segunda-feira, 30 de abril de 2012

Liturgia Católica II: SUJEITO DA LITURGIA

4. SUJEITO DA LITURGIA

1. O primeiro sujeito da Liturgia é Jesus Cristo. E' o ministro principal; sua morte na cruz foi o sacrifício, que devia conciliar a humanidade pecadora com Deus, e Ele mesmo foi o sacerdote, o liturgo, que se ofereceu a seu Pai celeste.

Este sacerdócio ainda continua no céu; pois "sendo Jesus eterno, tem um sacerdócio eterno." (Heb 7, 24.) Na terra Ele é o liturgo principal na missa. Pois o concílio tridentino (sessão 22, c. I) declara: "E' o mesmo que agora se sacrifica pelo ministério dos sacerdotes e que se ofereceu. na cruz."

Ele é o liturgo principal na administração dos sacramentos. Célebres são as palavras de S. Agostinho (Tract. 6 in Jo n. 7) : "Se Pedro batiza, é Este (Cristo) que batiza; se Paulo batiza, é Este que batiza; se Judas batiza, é Este que batiza." O mesmo vale dos outros sacramentos.

Jesus Cristo é o liturgo principal nos vários atos do culto, na oração pública, nos sacramentais, ainda que não tenham sido instituídos por Ele, Instituiu-os a Igreja, autorizada por Ele e unida a Ele como à Cabeça.

2. O liturgo secundário é o sacerdote, que recebe o poder no sacramento da ordem. Atua não só em nome de Jesus Cristo, mas também em nome da Igreja, como seu representante legitimo. Suas orações litúrgicas têm por isso valor independente da sua santidade pessoal, baseado nos méritos da Igreja, que "é amada por Cristo." (Ef 5, 25.)

3. Liturgo secundário, ao menos de alguma maneira, é cada um dos fiéis, incorporados pelo caráter batismal em Jesus Cristo, único Sacerdote. São "sacerdotes (S. Thom. III, 63, 5: Character sacramentalis est quaedam participatio sacerdotii Christi in fidelibus. Jürgensmeier, Der mystische Leib Christi, p. 289. Gatterer, Ann. lit. p. 8) de Deus e de Cristo." (Apoc 20, 6.) O fiel, portanto, não só assiste à missa, mas oferece-a. Não pode chamar a vítima do céu como o sacerdote, mas pode oferecer a Deus a vítima, tornada presente, como o seu sacrifício, em união com o sacerdote sacrificador, em dependência dele e unido a toda a Igreja, Corpo Místico de Jesus Cristo. Pois o sacrifício eucarístico é o sacrifício de todo o Corpo Místico de Jesus.

 "Toda , a reunião dos santos é o sacrifício universal oferecido a Deus pelo sumo Sacerdote. Também Ele se ofereceu por nós, na paixão, para que fôssemos o corpo de Cabeça tão digna... Este é o sacrifício dos cristãos: muitos um corpo em Cristo. E a Igreja repete esta verdade, muitas vezes pelo sacramento do altar, conhecido aos fiéis, onde é evidente que, na matéria que oferece, ela mesma é oferecida." (S. Ag., De civ. Dei, 1. 10, c. 6.) Portanto o fiel cristão é sacerdote e vítima com Nosso Senhor.

4. Esta verdade católica do Corpo Místico de Jesus Cristo é a base teológica do movimento litúrgico, cujo fim principal é ensinar aos fiéis a cooperar rio sacrifício do altar o mais ativamente possível. Pois o fruto chamado geral será Tanto maior para os fiéis, quanto mais ativa for a sua cooperação.



Esta pode ser exercida:

1. pela intenção implícita (habitual), em virtude do fato da incorporação no Corpo Místico, ou por outra, de pertencer à Igreja católica; é isto o suficiente para tomar, parte de alguma maneira no fruto da missa.

2. pela intenção explícita passada que, uma vez feita e não revogada (chamada virtual), é eficaz para apropriar à alma o fruto de uma ou mais missas, p. e., de um dia inteiro.

3. pela intenção atual, a mais frutuosa, assistindo realmente ao santo sacrifício. Esta assistência, e por conseguinte também o fruto, difere conforme o grau da atividade espiritual ou corporal de cada um. Quanto maior for a atenção e devoção, tanto maior será o I rufo. Se alguém contribui para à celebração da missa, cantando ou desempenhando qualquer função, p. ex., de ajudante, ministro, lerá aumento do fruto correspondente ao grau do seu ofício e trabalho. (Coelho I, p. 162.) Maior ainda é o fruto especial que compete àquela pessoa, por quem é oferecido o santo sacrifício; e o fruto especialíssimo, que pertence ao celebrante.

Fonte: Curso de Liturgia - 2ª Edição - Pe. João Batista Reus, S. J. - Ed Vozes Limitada - Petrópolis - Rj 1944

29 de Abril – Santa Catarina de Sienna, Virgem

Santa Catarina de Sienna nasceu em Sienna no dia da Anunciação e começou a ter experiências místicas aos 6 anos vendo anjos da guarda, claramente com as pessoas as quais eles protegiam. Tornou-se uma Dominicana quando tinha 16 anos e ainda continuou a ter visões de Cristo, Maria e dos santos. Santa Catarina foi uma das mais brilhantes mentes teológicas do seu tempo, não tendo, entretanto qualquer educação formal. Trabalhou com êxito como moderadora entre a Santa Sé e Florença e persuadiu o Papa a voltar para Roma de Avignon. Finalmente conseguiu a conciliação no reinado do Papa Urbano VI. Mas tarde Santa Catarina se estabeleceu em Roma, onde lutou infatigavelmente com orações, exortações e cartas para ganhar novos partidários para o Papa legítimo. Em 1377 quando ela morreu, já havia conseguido curar as feridas e acabar com o Grande Cisma Ocidental.

Santa Catarina de Sienna foi ao Convento onde estava a sua sobrinha de nome Eugenia, e foi visitar o corpo incorrupto de Santa Agnes de Montepulciano, para beijar os pés de Santa Agnes, todos ficaram maravilhados ao verem que Agnes levantava o seu pé, suavemente, ao encontro dos lábios de Catarina.

Ela teve visões de Jesus, Maria, São João, São Paulo e São Domingos, o fundador da Ordem dos Dominicanos. Durante uma dessas visões a Virgem Maria a apresentou a Jesus que a desposou, colocando um anel de ouro com quatro pérolas em um círculo e um grande diamante no centro, dizendo a ela: "receba isto como um penhor e testemunho que você é minha e será minha para sempre". Experimentou maravilhosas experiências místicas. Com a idade de 26 anos, ela começou a sentir as dores de Cristo, em seu corpo. Dois anos mais tarde, em 1375, durante uma visita a Pisa, ela recebeu a Comunhão na pequena igreja de Santa Christina. Quando ela meditava e agradecia orando ao crucifixo, raios de luz furaram suas mãos, pés e o lado e todos puderam ver os estigmas de Cristo nela. Por causa de tanta dor ela não falava nem comia. Assim ficou por oito anos sem comer líquidos ou qualquer outra coisa que não fosse a Sagrada Comunhão (Inédita). Ela orava para que as marcas não fossem muito visíveis, e elas ficaram pouco visíveis, mas após sua morte os estigmas ficaram bem visíveis em seu corpo incorrupto, como uma transparência na pele, no local das chagas de Cristo.
As vezes quando orava ela levitava. Uma vez quando recebia a Sagrada Comunhão o padre sentiu a hóstia tornar-se viva, movendo-se agitada e voando de seus dedos para a boca de Catarina. 
Na "Vida de Santa Catarina" a Madre Francisca Raphaela relata que a santa era imune ao fogo. Ela conta que certa vez Catarina caiu em um fogo na cozinha e apesar do fogo ser grande quando foi retirada dele por outros membros presentes, nem ela, nem suas roupas estavam sequer chamuscadas.

Das cartas de Santa Catarina de Sienna há uma trilogia chamada "O Diálogo" que é considerado o mais brilhante escrito da história da Igreja Católica. Morreu jovem, aos 33 em anos de idade, em 29 de abril de 1380, mas seu corpo foi encontrado incorrupto e conservado em 1430.

Foi canonizada em 1461 e declarada Doutora da Igreja em 1970. É co-padroeira do Continente Europeu junto com Santa Edith Stein e Santa Brígida da Suécia, e padroeira da Itália junto com São Francisco de Assis. Ela é padroeira dos Consultores. A festa em comemoração a santa em Criciúma, Santa Catarina é uma das mais lindas cidades do Brasil.

Sua festa é celebrada no dia 29 de abril

(Fonte: http://www.cademeusanto.com.br/santa_catarina_de_sena.htm)

sábado, 28 de abril de 2012

III Domingo depois da Páscoa: "Ainda mais um tempo e não me vereis mais" (Ev.)





A santa Igreja, cheia ainda das alegrias da Páscoa, irrompe num cântico de júbilo e proclama a glória de Deus. "Ainda mais um pouco, disse Jesus no cenáculo, e não me vereis; havereis de chorar então e de vos lamentar. E mais um pouco ainda, e ver-me-eis de novo e o vosso coração se alegrará."
Os apóstolos sentiram de feito esta alegria iluminante, de que transborda a liturgia pascal, ao comtemplar de novo a carne e as feições do Amigo e do Mestre ressuscitado.
A páscoa da terra é a preparação e a representação da Páscoa eterna, da Páscoa das alegrias totais, de que há de partilhar a Igreja depois de dará luz no exílio e na dor os que foram marcados na fronte com o sinete da vida. Esta alegria já começa aqui na terra, começa na esperança, spe gaudentes, e por aquela presença de Cristo, invisível mas real, que prometeu aos que buscam.
Peregrinos e estrangeiros que vamos a caminho do céu, animemo-nos daquela alegria cristã a qual nos leva até Deus, o qual nos virá em auxílio e conduzirá ao término da viagem à vitória. Que a luz de Cristo ressuscitado nos ilumine a todos.

Epístola

Leitura da Epístola de São Pedro Apóstolo aos (IPedr 2,11-19). Caríssimos: rogo-vos que, como estrangeiros e peregrinos, vos abstenhais dos desejos da carne, que combatem contra a alma. Comportai-vos nobremente entre os pagãos. Assim, naquilo em que vos caluniam como malfeitores, chegarão, considerando vossas boas obras, a glorificar a Deus no dia em que ele os visitar. Por amor do Senhor, sede submissos, pois, a toda autoridade humana, quer ao rei como a soberano, quer aos governadores como enviados por ele para castigo dos malfeitores e para favorecer as pessoas honestas.  Porque esta é a vontade de Deus que, praticando o bem, façais emudecer a ignorância dos insensatos. Comportai-vos como homens livres, e não à maneira dos que tomam a liberdade como véu para encobrir a malícia, mas vivendo como servos de Deus. Sede educados para com todos, amai os irmãos, temei a Deus, respeitai o rei. Servos, sede obedientes aos senhores com todo o respeito, não só aos bons e moderados, mas também aos de caráter difícil. Com efeito, é coisa agradável a Deus sofrer contrariedades e padecer injustamente, por motivo de consciência para com Deus. 

Evangelho de Domingo:

Continuação do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São João (16, 16-22): Naquele tempo disse Jesus a seus discípulos:
Ainda um pouco de tempo, e já me não vereis; e depois mais um pouco de tempo, e me tornareis a ver, porque vou para junto do Pai.
Nisso alguns dos seus discípulos perguntavam uns aos outros: Que é isso que ele nos diz: Ainda um pouco de tempo, e não me vereis; e depois mais um pouco de tempo, e me tornareis a ver? E que significa também: Eu vou para o Pai?
Diziam então: Que significa este pouco de tempo de que fala? Não sabemos o que ele quer dizer.
Jesus notou que lho queriam perguntar e disse-lhes: Perguntais uns aos outros acerca do que eu disse: Ainda um pouco de tempo, e não me vereis; e depois mais um pouco de tempo, e me tornareis a ver.
Em verdade, em verdade vos digo: haveis de lamentar e chorar, mas o mundo se há de alegrar. E haveis de estar tristes, mas a vossa tristeza se há de transformar em alegria.
Quando a mulher está para dar à luz, sofre porque veio a sua hora. Mas, depois que deu à luz a criança, já não se lembra da aflição, por causa da alegria que sente de haver nascido um homem no mundo.
Assim também vós: sem dúvida, agora estais tristes, mas hei de ver-vos outra vez, e o vosso coração se alegrará e ninguém vos tirará a vossa alegria.

Lefebvre, Dom Gaspar. Missal Quotidiano e Vesperal. Bruges, Bélgica; Abadia de S. André, 1960.

Nossa Senhora do Sábado: O Escapulário do Carmo

90 - Que é o escapulário de Nossa Senhora do Carmo?

É um pequeno hábito de pano (lã) que, como sinal de devoção a Maria Santíssima, se traz aos ombros, pendendo uma parte ao peito, outra sobre as costas (do latim: scapulae = ombros).

91 - A quem se deve o escapulário do Carmo?

Foi a própria Virgem Santíssima que o deu a São Simão Stoek no dia 16 de julho de 1265, com a promessa: "Aquele que morrer revestido do escapulário, será preservado das penas do inferno. Este hábito e um sinal de salvação". Mais tarde Nossa Senhora confirmou essas promessas ao Papa João XXII, acrescentando-lhes o privilégio sabatino.

92 - O que vem a ser o privilégio sabatino?

Nossa Senhora prometeu àqueles que morrerem com o escapulário, ajudá-los na hora da morte, consolar suas almas no Purgatório e livrá-las de lá brevemente, no primeiro sábado depois da morte.
93 - Quais as condições para se lucrar as graças deste privilégio?

1) Para se obter a proteção de Nossa Senhora na vida e na morte:

a) receber o escapulário, na forma prescrita, por um sacerdote autorizado;
b) trazer piedosamente o escapulário de dia e de noite, vivendo uma vida cristã.

2) Para se lucrar o privilégio sabatino (além das condições acima):

a) guardar a castidade segundo o próprio estado;
b) rezar todos os dias o Ofício Parvo de Nossa Senhora do Carmo ou abster-se de carne nas quartas e sábados (o sacerdote pode comutar);
c) guardar os jejuns e abstinências prescritos pela Igreja.

94 - É lícito o uso da medalha em lugar do escapulário ?

Sim, São Pio X autorizou usar uma medalha que tenha de um lado a efígie do Sagrado Coração de Jesus e do outro a de Nossa Senhora em lugar do escapulário de pano. Com esta medalha a pessoa lucra as mesmas graças e privilégios anexos ao escapulário, inclusive o privilégio sabatino. É, contudo, preferível o uso do escapulário (AAS. 16/1/1911 - ano I, vol. 111, pags. 22-23).

Fonte: Catecismo de Nossa Senhora (Publicções Ontem, Hoje e Sempre - Campos RJ) - 1997

28 de Abril - São Paulo da Cruz, Confessor

Nasceu em Ovada ,Piedmont, Itália como Paulo Francesco Danei e era o filho mais velho de uma nobre família. Ele levou uma vida de austeridade até 1714 quando se juntou ao exercito Veneziano para lutar contra os Turcos. Retornando a sua vida civil em 1720, ele teve uma visão da Nossa Senhora em um hábito preto com o nome de Jesus e segurando uma cruz branca em seu peito. Na visão Virgem Maria a disse a ele para fundar uma ordem religiosa devotada a pregar a Paixão de Cristo. Daí o nome "Ordem dos Passionatas" (Congregação dos Frades Descalços e da Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo). Durante 40 dias de reclusão ele escreveu a Constituição e as Regras da Ordem, a qual é ainda seguida. Do bispo de Alexandria ele recebeu para si a e para os membros de sua congregação o hábito dos Frades Descalços e, 1725 a permissão do Papa Benedito XIII para receber noviços. Em 1727 ele foi ordenado com os seus Passionatas pelo próprio Papa. Ele e os companheiros se retiraram para o Monte Argentaro perto de Orbitello e ele passou varias e severas provações desde a crônica ameaça da guerra até a deserção de noviços. Não obstante Paulo trabalhou sem cessar e em 1737 o primeiro monastério dos Passionatas foi inaugurado. Paulo se mudou e inaugurou uma segunda casa em Vetrella em 1744 e foi eleito Superior Geral da Ordem em 1747.

Dois anos mais tarde ele conseguiu abrir o primeiro convento para freiras Passionatas em Corneto.
Ele passou a viver então em Roma até a sua morte em 18 de outubro de 1775, mas sempre supervisionando pessoalmente a expansão de sua Ordem.

Ele foi enterrado na Basílica de São João e Paulo por ordem do Papa Clemente.
Ele foi abençoado com dons sobrenaturais da profecias, de ver a distancia e curar doentes apenas com sua benção e era um dos mais celebrados pregadores de seu tempo.
O povo lutava para toca-lo e tirar um pedaço de sua túnica como lembrança.
Foi canonizado em 1867 pelo Papa Pio IX

São Paulo da Cruz e a Santa Missa.  (Última e Derradeiras Graças)

“Apesar de absorto nos augustos mistérios, cumpria escrupulosamente as cerimônias, nada julgando de somenos nas coisas de Deus. Inflamava-se-lhe paulatinamente o rosto e lágrimas copiosas umedeciam os paramentos sagrados. Com o decorrer dos tempos, diminuíram as lágrimas, particularmente nas aridezes e desolações espirituais. Porém, jamais deixou de chorar depois da Consagração.”
 Este grande Santo, fundador da Congregação da Paixão de Jesus Cristo, comumente conhecidos como os passionistas, nasceu com o nome de Francisco Danei Massari, em Ovada, Itália, aos 3 de Janeiro de 1694.

Apaixonado pela Paixão de Cristo, dedicou-se a uma vida de solidão e pobreza e idealizou a fundação de uma congregação. Foi ordenado sacerdote pelas mãos do Papa Bento XIII em 07/06/1727, na Basílica de São Pedro, onde futuramente foi canonizado, em 1866, pelo Papa Pio IX. As Regras foram aprovadas pelo Papa Bento XIV em 1741.

Gostaria de transcrever algumas passagens de uma biografia sua, em que se fala de seu amor zeloso pela Sagrada Liturgia.

Há quem tente identificar o zelo pelas rubricas com um espírito distante do amor ao próximo ou superficial na vida espiritual. Neste caro Santo encontramos o contrário: uma profunda caridade para com o próximo, aliada a uma vida intensamente mística e um zelo ardente pela Sagrada Liturgia. Seja ele um modelo para todos os sacerdotes de Cristo! Eu diria que esta é a forma mais completa e autêntica da ARS CELEBRANDI! São Paulo da Cruz, rogai por nós!

O SANTO NO ALTAR

O nosso santo é, pois, sacerdote!... Vai tomar nas mãos o sangue do Cordeiro divino e oferecer a Vítima imaculada... Tudo eram transportes de alegria e êxtases de amor... (...) Imaginemos com que fé e amor subiria Paulo ao altar!

Apesar de absorto nos augustos mistérios, cumpria escrupulosamente as cerimônias, nada julgando de somenos nas coisas de Deus. Inflamava-se-lhe paulatinamente o rosto e lágrimas copiosas umedeciam os paramentos sagrados. Com o decorrer dos tempos, diminuíram as lágrimas, particularmente nas aridezes e desolações espirituais. Porém, jamais deixou de chorar depois da Consagração.


Qual a fonte misteriosa e inesgotável dessas lágrimas? Ouçamo-lo em palestra com seus filhos. Acompanhai a Jesus em sua Paixão e Morte, porque a missa é a renovação do Sacrifício da Cruz. Antes de celebrardes revesti-vos dos sofrimentos de Jesus Crucificado e levai ao altar as necessidades de todo o mundo.

Quando celebrava, afigurava-se-lhe estar no Calvário, ao pé da Cruz, em companhia da Mãe das Dores e do Discípulo predileto, a contemplar Jesus em suas penas. Essa a causa de tantas lágrimas, verdadeiro sangue da alma que, mesclado com o Sangue divino do Cordeiro, eram oferecidas ao Eterno Pai para aplacá-Lo e atrair sobre os homens graças e benefícios.

Revestir-se de Jesus Crucificado antes do santo Sacrifício, Paulo o fazia diariamente, pois não subia ao altar sem macerar com disciplina terminada em agudas pontas, enquanto meditava a dolorosa Paixão do Senhor, unindo-se espiritual e corporalmente aos tormentos do seu Deus. Terminada a santa missa, retirava-se a lugar solitário, entregando-se aos mais vivos sentimentos de gratidão e amor.

E prescreveu nas santas Regras este método de preparação e ação de graças à santa missa.

Ao comentar as palavras do Evangelho COENACULUM STRATUM, dizia ser o cenáculo o coração do padre, cuja integridade deve ser defendida a todo custo, mantendo-se sempre acesas as lâmpadas da fé e da caridade. Comparava também o coração sacerdotal ao sepulcro de N. Senhor, sepulcro virgem, onde ninguém fora depositado. E acrescentava: O coração do sacerdote deve ser puro e animado de viva fé, de grande esperança, de ardentíssima caridade e veemente desejo da glória de Deus e da salvação das almas.

Zeloso da rigorosa observância das rubricas, corrigia as menores faltas. Velava outrossim pelo asseio das alfaias sagradas. Tudo o que serve ao santo Sacrifício, dizia, deve ser limpo, sem a menor mancha. Vez por outra mostrou N. Senhor com prodígios quão agradável lhe era a missa celebrada pelo seu fiel servo.

Celebrava certo dia na capela do mosteiro de Santa Luzia, em Corneto. Tinha como ajudante o ilustre personagem Domingos Constantini. Pouco antes da Consagração, envolveu-o tênue nuvem de incenso, embalsamando o santuário de perfume desconhecido, enquanto o santo se elevava a cerca de dois palmos acima do supedâneo. Terminada a Consagração, envolto sempre naquela misteriosa nuvem, alçou-se novamente ao ar, com os braços abertos. Dir-se-ia um Serafim em oração.

O piedoso Constantini de volta à casa, maravilhado, relatou o fato, glorificando a Deus, tão admirável nos seus santos.

Fonte: Pe. Luís Teresa de Jesus Agonizante, Vida de São Paulo da Cruz, Capítulo Fonte:
http://www.cademeusanto.com.br/sao_paulo_da_cruz.htm e

http://www.derradeirasgracas.com/2.%20Segunda%20P%C3%A1gina/O%20Poder%20da%20Santa%20Missa/S%C3%A3o%20Paulo%20da%20Cruz%20e%20a%20Santa%20Missa%20.htm

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Teologia Ascética e Mística: Da Parte da Santíssima Virgem, dos santos e dos anjos na vida cristã (Parte II)

É igualmente no dia da Encarnação que Maria é constituída Mãe dos homens. Jesus como dissemos é o chefe da humanidade regenerada, a cabeça de um corpo místico de que nós somos os membros. Ora Maria, Mãe do Salvador, gera-o todo inteiramente e, por conseguinte, como chefe de toda a humanidade como cabeça do corpo místico. Gera também, pois todos os seus membros, todos aqueles que estão neles incorporados, todos os regenerados ou aqueles que são chamados a sê-lo. E assim, ao ser constituída Mãe de Jesus segundo a carne, é constituída ao mesmo tempo, Mãe dos seus membros segundo o espírito. A cena do Calvário não fará senão confirmar esta verdade: no próprio momento em que a nossa redenção vai ser consumada pela morte do Salvador, diz este a Maria, mostrando-lhe São João e nele todos os seus discípulos presentes ou futuros: Eis aí o teu filho; e ao próprio São João: Eis aí a tua Mãe. Era para declara, segundo uma tradição que remonta até Orígenes, que todos os regenerados eram filhos espirituais de Maria.

É deste duplo sentido de Mãe de Deus e Mãe dos homens que deriva o papel que Maria desempenha em nossa vida espiritual.

Maria causa Meritória da graça - Vimos que Jesus Nosso Senhor é a causa meritória principal e em sentido próprio de todas as graças que vivemos. Maria a sua associada na sua obra de santificação, Mereceu secundariamente, e somente de côngruo, com mérito de conveniência, todas as mesmas graças. Não as mereceu senão secundariamente, isto é, em dependência de seu Filho, e porque ele mesmo lhe conferiu o direito de merecer por nós. Mereceu-as, primeiro, no dia da Encarnação, no momento em que pronunciou o seu fiat. É que realmente a Encarnação do Verbo é a redenção começada; cooperar pois, na Encarnação é cooperar na Redenção, nas graças que delas serão frutos, e por conseguinte, em nossa salvação e Santificação.

E depois de todo o decurso de sua vida, Maria que cuja a vontade é em tudo conforme a vontade de Deus, como de seu Filho assumiu a obra redentora. É ela quem educa a Jesus, que sustenta e prepara para a imolação a vítima do Calvário; associada as suas alegrias como nas suas provações, aos seus humildes trabalhos na casa de Nazaré, às suas virtudes, Ela se unirá, por uma compaixão generosíssima, a Paixão e Morte de seu Filho, repetindo o seu fiat no pé da Cruz, e consentindo na imolação daquele que ama indizivelmente mais que a si mesma. E seu coração amante será transpassado por uma espada de dor "tuam ipsius animam pertransibit glaudius" (Lc 2,35). Que merecimentos ela adquiriu por esta imolação perfeita.

E continua a aumentá-los por este longo martírio que padece depois da Ascenção de seu Filho ao Céu; privada da presença daquele que fazia a sua felicidade suspirando ardentemente por aquele momento, em que poderá ser unida para sempre, e aceitando amorosamente esta provação, para fazer a vontade de Deus e contribuir para edificar a Igreja nascente, Maria acumula para todos nós inumeráveis merecimentos. Os seus atos são tanto mais meritórios quanto mais perfeita  é a pureza de intenção com que são praticados. "Magnificat anima mea Dominum", mais intenso o fervor com que cumpre em sua integridade a vontade de Deus, "Ecce ancilla Domini, fiat mihi secundum verbum tum", mais estreita a união com Jesus, fonte de todo o mérito.

É certo que estes merecimentos eram antes de tudo para ela mesma e aumentavam o seu capital de graça e os seus direitos a glória; mas em virtude da parte que tomava na obra redentora, Maria merecia também de côngruo para todos, e se é cheia de graça pra si mesma, deixa transbordar esta graça sobre nós, segundo a expressão de São Bernardo: Plena sibi, nobis superplena et supereffluens (Sermão da Assunção). 

(Fonte: Compêndio de Teologia e Ascética e Mística - AD. Tanquerey - 1961)

27 de Abril - São Pedro Canísio, Confessor e Doutor da Igreja

Este santo, chamado "o segundo evangelizador da Alemanha", é venerado como um dos criadores da imprensa católica e foi o primeiro do numeroso exército de escritores jesuítas.

Nasceu em Nimega, Holanda em 1521. Aos 19 anos, conseguiu a licenciatura em teologia, e para agradar a seu pai se dedicou a especializar-se em direito. Entretanto, depois de realizar alguns Exercícios Espirituais com o Padre Favro, que era companheiro de Santo Inácio, entusiasmou-se pela vida religiosa, fez votos ou juramento de permanecer sempre casto, e prometeu a Deus fazer-se jesuíta.

Foi admitido na comunidade e os primeiros anos de religioso passou em Colônia, Alemanha, dedicado à oração, ao estudo, a meditação e a ajuda aos pobres. Foi muito caridoso e amável com as pessoas que lhe discutiam, mas tremendo e incisivo contra os enganos dos protestantes.

São Pedro Canisio tinha uma especial qualidade para resumir os ensinos dos grandes teólogos e apresentar as de maneira singela para que o povo pudesse entender. Conseguiu redigir dois Catecismos, a gente resumido e outro explicado. Estes dois livros foram traduzidos a 24 idiomas e na Alemanha se propagaram por centenas e milhares.

Nos trinta anos de seu incansável trabalho de missionário percorreu trinta mil quilômetros pela Alemanha, Áustria, Holanda e Itália. Parecia incansável, e a quem lhe recomendava descansar um pouco lhe respondia: "Descansaremos no céu".

Por muitas cidades da Alemanha foi fundando colégios católicos para formar religiosamente aos alunos. Além disso, ajudou a fundar numerosos seminários para a formação dos futuros sacerdotes. Alemanha, depois de São Pedro Canisio, era mais católico. São Pedro Canisio se deu conta do imenso bem que fazem as boas leituras. propôs-se formar uma associação de escritores católicos.
Estando em Friburgo em 21 de dezembro de 1597, depois de ter rezado o santo Rosário, exclamou cheio de alegria e emoção: "Olhem-na, aí esta. Aí está". E morreu. A Virgem Santíssima tinha vindo para levar-lhe ao céu.

O Sumo Pontífice Pio XI, depois de canonizá-lo, declarou-o Doutor da Igreja, em 1925.

Fonte: ACI Digital

Sexta-Feira da Cruz de Nosso Senhor: Da condenação de Jesus Cristo e sua ida ao Calvário

Imagina, minha alma, que vês passar Jesus nesse doloroso caminho. Assim como um cordeiro é levado ao matadouro, o amantíssimo Redentor é conduzido à morte (Is 53,7). Ele está tão esgotado e enfraquecido pelos tormentos, que apenas pode ter-se em pé. Ei-lo todo dilacerado pelas feridas, com a coroa de espinhos sobre a cabeça, com o pesado madeiro sobre os ombros e com um algoz que o puxa por uma corda. Caminha com o corpo curvado, com os joelhos trêmulos, gotejando sangue; anda com tanta dificuldade, que parece que a cada passo vai exalar a vida. Pergunta-lhe: Ó cordeiro divino, não estais ainda farto de dores? se com isso pretendeis conquistar o meu amor, deixai de sofrer que eu quero amar-vos como desejais. Não, responde-te, ainda não estou satisfeito: só então estarei contente quanto estiver morto por teu amor. E agora aonde ides, meu Jesus? Vou morrer por ti, não mo impeças; uma só coisa eu peço e recomendo: quando me vires morto sobre a cruz por ti recorda-te do amor que te dediquei; lembra-te disso e ama-me. Ó meu aflito Senhor, quanto vos custou o fazer-me compreender o amor que me consagrastes. Que vantagem vos poderia trazer meu amor, que para conquistá-lo quisestes sacrificar vosso sangue e a vida? E como pude eu, objeto de tão grande amor, viver tanto tempo sem vos amar, esquecido de vosso afeto? Agradeço-vos a luz que me dais agora e que faz conhecer o quanto me tendes amado. Eu vos amo, bondade infinita sobre todas as coisas; desejaria, se pudesse,
sacrificar-vos mil vidas, que quisestes sacrificar a vossa vida divina por mim. Concedei-me aqueles auxílios que me haveis merecido com tantas penas para vos amar de todo o coração. Dai-me aquele santo fogo que viestes acender na terra, morrendo por nós. Recordai-me sempre da vossa morte, para que nunca mais me esqueça de vos amar.

V. Senhor, não nos trateis segundo os nossos pecados.
R. Nem nos castigueis segundo as nossas iniquidades.


Para um Bom Católico a sexta-feira é dia de Penitência e dia de meditar sobre a paixão do Senhor!

Para os mundanos dia de ignorar o Senhor em sua Cruz e agonia.

Fonte: A Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo - Piedosas e edificantes meditações - sobre os sofrimentos de Jesus - Por Sto. Afonso Maria de Ligõrio - Traduzidas pelo Pe. José Lopes Ferreira, C.Ss.R. - VOLUME I

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Santo Ofício: O mundo Pagão antes de Cristo: Os vícios que retornam...

A divindade Pagã Moloch - Bebês eram oferecidos em sacrifícios
em um ídolo que tinha uma fornalha em seu centro.
Quantas vezes nos deparamos com inúmeros discursos que se levantam dia e noite para se rebelar contra a sã doutrina de Nosso Senhor Jesus Cristo e sua Santa Igreja. Alegando estes, por vezes, que os ensinamentos do Divino Mestre e de sua Esposa estão ultrapassados e fora de uso. Estes mesmos acusadores, afirmam com veemência que a Igreja necessita renovar-se conforme os costumes do mundo hodierno.

Em muitos dos casos a sagrada legislação, chega a ser tratada como um absurdo, ao enfatizar a reprovação de Deus, ao comportamento desordenado do gênero humano e seus inúmeros vícios. O que na realidade vamos ver, é que estas afirmações, não são verídicas e nem possui fundamento que as sustentem.

Os ideais do mundo moderno são tão velhos quanto perigosos, e que se repetem ao longo dos séculos da história humana. O que realmente mudou fora a transformação do vício em virtude, e muita das vezes pelos próprios membros do corpo de Cristo, que subjugam portadores de um novo Evangelho (Gál 1,6).

Estes mesmos erros, que voltam a se repetir de forma mais abrangente e devastador, com suas consequências nocivas, estão ligadas diretamente ao conjunto dos indivíduos de nossa sociedade. Os vícios são provocados pela desordem no comportamento humano e que irá ocasionar a desordem na sociedade que por sua vez, irá combater a desordem atacando a consequência e não a raiz da desordem.

A palavra vício é derivante da palavra latina vitiu, que por sua vez significa um defeito físico ou moral; deformidade, imperfeição. O vício também pode ser disposição ou tendência habitual para o mal. Segundo Aristóteles o vício será uma falta de moderação, ou seja, será sempre o excesso e a falta entre dois pontos extremos e opostos.

Segundo santo Agostinho o orgulho é a fonte de todas as fraquezas, porque em si é a fonte de todos os vícios. Por sua vez é plausível concluir que a origem de todos os vícios está na soberba (Gn 3,1-8). A soberba leva a alma humana a sua cegueira total sobre si e o próximo. O soberbo não ama a Deus e nem o seu próximo na verdadeira caridade.

Santo Agostinho em sua obra literária "O livre arbítrio" comenta sobre os vícios (Cap 2):

“Insististe com veemência! Que a misericórdia de Deus nos venha em ajuda e abra a porta, a nós que nela batemos. Contudo, eu acreditaria facilmente que, se os homens em sua maioria são atormentados por essa questão, o único motivo é que eles não procuram a solução com piedade. E estão mais prontos a se desculparem do que a se acusarem de seus pecados. Com efeito, alguns admitem, de bom grado, que nenhuma Providência divina preside as coisas humanas. E assim, abandonando ao destino sua alma e corpo, entregam-se a toda espécie de vícios que os golpeiam e despedaçam. Negando os julgamentos de Deus, e menosprezando os dos homens, crêem livrar-se dos que os acusam, apelando para a proteção da sorte. Acostumaram-se a representar essa sorte pintan-do-a como pessoa cega. Assim, pensam ter eles mesmos mais valor do que ela, pela qual se crêem governados. Ou, então, confessam partilhar sua cegueira, ao sentir e falar dessa maneira. Poder-se-ia, sem absurdo, conceder a tais pessoas que todas as suas atividades são uma sequência de acasos, visto que caem em cada uma de suas ações".

A construção do pensamento católico é fruto da revelação divina ao longo dos séculos, desde nossos primeiros pais, passando por Abraão, pelos grandes patriarcas, profetas e figuras do Antigo Testamento, até a sua revelação máxima no Verbo divino. A sua continuação se dá pela afirmação de sua autênticidade e pelos seus legítimos representantes ao longo dos séculos. Inúmeros foram os pensamentos e as heresias que tentaram destruir esta riqueza, protegida e guardada por sua depositária.
O culto a Dionísio era acompanhado de bebedeiras e orgias.

"Se o mundo vos odeia, sabei que me odiou a mim antes que a vós". (São João 15,18). Eis a grande lógica deste mundo, odeia a tudo e todos que são diferentes e indiferentes a seus propósitos. Por isso odeia a Igreja e seus membros, pois são diferentes e indiferentes a sua filosofia mundana. Desta forma os caluniadores da santa religião usam de forma taxativa as verdades anunciadas pelo Salvador: “Muitos os seguirão nas suas desordens e serão deste modo a causa de o caminho da verdade ser caluniado”. (II São Pedro 2,2)

Na realidade os vícios tão pregados e tão amados pelo mundo são tão velhos quanto à serpente do Éden, que enganou nossos primeiros Pais (Gên 3). Apenas estão revestidos de uma roupagem nova, para parecerem aos olhos dos homens, como algo atual e digno de louvor. É chamado de “moderno”, tudo aquilo que diz respeito a este tipo de pensamento, costume ou doutrina. Poderíamos citar inúmeros destes vícios, como por exemplo, o da prostituição, que muitas das vezes é chamada de "profissão mais antiga do mundo" de forma falsa e tendenciosa, para propor de uma forma mais baixa a legalização deste ofício perverso. Legalizar a prostituição é o mesmo que reconhecer o adultério, a fornicação, e a sodomia e assim também rebaixar o valor e o status familiar de nossa sociedade, tão protegidos e reconhecidos na esfera cristã.

Um dos piores argumentos que se lançam é de que estamos em pleno século XXI e que tais argumentos não são mais válidos. Ora, se ao menos o indivíduo que declara tamanha incoerência utilizasse em outros termos, seria menos previsível. Podemos afirmar sim que estamos no século XXI, no século XXI da Era Cristã. Sendo assim, todo o conhecimento humano e suas conquistas tem que servir apenas em prol do bem natural do homem e não para sua ruína. Assim como já dizia o divino mestre: "Ajuntai para vós tesouros no céu, onde não os consomem nem as traças nem a ferrugem, e os ladrões não furtam nem roubam". (São Mateus 6,20), e ainda nos afirma São Paulo em um de suas epístolas: "cujo destino é a perdição, cujo deus é o ventre, para quem a própria ignomínia é causa de envaidecimento, e só têm prazer no que é terreno". (Filipenses 3,19).

Assim como vemos na afirmação do Apóstolo, alguns transformam o seu ventre em seu Deus e outros o fazem o mesmo com outras partes de seu corpo ou com seu próprio Ego, ou ainda divinizam seus vícios, e por pior que pareça ainda tentam justificar em nome do divino as suas atitudes ignóbeis.

Na próxima postagem vamos estudar e compreender:

- O triunfo do Cristianismo

Fonte:

História da Filosofia, Giovanni Reale, Paulos Editora - 2003

O Livre Arbítrio, Santo Agostinho, Paulus Livraria - 1995

Notícia da semana:



Comemorou-se no dia 13 de Abril o 67° aniversário do assassinato pelos partigiani comunistas do jovem seminarista Rolando Rivi, que não temia, em tempos de feroz hostilidade à Santa Igreja, usar o traje distintivo do clero. No próximo 18 de maio, a Congregação para a Causa dos Santos poderá reconhecer seu martírio in odio fidei.




No período transcorrido no seminário, o rapaz se distingue pela diligência, mantendo sempre firme decisão de tornar-se sacerdote. Quando voltava a sua casa, ajudava os pais nos trabalhos do campo e na igreja tocava o harmônio, acompanhando o coro paroquial, no qual cantava também seu pai.
Entrementes, a guerra se fazia cada vez mais áspera, mesmo porque justamente naquela zona montanhosa havia a presença de formações partigiane, criadas depois da queda do fascismo, que tinha levado à ocupação da península pelos alemães. À parte grupos minoritários de católicos democráticos, as fileiras partigiane eram compostas de comunistas, socialistas, e outros, unidos por uma forte ideologia anticatólica.

A ala mais extrema, a comunista, não se limitava a combater os alemães. Via no clero uma perigosa barragem para o próprio projeto revolucionário. O anticlericalismo tornou-se violento e cada dia mais ameaçador. Quando em 1944, os alemães ocupam o seminário de Marola, todos os jovens tiveram que voltar para casa, levando consigo os livros para poder continuar a estudar. Rolando continuou a considerar-se seminarista: além de estudar, frequentava quotidianamente a Missa e a Comunhão, recitava o rosário, meditava, visitava o Santíssimo Sacramento.

Embora tivesse sido aconselhado a fazer de outro modo, não deixou de usar seu hábito religioso: os pais, de fato, lhe diziam: “Tire a batina. Não a use por enquanto…” Mas Rolando respondia: “Mas porque? Que mal faço em usa-la? Não tenho motivo para tira-la”. Fizeram-lhe notar que provavelmente era melhor tira-la naquele momento tão inseguro. Replicou Rolando: “Eu estou estudando para ser padre e a batina é o sinal que eu sou de Jesus”. Um ato de amor que ele pagará com a vida.

Em San Valentino, primeiramente foi visado o pároco Padre Marzocchini. Uma manhã se veio a saber que alguns partigiani , durante a noite precedente, tinham-no agredido e humilhado. Como outros sacerdotes (Padre Luigi Donadelli, Pe.Luigi Ilariucci, Pe. Aldemiro Corsi e Pe.Luigi Manfredi) tinham sido assassinados pelos partigiani comunistas, o Pe. Marzocchini foi colocado em um lugar mais seguro e substituído na paróquia por um jovem Padre Alberto Camellini. Em 1º. de abril, todavia, o Pe. Marzocchini quis retornar à paróquia em San Valentino, mas a seu lado permaneceu o jovem sacerdote Padre Camellini, para com o qual Rolando tinha demonstrado logo grande simpatia. Em 10 de abril, quarta feira depois da Domenica in Albis, de manhã bem cedo, o rapaz já estava na igreja: celebrava-se a Missa cantada em honra de São Vicente Ferrer e Rolando participou, tocando o órgão. Terminada a cerimônia, antes de sair, combinou com os cantores para “cantar a Missa” também no dia seguinte. Saindo da igreja, enquanto seus pais iam trabalhar no campo, Rolando, com os livros embaixo do braço, dirigiu-se como de costume a estudar no bosque a poucos passos de sua casa. Vestia, como sempre, sua veste talar negra. Ao meio dia, seus pais o esperaram em vão para o almoço. Preocupados, puseram-se a procurar. Entre os livros, sobre a grama, encontraram um bilhete: Não o procurem. Veio um momento conosco. Os partiggiani”. O pai e o Pe. Camellini, extremamente aflitos, começaram então a andar nos arredores, à procura do rapaz. Entretanto, Rolando, levado à força pelos partigiani a um esconderijo no bosque, iniciava sua via crucis. Foi despojado de sua batina, que os irritava, insultado, golpeado com a cinta nas pernas e esbofeteado. Permaneceu por três dias nas mãos de seus algozes, escutando blasfêmias contra Cristo, insultos contra a Igreja e contra o sacerdócio. Segundo testemunhas, foi açoitado e sofreu outras indizíveis violências.

Um dos sequestradores, aparentemente, se comoveu, propondo deixa-lo partir. Mas outros recusaram, ameaçando de morte aquele que tinha proposto a soltura. Prevaleceu o ódio pela Igreja, pelo sacerdote, pelo traje que o representa e que aquele rapazinho nunca tinha querido deixar de usar. Decidiram mata-lo: Amanhã teremos um padre a menos”. Levaram-no, sangrando, a um bosque próximo a Piane di Monchio (na província de Modena), onde havia uma fossa já escavada. Rolando entendeu que ia morrer, chorou, pedindo que sua vida fosse poupada. Com um pontapé o jogaram no chão. Então pediu para rezar pela última vez. Ajoelhou-se e depois dois tiros de revolver o fizeram rolar na vala. Foi coberto com poucas pás de terra e folhas secas. A batina do “padreco” tornou-se uma bola para chutar, sendo depois pendurada, como um troféu de guerra, sob o telhado de uma casa vizinha. Era sexta feira, 13 de abril de 1945, comemoração do martírio do jovem Santo Ermenegildo (no ano de 585). Rolando tinha quatorze anos e três meses.

27 de Abril - Santos Cleto e Marcelino, Papas e Mártires

São Cleto é o terceiro Papa e nasceu em Roma. Foi convertido por são Pedro, e sucedeu a São Lino no trono pontifical. Recebeu a coroa do martírio no governo de Domiciano e foi sepultado junto ao Príncipe dos Apóstolos. O seu nome aparece no Cânon da missa.
São Marcelino era igualmente romano e governou a Igreja desde 293-304, durante a terrível perseguição de Diocleciano. Sofreu o martírio e foi sepultado nas catacumbas de Priscila.
Velando pela Igreja e sendo modelos vivos do rebanho de Cristo, com São Pedro que a isto os exortava, os primeiros sucessores dele dera a vida pra preencher este exigente e belo programa, Receberam do Pastor dos pastores a coroa incorruptível da glória.

Lefebvre, Dom Gaspar. Missal Quotidiano e Vesperal. Bruges, Bélgica; Abadia de S. André, 1960.

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Catecismo Romano: A vida eterna (Parte II)

Vida eterna:

a) Dom incomprensível -  Quando falamos de vida "bem-aventurada", basta a própria expressão para indicar quão imensa não é a felicidade dos justos na pátria celestial, e que só eles mesmos, e mais ninguém, podem compreendê-la.

Quando, para designar uma coisa empregamos termo, que é comum a muitas outras coisas, logo se vê que não há termo próprio para exprimi-la exatamente. pois bem, os termos que designam "felicidade" eternamente (por exemplo Deus, os anjos). Deste fato, é licito concluir que se trata de um estado de tal transcendência, que não podemos exprimir com um termo adequado.

b) Que a linguagem humana não pode exprimir - É fato que as Escrituras Sagradas dão ainda outros nomes a bem-aventurança celestial: Reino de Deus (Mt 6,33, 21,3; Mc 1,14; Lc 9,262; Jo 3,3ss; Ato 14,22; Gal 5,21), Reino de Cristo (Jo 18,36; Efe 5,5; Col 1,23; 2Pedr 1,11), Reino dos Céus (Mt 5, 3-20, 11,12; 13,24), Paraíso (Lc 23,43; 2Cor 12,4; Apoc 2,7; Ezeq 28,13), nova Jerusalém (Isa 52,1; Apoc 21,2-10), Casa do Pai (Jo 14,2). Mas vê-se claramente, nenhuma dessas expressões é capaz de enunciar toda a sua grandeza.

Chegando aqui, não deixem os párocos de aproveitarem a boa ocasião, de exortar os fiéis a piedade, à justiça, e ao cumprimento de todos os deveres da religião cristã, apontando-lhes as largas recompensas que se descobrem na expressão "vida eterna".

Como é do saber, a vida pertence aos maiores bens, que desejamos por instinto da natureza. Ora, se falamos de "vida eterna", é antes de tudo por esta bondade que definimos a bem-aventurança.

A vida terrena é breve e desastrosa, cheia de tantas e variadas misérias, que com mais verdade deveria se chamar de morte em vez de vida. Se, ainda assim, lhe temos maior amor do que qualquer outra coisa; será, portanto, o zelo e o ardor com que devemos procurar a vida eterna, que põe termo a todos os males, que é o remate perfeito e absoluto de todos os bens?

III Explicação real:

1. Definição: a) isenção de todo o mal - Pela doutrina dos santos padres da Igreja (Conferir Santo Agostinho em a Cidade de Deus), a felicidade da vida eterna consiste na isenção de todos os males, e na obtenção de todos os bens.

A respeito dos males, são evidentes os testemunhos das Escrituras. Está escrito no Apocalipse: "Já não terá fome, nem sede; j´não cairá sobre eles o sol, nem ardor nenhum" (Apoc 7,16; Is 49,10-33) E mais uma vez: "Deus enxugará todas as lágrimas de teus olhos. E já não haverá morte, nem luto, nem lamento, nem dor, porque passaram as provações de outrora" (Apoc 21,4).

b) posse de todos os bens - Na verdade a glória dos bem-aventurados será imensa, e abrange inúmeras espécies de real alegria e prazer. Nosso espírito não pode alcançar a grandeza desta glória, nem há possibilidade de que possa penetrar em nossos corações (Apoc 21,4). É preciso que entremos nela, isto é, no gozo do Senhor (Mt 25,21), para que, inundados desta felicidade, tenhamos plena satisfação de todos os desejos de nossa alma.

(Fonte: Catecismo da Igreja Católica - 1962 - Ed. Vozes)

25 de Abril - São Marcos Evangelista





O Evangelho de são Marcos é o mais curto se comparado aos demais, mas traz uma visão toda especial, de quem conviveu e acompanhou a paixão de Jesus quando era ainda criança.

Ele pregou quando seus apóstolos se espalhavam pelo mundo, transmitindo para o papel, principalmente, as pregações de são Pedro, embora tenha sido também assistente de são Paulo e são Barnabé, de quem era sobrinho.

São Marcos, ou João Marcos, era judeu, da tribo de Levi, filho de Maria de Jerusalém, e, segundo os historiadores, teria sido batizado pelo próprio são Pedro, fazendo parte de uma das primeiras famílias cristãs de Jerusalém. Ainda menino, viu sua casa tornar-se um ponto de encontro e reunião dos apóstolos e cristãos primitivos.
Foi na sua casa, aliás, que Cristo celebrou a última ceia, quando instituiu a eucaristia, e foi nela, também, que os apóstolos receberam a visita do Espírito Santo, após a ressurreição.

Mais tarde, Marcos acompanhou são Pedro a Roma, quando o jovem começou, então, a preparar o segundo evangelho. Nessa piedosa cidade, prestou serviço também a são Paulo, em sua primeira prisão. Tanto que, quando foi preso pela segunda vez, Paulo escreveu a Timóteo e pediu que este trouxesse seu colaborador, no caso, Marcos, a Roma, para ajudá-lo no apostolado.

São Marcos escreveu o Evangelho a pedido dos fiéis romanos e segundo os ensinamentos que possuía de são Pedro, em pessoa. O qual, além de aprová-lo, ordenou sua leitura nas igrejas.

Seu relato começa pela missão de João Batista, cuja "voz clama no deserto". Daí ser representado com um leão aos seus pés, porque o leão, um dos animais símbolos da visão do profeta Ezequiel, faz estremecer o deserto com seus rugidos.

Levando seu Evangelho, partiu para sua missão apostólica. Conta a História que são Marcos, depois da morte de são Pedro e são Paulo, ainda viajou para pregar no Chipre, na Ásia Menor e no Egito, especialmente na Alexandria, onde fundou uma das igrejas que mais floresceram.

Ainda segundo a tradição, ele foi martirizado no dia da Páscoa, enquanto celebrava o santo sacrifício da missa.

Mais tarde, as suas relíquias foram trasladadas pelos mercadores italianos para Veneza, cidade que é sua guardiã e que tomou são Marcos como padroeiro desde o ano 828.

Fonte: http://www.derradeirasgracas.com/3.%20Os%20Santos%20do%20Dia/Santos%20do%20Mês%20de%20Abril/25-04%20São%20Marcos%20Evangelista%20%20.htm

terça-feira, 24 de abril de 2012

Preparação para a Morte: Da malícia do pecado mortal III

O inferno
PONTO III

O pecador injuria, desonra a Deus, e, no que toca sua parte, o 49 cobre de amargura, pois não há amargura mais sensível do que ver-se pago com ingratidão pela pessoa amada em extremo favorecida. E a que se atreve o pecador?... Ofende ao Deus que o criou e tanto o amou, que deu por seu amor o sangue e a vida. E o homem o expulsa de seu coração ao cometer um pecado mortal. Deus habita na alma que o ama.

“Se alguém me ama... meu Pai o amará, e viremos a ele e faremos nele nossa morada” (Jo 14,23). Notai a expressão faremos morada; Deus vem a essa alma e nela fixa sua mansão; de sorte que não a deixa, a não ser que a alma o expulse. “Não abando-na se não é abandonado”, como diz o Concílio de Trento. E já que sabeis, Senhor, que aquele ingrato há de expulsar-vos, por que não o deixais desde já? Abandonai-o, parti antes que vos faça tão grande ofensa... Não, diz o Senhor; não quero deixá-lo, senão esperar que ele formalmente me despeça.

Assim, quando a alma consente no pecado, diz a seu Deus: Senhor, apartai-vos de mim (Jo 31,14). Não o diz por palavras, mas de fato, como adverte São Gregório. Bem sabe o pecador que Deus não pode harmonizar com o pecado. Bem vê que, pecando, obriga Deus a afastar-se dele.

Rigorosamente, é como se lhe dissesse: Já que não, podeis ficar com meu pecado e tendes de afastar-vos de mim, — ide quando vos aprouver. E expulsando a Deus da alma, deixa entrar o inimigo que dela toma posse. Pela mesma porta por onde sai Deus, entra o demônio. “Então vai, e leva consigo outros sete espíritos piores do que ele, entram e moram ali” (Mt 12,45). Ao batizar-se um menino, o sacerdote exorciza o inimigo, dizendo-lhe: “Sai daqui, espírito imundo, e dá lugar ao Espírito Santo”; porque a alma do batizado, ao receber a graça, converte-se em templo de Deus (1Cor 3,16). Quando, porém, o homem consente no peca-do, efetua precisamente o contrário, dizendo a Deus, que reside na sua alma: “Sai daqui, Senhor, e cede lugar ao demônio”.

É disto de que se queixa o Senhor a Santa Brígida quando lhe diz que, ao despedi-lo, o pecador procedia como aqueles que expulsassem o seu rei do próprio trono: “Sou como um rei banido de seu próprio reino, elegendo-se em meu lugar um péssimo ladrão...” Que mágoa não sentiríeis se recebêsseis grave ofensa duma pessoa, a quem tivésseis feito grande benefício? Esta mesma mágoa causais a Deus, que chegou a dar sua vida para vos salvar. Clama o Senhor a dar sua vida para vos salvar. Clama o Senhor à terra e ao céu para que se compadeçam dele à vista da ingratidão com que o tratam os pecadores: “Ouvi, ó céus; tu, ó terra, escuta...

Filhos criei e engrandeci... mas eles me desprezaram” (Is 1,2). Em suma, os pecadores afligem com seus pecados o coração do Senhor... (Is 63,10) Deus não está sujeito à dor, mas — como disse o Padre Medina — se fosse suscetível de sofrer, um só pecado mortal bastaria para o fazer morrer, pelo infinito pesar que lhe causaria. Assim, pois, afirma São Bernardo, “o pecado, quanto em si é, dá morte a Deus”. De modo que o pecador, ao co-meter um pecado mortal, fere, por assim dizer, a seu Senhor, e nada omite para tirar-lhe a vida, se pudes-se (Sl 30,4). Segundo a expressão de São Paulo, calca aos pés o Filho de Deus (Hb 10,29), e despreza tudo o que Jesus Cristo fez e sofreu para tirar o pecado do mundo.

AFETOS E SÚPLICAS
Assim, meu Redentor, todas as vezes em que pequei vos expulsei de minha alma, e fiz tudo para vos tirar a vida, se pudésseis morrer. Ouço-vos dizer: “Que mal te fiz ou em que te contristei para me causares tanto desgostos... Perguntais-me, Senhor, que mal me fizestes?... Destes-me o ser, morrestes por mim: é este o mal que me haveis feito!... Que hei de responder?... Confesso, Senhor, que mereci mil vezes o inferno, e que mui justamente já me poderíeis ter condenado a ele. Lembrai-vos, porém, do amor que vos fez morrer por mim na cruz; lembrai-vos do sangue que por meu amor derramastes, tende compaixão de mim... Mas já sei, Senhor: não quereis que desespere, e me dizeis que estais à porta de meu coração (deste coração que vos expulsou), e que bateis nele com vossas inspirações para entrar, pedindo-me que vos abra... (Ap 3,20; Ct 5,2). Sim, meu Jesus, estou resolvido a apartar-me do pecado; dói-me de todo o coração de vos ter ofendido e vos amo sobre todas as coisas. Entrai, meu amor; a porta está aberta; entrai, e não vos afasteis mais de mim. Abrasai-me com vosso amor, e não permitais que torne a separar-me de vós... Não, meu Deus, não queremos mais separar-nos. Abraço-vos e aperto-vos a meu coração... Dai-me a santa perseverança....

Maria, minha Mãe, socorrei-me sempre; rogai por mim a Jesus, e alcançai-me a dita de jamais perder a sua graça.

V/: Requiem eternam dona eis, Domine, et lux perpetua luceat eis. Requiescant in pace. R:/ Amém.

Fonte: Preparação para a Morte - Santo Afonso Maria de Ligório - Considerações sobre as verdades eternas - Tradução de Celso de Alencar - Versão PDF de FL. Castro - 2004

24 de Abril - São Fidelis de Sigmaringa. Mártir

Conhecido também como São Fedele de Sigmaringen

Nasceu em 15767 em Sigmaringen, Hohenzolern, Alemanha como Mark Rey. Formou-se advogado e foi professor de teologia. Quando praticou advocacia em Ensisheim, na Alsacia Superior, ele ganhou a reputação de honesto e sempre recusava a usar a linguagem vil, de ataque, usada peles seus oponentes. Seu apoio aos pobres  deram a ele o apelido de “Advogado dos Pobres”. 

Desgostoso com a corrupção e o desinteresse na justiça pelos advogados, Mark Rey abandonou a profissão, tornou-se um padre e mais tarde um frade franciscano com o seu irmão Jorge. Mudou seu nome para Fidélis e deu todos os seus bens para os pobres em geral e para os pobres seminaristas em especial.
Fidelis foi sucessivamente indicado como Superior em Rheinfelden, Friburgo e Feldkirch. Notável pregador, durante o seu último posto ele reformou a cidade, os distritos adjacentes e converteu muitos protestantes.

Ele também escreveu um livro de exercícios espirituais que foi traduzido em várias línguas.
Sua reputação crescia devido a sua devoção aos doentes e diz à tradição que durante uma epidemia, ele curou vários doentes apenas com sua benção e oração.

A pedido do Bispo de Chur, ele liderou um grupo oito frades Capuchinhos  para pregar aos Calvinistas em Crissons, na Suíça. O sucesso e a ausência de violência de sua missão foram atribuídos a Fidelis que passava noites em orações.

Tão grande era o poder de sua pregação que ele conseguiu tremendo sucesso, o que irritou os seus adversários. Eles trabalharam para que os camponeses ficassem contra Fidelis dizendo que ele era um agente do Imperador austríaco que o havia enviado para que os convencerem a não aspirarem à independência. Apesar de ser avisado de um possível atentado Fidelis passou a noite em orações ao Santíssimo Sacramento, se preparando para a morte.

Em 24 de abril de 1622 ele pregou em Cruch e depois ele foi para Sewis onde no meio de um sermão sobre “Um Senhor, uma fé e um batismo”, um protestante atirou com seu mosquete em Fidelis. A bala teria errado Fidelis, mas na confusão reinante os soldados austríacos que estava na vizinhança foram atacados. Fidelis foi cercado por protestantes que exigiram que ele renunciasse a sua fé e o santo respondeu que sua vida estava nas mãos de Deus. Apunhalado varias vezes Fidelis pedia a Deus para que o perdoassem.

Outra fonte diz que a bala assassina não o acertou, mas uma segunda bala o teria acertado. Um pastor Zwinglian que estava presente se converteu.

O corpo de São Fidelis agora repousa na Catedral de Coira.

Na arte litúrgica da Igreja, São Fidelis é mostrado com um bastão com pregos, ou 2) com São José de Leonissa; ou 3) com um anjo carregando a palma do martírio 4) as vezes a estrela da manha é mostrada em seu ícone.

Morreu em 24 de abril de 1622 em Crusch, Crissons, Suíça e foi canonizado em 1746 pelo Papa Benedito XIV.

Sua festa é celebrada no dia 24 de abril.

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Liturgia Católica II: ORIGEM DA LITURGIA

2. ORIGEM DA LITURGIA

I - Do que fica dito, se vê a Veneranda origem da Liturgia católica.

1. As partes essenciais da missa foram instituídas pelo próprio Jesus Cristo, quando, na véspera da sua sagrada. paixão, disse a primeira missa na presença dos apóstolos. O Padre Nosso, parte integrante de todas as Liturgias, foi ensinado por Ele. Os santos sacramentos, quanto à forma essencial, foram todos instituídos por Nosso Senhor.

2. Estas partes essenciais, no decurso do tempo, foram cercadas de cerimônias, ora simples, ora majestosas, todas, porém, convenientes; e de preces adequadas. O que primitivamente foi uso legitimo, posteriormente foi sancionado pela Igreja em virtude do poder legislativo outorgado a Pedro e seus sucessores: "O que ligares sobre a terra, será ligado no céu; o que desligares sobre a terra, será desligado também no céu." (Mt 16, 19.) A Liturgia é, por conseguinte, de origem divina, parte diretamente e parte indiretamente; deve ser tratada com muito respeito.

3. OBJETO DA LITURGIA

As ações litúrgicas são múltiplas; apesar disto formam conjunto bem ordenado. Esta unidade interior em todas as manifestações e ramificações do culto tem o fundamento no objeto a que se referem, e no sujeito que as põe em prática.

1. O objeto primário da Liturgia sacra é Deus. (Eisenhofer I, 6; Gatterer, Annus liturgicus, p. 7; Vigourel, Cours synthet., p. 4.) A Ele só compete adoração, a Ele só se oferece o sacrifício da missa. Ora à SS. Trindade, ora a Deus Padre, ora a Deus Filho, ora ao Espírito Santo é que se presta o culto explicitamente.

Pela doxologia: "Glória ao Padre, e ao Filho e ao Espírito Santo", é glorificada muitas vezes durante o dia a SS. Trindade. Nas orações da missa, a petição as mais das vezes se dirige a Deus Padre: Omnipotens sempiterne Deus... A Deus Filho são consagradas as festas mais solenes do ano eclesiástico: natal, páscoa, corpo de Deus e outras. O Espírito Santo invoca-se freqüentemente, p. ex., no ofertório da missa: Veni sanctificator... Este é o culto latrêutico (de "latria" = adoração).

II. Objeto secundário é: a) o culto dos Santos, e principalmente de Maria SS.: aquele chama-se culto de dulia ou de veneração, este, culto de hiperdulia ou de veneração toda especial. b) o culto dos objetos que têm relação com Jesus Cristo e sua obra de redenção. Tais são, p. ex., as relíquias do santo Lenho, as relíquias e imagens dos santos. E' o culto relativo (cân. 1255). c) o culto de pessoas ainda vivas e de coisas sagradas. Ante o bispo, p. ex., se fazem genuflexões, ante o sacerdote, inclinações. De incensação são julgados dignos não só os clérigos, mas também leigos eminentes e todo o povo. Esta honra concede-se por motivos religiosos e refere-se, em última análise, a Deus. S. Inácio de Antioquia (Ep. ad Trail. 3, 1) ensina: Todos devem honrar os diáconos como a Jesus Cristo, e também ao bispo, que é a imagem do Pai, e aos sacerdotes, como ao senado de Deus.
A escritura sagrada diz: Sois... um povo santo. (1 Ped 2, 9.)

II. Assim se explica o culto das coisas sagradas, p. ex.: o ósculo do evangeliário, das velas, dos ramos bentos. Estas honras entendem-se prestadas ao símbolo de Jesus Cristo (evangeliário), ou a Cristo santificador que distribui suas graças pelos objetos bentos. 4. Os sacramentos em geral, as orações, os exorcismos são culto de Deus, porque no seu uso se glorifica a misericórdia, a bondade e a onipotência de Deus. Por conseguinte é Deus o único objeto da Liturgia.

Fonte: Curso de Liturgia - 2ª Edição - Pe. João Batista Reus, S. J. - Ed Vozes Limitada - Petrópolis - Rj 1944

23 de Abril - São Jorge, Mártir

A existência do popularíssimo são Jorge, por vezes, foi colocada em dúvida. Talvez porque sua história sempre tenha sido mistura entre as tradições cristãs e lendas, difundidas pelos próprios fiéis espalhados entre os quatro cantos do mundo.
No entanto, encontramos na Palestina os registros oficiais de seu testemunho de fé. O seu túmulo está situado na cidade de Lida, próxima de TelAviv, Israel, onde foi decapitado no século IV, e é local de peregrinação desde essa época, não sendo interrompida nem mesmo durante o período das cruzadas.
Ele foi escolhido como o padroeiro de Gênova, de várias cidades da Espanha, Portugal, Brasil, Lituânia e Inglaterra e um sem número de localidades no mundo todo.
A sua imagem de jovem guerreiro, montado no cavalo branco e enfrentando um terrível dragão, obviamente reporta às várias lendas que narram esse feito extraordinário. A maioria delas diz que uma pequena cidade era atacada periodicamente pelo animal, que habitava um lago próximo e fazia dezenas de vítimas com seu hálito de fogo. Para que a população inteira não fosse destruída pelo dragão, a cidade lhe oferecia vítimas jovens, sorteadas a cada ataque.
Certo dia, chegou a vez da filha do rei, que foi levada pelo soberano em prantos à margem do lago. De repente, apareceu o jovem guerreiro e matou o dragão, salvando a princesa. Ou melhor, não o matou, mas o transformou em dócil cordeirinho, que foi levado pela jovem numa corrente para dentro da cidade. Ali, o valoroso herói informou que vinha da Capadócia, chamava-se Jorge e acabara com o mal em nome de Jesus Cristo, levando a comunidade inteira à conversão.
De fato, o que se sabe é que o soldado Jorge foi denunciado como cristão, preso, julgado e condenado à morte. Entretanto o momento do martírio também é cercado de muitas tradições. Conta a voz popular que ele foi cruelmente torturado, mas não sentiu dor. Foi então enterrado vivo, mas nada sofreu. Ainda teve de caminhar descalço sobre brasas, depois jogado e arrastado sobre elas, e mesmo assim nenhuma lesão danificou seu corpo, sendo então decapitado pelos assustados torturadores. Jorge teria levado centenas de pessoas à conversão pela resistência ao sofrimento e à morte. Até mesmo a mulher do então imperador romano.
São Jorge virou um símbolo de força e fé no enfrentamento do mal através dos tempos e principalmente nos dias atuais, onde a violência impera em todas as situações de nossas vidas.
Seu rito litúrgico é oficializado pela Igreja católica e nunca esteve suspenso, como erroneamente chegou a ser divulgado nos anos 1960, quando sua celebração passou a ser facultativa.
A festa acontece no dia 23 de abril, tanto no Ocidente como no Oriente

Oremus: Ó Deus, que nos alegrais com a intercessão e méritos do bem-aventurado Mártir Jorge, fazei com que alcancemos, de vossa bondade os benefícios que por meio dele vos pedimos. Por Nosso Senhor Jesus Cristo. Amém.

sábado, 21 de abril de 2012

II Dom. depois da Páscoa: "Eu sou o bom pastor. Conheço as minhas ovelhas e as minhas ovelhas conhecem a mim, dou a minha vida pelas minhas ovelhas"






Diz-nos São Pedro na Epístola que Jesus é o pastor de nossas almas, perdidas tantas vezes pelos atalhos da vida, errando longe do redil. E que o Senhor veio dar a vida por elas e agregá-las à sua volta, não duvidando para fazer, como o evangelho acentua, deixar no deserto as noventa e nove e ir por moitas e algares à procura da desgarrada que se perdera.
Lembremo-nos que os sacerdotes são os legítimos continuadores deste pastor divino e sejamos dóceis à sua palavra e rezemos por eles para que sejam dignos do seu ministério.

Epístola

Leitura da Epístola de São Pedro Apóstolo (IPedr 2, 21-25). Caríssimos: Cristo padeceu por vós, deixando-vos exemplo para que sigais os seus passos. Ele não cometeu pecado, nem se achou falsidade em sua boca (Is 53,9). Ele, ultrajado, não retribuía com idêntico ultraje; ele, maltratado, não proferia ameaças, mas entregava-se àquele que julga com justiça. Carregou os nossos pecados em seu corpo sobre o madeiro para que, mortos aos nossos pecados, vivamos para a justiça. Por fim, por suas chagas fomos curados (Is 53,5). Porque éreis como ovelhas desgarradas, mas agora retornastes ao Pastor e guarda das vossas almas.





Evangelho de Domingo: 
Continuação do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São João (10, 11-16): Naquele tempo:
Disse Jesus: Eu sou o bom pastor. O bom pastor expõe a sua vida pelas ovelhas.
O mercenário, porém, que não é pastor, a quem não pertencem as ovelhas, quando vê que o lobo vem vindo, abandona as ovelhas e foge; o lobo rouba e dispersa as ovelhas.
O mercenário, porém, foge, porque é mercenário e não se importa com as ovelhas.
Eu sou o bom pastor. Conheço as minhas ovelhas e as minhas ovelhas conhecem a mim,
como meu Pai me conhece e eu conheço o Pai. Dou a minha vida pelas minhas ovelhas.
Tenho ainda outras ovelhas que não são deste aprisco. Preciso conduzi-las também, e ouvirão a minha voz e haverá um só rebanho e um só pastor.


Lefebvre, Dom Gaspar. Missal Quotidiano e Vesperal. Bruges, Bélgica; Abadia de S. André, 1960.