quinta-feira, 31 de maio de 2012

31 de Maio – FESTA DA BEM-AVENTURADA MARIA, RAINHA

Por uma espécie de instinto sobrenatural, o povo cristão em todos os tempos reconheceu a realeza da Mãe daquele que é o "Rei dos reis e Senhor dos Senhores". Deste comum sentir fizeram-se intérpretes autorizados, no decorrer dos séculos, os Santos padres. Os Doutores da Igreja, os Sumos Pontífices. Desta crença encontramos claro testemunho nos esplendores da arte sagrada e na liturgia. Os teólogos, por seu turno, não se têm cansado de mostrar a conveniência do título de realeza da Mãe de Deus, tão intimamente associada com a obra redentora de seu Divino Filho, ela a Medianeira de todas as graças.
No sentido de corresponder os votos unânimes de fiéis e pastores, São Pio XII, pela Carta Encíclica Ad Caeli Reginam, de 11 de Outubro de 1954, que seus corações todo mundo cristão vinha já prestando à Soberana Rainha do Céus e da Terra.

A Epístola apresenta-nos o reinado da Sabedoria, cujas prerrogativas a Liturgia aplica a Santíssima Virgem. O Evangelho anuncia o reinado de Cristo, fonte do reinado de sua Mãe.

Lefebvre, Dom Gaspar. Missal Quotidiano e Vesperal. Bruges, Bélgica; Abadia de S. André, 1960.

QUINTA-FEIRA DE PENTECOSTES

Elias, O Profeta

"O dom da Ciência é uma luz sobrenatural que Espírito Santo infunde nas almas e que possui a prerrogativa de nos fazer ver que as verdades da fé são realmente dignas de serem admitidas mesmo à luz dos princípios da razão" (Pe. Meschler).

A estação celebra-se na Basílica de São Lourenço, cuja alma tão inflamada estava no amor do Espírito Santo que o não deixava de sentir as torturas do fogo a que tinha sido lançado. Escolheu-se esta Basílica para ter passo dos Atos dos Apóstolos que fala o diácono Felipe.

O Evangelho lembra-nos que o Senhor ao conferir aos Apóstolos o poder das curas, lhes confiou também a missão de pregar o reino de Deus a todos os homens. E este ministério não tem sido interrompido a partir do Pentecostes. A Igreja prossegue incasavelmente através de todas as idades na tarefa de apontar às almas os caminhos da vida e o Espírito Santo, que fecunda a sua pregação, opera por meio dela como força divina que renova a face da terra. Peçamos a Deus que prossiga na sua obra redentora e que nos torne dóceis à ação santificante do Espírito Santo, que não cessa de operar no mais íntimo das nossas almas.

Epístola

Leitura dos Atos dos Apóstolos (8, 5-8): Naquele tempo: Assim Filipe desceu à cidade de Samaria, pregando-lhes Cristo. A multidão estava atenta ao que Filipe lhe dizia, escutando-o unanimemente e presenciando os prodígios que fazia. Pois os espíritos imundos de muitos possessos saíam, levantando grandes brados. Igualmente foram curados muitos paralíticos e coxos. Por esse motivo, naquela cidade reinava grande alegria...
Evangelho do dia
Continuação do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São Lucas: Naquele tempo:
Reunindo Jesus os doze apóstolos, deu-lhes poder e autoridade sobre todos os demônios, e para curar enfermidades.
Enviou-os a pregar o Reino de Deus e a curar os enfermos.
Disse-lhes: Não leveis coisa alguma para o caminho, nem bordão, nem mochila, nem pão, nem dinheiro, nem tenhais duas túnicas.
Em qualquer casa em que entrardes, ficai ali até que deixeis aquela localidade.
Onde ninguém vos receber, deixai aquela cidade e em testemunho contra eles sacudi a poeira dos vossos pés.
Partiram, pois, e percorriam as aldeias, pregando o Evangelho e fazendo curas por toda parte.


Lefebvre, Dom Gaspar. Missal Quotidiano e Vesperal. Bruges, Bélgica; Abadia de S. André, 1960

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Catecismo Romano: Revisão da primeira parte do Catecismo (O Credo) III

§ 3o - Do Homem

O Senhor Deus formou, pois, o homem do barro da terra, e inspirou no seu rosto um sopro de vida, e o homem tornou-se alma (pessoa) vivente. Ora, o Senhor Deus tinha plantado, desde o princípio um paraíso de delícias, no qual Pôs o homem que tinha formado. E o Senhor Deus tinha produzido da terra toda a casta de árvores formosas à vista, e de frutos doces para comer; e a árvore da vida no meio do paraíso, e a árvore da ciência do bem e do mal. Deste lugar de delícias saía um rio para regar
o paraíso, o qual dali se divide em quatro braços. O nome do primeiro é Fison, e é aquele que torneia todo o país de Evilat, onde se encontra o ouro. E o ouro deste pais é ótimo; ali (também) se acha o bdélio e a pedra ônix. O nome do segundo rio éGion; este é aquele que torneia toda a terra de Etiópia. O nome, porém, do terceiro rio é Tigre, que corre para a banda dos assírios. E o quarto rio é o Eufrates. Tomou Pois, o Senhor Deus o homem, e colocou-o no paraíso de delícias, para que o cultivasse e guardasse. E deu-lhe este preceito, dizendo: Come de todasasárvoresdo paraíso masnão comasdo fruto da árvore da ciência do bem e do mal; porque em qualquer dia que comeres dele,
morrerás indubitavelmente. "Disse mais o Senhor Deus: Não é bom que o homem esteja só; façamos-lhe um adjutório semelhante a ele Tendo, pois, o Senhor Deus formado da terra todos os animais terrestres, e todas as aves do céu. levou-os diante de Adão, para este ver como os havia de chamar; e todo o nome que Adão pôs aos animais vivos, esse é o seu verdadeiro nome. E Adão pôs nomes convenientes a todos os animais, a todas as aves do céu, e a todos os animais selváticos; mas não se achava para Adão um adjutório semelhante a ele. Formação damulher e instituição do matrimônio. Mandou, pois, o Senhor Deus um profundo sono a Adão; e, enquanto ele estava dormindo, tirou uma das suas costelas, e pôs carne no lugar dela. E da costela, que tinha tirado de Adão, formou o Senhor Deus uma mulher; e a levou a Adão. E Adão disse: Eis aqui agora o osso demeus ossos e a carne
da minha carne; ela se chamará Virago, porque do varão foi tomada. (Gênesis 2, 7-23)


48)Qual é a criatura mais nobre que Deus colocou sobre a terra?
A criatura mais nobre que Deus colocou sobre a terra, é o homem.

49)Que é o homem?
O homem é uma criatura racional, composta de alma e corpo.

50) Que é a alma?
A alma é a partemais nobre do homem, porque é substância espiritual, dotada de
inteligência e de vontade, capaz de conhecer a Deus e de O possuir eternamente.
51) Pode-se ver e apalpar a alma humana?
Não se pode ver nem apalpar a nossa alma, porque é espírito.

52) Morre a alma humana com o corpo?
A alma humana nunca morre; a fé e a mesma razão provam que la é imortal.

53) É livre o homem nas suas ações?
Sim, o homem é livre nas suas ações; e cada qual sente, dentro de si ]mesmo, que pode fazer uma ação e deixar de fazê-la, ou fazer antes uma que outra.

54) Explicai com um exemplo a liberdade humana.
Se eu disser voluntariamente uma mentira, sinto que poderia deixar de dizê-la, e calar-me, e que poderia também falar de outro modo, dizendo a verdade.

55) Por que se diz que o homem foi criado à imagem e semelhança de Deus?
Diz-se que o homem foi criado à imagem e semelhança de Deus, porque a alma humana é espiritual e racional, livre na su i ação, capaz de conhecer e de amar a Deus, e de gozá-Lo eternamente,  perfeiçõesque refletem em nósum raio da infinita grandeza de Deus.

56) Em que estado criou Deus os nossos primeiros pais Adão e Eva?
Deus criou Adão e Eva no estado de inocência e de graça; mas depressa o perderam, pelo pecado.

57)Além da inocência e da graça santificante, com cedeu Deus ao nossos primeiros pais outros dons?
Além da inocência e da graça santificante, Deus concedeu aos nossos primeiros pais outros dons, que eles deviam transmitir, juntamente com a graça santificante, aos seus descendentes, e eram: a integridade, isto é, a perfeita sujeição dos sentidos à razão; a imortalidade; a imunidade de todas as dores emisérias; e a ciência proporcionada ao seu estado.

58) Qual foi o pecado de Adão?
O pecado de Adão foi um pecado de soberba e de grave desobediência.

59) Qual foi o castigo do pecado de Adão e Eva?
Adão e Eva perderam a graça de Deus e o direito que tinham ao céu, foram expulsos do Paraíso Terrestre, sujeitos a muitas misérias na alma e no corpo, e condenados a morrer.

60)Se Adão e Eva não tivessem pecado, ficariam livres da morte?
Se Adão e Eva não tivessem pecado, mas se se tivessem conservado fiéis a Deus,
depois de uma permanência feliz e tranqüila nestemundo, teriam sido levados por Deus
ao Céu, sem morrer, a gozar uma vida eterna e gloriosa.

61) Eram estes dons devidos ao homem?
Estes dons não eram devidos por nenhum título ao homem, mas eram absolutamente gratuitos e preternaturais; e por isso, tendo Adão desobedecido ao preceito divino, Deus pôde, sem injustiça, privar deles a Adão e a toda a sua descendência.

62)Este pecado, é próprio somente de Adão?
Este pecado não é só de Adão, mas é também nosso, embora por diverso título. É próprio de Adão, porque ele o cometeu com um ato da sua vontade, e por isso nele foi pessoal. É nosso, porque tendo Adão pecado como cabeça e fonte de todo o gênero humano, é transmitido por geração natural a todosos seusdescendentes, e por isso para nós é pecado original.

63) Como é possível que o pecado original se transmita a todos os homens?
O pecado original transmite-se a todos os homens, porque tendo Deus conferido ao gênero humano, em Adão, a graça santificante e os outros dons preternaturais, com a condição de que ele não desobedecesse, e tendo este desobedecido tia sua qualidade de cabeça e pai do gênero humano, tornou a natureza humana rebelde a Deus. Por isso a natureza humana é transmitida a todos os descendentes de Adão num estado de rebeldia contra Deus, privada da graça divina e dos outros dons.

64)Contraem todos os homens o pecado original?
Sim, todos os homens contraem o pecado original, exceto a Santíssima Virgem que dele foi preservada por Deus, com singular privilégio, na previsão dosmerecimentos de Jesus Cristo Nosso Salvador.

65) Depois do pecado de Adão, já não poderiam os homens salvar-se?
Depois do pecado de Adão, os homens já não poderiam salvar-se, se Deus não tivesse musado para com eles de misericórdia.

66)Qual foi a misericórdia de que Deus usou para com o gênero humano?
A misericórdia de queDeus usou para com o gênero humano, foi prometer logo a Adão um Redentor divino, ou Messias, enviá-Lo depois a seu tempo, para libertar os homens da escravidão do demônio e do pecado.

67)Quem é o Messias prometido?
O Messias prometido é Jesus Cristo, como nos ensina o segundo artigo do Credo.

CAPÍTULO III

Do segundo artigo do Credo

Imediatamente Jesus obrigou os seus discípulos a subir para a barca e a passarem antes dele à outramargem do lago, en quanto ele despedia as turbas, Despedidas as turbas, subiu só a um monte para orar. Quando chegou a noite, achava-se ali . Entretanto, a barca achava-se a muitosestádiosda terra e era batida pelasondas, porque o vento era contrário. Porém, na quarta vigília da noite, foi Jesus ter com eles, andando sobre o mar. E (os discípulos), quando o viram andar sobre o mar, turbaram-
se dizendo : E um fantasma. E, com medo, começaram a gritar. Mas Jesus falou-lhes imediatamente, dizendo: Tende confiança; sou eu, não reinais. Respondendo Pedro, disse: Senhor, se és tu, manda-me ir até onde estás por sobre as águas. Ele disse: Vem. Descendo Pedro da barca, caminhava
sobre a água para ir a Jesus. Vendo, porém, que o vento era forte, temeu, e, começando a submergir-se, gritou, dizendo: Senhor, salva-me! Imediata mente Jesus estendendo a mão, o tomou e lhe disse:
Homem de pouca fé, porque duvidaste?Depoisque subiram para a barca, o vento cessou. Os que estavam na barca aproximaram-se dele e o adoraram, dizendo: Verdadeiramentetu éso Filho deDeus
(Mt 14, 22-33)

68)Que nos ensina o segundo artigo do Credo: e em JesusCristo, um só seu Filho, Nosso Senhor?
O segundo artigo do Credo ensina-nos que o Filho de Deus é a segunda Pessoa da Santíssima Trindade; que Ele é Deus eterno, todo-poderoso, Cria for e Senhor, como o Padre; que se fez homem par nos salvar; e que o Filho, de Deus feito homem se chama Jesus Cristo.

69) Por que se chama Filho a segunda Pessoa?
A segunda Pessoa chama-se Filho porque é gerada pelo Padre por via de inteligência, desde toda da ti eternidade; e por estemotivo se chama também Verbo eterno do Padre.

70)Sendo também nós filhos deDeus, por que JesusCristo se chama Filho único deDeus Padre?
Jesus Cristo chama-se Filho único de Deus porque só Ele é por natureza seu Filho, e nós seus filhos por criação e por adoção.

71) Por que Jesus Cristo se chama Nosso Senhor?
Chama-se Jesus Cristo Nosso Senhor não se porque, enquanto Deus, juntamente com o Padre e o Espírito Santo, rios criou, como também porque, em enquanto Deus e homem rios remiu com seu Sangue.

72)Por que o Filho de Deus feito homem se o chama Jesus?
O Filho de Deus feito homem chama-se Jesusque quer dizer Salvador, porque nos salvou da morte eterna que merecíamos por nossos pecados.

73) Quem deu o nome de Jesus ao Filho de feito homem?
Foi o mesmo Padre Eterno que deu o nome de Jesus ao Filho de Deus feito homem, por meio do Arcanjo São Gabriel, quando este anunciou à Virgem Santíssima o mistério da Encarnação.

74)Por que o Filho de Deus feito homem se chama também Cristo?
O filho de Deus feito homem chama-se também Cristo, que quer dizer Ungido e consagrado, porque antigamente ungiam-se os reis, os sacerdotes e os profetas e Jesus é Rei dos reis, Sumo Sacerdote e Sumo Profeta.

75) Foi Jesus Cristo verdadeiramente ungido e consagrado com unção corporal?
A unção de Jesus Cristo não foi corporal, como a dos antigos reis, sacerdotes e profetas, mas toda espiritual e divina, porque a plenitude da divindade habita nEle substancialmente.

76)Tiveram os homens algum conhecimento de Jesus Cristo antes da sua vinda?
Sim, os homens tiveram conhecimento de Jesus Cristo antes da sua vinda, pela promessa do Messias, queDeus fez aos nossos primeiros paisAdão e Eva, a qual renovou aos santos Patriarcas; e também pelas profecias e muitas figuras que O designavam.

77)Como sabemos nós que JesusCristo é verdadeira mente o Messias e o Redentor prometido?
Sabemos que Jesus Cristo é verdadeiramente o Messias e o Redentor prometido, porque nEle se cumpriu:

1) tudo o que anunciavam as profecias;
2) tudo o que representavam as figuras do Antigo Testamento.

78) Que prediziam as profecias acerca do Redentor?
As profecias prediziam acerca do Redentor: a tribo e a família da qual devia sair; o lugar e o tempo do nascimento; os seusmilagrese asmaisminuciosas circunstâncias da sua Paixão emorte; a sua ressurreição e ascensão ao Céu; o seu reino espiritual, universal e perpétuo, que é a Santa Igreja Católica.

79)Quais são as principais figuras do Redentor no Antigo Testamento?
As principais figuras do Redentor no Antigo Testamento são o inocente Abel, o sumo sacerdote Melquisedec, o sacrifício de Isaac, José vendido pelos irmãos, o profeta Jonas, o cordeiro pascal e a serpente de bronze, levantada por Moisés tio deserto.

80)Como sabemos nós que Jesus Cristo é verdadeiro Deus? Sabemos que Jesus Cristo é verdadeiro Deus:

1) pelo testemunho do Padre Eterno, quando disse: Este é O meu Filho muito amado,
no qual tenho posto todas as minhas complacências: ouvi-O ;
2) pela afirmação do próprio Jesus Cristo, confirmada com os mais estupendos milagres;
3) pela doutrina dos Apóstolos;
4) pela tradição constante da Igreja Católica.

81) Quais são os principais milagres operados por Jesus Cristo?
Os principais milagres operados por Jesus Cristo são, além da sua ressurreição, a saúde restituída aos enfermos, a vista aos cegos, o ouvido aos surdos, a vida aos mortos.

(Fonte: Terceiro Catecismo da doutrina cristã - São Pio X)

QUARTA-FEIRA DAS TÊMPORAS DE PENTECOSTES

Elias, O Profeta


"O dom da fortaleza é a virtude permanente com que o Espírito Santo informa a nova vontade, para que, mediante ela, vençamos as dificuldades que nos desviam da prática do bem" (Pe. Meschler).

As quatro têmporas do inverno (verão - hemisfério Norte) coincidem sempre com a oitava de Pentecostes. A Igreja oferece a Deus as primícias da nova estação e ora com instância pelos novos presbíteros que no próximo sábado vão receber o Espírito Santo no sacramento da Ordem. A liturgia continua a falar aos neo-batizados e a recordar-lhes os milagres de Pentecostes e a multiplicação prodigiosa dos fiéis durante as maravilhas operadas pelos Apóstolos. Também eles foram conduzidos a Jesus, levados ao Pai, que os tirou do exílio de onde viviam, para gozarem da liberdade e dos privilégios com que Deus enobreceu o seu povo.

Epístola

Leitura dos Atos dos Apóstolos (2, 14-21 ): Naquele tempo: Pedro então, pondo-se de pé em companhia dos Onze, com voz forte lhes disse: Homens da Judéia e vós todos que habitais em Jerusalém: seja-vos isto conhecido e prestai atenção às minhas palavras. Estes homens não estão embriagados, como vós pensais, visto não ser ainda a hora terceira do dia. Mas cumpre-se o que foi dito pelo profeta Joel: Acontecerá nos últimos dias - é Deus quem fala -, que derramarei do meu Espírito sobre todo ser vivo: profetizarão os vossos filhos e as vossas filhas. Os vossos jovens terão visões, e os vossos anciãos sonharão. Sobre os meus servos e sobre as minhas servas derramarei naqueles dias do meu Espírito e profetizarão. Farei aparecer prodígios em cima, no céu, e milagres embaixo, na terra: sangue fogo e vapor de fumaça. O sol se converterá em trevas e a lua em sangue, antes que venha o grande e glorioso dia do Senhor. E então todo o que invocar o nome do Senhor será salvo (Jl 3,1-5)

 Continuação do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São João: Naquele tempo: Disse Jesus a seus discípulos:
Ninguém pode vir a mim se o Pai, que me enviou, não o atrair; e eu hei de ressuscitá-lo no último dia.
Está escrito nos profetas: Todos serão ensinados por Deus (Is 54,13). Assim, todo aquele que ouviu o Pai e foi por ele instruído vem a mim.
Não que alguém tenha visto o Pai, pois só aquele que vem de Deus, esse é que viu o Pai.
Em verdade, em verdade vos digo: quem crê em mim tem a vida eterna.
Eu sou o pão da vida.
Vossos pais, no deserto, comeram o maná e morreram.
Este é o pão que desceu do céu, para que não morra todo aquele que dele comer.
Eu sou o pão vivo que desceu do céu. Quem comer deste pão viverá eternamente. E o pão, que eu hei de dar, é a minha carne para a salvação do mundo.
A essas palavras, os judeus começaram a discutir, dizendo: Como pode este homem dar-nos de comer a sua carne?
Lefebvre, Dom Gaspar. Missal Quotidiano e Vesperal. Bruges, Bélgica; Abadia de S. André, 1960

terça-feira, 29 de maio de 2012

Preparação para a morte: Abuso da divina misericórdia II

Purgatório
PONTO II

Dirá, talvez, alguém: Já que Deus usou para comigo de tanta clemência no passado, espero que a terá também no futuro. Eu, porém, lhe respondo: E por ter sido Deus tão misericordioso contigo, queres de novo ofendê-lo? Desse modo — diz São Paulo — desprezas a bondade e paciência de Deus. Ignoras que se o Senhor te suportou até agora, não foi para que continuasses a ofendê-lo, senão para que te penitencies do mal que fizeste? (Rm 2,4) E se tu, fiado na divina misericórdia, não temes abusar dela, o Senhor te retirará. “Se não vos converterdes... entesará o seu arco e tem-no preparado (Sl 7,13). Minha é a vingança, e eu lhes darei a paga a seu tempo (Dt 32,35). Deus espera; mas, chegada a hora da justiça, já não espera e castiga então.

Deus aguarda o pecador a fim de que se emende (Is 19,18); mas, quando vê que o tempo concedido para os pecados só serve para multiplicá-los, vale-se desse mesmo tempo para empregar a justiça (Lm 1,15). De sorte que o próprio tempo concedido, a mesma misericórdia outorgada, servirão para que o castigo seja mais rigoroso e o abandono mais imediato. “Medicamos Babilônia e não há sanado. Abandonemo-la” (Jr 51,9). E como é que Deus nos abandona? Ou envia a morte ao pecador, que assim morre sem arrepender-se, ou o priva das graças abundantes e só lhe deixa a graça suficiente com que o pecador se poderia salvar, mas não se salva. Obcecada a mente, endurecido o coração, dominado por maus hábitos, a salvação lhe será moralmente impossível; e assim ficará, senão em absoluto, pelo menos moralmente abandonado. “Derrubar-lhe-ei o muro, e ficará exposta...” (Is 5,5).

Que castigo! Triste indício quando o dono rompe o cercado e deixa entrar na vinha os que quiserem, homens e animais: é prova de que a abandona. É o que faz Deus, quando abandona uma alma: tira-lhe a sebe do temor, dos remorsos de consciência e a deixa nas trevas. Penetram, então, nela todos os monstros do vício (Sl 103,20). O pecador, entregue a essa obscuridade, desprezará tudo: a graça divina, a glória, avisos, conselhos e censuras; escarnecerá até de sua própria condenação (Pr 18,3).
Deus o deixará nesta vida sem castigo, e nisto consistirá seu maior castigo. “Compadeçamo-nos do ímpio... não aprenderá (jamais) justiça” (Is 26,10). Referindo-se a esse texto, diz São Bernardo: “Não quero essa misericórdia, mais terrível que a ira”. (Serm. 42, in Ct). Terrível castigo, quando Deus deixa o pecador em seus pecados, e parece que nem lhe pede contas deles (Sl 10,4). Dir-se-á que já não se indigna contra ele (Ez 16,42) e que lhe permite gozar quanto neste mundo deseja (Sl 80,13).

Desgraçados os pecadores que prosperam na vida mortal! É sinal de que Deus os reserva para aplicar-lhes sua justiça na vida eterna! Jeremias pergunta: “Por que o caminho dos ímpios passa em prosperidade?” (Jr 12,1). E responde em seguida: “Reúne-os como o rebanho destinado ao matadouro” (Jr 12,3). Não há, pois, maior castigo do que deixar Deus ao pecador amontoar pecados sobre pecados, segundo o que diz David: “pondo maldade sobre maldade... Riscados sejam do livro dos vícios” (Sl 28,28-29). Observa Belarmino: “Não existe castigo mais terrível do que o pecado tornar-se pena do pecado”. Fora melhor a um desses infelizes que o Senhor o tivesse feito morrer após o primeiro pecado; porque, morrendo mais tarde, terá a padecer tantos infernos quantos foram os pecados cometidos.

AFETOS E SÚPLICAS

Bem reconheço, meu Deus, que, no miserável estado em que me acho, mereci ser privado da vossa luz e da vossa graça. Pela inspiração, porém, que me dais e ouvindo-vos a voz que me chama à penitência, estou persuadido, entretanto, de que não me abandonastes. Já que assim é, multiplicai, meu Senhor, vossa misericórdia sobre minha alma; aumentai-me a luz divina e o desejo de vos amar e servir. Transformai-me, ó meu Deus; de traidor e rebelde que fui, convertei-me em fervoroso amante de vossa bonda-de, a fim de que chegue para mim o venturoso dia em que parta para o céu e louve eternamente as vossas misericórdias. Vós, Senhor, quereis perdoar-me, e eu só desejo que me outorgueis vosso perdão e vosso amor. Dói-me, ó Bondade infinita, de vos ter ofendido tantas vezes. Amo-vos, ó sumo Bem, porque mo ordenais, e porque sois digníssimo de ser amado. Fazei, pois, meu Redentor, que vos ame este pecador por vós tão amado, e com tal paciência por vós esperado. Tudo espero de vossa bondade inefável. Espero amar-vos sempre no futuro, até à more e por toda a eternidade (Sl 83,2). Que vossa clemência, meu Jesus, seja constante objeto de meus louvores! Louvarei também, por todo o sempre, a vossa misericórdia, ó Maria, pelas graças inumeráveis que me tendes alcançado.

À vossa intercessão as devo. Assisti-me, Senhora minha, auxiliai-me e alcançai-me a santa perseverança.

V/: Requiem aeternam dona eis, Domine, et lux perpetua luceat eis. Requiescant in pace. R:/ Amém.

Fonte: Preparação para a Morte - Santo Afonso Maria de Ligório - Considerações sobre as verdades eternas - Tradução de Celso de Alencar - Versão PDF de FL. Castro - 2004

TERÇA-FEIRA DE PENTECOSTES

Elias, O Profeta

"O dom do conselho é uma luz do Espírito Santo pelo qual a inteligência prática vê e julga, nos casos particulares, o que se deve fazer e os meios convenientes a empregar" (Pe. Meschler).

A Igreja continua a dirigir-se aos novos filhos que de a luz da graças do batismo, reunindo-os hoje a todos no santuário de Santa Anastácia. O perdão dos pecados, a participação do "Pão dos Anjos" e "Sagrados mistérios da Eucaristia", a presença e o auxílio do Espírito Santo, a confirmação que os revestiu da força e do alto e os defende continuamente das tramas do inimigo são tesouros preciosos, invocados na missa de hoje. O Evangelho diz tudo numa só palavra: entram no aprisco e são agora ovelhas do Bom Pastor, que veio, "para que as ovelhas encontrem a vida e a encontrem superabundante".

Epístola

Leitura dos Atos dos Apóstolos (8, 14-17 ): Naquele tempo: Os apóstolos que se achavam em Jerusalém, tendo ouvido que a Samaria recebera a palavra de Deus, enviaram-lhe Pedro e João. Estes, assim que chegaram, fizeram oração pelos novos fiéis, a fim de receberem o Espírito Santo, visto que não havia descido ainda sobre nenhum deles, mas tinham sido somente batizados em nome do Senhor Jesus. Então os dois apóstolos lhes impuseram as mãos e receberam o Espírito Santo.

Continuação do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São João: Naquele tempo:
Em verdade, em verdade vos digo: quem não entra pela porta no aprisco das ovelhas, mas sobe por outra parte, é ladrão e salteador.
Mas quem entra pela porta é o pastor das ovelhas.
A este o porteiro abre, e as ovelhas ouvem a sua voz. Ele chama as ovelhas pelo nome e as conduz à pastagem.
Depois de conduzir todas as suas ovelhas para fora, vai adiante delas; e as ovelhas seguem-no, pois lhe conhecem a voz.
Mas não seguem o estranho; antes fogem dele, porque não conhecem a voz dos estranhos.
Jesus disse-lhes essa parábola, mas não entendiam do que ele queria falar.
Jesus tornou a dizer-lhes: Em verdade, em verdade vos digo: eu sou a porta das ovelhas.
Todos quantos vieram antes de mim foram ladrões e salteadores, mas as ovelhas não os ouviram.
Eu sou a porta. Se alguém entrar por mim será salvo; tanto entrará como sairá e encontrará pastagem.
O ladrão não vem senão para furtar, matar e destruir. Eu vim para que as ovelhas tenham vida e para que a tenham em abundância.


Lefebvre, Dom Gaspar. Missal Quotidiano e Vesperal. Bruges, Bélgica; Abadia de S. André, 1960

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Liturgia Católica: FIM DAS CERIMÔNIAS



9. FIM DAS CERIMÔNIAS

Comentando as declarações do Concilio Tridentino (S. 22, c. 4 et 5) e do papa Sisto (Bula Immensa, 1588) na ocasião de instituir a S. C. dos Ritos, podemos dizer que o fim das cerimônias é:

1. Estético, pois as cerimônias servem para "realçar a majestade" do ato. A estima do povo cresce na razão direta da pompa exterior de uma solenidade (inauguração de academia, de estátua, chegada duma personagem de destaque; entrada de Jesus em Jerusalém, último juízo). Este fim obtém-se pelo número' elevado de ministros, pela preciosidade dos paramentos, etc.

2. Latrêutico, para exprimir a adoração: "para que o espírito do povo se levante para Deus", praticando os atos de fé, esperança e caridade, e adoração. Tais cerimônias são a genuflexão, a inclinação da cabeça ao nome de Jesus, à elevação da santa hóstia, o estender dos braços, o levantar das mãos na oração.

3. Simbólico. Há cerimônias que não foram introduzidas pela Igreja para ter significação simbólica. Já Durandus¹ observa (Durandus, Rationale; prooem. n.° 17) : "Cumpre bem notar que existe na recitação do divino ofício bom número de costumes, que não foram instituídos expressamente para ter significação moral ou mística. Mas, como se vê, alguns por causa da necessidade, outros por causa da oportunidade, outros por causa da sua conveniência, alguns por causa da maior solenidade dos mesmos ofícios, pouco a pouco se introduziram."

Esta circunstância foi exagerada por alguns; rejeitaram qualquer explicação simbólica das cerimônias. (Vert t 1708.) Mas logo outros declararam que tal afirmação contradiz a doutrina sobre os sacramentos, onde a matéria indica o efeito. A explicação simbólica deve-se admitir. O uso dos símbolos condiz com a natureza humana que, com auxílio das coisas perceptíveis aos sentidos, mais facilmente compreende certas verdades; com a sagrada escritura (os muitos símbolos do rito no antigo testamento) ; com o costume cristão (peixe, cordeiro) e da própria Igreja: pela mistura da água com o vinho "é simbolizada a união do povo cristão com Cristo, sua Cabeça" (Trid. s. 22 de sacr. missa c. 7); com a doutrina de S. Tomás (III, q. 83 a. 5).

Um dos mais conhecidos símbolos da escritura é a videira. Nosso Senhor tornou-a por símbolo de sua íntima união com a Igreja, facilitando assim a compreensão deste mistério. Pois os israelitas bem o conheciam como simbolo do povo de Deus, pelas palavras dos profetas (Oséias 10, 1), e mais ainda pela videira monumental que Herodes I tinha mandado colocar na entrada do templo de Jerusalém. Obra de arte e beleza única, estendia-se acima e em redor da porta gigantesca de 70 côvados (c. 35 m) de altura, guarnecendo-a completamente. Os ramos, as gavinhas e as folhas eram de ouro puro; os cachos de uva tinham o tamanho de homem, os bagos eram pedras preciosas. Judeus ricos e patriotas aumentaram na com novas uvas, novas folhas, e novos bagos. O valor talvez era de muitos bilhões de cruzeiros. De noite resplandecia iluminada com profusão; era o orgulho da nação. Com razão diz Durandus (prosem. n.° 1) : "Tudo quanto se acha nos ofícios da Igreja, nos seus objetos e ornamentos, está cheio de sinais e mistérios e transborda de doçura celeste, contanto que haja quem reflita atentamente."

Estes sinais ou símbolos são morais ou místicos.

a) Os morais indicam verdade relativa à moral, p. ex., as vestiduras sacras, cuja. significação é indicada nas orações prescritas para benzê-las ou vesti-las.

b) Os místicos indicam coisa' fora da que é indicada pelo texto ou pela ação, p. ex., a mistura de água e vinho simbolizam a união da natureza humana com a natureza divina em Jesus Cristo, e a união do povo cristão com Cristo.

Este simbolismo estende-se a todos os objetos do culto. No rito da ordenação dos subdiáconos a Igreja diz: "O altar da santa Igreja é Cristo, como S. João no seu apocalipse afirma ter visto um altar de ouro colocado, perante o trono, no qual e pelo qual as ofertas dos fiéis são consagradas a Deus Padre. As toalhas e corporais são Os membros de Cristo, os fiéis..." Onde não há explicação oficial, permitem-se explicações privadas prudentes. Isto vale especialmente da missa. Já no fim do século VII, pela primeira vez foi explicada como representação da vida, paixão e e glorificação de Nosso Senhor. (Expos. br. Antiqu liturgia gall., Eisenh. I, 120.)

1. (Também: Duranti ou Durantis). Canonista e um dos mais importantes escritores de liturgia medieval ; nascido por volta de 1237, em Puimisson na Diocese de Béziers em Provence, e morreu em Roma no dia 01 de novembro de 1296. Ele foi chamado de o Negociador devido ao título de uma de suas obras, Speculum Judiciale. Ele estudou Direito em Bolonha em Bernardo de Parma e, em seguida, ensinou em Modena
Fonte: Curso de Liturgia - 2ª Edição - Pe. João Batista Reus, S. J. - Ed Vozes Limitada - Petrópolis - Rj 1944 glorificação de Nosso Senhor. (Expos. br. Antiqu liturgia gall., Eisenh. I, 120.)

28 de Maio - Santo Agostinho de Cantuária, Bispo e Confessor

Santo Agostinho de Cantuária viveu no século VI, cujo o início foi na Grã-Bretanha. Foi junto com 40 monges, que no ano 597, São Gregório Magno enviou-os como missionários à Inglaterra, porém ao chegar a Lerins, soube que a situação era bastante complicada e teve medo de avançar e pediram ao papa que mudassem os planos. Para incentivar Santo Agostinho, São Gregório nomeou-o abade e logo depois quando chegou a gália, foi sagrado bispo.

Diferente ao que imaginava, a viagem aconteceu sem problemas e quando os missionários chegaram foram bem recebidos pelo rei Etelberto que para surpresa de todos solicitou o batismo arrastando também muitos súditos para a religião cristã. Receberam como residência a cidade de Cantuária ou Canterbury de onde surgiria a célebre abadia de São Pedro e São Paulo, que mais tarde será de Santo Agostinho. Foi nomeado arcebispo primaz da Inglaterra.

Santo Agostinho de Cantuária morreu no dia 26 de maio de 1605, e seu corpo esta sepultado em uma igreja que carrega o seu nome em Canterbury.

Fonte: http://www.acidigital.com/santos/santo.php?n=318

SEGUNDA-FEIRA DE PENTECOSTES

Elias, O Profeta


"O Dom da inteligência ilumina-nos, projetando sobre as verdades reveladas uma luz viva, penetrante, extraordinária, e dando-nos a certeza do genuína da palavra de Deus." (Pe. Meschler)

A Igreja prolonga por mais oito dias a festa de Pentecostes. Os intróitos desta semana cantam, como os das semanas de Páscoa, a grandeza do batismo e as riquezas que neles são conferidas aos batizados. O de hoje fala-nos da comunhão. A Epístola e o evangelho fala-nos de Jesus Cristo, necessária para a salvação, e que basta com o batismo para salvar todo aquele que acreditar. Foi o Senhor que disse. E São Pedro em um outro dia de Pentecostes, afirma-o aos Judeus deicidas, que os prodígios que se seguem confirmam que é assim realmente. A proclamação da Universalidade da redenção extensiva a todos os que acreditarem em Cristo, é doutrina essencial do Pentecostes e o fulcro sobre que gira toda a liturgia desta semana.

Possa Jesus e o Espírito Santo, cujo testemunho recolhemos da boca de Pedro, reunir-nos contra as ciladas do inimigo.

Epístola

Leitura dos Atos dos Apóstolos (10, 34 e 42-48 ): Naquele tempo: Então Pedro tomou a palavra e disse: Em verdade, reconheço que Deus não faz distinção de pessoas, Ele nos mandou pregar ao povo e testemunhar que é ele quem foi constituído por Deus juiz dos vivos e dos mortos. Dele todos os profetas dão testemunho, anunciando que todos os que nele crêem recebem o perdão dos pecados por meio de seu nome. Estando Pedro ainda a falar, o Espírito Santo desceu sobre todos os que ouviam a (santa) palavra. Os fiéis da circuncisão, que tinham vindo com Pedro, profundamente se admiraram, vendo que o dom do Espírito Santo era derramado também sobre os pagãos; pois eles os ouviam falar em outras línguas e glorificar a Deus. Então Pedro tomou a palavra: Porventura pode-se negar a água do batismo a estes que receberam o Espírito Santo como nós? E mandou que fossem batizados em nome de Jesus Cristo. Rogaram-lhe então que ficasse com eles por alguns dias.


Continuação do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São João: Naquele tempo:
Com efeito, de tal modo Deus amou o mundo, que lhe deu seu Filho único, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna.
Pois Deus não enviou o Filho ao mundo para condená-lo, mas para que o mundo seja salvo por ele.
Quem nele crê não é condenado, mas quem não crê já está condenado; por que não crê no nome do Filho único de Deus.
Ora, este é o julgamento: a luz veio ao mundo, mas os homens amaram mais as trevas do que a luz, pois as suas obras eram más.
Porquanto todo aquele que faz o mal odeia a luz e não vem para a luz, para que as suas obras não sejam reprovadas.
Mas aquele que pratica a verdade, vem para a luz. Torna-se assim claro que as suas obras são feitas em Deus.

Lefebvre, Dom Gaspar. Missal Quotidiano e Vesperal. Bruges, Bélgica; Abadia de S. André, 1960.

sábado, 26 de maio de 2012

DOMINGO DE PENTECOSTES (50º dia após a Páscoa)







Elias, O Profeta

Lançara Jesus os fundamentos da Igreja e enriquecera-a com seus poderes. Faltava ainda o Espírito Santo para acabar a formação dos apóstolos. "O Espírito Santo virá sobre vós. Deixai-vos ficar, pois, na cidade até receberes a força do alto." A festa de hoje é a festa comemorativa da expansão da Igreja no mundo.


Dissera o divino mestre que o divino Paráclito viria e a Epístola mostra-nos o cumprimento da promessa. Era a hora terça, por volta de nove horas da manhã, quando se faz de repente sentir um vento impetuoso que encheu toda a casa, e línguas de fogo desceram sobre os apóstolos. Iluminados por esta luz e a transbordar por este fogo sagrado os apóstolos sentem-se novos e vão realmente renovar a face da terra. Este dom maravilhoso consistem para cada um de nós na plenitude da graça que recebemos no batismo e que se vai progressivamente desenvolvendo e ampliando até a maturação perfeita do céu Para os apóstolos era isto mesmo com mais o dever, de que a nossa dignidade e a nossa vocação, com mais o dever de a transmitir a todos os homens. Remissão dos pecados, justificação, redenção, filiação divina, caridade cristã, comunhão dos santos, tudo isto, que constitui a riqueza e a vida da Igreja, nos foi e continuará a ser dado pelos sucessores dos apóstolos.

O Pentecostes neste sentido não é apenas uma data comemorativa de um acontecimento passado, mas uma realidade presente, sempre viva no seio da Igreja e em nós. "Vinde Espírito Santo e enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso amor."


Epístola

Leitura dos Atos dos Apóstolos (2, 1-11 ): Naquele tempo: Chegando o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar. De repente, veio do céu um ruído, como se soprasse um vento impetuoso, e encheu toda a casa onde estavam sentados. Apareceu-lhes então uma espécie de línguas de fogo que se repartiram e pousaram sobre cada um deles. Ficaram todos cheios do Espírito Santo e começaram a falar em línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem. Achavam-se então em Jerusalém judeus piedosos de todas as nações que há debaixo do céu. Ouvindo aquele ruído, reuniu-se muita gente e maravilhava-se de que cada um os ouvia falar na sua própria língua. Profundamente impressionados, manifestavam a sua admiração: Não são, porventura, galileus todos estes que falam? Como então todos nós os ouvimos falar, cada um em nossa própria língua materna? Partos, medos, elamitas; os que habitam a Macedônia, a Judéia, a Capadócia, o Ponto, a Ásia, a Frígia, a Panfília, o Egito e as províncias da Líbia próximas a Cirene; peregrinos romanos,  judeus ou prosélitos, cretenses e árabes; ouvimo-los publicar em nossas línguas as maravilhas de Deus!

Seqüência


Veni, Sancte Spiritus,
et emitte caelitus
lucis tuae radium.
Veni, pater pauperum,
veni, dator munerum
veni, lumen cordium.
Consolator optime,
dulcis hospes animae,
dulce refrigerium.
In labore requies,
in aestu temperies
in fletu solatium.
O lux beatissima,
reple cordis intima
tuorum fidelium.
Sine tuo numine,
nihil est in homine,
nihil est innoxium.
Lava quod est sordidum,
riga quod est aridum,
sana quod est saucium.
Flecte quod est rigidum,
fove quod est frigidum,
rege quod est devium.
Da tuis fidelibus,
in te confidentibus,
sacrum septenarium.
Da virtutis meritum,
da salutis exitum,
da perenne gaudium,

     Evangelho de Domingo:


Continuação do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São João (14, 23-31): Naquele tempo: Disse Jesus a seus discípulos:
Se me amais, guardareis os meus mandamentos.
E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Paráclito, para que fique eternamente convosco.
É o Espírito da Verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê nem o conhece, mas vós o conhecereis, porque permanecerá convosco e estará em vós.
Não vos deixarei órfãos. Voltarei a vós.
Ainda um pouco de tempo e o mundo já não me verá. Vós, porém, me tornareis a ver, porque eu vivo e vós vivereis.
Naquele dia conhecereis que estou em meu Pai, e vós em mim e eu em vós.
Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é que me ama. E aquele que me ama será amado por meu Pai, e eu o amarei e manifestar-me-ei a ele.


Lefebvre, Dom Gaspar. Missal Quotidiano e Vesperal. Bruges, Bélgica; Abadia de S. André, 1960.


Veni, Sancte Spíritus, et emítte caelitus lucis tuae rádium. Alleluja alleluja!

Nossa Senhora do Sábado: Nossa Senhora em Kibeho


Onde aconteceu: Em Ruanda (África centro oriental).

Quando: Em 1981.

A quem: principalmente oito pessoas.

Os fatos: Kibeho é um povoado que pertence a arquidiocese de Butare, segunda maior cidade de Ruanda.
A capital Kigali fica distante sessenta quilômetros. Em torno de 30% da população professa o catolicismo.
Em Kibeho além da igreja católica existia ainda a escola das irmãs da caridade ruandesas BenebeKira.
        
Alphonsine Munmureke era uma menina de 17 anos que naquele sábado, 28 de novembro de 1981, almoçava na escola com suas colegas. Novamente ouviu baixinho uma voz feminina que chamava:

- ” Minha filha, Minha filha...”

Durante a manhã esse chamado já tinha ocorrido. Dessa vez, porém, foi ao encontro da voz que parecia vir do corredor.

- “Estou aqui”, respondeu a menina.

Nesse instante em sua frente surgiu uma Senhora envolta em luz.

- Quem é a Senhora?  perguntou.

-“Jesuis a Mãe do Verbo”, (eu sou a mãe do verbo) respondeu a luminosa Senhora. Perguntando em seguida:

- “O que você busca na religião?”

A menina respondeu:

- Amo a Deus e a Mãe dele , que nos deu um filho que nos salva!

Disse a Senhora:

- "É por isso que venho tranqüilizá-la, pois ouvi suas preces. Eu gostaria que suas colegas tivessem mais fé, pois elas não crêem o suficiente”.

- Mãe do Salvador!, exclamou a jovem, finalmente reconhecendo Nossa Senhora, pois não tinha entendido anteriormente, quando a Senhora afirmou que era a Mãe do Verbo.

- Se verdadeiramente é a Senhora, a Senhora que vem dizer que em nossa escola temos pouca fé, é porque nos ama! Estou realmente cheia de alegria porque a Senhora veio a mim.

Sorrindo a Senhora lentamente subiu e desapareceu.
        
Empolgada pelo acontecido, Alphonsine narrou tudo para suas colegas, Além de não acreditarem ainda disseram que ela estava querendo “aparecer”.

As aparições continuaram e a menina pediu a Virgem Maria que também fosse visível a outras pessoas, para que acreditassem. Assim, em 12 de Janeiro de 1982, Anathalie Mukamazinpaka, que já estava rezando junto com Alphonsine, entrou em êxtase e também viu.
        
A partir daí a comoção popular tomou conta do pequeno povoado. Uma auxiliar do bispo de Butare começou a perseguir as videntes, porém em 02 de março de 1982 recebeu a graça e também viu a Santíssima Virgem. Seu nome Maria-Claire Mukangango.
        
Os videntes principais foram oito:

Alphonsine, Anathalie, Vestine, Stephanie e duas Agnes. Mais os meninos Segatshaya e Valentine.

Mais uma vez para satisfazer os incrédulos, quando as crianças entravam em estado de êxtase com a chegada de Nossa Senhora, eram submetidos a todo tipo de investigação para testar a veracidade da ação de Deus: Fósforos e velas eram encostadas na pele, lanternas eram focadas diretamente nos olhos, batiam em seus rostos e até cantes e facas eram cravadas em seus corpos. Porém, comprovando o que estavam presenciando, todos continuavam imóveis, sem nenhuma reação física.

O genocídio de Ruanda em Abril de 1994
Foi perguntado a eles o que viam durante os êxtases nas Aparições, e todos descreveram a mesma situação: Uma imensa área de campinas verdejantes, cobertas por orvalho cintilante. Um céu com suaves luzes coloridas. Lindas flores viçosas cobrindo tudo e a Santíssima Virgem pairando no ar por sobre suas cabeças.
        
Com o passar dos dias e a força dos fatos testemunhados, espalhou-se por todo o país a Aparição em Kibeho, e as multidões de devotos, romeiros e curiosos só aumentavam.
A rádio Ruandesa chegou a instalar um posto de transmissão diretamente do local; inclusive com alto-falantes, para descrever o que acontecia e também para divulgar as mensagens recebidas.


Outros fatos relevantes:

__ Padres, Irmãs Religiosas, autoridades civis e milhares de romeiros testemunharam os milagres solares que aconteceram algumas vezes:

O sol deslocava-se para os lados e também na vertical, listras vermelhas e brancas surgiam em sua superfície, ficava azulado e era possível fita-la por longos minutos, já olho nu.

O céu por sobre o povoado ficava “pintado” por raios multicoloridos. Também á noite as estrelas se moviam rapidamente, como se dançassem, ai desapareciam e no lugar delas surgiam cruzes luminosas.

__ Alguns alertas de Nossa Senhora:

“...O fim dos tempos profetizado na Bíblia deixa-as (as pessoas) diferentes e elas não se preparam, nem vêem necessidade de almejar a perfeição. Tudo o que lhes digo, parece-lhes sem importância.

__ No dia 15 de agosto de 1982 os videntes ficaram por oito horas em estado de êxtase.

De volta a nossa realidade apresentavam-se chocados e chorosos com as imagens que lhes foram mostradas: corpos ensangüentados e insepultos, fogo por todos os lados, a terra rachando e se abrindo, pessoas de capitadas e figuras monstruosas.

Os romeiros que os acompanhavam também ficaram bastante impressionados e preocupados. Muitas vezes essas visões apocalípticas foram mostradas durante os êxtases.

__ A região de Kibeho não possuía vegetação, era quase um solo deserto, porém rochoso e pedregoso. Muito quente, seca e com pouquíssima chuva.

Em uma das Aparições de agosto de 1982, Nossa Senhora perguntou:

- "Porque não me pediram chuva?”

Anathalie respondeu:

- A senhora disse que daria conforme sua vontade e quando quisesse.

Nossa Mãe concluiu:

- “E agora vou lhes dar uma chuva de consagração!”

Algum tempo depois choveu torrencialmente, e as milhares de pessoas presente caíam de joelhos agradecendo e louvando a Deus por tão grande graça.

Em agosto dificilmente chovia. A água de tão inesperada chuva foi prontamente armazenada em todo tipo de vasilhame disponível. Com o passar do tempo essa água foi sendo utilizada e realizou muitas curas;

__ A aprovação da Aparição foi de responsabilidade do bispo Gahamanyi, da arquidiocese de Butare, após instituir comissões que examinaram em detalhes e profundamente todas as ocorrências, inclusive entrevistando e testando, sob todos os aspectos, os videntes.

__ No final das Aparições a Mãe de Deus recomendou aos videntes que saíssem de Ruanda.

Depois de quatro anos eclodiu uma guerra civil que dizimou o país, matando quase a metade da população.

Deus, que é um Pai amoroso avisa a seus filhos que não acreditam, e por isso sofrem as conseqüências de suas decisões. Isso é o livre arbítrio, que o Pai Celeste é o primeiro a respeitar. ¹

Visão terrificante

Segundo as jovens, Nossa Senhora apareceu triste, contrariada, verdadeiramente “encolerizada”.
Alphonsine Mumureke contou que a Santíssima Virgem chorava. E as três jovens foram vistas tremendo, batendo os dentes e caindo por terra como mortas. Disseram elas ter visto “um rio de sangue, pessoas que se matavam umas às outras, cadáveres abandonados sem alguém que os enterrasse, uma árvore toda em fogo, um abismo escancarado, um monstro, cabeças decapitadas”. E contaram ter ouvido dos lábios da belíssima Senhora, envolta num traje esplendoroso, frases do tipo: “Os pecados são mais numerosos que as gotas do mar. O mundo corre em direção à ruína. O mundo está cada vez pior”(2).

Nesse dia, milhares de pessoas estiveram presentes no local das aparições. Todas saíram sob uma forte impressão de medo e tristeza.

Confirmação das visões

A última aparição de Kibeho, em 28 de novembro de 1989, ocorreu exatamente oito anos após a primeira. O bispo local nomeou uma comissão médica e outra teológica para investigar os fatos. Um santuário foi construído no local das aparições, tornando-se ponto de peregrinações.

Mas não se operou a conversão dos pecadores como Nossa Senhora pedira e, menos de cinco anos após a última aparição, caiu o tremendo castigo sobre aquela infeliz nação africana.

Entre abril e junho de 1994, ocorreu uma onda de massacres cuidadosamente planejada. Em Ruanda, onde quase metade da população se declarava católica, foi sendo cultivado, sob diversos pretextos, o ódio entre as duas raças principais que compõem o país: a dos hutus e a dos tutsis.

Invocando a morte do presidente do país em um atentado, 30.000 facínoras, aglutinados em torno de um partido, lançaram-se numa cruel caçada aos adversários. Aldeias inteiras foram massacradas, sendo a maioria das vítimas mortas a machadadas. Tantos corpos foram lançados no rio Kagera, que este ficou conhecido como Rio do sangue.

Pior. Numa terra já devastada por numerosas matanças, as igrejas haviam sido refúgios respeitados, onde as pessoas podiam se proteger para escapar às carnificinas. Mas desta vez isto não aconteceu. O próprio santuário edificado em Kibeho, repleto de refugiados — aproximadamente 4.000 pessoas — foi cercado pelos milicianos hutus. Estes lançaram granadas dentro do templo, mataram os sobreviventes a machadadas e queimaram os restos do edifício sagrado.

Uma das videntes, Maria Clara Mukangango, foi morta com o marido no povoado de Byumba.

No decorrer de três meses, milhares de pessoas foram massacradas. Até hoje o número exato é controvertido. Alguns falam em 250.000, outros chegam a calcular um milhão. A cifra mais provável gira em torno de 800.000 mortos. Verdadeiro massacre, classificado como “o maior genocídio africano dos tempos modernos”(3). ²



Fonte: 1 -  http://www.derradeirasgracas.com/4.%20Apari%C3%A7%C3%B5es%20de%20N%20Senhora/Nossa%20Senhora%20em%20Kibeho.htm

2 - http://www.catolicismo.com.br/materia/materia.cfm?IDmat=80273353-63FB-46C5-ADADAB0C17B11AD7&mes=Janeiro2004


VIGÍLIA DE PENTECOSTES






Tempo Pascal

Exposição Dogmática: Pentecostes
A Páscoa e o Pentecostes podem considerar-se realmente pastes integrantes da mesma festa, d festa da vitória de Cristo, da sua entrada triunfal na Glória e do começo da expansão da Igreja iniciado pela descida do Espírito Santo sobre os Apóstolos. A Ressurreição, a Ascensão e o Pentecostes, são partes do mesmo mistério, o Mistério Pascal. "A Páscoa, diz Santo Agostinho, foi o princípio da graça, o Pentecoste o seu remate e coroamento". Pela Ressurreição, Cristo restitui-nos o direito que havíamos perdido, a vida divina. Na Ascensão, elevou-se ao Céu, para de lá nos mandar o Espírito Santo, e assim entrar na posse do reino que para nós e para Ele conquistou com o seu sangue. A Ascenção é com efeito o reconhecimento oficial dos seus títulos de vitória e constitui para a sua humanidade o coroamento da obra redentora, e para a Igreja o princípio da sua existência e santidade. "A Ascenção, diz D. Guéranger, é o mistério que relaciona e completa o da Páscoa e o do Pentecostes. por um lado consuma a Páscoa, declarando o Homem-Deus vencedor da morte e chefe da Igreja e colocando-o a direita do Pai; por outro, determina a descida do Espírito Santo"; "Este belo mistério delimita aqui na terra os dois reinos divinos - o do Filho de Deus e do Espírito Santo".

 "Se eu não for não recebereis o Paráclito. Mas eu vou e mandar-vo-lo-ei, diz o Senhor". O Verbo Encarnado concluiu a missão de que o Pai o incumbira e o Espírito Santo irá da início a sua; que o Pai, não contente ainda em nos dar seu Filho único para nos reconduzir a Si, nos deu também o Espírito Santo para nos santificar. É que o Pai faz tudo, conforme diz Santo Agostinho, por meio do Filho, no Espírito Santo. Toda a obra da Salvação e Santificação se realiza na virtude e pela virtude do Espírito Santo. Foi Ele quem falou pelos profetas, quem cobriu com sua sombra a Virgem Maria e a fez M~e do Filho de Deus, quem desceu sobre o Senhor no Jordão, quem finalmente o conduziu pelo deserto e lhe orientou todos os passos da sua vida terrena. Mas foi sobretudo no dia de Pentecostes, derramando na alma dos Apóstolos a luz a coragem da graça, que assentou no seio da Igreja a grande obra da Santificação. Nele foi a Igreja batizada no Cenáculo, e é o seu eflúvio divino  que continua informar o Corpo Místico de Cristo. "Recebei o Espírito Santo, disse o Salvador ao Apóstolos, e a quem perdoares os pecados lhes serão perdoados". E a Igreja gosta de repetir estas palavras e de dizer que "é o Espírito Santo o mesmo perdão dos pecados" e do batismo que é ministrado na "água e no espírito".  "Sai desta alma, diz o ministro, e dá lugar ao Espírito Santo". Este Espírito cura as nossas almas e as santifica-as com a sua graça, infundindo-nos algo da sua própria vida. O que fez dizer Santo Irineu que, assim como a vida do corpo resulta da união do corpo, assim a vida da alma resulta da união da alma com o Espírito de Deus, união que se estabelece pela graça santificante. Porém, mais ainda, lá onde a graça habita, aí está aquele operário divino que a Igreja chama de "hóspede nosso".

O Espírito Santo foi dado aos apóstolos para acabar neles e por eles a obra da santificação me iluminação iniciada por Cristo. para esclarecer as inteligências, aquecer e purificar os corações e infundir nas almas a coragem de confessar o nome do Senhor. E esta obra de revigoramento das energias dos espíritos prossegue. Foi o espírito que inspirou os Apóstolos e os escritores sagrados, e é Ele que assegura ao Papa e aos Bispos reunidos e unidos com ele a infabilidade em matéria de fé, que lhes permite continuar na terra a missão do Mestre. É Ele, o Espírito Santo, que dá eficácia aos sacramentos, que perdoa os pecados, que infunde nas almas a vida sobrenatural, que dá a Igreja coesão e unidade, que lhe dá o ser, a alma.

O Espírito Santo é a alma da Igreja. E todos os fiéis vivem ou pelos menos deveriam viver desta alma. É de notar que depois de dizermos no Credo que cremos no Espírito Santo, ajuntamos, E na Santa Igreja Católica, na comunhão dos Santos, na remissão dos pecados, na ressurreição da carne, que é o deslumbramento, radioso da santidade perene penetrando o nosso corpo, e na vida eterna, a plenitude da Glória, envolvendo todo o nosso ser para sempre.

Exposição Histórica: Pentecostes

Antes de subir ao Céu, o Senhor ordenou os Apóstolos que se não afastassem de Jerusalém, mas esperassem a promessa do Pai, querer dizer, a efusão Espírito Santo. No regresso do monte das Oliveiras, os discípulos, que eram cento e vinte, dirigiram-se para o cenáculo, onde se deixaram estar em oração com as santas mulheres e com Maria, Mãe de Jesus.

Depois desta novena, a mais solene de todas, teve lugar a descida do Espírito Santo, que coincidiu providencialmente com a festa de pentecostes, "com este dia tão grande e santo", aniversário da promulgação da lei do Sinai. Os estrangeiros, pois, que por este motivo tinham acorrido a Jerusalém, foram foram testemunhas do fato milagroso do Pentecostes Cristão.

"Eram nove horas da manhã, assim diz os Atos dos Apóstolos, quando um ruído se fez ouvir, à maneira de um violento golpe de vento, que encheu toda a casa em que Maria Santíssima e os Apóstolos estavam sentados. E viram aparecer no ar línguas de fogo que desciam em cada um dos presentes, e ficavam cheios do Espírito Santo e falavam várias línguas conforme a monção do Espírito Santo".

Revestida deste modo com a força do Alto, a Igreja começou em Jerusalém a sua obra de apostolado que o Senhor lhe havia confiado. Pedro, o príncipe dos Apóstolos, toma a palavra perante a multidão atônita e assustada com o que via, e já "pescador de homens" conforme tinha sido prometido pelo divino Mestre, lança a rede, e desta primeira pescaria conquista logo para a pequena Igreja em Jerusalém, três mil almas. No dia seguinte, reuni-se os doze no Pórtico do Templo e como o divino Mestre pregam o Evangelho e curam os doentes. "Assim foi crescendo o número dos que esperavam o Senhor". Depois sairam para fora da Judéia e foram anunciar primeiro o Evangelho aos Samaritanos e seguida aos Gentios.

Exposição Litúrgica: Pentecostes

No quinquagésimo dia após a passagem do Anjo exterminador a travessia do mar vermelho, acampou o povo de Israel no pé do monte Sinai e Deus assim se dignou a lhes dar a sua lei. As festas da Páscoa e do Pentecostes, comemorativas deste duplo acontecimento, eram para os judeus a mais importante do ano. Dezesseis séculos se passaram, a festa da Páscoa é assinalada pela morte e ressurreição do Senhor e a festa de Pentecoste a efusão do Espírito Santo sobre Maria e os Apóstolos no Cenáculo. Estas duas festas adotadas pela Igreja, são as mais nobres e antigas do ciclo litúrgico que delas recebeu origem. O Pentecostes, depois da Páscoa, é  maior do ano. Tem vigília e oitava privilegiada. Lê-se os Atos dos Apóstolos, porque é o primeiro dia da dispersão da Igreja, cuja as origens este livro nos relata. É afinal é a imitação do se fez na semana de Páscoa. É uma vida inteiramente nova que começa; convém ler as novas escrituras que narram os primeiros voos. E no Novo Testamento põe de resto o antigo, em plena evidência e demonstra que foi ele a sombra que precedeu a grande realidade que surgiu. Na missa de Pentecostes na da Oitava a lei antiga e a nova, as Sagradas Escrituras e a Tradição, os Profetas, os Apóstolos e os Padres da Igreja fazem eco a palavra do Mestre.

Assim como as diferentes partes de um mosaico, formam um conjunto admirável, que sintetiza a ação do Espírito Santo através dos Séculos. Os paramentos vermelhos nos lembram as línguas de fogo. Antigamente era costume fazer em muitas Igreja fazer cair do teto ao som de Veni Sancte Spiritus uma chuva de rosas vermelhas e soltar dentro do templo uma pomba.

Por vezes, para dar maior impressão da grande realidade que se comemorava, tocava-se trombetas à seqüência. Era sem dúvida para lembrar as trombetas do monte Sinai, ou então o grande ruído que se fez ouvir à descida do Espírito Santo.

A oitava de pentecostes é privilegiada de 1ª Ordem e nela se vê claramente a intenção da Igreja de nos chamar a atenção para o fato culminante que iniciou uma nova era. Há aqui como um convite para orientarmos as nossas leituras e meditações neste sentido. E que tesouros de doutrina se não poderá colher nos textos das missas de toda a oitava.

O Tempo Pascal termina no Sábado de Pentecostes depois de Noa (15 h)

VIGÍLIA DE PENTECOSTES

Estação em São João de Latrão

Com esta Vigília começa a grande Solenidade. Outrora batizava-se neste dia os catecúmenos que não puderam ser batizados na Páscoa. Depois de batizados "na água e no Espírito", os neófitos recebiam a confirmação do Crisma. A Missa alude a estes dois sacramentos e mostra-nos como o Espírito Santo desce sobre as almas e as maravilhas que nelas opera. Preparemo-nos para a festa de amanhã com uma santa confissão.

Epístola

Leitura dos Atos dos Apóstolos (19, 1-8): Naquele tempo: Enquanto Apolo estava em Corinto, Paulo atravessou as províncias superiores e chegou a Éfeso, onde achou alguns discípulos e indagou deles:  Recebestes o Espírito Santo, quando abraçastes a fé? Responderam-lhe: Não, nem sequer ouvimos dizer que há um Espírito Santo! Então em que batismo fostes batizados?, perguntou Paulo. Disseram: No batismo de João. Paulo então replicou: João só dava um batismo de penitência, dizendo ao povo que cresse naquele que havia de vir depois dele, isto é, em Jesus. Ouvindo isso, foram batizados em nome do Senhor Jesus. E quando Paulo lhes impôs as mãos, o Espírito Santo desceu sobre eles, e falavam em línguas estranhas e profetizavam. Eram ao todo uns doze homens. Paulo entrou na sinagoga e falou com desassombro por três meses, disputando e persuadindo-os acerca do Reino de Deus.

Evangelho do dia:

Leitura do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João (14,15-21) : Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: Se me amais, guardareis os meus mandamentos. E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Paráclito, para que fique eternamente convosco. É o Espírito da Verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê nem o conhece, mas vós o conhecereis, porque permanecerá convosco e estará em vós. Não vos deixarei órfãos. Voltarei a vós. Ainda um pouco de tempo e o mundo já não me verá. Vós, porém, me tornareis a ver, porque eu vivo e vós vivereis.  Naquele dia conhecereis que estou em meu Pai, e vós em mim e eu em vós. Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é que me ama. E aquele que me ama será amado por meu Pai, e eu o amarei e manifestar-me-ei a ele.


Lefebvre, Dom Gaspar. Missal Quotidiano e Vesperal. Bruges, Bélgica; Abadia de S. André, 1960.

26 de Maio - São Felipe Neri, Confessor

"Contanto que os meninos não pratiquem o mal, eu ficaria contente até se eles me quebrassem paus na cabeça." Há maior boa vontade em colocar no caminho correto as crianças abandonadas do que nessa disposição? A frase bem-humorada é de Filipe Néri, que assim respondia quando reclamavam do barulho que seus pequenos abandonados faziam, enquanto aprendiam com ele ensinamentos religiosos e sociais.

Nascido em Florença, Itália, em 21 de julho de 1515, Filipe Rômolo Néri pertencia a uma família rica: o pai, Francisco, era tabelião e a mãe, Lucrécia, morreu cedo. Junto com a irmã Elisabete, foi educado pela madrasta. Filipe, na infância, surpreendia pela alegria, bondade, lealdade e inteligência, virtudes que ele soube cultivar até o fim da vida. Cresceu na sua terra natal, estudando e trabalhando com o pai, sem demonstrar uma vocação maior, mesmo freqüentando regularmente a igreja.
Aos dezoito anos foi para São Germano, trabalhar com um tio comerciante, mas não se adaptou. Em 1535, aceitou o convite para ser o tutor dos filhos de uma nobre e rica família, estabelecida em Roma. Nessa cidade foi estudar com os agostinianos, filosofia e teologia, diplomando-se em ambas com louvor. No tempo livre praticava a caridade junto aos pobres e necessitados, atividade que exercia com muito entusiasmo e alegria, principalmente com os pequenos órfãos de filiação ou de moral.

Filipe começou a chamar a atenção do seu confessor, que lhe pediu ajuda para fundar a Confraternidade da Santíssima Trindade, para assistir os pobres e peregrinos doentes. Três anos depois, aos trinta e seis anos de idade, ele se consagrou sacerdote, sendo designado para a igreja de São Jerônimo da Caridade.

Tão grande era a sua consciência dos problemas da comunidade que formou um grupo de religiosos e leigos para discutir os problemas, rezar, cantar e estudar o Evangelho. A iniciativa deu tão certo que depois o grupo, de tão numeroso, passou à Congregação de Padres do Oratório, uma ordem secular sem vínculos de votos.

Filipe se preocupou somente com a integração das minorias e a educação dos meninos de rua. Tudo o que fez no seu apostolado foi nessa direção, até mesmo utilizar sua vasta e sólida cultura para promover o estudo eclesiástico. Com seu exemplo e orientação, encaminhou e orientou vários sacerdotes que se destacaram na história da Igreja e depois foram inscritos no livro dos santos.
Mas somente quando completou setenta e cinco anos passou a dedicar-se totalmente ao ministério do confessionário e à direção espiritual. Viveu assim até morrer, no dia 26 de maio de 1595. São Filipe Néri é chamado, até hoje, de "santo da alegria e da caridade".

Fonte: http://www.paulinas.org.br/diafeliz/santo.aspx?Dia=26&Mes=5

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Teologia Ascética e Mística: Da Parte da Santíssima Virgem, dos santos e dos anjos na vida cristã (Parte VI)

À confiança juntaremos o amor, amor filial, cheio de candura, simplicidade, ternura e generosidade. Mas é seguramente a mais amável das mães, pois que tendo-A Deus destinado para ser Mãe de seu Filho, lhe deu todas as qualidades que tornam uma pessoa amável: a delicadeza, a prudência, a bondade, a dedicação da mãe. E a mais amante, visto que o seu coração foi criado expressamente para amar um Filho-Deus e amá-lo com a possível perfeição. Ora esse amor que Ela tinha para com seu Filho, traspassa-o para nós que somos membros vivos desse divino Filho, sua extensão e complemento. E assim, esse amor resplandece no mistério da Visitação, em que Ela se apressa a levar a sua prima Isabel aquele Jesus que recebeu em seu seio e que, só pela sua presença, santifica toda a casa; nas bodas de Caná, onde, atenta a tudo o que se passa, intervém junto de seu Filho, para evitar aos jovens esposo: uma dolorosa humilhação; no Calvário, onde consente em sacrificar o que tem de mais caro, para nos salvar; no Cenáculo, onde exercita o seu poder de intercessão, para obter aos Apóstolos maior abundância dos dons do Espírito Santo.

Se Maria é a mais amável e a mais amante das mães, deve ser também a mais amada. E, na verdade, é este um dos seus privilégios mais gloriosos; em toda a parte, onde Jesus é conhecido e amado, é-o também Maria. Não se separa a Mãe do Filho; e, sem jamais se esquecer a diferença entre um e outro envolvem-se na mesma afeição, posto que em grau diferente: ao Filho tributa-se o amor que é devido a Deus, a Maria, o que se deve à Mãe dum Deus: amor terno, generoso, dedicado mas subordinado ao amor de Deus. É amor de complacência, que se goza das grandezas, virtudes e prerrogativas de Maria, repassando-as amiúde pela memória, admirando-as, comprazendo-se nelas e dando-lhe o parabéns de a vermos tão perfeita. Mas é também amor e benevolência, que deseja sinceramente que o nome de Maria seja mais conhecido e amado, que ora para que se estenda a sua influência sobre as almas, e à oração ajunta a palavra e ação. É amor filial, cheio de ilimitada confiança e simplicidade, de ternura e dedicação, chegando até àquela intimidade respeitosa que a mãe permite a seu filho. É enfim e sobretudo amor de conformidade, que se esforça por conformar em todas as coisas a sua vontade com a de Maria e, por esse modo, com a de Deus, já que a união das vontades é o sinal, mais autêntico da amizade. É o que nos leva à imitação da Santíssima Virgem.

A imitação é, com efeito, a homenagem mais delicada que se lhe pode tributar; é proclamar não somente com palavras, senão com atos, que Ela é um modelo perfeito, cuja imitação é para nós suprema ventura. Já dissemos (n." 159) como, sendo Maria uma cópia viva de seu Filho, nos dá o exemplo de todas as virtudes. Aproximar-se dela é aproximar-se de Jesus; e por isso é que não podemos fazer nada mais excelente do que estudar as suas virtudes, meditá-Ias amiúde, esforçar-nos por as reproduzir.

Para melhor o alcançarmos, não podemos seguir método mais eficaz do que praticar todas e cada uma das nossas ações por Maria, com Maria e em Maria: per Ipsem ei cum Ipse, et in Ipsa¹. Por Maria, isto é, pedindo por meio dela as graças de que precisamos para a imitar, passando por Ela para ir a Jesus, ad lesum per Mariam.

Com Maria. isto é, considerando-A como modelo e colaboradora, perguntando-nos muitas vezes: Que faria a Mãe Santíssima, se estivesse em meu lugar?, e pedindo-lhe humildemente que nos auxilie a conformar as nossas ações com os seus desejos.

Em Maria na dependência desta boa Mãe, compenetrando-nos dos seus desígnios, das suas intenções, e fazendo as nossas ações, como Ela, para glorificar a Deus: Magnificat anima mea Dominum.

É com este espírito que havemos de recitar, em honra da Senhora, a Ave-Maria e o Angelus que lhe relembram a cena da Anunciação e o seu título de Mãe de Deus; o Sub tu um praesidium, que é o ato de confiança naquela que nos protege no meio de todos os nossos perigos; o Domina mea, que é o ato de entrega completa nas suas mãos, pelo qual lhe confiamos a nossa pessoa, as nossas ações e os nossos méritos; e sobretudo o Terço ou o Rosário, que, unindo-nos aos seus mistérios gozosos, dolorosos e gloriosos, nos permite santificar em união com Ela e com Jesus, as nossas tristezas e as nossas glórias. O Officíum Peroam da Santíssima Virgem é, para as pessoas que o podem recitar, o equivalente do Breviário, e relembra-lhes muitas vezes ao dia as grandezas, a santidade e a missão santificadora desta Boa Mãe.

 1 Era o piedoso exercício de M. Olier que S. Grignion de Monfort aperfeiçoou e tornou popular no Secret de Marie e no Traité de Ia Vraie dévotion à Ia Sainte Vierge

(Fonte: Compêndio de Teologia e Ascética e Mística - AD. Tanquerey - 1961)

25 de Maio - São Gregório VII, Papa e Confessor

São Gregório não só foi  uma das figuras  mais importantes entre os Papas da Igreja Católica, bem como foi extremamente caluniado e perseguido  durante seu pontificado. É uma das figuras que mais defendeu  os direitos da esposa de Cristo. 

O Século XI foi para a Igreja  um período de grande humilhação. Não fosse ela uma instituição divina, edificada sobre a rocha, os próprios filhos tê-la-iam destruído. 
O Clero superior e inferior, em sua maioria, tinha esquecido de sua alta missão. A simonia (tráfico ou venda ilícita de coisas sagradas), corrupção e indisciplina, tinham tomado conta dos altos e baixos setores da Igreja.   Freqüentíssimos escândalos, e os príncipes seculares, quais lobos famintos, invadiam o aprisco do Senhor. Os reis Filipe e Augusto I da França, Boleslau II da Polônia, Henrique IV, imperador da Alemanha, eram verdadeiros monstros de crueldade e imoralidade. A palma, porém, coube ao imperador, que em crueldade, devassidão e ambição não achava semelhante. 

Deus se amerciou de sua Igreja e deu-lhe um Papa, como as circunstâncias o exigiam. Foi no ano de 1073 que Hildebrando  (depois cognominado Gregório VII), assumiu a suprema dignidade papal. Ao receber essa notícia, São Pedro Damião, contentíssimo exclamou: "Agora será calcada a cabeça miliforme  da serpente peçonhenta, e será posto  um termo aos negócios torpes; o falsário Simeão Mago não mais cunhará moedas na Igreja; voltará ao tempo áureo dos Apóstolos, revigorará  a disciplina eclesiástica, serão derrubadas as mesas dos vendilhões..."

Gregório convocou o Concílio Lateranense e renovou as antigas leis da Igreja, que existiam, sobre o celibato dos sacerdotes, contra a simonia, e fez incorrer nas censuras eclesiásticas os bispos da França, que tinham rejeitado os decretos pontifícios, como impraticáveis e irrazoáveis. Dos bispos da Alemanha, só dois tiveram a coragem de aceitar e por em execução  as determinações do Papa. O mais descontente de todos foi o imperador da Alemanha, que pelas  proibições do Papa, se via prejudicado no negócio mais rentosos. Wiberto, arcebispo de Ravenna, ex-chanceler do imperador na Itália, promoveu uma conspiração contra o Papa. Na estação  da Missa da meia noite de Natal os conspiradores, chefiados por Cencio, invadiram a Igreja e apoderaram-se da pessoa do Papa, para levá-lo à prisão. O povo, porém, libertou seu Pastor e Cencio teria sido apedrejado, se Gregório não lhe tivesse generosamente perdoado.   

Um segundo Concílio foi realizado em 1075, confirmou as determinações anteriores e fez intimação ao imperador para que respondesse pelos seus crimes, sob pena de excomunhão. Henrique respondeu com um decreto elaborado por bispos alemães: "Falso monge, carregado de maldição de todos os bispos e condenado pelo nosso tribunal, desce e renuncia à cadeia apostólica, indignamente usurpada". 

Gregório, em vez de descer, lançou excomunhão  contra Henrique e os Prelados rebeldes. Os príncipes da Alemanha, há muito cansados da tirania e arbitrariedade do imperador, reunidos na Dieta de Tribur (1076), declararam-no deposto pelo prazo de um ano, caso não procurasse ser absolvido da excomunhão, tendo-lhe sido decretado que comparecesse à grande Dieta de Augsburgo, na qual devia justificar-se diante do Papa e da nação, com audiência marcada para 02 de fevereiro de 1077. Proibiram-no que se ausentasse da Alemanha antes da celebração da Dieta. Para evitar a humilhação de ser deposto, onde às claras iriam lhe expor seus crimes, tratou de clandestinamente obter a absolvição da excomunhão, dirigindo-se ao castelo da princesa Matilde, em Canossa, onde estava o Papa Gregório.  Em traje penitente, permaneceu descalço por três dias  em período de rigoroso inverno, esperando obter audiência do Papa, que negou-se a recebê-lo por saber que deveria apresentar-se à Dieta. Entretanto, graças às instâncias da condessa Matilde, acabou cedendo e recebeu Henrique, que aceitou as condições impostas mediante juramento, motivo pelo qual foi absolvido e recebeu a Sagrada Comunhão.  Mal saíra de Canossa, esquecendo-se das promessas, aliou-se aos príncipes e bispos inimigos do Papa e, uma vez na Alemanha, moveu guerra contra seus adversários. Reuniu um concílio de bispos rebeldes  em Mogúncia (1080), os quais elegeram papa o bispo Wiberto de Ravenna, que tomou o nome de Clemente III.  Rodolfo de Suábia, pereceu na batalha de Volksheim e Henrique marchou sobre Roma, para tirar vingança do Papa. Só depois de um assédio de dois anos, tomou a cidade, onde recebeu a corôa imperial das mãos do antipapa. Gregório retirou-se para Salermo, onde morreu em 25 de maio de 1085. As últimas palavras foram: "Amei a Justiça e odiei a iniqüidade, eis porque morro no exílio".

Henrique não foi feliz com as conquistas. Graves distúrbios chamaram-no para a Alemanha onde achou os filhos em franca rebelião contra o pai. Perseguido e amaldiçoado pelos filhos, Henrique teve um fim triste, ao passo que Deus glorificou por estupendos milagres o túmulo do seu fiel servo Gregório.

Fonte: http://www.paginaoriente.com/santos/greg72505papa.htm