quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Famoso ateu Richard Dawkins admite que não está seguro da inexistência de Deus (ACI Digital)

LONDRES, 28 Fev. 12 / 10:08 am (ACI/EWTN Noticias)

Um dos mais famosos ateus do mundo, o britânico Richard Dawkins, admitiu durante um debate na Universidade de Oxford, que não pode ter certeza de que Deus não existe.

No debate sobre a natureza e a origem do homem, Dawkins disse ao máximo líder anglicano, o arcebispo Rowan Williams, que prefere declarar-se agnóstico antes que ateu.

O debate, que fechou uma semana no qual se falou muito sobre a liberdade religiosa e a vida pública na Grã-Bretanha, realizou-se no Sir Christopher Wren’s Sheldonian Theatre e foi transmitido ao vivo através da Internet.

Em um momento do diálogo, o arcebispo disse ao catedrático que se sentia "inspirado pela elegância" de sua explicação sobre a origem da vida com a qual concordava em vários aspectos.

Conforme assinala o Daily Telegraph, o professor Dawkins disse ao arcebispo que "o que não posso entender é por que você não é capaz de ver a extraordinária beleza da idéia da vida começando de um nada. Isso é algo elegante, formoso. Por que quer poluí-lo com uma idéia confusa como Deus?"

Williams respondeu que estava "de acordo completamente com o elemento da beleza" no argumento de Dawkins mas precisou: "não estou falando de Deus como um extra mas como o centro disso".

Dawkins surpreendeu logo a todos afirmando que não estava 100% seguro de que não existisse um criador. Então o filósofo Sir Anthony Kenny, que mediu no debate perguntou: "por que você não diz então que é um agnóstico?", e Dawkins respondeu que era assim.

Incrédulo Anthony Kenny replicou: "Mas se diz que você é o ateu mais famoso do mundo...", ao qual Dawkins respondeu que está "6,9 de sete" seguro daquilo que acreditava.

"Acredito que a possibilidade de que exista um criador sobrenatural é muito, mas muito baixa", acrescentou Dawkins.

Logo o debate se deu em torno da possibilidade de que o homem tivesse evoluído de ancestrais não humanos, mas que chegaram à realidade atual de seres "à imagem e semelhança de Deus", conforme afirmou o arcebispo.
Fonte: http://www.acidigital.com/noticia.php?id=23211

Catecismo Romano: "Creio na Santa Igreja Católica" (Parte III)

Com o nome de igrejas é costume de designar-se também as comunidades parciais da Igreja universal. O apóstolo fala da igreja que acha em Corinto (ICor 1,2), Galácia (Gál 1,2), Laodicéia (Col 4,16), e Tessalônica (Tess 1,1).

Chama de igrejas as famílias particulares de fiéis; envia pois, saudações a igreja que acha na casa de Príscia e Áquila (Rom 16,3-5). Noutro lugar escreve: "muitos vos saúdam, em o Senhor, Aquilas e Priscila com a cristandade que assiste em sua casa"(ICor 16,19). Na epístola a Filêmon emprega a mesma expressão.

Muitas vezes o termo igreja significa também seus chefes e pastores, "Se não te ouvir, declarou Cristo, dixe-o `Igreja" (Mt 18,17). A expressão se refere aqui aos chefes eclesiásticos.

Chama se também igreja o lugar em que o povo se reúne, quer para sermão, quer para outra função sacra (ICor 11,18-22).
No artigo que ora tratamos, por igreja se entende principalmente a reunião de bons junto com os maus, a qual abrange não só os chefes, mas também os subordinados.

Os fiéis devem ainda conhecer as propriedades da Igreja, para se compenetrarem no imenso benefício que Deus outorgou a todos os que tiveram  a sorte de nascer, e educar-se em seu grêmio.
O primeiro caráter que se propõe no Símbolo dos Padres é a unidade. "Uma só é a minha pomba, diz a Escritura, uma só é minha formosura" (Cant 6,8; 2,13,14).
Esta enorme multidão de homens dispersos em todas as direções, chama-se uma e una, em virtude das mesmas razões que o Apóstolo alegava aos Efésios para provar que há "um só Senhor, uma só Fé, e um só Batismo." (Efé 4,5). Há um só que a dirige e governa, Invisivelmente, é Cristo a quem o Eterno Pai constitui "Cabeça de toda a Igreja, que é seu corpo"; visivelmente, porém, é aquele que ocupa a cátedra de Roma, como Legítimo sucessor de São Pedro, Príncipe dos Apóstolos (Mt 16,18).
São Jerônimo Séc IV e V

Pelo Papado - Testamento dos Santos padres - São Jerônimo: Todos os Padres da Igreja eram unânimes ao afirma que era preciso uma cabeça visível, para assentar e manter a unidade de toda Igreja.
Esta necessidade, São Jerônimo a reconhece e defende, de modo formal, em seus arrazoados contra joviniano: "Um só é eleito, para que a instituição de um chefe remova toda ocasião de cisma". E ao Papa Dâmaso escreve: "Fuja a inveja, desapareça a pretensão de aspirar a suprema dignidade romana. Estou a falar com quem sucedeu  ao Pescador, como o discípulo da Cruz. Nenhum chefe supremo reconheço senão a Cristo; por isso me ponho em comunhão com vossa Santidade, isto é, com a cátedra de Pedro. Sei que por esta pedra está edificada a Igreja. Quem comer o cordeiro fora desta casa é profano. Quem se não recolher a Arca de Noé há de perecer por ocasião do Dilúvio".

São Cipriano Séc III

Santo Irineu (130 - 202 A.D.)

Santos Irineu e São Cipriano:  Muito antes, a mesma doutrina foi exposta por Santo Irineu por São Cipriano, que nestes termos discorreu sobre a unidade da Igreja: "Diz o Senhor a Pedro: Eu te digo, Pedro, que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja, não obstante haver conferido, após a ressurreição, o mesmo poder a todos os Apóstolos, com as palavras: Assim como o Pai me enviou assim eu vos envio a vós (Jo 20,21).  Recebei o Espírito Santo (Jo 20,22). No entanto para estabelecer claramente uma unidade, quis pelo seu poder que a mesma unidade se derivasse de um só, etc."

Optato de Milive Século IV

Optato de Milive: Optato de Milive também declara: "A ti não se pode atribuir ignorância, pois sabes que, na cidade de Roma, a cadeira episcopal foi conferida a Pedro em primeiro lugar, e foi Pedro que a ocupou na qualidade de chefe de todos os Apóstolos. É nele apenas que todos deveriam guardar a unidade, a fim de que os Apóstolos não tivessem pretensões exclusivas a favor de suas cadeiras. Seria, portanto, cismático e insubmisso quem quisesse opor outra cadeira a esta, que é a única".
São Basílio Magno (329 - 379 A.D.)

São Basílio Magno: Mai tarde, escrevia São Basílio Magno: "Pedro foi posto como fundamento. Quando dissera: Tu és o Cristo, Filho do Deus vivo (Mt 16,16); - ouviu também ouviu a resposta que ele era a pedra (Mt 16,18), se bem que não fosse a pedra como o era Cristo. Pois Cristo é a Pedra Inabalável, ao passo que Pedro é pedra em virtude desta pedra. Como Deus, Ele comunica aos outros suas próprias excelências: E sacerdote, e institui sacerdotes; é rocha, e põe rocha; o que Lhe é próprio, dá-o também aos seus servidores".


(Fonte: Catecismo da Igreja Católica - 1962 - Ed. Vozes)

QUARTA-FEIRA DAS TÊMPORAS DA QUARESMA


Elias, O Profeta


As têmporas da Primavera (Outono - Hemisfério Sul) coincidem com a primeira semana da Quaresma. Foram instituídas para consagrar a Deus a nova estação e atrair as graças do céu para aqueles que vão receber no sábado o sacramento da Ordem. A estação da Quarta-feira de Têmporas reuniu sempre na Santa Maria maior, a maior e mais bela igreja consagrada a Nossa Senhora em Roma. De fato convinha que a assembléia cristã reunisse, neste dia em que se procede ao escrutínio para as ordenações, num templo daquela que Proclo de Constantinopla saúda: "templo santíssimo em que Deus se fez sacerdote". As duas leituras que substituem a Epístola falam-nos de Moisés e de Elias, do legislador e do profeta que, antes de serem admitidos à presença de Deus na montanha santa, deveriam purificar-se pelo jejum e desfazer-se das coisas da Terra para ficarem mais livres para as coisas de Deus. No evangelho o Senhor fala-nos da sua ressurreição figurada no profeta Jonas. Preparemo-nos com jejuns e boas obras para a festa da ressurreição que nos há de aproximar mais de Deus.



Evangelho do dia:

Continuação do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus: Naquele tempo:
Então alguns escribas e fariseus tomaram a palavra: Mestre, quiséramos ver-te fazer um milagre.
Respondeu-lhes Jesus: Esta geração adúltera e perversa pede um sinal, mas não lhe será dado outro sinal do que aquele do profeta Jonas:
do mesmo modo que Jonas esteve três dias e três noites no ventre do peixe, assim o Filho do Homem ficará três dias e três noites no seio da terra.
No dia do juízo, os ninivitas se levantarão com esta raça e a condenarão, porque fizeram penitência à voz de Jonas. Ora, aqui está quem é mais do que Jonas.
No dia do juízo, a rainha do Sul se levantará com esta raça e a condenará, porque veio das extremidades da terra para ouvir a sabedoria de Salomão. Ora, aqui está quem é mais do que Salomão.
Quando o espírito impuro sai de um homem, ei-lo errante por lugares áridos à procura de um repouso que não acha.
Diz ele, então: Voltarei para a casa donde saí. E, voltando, encontra-a vazia, limpa e enfeitada.
Vai, então, buscar sete outros espíritos piores que ele, e entram nessa casa e se estabelecem aí; e o último estado daquele homem torna-se pior que o primeiro. Tal será a sorte desta geração perversa.
Jesus falava ainda à multidão, quando veio sua mãe e seus irmãos e esperavam do lado de fora a ocasião de lhe falar.
Disse-lhe alguém: Tua mãe e teus irmãos estão aí fora, e querem falar-te.
Jesus respondeu-lhe: Quem é minha mãe e quem são meus irmãos?
E, apontando com a mão para os seus discípulos, acrescentou: Eis aqui minha mãe e meus irmãos.
Todo aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe.



Lefebvre, Dom Gaspar. Missal Quotidiano e Vesperal. Bruges, Bélgica; Abadia de S. André, 1960.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

27 ou 28 de Fevereiro - São Gabriel de Nª Srª das Dores, Confessor

Gabriel de Nossa Senhora das Dores, a quem Leão XIII chamava o São Luiz Gonzaga de nossos dias, nasceu em Assis a 1 de março de 1838, filho de Sante Possenti di Terni e Inês Frisciotti. No mesmo dia que viu a luz do mundo, recebeu a graça do batismo, na mesma pia, em que foi batizado o grande patriarca S. Francisco, na Igreja de S. Rufino.
O pai do Santo, já com vinte e dois anos era governador da cidade de Urbânia, cargo que sucessivamente veio a ocupar em S. Ginésio, Corinaldo, Cingoli e Assis. Como um dos magistrados dos Estados Pontifícios, gozava de grande estima do Papa Pio IX e Leão XIII honrava-o com sua sincera amizade. A mãe era de nobre família de Civitanova d’Ancona. Estes dois cônjuges apresentavam modelos de esposos cristãos, vivendo no santo temor de Deus, unidos no vínculo de respeito e amor fidelíssimo, que só a morte era capaz de solver. Deus abençoou esta santa união com treze filhos, dos quais Gabriel era o undécimo. Este, no batismo recebeu nome de Francisco, em homenagem a seu avô e ao Seráfico de Assis.

Dando testemunho da educação que recebiam na família, no Processo da beatificação do Servo de Deus, os seus irmãos declararam: “Nós fomos educados com o máximo cuidado, no que diz respeito à piedade e à instrução. Nossa mãe era piedosíssima e nos educou segundo as máximas da nossa santa Religião”. Nos braços, sobre os joelhos de uma mãe profundamente religiosa o pequeno Francisco aprendeu os rudimentos da vida cristã e pronunciar os santos nomes de Jesus e Maria.

A grande felicidade que na infância reinava, experimentou um grande abalo, quando inesperadamente o anjo da morte veio visitar aquele lar e arrebatar-lhe a mãe. D. Inês sentindo a última hora se aproximar, na compreensão do seu dever de mãe cristã reuniu todos os filhos à cabeceira do leito mortal, estreitou-os, um por um, ao seu coração, selou a sua fronte com o último beijo, deu-lhes a bênção, distinguindo com mais carinho os de tenra idade, entre estes, Francisco; munida de todos os sacramentos, confortada pela graça de Deus, na idade de 38 anos deixou este mundo, para, na eternidade, perto de Deus, receber o prêmio de suas raras virtudes.

O inimigo das almas tirou proveito dessas fraquezas. Se não conseguiu roubar-lhe a inocência, não foi porque não lhe poupasse contínuos assaltos, bem sucedidos. A paixão pelo teatro, a verdadeira mania por bailes, o amor à leitura de romances eram tantos escolhos, tantos perigos, que é de admirar que o jovem Francisco não caísse presa das ciladas diabólicas. Tão pronunciada era sua paixão às danças, que lhe importou a alcunha de “bailarino”. Assim um dos seus mestres, Pe. Pinceli, Jesuíta, quando soube da inesperada fuga de Possenti do mundo para o convento, disse: “O bailarino fez isto? Quem esperava uma tal coisa! Deixar tudo e fazer-se religioso no noviciado dos Padres Passionistas!”

Francisco bem conhecia o perigo em que nadava, e não faltava quem o chamasse à atenção, o lembrasse da necessidade da oração, da vigilância, da mortificação, da devoção a Jesus e Maria, de não perder de vista a eternidade, etc. Em uma carta que lhe escreveu o Pe. Fedeschini, S. J. há todos estes avisos; o conselho de fugir das más companhias, de dar desprezo à vaidade no vestir e falar, de largar o respeito humano, de fazer meditação diária e receber os sacramentos.

Com todas as leviandades e suas perigosas tendências para o mundo, Francisco não deixava de ser um bom e piedoso jovem, a quem homens sábios e virtuosos não pudessem escrever com confiança, benevolência e estima e cujas palavras não fossem aceitas com respeito e gratidão.

“Muitas vezes” – diz quem bem o conhecia – “Possenti sentiu o chamado de Deus, de deixar a vida no mundo e trocá-la com o estado religioso”. Seu diretor, Pe. Norberto, Passionista, declara: “A vocação, se bem que descuidada e sufocada, estava nele havia muito tempo e ele a sentiu desde os mais tenros anos. Muitas vezes o servo de Deus disse-me isto, lastimando a sua ingratidão e indiferença”.

O mesmo sacerdote relata: “A sua vocação se manifestou do seguinte modo: Não sei em que ano foi, sentiu-se ele acometido de um mal, que o fez pensar na morte. Teve então a inspiração de prometer a Deus entrar numa Ordem religiosa, caso recuperasse a saúde. A promessa foi aceita, pois melhorou prontamente e em pouco tempo se achou restabelecido. A promessa ficou como se não fosse feita. O jovem tornou a dar o seu afeto ao mundo e se entregou à dissipação como antes. Não tardou que Deus lhe mandasse outra enfermidade, uma inflamação interna e externa da garganta, tão grave, que parecia a morte iminente já na primeira noite, tornando-se-lhe dificílima à respiração. Novamente o enfermo recorreu a Deus e invocando Santo André Bobola, aplicou ao lugar dolorido uma estampa do mesmo Santo,e renovou a promessa de abraçar o estado religioso. As melhoras se acentuaram quase instantaneamente e teve o enfermo uma noite tranqüila e não mais voltaram as angústias da dispnéia. Deste extraordinário favor o jovem se lembrou sempre com muita gratidão. Manteve também por algum tempo o propósito de fazer-se religioso, mas diferindo-lhe a execução, o amor ao mundo voltou e no mundo continuou a viver.

Das paixões de Francisco, uma das mais fortes foi a da caça. A esta paixão ele pagava tributos bem pesados e seu diretor espiritual não hesitou em atribuir a este esporte a cruel moléstia, que o ceifou na flor da idade. Certa vez, em pular uma cerca, chegou a cair e com tanta infelicidade, que quebrou-lhe um osso do nariz. O fuzil disparou e o projétil passou-lhe rentinho pela testa, pouco faltando que lhe rebentasse o crânio. Francisco reconhecendo logo a providência deste aviso, renovou a sua promessa. Ficou com as cicatrizes, mas deixou-se ficar no mundo.

A graça divina também não se deu por vencida. Rejeitada três vezes, tentou um quarto golpe, mais doloroso ainda. De todos de sua família Francisco dedicava terníssima amizade a sua irmã Maria Luzia, nove anos mais velha que ele, e esta amizade era correspondida com todo afeto. Em 1855 irrompeu em Spoleto a cólera e Maria Luiza foi a primeira vítima da terrível epidemia. Foi no dia Corpus Christi, e a notícia alcançou Francisco, quando, na procissão, levava a cruz. A morte da irmã feriu profundamente o coração do jovem e mergulhou sua alma em trevas nunca antes experimentadas. Perdeu o gosto de tudo e se entregou a uma tristeza inconsolável. Parecia, que com este golpe a graça divina tivesse removido o último obstáculo de a promessa se cumprir. Assim ainda não foi. Todo acabrunhado, Francisco manifestou ao pai sua resolução de entrar para o convento chegando a dizer que para ele tudo se tinha acabado nesta vida. Possenti, receando perder seu filho a quem muito amava, não recebeu bem a comunicação e pediu-lhe nunca mais tocasse neste assunto. Aconselhou-o a se distrair, a afastar os pensamentos tristes a procurar a sociedade, freqüentar o teatro; chegou a insinuar-lhe a idéia de procurar a amizade de uma donzela distinta, de família igualmente conceituada, na esperança de nos entendimentos inocentes ela conseguir de fazê-lo esquecer-se dos seus intentos religiosos.

Na igreja metropolitana de Spoleto gozava de uma veneração singular uma imagem de Nossa Senhora; a esta imagem chamava simplesmente “a Icone”. Na oitava do dia 15 de agosto esta imagem era levada em solene procissão por dentro da igreja e não havia quem não se ajoelhasse à sua passagem. Em 1856 Francisco Possenti achava-se no meio dos fiéis e todo tomado de amor por Maria Santíssima, os seus olhos se fixavam na venerada imagem como que esperando por uma bênção especial. Pois, quando a “Icone” vinha aproximando-se do jovem, parecia ela lhe atirar um olhar todo especial e lhe dizer: “Francisco, o mundo não é para ti; a vida no convento te espera”. Esta palavra, qual uma seta de fogo cravou-lhe no coração; assim saiu da igreja desfeito em lágrimas. Estava resolvido a realizar desta vez o plano de alguns anos. Tratou, porém, de não dar por enquanto nenhuma demonstração do seu intento.

Embora certo de sua vocação, mas desconfiando da sua fraqueza, e para não ser vítima de uma ilusão procurou seu mestre no liceu e diretor espiritual Pe. Bompiani, Jesuíta e a ele se abriu inteiramente, fazendo do conselho do mesmo depender sua resolução definitiva. O exame foi feito com toda sinceridade e tendo tomado em consideração todos os fatores influentes no passado da vida do jovem, o Pe. Bompiani não duvidou de se tratar de uma vocação verdadeira e animou o jovem a seguí-la. Consultas que fez com mais dois sacerdotes de sua inteira confiança, tiveram o mesmo resultado. Francisco se resolveu então a pedir sua admissão na Congregação dos Passionistas. Comunicar ao pai a resolução tomada, não foi fácil. Mas desta vez o Sr. Sante, homem consciencioso, vendo a aflição e a firmeza de seu filho, não mais se opôs; tomado, porém, de espanto quando soube que a Congregação por Francisco escolhida, a dos Passionistas, era de todas a mais austera. Se bem que não se opusesse à vontade do filho, tratou de procrastinar a execução do seu plano e impor condições. Francisco, porém, ficou firme. Tomou ainda e pela última vez, parte na solenidade da distribuição dos prêmios, no colégio dos Jesuítas, fez como sempre um papel brilhante no palco, despediu-se dos seus professores, dos seus amigos e em companhia de seu irmão Luiz, da Ordem Dominicana, por ordem de seu pai, fez uma visita a seu tio Cesare, cônego da Basílica de Loreto e a um parente de seu pai, Frei João Batista da Civitanova, guardião de um convento dos capuchinhos, levando para ambos carta de Sante Possenti em que este pedia examinassem a vocação do jovem. Tanto o cônego como o capuchinho carregaram bastante as cores da vida austera na Congregação dos Passionistas, que absolutamente não lhe conviria, a ele, moço de dezoito anos, acostumado a seguir às suas vontades, sem restrição de comodidades. A visita à Santa Casa em Loreto Francisco aproveitou largamente para recomendar-se a N. Sra. Não mais arredou do caminho encetado. De Loreto foi para convento Morrovale, dos Passionistas onde já em 21 de setembro de 1856 recebeu o hábito com o nome de Gabriel dell’Adolorata. Admitido no noviciado, escreveu ao pai e aos irmãos, comunicando-lhes o fato. Ao pai pede perdão, aos irmãos recomenda amor filial e boa conduta. A carta, embora de simplicidade encantadora, é um documento admirável de sentimento filial e católico. Aos companheiros seus de estudo dirigiu cartas também. Despede-se, pede perdão de maus exemplos que julgava ter dado; aconselha-os a fugir das más companhias, do teatro, das más leituras e das conversas inúteis.

Convencidíssimo da sua vocação religiosa, longe do mundo, da sociedade e da família, não mais teve outro ideal que subir as culminâncias da perfeição.

Inconfundível era sua personalidade no meio dos seus companheiros do noviciado. Sem perder as notas características do seu caráter, a jovialidade, a alegria de espírito, a amenidade de trato, era ele inexcedível não só na exatidão do cumprimento dos exercícios regulares, como também na prática das virtudes cristãs e monásticas. E se perscrutarmos as causas profundas desta mudança radical na vida de Gabriel, duas conseguiremos encontrar, aliás suficientes e esclarecedoras: o ardente amor a Jesus Crucificado, à Santa Eucaristia, sua devoção singular a Mãe de Deus, em particular à Nossa Senhora das Dores e sua inalterada mortificação, por meio da qual deu morte aos seus desordenados apetites, um por um.

Tendo corrido o ano de provação, Gabriel foi admitido à profissão e mandado para várias casas da Congregação, com o fim de completar os seus estudos de teologia. Durante os anos de preparação para o sacerdócio, superiores e companheiros viram no santo jovem o modelo mais perfeito de todas as virtudes, e cumpridor exatíssimo dos seus deveres.

Quando chegou à idade de vinte e três anos, anunciaram-se os primeiros sintomas da moléstia, que no prazo de um ano havia de levá-lo ao túmulo: a tuberculose pulmonar. O longo tempo da sua enfermagem Gabriel o aproveitou para ainda mais se aprofundar na sua devoção predileta à Sagrada Paixão e Morte de Jesus Cristo e à Maria Santíssima, mãe das dores. Em fevereiro de 1862 ainda pôde andar e receber a santa comunhão na igreja, junto com seus companheiros. Inesperadamente o mal se agravou; foi preciso avisá-lo para receber os últimos sacramentos. A notícia assustou-o por um momento só; mas imediatamente recuperou a habitual calma, que logo se transformou numa alegria antes nunca experimentada. O modo de receber o santo viático comoveu e edificou a todos que assistiram. Não mais largava a imagem do crucificado, que cobria de beijos, e ao seu alcance tinha a estátua de N. Sra. das Dores, que freqüentemente apertava ao seu peito, proferindo afetuosas jaculatórias, como estas: “Minha mãe, faze depressa!” – “Jesus, Maria, José, expire eu em paz em vossa companhia!” – “Maria, mãe da graça, mãe da misericórdia, do inimigo nos protegei, e na hora da morte nos recebei”. – Poucos momentos antes do desenlace, o agonizante, que parecia dormir, de repente, todo a sorrir, virou o rosto para esquerda, fixando olhar para um determinado ponto. Como que tomado de uma grande comoção diante de uma visão impressionante, deu um profundo suspiro de afeto e nesta atitude, sempre sorridente, com as mãos apertando as imagens do crucifixo e da Mater dolorosa, passou desta vida para a outra.

Assim morreu o santo jovem na idade de vinte e quatro anos, na manhã de 27 de fevereiro de 1862. Foi sepultado na igreja da Congregação, em Isola Del Gran Sasso. Trinta anos depois fêz-se o reconhecimento do seu corpo. Nesta ocasião com o simples contacto de suas relíquias verificou-se a cura prodigiosa de uma jovem que a tuberculose pulmonar tinha reduzido ao último estado. Reproduziram-se aos milhares os prodígios que foram constatados à invocação do Santo. Em 1908 o Papa Pio X inscreveu o nome de Gabriel da Virgem Dolorosa no catálogo dos Beatos e em 1920 Bento XV decretou-lhe as solenes honras da canonização.

Pio XI estendeu a sua festa a toda a Igreja, em 1932.

Oração


Ó Deus, que ensinastes a S. Gabriel a honrar com assiduidade as dores de vossa Mãe dulcíssima e por ela o elevaste à glória da Santidade e dos milagres, concedei-nos, pela sua intercessão e seus exemplos, a graça de partilharmos tão intimamente as dores de vossa Mãe Santíssima, que por sua maternal proteção consigamos a salvação eterna

Prepração para a morte: Vaidade do mundo III



Os gregos criaram o conto de Narciso para mostrar
até onde a vaidade pode nos afetar
PONTO III

"O tempo é breve... os que se servem do mundo, sejam como se dele não se servissem, porque a figura deste mundo passa..." (1Cor 7,31). Que é com efeito nossa vida temporal senão uma cena que passa e se acaba logo? "Passa a figura deste mundo", quer dizer, a aparência, a cena de comédia. "O mundo é como um teatro — diz Cornélio a Lápide; — desaparece uma geração e outra lhe sucede. Quem representou o papel de rei, não levará consigo a púrpura... dize-me, ó cidade, ó casa, quantos donos tiveste?" Quando acaba a peça, o rei deixa de ser rei, o Senhor deixa de ser senhor. Possuis agora essa quinta ou palácio; mas virá a morte e outros passarão a ser donos de tudo.

A hora da morte faz esquecer todas as grandezas, honras e vaidades do mundo (Ecl 11,29). Casimiro, rei da Polônia, morreu de repente, quando, achando-se à mesa com grandes do reino, levava aos lábios a taça para beber. Rapidamente acabou para ele a cena do mundo... O imperador Celso foi assassinado oito dias depois de ter sido elevado ao trono, e assim acabou para Celso a peça da vida. Ladislau, rei da Boêmia, jovem de dezoito anos, esperava a sua esposa, filha do rei da França, e lhe preparava grandes festejos, quando certa manhã o acometeu dor veementíssima da qual caiu fulminado. Expediram-se imediatamente correios, advertindo a esposa que voltasse para a França, porque para Ladislau o drama do mundo já tinha acabado... Este pensamen-to da vaidade do mundo fez santo a Francisco de Borja que (como em outro lugar dissemos), ao ver o cadáver da imperatriz Isabel, falecida no meio das grandezas e na flor da idade, resolveu entregar-se inteiramente a Deus, dizendo: "Assim acabam as grandezas e coroas do mundo?... Não quero servir a senhor que me possa ser roubado pela morte".

Procuremos, pois, viver de maneira que à hora de nossa morte não se nos possa dizer o que se disse ao néscio mencionado no Evangelho: "Insensato, nesta noite hão de exigir de ti a entrega de tua alma; e as coisas que juntaste, para quem serão? (Lc 12,20). E logo acrescenta São Lucas: Assim é que sucede a quem enriquece para si, e não é rico aos olhos de Deus (Lc 12,21). Mais adiante se diz: Procurai entesourar para o céu, onde não chegam os ladrões nem rói a traça" (Mt 6,20); ou seja, procurai enriquecer, não com os bens do mundo, senão de Deus, com virtudes e merecimentos que estarão convosco eternamente no céu. Façamos, pois, todo o esforço para adquirir o grande tesouro do amor divino. "Que possui o rico, se não tem caridade? E se o pobre tem caridade, que não possui?" — diz Santo Agostinho. — Quem possui todas as riquezas, mas não possui a Deus, é o mais pobre do mundo. Mas o pobre que possui a Deus possui tudo... E quem é que possui a Deus? Aquele que o ama. "Quem permanece na caridade, em Deus permanece, e Deus nele" (Mt 4,16).

AFETOS E SÚPLICAS

Meu Deus, não quero que o demônio volte a rei-nar na minha alma, mas que vós sejais meu único dono e senhor... Quero renunciar a tudo para alcançar vossa graça, que prefiro a mil coroas e mil reinos. E a quem deveria amar senão a vós, amabilidade infinita, bem infinito, beleza, bondade, amor infinitos? Na vida passada, enjeiteivos pelas criaturas e isto será sempre para mim profunda dor que me atravessará o coração por vos ter ofendido, que tanto me tendes amado. Mas já que me haveis atraído com vossa graça, espero que não hei de verme privado novamente de vosso amor. Tomai, ó meu Amor, toda a minha vontade e tudo o que me pertence e fazei de mim o que vos aprouver. Peço-vos perdão por minhas culpas e desordens passadas. Nunca mais me queixarei das disposições da vossa providência, porque sei que todas elas são santas e ordenadas para meu bem. Fazei, pois, meu Deus, o que quiserdes, e eu vos prometo aceitar com alegria, e darvos gra-ças...

Fazei que vos ame, e nada mais pedirei... Basta de riquezas, basta de honras, basta de mundo. A meu Deus, só a meu Deus quero.

E vós, bem-aventurada Virgem Maria, modelo de amor a Deus, alcançai-me que, ao menos no resto de minha vida, vos acompanhe nesse amor. É em vós, Senhora, que confio.

Requiem aeternam dona eis, Domine, et lux perpetua luceat eis. Requiescant in pace

Fonte: Preparação para a Morte - Santo Afonso Maria de Ligório - Considerações sobre as verdades eternas - Tradução de Celso de Alencar - Versão PDF de FL. Castro - 2004

Terça-feira da 1ª semana da Quaresma

Interior da Basílica de Santa Anastácia
A Estação de hoje reunia-se na antiga Igreja do Século IV,  a única paroquial do centro e dos quarteirões mais ricos da cidade. Foi sem dúvida a grande popularidade do culto de Santa Anastácia que nela se venera, que deveu ser escolhida para a estação do Natal e de Hoje. A Epístola nos convida hoje com insistência para que nos voltemos a Deus, escultemos a sua voz e entremos nas suas vistas, para, que deste modo, nos libertarmos da nossa própria pequenez e assim lhe permitirmos realizar aos seus insondáveis desígnios. Esta procura de Deus é para nós igualmente recomendada no Evangelho. Foi o que nos mostrou o Senhor, expulsando do templo os vendilhões. É porque os fariseus não estávam animados deste santo anseio, ficram indeiferentes e cegos diante dos milagres do Salvador e incapazes de reconhecer nele o Filho de Davi e o enviado de Deus.

Epístola:

Leiturado Profeta Isaías: Naqueles dias disse o profeta Isaías: (55, 6-11) Renuncie o malvado a seu omportamento, e o pecador a seus projetos; volte ao Senhor, que dele terá piedade, e a nosso Deus que perdoa generosamente. Pois meus pensamentos não são os vossos, e vosso modo de agir não é o meu, diz o Senhor; mas tanto quanto o céu domina a terra, tanto é superior à vossa a minha conduta e meus pensamentos ultrapassam os vossos. Tal como a chuva e a neve caem do céu e para lá não volvem sem ter regado a terra, sem a ter fecundado, e feito germinar as plantas, sem dar o grão a semear e o pão a comer, assim acontece à palavra que minha boca profere: não volta sem ter produzido seu efeito, sem ter executado minha vontade e cumprido sua missão.
Santa Anastácia

Evangelho do dia:

Continuação do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segunto São Mateus: (21, 10-17): Naquele tempo: Quando ele entrou em Jerusalém, alvoroçou-se toda a cidade, perguntando: Quem é este? A multidão respondia: É Jesus, o profeta de Nazaré da Galiléia. Jesus entrou no templo e expulsou dali todos aqueles que se entregavam ao comércio. Derrubou as mesas dos cambistas e os bancos dos negociantes de pombas, e disse-lhes: Está escrito: Minha casa é uma casa de oração (Is 56,7), mas vós fizestes dela um covil de ladrões (Jr 7,11)! Os cegos e os coxos vieram a ele no templo e ele os curou, com grande indignação dos príncipes dos sacerdotes e dos escribas que assistiam a seus milagres e ouviam os meninos gritar no templo: Hosana ao filho de Davi! Disseram-lhe eles: Ouves o que dizem eles? Perfeitamente, respondeu-lhes Jesus. Nunca lestes estas palavras: Da boca dos meninos e das crianças de peito tirastes o vosso louvor (Sl 8,3)? Depois os deixou e saiu da cidade para hospedar-se em Betânia.

Lefebvre, Dom Gaspar. Missal Quotidiano e Vesperal. Bruges, Bélgica; Abadia de S. André, 1960.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Liturgia: Procissões


Procissões são rogos solenes que os fiéis dirigem a Deus, conduzidos pelo clero, indo todos com ordem de um lugar a outro, a fim de aviventar a fé, reconhecer os benefícios de Deus, dar-lhe graças ou pedir auxílio dos Céus.

As procissões já se usavam no Antigo Testamento. Ao regressarem do cativeiro da Babilônia, os judeus fizeram uma procissão em ação de graças, ao redor das muralhas de Jerusalém (IIEdras, XII, 21-29). Obedecendo a ordem de Deus, o povo Hebreu conquistou a cidade de Jericó depois de ter dado sete volta nas fortificações, levando nesta procissão a Arca da Aliança (Josué VI, 4). A entrada triunfal de Nosso Senhor em Jerusalém, poucos dias antes do grande drama da Paixão, é outro cortejo festivo muito parecido com uma procissão.

Logo, não desacerta quem liga as procissões à tradição Apostólica. Contudo, só se tronaram exeqüíveis depois de findar a era das perseguições. Desde o século IV, vemos que se realizam, numerosas por muitíssimos motivos: para transportar o corpo de algum mártir de algum cemitério ou da Igreja para outro lugar; para colocar a primeira pedra de um templo; para remover algum flagelo; para pedir a proteção de Deus para os frutos da terra (Ladainha de São Marcos e das rogações). Igualmente, uma espécie de procissão antecedia, não raro, a celebração solene dos Santos Mistérios. O povo ajuntava-se onde tinha de esperar pelo bispo e dali prosseguia processionalmente com ele até a Igreja chamada de estação, previamente designada para rezar a missa.

Podemos distinguir atualmente duas espécies de procissões: ordinárias e extraordinárias. - a) Procissões ordinárias são aquelas que se realizam todos os anos na mesma época, como a da Candelária, do Domingo de Ramos, dos Passos, da Ressurreição e de Corpus Christi. Nesta classe também entram as procissões locais, próprias de uma nação, de uma diocese, de uma terra, estabelecidas pelo costume, por circunstâncias particulares, como as que fazem as crianças na ocasião da primeira comunhão, as irmandades, as paróquias na festa do padroeiro, etc.

As procissões extraordinárias não têm este caráter permanente. São transitórias. De emergência. Motiva-as um caso passageiro. Será para pedir o fim da estiagem ou a cessação das chuvas, ou de alguma calamidade pública: fome, peste, guerra. Será para agradecer a Deus um acontecimento auspicioso, para honrar as relíquias de um santo, levando-as em procissão, etc.

Com as procissões devemos relacionar as romarias ou peregrinações. As mais afamadas são: - 1. Lugares Santos, da Palestina; - 2. Na Itália, os túmulos dos Apóstolos São Pedro e São Paulo, a Casa de Loreto; - 3. Em Portugal, Nossa Senhora de Fátima; - 4. Na França, a gruta de Messabielle em Lourdes. - 5. Na Espanha, São Tiago de Compostela, Nossa Senhora do Pilar, em Saragoça; - 6. No Brasil, o Bom Jesus do Congonhas do Campo em Minas, Nossa Senhora Aparecida, em São Paulo.

Fonte: Doutrina Católica - Manual de instrução religiosa para uso dos Ginásios, Colégios e Catequistas voluntários - Curso Superior - Terceira parte - Meios de Santificação - Liturgia - Livraria Francisco Alves - Editora Paulo de Azevedo Ltda - São Paulo; Rio de Janeiro; e Belo Horizonte – 1927

Segunda-Feira da 1ª semana da Quaresma

A estação de hoje reunia-se numa das mais antigas Basílicas Romanas, contruídas por eudóxia, onde se conservam as cadeias com que esteve Ligado São Pedro na prisão Marmetina. A epístola, aludindo aos penitentes que se devem reconciliar na Páscoa e aos catecúmenos que se preparam para a recepção do batismo, põe-se em relevo a a figura do Mestre ocupado na busca das ovelhas dispersas. O Evangelho, continuando o memo pensamento, fala-nos da visão que nos há de separa para sempre as ovelhas dos bodes, quer dizer: O bons dos Maus.
Peçamos a Deus que nos livre dos laços, das cadeias dos pecados, em virtude do poder que concedeu a São Pedro e a seus sucessores.

Epístola

Leitura da profecia de Ezequiel: Pois eis o que diz o Senhor Javé: vou tomar eu próprio o cuidado com minhas ovelhas, velarei sobre elas. Como o pastor se inquieta por causa de seu rebanho, quando se acha no meio de suas ovelhas tresmalhadas, assim me inquietarei por causa do meu; eu o reconduzirei de todos os lugares por onde tinha sido disperso num dia de nuvens e de trevas. Eu as recolherei dentre os povos e as reunirei de diversos países, para reconduzi-las ao seu próprio solo e fazê-las pastar nos montes de Israel, nos vales e nos lugares habitados da região. Eu as apascentarei em boas pastagens, elas serão levadas a gordos campos sobre as montanhas de Israel; elas repousarão sobre as verdes relvas, terão sobre os montes de Israel abundantes pastagens. Sou eu que apascentarei minhas ovelhas, sou eu que as farei repousar - oráculo do Senhor Javé. A ovelha perdida eu a procurarei; a desgarrada, eu a reconduzirei; a ferida, eu a curarei; a doente, eu a restabelecerei, e velarei sobre a que estiver gorda e vigorosa. Apascentá-las-ei todas com justiça.

Evangelho do Dia

Naquele tempo disse Jesus a seus discípulos: Quando o Filho do Homem voltar na sua glória e todos os anjos com ele, sentar-se-á no seu trono glorioso. Todas as nações se reunirão diante dele e ele separará uns dos outros, como o pastor separa as ovelhas dos cabritos. Colocará as ovelhas à sua direita e os cabritos à sua esquerda. Então o Rei dirá aos que estão à direita: - Vinde, benditos de meu Pai, tomai posse do Reino que vos está preparado desde a criação do mundo, porque tive fome e me destes de comer; tive sede e me destes de beber; era peregrino e me acolhestes; nu e me vestistes; enfermo e me visitastes; estava na prisão e viestes a mim. Perguntar-lhe-ão os justos: - Senhor, quando foi que te vimos com fome e te demos de comer, com sede e te demos de beber? Quando foi que te vimos peregrino e te acolhemos, nu e te vestimos? Quando foi que te vimos enfermo ou na prisão e te fomos visitar? Responderá o Rei: - Em verdade eu vos declaro: todas as vezes que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, foi a mim mesmo que o fizestes. Voltar-se-á em seguida para os da sua esquerda e lhes dirá: - Retirai-vos de mim, malditos! Ide para o fogo eterno destinado ao demônio e aos seus anjos. Porque tive fome e não me destes de comer; tive sede e não me destes de beber; era peregrino e não me acolhestes; nu e não me vestistes; enfermo e na prisão e não me visitastes. Também estes lhe perguntarão: - Senhor, quando foi que te vimos com fome, com sede, peregrino, nu, enfermo, ou na prisão e não te socorremos? E ele responderá: - Em verdade eu vos declaro: todas as vezes que deixastes de fazer isso a um destes pequeninos, foi a mim que o deixastes de fazer. E estes irão para o castigo eterno, e os justos, para a vida eterna.
Fonte: (Missal Cotidiano e Vesperal por Dom Gaspar Lefebvre Beneditino da Abadia de Santo Andre – 1950)

sábado, 25 de fevereiro de 2012

I Domingo da Quaresma: "E vieram anjos e serviram-no"(Ev.)



Neste domingo, que era outrora o primeiro dia da Quaresma, reuniam se todos na estação da Basílica do Santíssimo Salvador em Roma.


Toda a liturgia inspira um pensamento de fortificante confiança, desde o Intróito, Gradual e Ofertório até à Comunhão compostos todos com versículos do Salmo 90 que vem quase por inteiro no tracto e se repete pela Quaresma, para ser por assim dizer, o diapasão da vida nova, de bom combate, que devemos levar nestes dias. E não são acaso as lutas do Salvador, que se vão desenrolando diante de nós, para nos encorajar na batalha? A Igreja pelo menos, assim no-la dar a entender, propondo a nossa meditação o evangelho que refere a tentação de Cristo. Era a missão que empreendera de esmagar a Satanás que começava, e feri-la a Igreja neste princípio de Quaresma para querer indicar o verdadeiro motivo de confiarmos na vitória. O senhor triunfou e a Igreja diz-nos que podemos triunfar com ele, porque afinal é que a tentação e o combate que se desenrola em nós e a nossa volta, são a tentação e o combate e também a vitória de Cristo. O nosso esforço é dele, a nossa força também é dele e o nosso triunfo na Páscoa é dele também. Empreendamos, pois, generosamente o bom combate cuja estratégia o Apóstolo em grandes linhas nos traça na Epístola da Missa. Encorajemo-nos com este pensamento de que o progresso espiritual nas almas é a vitória de Cristo que se prolonga e que o combate necessário para a garantir já foi dado. Estes dias da Quaresma são tempo de salvação, são o tempo favorável que nos permite marcar posições definitivas no combate incessante do espírito contra a carne. E a Igreja nos convida com maternal solicitude a terçar armas neste prédio glorioso, para celebrarmos purificados na alma e no corpo o mistério sublime da Paixão do Senhor.




É verdade, diz São Leão em Matinas, que deveríamos viver sempre diante de Deus com as mesmas disposições requeridas para a condigna celebração dos mistérios pascais. Mas, porque isto é virtude e apanágio de poucos e porque a fragilidade humana tende sempre para o relaxamento, aproveitemo-nos ao menos a Quaresma para recuperarmos o perdido e reparemos, pela penitência e boas obras, as faltas e negligências do outro tempo.

Evangelho de Domingo:



Continuação do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus: Naquele tempo:
Em seguida, Jesus foi conduzido pelo Espírito ao deserto para ser tentado pelo demônio.
Jejuou quarenta dias e quarenta noites. Depois, teve fome.
O tentador aproximou-se dele e lhe disse: Se és Filho de Deus, ordena que estas pedras se tornem pães.
Jesus respondeu: Está escrito: Não só de pão vive o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus (Dt 8,3).
O demônio transportou-o à Cidade Santa, colocou-o no ponto mais alto do templo e disse-lhe:
Se és Filho de Deus, lança-te abaixo, pois está escrito: Ele deu a seus anjos ordens a teu respeito; proteger-te-ão com as mãos, com cuidado, para não machucares o teu pé em alguma pedra (Sl 90,11s).
Disse-lhe Jesus: Também está escrito: Não tentarás o Senhor teu Deus (Dt 6,16).
O demônio transportou-o uma vez mais, a um monte muito alto, e lhe mostrou todos os reinos do mundo e a sua glória, e disse-lhe:
Dar-te-ei tudo isto se, prostrando-te diante de mim, me adorares.
Respondeu-lhe Jesus: Para trás, Satanás, pois está escrito: Adorarás o Senhor teu Deus, e só a ele servirás (Dt 6,13).
Em seguida, o demônio o deixou, e os anjos aproximaram-se dele para servi-lo.



Lefebvre, Dom Gaspar. Missal Quotidiano e Vesperal. Bruges, Bélgica; Abadia de S. André, 1960.

SÁBADO DE CINZAS

A Estação de hoje reunia-se em são Trifão que morreu mártir no Oriente. Este santuário, que foi confiado aos eremitas de Santo Agostinho, caiu em ruinas e foi substituída por uma nova Igreja e consagrada ao Doutor de Hipona. O sábado que era para os judeus o dia do Senhor, simboliza o sábado eterno, consagrado todo ao serviço de Deus. Mas para lá chegar, é preciso, cá em baixo, subirmos acima das coisas da terra e procurar, com toda a alma a Deus e as coisas de seu Reino. O senhor está a nossa beira é claro, nas horas difíceis quando o vento sopra contrário, está permitindo de nós, o que anda sobre o mar não nos desampara, e se cairmos corre logo para nos curar com a pureza de seu sangue.

Continuação do Santo Evangelho segundo São Marcos: Naquele tempo: À noite, achava-se a barca no meio do lago e ele, a sós, em terra.
Vendo-os se fatigarem em remar, sendo-lhes o vento contrário, foi ter com eles pela quarta vigília da noite, andando por cima do mar, e fez como se fosse passar ao lado deles.
À vista de Jesus, caminhando sobre o mar, pensaram que fosse um fantasma e gritaram;
pois todos o viram e se assustaram. Mas ele logo lhes falou: Tranqüilizai-vos, sou eu; não vos assusteis!
E subiu para a barca, junto deles, e o vento cessou. Todos se achavam tomados de um extremo pavor,
pois ainda não tinham compreendido o caso dos pães; os seus corações estavam insensíveis.
Navegaram para o outro lado e chegaram à região de Genesaré, onde aportaram.
Assim que saíram da barca, o povo o reconheceu.
Percorrendo toda aquela região, começaram a levar, em leitos, os que padeciam de algum mal, para o lugar onde ouviam dizer que ele se encontrava.
Onde quer que ele entrasse, fosse nas aldeias ou nos povoados, ou nas cidades, punham os enfermos nas ruas e pediam-lhe que os deixassem tocar ao menos na orla de suas vestes. E todos os que tocavam em Jesus ficavam sãos.

Lefebvre, Dom Gaspar. Missal Quotidiano e Vesperal. Bruges, Bélgica; Abadia de S. André, 1960.

Nossa Senhora do Sábado: Dogma da Assunção ao Céu

Assunção ao Céu

51 - Como terminou para Maria Santíssima a vida na terra?
Tendo terminado o curso de sua vida aqui na terra, Ela foi elevada, assunta ao Céu, em corpo e alma. E esse singular privilégio concedido por Deus a Maria é um dogma de nossa Fé, definido pelo Papa Pio XII, no dia 1° de novembro de 1950: "... com a autoridade de Nosso Senhor Jesus Cristo, dos Bem-aventurados Apóstolos São Pedro e São Paulo e com a Nossa, pronunciamos, declaramos e definimos ser dogma divinamente revelado que: a Imaculada Mãe de Deus, a sempre Virgem Maria, terminando o curso da vida terrestre, foi assunta em corpo e alma à glória celestial" (n. 44).

52 - Em que se baseia a Igreja para definir que Maria foi assunta ao Céu em corpo e alma?
1) Na Sagrada Escritura: Essa verdade da fé está contida implicitamente na Bíblia, naqueles lugares já citados por nós quando tratamos da Imaculada Conceição e da Maternidade divina de Maria. De fato, se Maria foi preservada do pecado original, de qualquer outra mácula e cheia de graça desde a sua conceição, conseqüentemente não devia também ser vencida pela morte.
O mesmo se conclui do fato de Maria ser a Mãe de Deus. A dignidade tão excelsa de ser Mãe de Deus não é compatível com a humilhação da podridão do sepulcro.
Outros lugares da Escritura fazem também menção implícita da Assunção de Maria: SI 131, 8; SI. 44, 10; Apoc. 12, 1).
2) É sobretudo na Tradição unânime e constante que a Igreja se baseia para a definição desse dogma mariano. De fato, a Igreja é assistida pelo Espírito Santo. Ora, o Espírito Santo não poderia deixar sua Igreja durante tantos séculos professar um erro. E desde os primórdios, especialmente na sua Liturgia, a Igreja professou sua crença na Assunção gloriosa de Maria.
53 - Assunção e o mesmo que Ascensão?

Não. Ascensão de Jesus é a subida de Jesus ao Céu, pelo seu próprio poder divino.
Assunção de Maria é a elevação de Maria ao Céu, não pelo seu próprio poder, mas pelo poder de Deus.

Fonte: Catecismo de Nossa Senhora (Publicções Ontem, Hoje e Sempre - Campos RJ) - 1997

24 DE FEVEREIRO - SÃO MATIAS, APÓSTOLO

A Epístola da missa refere-nos o episódio da eleição de São Matias, tal como os atos no-la conservaram. Lá se insiste no duplo fato que, discípulos de Cristo, fora também testemunha de quanto o Mestre disse e fez e de que Deus o designou em sortes para se juntar aos Apóstolos em vez de jusdas o traidor. Preparado assim e incumbido por Deus no mandamento de pregar e colaborar com o seu testemunho os segredos que o Pai revelara ao mundo por meio de seu Filho. São Matias é venerado pela Igreja em igualdade com os doze Apóstolos, cuja a Voz ia de soar por toda Terra atrvés dos tempos. Tem-se geralmente como certo que pregasse na Etiópia onde sofrera o martírio.

Paramentos Vermelhos

Epístola da Festa: (Atos 1, 15-26)

Naquele tempo, levantou-se Pedro no meio de seus irmãos, na assembléia reunida que constava de umas cento e vinte pessoas, e disse: Irmãos, convinha que se cumprisse o que o Espírito Santo predisse na escritura pela boca de Davi, acercade Judas, que foi o guia daqueles que prenderam Jesus.
Ele era um dos nossos e teve parte no nosso ministério. Este homem adquirira um campo com o salário de seu crime. Depois, tombando para a frente, arrebentouse pelo meio, e todas as suas entranhas se derramaram. (Tornou-se este fato conhecido dos habitantes de Jerusalém, de modo que aquele campo foi chamado na língua deles Hacéldama, isto é, Campo de Sangue.)
Pois está escrito no livro dos Salmos: Fique deserta a sua habitação, e não haja quem nela habite; e ainda mais: Que outro receba o seu cargo (Sl 68,26; 108,8). Convém que destes homens que têm estado em nossa companhia todo o tempo em que o Senhor Jesus viveu entre nós, a começar do batismo de João até o dia em que do nosso meio foi arrebatado, um deles se torne conosco
testemunha de sua Ressurreição. Propuseram dois: José, chamado Barsabás, que tinha por sobrenome Justo, e Matias. E oraram nestes termos: Ó Senhor, que conheces os corações de todos, mostra-nos qual destes dois escolheste para tomar neste ministério e apostolado o lugar de Judas que se transviou, para ir para o seu próprio lugar. Deitaram sorte e caiu a sorte em Matias, que foi incorporado aos onze apóstolos.

Evangelho da Festa: (Mt 11, 25-30)

Continuação do Santo Evangelho segundo São Mateus:  Naquele tempo: Jesus pronunciou estas palavras: Eu te bendigo, Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e entendidos e as revelaste aos pequenos. Sim, Pai, eu te bendigo, porque assim foi do teu agrado. Todas as coisas me foram dadas por meu Pai; ninguém conhece o Filho, senão o Pai, e ninguém conhece o Pai, senão o Filho e aquele a quem o Filho quiser revelá-lo. Vinde a mim, vós todos que estais aflitos sob o fardo, e eu vos aliviarei. Tomai meu jugo sobre vós e recebei minha doutrina, porque eu sou manso e humilde de coração e achareis o repouso para as vossas almas. Porque meu jugo é suave e meu peso é leve.

Lefebvre, Dom Gaspar. Missal Quotidiano e Vesperal. Bruges, Bélgica; Abadia de S. André, 1960.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

SEXTA-FEIRA DE CINZAS

A Estação de hoje reunia-se no monte Célio, na casa que fora de São João e São Paulo, que o senador cristão Pamáquio, genro que santa Paula e amigo e São Jerônimo, transformaram no século V em Igreja Paroquial. Seis frascos desta época ainda existem, apresentam várias cenas da morte e do cativeiro destes dois romanos que a mesma fé e o martírio tornou ainda mais irmãos. Perto desta Igreja se encontra o albergue dos peregrinos Xenodóquio Valeril; Pamaquio distribuiu sua fortuna com os pobres e o Evangelho aludem a sua caridade, a Epístola e o Evangelho ensina-nos que as obras externas de penitência, se não forem acompanhadas do espírito de sacrifício, não valem nada aos olhos de Deus. E este espírito revela-se nas obras de misericórdia praticadas sem distinção com todos os homens e animadas da intenção, não para guardar um diploma das obras feitas, ms de agradar unicamente a Deus e socorrer a necessidade, peçamos a Deus o spírito de sacrifício e misericórdia.

Continuação do Santo Evangelho segundo São Mateus: Naquele tem disse Jesus: Tendes ouvido o que foi dito: Amarás o teu próximo e poderás odiar teu inimigo.
Eu, porém, vos digo: amai vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam, orai pelos que vos [maltratam e] perseguem.
Deste modo sereis os filhos de vosso Pai do céu, pois ele faz nascer o sol tanto sobre os maus como sobre os bons, e faz chover sobre os justos e sobre os injustos.
Se amais somente os que vos amam, que recompensa tereis? Não fazem assim os próprios publicanos?
Se saudais apenas vossos irmãos, que fazeis de extraordinário? Não fazem isto também os pagãos?
Portanto, sede perfeitos, assim como vosso Pai celeste é perfeito. Guardai-vos de fazer vossas boas obras diante dos homens, para serdes vistos por eles. Do contrário, não tereis recompensa junto de vosso Pai que está no céu.
Quando, pois, dás esmola, não toques a trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, para serem louvados pelos homens. Em verdade eu vos digo: já receberam sua recompensa.
Quando deres esmola, que tua mão esquerda não saiba o que fez a direita.
Assim, a tua esmola se fará em segredo; e teu Pai, que vê o escondido, recompensar-te-á.


Lefebvre, Dom Gaspar. Missal Quotidiano e Vesperal. Bruges, Bélgica; Abadia de S. André, 1960.

Sexta-Feira da Cruz de Nosso Senhor: Do Ecce Homo


3. “Saí e vede, filhas de Sião, o rei Salomão com o diadema com que o coroou sua mãe no dia de suas bodas e no dia da alegria de seu coração” (Ct 3,11). Saí e vede o vosso rei com a coroa da pobreza,
com a coroa da miséria”, diz S. Bernardo (Serm. 2 de Epip.). Oh, o mais belo de todos os homens, o maior de todos os monarcas, o mais amável de todos os esposos, a que estado está reduzido, todo coberto
de chagas e de desprezos! Vós sois esposo, mas esposo de sangue (Êx 4,25), pois, por meio de vosso sangue e de vossa morte, quisestes esposar as nossas almas. Vós sois rei, mas rei de dores e rei de amor, pois a força de tormentos quisestes atrair os nossos afetos. Ó amantíssimo esposo de minha alma, oh! se eu me recordasse sempre do quanto padecestes por mim, não cessaria mais de vos amar e agradar. Tende piedade de mim que tanto vos custei! Em paga de tantas penas sofridas por mim, vos contentais com meu amor; por isso eu vos amo, ó Senhor infinitamente amável, eu vos amo sobre todas as coisas, mas eu vos amo pouco. Meu amado Jesus, dai-me mais amor, se quereis ser mais amado de mim. Desejo amar-vos muito; eu, mísero pecador, deveria arder no inferno desde o primeiro instante em que vos ofendi gravemente; vós, porém, me aturastes desde então, porque não quereis que eu arda nesse fogo desgraçado, mas no fogo bem-aventurado do vosso amor. Este pensamento, ó Deus de minha alma, me abrasa todo no desejo de fazer quanto em mim estiver para vos agradar. Ajudai-me, ó meu Jesus, e já que fizestes
tanto, completai a vossa obra, fazei-me todo vosso.

4. Continuando os judeus a insultar o governador, gritando: “Tirai-o, tirai-o, crucificai-o”, disse-lhes Pilatos: “Então hei de crucificar o vosso rei?” E eles responderam: “Nos não temos outro rei senão César”
(Jo 19,15). Os mundanos, que amam as riquezas, as honras e os prazeres da terra, renegam a Jesus Cristo por seu rei porque Jesus neste terra não foi rei senão de pobreza, de ignomínia e de dores. Se eles vos rejeitam, ó meu Jesus, nós vos elegemos por nosso único rei e vos protestamos: Não temos outro rei senão Jesus. Sim, amável Salvador, “vós sois meu rei”, sois e sereis sempre o meu único Senhor. De fato sois vós o verdadeiro rei de nossas almas, pois as criastes e as remistes da escravidão de Lúcifer. “Venha a nós o vosso reino”. Dominai, reinai, pois, sempre nos nossos pobres corações; que eles vos sirvam sempre e vos obedeçam. Que outros sirvam aos monarcas deste mundo com a esperança dos bens desta terra; nós queremos servir somente a vós, nosso rei aflito e desprezado, com a única esperança de vos agradar sem consolações terrenas. De hoje em diante nos serão caras as dores e as injúrias, que quisestes sofrer
tantas por nosso amor. Dai-nos a graça de vos permanecer fiéis e para isso dai-nos o grande dom de vosso amor. Se vos amarmos, amaremos também os desprezos e as penas que tanto amastes e nada mais vos pediremos além do que vos suplica vosso fiel e devoto servo S. João da Cruz: “Senhor, sofrer e ser desprezado por vós. Senhor, padecer e ser desprezado por vós”. Minha mãe Maria,
intercedei por nós. Amém.


Sexta-feira é dia de Penitência e dia de meditar sobre a paixão do Senhor


Fonte: A Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo - Piedosas e edificantes meditações - sobre os sofrimentos de Jesus - Por Sto. Afonso Maria de Ligõrio - Traduzidas pelo Pe. José Lopes Ferreira, C.Ss.R. - VOLUME I

Via Crucis (Oração para todas as Sextas-feiras da Quaresma)








+ Em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo. Amém.


Ave! Ó Cruz, única esperança, do mundo glória e salvação. Aos bons aumenta
a graça e aos maus alcança perdão.

Oração Preparatória
Jesus amável Salvador, eis-nos humildemente prostrados a vossos pés, implorando a vossa divina misericórdia sobre nós e sobre as almas dos fiéis defuntos. Dignai-vos dispensar-nos os infinitos méritos de vossa dolorosa Paixão, que agora vamos meditar. Concedei que nesta via de lágrimas e suspiros, a que vamos dar início, que os nossos corações tão manchados pelo pecado se mova a contrição e a penitência, e que possamos aparelhados para sofrer todas as contradições, sofrimentos e humilhações desta vida.
E vós, Mãe de graça, que, abandonada em triste soledade, foste a primeira a percorrer a via-sacra, obtende-nos da Adorável Trindade um piedoso acolhimento destes nossos sentimentos de dor e de caridade, em reparação de tantas injúrias à sua Majestade Soberana.
R. Ó Santa Mãe gravai em meu coração as chagas do Crucificado!
V. Tende piedade de nós Senhor! 

R. Que as almas dos fiéis defuntos, por vossa misericórdia, descansem em paz.
Amém.

Iª Estação - Jesus é condenado a morte
V. Nós vos adoramos ó Cristo e vos bendizemos:
R. Porque pela vossa Santa Cruz remiste o mundo inteiro.
Consideremos a admirável submissão de Nosso Senhor quando ouviu pronunciar-se a sentença iníqua, e convençamo-nos de que não foi Pilatos que condenou Jesus a morte, mas todos nós pecadores presentes e do mundo inteiro. Com vivos sentimentos de penitência digamos:
V. A morrer crucificado teu Jesus é condenado por teus crimes pecador, por teus crimes pecador!
R. Pela Virgem dolorosa, vossa mãe tão piedosa, perdoai-me meu Jesus, perdoai-me meu
Jesus.
R.Tende piedade de nós Senhor!
Pai Nosso - Ave maria - Glória ao Pai...

IIª Estação - Jesus carrega a Cruz
V. Nós vos adoramos ó Cristo e vos bendizemos:
R. Porque pela vossa Santa Cruz remiste o mundo inteiro.
Consideremos com que doçura Nosso Divino Mestre recebeu em seus ombros doloridos e ensangüentados o terrível instrumento de seu suplício. Assim nos quis ensinar a levar a nossa Cruz sem impaciência e murmuração, e a padecer resignadamente os males vindos do Céu ou das criaturas. Digamos:
V. Com a cruz é carregado e do peso acabrunhado. Vai morrer por teu amor.
R. Pela Virgem dolorosa, vossa mãe tão piedosa, perdoai-me meu
Jesus, perdoai-me meu Jesus.
R.Tende piedade de nós Senhor!
Pai Nosso - Ave maria - Glória ao Pai...

IIIª Estação - Jesus cai pela primeira vez
V. Nós vos adoramos ó Cristo e vos bendizemos:
R. Porque pela vossa Santa Cruz remiste o mundo inteiro.
Consideremos Jesus a caminho do Calvário. Vejamos como ele Caminha com passos cansados e inseguros. Coberto de sangue, vem tão debilitado, que se abate ao peso da Cruz e cai no chão. Digamos:
V. Pela Cruz tão oprimido, cai Jesus desfalecido, pela sua salvação.
R. Pela Virgem dolorosa, vossa mãe tão piedosa, perdoai-me meu Jesus, perdoai-me meu Jesus.
R.Tende piedade de nós Senhor!
Pai Nosso - Ave maria - Glória ao Pai...

IV Estação - Jesus encontra a sua mãe
V. Nós vos adoramos ó Cristo e vos bendizemos:
R. Porque pela vossa Santa Cruz remiste o mundo inteiro.
Consideremos a imensa dor de Jesus ao ver Maria sua mãe santíssima, e a dor de sua mãe ao vê-lo sendo castigado no meio de tão cruéis ultrajes. Digamos:
V. De Maria lacrimosa, sua mãe tão piedosa vê a imensa compaixão.
R. Pela Virgem dolorosa, vossa mãe tão piedosa, perdoai-me meu Jesus, perdoai-me meu Jesus.
R.Tende piedade de nós Senhor!
Pai Nosso - Ave maria -
Glória ao Pai...

V Estação - O Cirineu ajuda a carregar a Cruz de Jesus
V. Nós vos adoramos ó Cristo e vos bendizemos:
R. Porque pela vossa Santa Cruz remiste o mundo inteiro.
Consideremos a fineza do amor de Jesus para conosco: Se permite que o ajudem, é também para nos ajudar a partilhar com ele do seu cálice de amargura. Digamos: Em extremo desmaiado deve auxílio, tão cansado receber o Cireneu.
R. Pela Virgem dolorosa, vossa mãe tão piedosa, perdoai-me meu Jesus, perdoai-me meu Jesus.
R.Tende piedade de nós Senhor!
Pai Nosso - Ave maria - Glória ao Pai...

VI Estação - Verônica enxuga o rosto de Cristo.
V. Nós vos adoramos ó Cristo e vos bendizemos:
R. Porque pela vossa Santa Cruz remiste o mundo inteiro.
Consideremos a ação heróica desta mulher, que se dá a pressa a enxugar a face de Nosso Senhor, tão desfigurada e dolorida! Esta oficiosa e diligente caridade afeiçoa e enternece o coração do Senhor, e o move a lágrimas. Digamos:
V. O seu rosto ensangüentado, por Verônica enxugado, eis, no pano apareceu.
R. Pela Virgem dolorosa, vossa mãe tão piedosa, perdoai-me meu Jesus, perdoai-me meu Jesus.
R.Tende piedade de nós Senhor!
Pai Nosso - Ave maria -
Glória ao Pai...

VII Estação - Jesus cai pela segunda vez
V. Nós vos adoramos ó Cristo e vos bendizemos:
R. Porque pela vossa Santa Cruz remiste o mundo inteiro.
Consideremos o Homem Deus, de novo sucumbido ao peso do
madeiro. Ponhamos nossos olhos pecadores sobre esta grande vítima estendida por
terra, ensangüentada, sem forças para prosseguir. Digamos:

V. Outra vez desfalecido, pelas dores abatido, cai em terra o Salvador.
R. Pela Virgem dolorosa, vossa mãe tão piedosa, perdoai-me meu Jesus, perdoai-me meu Jesus.
R.Tende piedade de nós Senhor!
Pai Nosso - Ave maria - Glória ao Pai...

VIII Estação - Jesus consola as filhas de Israel
V. Nós vos adoramos ó Cristo e vos bendizemos:
R. Porque pela vossa Santa Cruz remiste o mundo inteiro.
Admiremos aqui a generosidade incomparável de Jesus: esquece-se por momentos os seus próprios sofrimentos, para abrir os seios de sua entranhável caridade às filhas de Israel, e diverti-las de sua dor. "Não choreis por mim mas por vossos filhos e filhas". Digamos:
V. Das matronas piedosas, de Sião filhas chorosas é Jesus consolador.

R. Pela Virgem dolorosa, vossa mãe tão piedosa, perdoai-me meu Jesus, perdoai-me meu Jesus..
R.Tende piedade de nós Senhor!
Pai Nosso - Ave maria -
Glória ao Pai...

IX Estação - Jesus cai pela terceira vez
V. Nós vos adoramos ó Cristo e vos bendizemos:
R. Porque pela vossa Santa Cruz remiste o mundo inteiro.
Consideremos o nosso Bom Jesus ao ver o Calvário. É ali, no cimo do monte, que um altar vai se erguer a justiça ultrajada de Deus. Mas o coração de Jesus padece grande angústia. Não teme os horrores da morte tão cruel, mas antes a inutilidade de seu sangue para tantos pecadores. Este triste pensamento constrange-o e aflige-o, caindo o corpo no chão. Digamos:
V. Cai pela terceira vez prostrado, pelo peso redobrado, dos pecados e da Cruz.
R. Pela Virgem dolorosa, vossa mãe tão piedosa, perdoai-me meu Jesus, perdoai-me meu Jesus..
R.Tende piedade de nós Senhor!
Pai Nosso - Ave maria - Glória ao Pai...

Xª Estação - Jesus é despojado de suas vestes
V. Nós vos adoramos ó Cristo e vos bendizemos:
R. Porque pela vossa Santa Cruz remiste o mundo inteiro.
Consideremos como foi grande a confusão de Jesus ao ver-se reduzido em tão completa nudez, desabrigado daquela turba encarniçada e perversa. Digamos:
V. Das vestes despojado, por verdugos maltratado, eu vos vejo meu Jesus.
R. Pela Virgem dolorosa, vossa mãe tão piedosa, perdoai-me meu Jesus, perdoai-me meu Jesus..

R.Tende piedade de nós Senhor!
Pai Nosso - Ave maria -
Glória ao Pai...

XIª Estação - Jesus é pregado na Cruz
V. Nós vos adoramos ó Cristo e vos bendizemos:
R. Porque pela vossa Santa Cruz remiste o mundo inteiro.
Consideremos os atrozes sofrimentos de Nosso Senhor ao ser pregado, com grossos cravos, ao madeiro, e olhemos com piedoso amor para o estandarte da nossa redenção. Vítima de dor, todo o corpo de Jesus sofre, e o sangue corre e inunda a terra. Digamos:
V. Sois por mim na Cruz pregado, insultado, blasfemado, com cegueira e com furor.
R. Pela Virgem dolorosa, vossa mãe tão piedosa, perdoai-me meu Jesus, perdoai-me meu Jesus.
R.Tende piedade de nós Senhor!
Pai Nosso - Ave maria - Glória ao Pai...

XIIª Estação - Jesus morre na Cruz
V. Nós vos adoramos ó Cristo e vos bendizemos:
R. Porque pela vossa Santa Cruz remiste o mundo inteiro.
Momento de silêncio... depois prossegue
dizendo:
Consideremos um Deus de toda a Santidade, a morrer numa cruz, entre dois celerados, por amor das suas criaturas, tirando do peito, não palavras de maldição ou injúria, mas preces divinas de amor e perdão: "Pai perdoai-lhes porque não sabem o que fazem". Tudo está consumado". E dizendo isto expirou. Digamos:
V. Por meus crimes padecestes: meu Jesus por mim morrestes, como é grande a minha dor.
R. Pela Virgem dolorosa, vossa mãe tão piedosa, perdoai-me meu Jesus, perdoai-me meu Jesus. 

R.Tende piedade de nós Senhor!
Pai Nosso - Ave maria - Glória ao Pai...

XIIIª - Jesus é descido da cruz
V. Nós vos adoramos ó Cristo e vos bendizemos:
R. Porque pela vossa Santa Cruz remiste o mundo inteiro.
Consideremos a extrema dor de Nossa Senhora, ao ver em seus
braços o seu amado filho, chagado, lívido, com as pálpebras cerradas no frio
sono da morte. Contempla os estragos feitos nas mãos e nos pés pelos duros
cravos, o lado aberto pela cruel lança, a cabeça ensangüentada e ferida pela
coroa de espinhos; e lastima-se de haver gente tão sem coração que tão mal
fizeram a seu amado filho. Digamos:
V. Da madeira vos tiraram e nos braços vos deixaram de Maria, que aflição.
R. Pela Virgem dolorosa, vossa mãe tão piedosa, perdoai-me meu Jesus, perdoai-me meu Jesus.
R.Tende piedade de nós Senhor!
Pai Nosso - Ave maria - Glória ao Pai...

XIV Estação - Jesus é sepultado
V. Nós vos adoramos ó Cristo e vos bendizemos:
R. Porque pela vossa Santa Cruz remiste o mundo inteiro.
Consideremos os discípulos do Senhor colocando seu santíssimo corpo no Sepulcro. Maria os acompanha, ela é quem arruma o túmulo de seu filho. Digamos:
V. Do pecado vem a morte, mas o amor, que é mais forte, dá a vida pelo irmão.
R. Pela Virgem dolorosa, vossa mãe tão piedosa, perdoai-me meu Jesus, perdoai-me meu Jesus.
R.Tende piedade de nós Senhor!
Pai Nosso - Ave maria - Glória ao Pai...
Oração final
Senhor, Jesus olhai vossos servos e concedei-lhes o dom da
vossa paz, de vosso amor, de vosso socorro; enviai-nos o vosso Espírito Santo
para que nos amemos uns aos outros, mantendo-nos num mesmo espírito, pelos
vínculos da paz e da caridade, para assim formarmos uma mesma fé, como fomos
chamados; a uma mesma esperança, por nossa vocação, para assim chegarmos ao
perfeito amor em Vós que viveis com o Pai na unidade do Espírito Santo.
Amém.
Oração a Jesus
Crucificado:
Eis-me aqui, ó bom e dulcíssimo Jesus; prostrado de joelhos
diante da vossa Divina Presença, Vos peço e suplico com o mais ardente fervor,
que imprimais no meu coração vivos sentimentos de fé, esperança e caridade, e um
verdadeiro arrependimento dos meus pecados, com vontade firmíssima de os
emendar; enquanto eu, com grande afeto e dor de alma, considero e medito nas
vossas Cinco Chagas, tendo diante dos olhos o que já o Santo Profeta David dizia
por Vós, ó bom Jesus: "Trespassaram as minhas mãos e os meus pés, e contaram
todos os meus ossos".
+ Em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo. Amém.