entrou com Jesus no pátio da casa do sumo sacerdote,
porém Pedro ficou de fora, à porta. Mas o outro discípulo (que era conhecido do sumo sacerdote) saiu e falou à porteira, e esta deixou Pedro entrar.
A porteira perguntou a Pedro: Não és acaso também tu dos discípulos desse homem? Não o sou, respondeu ele.
Os servos e os guardas acenderam um fogo, porque fazia frio, e se aqueciam. Com eles estava também Pedro, de pé, aquecendo-se.
O sumo sacerdote indagou de Jesus acerca dos seus discípulos e da sua doutrina.
Jesus respondeu-lhe: Falei publicamente ao mundo. Ensinei na sinagoga e no templo, onde se reúnem os judeus, e nada falei às ocultas.
Por que me perguntas? Pergunta àqueles que ouviram o que lhes disse. Estes sabem o que ensinei.
A estas palavras, um dos guardas presentes deu uma bofetada em Jesus, dizendo: É assim que respondes ao sumo sacerdote?
Replicou-lhe Jesus: Se falei mal, prova-o, mas se falei bem, por que me bates?
(Anás enviou-o preso ao sumo sacerdote Caifás.)
Simão Pedro estava lá se aquecendo. Perguntaram-lhe: Não és porventura, também tu, dos seus discípulos? Negou-o, dizendo: Não!
Disse-lhe um dos servos do sumo sacerdote, parente daquele a quem Pedro cortara a orelha: Não te vi eu com ele no horto?
Mas Pedro negou-o outra vez, e imediatamente o galo cantou.
Da casa de Caifás conduziram Jesus ao pretório. Era de manhã cedo. Mas os judeus não entraram no pretório, para não se contaminarem e poderem comer a Páscoa.
Saiu, por isso, Pilatos para ter com eles, e perguntou: Que acusação trazeis contra este homem?
Responderam-lhe: Se este não fosse malfeitor, não o teríamos entregue a ti.
Disse, então, Pilatos: Tomai-o e julgai-o vós mesmos segundo a vossa lei. Responderam-lhe os judeus: Não nos é permitido matar ninguém.
Assim se cumpria a palavra com a qual Jesus indicou de que gênero de morte havia de morrer (Mt 20,19).
Pilatos entrou no pretório, chamou Jesus e perguntou-lhe: És tu o rei dos judeus?
Jesus respondeu: Dizes isso por ti mesmo, ou foram outros que to disseram de mim?
Disse Pilatos: Acaso sou eu judeu? A tua nação e os sumos sacerdotes entregaram-te a mim. Que fizeste?
Respondeu Jesus: O meu Reino não é deste mundo. Se o meu Reino fosse deste mundo, os meus súditos certamente teriam pelejado para que eu não fosse entregue aos judeus. Mas o meu Reino não é deste mundo.
Perguntou-lhe então Pilatos: És, portanto, rei? Respondeu Jesus: Sim, eu sou rei. É para dar testemunho da verdade que nasci e vim ao mundo. Todo o que é da verdade ouve a minha voz.
Disse-lhe Pilatos: Que é a verdade?... Falando isso, saiu de novo, foi ter com os judeus e disse-lhes: Não acho nele crime algum.
Mas é costume entre vós que pela Páscoa vos solte um preso. Quereis, pois, que vos solte o rei dos judeus?
Então todos gritaram novamente e disseram: Não! A este não! Mas a Barrabás! (Barrabás era um salteador.)
Pilatos mandou então flagelar Jesus.
Os soldados teceram de espinhos uma coroa e puseram-lha sobre a cabeça e cobriram-no com um manto de púrpura.
Aproximavam-se dele e diziam: Salve, rei dos judeus! E davam-lhe bofetadas.
Pilatos saiu outra vez e disse-lhes: Eis que vo-lo trago fora, para que saibais que não acho nele nenhum motivo de acusação.
Apareceu então Jesus, trazendo a coroa de espinhos e o manto de púrpura. Pilatos disse: Eis o homem!
Quando os pontífices e os guardas o viram, gritaram: Crucifica-o! Crucifica-o! Falou-lhes Pilatos: Tomai-o vós e crucificai-o, pois eu não acho nele culpa alguma.
Responderam-lhe os judeus: Nós temos uma lei, e segundo essa lei ele deve morrer, porque se declarou Filho de Deus.
Estas palavras impressionaram Pilatos.
Entrou novamente no pretório e perguntou a Jesus: De onde és tu? Mas Jesus não lhe respondeu.
Pilatos então lhe disse: Tu não me respondes? Não sabes que tenho poder para te soltar e para te crucificar?
Respondeu Jesus: Não terias poder algum sobre mim, se de cima não te fora dado. Por isso, quem me entregou a ti tem pecado maior.
Desde então Pilatos procurava soltá-lo. Mas os judeus gritavam: Se o soltares, não és amigo do imperador, porque todo o que se faz rei se declara contra o imperador.
Ouvindo estas palavras, Pilatos trouxe Jesus para fora e sentou-se no tribunal, no lugar chamado Lajeado, em hebraico Gábata.
(Era a Preparação para a Páscoa, cerca da hora sexta.) Pilatos disse aos judeus: Eis o vosso rei!
Mas eles clamavam: Fora com ele! Fora com ele! Crucifica-o! Pilatos perguntou-lhes: Hei de crucificar o vosso rei? Os sumos sacerdotes responderam: Não temos outro rei senão César!
Entregou-o então a eles para que fosse crucificado.
Levaram então consigo Jesus. Ele próprio carregava a sua cruz para fora da cidade, em direção ao lugar chamado Calvário, em hebraico Gólgota.
Ali o crucificaram, e com ele outros dois, um de cada lado, e Jesus no meio.
Pilatos redigiu também uma inscrição e a fixou por cima da cruz. Nela estava escrito: Jesus de Nazaré, rei dos judeus.
Muitos dos judeus leram essa inscrição, porque Jesus foi crucificado perto da cidade e a inscrição era redigida em hebraico, em latim e em grego.
Os sumos sacerdotes dos judeus disseram a Pilatos: Não escrevas: Rei dos judeus, mas sim: Este homem disse ser o rei dos judeus.
Respondeu Pilatos: O que escrevi, escrevi.
Depois de os soldados crucificarem Jesus, tomaram as suas vestes e fizeram delas quatro partes, uma para cada soldado. A túnica, porém, toda tecida de alto a baixo, não tinha costura.
Disseram, pois, uns aos outros: Não a rasguemos, mas deitemos sorte sobre ela, para ver de quem será. Assim se cumpria a Escritura: Repartiram entre si as minhas vestes e deitaram sorte sobre a minha túnica (Sl 21,19). Isso fizeram os soldados.
Junto à cruz de Jesus estavam de pé sua mãe, a irmã de sua mãe, Maria, mulher de Cléofas, e Maria Madalena.
Quando Jesus viu sua mãe e perto dela o discípulo que amava, disse à sua mãe: Mulher, eis aí teu filho.
Depois disse ao discípulo: Eis aí tua mãe. E dessa hora em diante o discípulo a levou para a sua casa.
Em seguida, sabendo Jesus que tudo estava consumado, para se cumprir plenamente a Escritura, disse: Tenho sede.
Havia ali um vaso cheio de vinagre. Os soldados encheram de vinagre uma esponja e, fixando-a numa vara de hissopo, chegaram-lhe à boca.
Havendo Jesus tomado do vinagre, disse: Tudo está consumado. Inclinou a cabeça e rendeu o espírito.
Os judeus temeram que os corpos ficassem na cruz durante o sábado, porque já era a Preparação e esse sábado era particularmente solene. Rogaram a Pilatos que se lhes quebrassem as pernas e fossem retirados.
Vieram os soldados e quebraram as pernas do primeiro e do outro, que com ele foram crucificados.
Chegando, porém, a Jesus, como o vissem já morto, não lhe quebraram as pernas,
mas um dos soldados abriu-lhe o lado com uma lança e, imediatamente, saiu sangue e água.
O que foi testemunha desse fato o atesta (e o seu testemunho é digno de fé, e ele sabe que diz a verdade), a fim de que vós creiais.
Assim se cumpriu a Escritura: Nenhum dos seus ossos será quebrado (Ex 12,46).
E diz em outra parte a Escritura: Olharão para aquele que transpassaram (Zc 12,10).
Depois disso, José de Arimatéia, que era discípulo de Jesus, mas ocultamente, por medo dos judeus, rogou a Pilatos a autorização para tirar o corpo de Jesus. Pilatos permitiu. Foi, pois, e tirou o corpo de Jesus.
Acompanhou-o Nicodemos (aquele que anteriormente fora de noite ter com Jesus), levando umas cem libras de uma mistura de mirra e aloés.
Tomaram o corpo de Jesus e envolveram-no em panos com os aromas, como os judeus costumam sepultar.
No lugar em que ele foi crucificado havia um jardim, e no jardim um sepulcro novo, em que ninguém ainda fora depositado.
Foi ali que depositaram Jesus por causa da Preparação dos judeus e da proximidade do túmulo.




SOLENE FUNÇÃO LITÚRGICA DA TARDE


A função litúrgica em que a Igreja celebra, à tarde, a redenção do mundo deveria ser cara a todos os cristãos. Neste dia, o canto solene da Paixão, as grandes orações solenes em que a Igreja pede confiantemente pela salvação dos homens, a adoração da cruz e canto dos impropérios são coisas mais que simples ritos emocionantes; são a oração de ação de graças dos resgatados que, em comum, reconsideram diante de Deus tudo o que o mistério da Cruz para eles representa.


Compõe-se o ofício de quatro partes. A primeira parte é a catequese, constituída por duas leituras do Antigo Testamento e o canto da Paixão segundo São João. A segunda parte são as "Orações solenes". A terceira, a adoração da Santa Cruz, troféu da nossa redenção. A quarta, o rito da comunhão.


O drama da Paixão considerado do ponto de vista dos seus efeitos, é universal e perpétuo. É expiação de todos os pecados. E, neste sentido, todos os homens colaboram na morte do Salvador.


Pelos seus sofrimentos redentores, Jesus triunfa, como vítima, das paixões que agitaram e hão-de-agitar o coração do homem, até o fim dos tempos. Na paixão a humanidade como que se precipita sobre o sangue do médico divino em busca da cura.


A Adoração da Santa cruz é uma cerimônia trazida de Jerusalém, onde, no século IV, era apresentada à veneração dos fiéis a Vera-Cruz em que Nosso Senhor foi crucificado. Todos se prostravam diante dela e beijavam respeitosamente.


Na liturgia latina começa esta cerimônia por uma ostensão solene da Santa Cruz, que se conservara coberta com um véu durante o Tempo da Paixão.


Terminada a adoração da Santa cruz, é colocada em cima do altar, ao meio, entre os dois castiçais acesos. O celebrante e os ministros vestem paramentos roxos. O diácono como vai ao altar da reposição buscar a sagrada Eucaristia, que é conduzida entre dois acólitos com velas acesas.


Costuma-se fazer neste dia procissões com a imagem do Senhor morto e de Nossa Senhora das Dores a caminho da sepultura de Cristo, rezando a Via-crúcis.








Christus factus est pro nobis obediéns usque ad mortem, mortem autem crucis: propter quod et Deus exaltávit illum, et dedit illi nomen...
Lefebvre, Dom Gaspar. Missal Quotidiano e Vesperal. Bruges, Bélgica; Abadia de S. André, 1960.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Cristo no Getsêmani...














Foi nesta mesma lua cheia, que Nosso Senhor Jesus Cristo orou e suou sangue, pelas iniqüidades dos homens. Olhai e contemplai o sofrimento do Senhor que neste mesmo momento iria ser traído e preso de forma injusta e cruel...


QUINTA-FEIRA SANTA (TRÍDUO SANTO) MISSA COMEMORATIVA DA CEIA DO SENHOR, LAVA-PÉS OU MANDATO














Precisamente em que os inimigos lhe maquinavam a morte, o Salvador insistiu num meio de perpetuar o seu sacrifício redentor e de imortalizar a sua presença. Em recordação da última Ceia celebra hoje a Igreja o santo sacrifício no meio de radiante alegria: ministro com paramentos de festa, canto do Glória ao som de órgão e sinos.


Em princípio, uma só missa em cada igreja. No dia do aniversário da instituição da Eucaristia, isto tem por fim recordar que há um só sacerdócio, a quem Jesus confiou o múnus de renovar perpetuamente o seu sacrifício. Nas orações do Cânon da missa, no Comunicantes e no momento mesmo da consagração, a Igreja evoca com emoção a memória de Jesus ao instituir e celebrar o sacrifício de ação de graças na véspera da Paixão.


A Epístola da missa de hoje diz que é condição indispensável para comungar a caridade. E o Evangelho diz que a caridade é fruto da Eucaristia. Por isso o Senhor, depois de a instituir nos discípulos o grande dever da caridade, abaixando diante deles para lavar os pés. Seguindo este mesmo exemplo o celebrante lava os pés de doze homens, que são conduzidos processionalmente pelo diácono e subdiácono até a capela-mor.




A página do Evangelho que é lida hoje é uma das mais comoventes. O discípulo amado conta-nos como Jesus, após ter dado aos discípulo o "mandamento novo" de se amarem uns aos outros assim como ele os havia amado, se prostra de joelhos diante de cada um e lava-lhes os pés.

A Igreja, ao repetir esse gesto, inculca-nos o ensinamento do Senhor. Eis até onde deve chegar o amor do próximo: o servo não está acima do Senhor; o que o mestre fez é para ele o fazer também.


Enquadrada assim na Paixão, essa lição é concludente. O dever de bondade e perdão, o serviço dos outros, são coisas para que o cristão não conhece limites. Amado por Deus, ele tem, por sua vez, de amar os seus irmãos; perdoado, tem de perdoar. Exigência absoluta de adotar essa lei, sob pena de não ter parte com Cristo, sob pena de vir a ser, finalmente, excluído do seu reino. Talvez não haja no Evangelho ensinamento mais essencial.


Terminada a missa, o celebrante recebe do diácono a Sagrada Reserva, e dirige-se processionalmente para o altar da reposição. Durante a procissão, canta-se o Pange lingua até o Tantum Ergo. Esta cerimônia é concluída com a desnudação do altar. O Celebrante após a procissão do Santíssimo, acompanhado dos ministros, desnudam os altares e recita alternadamente com eles a antífona Dividunt e o salmo 21.




Continuação do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João: Naquele tempo:
Antes da festa da Páscoa, sabendo Jesus que chegara a sua hora de passar deste mundo ao Pai, como amasse os seus que estavam no mundo, até o extremo os amou.
Durante a ceia, - quando o demônio já tinha lançado no coração de Judas, filho de Simão Iscariotes, o propósito de traí-lo -,
sabendo Jesus que o Pai tudo lhe dera nas mãos, e que saíra de Deus e para Deus voltava,
levantou-se da mesa, depôs as suas vestes e, pegando duma toalha, cingiu-se com ela.
Em seguida, deitou água numa bacia e começou a lavar os pés dos discípulos e a enxugá-los com a toalha com que estava cingido.
Chegou a Simão Pedro. Mas Pedro lhe disse: Senhor, queres lavar-me os pés!...
Respondeu-lhe Jesus: O que faço não compreendes agora, mas compreendê-lo-ás em breve.
Disse-lhe Pedro: Jamais me lavarás os pés!... Respondeu-lhe Jesus: Se eu não tos lavar, não terás parte comigo.
Exclamou então Simão Pedro: Senhor, não somente os pés, mas também as mãos e a cabeça.
Disse-lhe Jesus: Aquele que tomou banho não tem necessidade de lavar-se; está inteiramente puro. Ora, vós estais puros, mas nem todos!...
Pois sabia quem o havia de trair; por isso, disse: Nem todos estais puros.
Depois de lhes lavar os pés e tomar as suas vestes, sentou-se novamente à mesa e perguntou-lhes: Sabeis o que vos fiz?
Vós me chamais Mestre e Senhor, e dizeis bem, porque eu o sou.
Logo, se eu, vosso Senhor e Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar-vos os pés uns aos outros.
Dei-vos o exemplo para que, como eu vos fiz, assim façais também vós.



Após a missa os fiéis são convidados a participar da adoração do Cristo Eucarístico. Esta adoração segue com a reflexão do Cristo no Getsêmani e após as 12h a adoração do Cristo preso e encarcerado. O ideal é que todos se recolham em silêncio, lembrando que nesta noite o Senhor foi preso para ser condenado injustamente pela nossa Salvação.




Lembrando que amanhã é Sexta-feira da Paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo, dia de luto, jejum, abstinência e oração. Pede-se o mínimo de silêncio e de recolhimento.

Lembrando que, o jejum prescrito pela Igreja é obrigatório a partir dos 18 anos. Pede-se que no café da manhã a refeição seja feita em 1/2(metade) do consumido habitualmente; no almoço deve-se comer de forma habitual sem exageros; a janta deve ser feita 2/3 do habitual e deve-se evitar bebidas alcoólicas, e alimentos que causem prazer gustativo, já que o objetivo do jejum é sentir fome e se privar das delícias da gula em forma de autodisciplina e de oração.



Lefebvre, Dom Gaspar. Missal Quotidiano e Vesperal. Bruges, Bélgica; Abadia de S. André, 1960.

QUINTA-FEIRA SANTA (SEMANA SANTA) OFÍCIO DE TREVAS E MISSA DO CRISMA











A Liturgia dos três últimos dias da Semana Santa tem um caráter emocionante. Entre os ofícios cantado dos mais belos do ano, a Santa Igreja recorda os grandes acontecimentos que assinalaram os últimos dias de vida do Salvador e faz-nos celebrar, como ela, o mistério da nossa Redenção. Celebração maravilhosa em que a Paixão misteriosamente se nos torna presente, a fim de renovar a nossa vida nas fontes donde nascera.



A Quinta-feira Santa é consagrada a instituição da Eucaristia e do sacerdócio. Foi na véspera da sua morte. Celebrando a Páscoa com seus discípulos, Jesus Sumo Sacerdote da Nova Lei, transforma o repasto ritual dos judeus num repasto mais sagrado ainda, em que ele próprio, verdadeiro cordeiro pascal, se dá em alimento àqueles que resgataria com a sua morte na Cruz. Neste mesmo dia benze o bispo os santos óleos. Desta forma se patenteia, que os sacramentos são, em parte, matéria, e que tem a sua fonte em Cristo, continuado pelo bispo, e toda a sua fecundidade a que brota do mistério Pascal da Salvação.




Na missa da tarde faz-se cerimônias do Mandato, recordação comovedora do gesto humilde de caridade com que Jesus quis ilustrar o mandamento novo do amor fraterno.




Celebra-se hoje também pela manhã o Ofício das Trevas - que compreende Matinas e Laudes - era celebrado este ofício, antes da reforma litúrgica da Semana Santa, na tarde, do dia anterior. Agora celebra-se no próprio dia, como primeiro ofício da manhã.




As Matinas, primitivos ofícios noturnos ou vigiliar, compõem-se de três noturnos, cada um com três salmos e três lições com seus responsórios.



O Ofício de Laudes, primitivamente ofício matutino e hoje ligado a Matinas, consta de cinco salmos e o benedictus.


Há quinze séculos que estes ofícios da Semana Santa se mantém, pode dizer-se inalterados; pelo que se podem considerar como os mais veneráveis do Breviário. Conservam-se pois, a sua sobriedade primitiva (sem invitatório, nem hino, nem Glória Patri no fim dos salmos); como característica particular, as pungentes lamentações de Jeremias, no primeiro noturno, e, no fim, Laudes, a canto do Christus factus est, incompleto e meditativo nos dois primeiros dias, para terminar triunfal no terceiro dia.




MISSA DO CRISMA +



Outrora celebravam-se neste dia Três missas: a primeira para a reconciliação dos penitentes, a segunda para a benção dos santos óleos, e a terceira comemorativa da instituição da Eucaristia, na última Ceia. Havendo caído em desuso a disciplina penitencial, deixou-se de celebrar a missa da reconciliação dos penitentes. A missa Crismal também tinha desaparecido; mas foi novamente restaurada com a reforma da Semana Santa.




A benção dos santos óleos é uma das mais belas e antiga das cerimônias da Liturgia. Desde o princípio que foi reservada ao bispo, como é ainda hoje no rito latino. Faz-se esta benção dentro da missa, celebrada pelo bispo, na sua catedral, na Quinta-feira Santa de manhã.




Para esta cerimônia, o bispo é assistido por sete diáconos e sete subdiáconos, a exemplo da missa Pascal, e de mais doze presbíteros, a recordar o colégio apostólico. A participação dos presbíteros nesta cerimônia é um vestígio das antigas concelebrações.



O Óleo dos enfermos é benzido antes do Pater noster; O Santo Crisma e o óleo dos catecúmenos, depois da comunhão. O Santo Crisma é matéria do sacramento da Confirmação, e usa-se também no batismo, sagração dos bispos, dedicação das Igrejas, sagração dos altares, cálices e patenas, benção da água batismal e dos sinos. O óleo dos catecúmenos emprega-se no Batismo, nas ordenações e também na benção da água batismal.


O óleo tem múltiplo simbolismo, o que explica a sua escolha e emprego: alimenta a chama brilhante, serve de medicamento untuoso na cura dos enfermos, de unção fortificante do atleta. Daí que sugere, muito naturalmente, a idéia de iluminação, de alívio, de força, de que se virá a tornar, no sacramento, sinal eficaz.




Continuação do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos: Naquele tempo: Então chamou os Doze e começou a enviá-los, dois a dois; e deu-lhes poder sobre os espíritos imundos.
Ordenou-lhes que não levassem coisa alguma para o caminho, senão somente um bordão; nem pão, nem mochila, nem dinheiro no cinto;
como calçado, unicamente sandálias, e que se não revestissem de duas túnicas.
E disse-lhes: Em qualquer casa em que entrardes, ficai nela, até vos retirardes dali.
Se em algum lugar não vos receberem nem vos escutarem, saí dali e sacudi o pó dos vossos pés em testemunho contra ele.
Eles partiram e pregaram a penitência.
Expeliam numerosos demônios, ungiam com óleo a muitos enfermos e os curavam.





Lefebvre, Dom Gaspar. Missal Quotidiano e Vesperal. Bruges, Bélgica; Abadia de S. André, 1960

quarta-feira, 8 de abril de 2009

QUARTA-FEIRA SANTA (SEMANA SANTA)


Sucedem-se umas às outras, nesta semana, as narrações da Paixão do Senhor. Hoje é a de São Lucas.



As duas leituras do antigo testamento são tiradas do profeta Isaías. Ambas se referem a missão redentora do messias, postas em confronto com as profecias que anunciavam, a Paixão de Jesus aparece-nos claramente como sendo a realização dos eternos desígnios de Deus a respeito da salvação do mundo.


Nesta missa, em que quase todos os textos falam dos sofrimentos do Salvador, o pensamento dominante é o da Redenção por ele operada: "Quiseste, ó Deus, que o vosso Filho sofresse o patíbulo da Cruz... Fazei que alcancemos a graça da Ressurreição".






+Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas:
Conforme o seu costume, Jesus saiu dali e dirigiu-se para o monte das Oliveiras, seguido dos seus discípulos.
Ao chegar àquele lugar, disse-lhes: Orai para que não caiais em tentação.
Depois se afastou deles à distância de um tiro de pedra e, ajoelhando-se, orava:
Pai, se é de teu agrado, afasta de mim este cálice! Não se faça, todavia, a minha vontade, mas sim a tua.
Apareceu-lhe então um anjo do céu para confortá-lo.
Ele entrou em agonia e orava ainda com mais instância, e seu suor tornou-se como gotas de sangue a escorrer pela terra.
Depois de ter rezado, levantou-se, foi ter com os discípulos e achou-os adormecidos de tristeza.
Disse-lhes: Por que dormis? Levantai-vos, orai, para não cairdes em tentação.
Ele ainda falava, quando apareceu uma multidão de gente; e à testa deles vinha um dos Doze, que se chamava Judas. Achegou-se de Jesus para o beijar.
Jesus perguntou-lhe: Judas, com um beijo trais o Filho do Homem!
Os que estavam ao redor dele, vendo o que ia acontecer, perguntaram: Senhor, devemos atacá-los à espada?
E um deles feriu o servo do príncipe dos sacerdotes, decepando-lhe a orelha direita.
Mas Jesus interveio: Deixai, basta. E, tocando na orelha daquele homem, curou-o.
Voltando-se para os príncipes dos sacerdotes, para os oficiais do templo e para os anciãos que tinham vindo contra ele, disse-lhes: Saístes armados de espadas e cacetes, como se viésseis contra um ladrão.
Entretanto, eu estava todos os dias convosco no templo, e não estendestes as mãos contra mim; mas esta é a vossa hora e do poder das trevas.
Prenderam-no então e conduziram-no à casa do príncipe dos sacerdotes. Pedro seguia-o de longe.
Acenderam um fogo no meio do pátio, e sentaram-se em redor. Pedro veio sentar-se com eles.
Uma criada percebeu-o sentado junto ao fogo, encarou-o de perto e disse: Também este homem estava com ele.
Mas ele negou-o: Mulher, não o conheço.
Pouco depois, viu-o outro e disse-lhe: Também tu és um deles. Pedro respondeu: Não, eu não o sou.
Passada quase uma hora, afirmava um outro: Certamente também este homem estava com ele, pois também é galileu.
Mas Pedro disse: Meu amigo, não sei o que queres dizer. E no mesmo instante, quando ainda falava, cantou o galo.
Voltando-se o Senhor, olhou para Pedro. Então Pedro se lembrou da palavra do Senhor: Hoje, antes que o galo cante, negar-me-ás três vezes.
Saiu dali e chorou amargamente.
Entretanto, os homens que guardavam Jesus escarneciam dele e davam-lhe bofetadas.
Cobriam-lhe o rosto e diziam: Adivinha quem te bateu!
E injuriavam-no ainda de outros modos.
Ao amanhecer, reuniram-se os anciãos do povo, os príncipes dos sacerdotes e os escribas, e mandaram trazer Jesus ao seu conselho.



Perguntaram-lhe: Dize-nos se és o Cristo! Respondeu-lhes ele: Se eu vo-lo disser, não me acreditareis;
e se vos fizer qualquer pergunta, não me respondereis.
Mas, doravante, o Filho do Homem estará sentado à direita do poder de Deus.
Então perguntaram todos: Logo, tu és o Filho de Deus? Respondeu: Sim, eu sou.
Eles então exclamaram: Temos nós ainda necessidade de testemunho? Nós mesmos o ouvimos da sua boca.
Levantou-se a sessão e conduziram Jesus diante de Pilatos,
e puseram-se a acusá-lo: Temos encontrado este homem excitando o povo à revolta, proibindo pagar imposto ao imperador e dizendo-se Messias e rei.
Pilatos perguntou-lhe: És tu o rei dos judeus? Jesus respondeu: Sim.
Declarou Pilatos aos príncipes dos sacerdotes e ao povo: Eu não acho neste homem culpa alguma.
Mas eles insistiam fortemente: Ele revoluciona o povo ensinando por toda a Judéia, a começar da Galiléia até aqui.
A estas palavras, Pilatos perguntou se ele era galileu.
E, quando soube que era da jurisdição de Herodes, enviou-o a Herodes, pois justamente naqueles dias se achava em Jerusalém.
Herodes alegrou-se muito em ver Jesus, pois de longo tempo desejava vê-lo, por ter ouvido falar dele muitas coisas, e esperava presenciar algum milagre operado por ele.
Dirigiu-lhe muitas perguntas, mas Jesus nada respondeu.
Ali estavam os príncipes dos sacerdotes e os escribas, acusando-o com violência.
Herodes, com a sua guarda, tratou-o com desprezo, escarneceu dele, mandou revesti-lo de uma túnica branca e reenviou-o a Pilatos.
Naquele mesmo dia, Pilatos e Herodes fizeram as pazes, pois antes eram inimigos um do outro.
Pilatos convocou então os príncipes dos sacerdotes, os magistrados e o povo, e disse-lhes:
Apresentastes-me este homem como agitador do povo, mas, interrogando-o eu diante de vós, não o achei culpado de nenhum dos crimes de que o acusais.
Nem tampouco Herodes, pois no-lo devolveu. Portanto, ele nada fez que mereça a morte.
Por isso, soltá-lo-ei depois de o castigar.
[Acontecia que em cada festa ele era obrigado a soltar-lhes um preso.]
Todo o povo gritou a uma voz: À morte com este, e solta-nos Barrabás.
(Este homem fora lançado ao cárcere devido a uma revolta levantada na cidade, por causa de um homicídio.)
Pilatos, porém, querendo soltar Jesus, falou-lhes de novo,
mas eles vociferavam: Crucifica-o! Crucifica-o!
Pela terceira vez, Pilatos ainda interveio: Mas que mal fez ele, então? Não achei nele nada que mereça a morte; irei, portanto, castigá-lo e, depois, o soltarei.
Mas eles instavam, reclamando em altas vozes que fosse crucificado, e os seus clamores recrudesciam.
Pilatos pronunciou então a sentença que lhes satisfazia o desejo.
Soltou-lhes aquele que eles reclamavam e que havia sido lançado ao cárcere por causa do homicídio e da revolta, e entregou Jesus à vontade deles.
Enquanto o conduziam, detiveram um certo Simão de Cirene, que voltava do campo, e impuseram-lhe a cruz para que a carregasse atrás de Jesus.
Seguia-o uma grande multidão de povo e de mulheres, que batiam no peito e o lamentavam.
Voltando-se para elas, Jesus disse: Filhas de Jerusalém, não choreis sobre mim, mas chorai sobre vós mesmas e sobre vossos filhos.
Porque virão dias em que se dirá: Felizes as estéreis, os ventres que não geraram e os peitos que não amamentaram!
Então dirão aos montes: Caí sobre nós! E aos outeiros: Cobri-nos!
Porque, se eles fazem isto ao lenho verde, que acontecerá ao seco?
Eram conduzidos ao mesmo tempo dois malfeitores para serem mortos com Jesus.
Chegados que foram ao lugar chamado Calvário, ali o crucificaram, como também os ladrões, um à direita e outro à esquerda.
E Jesus dizia: Pai, perdoa-lhes; porque não sabem o que fazem. Eles dividiram as suas vestes e as sortearam.
A multidão conservava-se lá e observava. Os príncipes dos sacerdotes escarneciam de Jesus, dizendo: Salvou a outros, que se salve a si próprio, se é o Cristo, o escolhido de Deus!
Do mesmo modo zombavam dele os soldados. Aproximavam-se dele, ofereciam-lhe vinagre e diziam:
Se és o rei dos judeus, salva-te a ti mesmo.
Por cima de sua cabeça pendia esta inscrição: Este é o rei dos judeus.
Um dos malfeitores, ali crucificados, blasfemava contra ele: Se és o Cristo, salva-te a ti mesmo e salva-nos a nós!
Mas o outro o repreendeu: Nem sequer temes a Deus, tu que sofres no mesmo suplício?
Para nós isto é justo: recebemos o que mereceram os nossos crimes, mas este não fez mal algum.
E acrescentou: Jesus, lembra-te de mim, quando tiveres entrado no teu Reino!
Jesus respondeu-lhe: Em verdade te digo: hoje estarás comigo no paraíso.
Era quase à hora sexta e em toda a terra houve trevas até a hora nona.
Escureceu-se o sol e o véu do templo rasgou-se pelo meio.
Jesus deu então um grande brado e disse: Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito. E, dizendo isso, expirou.
Vendo o centurião o que acontecia, deu glória a Deus e disse: Na verdade, este homem era um justo.
E toda a multidão dos que assistiam a este espetáculo e viam o que se passava, voltou batendo no peito.
Os amigos de Jesus, como também as mulheres que o tinham seguido desde a Galiléia, conservavam-se a certa distância, e observavam estas coisas.
Havia um homem, por nome José, membro do conselho, homem reto e justo.
Ele não havia concordado com a decisão dos outros nem com os atos deles. Originário de Arimatéia, cidade da Judéia, esperava ele o Reino de Deus.
Foi ter com Pilatos e lhe pediu o corpo de Jesus.
Ele o desceu da cruz, envolveu-o num pano de linho e colocou-o num sepulcro, escavado na rocha, onde ainda ninguém havia sido depositado.


Lefebvre, Dom Gaspar. Missal Quotidiano e Vesperal. Bruges, Bélgica; Abadia de S. André, 1960.

terça-feira, 7 de abril de 2009

TERÇA-FEIRA SANTA (SEMANA SANTA)


Na Cruz do Senhor está a nossa salvação, vida e ressurreição. É o que nos diz o Intróito da missa de hoje, que se repetirá na Quinta-Feira Santa; o mesmo nas orações. A celebração dos mistérios da nossa Redenção deve operar em nós uma renovação espiritual, penhor da eternidade.


A Epístola, tirada de Jeremias, anuncia a imolação do divino Cordeiro. Sublinha a inocência e serenidade de Jesus, posta em relevo igualmente na narração da Paixão segundo São Marcos.


Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos:
Foram em seguida para o lugar chamado Getsêmani, e Jesus disse a seus discípulos: Sentai-vos aqui, enquanto vou orar.
Levou consigo Pedro, Tiago e João; e começou a ter pavor e a angustiar-se.
Disse-lhes: A minha alma está numa tristeza mortal; ficai aqui e vigiai.
Adiantando-se alguns passos, prostrou-se com a face por terra e orava que, se fosse possível, passasse dele aquela hora.
Aba! (Pai!), suplicava ele. Tudo te é possível; afasta de mim este cálice! Contudo, não se faça o que eu quero, senão o que tu queres.
Em seguida, foi ter com seus discípulos e achou-os dormindo. Disse a Pedro: Simão, dormes? Não pudeste vigiar uma hora!
Vigiai e orai, para que não entreis em tentação. Pois o espírito está pronto, mas a carne é fraca.
Afastou-se outra vez e orou, dizendo as mesmas palavras.
Voltando, achou-os de novo dormindo, porque seus olhos estavam pesados; e não sabiam o que lhe responder.
Voltando pela terceira vez, disse-lhes: Dormi e descansai. Basta! Veio a hora! O Filho do homem vai ser entregue nas mãos dos pecadores.
Levantai-vos e vamos! Aproxima-se o que me há de entregar.
Ainda falava, quando chegou Judas Iscariotes, um dos Doze, e com ele um bando armado de espadas e cacetes, enviado pelos sumos sacerdotes, escribas e anciãos.
Ora, o traidor tinha-lhes dado o seguinte sinal: Aquele a quem eu beijar é ele. Prendei-o e levai-o com cuidado.
Assim que ele se aproximou de Jesus, disse: Rabi!, e o beijou.
Lançaram-lhe as mãos e o prenderam.
Um dos circunstantes tirou da espada, feriu o servo do sumo sacerdote e decepou-lhe a orelha.
Mas Jesus tomou a palavra e disse-lhes: Como a um bandido, saístes com espadas e cacetes para prender-me!
Entretanto, todos os dias estava convosco, ensinando no templo, e não me prendestes. Mas isso acontece para que se cumpram as Escrituras.
Então todos o abandonaram e fugiram.
Seguia-o um jovem coberto somente de um pano de linho; e prenderam-no.
Mas, lançando ele de si o pano de linho, escapou-lhes despido.
Conduziram Jesus à casa do sumo sacerdote, onde se reuniram todos os sacerdotes, escribas e anciãos.
Pedro o foi seguindo de longe até dentro do pátio. Sentou-se junto do fogo com os servos e aquecia-se.
Os sumos sacerdotes e todo o conselho buscavam algum testemunho contra Jesus, para o condenar à morte, mas não o achavam.
Muitos diziam falsos testemunhos contra ele, mas seus depoimentos não concordavam.
Levantaram-se, então, alguns e deram esse falso testemunho contra ele:
Ouvimo-lo dizer: Eu destruirei este templo, feito por mãos de homens, e em três dias edificarei outro, que não será feito por mãos de homens.
Mas nem neste ponto eram coerentes os seus testemunhos.
O sumo sacerdote levantou-se no meio da assembléia e perguntou a Jesus: Não respondes nada? O que é isto que dizem contra ti?
Mas Jesus se calava e nada respondia. O sumo sacerdote tornou a perguntar-lhe: És tu o Cristo, o Filho de Deus bendito?
Jesus respondeu: Eu o sou. E vereis o Filho do Homem sentado à direita do poder de Deus, vindo sobre as nuvens do céu.
O sumo sacerdote rasgou então as suas vestes. Para que desejamos ainda testemunhas?!, exclamou ele.
Ouvistes a blasfêmia! Que vos parece? E unanimemente o julgaram merecedor da morte.
Alguns começaram a cuspir nele, a tapar-lhe o rosto, a dar-lhe socos e a dizer-lhe: Adivinha! Os servos igualmente davam-lhe bofetadas.
Estando Pedro embaixo, no pátio, veio uma das criadas do sumo sacerdote.
Ela fixou os olhos em Pedro, que se aquecia, e disse: Também tu estavas com Jesus de Nazaré.
Ele negou: Não sei, nem compreendo o que dizes. E saiu para a entrada do pátio; e o galo cantou.
A criada, que o vira, começou a dizer aos circunstantes: Este faz parte do grupo deles.
Mas Pedro negou outra vez. Pouco depois, os que ali estavam diziam de novo a Pedro: Certamente tu és daqueles, pois és galileu.
Então ele começou a praguejar e a jurar: Não conheço esse homem de quem falais.
E imediatamente cantou o galo pela segunda vez. Pedro lembrou-se da palavra que Jesus lhe havia dito: Antes que o galo cante duas vezes, três vezes me negarás. E, lembrando-se disso, rompeu em soluços.
Logo pela manhã se reuniram os sumos sacerdotes com os anciãos, os escribas e com todo o conselho. E tendo amarrado Jesus, levaram-no e entregaram-no a Pilatos.
Este lhe perguntou: És tu o rei dos judeus? Ele lhe respondeu: Sim.
Os sumos sacerdotes acusavam-no de muitas coisas.
Pilatos perguntou-lhe outra vez: Nada respondes? Vê de quantos delitos te acusam!
Mas Jesus nada mais respondeu, de modo que Pilatos ficou admirado.
Ora, costumava ele soltar-lhes em cada festa qualquer dos presos que pedissem.
Havia na prisão um, chamado Barrabás, que fora preso com seus cúmplices, o qual na sedição perpetrara um homicídio.
O povo que tinha subido começou a pedir-lhe aquilo que sempre lhes costumava conceder.
Pilatos respondeu-lhes: Quereis que vos solte o rei dos judeus?
(Porque sabia que os sumos sacerdotes o haviam entregue por inveja.)
Mas os pontífices instigaram o povo para que pedissem de preferência que lhes soltasse Barrabás.
Pilatos falou-lhes outra vez: E que quereis que eu faça daquele a quem chamais o rei dos judeus?
Eles tornaram a gritar: Crucifica-o!
Pilatos replicou: Mas que mal fez ele? Eles clamavam mais ainda: Crucifica-o!
Querendo Pilatos satisfazer o povo, soltou-lhes Barrabás e entregou Jesus, depois de açoitado, para que fosse crucificado.
Os soldados conduziram-no ao interior do pátio, isto é, ao pretório, onde convocaram toda a coorte.
Vestiram Jesus de púrpura, teceram uma coroa de espinhos e a colocaram na sua cabeça.
E começaram a saudá-lo: Salve, rei dos judeus!
Davam-lhe na cabeça com uma vara, cuspiam nele e punham-se de joelhos como para homenageá-lo.
Depois de terem escarnecido dele, tiraram-lhe a púrpura, deram-lhe de novo as vestes e conduziram-no fora para o crucificar.
Passava por ali certo homem de Cirene, chamado Simão, que vinha do campo, pai de Alexandre e de Rufo, e obrigaram-no a que lhe levasse a cruz.
Conduziram Jesus ao lugar chamado Gólgota, que quer dizer lugar do crânio.
Deram-lhe de beber vinho misturado com mirra, mas ele não o aceitou.
Depois de o terem crucificado, repartiram as suas vestes, tirando a sorte sobre elas, para ver o que tocaria a cada um.
Era a hora terceira quando o crucificaram.
A inscrição que motivava a sua condenação dizia: O rei dos judeus.
Crucificaram com ele dois bandidos: um à sua direita e outro à esquerda.
[Cumpriu-se assim a passagem da Escritura que diz: Ele foi contado entre os malfeitores (Is 53,12).]
Os que iam passando injuriavam-no e abanavam a cabeça, dizendo: Olá! Tu que destróis o templo e o reedificas em três dias,
salva-te a ti mesmo! Desce da cruz!
Desta maneira, escarneciam dele também os sumos sacerdotes e os escribas, dizendo uns para os outros: Salvou a outros e a si mesmo não pode salvar!
Que o Cristo, rei de Israel, desça agora da cruz, para que vejamos e creiamos! Também os que haviam sido crucificados com ele o insultavam.
Desde a hora sexta até a hora nona, houve trevas por toda a terra.
E à hora nona Jesus bradou em alta voz: Elói, Elói, lammá sabactáni?, que quer dizer: Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?
Ouvindo isto, alguns dos circunstantes diziam: Ele chama por Elias!
Um deles correu e ensopou uma esponja em vinagre e, pondo-a na ponta de uma vara, deu-lho para beber, dizendo: Deixai, vejamos se Elias vem tirá-lo.
Jesus deu um grande brado e expirou.
O véu do templo rasgou-se então de alto a baixo em duas partes.
O centurião que estava diante de Jesus, ao ver que ele tinha expirado assim, disse: Este homem era realmente o Filho de Deus.
Achavam-se ali também umas mulheres, observando de longe, entre as quais Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago, o Menor, e de José, e Salomé,
que o tinham seguido e o haviam assistido, quando ele estava na Galiléia; e muitas outras que haviam subido juntamente com ele a Jerusalém.
Quando já era tarde - era a Preparação, isto é‚ é a véspera do sábado -,
veio José de Arimatéia, ilustre membro do conselho, que também esperava o Reino de Deus; ele foi resoluto à presença de Pilatos e pediu o corpo de Jesus.
Pilatos admirou-se de que ele tivesse morrido tão depressa. E, chamando o centurião, perguntou se já havia muito tempo que Jesus tinha morrido.
Obtida a resposta afirmativa do centurião, mandou dar-lhe o corpo.
Depois de ter comprado um pano de linho, José tirou-o da cruz, envolveu-o no pano e depositou-o num sepulcro escavado na rocha, rolando uma pedra para fechar a entrada.




Lefebvre, Dom Gaspar. Missal Quotidiano e Vesperal. Bruges, Bélgica; Abadia de S. André, 1960.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

SEGUNDA-FEIRA SANTA (SEMANA SANTA)


A Igreja convida a reviver, em espírito, os últimos dias de vida do Divino Mestre, e os sentimentos que o animaram ao aproximar-se da Paixão.




Na Epístola, Isaías descreve as obediências e o trabalho do Salvador e anuncia a vitória que lhe pertence, por ter posto em Deus a sua confiança. O evangelho refere no episódio da ceia em casa de Simão o leproso e como já o demônio se apossara da alma de Judas, que se irrita com a ação generosa de Santa Maria Madalena. O Senhor, via aproximar a Paixão e, na censura que dirigiu a Judas, deu a entender a irmã de Lázaro que seria aquela a última vez que tocaria no seu corpo mortal. As reclamações indignadas de Judas já nos afazem temer o crime horroroso que prepara. No entanto, a sentença de Lázaro ressuscitado enche-nos de esperança, instila-nos na alma o presságio confirmante duma grande vitória. A oração sobre o povo diz-nos com que alegria devemos viver os mistérios da Paixão do Salvador, o aniversário do nosso resgate e uma nova aplicação dos benefícios da Redenção.

Continuação do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João: Naquele tempo: Seis dias antes da Páscoa, foi Jesus a Betânia, onde vivia Lázaro, que ele ressuscitara.
Deram ali uma ceia em sua honra. Marta servia e Lázaro era um dos convivas.
Tomando Maria uma libra de bálsamo de nardo puro, de grande preço, ungiu os pés de Jesus e enxugou-os com seus cabelos. A casa encheu-se do perfume do bálsamo.
Mas Judas Iscariotes, um dos seus discípulos, aquele que o havia de trair, disse:
Por que não se vendeu este bálsamo por trezentos denários e não se deu aos pobres?
Dizia isso não porque ele se interessasse pelos pobres, mas porque era ladrão e, tendo a bolsa, furtava o que nela lançavam.
Jesus disse: Deixai-a; ela guardou este perfume para o dia da minha sepultura.
Pois sempre tereis convosco os pobres, mas a mim nem sempre me tereis.
Uma grande multidão de judeus veio a saber que Jesus lá estava; e chegou, não somente por causa de Jesus, mas ainda para ver Lázaro, que ele ressuscitara.

Lefebvre, Dom Gaspar. Missal Quotidiano e Vesperal. Bruges, Bélgica; Abadia de S. André, 1960.