sábado, 31 de março de 2012

SOLENIDADE DO DOMINGO DE RAMOS - INÍCIO DA GRANDE SEMANA SANTA (SEGUNDO DOMINGO DA PAIXÃO)






Elias, O Profeta


A liturgia de hoje exprime por meio de suas cerimônias, uma impregnada alegria, outra de tristeza, o duplo aspecto sob que podemos considerar a Cruz. Em primeiro lugar, a benção e a procissão de Ramos. Aqui tudo respira a alegria radiosa e deslumbrada que nos permite reviver há quase vinte séculos de distância a cena grandiosa da entrada triunfal do Salvador em Jerusalém. Depois vem a missa, cujo os cânticos e leituras se reportam ao doloroso acontecimento da Paixão.




Em Jerusalém, no século IV, lia-se neste Domingo, e lugar do acontecimento a perícopa do Evangelho que refere a entrada apoteótica do Salvador na cidade santa, aclamado pelas turbas como Rei de Israel. Depois o bispo montado num Jumento, ia no monte das Oliveiras na Igreja da Ressurreição, acompanhado do povo, com palmas nas mãos, ao canto de hinos e antífonas. A Igreja de Roma adotou este costume somente no século IX e ajuntou-lhe a benção dos Ramos. Na procissão dos Ramos, o povo cristão, na plenitude da sua fé, repete os gestos dos judeus, dando-lhe todo o seu significado. Como o povo de Jerusalém aclama a Cristo como triunfador: "Hosana ao filho de David! Bendito o que vem em nome do Senhor!" Mas, conhecedores pela fé, da seqüencia e do significado dos acontecimentos, sabemos o que é e o que representa esse triunfo. Jesus é o Messias, Filho de David e o Filho de Deus. Sinal de contradição, é aclamado por uns, detestado por outros. Enviado ao mundo para nos libertar das garras do pecado e do poder de Satanás, sujeita-se a paixão, castigo dos nossos pecados, mas sai triunfante do sepulcro, vencedor da morte; restitui-nos a paz de Deus e introduz-nos consigo no reino do Pai celeste.




Depois da benção dos ramos, que se efetuava em Santa Maria Maior, a procissão se dirigia a Igreja estacional de São João do Latrão. Era nesta basílica que se celebrava a missa, dominada pelo pensamento da Paixão do Salvador. O triunfo do Salvador deve ser precedido da "sua humilhação até a morte e morte de Cruz". Isto encerra um ensinamento que deve orientar a nossa conduta: temos de nos humilhar, imitando a Jesus Cristo na sua paixão, se queremos participar da sua ressurreição.


Explicação da Paixão:
Getsémani
Depois de celebrada a ceia com seus discípulos, Jesus saiu com eles da cidade pela porta do lado da piscina de Siloé, subiu a vale do Cedrão, ao longo do bairro de Ofel, e encaminhou-se para o Getsémani, no sopé do monte das Oliveiras. Os três Apóstolos que foram testemunhas de sua Transfiguração assistem agora a sua agonia, por três vezes renovada. Judas que vendera o Mestre, sai da cidade à frente da corte e dos gardas do templo enviados pelo Sinédrio para prender Jesus. Prendem o Senhor e voltam a Jerusalém pela vereda do Nordeste, dirigindo-se para a casa do Sumo-Sacerdote.
Diante de Anás e Caifá
O Sinédrio compunha-se de setenta membros presididos pelos príncipes dos sacerdotes e superiormente pelo Sumo-Sacerdote, que era naquele ano Caifás, genro de Anás, o qual obtivera sucessivamente para os filhos e para o genro o Supremo Pontificado. Infiéis a sua missão, os representantes oficiais da religião de Israel esperavam um messias guerreiro que os livrassem do julgo dos Romanos. Jesus foi primeiro conduzido a presença de Anás, que não sendo sacerdote era incompetente para julgar o Senhor. O processo começava irregular logo de princípio. Noutra parte deste mesmo edifício esperava Caifás, de pernas cruzadas, segundo o uso, num estado um pouco elevado, tendo em torno de si toda a classe sacerdotal sentada em coxins dispostos para o efeito. O Senhor foi conduzido a sua presença e o julgamento prosseguiu ilegalmente, pois deveria ser feito durante o dia e eram cerca de duas horas da madrugada. O depoimento feito pelas supostas testemunhas era insuficiente e contraditório. Então Caifás, encolerizado, esconjura insolentemente o Senhor (infringindo a lei mosaica que neste caso anula a confissão do acusado) a que lhe diga se é realmente o filho de Deus. E Jesus, que esperava aquele momento para falar, declara oficialmente a sua divindade, na presença da autoridade religiosa reunida no conselho. O Sumo-Sacerdote rasga então as veste e o Sinédrio o declara réu de blasfêmia e merecedor de morte. O Senhor aceita a sentença, pois é precisamente como filho de Deus que há de oferecer ao Pai, pelos homens, um sacrifício de valor infinito.
Negação de Pedro. Desespero de Judas
Entregaram-no então, durante o resto da noite, à zombaria dos criados, que o cobriram de injúrias, cuspindo-lhe no rosto. Pedro, que João introduzira no pátio do palácio do Sumo Sacerdote, negou por três vezes o mestre. Depois de o galo cantar a segunda vez, saiu para fora e chorou amargamente. "Chorou alto", como diz o texto grego. De manhã, o Sinédrio tornou a reunir-se para dar a sentença, proferida ilegalmente durante a noite, para dar aparência de legalidade. O Senhor compareceu e foi novamente condenado. Judas então compreendeu o tamanho de seu crime. Roído de remorso, vai ter com o Sinédrio ainda reunido e confessa que pecou ao entregar um sangue justo. Desesperado e perseguido pelos fantasmas da sua própria desgraça, arremessa ao chão, dentro do templo, o dinheiro que recebera, vai a piscina de Siloé, mete-se pela garganta do Hinom até um lugar chamado Geena e enforca-se, partindo o laço e desfazendo-se nas pontas dos rochedos.
Diante de Pilatos
Só a autoridade romana, de que dependia então a Palestina, tinha direitos de vida e de morte. Era, pois, necessário remeter o processo ao procurador romano. Conduziram, portanto, o Senhor ao pretório de Pilatos, que ficava na torre Antônia. Os judeus não entraram por que tinham por pecado entrar na casa de um pagão às vésperas da Páscoa. Ia se instaurar-se o processo civil, mas era necessário um crime de caráter político. Os judeus saberão inventá-lo. O Messias para os judeus, devia ser, como já vimos, um monarca terrestre, um rei glorioso e conquistador. Ora Jesus dize-se messias. Nada mais fácil, portanto, que citá-lo perante Pilatos como amotinador do povo, concorrente de César no direito ao mandato supremo. No decorrer deste processo, Jesus manteve a mesma atitude da noite anterior; o mesmo silêncio perante as acusações, a mesma afirmação peremptória da sua realeza e finalmente o mesmo tratamento desumano por parte dos soldados de César. Jesus que tudo via e conduzia e só queria ser condenado como filho de Deus e Rei das almas, colocou a questão nitidamente no terreno religioso: "o meu reino não é deste mundo". Pilatos reconheceu que Jesus estava inteiramente inocente. Mas os judeus não se deixaram vencer e recorreram as ameaças. Pilatos, demasiado fraco para usar da autoridade diante do povo amotinado, que, sem dúvida, se vingaria dele acusando-o a César, procurou a força de expedientes contentar o povo e não ofender os protestos duns restos de consciência pagã e supersticiosa, que o receio vago dum possível castigo dos deuses tinha despertados.
Jesus enviado a Herodes. Barrabás
Sabendo Pilatos que Jesus era Galileu, enviou-o a Herodes, tetrarca da Galiléia, filho daquele Herodes que ordenou o massacre dos inocentes, quando os magos lhe anunciaram o nascimento do "Rei dos Judeus". Humilhado com o silêncio do Senhor, quis humilhar também os Judeus, vestindo Jesus com um manto branco dos candidatos à realeza, e remetendo-o novamente a Pilatos.
Não surtiu o melhor efeito a escolha entre o homicida Barrabás e Jesus.
A Flagelação
Era um suplício infamante, reservado aos escravos. O paciente despojado dos vestidos e atado pelas mãos à argola dum cepo, recebia os golpes que o executor lhe ia aplicando compassadamente no dorso curvo. Com os látegos do corpo, rasgava-lhe as espáduas e o peito em sulcos profundos donde jorrava o sangue e se descolavam pedaços de carne. Neste estado tristíssimo, mandou Pilatos cobri-lo com um manto escarlate, colocá-lo a coroa e o cetro e apresentá-lo a multidão. Os judeus compreenderam toda a ironia deste gesto. Ousariam ver ainda neste homem um competidor de César?
Condenação de Jesus

Os judeus continuam a insistir, com despeito, no título de filho de Deus, que será a causa única por que o hão de condenar a morte. Pilatos, que não resiste ao argumento decisivo com que os judeus o atacam, duma denúncia a César, recorre ao último expediente e lava as mãos perante o povo, querendo com isso significar que Jesus é inocente e não o condena senão porque assim o judeus o exigem em virtude de suas leis. Foi o que afirmou até o fim, mandando fixar na Cruz a inscrição declaratória do crime e do motivo da condenação: "Jesus Nazareno, Rei dos Judeus", Pilatos porque era fraco e covarde, é, sem dúvida, culpado; mas os judeus, levando só por ódio o Pretor a condená-lo a morte, cometeram um deicídio.
A Caminho do Calvário. Crucifixão
Cerca das onze horas, O Senhor deixou o Pretório e encaminhou-se para o Calvário, pelo caminho que desce para o Vale Tirofeon, e volta depois para leste pela escarpa que dá para as portas da cidade. Era ali, fora dos muros, o Gólgota ou lugar da execuções. Cerca do meio-dia, o Sol escureceu-se, fenômeno constatado em toda a extensão do Império, é no meio desta noite tenebrosa que o Senhor dá seu último suspiro. A cruz era o mais cruel e atroz dos suplícios: porque a vítima, completamente imobilizada, devia suportar durante várias horas todo peso do corpo nos braços estendidos. A tensão terrível questiona o sangue, fazendo afluir a face e o peito e provocando uma sede ardentíssima. Morrer crucificado é morrer de pura dor, na mais atroz das agonias. Quando a noite suspendia o supliciado ainda vivo, para lhe apressar a morte, quebravam-lhe as pernas, que, de ordinário, estavam a um metro do solo.
Morte e Sepultura
Está para chegar o momento decisivo que marcará para o gênero humano a hora do resgate. Para mostrar que não é constrangido, mas é por amor do Pai e dos homens que aceita a morte, Jesus dá um grande grito e suspira. Morrer o Salvador. Com Maria, sua Mãe, e São João, fiquemos de pé junto da Cruz; e com os judeus, que então se converteram, batamos no peito, porque foi para expiar nossos pecados que ele morreu. Eram três horas da tarde. Às cinco, o Senhor foi retirado da Cruz e colocado às pressas no sepulcro, porque as seis começava o Sábado, que naquele ano era muito solene. Coincidia com o 14 de Nisan, o dia mais importante das festas da Páscoa e que representava à maravilha o repouso eterno em que o Senhor entrava. Os judeus não tinham cemitérios. Sepultavam os seus geralmente em sepulcros privativos de famílias, cavados numa propriedade, ou então à beira das grandes vias de comunicação. Jesus foi deposto no sepulcro que José de Arimatéia possuía numa propriedade junto do Calvário. Repitamos amorosamente, com o Senhor, a oração da comunhão: "Pai se este cálice não pode passar sem que eu beba, faça-se a vossa vontade!"


Hosanna Filio David, Benedictus Qui Venit in Nomine Domini
Continuação do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus: Naquele tempo:
Aproximavam-se de Jerusalém. Quando chegaram a Betfagé, perto do monte das Oliveiras, Jesus enviou dois de seus discípulos,
dizendo-lhes: Ide à aldeia que está defronte. Encontrareis logo uma jumenta amarrada e com ela seu jumentinho. Desamarrai-os e trazei-mos.
Se alguém vos disser qualquer coisa, respondei-lhe que o Senhor necessita deles e que ele sem demora os devolverá.
Assim, neste acontecimento, cumpria-se o oráculo do profeta:
Dizei à filha de Sião: Eis que teu rei vem a ti, cheio de doçura, montado numa jumenta, num jumentinho, filho da que leva o jugo (Zc 9,9).
Os discípulos foram e executaram a ordem de Jesus.
Trouxeram a jumenta e o jumentinho, cobriram-nos com seus mantos e fizeram-no montar.
Então a multidão estendia os mantos pelo caminho, cortava ramos de árvores e espalhava-os pela estrada.
E toda aquela multidão, que o precedia e que o seguia, clamava: Hosana ao filho de Davi! Bendito seja aquele que vem em nome do Senhor! Hosana no mais alto dos céus!
"Pueri Hebraeorum portantes ramos olivarum, obviaverunt Domino, clamantes et dicentes: Hosanna in excelsis"

Gloria laus et honor tibi sit, Rex Christe, Redemptor: Cui puerile decus prompsit Hosanna pium.

Epístola

Leitura da Epístola de São Paulo Apóstolo aos Filipenses (2,5-11) . Irmãos: Dedicai-vos mutuamente a estima que se deve em Cristo Jesus. Sendo ele de condição divina, não se prevaleceu de sua igualdade com Deus, mas  aniquilou-se a si mesmo, assumindo a condição de escravo e assemelhando-se aos homens. E, sendo exteriormente reconhecido como homem, humilhou-se ainda mais, tornando-se obediente até a morte, e morte de cruz. Por isso Deus o exaltou soberanamente e lhe outorgou o nome que está acima de todos os nomes, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho no céu, na terra e nos infernos. E toda língua confesse, para a glória de Deus Pai, que Jesus Cristo é Senhor.


LEITURA DA PAIXÃO DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO


Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus (26, 35-75; 27,1-60): Naquele tempo:
Retirou-se Jesus com eles para um lugar chamado Getsêmani e disse-lhes: Assentai-vos aqui, enquanto eu vou ali orar. E, tomando consigo Pedro e os dois filhos de Zebedeu, começou a entristecer-se e a angustiar-se. Disse-lhes, então: Minha alma está triste até a morte. Ficai aqui e vigiai comigo. Adiantou-se um pouco e, prostrando-se com a face por terra, assim rezou: Meu Pai, se é possível, afasta de mim este cálice! Todavia não se faça o que eu quero, mas sim o que tu queres. Foi ter então com os discípulos e os encontrou dormindo. E disse a Pedro: Então não pudestes vigiar uma hora comigo... Vigiai e orai para que não entreis em tentação. O espírito está pronto, mas a carne é fraca. Afastou-se pela segunda vez e orou, dizendo: Meu Pai, se não é possível que este cálice passe sem que eu o beba, faça-se a tua vontade! Voltou ainda e os encontrou novamente dormindo, porque seus olhos estavam pesados. Deixou-os e foi orar pela terceira vez, dizendo as mesmas palavras. Voltou então para os seus discípulos e disse-lhes: Dormi agora e repousai! Chegou a hora: o Filho do Homem vai ser entregue nas mãos dos pecadores... Levantai-vos, vamos! Aquele que me trai está perto daqui. Jesus ainda falava, quando veio Judas, um dos Doze, e com ele uma multidão de gente armada de espadas e cacetes, enviada pelos príncipes dos sacerdotes e pelos anciãos do povo. O traidor combinara com eles este sinal: Aquele que eu beijar, é ele. Prendei-o! Aproximou-se imediatamente de Jesus e disse: Salve, Mestre. E beijou-o. Disse-lhe Jesus: É, então, para isso que vens aqui? Em seguida, adiantaram-se eles e lançaram mão em Jesus para prendê-lo. Mas um dos companheiros de Jesus desembainhou a espada e feriu um servo do sumo sacerdote, decepando-lhe a orelha. Jesus, no entanto, lhe disse: Embainha tua espada, porque todos aqueles que usarem da espada, pela espada morrerão. Crês tu que não posso invocar meu Pai e ele não me enviaria imediatamente mais de doze legiões de anjos? Mas como se cumpririam então as Escrituras, segundo as quais é preciso que seja assim? Depois, voltando-se para a turba, falou: Saístes armados de espadas e porretes para prender-me, como se eu fosse um malfeitor. Entretanto, todos os dias estava eu sentado entre vós ensinando no templo e não me prendestes. Mas tudo isto aconteceu porque era necessário que se cumprissem os oráculos dos profetas. Então os discípulos o abandonaram e fugiram. Os que haviam prendido Jesus levaram-no à casa do sumo sacerdote Caifás, onde estavam reunidos os escribas e os anciãos do povo. Pedro seguia-o de longe, até o pátio do sumo sacerdote. Entrou e sentou-se junto aos criados para ver como terminaria aquilo. Enquanto isso, os príncipes dos sacerdotes e todo o conselho procuravam um falso testemunho contra Jesus, a fim de o levarem à morte. Mas não o conseguiram, embora se apresentassem muitas falsas testemunhas. Por fim, apresentaram-se duas testemunhas, que disseram: Este homem disse: Posso destruir o templo de Deus e reedificá-lo em três dias. Levantou-se o sumo sacerdote e lhe perguntou: Nada tens a responder ao que essa gente depõe contra ti? Jesus, no entanto, permanecia calado. Disse-lhe o sumo sacerdote: Por Deus vivo, conjuro-te que nos digas se és o Cristo, o Filho de Deus? Jesus respondeu: Sim. Além disso, eu vos declaro que vereis doravante o Filho do Homem sentar-se à direita do Todo-poderoso, e voltar sobre as nuvens do céu. A estas palavras, o sumo sacerdote rasgou suas vestes, exclamando: Que necessidade temos ainda de testemunhas? Acabastes de ouvir a blasfêmia! Qual o vosso parecer? Eles responderam: Merece a morte! Cuspiram-lhe então na face, bateram-lhe com os punhos e deram-lhe tapas, dizendo: Adivinha, ó Cristo: quem te bateu? Enquanto isso, Pedro estava sentado no pátio. Aproximou-se dele uma das servas, dizendo: Também tu estavas com Jesus, o Galileu. Mas ele negou publicamente, nestes termos: Não sei o que dizes. Dirigia-se ele para a porta, a fim de sair, quando outra criada o viu e disse aos que lá estavam: Este homem também estava com Jesus de Nazaré. Pedro, pela segunda vez, negou com juramento: Eu nem conheço tal homem. Pouco depois, os que ali estavam aproximaram-se de Pedro e disseram: Sim, tu és daqueles; teu modo de falar te dá a conhecer. Pedro então começou a fazer imprecações, jurando que nem sequer conhecia tal homem. E, neste momento, cantou o galo. Pedro recordou-se do que Jesus lhe dissera: Antes que o galo cante, negar-me-ás três vezes. E saindo, chorou amargamente. Chegando a manhã, todos os príncipes dos sacerdotes e os anciãos do povo reuniram-se em conselho para entregar Jesus à morte. Ligaram-no e o levaram ao governador Pilatos. Judas, o traidor, vendo-o então condenado, tomado de remorsos, foi devolver aos príncipes dos sacerdotes e aos anciãos as trinta moedas de prata, dizendo-lhes: Pequei, entregando o sangue de um justo. Responderam-lhe: Que nos importa? Isto é lá contigo! Ele jogou então no templo as moedas de prata, saiu e foi enforcar-se. Os príncipes dos sacerdotes tomaram o dinheiro e disseram: Não é permitido lançá-lo no tesouro sagrado, porque se trata de preço de sangue. Depois de haverem deliberado, compraram com aquela soma o campo do Oleiro, para que ali se fizesse um cemitério de estrangeiros. Esta é a razão por que aquele terreno é chamado, ainda hoje, Campo de Sangue. Assim se cumpriu a profecia do profeta Jeremias: Eles receberam trinta moedas de prata, preço daquele cujo valor foi estimado pelos filhos de Israel; e deram-no pelo campo do Oleiro, como o Senhor me havia prescrito. Jesus compareceu diante do governador, que o interrogou: És o rei dos judeus? Sim, respondeu-lhe Jesus. Ele, porém, nada respondia às acusações dos príncipes dos sacerdotes e dos anciãos. Perguntou-lhe Pilatos: Não ouves todos os testemunhos que levantam contra ti? Mas, para grande admiração do governador, não quis responder a nenhuma acusação. Era costume que o governador soltasse um preso a pedido do povo em cada festa de Páscoa. Ora, havia naquela ocasião um prisioneiro famoso, chamado Barrabás. Pilatos dirigiu-se ao povo reunido: Qual quereis que eu vos solte: Barrabás ou Jesus, que se chama Cristo? (Ele sabia que tinham entregue Jesus por inveja.) Enquanto estava sentado no tribunal, sua mulher lhe mandou dizer: Nada faças a esse justo. Fui hoje atormentada por um sonho que lhe diz respeito. Mas os príncipes dos sacerdotes e os anciãos persuadiram o povo que pedisse a libertação de Barrabás e fizesse morrer Jesus. O governador tomou então a palavra: Qual dos dois quereis que eu vos solte? Responderam: Barrabás! Pilatos perguntou: Que farei então de Jesus, que é chamado o Cristo? Todos responderam: Seja crucificado! O governador tornou a perguntar: Mas que mal fez ele? E gritavam ainda mais forte: Seja crucificado! Pilatos viu que nada adiantava, mas que, ao contrário, o tumulto crescia. Fez com que lhe trouxessem água, lavou as mãos diante do povo e disse: Sou inocente do sangue deste homem. Isto é lá convosco! E todo o povo respondeu: Caia sobre nós o seu sangue e sobre nossos filhos! Libertou então Barrabás, mandou açoitar Jesus e lho entregou para ser crucificado. Os soldados do governador conduziram Jesus para o pretório e rodearam-no com todo o pelotão. Arrancaram-lhe as vestes e colocaram-lhe um manto escarlate. Depois, trançaram uma coroa de espinhos, meteram-lha na cabeça e puseram-lhe na mão uma vara. Dobrando os joelhos diante dele, diziam com escárnio: Salve, rei dos judeus! Cuspiam-lhe no rosto e, tomando da vara, davam-lhe golpes na cabeça. Depois de escarnecerem dele, tiraram-lhe o manto e entregaram-lhe as vestes. Em seguida, levaram-no para o crucificar. Saindo, encontraram um homem de Cirene, chamado Simão, a quem obrigaram a levar a cruz de Jesus. Chegaram ao lugar chamado Gólgota, isto é, lugar do crânio. Deram-lhe de beber vinho misturado com fel. Ele provou, mas se recusou a beber. Depois de o haverem crucificado, dividiram suas vestes entre si, tirando a sorte. Cumpriu-se assim a profecia do profeta: Repartiram entre si minhas vestes e sobre meu manto lançaram a sorte (Sl 21,19). Sentaram-se e montaram guarda. Por cima de sua cabeça penduraram um escrito trazendo o motivo de sua crucificação: Este é Jesus, o rei dos judeus. Ao mesmo tempo foram crucificados com ele dois ladrões, um à sua direita e outro à sua esquerda. Os que passavam o injuriavam, sacudiam a cabeça e diziam: Tu, que destróis o templo e o reconstróis em três dias, salva-te a ti mesmo! Se és o Filho de Deus, desce da cruz! Os príncipes dos sacerdotes, os escribas e os anciãos também zombavam dele: Ele salvou a outros e não pode salvar-se a si mesmo! Se é rei de Israel, desça agora da cruz e nós creremos nele! Confiou em Deus, Deus o livre agora, se o ama, porque ele disse: Eu sou o Filho de Deus! E os ladrões, crucificados com ele, também o ultrajavam. Desde a hora sexta até a nona, cobriu-se toda a terra de trevas. Próximo da hora nona, Jesus exclamou em voz forte: Eli, Eli, lammá sabactáni? - o que quer dizer: Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste? A estas palavras, alguns dos que lá estavam diziam: Ele chama por Elias. Imediatamente um deles tomou uma esponja, embebeu-a em vinagre e apresentou-lha na ponta de uma vara para que bebesse. Os outros diziam: Deixa! Vejamos se Elias virá socorrê-lo. Jesus de novo lançou um grande brado, e entregou a alma. E eis que o véu do templo se rasgou em duas partes de alto a baixo, a terra tremeu, fenderam-se as rochas. Os sepulcros se abriram e os corpos de muitos justos ressuscitaram. Saindo de suas sepulturas, entraram na Cidade Santa depois da ressurreição de Jesus e apareceram a muitas pessoas. O centurião e seus homens que montavam guarda a Jesus, diante do estremecimento da terra e de tudo o que se passava, disseram entre si, possuídos de grande temor: Verdadeiramente, este homem era Filho de Deus! Havia ali também algumas mulheres que de longe olhavam; tinham seguido Jesus desde a Galiléia para o servir. Entre elas se achavam Maria Madalena e Maria, mãe de Tiago e de José, e a mãe dos filhos de Zebedeu. À tardinha, um homem rico de Arimatéia, chamado José, que era também discípulo de Jesus, foi procurar Pilatos e pediu-lhe o corpo de Jesus. Pilatos cedeu-o. José tomou o corpo, envolveu-o num lençol branco e o depositou num sepulcro novo, que tinha mandado talhar para si na rocha. Depois rolou uma grande pedra à entrada do sepulcro e foi-se embora.
Lefebvre, Dom Gaspar. Missal Quotidiano e Vesperal. Bruges, Bélgica; Abadia de S. André, 1960.

Recesso

Em virtude das festividades da Semana Santa as postagens diárias serão temporárimente suspensa, voltando somemente no dia 16/04/2012.

Somente serão postados textos em referência a Semana Santa e a Páscoa.

Uma Boa Semana Santa e uma Feliz Páscoa!

Equipe do Blog: Em defesa da Santa Fé.

Nossa Senhora do Sábado: a Ave-Maria o Santo Rosário e a Ladainha

80 - Qual a oração mais excelente que podemos fazer em honra de Maria?

E a Ave-Maria, ou Saudação Angélica, composta pelo Anjo Gabriel, por Santa Isabel e pela Igreja.

81 - Devemos apreciar muito esta oração?
Sim, porque, depois do Padre nosso, não há oração mais bela, mais excelente, mais útil:
1) encerra em poucas palavras os principais privilégios de Maria: cheia de graça, Mãe de Deus, advogada nossa poderosíssima;
2) foi composta pelo Espírito Santo;
3) lembra-nos o mistério da Encarnação;
4) é muito própria para reparar os ultrajes feitos pelos hereges contra Nossa Senhora.
82 - A Igreja recomenda alguma maneira especial de se rezar a Ave Maria?

Além das Ave-Marias rezadas no Rosário, a igreja recomenda a prática das Três Ave-Marias de manhã e à noite acompanhadas da invocação composta por Santo Afonso: "Maria, minha boa Mãe, livrai-me neste dia (nesta noite) do pecado mortal."
Lição XV

83 - Que é o Rosário?

É um conjunto de orações acompanhadas da meditação dos principais mistérios da vida de Nosso Senhor e de Nossa Senhora. Chama-se Rosário por ser como uma coroa de rosas que se oferece a Maria.
84 - Quem compôs o Rosário?
Na sua forma atual, o Rosário foi composto por São Domingos, fundador da Ordem dos Pregadores, que foi para isso favorecido com uma revelação particular de Maria no ano 1206.
85 - Donde provém a excelência do Rosário?

a) da sua origem: pois foi a própria Santíssima Virgem quem o revelou a São Domingos;
b) das orações que o compõem: Credo, resumo das verdades de nossa Fé; Padre-nosso e Ave-Maria, as mais belas orações; Glória ao Pai, ato de fé e adoração à Santíssima Trindade; meditação dos mistérios da Fé;
c) da autoridade da Igreja que autorizou e recomendou por diversas vezes esta prática. Só o Papa Leão XIII escreveu dez encíclicas sobre o Rosário. Pode-se, portanto, dizer que é a devoção particular mais recomendada pela Igreja.

86 - Deve-se rezar sempre o Rosário?

É muito útil e salutar rezar todos os dias pelo menos o Terço, pois esta e a recomendação da Igreja e este foi o insistente apelo de Nossa Senhora nas aparições de Lourdes e Fátima: "Rezai o Terço todos os dias".
87 - A Igreja recomenda alguma forma especial de se rezar o Terço?

Sim, o Terço rezado em família ou em comunidade. Para cada dia que o fiel, em família ou em comunidade, reza piedosamente o Terço, meditando nos mistérios, a Igreja concede uma indulgência plenária, observadas as outras condições gerais. A Igreja exorta também os fiéis a rezarem o Terço no Mês do Rosário, mês de outubro, durante a Santa Missa ou diante do Santíssimo Sacramento exposto.

88 - O que é a Ladainha de Nossa Senhora?

É uma oração aprovada pela Igreja composta de 47 invocações a Nossa Senhora, recordando seus principais privilégios e títulos de honra, de veneração e de amor, pedindo sua proteção: "rogai por nós".

89 - Poderia dar a explicação de algumas dessas invocações ?

Sim:
Espelho de justiça: Maria é o espelho da perfeição cristã. Todas as virtudes cristãs brilham no Coração Imaculado de Maria. Este espelho de santidade nos foi dado como uma luz a guiar-nos no caminho da santidade.
Sede da Sabedoria: ou templo da Sabedoria, Templo de Deus, este título convém eminentemente a Maria, Mãe de Deus.
Causa de nossa alegria: Maria é causa da nossa alegria espiritual, pois nos trouxe Jesus e é por Ela que nos vem a graça de Deus.
Vaso espiritual: como um vaso precioso, o Coração de Maria encerra os dons espirituais da divina graça.
Vaso honorífico: este título convém à alma de Maria, onde permaneceu sempre a graça de Deus e a seu corpo, do qual o Divino Espírito Santo formou o Corpo de Jesus.
Vaso insigne de devoção: Maria encerra de maneira insigne, notabilíssima, a maior devoção de que é capaz uma criatura.
Rosa mística: a rosa é a rainha das flores, portanto é muito natural que Maria, rainha dos anjos e dos santos, seja comparada à rosa.
Torre de Davi: Davi, tendo se apoderado da torre dos Jebuseus, a qual dominava Jerusalém e servia de defesa àquela cidade, aumentou-a, fortificou-a e confíou-a aos soldados mais experimentados. Maria é a torre inexpugnável de defesa da Igreja contra os inimigos de todos os tempos (Jerusalém é figura da Igreja).
Torre de marfim: Nossa Senhora é aqui comparada a uma torre de uma alvura semelhante à do marfim, para nos lembrar sua pureza imaculada e poder que Deus lhe concedeu contra os inimigos da religião.
Casa de ouro: o ouro é símbolo da caridade, rainha das virtudes. Maria amou a Deus e ao próximo como nenhuma criatura.
Arca da aliança: já abundantemente explicado este título.
Porta do céu: este título pertence em primeiro lugar a Jesus Cristo, "Eu sou a porta"; mas, Maria também, de maneira subordinada a Jesus, é a porta do Céu, pela qual nos vêm as graças de Deus, e pela qual podemos ir a Deus.
Estrela da Manhã: a estrela da manha anuncia a chegada do sol, a dissipação das trevas; assim a chegada de Maria anuncia a vinda de Jesus, Sol de justiça que dissipa as trevas do pecado.

Fonte: Catecismo de Nossa Senhora (Publicções Ontem, Hoje e Sempre - Campos RJ) - 1997

SÁBADO DA PAIXÃO

A missa reune todos os grandes mistérios que enchem a Semana Santa. Na Epístola Jeremias prediz os castigos com que Deus vai punir os que conspiram contra o justo, predição que teve quarenta anos mais tarde no cêrco de Jerusalém. O Evangelho nos apresenta o Senhor aclamado "Rei de Israel" pelos judeus e depois " Elevado da Terra", ou seja, crucificado. O Episódio dos Gentios em Jerusalém e o desejo que manifestam a Felipe de ver Jesus permitem-nos já prever a numerosa colheita que o paganismo reserva à nascente Igreja. Jesus vai morrer como grão de trigo. Por agora a sua alma está turbada, mas virá a hora de glorificar o Pai e em que o principe deste mundo vai ser lançado fora dele, mesmo no alto da Cruz o Senhor atrairá tudo e todos a si.

Epístola
Leitura do profeta Jeremias (18, 18-23) Naqueles dias: Vinde, disseram então, e tramemos uma conspiração contra Jeremias! Por falta de um sacerdote não perecerá a lei, nem pela falta de um sábio, o conselho, ou pela falta de um profeta, a palavra divina. Vinde e firamo-lo com a língua, não lhe demos ouvidos às palavras! Senhor, ouvi-me! Escutai o que dizem meus inimigos. É assim que pagam o bem com o mal? Abrem uma cova para atentar-me contra a vida. Lembrai-vos de que ante vós me apresentei a fim de por eles interceder e deles afastar a vossa cólera. Assim, entregai-lhes os filhos à fome e a eles próprios ao fio da espada. Percam suas mulheres os filhos e maridos, morram os homens pela peste, e os jovens caiam sob a espada nos combates. Quando, de súbito, sobre eles lançardes hordas armadas, ouçam-se os clamores partidos de suas casas, já que cavaram uma fossa para prender-me, e armaram laços a meus pés. Vós, porém, Senhor, que bem conheceis suas conspirações de morte contra mim, não lhes perdoeis tal iniqüidade. Que a vossos olhos o seu pecado permaneça indelével e caiam diante de vós. Agi contra eles no dia de vossa cólera. Senhor Deus Nosso.

+Sequência do Santo Evangelho segundo São João: Naquele tempo os príncipes dos sacerdotes resolveram tirar a vida também a Lázaro, porque muitos judeus, por causa dele, se afastavam e acreditavam em Jesus. No dia seguinte, uma grande multidão que tinha vindo à festa em Jerusalém ouviu dizer que Jesus se ia aproximando. Saíram-lhe ao encontro com ramos de palmas, exclamando: Hosana! Bendito o que vem em nome do Senhor, o rei de Israel! Tendo Jesus encontrado um jumentinho, montou nele, segundo o que está escrito: Não temas, filha de Sião, eis que vem o teu rei montado num filho de jumenta (Zc 9,9). Os seus discípulos a princípio não compreendiam essas coisas, mas, quando Jesus foi glorificado, então se lembraram de que isto estava escrito a seu respeito e de que assim lho fizeram. A multidão, pois, que se achava com ele, quando chamara Lázaro do sepulcro e o ressuscitara, aclamava-o. Por isso o povo lhe saía ao encontro, porque tinha ouvido que Jesus fizera aquele milagre. Mas os fariseus disseram entre si: Vede! Nada adiantamos! Reparai que todo mundo corre após ele! Havia alguns gregos entre os que subiram para adorar durante a festa. Estes se aproximaram de Filipe (aquele de Betsaida da Galiléia) e rogaram-lhe: Senhor, quiséramos ver Jesus. Filipe foi e falou com André. Então André e Filipe o disseram ao Senhor. Respondeu-lhes Jesus: É chegada a hora para o Filho do Homem ser glorificado. Em verdade, em verdade vos digo: se o grão de trigo, caído na terra, não morrer, fica só; se morrer, produz muito fruto. Quem ama a sua vida, perdê-la-á; mas quem odeia a sua vida neste mundo, conservá-la-á para a vida eterna. Se alguém me quer servir, siga-me; e, onde eu estiver, estará ali também o meu servo. Se alguém me serve, meu Pai o honrará. Presentemente, a minha alma está perturbada. Mas que direi?... Pai, salva-me desta hora... Mas é exatamente para isso que vim a esta hora. Pai, glorifica o teu nome! Nisto veio do céu uma voz: Já o glorifiquei e tornarei a glorificá-lo. Ora, a multidão que ali estava, ao ouvir isso, dizia ter havido um trovão. Outros replicavam: Um anjo falou-lhe. Jesus disse: Essa voz não veio por mim, mas sim por vossa causa. Agora é o juízo deste mundo; agora será lançado fora o príncipe deste mundo. E quando eu for levantado da terra, atrairei todos os homens a mim. Dizia, porém, isto, significando de que morte havia de morrer. A multidão respondeu-lhe: Nós temos ouvido da lei que o Cristo permanece para sempre. Como dizes tu: Importa que o Filho do Homem seja levantado? Quem é esse Filho do Homem? Respondeu-lhes Jesus: Ainda por pouco tempo a luz estará em vosso meio. Andai enquanto tendes a luz, para que as trevas não vos surpreendam; e quem caminha nas trevas não sabe para onde vai. Enquanto tendes a luz, crede na luz, e assim vos tornareis filhos da luz. Jesus disse essas coisas, retirou-se e ocultou-se longe deles.


Lefebvre, Dom Gaspar. Missal Quotidiano e Vesperal. Bruges, Bélgica; Abadia de S. André, 1960.

sexta-feira, 30 de março de 2012

Nossa Senhora das Dores (Sexta-feira depois do Domingo da Paixão)


Elias, O Profeta




O Ciclo do Natal celebrou o papel da Santíssima Virgem no mistério da Encarnação, glorificando, ao mesmo tempo, a divindade de Jesus e a maternidade divina de Maria Santíssima. O Ciclo da Páscoa vem dizer como a Mãe do Salvador cooperou no mistério da Redenção; mostra como ela, neste tempo da Paixão, ao pé da Cruz onde seu Filho morre. Realiza-se a profecia de Simeão: "Uma espada de dor atravessará seu coração", que, pelo seu amor sem par, se torna a Rainha dos Mártires. Assim como Judite libertou Israel matando Holofernes, assim a Virgem, com Jesus, é a nossa libertadora. Venerando as dores de Nossa Senhora aos pés da Cruz, peçamos-lhe que nos obtenha os frutos da Paixão de seu Filho.



Stabat Mater dolorosa iuxta crucem lacrimosa dum pendebat Filius

Cuius animam gementem contristatam et dolentem pertransivit gladius

O quam tristis et afflicta fuit illa benedicta Mater Unigeniti

Quae moerebat et dolebat et tremebat cum videbat nati poenas inclyti Quae moerebat et dolebat Pia Mater dum videbat nati poenas inclyti

Quis est homo qui non fleret Matri Christi si videret in tanto supplicio?

Quis non posset contristari Matrem Christi contemplari dolentum cum filio?

Pro peccatis suae gentis vidit Iesum in tormentis et flagellis subditum

Vidit suum dulcem natum moriendo desolatum dum emisit spiritum

Eia Mater, fons amoris, me sentire vim doloris fac ut tecum lugeam

Fac ut ardeat cor meum in amando Christum Deum ut sibi complaceam

Sancta Mater, istud agas crucifixi fige plagas cordi meo valide

Tui nati vulnerati tam dignati pro me pati poenas mecum divide

Fac me vere tecum flere crucifixo condolere donec ego vixero

Iuxta crucem tecum stare te libenter sociare in planctu desidero

Virgo virginum praeclara mihi iam non sis amara fac me tecum plangere

Fac ut portem Christi mortem passionis eius sortem et plagas recolere

Fac me plagis vulnerari cruce hac inebriari ob amorem filii

Inflammatus et accensus, per te, Virgo, sim defensus in die iudicii

Fac me cruce custodiri morte Christi praemuniri confoveri gratia

Quando corpus morietur fac ut animae donetur paradisi gloria. Amen



(Letra Português - Latin: http://www.stabatmater.info/portuges.html )




Lefebvre, Dom Gaspar. Missal Quotidiano e Vesperal. Bruges, Bélgica; Abadia de S. André, 1960.

SEXTA-FEIRA DA PAIXÃO


A estação de hoje congregava-se na Igreja de Santo Estevão no Monte Célio.
O Evangelho de hoje nos fala da sessão solene do Sinédrio convocada com o fim preconcebido de condenar irrevogavelmente o Salvador. Os Judeus de fato andavam com medo. A ressurreição de Lázaro tinha levantado tamanha celeuma e entusiasmo durante as festas, que pensavam eles, se não tivessem uma posição contrária diante disso, os romanos iam destruir a cidade e a nação. Por isso declarava Caifás, "É melhor que um só homem se pereça do que toda uma nação. Por isso declararam o Senhor a morte. Jermias na Epístola e o Salmista no intróito, no Gradual e na Comunhão descrevem a tristeza que o Senhor experimenta ao ver-se rodeado de homens de má fé, que meditam na sua perda, tomemos parte do sofimento do Salvador nas vésperas de sua Paixão, e que o temor da penas nos leve a aceitar com alegria as dificuldades desta vida com austeridade proporcionada pela Quaresma.


Epístola
Leitura do profeta Jeremias (17, 13-18)  Senhor, que sois a esperança de Israel, confundidos serão todos os que vos abandonam, e de vergonha serão cobertos os que de vós se afastam, por haverem deixado o Senhor, fonte das águas vivas. Curai-me, Senhor, e ficarei curado; salvai-me, e serei salvo, porque sois a minha glória. Ei-los que clamam: Que é feito dos oráculos do Senhor? Que eles se cumpram! Eu, porém, nunca vos incitei a enviar a desgraça, nem desejei o dia da catástrofe. Bem conheceis as palavras que me saíram da boca: elas estão em vossa presença. Não me sejais objeto de espanto, vós que, no dia da desgraça, sois meu refúgio. Sejam envergonhados meus perseguidores, e não eu! Sejam consternados, não eu! Fazei recair sobre eles o dia da aflição, esmagai-os com dupla desgraça.

+Sequência do Santo Evangelho segundo São João: Naquele tempo, Os pontífices e os fariseus convocaram o conselho e disseram: Que faremos? Esse homem multiplica os milagres. Se o deixarmos proceder assim, todos crerão nele, e os romanos virão e arruinarão a nossa cidade e toda a nação. Um deles, chamado Caifás, que era o sumo sacerdote daquele ano, disse-lhes: Vós não entendeis nada! Nem considerais que vos convém que morra um só homem pelo povo, e que não pereça toda a nação. E ele não disse isso por si mesmo, mas, como era o sumo sacerdote daquele ano, profetizava que Jesus havia de morrer pela nação, e não somente pela nação, mas também para que fossem reconduzidos à unidade os filhos de Deus dispersos. E desde aquele momento resolveram tirar-lhe a vida. Em conseqüência disso, Jesus já não andava em público entre os judeus. Retirou-se para uma região vizinha do deserto, a uma cidade chamada Efraim, e ali se detinha com seus discípulos.

Lefebvre, Dom Gaspar. Missal Quotidiano e Vesperal. Bruges, Bélgica; Abadia de S. André, 1960.

quinta-feira, 29 de março de 2012

Síria: mais de 50 000 cristãos fogem de seus lares devido à violência (ACI)

Foto: ACI Digital
Damasco, 28 Mar. 12 / 10:04 am (ACI/EWTN Noticias)

Quase todos os cristãos na cidade de Homs, arrasada pelo conflito na Síria, fugiram de lá devido à violência e à perseguição, ao mesmo tempo em informes reportam que suas casas foram atacadas e sitiadas por fanáticos vinculados ao Al-Qaeda.

Diversos informes oficiais assinalam que perto de 90 por cento de cristãos deixaram seus lares, e a violência levou a que se tema que a Síria possa converter-se em um "segundo Iraque", com ataques às igrejas, seqüestros e expulsões de cristãos.

O êxodo de mais de 50 000 cristãos produziu-se em sua maioria durante as últimas seis semanas. Isto faz parte da "limpeza étnica" posta em marcha por grupos militantes islâmicos vinculados ao Al Qaeda, de acordo à organização internacional católica Ajuda à Igreja que Sofre (AIS).

Homs era o lugar de uma das maiores populações cristãs da Síria, e fontes da Igreja assinalam que os fiéis levaram a pior parte da violência. Eles escaparam a povoados, muitos dos quais estão nas montanhas, a 30 milhas fora da cidade.

Islamistas teriam ido de casa em casa nos bairros de Hamidiya e Bustan al-Diwan, em Homs, e obrigaram os cristãos a fugir, sem dar-lhes a oportunidade de recolher seus pertences.

A crise em Homs incrementou o temor de que islamistas estejam ganhando influência na região, ante o vazio de poder deixado pela derrota de outros governos árabes.

As comparações com o Iraque são sinistras. A violência contra os fiéis nesse país ocasionou que a população cristã passasse de 1,4 milhões ao final de 1980 a menos de 300 000 na atualidade.

Tanto na Síria como no Iraque, a Igreja branco de ataques porque se percebe como próxima aos regimes sob o ataque de partidas opositores e grupos rebeldes.

O levantamento na Síria começou em março de 2011, com protestas que buscam uma reforma política. O levantamento se tornou cada vez mais militarizado e mais de 8000 pessoas morreram no conflito no último ano, segundo as cifras da ONU.

Muitos na oposição da maioria Sunita do país, enquanto as minorias religiosas continuam respaldando ao presidente Bashar al-Assad.

A exilada Irmandade Muçulmana de Síria afirmou que não monopolizará o poder em um novo regime, mas respaldará um estado democrático com igualdade para todos os cidadãos e respeito pelos direitos humanos.

Em 26 de março, as forças do governo de Síria bombardearam Homs e realizaram blitz por toda a cidade. Um grupo de direitos humanos diz que as forças governamentais parecem estar preparando-se para retomar o poder das zonas da cidade retidas por rebeldes, informou a Associated Press.

O governo acusou os insurgentes de terrorismo e de conspiração internacional, enquanto que o próprio regime enfrenta acusações de tortura e massacre de civis.

A comunidade cristã sofreu ataques terroristas em outras cidades.

No dia 18 de março, a explosão de um carro bomba teve como alvo o bairro cristão de Alepo, perto da igreja de São Boaventura, dos frades Franciscanos. Ajuda à Igreja que Sofre (AIS) se encontra agora auxiliando as famílias das vítimas deste atentado.

"As pessoas que estamos ajudando têm muito medo", disse o Bispo de Aleppo, Antoine Audo, que fiscaliza o programa de ajuda. "Os cristãos não sabem o que lhes prepara o futuro. Eles temem que não retornarão aos seus lares".

Os deslocados de Homs estão desesperados por conseguir comida e refúgio. Ajuda à Igreja que Sofre anunciou um pacote de ajuda urgente de 100 000 dólares para aliviar suas necessidades.

Cada família receberá 60 dólares cada mês para mantimentos básicos e alojamento. Os organizadores da assistência esperam que eles possam retornar aos seus lares para o verão.

Dom Audo disse à AIS que é muito importante ajudar aqueles que se encontram em perigo.

"Rezem por nós e trabalhemos juntos para construir a paz em Síria", disse o prelado.

Fonte: ACI

Santo ofício: Respostas católicas a heresia protestante: Pecadores na Igreja Católica

Religiosa consagrada (Mt 19,12)
ACUSAÇÃO: Na Igreja Católica há tantos pecadores; assassinos, ladrões, viciados, fornicadores, escândalos de padres, etc. Por isso ela não pode ser a verdadeira Igreja de Cristo.

RESPOSTA: A Igreja Católica é a legítima herdeira do povo de Deus do Antigo Testamento; é o povo da Nova e Eterna Aliança. Ora, a Bíblia testemunha como Deus castigava severamente, até com morte, os pecadores do povo de Israel, até com morte, os pecados do povo de Israel, mas não expulsou a ninguém! Afirmava: "Não quero a morte do pecador, mas que se converta e viva" (Eze 33,11).

Por isso a Igreja Católica pune vários pecadores até com a excomunhão (pelo aborto); a outros, amasiados nega o direito ao enterro eclesiástico, ou a serem padrinho de Batismo e de Crisma, etc., mas não os expulsa, (como fazem muitas seitas), rezando por eles e convidando-os sempre a uma conversão sincera de seus corações.

Nos Evangelhos Jesus compara sua Igreja (Reino de Deus) ao campo, cujo o dono permite crescer o joio junto ao trigo, e somente no tempo da colheita ordenará aos ceifeiros: "apanhai primeiro o joio e atai em feixes pra ser queimado; mas o trigo recolhei-o no meu celeiro" (Mt 13,24-30).

O mesmo se dá na parábola com bons e maus peixes (Mt 13,47,50): "... Assim acontecerá no fim do mundo: Virão os anjos e separarão os maus dos justos, e os lançarão na fornalha do fogo. Ali haverá choro e ranger de dentes".

O próprio Jesus aceitou na sua Igreja (companha dos Apóstolos) um pecador, o publicano Mateus, e fez dele um Santo Apóstolo. E aos fariseus escandalizados com semelhante atitude, Jesus respondeu: Não precisam de médico os que tem boa saúde, mas os doentes... Eu não vim chamar os justos mas sim os pecadores" (Mt 9,9-13). - Nas Escrituras vemos também que no primeiro colégio Apostólico teve um traidor que apostatou a fé e vendeu o Senhor por trinta moedas de prata, este foi Judas Escariotes.¹

O Senhor e o Reino de Deus (Mt 13,24-30)
Alguns hereges costumam aplicar à Santa Madre Igreja Católica a comparação de Jesus sobre da árvore má, reconhecida pelos maus frutos. Isto é absolutamente falso! Pois lendo esta comparação com atenção, vemos que Jesus compara a ela apenas pessoas particulares: Em Lucas 6,43-45 Jesus conclui  com esta parábola, da seguinte forma: "Uma árvore boa não dá frutos maus, uma árvore má não dá bom fruto. Porquanto cada árvore se conhece pelo seu fruto. Não se colhem figos dos espinheiros, nem se apanham uvas dos abrolhos. O homem bom tira coisas boas do bom tesouro do seu coração, e o homem mau tira coisas más do seu mau tesouro, porque a boca fala daquilo de que o coração está cheio". E em Mateus 7,15-20 Jesus nos acautela diante dos falsos profetas que vem como pele de ovelha, mas por dentro são lobos devoradores, aos quais devemos reconhecer pelos seus frutos. Ora, em Jo 1,12-16 Jesus anuncia os maus frutos destes lobos, que consiste em "arrebatar e dispersar as ovelhas", que Ele, como o Bom Pastor, deseja reunir e guardar "num só rebanho e sob um só pastor".

Para historiadores honestos e coerentes, a existência contínua da Igreja Católica durante os 20 séculos, apesar de tantos pecadores, heréticos e perseguidores, - é a mais evidente prova de sua origem divina, e da eficácia e promessa de seu fundador, Nosso Senhor Jesus Cristo: "Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do inferno não poderão vencê-la" (Mt 16,18), e : "Eu estarei convosco todos os dias até o fim do mundo" (Mt 28,20).

Portanto, não se espante os fiéis que dentro da Igreja existam pecadores, dentre eles, leigos, padres, bispos e até alguns Papas, já que o próprio Senhor nos afirmou em suas parábolas que haverá sempre Joio junto ao trigo até o fim dos tempos. E assim, concluímos lembrando que além do joio, temos milhares de homens e mulheres que desde os primórdios da Igreja até os dias atuais dão testemunho eficaz e vivo da verdade e do amor de Nosso Senhor Jesus Cristo no mundo. A Igreja Católica é atualmente a responsável pela maioria dos trabalhos sociais e de assistência aos necessitados do mundo, mas isso é assunto para uma próxima postagem do nosso blog.¹

(São João 8,44)
Vós tendes como pai o demônio e quereis fazer os desejos de vosso pai. Ele era homicida desde o princípio e não permaneceu na verdade, porque a verdade não está nele. Quando diz a mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso e pai da mentira.
 

(Gálatas 1,9)
Repito aqui o que acabamos de dizer: se alguém pregar doutrina diferente da que recebestes, seja ele excomungado!

Fonte: Respostas da Bíblia às acusações dos "crentes" contra a Igreja Católica - Pe. Vecente, SDV

1 - Texto apêndice do blog

QUINTA-FEIRA DA PAIXÃO

A estação de hoje reunia-se na Igreja de São Apolinário, contruída n pontificado do Papa Adriano I à volta de 780.
Daniel fala-nos da humilhação de Israel que foi entregue nas mãos do inimigo por causa de seu pecado. A Igreja por seu lado lamenta a má conduta de muito de seus filhos e dos Gentios que vivem contentes de mãos dadas com o demônio e com os vícios, inconcistentes do perigo que os ameaça, e pede com Azarias ao Senhor que confunda os que tratam mal  os seus servos, porque é humilhados e contritos pela dor e que eles vem procurar a misericórdia de Deus. E espera confia que o Senhor multiplique o seu povo como as estrelas do Céu numa visão palpitante da noite apoteótica da Páscoa. Depois no Evangelho procura enfatizar-nos à penitência e incurtir-nos com o exemplo de Madalena a esperança do Perdão e duma vida nova conforma a do Filho de Deus. Choremos pois nossos pecados e choremos como Madalena, ungiu com boas obras os pés do Senhor cansado de nos buscar.

Epístola
Leitura do profeta Daniel (3, 25 e 34-45) Naqueles dias: Azarias, em pé bem no meio do fogo, fez a seguinte oração: Pelo amor de vosso nome, não nos abandoneis para sempre; não destruais de modo algum vossa aliança. Não nos retireis vossa misericórdia em consideração a Abraão, vosso amigo, Isaac, vosso servo, Israel, vosso santo, aos quais prometestes multiplicar sua descendência como as estrelas do céu e a areia que se encontra à beira do mar. Senhor, fomos reduzidos a nada diante das nações, fomos humilhados diante de toda a terra: tudo, devido a nossos pecados! Hoje, já não há príncipe, nem profeta, nem chefe, nem holocausto, nem sacrifício, nem oblação, nem incenso, nem mesmo um lugar para vos oferecer nossas primícias e encontrar misericórdia. Entretanto, que a contrição de nosso coração e a humilhação de nosso espírito nos permita achar bom acolhimento junto a vós, Senhor, como (se nós nos apresentássemos) com um holocausto de carneiros, de touros e milhares de gordos cordeiros! Que assim possa ser hoje o nosso sacrifício em vossa presença! Que possa (reconciliar-nos) convosco, porque nenhuma confusão existe para aqueles que põem em vós sua confiança. É de todo nosso coração que nós vos seguimos agora, que nós vos reverenciamos, que buscamos vossa face. Não nos confundais; tratai-nos com vossa habitual doçura e com todas as riquezas de vossa misericórdia. Ponde em execução vossos prodígios para nos salvar, Senhor, e cobri vosso nome de glória. Que sejam então confundidos aqueles que maltratam vossos servos, que eles sofram a vergonha de ver a ruína de seu poderio e o aniquilamento de sua força. Assim saberão que sois o Senhor, o Deus único e glorioso sobre toda a superfície da terra.

+ Sequência do Santo Evangelho Segundo São Lucas: Naquele Tempo, Um fariseu convidou Jesus a ir comer com ele. Jesus entrou na casa dele e pôs-se à mesa. Uma mulher pecadora da cidade, quando soube que estava à mesa em casa do fariseu, trouxe um vaso de alabastro cheio de perfume; e, estando a seus pés, por detrás dele, começou a chorar. Pouco depois suas lágrimas banhavam os pés do Senhor e ela os enxugava com os cabelos, beijava-os e os ungia com o perfume. Ao presenciar isto, o fariseu, que o tinha convidado, dizia consigo mesmo: Se este homem fosse profeta, bem saberia quem e qual é a mulher que o toca, pois é pecadora. Então Jesus lhe disse: Simão, tenho uma coisa a dizer-te. Fala, Mestre, disse ele. Um credor tinha dois devedores: um lhe devia quinhentos denários e o outro, cinqüenta. Não tendo eles com que pagar, perdoou a ambos a sua dívida. Qual deles o amará mais? Simão respondeu: A meu ver, aquele a quem ele mais perdoou. Jesus replicou-lhe: Julgaste bem. E voltando-se para a mulher, disse a Simão: Vês esta mulher? Entrei em tua casa e não me deste água para lavar os pés; mas esta, com as suas lágrimas, regou-me os pés e enxugou-os com os seus cabelos. Não me deste o ósculo; mas esta, desde que entrou, não cessou de beijar-me os pés. Não me ungiste a cabeça com óleo; mas esta, com perfume, ungiu-me os pés. Por isso te digo: seus numerosos pecados lhe foram perdoados, porque ela tem demonstrado muito amor. Mas ao que pouco se perdoa, pouco ama. E disse a ela: Perdoados te são os pecados. Os que estavam com ele à mesa começaram a dizer, então: Quem é este homem que até perdoa pecados? Mas Jesus, dirigindo-se à mulher, disse-lhe: Tua fé te salvou; vai em paz.

Lefebvre, Dom Gaspar. Missal Quotidiano e Vesperal. Bruges, Bélgica; Abadia de S. André, 1960.

quarta-feira, 28 de março de 2012

Catecismo Romano: Creio na Santa Igreja Católica (Parte Final)

Papa Bento XVI - 264º Sucessor de Pedro
Abrange a comunhão dos sacramentos: Por comunhão dos santos devemos entender uma comunhão (participação) dos sacramentos. Provam-nos os termos em que os padres se expressaram no Símbolo: "Confesso um só Batismos".
Ao Batismo segue, em primeiro lugar, a Eucaristia; depois então, os demais sacramentos.
Por si só, o nome convém  todos os sacramentos, porque unem a Deus, e nos tornam participantes daquele, cuja graça recebemos. No entanto, é mais próprio da Eucaristia, por ser ela que opera esta comunhão (1 Cor 10,16-17).

A comunhão das boas obras: Devemos considerar que existe ainda outra comunhão na Igreja. Como não buscam seus próprios interesses, a caridade faz com que todas as obras piedosas e santas praticadas por um dos fiéis sejam também de proveito para todos os demais.

Comprova esta verdade o testemunho de Santo Ambrósio. Quando comentava a passagem do Salmo: "Tenho aliança com todos os que vos temem" (Sal 118,63). - expressou-se nestes termos: "Assim como dizemos que um membro faz parte de todo o corpo, assim é o nexo de todos os que temem a Deus (Sal 118,63).

Por isso que Nosso Senhor Jesus Cristo nos prescreveu uma fórmula de oração em que devíamos dizer "o pão nosso", e não "o pão meu". Assim também, em outras petições, não devemos pensar em nós exclusivamente, mas atender à salvação e o bem estar de todos.

1. Comparações das Sagradas Escrituras: Pra explicar esta comunhão de bens, as Escrituras recorrem muitas vezes a uma comparação muito apropriada aos membros do corpo humano ( 1Cor 12,12 ss; Rom 12,4-5; Efe 4,16).

Muitos  são os membros do corpo. Apesar de serem muitos, formam todavia um só corpo, no qual cada um tem sua função própria, mas não idêntica para todos.

Jesus e o Juízo final
Não possuem todos igual dignidade, nem desempenham funções de igual dignidade, nem desempenham funções de igual utilidade e nobreza; porquanto nenhum deve pretender sua própria vantagem, mas o bem-estar e o proveito de todo o organismo. É tão intima a conexão e adaptação entre eles que, se algum deles sofre dor, todos os demais sofrem também, por efeito natural do mesmo sangue e do mesmo sentimento; se pelo contrário sentir bem-estar, todos os outros terão a mesma sensação e alegria.

Na igreja observa-se o mesmo fenômeno.Seus membros são diversos, várias nações, judeus e pagão, homens livres e escravos, pobres e ricos. No entanto, assim que recebem o Batismo, formam com Cristo, um só corpo, do qual ele próprio é a cabeça (Efe 1,22-23).

Nesta Igreja de Cristo, cada membro recebe um ministério especial. Uns são Apóstolos, outros são mestres (1Cor 12,28). Todos instituídos para o bem da coletividade; de modo que uns incumbe dirigir e ensinar, a outros obedecer e viver debaixo das ordens.

Os membros mortos: O gozo desses bens e favores, tão abundantes e tão variados, destina-se todavia àqueles que levam uma vida cristã na caridade, e são justo e agradáveis a Deus.
Os membros mortos, isto é, os homens cobertos de culpas e apartados da graça divina, não perdem propriamente a regalia de serem membros deste corpo; mas, por estarem mortos, privam-se do fruto espiritual que é partilhado com justos e piedosos. Ainda assim, , uma vez que permanecem  no grêmio da Igreja, são ajudados a recuperar a graça e vida perdida; pelos que vivem espiritualmente, recebem aqueles frutos que escapam, sem dúvidas alguma, aos que se separam totalmente da Igreja.

A comunhão das graças gratuitas: São comum não só as graças, que tornam os homens justos e agradáveis a Deus, mas também as graças gratuitas, entre as quais figuram a ciência, a profecia, o dom de línguas (1Cor 12,28) e de milagres, e outras da mesma natureza (1Cor 12,8ss; 1 Jo 3,17).
Estes dons são concedidos até aos maus, não para sua vantagem pessoal, mas por causa do bem comum (Num 24,17), para a edificação da Igreja. O dom de curar, por exemplo é conferido por atenção ao enfermo, não por causa de quem o possui (pode, portanto, existir fora da Igreja).
Vaticano

A comunhão das obras de caridade: O verdadeiro cristão, nada tem, afinal, que não deve considerar comum para si e para todos os outros. Por conseguinte, devem estar prontos e dispostos a mitigar as privações dos indigentes. Se alguém se dispõe de tais bens, vê seu irmão na penúria e não lhe presta auxílio, dá com isso prova cabal de que não tem amor a Deus (1Cor 14,6 ss; Jac 2,15-16; 1 Jo 3,17).

Sendo assim, é evidente que já gozam de certa bem-aventurança os que pertencem a esta santa comunhão. Na verdade, podem exclamar: "Quão amáveis são os vossos Tabernáculos, Senhor dos exércitos! Minha alma suspira e desfalece ao contemplar a casa do Senhor" (Sal 83,2-3). "Ditosos aqueles que moram em vossa casa, Senhor!" (Sal 83,5).

(Fonte: Catecismo da Igreja Católica - 1962 - Ed. Vozes)

QUARTA-FEIRA DA PAIXÃO

A Estação hoje reunia-se na Igreja de São Marcelo, edificada na casa da matrona Lucina, que nela acolhera o Mártirperseguido pelo imperador Maxêncio.
A Missa salienta a obstinação dos judeusem rejeitar o Messias e é supreendente ver este povo, que se diz de Deus e depositário da lei, recusar-se a reconhecer em Jesus o Filho de Deus que os devia salvar. Negando o Pastor legítimo que o Senhorlhes dera e os profetas lhes anunciaram serão doravante ovelhas errantes por regiões perigosas, sem defesa e sem redil, perdendo de uma só vez todo o patrimônio de que Deus os enriquecera, enquanto que outras ovelhas virão de longe apascentar-se nos campos da promessa de que eles não foram dignos. Preparemo-nos cuidadosamente nestes últimos dias para merecermos participar dos benefícios  que o Senhor nos veio ganhar as custas do seu próprio sangue.

Epístola
Leitura do Livro dos Levíticos (19, 1-2, 11-19 e 25) : Naqueles dias: O Senhor disse a Moisés: “Dirás a toda a assembléia de Israel o seguinte: sede santos, porque eu, o Senhor, vosso Deus, sou santo. Não furtareis, não usareis de embustes nem de mentiras uns para com os outros. Não jurareis falso em meu nome, porque profanaríeis o nome de vosso Deus. Eu sou o Senhor. Não oprimirás o teu próximo, e não o despojarás. O salário do teu operário não ficará contigo até o dia seguinte. Não amaldiçoarás um surdo; não porás algo como tropeço diante do cego; mas temerás o teu Deus. Eu sou o Senhor. Não sereis injustos em vossos juízos: não favorecerás o pobre nem terás complacência com o grande; mas segundo a justiça julgarás o teu próximo. Não semearás a difamação no meio de teu povo, nem te apresentarás como testemunha contra a vida do teu próximo. Eu sou o Senhor. Não odiarás o teu irmão no teu coração. Repreenderás o teu próximo para que não incorras em pecado por sua causa. Não te vingarás; não guardarás rancor contra os filhos de teu povo. Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Eu sou o Senhor. Guardareis os meus mandamentos. Não juntarás animais de espécies diferentes. Não semearás no teu campo grãos de espécies diferentes. Não usarás roupas tecidas de duas espécies de fios. No quinto ano comereis de seus frutos para que a árvore continue a produzi-los. Eu sou o Senhor, vosso Deus.

+ Sequência do Santo Evangelho segundo São João: Naquele tempo, Celebrava-se em Jerusalém a festa da Dedicação. Era inverno. Jesus passeava no templo, no pórtico de Salomão. Os judeus rodearam-no e perguntaram-lhe: Até quando nos deixarás na incerteza? Se tu és o Cristo, dize-nos claramente. Jesus respondeu-lhes : Eu vo-lo digo, mas não credes. As obras que faço em nome de meu Pai, estas dão testemunho de mim. Entretanto, não credes, porque não sois das minhas ovelhas. As minhas ovelhas ouvem a minha voz, eu as conheço e elas me seguem. Eu llhes dou a vida eterna; elas jamais hão de perecer, e ninguém as roubará de minha mão. Meu Pai, que mas deu, é maior do que todos; e ninguém as pode arrebatar da mão de meu Pai. Eu e o Pai somos um. Os judeus pegaram pela segunda vez em pedras para o apedejar. Disse-lhes Jesus: Tenho-vos mostrado muitas obras boas da parte de meu Pai. Por qual dessas obras me apedrejais? Os judeus responderam-lhe: Não é por causa de alguma boa obra que te queremos apedrejar, mas por uma blasfêmia, porque, sendo homem, te fazes Deus. Replicou-lhes Jesus: Não está escrito na vossa lei: Eu disse: Vós sois deuses (Sl 81,6)? Se a lei chama deuses àqueles a quem a palavra de Deus foi dirigida (ora, a Escritura não pode ser desprezada), como acusais de blasfemo aquele a quem o Pai santificou e enviou ao mundo, porque eu disse: Sou o Filho de Deus?  Se eu não faço as obras de meu Pai, não me creiais. Mas se as faço, e se não quiserdes crer em mim, crede nas minhas obras, para que saibais e reconheçais que o Pai está em mim e eu no Pai.

Lefebvre, Dom Gaspar. Missal Quotidiano e Vesperal. Bruges, Bélgica; Abadia de S. André, 1960.

terça-feira, 27 de março de 2012

Preparação para a morte: Da malícia do pecado mortal I

Os Sete pecados Capitais

Filios enutrivi et exaltavi; ipsi autem spreverunt me. Filhos criei e engrandecios; mas eles me desprezavam (Is 1,2).

PONTO I

Que faz aquele que comete pecado mortal?... injúria a Deus, desonra- o e, no que depende dele, cobre-o de amargura.

Primeiramente, o pecado mortal é uma ofensa grave que se faz a Deus. A malícia de uma ofensa, diz São Tomás, se mede pela pessoa que a recebe e pela pessoa que a comete. A ofensa feita a um simples particular é sem dúvida um mal; mas constitui delito maior se é feita a uma pessoa de alta dignidade, e muito mais grave quando visa o rei... E Quem é Deus? É o Rei dos reis (Ap 17,14). Deus é a majestade infinita, perante quem todos os príncipes da terra e todos os santos e anjos do céu são menos que um grão de areia (Is 40,15). Diante da grandeza de Deus, todas as criaturas são como se não existissem (Is 40,17). Eis o que é Deus... E o homem, o que é?... Responde São Bernardo: saco de vermes, pasto de vermes, que cedo o hão de devorar. O homem é um miserável que nada pode, um cego que nada vê; pobre e nu, que nada possui (Ap 3,17). E este verme miserável se atreve a injuriar a Deus? Exclama o mesmo São Bernardo. Com razão, pois, afirma o Doutor Angélico, que o pecado do homem contém uma malícia quase infinita.

Por isso, Santo Agostinho chama, absolutamente, o pecado mal infinito.

Daí se segue que todos os homens e todos os anjos não poderiam satisfazer por um só pecado, mesmo que se oferecessem à morte e ao aniquila-mento. Deus castiga o pecado mortal com as penas terríveis do inferno; contudo, esse castigo é, segundo dizem todos os teólogos, citra condignum, isto é, menor que a pena com que tal pecado deveria ser castigado.

E, na verdade, que pena bastará para castigar como merece um verme que se rebela contra seu Senhor? Somente Deus é Senhor de tudo, porque é o Criador de todas as coisas (Et 13,9). Por isso, todas as criaturas lhe devem obediência. “Obedecem-lhe os ventos e os mares” (Mt 9,27). “O fogo, o granizo, a neve e o gelo”... executam suas ordens (Sl 148,8). Mas o homem, quando peca, que faz senão dizer a Deus: Senhor, não quero servir-te (Sm 2,20).

O Senhor lhe diz: “Não te vingues”, e o homem responde: quero vingar-me. “Não te aposses dos bens alheios”, e deseja apoderar-se deles. “Abstém-te do prazer impuro”, e não se resolve a privar-se dele.

O pecador fala a Deus do mesmo modo que o ímpio Faraó, quando Moisés lhe comunicou a ordem divina de que desse liberdade ao povo de Israel. Aquele temerário respondeu: “Quem é o Senhor, para que eu obedeça à sua voz?... Não conheço o Senhor” (Êx 5,2). O pecador diz a mesma coisa: Senhor, não te conheço; quero fazer o que me agrada.

Em suma: na presença de Deus mesmo lhe falta o respeito e se afasta dele e nisto consiste propriamente o pecado mortal: o ato com que o homem se alheia de Deus. Disto se lamentava o Senhor, dizendo: Ingrato foste, “tu me abandonaste”; eu jamais quisera apartar-me de ti; “tu me voltaste as costas” (Sm 15,6).

Deus declarou que aborrece o pecado, de modo que não pode deixar de aborrecer a quem o comete (Sb 14,9). Quando o homem peca, ousa declarar-se inimigo de Deus e combate frente a frente contra Ele (Jo 12,25). Que dirias de visses uma formiga a lutar com um soldado?...

Deus é esse onipotente Senhor, que, com um ato de sua vontade, arrancou do nada o céu e a terra (2Mc 7,28). E, se quisesse, por um sinal seu, poderia aniquilá-los (2Mc 8,18). O pecador, quando consente no pecado, levanta a mão contra Deus, e “com colo erguido”, isto é, com orgulho, corre a insultar a Deus; arma-se de grossa cerviz (Jo 15,25) (símbolo de ignorância), e exclama: “Que grande mal é o pecado que fiz?... Deus é bom e perdoa aos pecadores...” Que injúria! que temeridade! que cegueira tão grande!

AFETOS E SÚPLICAS

Eis-me aqui, meu Deus! A vossos pés está o rebelde temerário, que tantas vezes em vossa presença se atreveu a vos injuriar e a vos voltar as costas, mas agora implora a vossa piedade. Vós, Senhor, dissestes: Clama a mim e te ouvirei (Jr 33,3). reconheço que o inferno é pouco castigo para mim; mas sabeis que tenho maior dor de vos ter ofendido, ó Bondade infinita, que se tivesse perdido tudo o que me pertence, sem excetuar a vida. Perdoai-me, Senhor, e não permitais que vos torne a ofender. Haveis esperado por mim, a fim de que vos amasse e bendissesse para sempre vossa misericórdia. Oh! sim, eu vos amo e bendigo, e espero que, pelos merecimentos de meu Senhor Jesus Cristo, nunca mais me separarei do vosso amor. Ele me livrará do pecado no futuro. Dou-vos mil graças pelas luzes e pelo desejo que me dais de amar-vos sempre. Tomai posse de todo o meu ser, alma, corpo, faculdades, sentidos, vontade e liberdade. Sou vosso, salvai-me (Sl 118,94).

Sois o único Bem, o único Amável, sede meu amor. Dai-me fervor vivíssimo no nosso amor, pois, já que tanto vos ofendi, não me pode bastar o amor simples, mas um desejo de amar-vos muito a fim de compensar as ofensas que vos fiz. De vós, que sois onipotente, espero alcançá-lo... Também, ó Maria, o espero das vossas orações, que são onipotentes junto de Deus.


V/: Requiem aeternam dona eis, Domine, et lux perpetua luceat eis. Requiescant in pace. R:/ Amém.

Fonte: Preparação para a Morte - Santo Afonso Maria de Ligório - Considerações sobre as verdades eternas - Tradução de Celso de Alencar - Versão PDF de FL. Castro - 2004