sábado, 30 de junho de 2012

1º de Julho - FESTA DO PRECIOSÍSSIMO SANGUE DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO






(Paramentos Vermelhos)
Instituida em 1489 pelo papa Pio IX em ação de graças pela vitória alcançada pelos exércitos franceses e pontifícios sobre a revolução, que expulsara de Roma o Pontífice, o Festa do Preciosíssimo Sangue foi elevada ao rito de 1ª Classe por Pio XI, por ocasião da Celebração dos 1900 anos de aniversário da Morte do Santíssimo Salvador.
Deixando de Parte as circunstâncias particulares que motivaram a instituição da festa, a liturgia desta nos coloca sobre a recordação, sobretudo das graças de que somos devedores ao preciosíssimo Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo. Para além da tragédia do Calvário e do golpe da lança que feriu o lado de Jesus, procura fazer-nos compreender sobretudo o alcance de todo esse mistério de um Deus padecente envolvendo a salvação de nossas almas. Com profundo sentimento de Ação de Graças, rodeemos de veneração e de amor o Preciosíssimo Sangue de Jesus, que o Sacerdote oferece a Deus no altar.


Epístola da Festa:

Leitura da Epístola de São Paulo Apóstolo aos Hebreus: Irmãos,  já veio Cristo, Sumo Sacerdote dos bens vindouros. E através de um tabernáculo mais excelente e mais perfeito, não construído por mãos humanas (isto é, não deste mundo), sem levar consigo o sangue de carneiros ou novilhos, mas com seu próprio sangue, entrou de uma vez por todas no santuário, adquirindo-nos uma redenção eterna. Pois se o sangue de carneiros e de touros e a cinza de uma vaca, com que se aspergem os impuros, santificam e purificam pelo menos os corpos, quanto mais o sangue de Cristo, que pelo Espírito eterno se ofereceu como vítima sem mácula a Deus, purificará a nossa consciência das obras mortas para o serviço do Deus vivo? Por isso ele é mediador do novo testamento. Pela sua morte expiou os pecados cometidos no decorrer do primeiro testamento, para que os eleitos recebam a herança eterna que lhes foi prometida.

Leitura do Evangelho da Festa:

Continuação do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João: Naquele tempo, Havendo Jesus tomado do vinagre, disse: Tudo está consumado. Inclinou a cabeça e rendeu o espírito. Os judeus temeram que os corpos ficassem na cruz durante o sábado, porque já era a Preparação e esse sábado era particularmente solene. Rogaram a Pilatos que se lhes quebrassem as pernas e fossem retirados. Vieram os soldados e quebraram as pernas do primeiro e do outro, que com ele foram crucificados. Chegando, porém, a Jesus, como o vissem já morto, não lhe quebraram as pernas, 34. mas um dos soldados abriu-lhe o lado com uma lança e, imediatamente, saiu sangue e água. O que foi testemunha desse fato o atesta (e o seu testemunho é digno de fé, e ele sabe que diz a verdade), a fim de que vós creiais.



Lefebvre, Dom Gaspar. Missal Quotidiano e Vesperal. Bruges, Bélgica; Abadia de S. André, 1960.

Nossa Senhora do Sábado: Nossa Senhora das Três Mãos

É muito interessante essa devoção à Virgem das Três Mãos, cujo culto nasceu de um ícone milagroso da Mãe de Deus, que teria intercedido em um milagre alcançado por São João Damasceno, no século VIII.

Considerado o último dos Santos Padres Orientais, mais tarde declarado Doutor da Igreja, passou sua vida inteira sob o governo de um Califa muçulmano. João nasceu numa família cristã, em 675, em Damasco, Síria. Nessa época as duas religiões ainda conviviam em relativa paz. Tanto, que seu pai, um cristão fervoroso, era um alto funcionário do Califa, o qual aprendeu a respeitar a sabedoria do pequeno João e acabou lhe dedicando uma sincera amizade. Devido a sua cidade natal, na juventude João era chamado de "o Damasceno" e se tornou um influente sacerdote da Igreja cristã da Síria. Foi um dos maiores e fortes defensores do culto das imagens sagradas no difícil período dos hereges iconoclastas. Mesmo atacando abertamente o governo muçulmano, sempre foi protegido das vinganças, pelo próprio Califa.

Diz a tradição, que insuflado por uma mentira que tornava João Damasceno um conspirador do governo, o Califa se sentiu traído pelo velho amigo. Por isso, ordenou que lhe cortasse a mão direita, conforme a lei muçulmana. João Damasceno, porém, profundo devoto de Maria, rezou com toda fé diante do seu ícone. No dia seguinte, a mão estava recolocada no lugar. Como prova de sua gratidão, ele pendurou uma mão de prata no ícone e mandou pintar um novo com esta mão votiva, diante do qual passou a fazer suas orações. Assim surgiu o ícone da "Virgem das Três Mãos" e sua devoção. Ao logo dos tempos o seu culto se difundiu e muitas cópias surgiram nos mosteiros e igrejas cristãs do Oriente.

No século XIII, São Sabas, filho de Estêvão I, fundador da dinastia e do Estado independente da Sérvia, antes de se retirar para o mosteiro do Monte Athos, esteve em Jerusalém e levou para seu país um ícone de Nossa Senhora das Três Mãos, para ser venerado na Catedral da capital Sófia. Mais tarde, seu pai abdicou o trono e se recolheu à vida religiosa. Então, juntos decidiram fundaram um mosteiro para os sérvios em Kilandar, chamado "Mosteiro da Santíssima Mãe de Deus" ou "Casa da Santíssima Mãe de Deus de Kilandar", um reconhecido centro religioso e cultural.

Em 1459, a Sérvia ficou completamente sob o domínio dos turcos muçulmanos. O ícone venerado em Sófia foi transferido para o Mosteiro de Kilandar, local que deu origem à outra tradição cristã. No início do século XVII, certo dia, os monges desse Mosteiro não conseguiam entrar em acordo para eleger o novo guia espiritual. Por isso, a Senhora das Três Mãos teria descido do altar para assumir essa função e comunicado os monges através de uma visão à um dos mais velhos. Daquela época em diante os religiosos de Kilandar rendem à Virgem das Três Mãos todas as honras devidas, especialmente no dia 28 de junho sua festa anual.

Com base nessas e outras tradições, a terceira mão que aparece no ícone foi interpretada como: mão auxiliadora da Mãe de Deus que sempre intercede pelos fiéis junto ao Senhor

Fonte: Paulinas

30 de junho - Comemoração de São Paulo, Apóstolo

Depois de sublinhar as prerrogativas de Pedro, a Santa Igreja, que nunca separa a comemoração dos dois Apóstolos, recorda-nos hoje  o papel particularissimo que São Paulo desempenhouna conversão dos gentios. Não esqueçamos que devemos a São Paulo, além da expansão do Evangelho por todo o mundo romano, as suas exposições magnificas de doutrina, que formam quase todas as espístolas das missas.

Epístola

Leitura da Epístola de São Paulo Apóstolo aos Gálatas (1,11-20). Irmãos: Asseguro-vos, irmãos, que o Evangelho pregado por mim não tem nada de humano. Não o recebi nem o aprendi de homem algum, mas mediante uma  revelação de Jesus Cristo. Certamente ouvistes falar de como outrora eu vivia no judaísmo, com que excesso perseguia a Igreja de Deus e a assolava;  avantajava-me no judaísmo a muitos dos meus companheiros de idade e nação, extremamente zeloso das tradições de meus pais. Mas, quando aprouve àquele que me reservou desde o seio de minha mãe e me chamou pela sua graça, para revelar seu Filho em minha pessoa, a fim de que eu o tornasse conhecido entre os gentios, imediatamente, sem consultar a ninguém, sem ir a Jerusalém para ver os que eram apóstolos antes de mim, parti para a Arábia; de lá regressei a Damasco. Três anos depois subi a Jerusalém para conhecer Cefas, e fiquei com ele quinze dias. Dos outros apóstolos não vi mais nenhum, a não ser Tiago, irmão do Senhor. Isto que vos escrevo - Deus me é testemunha -, não o estou inventando.

Evangelho do dia:

Leitura do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus (10, 16-22): Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: Eu vos envio como ovelhas no meio de lobos. Sede, pois, prudentes como as serpentes, mas simples como as pombas. Cuidai-vos dos homens. Eles vos levarão aos seus tribunais e açoitar-vos-ão com varas nas suas sinagogas. Sereis por minha causa levados diante dos governadores e dos reis: servireis assim de testemunho para eles e para os pagãos. Quando fordes presos, não vos preocupeis nem pela maneira com que haveis de falar, nem pelo que haveis de dizer: naquele momento ser-vos-á inspirado o que haveis de dizer. Porque não sereis vós que falareis, mas é o Espírito de vosso Pai que falará em vós. O irmão entregará seu irmão à morte. O pai, seu filho. Os filhos levantar-se-ão contra seus pais e os matarão. Sereis odiados de todos por causa de meu nome, mas aquele que perseverar até o fim será salvo.

Lefebvre, Dom Gaspar. Missal Quotidiano e Vesperal. Bruges, Bélgica; Abadia de S. André, 1960.

quinta-feira, 28 de junho de 2012

29 DE JUNHO - FESTA DOS SANTOS APÓSTOLOS PEDRO E PAULO - COLUNAS DA IGREJA UNA, SANTA CATÓLICA E APOSTÓLICA










Elias, O Profeta

Toda a Igreja está em festa neste dia "consagrado pelo martírio dos Apóstolos Pedro e aulo". Nas duas grandes basílicas que se elevam em Roma sobre o túmulo destes dois príncipes " que pela cruz e pela espada conquistaram lugar de honrar no senado da vida eterna" celebrava-se outrora um duplo sacrifício. Mais tarde, por causa da grande distância que separava as duas Igrejas cindiu-se a festa e consagrou-se o dia 29 especialmente a São Pedro e o dia 30 a São Paulo. A missa de hoje dá particular relevo às prerrogativas de São Pedro, a proteção especialíssima que Deus lhe dispensou e a confiança que a Igreja deposita na intercessão dos dois grandes apóstolos a quem deve a origem. Ao cantar "tu é Petrus" sabem todos que as prerrogativas do príncipe dos apóstolos continuam na pessoa dos pontífices, sucessores dele e da sede de Roma e que pode confiar numa providência particularíssima de Deus sobre o vigário de Cristo, o qual preside na hora atual os destinos da Igreja.
Celebremos pois com grande alegria a festas destas duas colunas da nossa amada Igreja católica. Neste momento em que a Igreja e o mundo ocidental passam por uma crise terrível de fé, moral e ética, não podemos nos desanimar e ser levados por correntes contrária a fé que o próprio Deus nos depositou. Muitos são os ataques à Igreja de Cristo na Terra. Recordo-vos pois que estes ataques acompanham a Igreja desde sua origem à dois mil anos atrás. Atacaram e continuam atacando a divindade de Cristo, a virgindade perpétua da santíssima Virgem e muitas outras verdades de fé, que a Igreja para preservar a pureza de sua doutrina teve que organizar Concílios durante estes vinte séculos de cristianismo. Os ataques chegam a tamanho absurdo que muitos dizem que o Papa não é uma hierarquia instituída pelo Senhor negando pois a passagem do evangelho "Tu és Pedro e sobre esta pedra erguerei a minha Igreja, e as portas do inferno jamais prevalecerão contra ela. Te dou as chaves do reino dos Céus, tudo o que ligares na terra será ligado nos céus e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus" (Mt 16,18-19). Meus caros irmãos, poderia citar muitas outras passagens em que Jesus colocou São Pedro em uma posição Hierárquica acima dos demais apóstolos mudando o nome do apóstolo Simão para Pedro (Céfas que significa rocha). Preferível é, pois, confiar os que estão nas trevas do erro nas mãos do Espírito Santo. Deus nosso Senhor continue iluminando sua Igreja para que seja a porta do céu de seu reino aos homens. Amém.

Epístola

Leitura dos Atos dos Apóstolos (12,1-11): Naquele tempo: Por aquele mesmo tempo, o rei Herodes mandou prender alguns membros da Igreja para os maltratar. Assim foi que matou à espada Tiago, irmão de João. Vendo que isto agradava aos judeus, mandou prender Pedro. Eram então os dias dos pães sem fermento. Mandou prendê-lo e lançou-o no cárcere, entregando-o à guarda de quatro grupos, de quatro soldados cada um, com a intenção de apresentá-lo ao povo depois da Páscoa. Pedro estava assim encerrado na prisão, mas a Igreja orava sem cessar por ele a Deus. Ora, quando Herodes estava para o apresentar, naquela mesma noite dormia Pedro entre dois soldados, ligado com duas cadeias. Os guardas, à porta, vigiavam o cárcere. De repente, apresentou-se um anjo do Senhor, e uma luz brilhou no recinto. Tocando no lado de Pedro, o anjo despertou-o: Levanta-te depressa, disse ele. Caíram-lhe as cadeias das mãos. O anjo ordenou: Cinge-te e calça as tuas sandálias. Ele assim o fez. O anjo acrescentou: Cobre-te com a tua capa e segue-me. Pedro saiu e seguiu-o, sem saber se era real o que se fazia por meio do anjo. Julgava estar sonhando. Passaram o primeiro e o segundo postos da guarda. Chegaram ao portão de ferro, que dá para a cidade, o qual se lhes abriu por si mesmo. Saíram e tomaram juntos uma rua. Em seguida, de súbito, o anjo desapareceu. Então Pedro tornou a si e disse: Agora vejo que o Senhor mandou verdadeiramente o seu anjo e me livrou da mão de Herodes e de tudo o que esperava o povo dos judeus.


Evangelho do dia:

Leitura do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus (16,13-19): Naquele tempo: Chegando ao território de Cesaréia de Filipe, Jesus perguntou a seus discípulos: No dizer do povo, quem é o Filho do Homem? Responderam: Uns dizem que é João Batista; outros, Elias; outros, Jeremias ou um dos profetas. Disse-lhes Jesus: E vós quem dizeis que eu sou? Simão Pedro respondeu: Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo! Jesus então lhe disse: Feliz és, Simão, filho de Jonas, porque não foi a carne nem o sangue que te revelou isto, mas meu Pai que está nos céus. E eu te declaro: tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja; as portas do inferno não revalecerão contra ela. Eu te darei as chaves do Reino dos céus: tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus.


Lefebvre, Dom Gaspar. Missal Quotidiano e Vesperal. Bruges, Bélgica; Abadia de S. André, 1960.

Santo Ofício: A Heresia da Reencarnação

A fé da Igreja é a ressurreição dos mortos
"REENCARNAÇÃO OU RESSURREIÇÃO: UMA DECISÃO DE FÉ"
por Renold Blank
Em síntese: Renold Blank mostra os prós e contras da tese da REENCARNAÇÃO, que ele rejeita em favor da tese da ressurreição dos corpos. Esta, porém, é proposta de maneira destoante do pensamento da Igreja: não haveria distinção entre corpo e alma; por isto a ressurreição se daria logo após a morte do indivíduo. Embora o cadáver seja visível, R. Blank afirma que o corpo humano tem "dimensões" invisíveis que ressuscitam; mas não explica o que sejam essas "dimensões invisíveis". Quanto ao purgatório, é assemelhado a uma conversão que ocorre logo após a morte ou, como diz, "na morte".
O Prof. Renold Blank da Pontifícia Faculdade de Teologia de São Paulo, publicou um livro sobre "REENCARNAÇÃO e Ressurreição: Uma versão de Fé" (1), que tem merecido a atenção do público, pois propõe idéias novas e pessoais. Eis por que tal obra será analisada nas páginas subseqüentes.
(1) Ed. Paulus, São Paulo, 1995, 130 x 210 mm, 132 pp.
1. O conteúdo do livro
1.1. Duas premissas metodológicas
a) O autor parte da verificação de que a clássica concepção dos acontecimentos é causa de medo e angústias nos fiéis católicos, temerosos de comparecer perante um tribunal que definirá a sorte derradeira de cada ser humano;
b) A teologia deve adaptar-se à mentalidade científica moderna, que é dinâmica e não estática (como estáticas são certas proposições da clássica escatologia).
1.2.REENCARNAÇÃO
À clássica doutrina opõe-se a da REENCARNAÇÃO. R. Blank estuda minuciosamente os prós e os contras da teoria da REENCARNAÇÃO e conclui com posição desfavorável a esta, e, portanto, favorável à tese da ressurreição. Ver p. 59 deste fascículo, nota de rodapé.
1.3. O juízo particular
"Ultrapassando a morte clínica, a pessoa humana chega àquele limite a partir do qual já não é possível a reanimação... Agora o homem está na morte" (p. 106). Então, será apresentado ao indivíduo o filme da sua vida com toda a objetividade, para que a criatura possa julgar sua vida como Deus a julga. É a isto que se dá o nome de "juízo particular".
1.4. O Purgatório
Nesse mesmo momento ou "na morte", o indivíduo conceberá o arrependimento de suas faltas cometidas durante a sua vida terrestre, perfazendo como que uma nova conversão sustentada por especial graça de Deus (que a pessoa tanto pode aceitar como pode rejeitar, ficando então presa aos seus pecados). Essa conversão é o que se chama "purgatório".
1.5. Ressurreição corporal
Morre o indivíduo por inteiro, já que (conforme Blank) não existe alma separável do corpo. E, para que não haja hiato na existência da criatura, a ressurreição ocorre não no fim dos tempos, mas logo depois da morte.
Como se dará essa ressurreição, se todos podem ver o corpo reduzido a cadáver e levado à sepultura? - Renold responde que o nosso corpo tem dimensões visíveis e dimensões invisíveis. O que ressuscita, são as dimensões invisíveis do nosso corpo.
Eis como Blank propõe a ressurreição corporal:
A moderna Teoria Evolucionária do Conhecimento ensina que os nossos sentidos não nos ensinam de maneira fiel a respeito do nosso mundo. Este tem dimensões bem mais numerosas do que as que podemos conhecer através dos sentidos. Em conseqüência, lê-se à p. 129:
"A matéria tem muito mais dimensões do que as que podemos perceber com os nossos sentidos:
Como matéria, o corpo faz parte de todas estas dimensões.
Durante a vida, o ser humano só é capaz de captar as poucas dimensões corporais que conhecemos. Na morte, porém, Deus amplia as capacidades sensoriais da pessoa humana, de tal maneira que ela percebe todas essas outras dimensões do próprio corpo. Dimensões que sempre existiram, mas que a pessoa não era capaz de perceber.
Essa ampliação das capacidades sensoriais para além das dimensões materiais que até agora conhecemos, ligadas à possibilidade de usufruir de todas essas dimensões, nós as denominamos, em linguagem teológica: 'A ressurreição do corpo'."
Entre outras ficam abertas duas perguntas:
1)que significa a expressão "na morte"? É um instante ou são vários instantes?
2)que significam as dimensões móveis e invisíveis do corpo humano?
1.6. Otimismo e confiança
O autor não se detém no conceito de inferno. Ele tenciona despertar no leitor a confiança em Deus, que é Amor e Vida e criou o ser humano para fazê-lo participar da felicidade do próprio Deus, garantindo-lhe a vitória da vida sobre a morte. O final do livro responde assim à problemática proposta no início do mesmo.
Pergunta-se agora:
2. Que dizer?
Proporemos seis considerações.
2.1. Metodologia
É estranha a insistência do autor em adaptar os conceitos da fé ao pensamento moderno. A verdade não muda de acordo com as épocas da história. Nem por isto a verdade religiosa entra em conflito com as teses da ciência contemporânea. O Credo bem entendido jamais se oporá à ciência bem entendida.
2.2. Corpo e alma
O corpo é material; a alma humana é espiritual; portanto distinguem-se entre si ([1]); todavia não se opõem entre si como se a matéria fosse má e o espírito bom (o que seria o dualismo). São complementares entre si, como homem e mulher, perfazendo uma dualidade.Portanto, para escapar do dualismo, não é necessário cair no monismo; existe o meio-termo, que é a dualidade.
A não-distinção entre corpo e alma leva R. Blank a admitir a ressurreição logo depois da morte para que não haja hiato ou ruptura na existência do indivíduo. Esta tese contraria a doutrina bíblica, que propõe a ressurreição "no último dia" (cf. Jo 6, 44.54; 1Cor 15, 21-23; 1Ts 4, 17). Em verdade, por ocasião da morte a alma se separa do corpo e sobrevive na sua sorte definitiva, aguardando a ressurreição dos corpos no último dia.
2.3. Tempo e eternidade
Dizíamos "aguardando...". Com efeito, a alma humana, ao sair do tempo, não entra na eternidade; esta é privativa de Deus só, o único Ser que não tem começo nem fim. A alma humana tem começo, mas não terá fim; a sua duração portanto, não pode ser a eternidade, mas é o evo, que é o meio-termo entre tempo e eternidade, conforme o esquema seguinte:
- tempo:duração que tem começo e fim (dia, noite, semana, mês, ano...)
- evo:duração que tem começo, mas não tem fim (alma humana, anjo)
- eternidade:duração sem começo e sem fim (Deus só).
2.4. Ressurreição
A reunião de alma e corpo ocorrerá no fim dos tempos, como ensina a Escritura. O Senhor Deus não terá que catar os resquícios do cadáver já totalmente decomposto, mas bastará que una à alma o que se chama em Filosofia "matéria prima", para que a alma, como princípio vital, imprima a essa matéria os traços característicos do respectivo corpo. Eis o que se pode dizer em linguagem sóbria e segura. A teoria de Blank joga com as expressões "dimensões visíveis e dimensões invisíveis", que são vagas e pouco significativas.
A não poucos estudiosos a idéia de uma alma separada do corpo parece contrariar o senso comum. - Respondemos:
A tese da ressurreição escapa ao âmbito da filosofia ou da razão; é dom de Deus, que tem de ser aceito como ele é manifestado pelo próprio Deus; ora as Escrituras dão claro e explícito testemunho de que a ressurreição não ocorre logo após a morte, mas sim no fim dos tempos (ver textos citados atrás). Ademais a alma humana, sendo espiritual, pode estar lúcida e consciente mesmo fora do corpo, ver PR 477/1999, pp. 368ss.
2.5. Purgatório
Eis como R. Blank apresenta o purgatório:
"Depois da morte, cada ser humano precisa de um processo de evolução para reunir e completar os fragmentos de sua própria vida... A doutrina cristã propõe... um processo evolutivo qualitativamente novo. Esse processo recebe tradicionalmente o nome de 'purgatório'" (p. 112).
Ou mais explicitamente:
"O purgatório nada tem que ver com as imagens medievais de uma câmara cósmica de torturas. O nome 'purgatório' designa um processo dinâmico e central que acontece no momento exato do primeiro encontro da criatura com Deus. Ao longo desse processo a pessoa humana pode evoluir de tal maneira que possa chegará plenitude da vida" (p. 117).
Os dizeres de Blank parecem confusos. Com efeito, como conciliar "um momento exato" com "um processo evolutivo"? O processo, como diz a etimologia do nome, importa sucessivos momentos. Como equivalente, o autor usa freqüentemente a expressão "na morte" (p. 116, por exemplo, duas vezes), furtando-se a definir se se trata de um ou de vários momentos.
- o primeiro encontro da criatura com Deus não implica a visão face-a-face, mas um encontro com o juízo de Deus;
- à p. 118 está dito que o processo evolutivo importa "a necessidade de perdoar e pedir perdão a todos os irmãos e irmãs contra os quais a pessoa humana se tomou culpada". - Pergunta-se: como é que, depois da morte, pode alguém pedir perdão aos irmãos e irmãs sobreviventes na Terra?
- a conversão póstuma de que fala Blank, não pode ser a passagem do pecado grave ao amor de Deus. pois é certo que a morte nos estabilizará definitivamente em nossa última poção anterior à morte. O que no purgatório ocorre, é a purificação do amor da criatura voltado para Deus, mas ainda contraditado por más tendências que não podem subsistir na bem-aventurança celeste. O repúdio ao resquício de pecado e ao dito "pecadinho" seja total para poder permitir à alma entrar na visão beatífica dentro do menor prazo possível. Nada tem a ver com fogo.
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2.6. Amor e temor
Não há dúvida, a imaginação dos cristãos explanou a temática dos últimos fins em tom apavorante ou dantesco, provocando a repulsa de muitos pensadores, que julgam encontrar na teoria da REENCARNAÇÃO uma opção mais digna. Ora também esta é fantasiosa: carece de fundamento. Para escapar das elucubrações imaginosas da literatura popular, não é necessário criar novas teorias, mas basta depurar a clássica doutrina do que lhe acrescentaram de dantesco. Veja-se a respeito o Curso de Escatologia editado pela Escola "Mater Ecclesiae" (O P. 1362, 20001-970, Rio, RJ). Sobre os últimos acontecimentos a fé transmite com sobriedade noções que suscitam confiança inabalável naquele que primeiro nos amou (cf. 1 Jo 4, 19). O cristão vê nos últimos acontecimentos a consumação de uma caminhada que pode ter seus altos e baixos, mas que procura ser sincera com Deus, evitando o pecado consciente e deliberado. Quem aceita o "risco" de se entregar generosamente a Deus, verá dissipar-se o temor em favor do amor confiante e filial; Deus não se deixa vencer em generosidade.
Blank reconhece o amor de Deus, mas acrescenta-lhe noções arbitrárias, que destoam da doutrina oficial da Igreja, como se pode depreender do documento que vai, a seguir, registrado.
3. A Palavra Oficial da Igreja
Aos 17/05/1979 foi promulgada uma Declaração da Congregação para a Doutrina da Fé, que incute a distinção entre corpo e alma. Eis as suas afirmações principais:
"Esta Sagrada Congregação, que tem a responsabilidade de promover e defender a doutrina da fé, propõe-se hoje recordar aquilo que a Igreja ensina, em nome de Cristo, especialmente quanto ao que sobrevém entre a morte do cristão e a ressurreição universal:
1)A Igreja crê é numa ressurreição dos mortos (cf. Símbolo dos Apóstolos).
2)A Igreja entende esta ressurreição referida ao homem todo; esta, para os eleitos, não é outra coisa se não a extensão, aos homens, da própria ressurreição de Cristo.
3)A Igreja afirma a sobrevivência e a subsistência, depois da morte, de um elemento espiritual, dotado de consciência e de vontade, de tal modo que o eu humano subsista, ainda que sem corpo. Para designar esse elemento, a Igreja emprega a palavra alma, consagrada pelo uso que dela fazem a S. Escritura e a Tradição. Sem ignorar que este termo é tomado na Bíblia em diversos sentidos, Ela julga, não obstante, que não existe qualquer razão séria para o rejeitar e considera mesmo ser absolutamente indispensável um instrumento verbal para sustentar a fé dos cristãos.
4)A Igreja exclui todas as formas de pensamento e de expressão que, se adotadas, tornariam absurdas ou ininteligíveis a sua oração, os seus ritos fúnebres e o seu culto dos mortos, realidades que, na sua substância, constituem lugares teológicos (2) .
5)A Igreja, em conformidade com a Sagrada Escritura, espera a gloriosa manifestação de Nosso Senhor Jesus Cristo (cf. Constituição Dei Verbum 14), que Ela considera como distinta e diferida em relação àquela condição própria do homem imediatamente após a morte.
6)A Igreja, ao expor sua doutrina sobre a sorte do homem após a morte, exclui qualquer explicação que tire o sentido à Assunção de Nossa Senhora naquilo que ela tem de único, ou seja, o fato de ser a glorificação corporal da Virgem Santíssima uma antecipação da glorificação que está destinada a todos os outros eleitos.
7) A Igreja, em adesão fiel ao Novo Testamento e à Tradição, acredita na felicidade dos justos que estarão um dia com Cristo. Ao mesmo tempo Ela crê numa pena que há de castigar para sempre o pecador que for privado da visão de Deus, e ainda na repercussão dessa pena em todo o ser do mesmo pecador. E, por fim, Ela crê existir para os eleitos uma eventual purificação prévia à visão de Deus, a qual no entanto é absolutamente diversa da pena dos condenados. É isto que a Igreja entende quando Ela fala de inferno e de purgatório".
(2) Lugares teológicos são fontes das quais a teologia tira seus princípios (N.d.R.).
Nesta Declaração chamam-nos a atenção especialmente
- o item 3: afirma a separação do corpo e alma na morte e a subsistência, sem corpo, da alma humana, elemento espiritual, dotado de inteligência e vontade (núcleo da personalidade);
- os itens 5 e 6: ensinam que não coincidem entre si a hora da morte de cada indivíduo e a parusia ou manifestação final de Jesus Cristo. Se alguém morrer hoje, não creia que assistirá imediatamente ao fim do mundo, alegando que, após a morte não há futuro nem passado. A ausência de futuro e passado ou o regime da eternidade é de Deus só. A criatura que deixa este mundo, emancipa-se do tempo, mas não passa a viver o regime da eternidade; a sua duração será medida pelo EVOou por uma sucessão de atos psicológicos;
- o item 7 professa a fé na existência do céu (com sua ante-câmara que é o purgatório) e do inferno, sendo este a perda da visão de Deus, punição que o pecador inflige a si mesmo, caso diga um Não consciente e voluntário ao Bem Infinito preterido em favor de ídolos (dinheiro, prazer, glória...).
Dom Estêvão Bettencourt (OSB)

Fonte: Pergunte e Responderemos

28 de Junho - Vigília dos Apóstolos Pedro e Paulo

Graffiti do século IV em uma catacumba romana.
Celebramos amanhã a festa dos dois apóstolos, que são o fundamento sobre o qual o Senhor uis estabelecer a Igreja como sobre a rocha firme de que nos fala o Evangelho de hoje. Pedro recebeu de Jesus o múnus de Pastor e deu a vida pela Igreja. Paulo seguiu o príncipe dos Apóstolos no caminho do martírio.

Epístola

Leitura dos Atos dos Apóstolos (3,1-10): Naquele tempo: Pedro e João iam subindo ao templo para rezar à hora nona. Nisto levavam um homem que era coxo de nascença e que punham todos os dias à porta do templo, chamada Formosa, para que pedisse esmolas aos que entravam no templo. Quando ele viu que Pedro e João iam entrando no templo, implorou a eles uma esmola. Pedro fitou nele os olhos, como também João, e disse: Olha para nós. Ele os olhou com atenção esperando receber deles alguma coisa. Pedro, porém, disse: Não tenho nem ouro nem prata, mas o que tenho eu te dou: em nome de Jesus Cristo Nazareno, levanta-te e anda! E tomando-o pela mão direita, levantou-o. Imediatamente os pés e os tornozelos se lhe firmaram. De um salto pôs-se de pé e andava. Entrou com eles no templo, caminhando, saltando e louvando a Deus. Todo o povo o viu andar e louvar a Deus. Reconheceram ser o mesmo coxo que se sentava para mendigar à porta Formosa do templo, e encheram-se de espanto e pasmo pelo que lhe tinha acontecido.

Evangelho do dia:

Leitura do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João (21,15-19): Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: Tendo eles comido, Jesus perguntou a Simão Pedro: Simão, filho de João, amas-me mais do que estes? Respondeu ele: Sim, Senhor, tu sabes que te amo. Disse-lhe Jesus: Apascenta os meus cordeiros. Perguntou-lhe outra vez: Simão, filho de João, amas-me? Respondeu-lhe: Sim, Senhor, tu sabes que te amo. Disse-lhe Jesus: Apascenta os meus cordeiros. Perguntou-lhe pela terceira vez: Simão, filho de João, amas-me? Pedro entristeceu-se porque lhe
perguntou pela terceira vez: Amas-me?, e respondeu-lhe: Senhor, sabes tudo, tu sabes que te amo. Disse-lhe Jesus: Apascenta as minhas ovelhas. Em verdade, em verdade te digo: quando eras mais moço, cingias-te e andavas aonde querias. Mas, quando fores velho, estenderás as tuas mãos, e outro te cingirá e te levará para onde não queres. Por estas palavras, ele indicava o gênero de morte com que havia de glorificar a Deus. E depois de assim ter falado, acrescentou: Segue-me!


Lefebvre, Dom Gaspar. Missal Quotidiano e Vesperal. Bruges, Bélgica; Abadia de S. André, 1960.

28 de Junho - Santo Irineu, Bispo e Mártir

28 do junho

Santo Irineu nasceu por volta do ano 130/135, provavelmente em Esmirna, na Ásia Menor. Pacificador de nome e de fato, pois o nome "Ireneu" vem do grego e significa pacífico e pacificador, como também significa "paz". Era chamado: Zelador do Testamento de Cristo, tendo vivido na época dilacerada por heresias que colocavam em risco a unidade da Igreja na fé.

Ele aconselhou ao Papa Vítor, respeitosamente a não excomungar as Igrejas da Ásia que não queriam celebrar a Páscoa na mesma data das outras comunidades cristãs. Este homem ponderado se aproximou dos bispos das outras comunidades cristãs para o triunfo da concórdia e da unidade, sobretudo exortando que se mantivessem ancorados na tradição apostólica para combater o racionalismo gnóstico.

Foi discípulo de São Policarpo - que havia conhecido pessoalmente o Apósto São João e outras testemunhas oculares de Jesus - Santo Ireneu foi sem dúvida o escritor cristão mais importante do século II. De seus escritos nos restam intactos os cinco livros do Contra os hereges, nos quais Ireneu aparece não só como o teólogo equilibrado e penetrante da Encarnação redentora, mas também como um dos pastores mais completos que serviram a Igreja.
Foi para Lião onde sucedeu no ano 718, ao nonagenário bispo e mártir, São Fotino, e governou a Igreja de Lião até a morte. Foi uma verdadeira testemunha de fé num período de dura perseguição para a Igreja; seu campo de ação foi muito vasto.
Sua morreu ocorreu no ano 200


Fonte: ACI Digital

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Catecismo Romano: Revisão da primeira parte do Catecismo (O Credo) VI

CAPÍTULO X

Do nono artigo do Credo

Então os apóstolos e presbíteros, de acordo com toda a Igreja, resolveram escolher alguns homens e enviá-los a Antioquia com Paulo e Barnabé; escolheram Judas, chamado Barsabás, e Silas, homens influentes entre os irmãos. Por seu intermédio enviaram a seguinte carta: Os irmãos, os apóstolos e presbíteros saúdam os irmãos de Antioquia, Síria e Cilícia, convertidos dentre os pagãos. Chegou ao nosso conhecimento que alguns dos nossos vos têm perturbado com palavras, confundindo vossas mentes, sem nenhuma autorização de nossa parte. Por isso resolvemos, de comum acordo, enviar-vos alguns homens escolhidos, em companhia de nossos amados Barnabé e Paulo, que expuseram suas vidas pelo nome de Nosso Senhor Jesus Cristo. Estamos enviando Judas e Silas para vos comunicar de viva voz as mesmas coisas. Pareceu bem ao Espírito Santo e a nós não vos impor nenhuma outra exigência além das necessárias: que vos abstenhais das carnes imoladas aos ídolos, do sangue, das carnes sufocadas e da prostituição. Procedereis bem evitando estas coisas.* Passai bem .

Atos 15, 22-29

§ 1o - Da Igreja em geral

142) Que nos ensina o nono artigo do Credo: creio na Santa Igreja Católica; na Comunhão
dos Santos?


O nono artigo do Credo ensina-nos que Jesus Cristo fundou sobre a terra unia sociedade visível, a qual se chama Igreja Católica, e que todas as pessoas que fazem parte desta Igreja estão em comunhão entre si.

143) Por que, depois do artigo que trata do Espírito Santo, fala-se imediatamente da
Igreja Católica?


Depois do artigo que trata do Espírito Santo, fala-se imediatamente da Igreja Católica, para indicar que toda a santidade da mesma Igreja procede do Espírito Santo, que é o autor de toda a santidade.

144) Que quer dizer esta palavra Igreja?

A palavra Igreja quer dizer convocação ou reunião de muitas pessoas.

145) Quem nos convocou ou chamou para a Igreja de Jesus Cristo?

Nós fomos chamados para a Igreja de Jesus Cristo por uma graça particular de Deus, a fim de que, com a luz da fé e pela observância da lei divina, Lhe prestemos culto devido, e cheguemos à vida eterna.

146) Onde se encontram os membros da Igreja?

Os membros da Igreja encontram-se parte no Céu, e formam a Igreja triunfante; parte no Purgatório, e formam a Igreja padecente; parte na terra, e formam a Igreja militante.

147) Estas diversas partes da Igreja constituem uma só Igreja?

Sim, estas diversas partes (la Igreja constituem uma só Igreja e um só corpo, porque têm a mesma cabeça que é Jesus Cristo, o mesmo espírito que as anima e as tine, e o mesmo fim que é a felicidade eterna, que uns já estão gozando e que outros esperam.

148) A qual das partes da Igreja se refere principal mente este nono artigo?

Este nono artigo do Credo refere-se principalmente à Igreja militante, que é a Igreja na qual estamos atualmente.

§ 2o - Da Igreja em particular

149) Que é a Igreja Católica?

A Igreja Católica é a sociedade ou reunião de todas as pessoas batizadas que, vivendo na terra, professam a mesma fé e a mesma lei de Cristo, participam dos mesmos Sacramentos, e obedecem aos legítimos Pastores, principalmente ao Romano Pontífice.

150) Dizei precisamente o que é necessário para alguém ser membro da Igreja?

 Para alguém ser membro da Igreja, é necessário estar batizado, crer e professar a doutrina de Jesus Cristo, participar dos mesmos Sacramentos, reconhecer o Papa e os outros legítimos Pastores da Igreja.

151) Quem são os legítimos Pastores da Igreja?

Os legítimos Pastores da Igreja são o Pontífice Romano, isto é, o Papa, que é o 1º Pastor universal, e os Bispos. Além disso, sob a dependência dos Bispos e do Papa, têm parte no oficio de Pastores os outros Sacerdotes e especialmente os párocos.

152) Por que dizeis que o Pontífice Romano é o Pastor Universal da Igreja?

Porque Jesus Cristo disse a São Pedro, primeiro Papa: Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja, e dar-te-ei as chaves ao reino dos Céus, e tudo o que ligares na terra, será ligado no Céu; e tudo o que desligares na terra, será desligado também no Céu . E disse-lhe mais: Apascenta os meus cordeiros, apascenta as minhas ovelhas .

153) Então não pertencem à Igreja, de Jesus Cristo as sociedades de pessoas batizados que não reconhecem o Romano Pontífice por seu chefe?

Todos os que não reconhecem o Romano Pontífice por seu chefe, não pertencem à Igreja de Jesus Cristo.

154) Como se pode distinguir a Igreja de Jesus Cristo, de tantas sociedades ou seitas, fundadas pelos homens, e que se dizem cristãos?

Pode-se distinguir a verdadeira Igreja de Jesus Cristo, de tantas sociedades ou seitas fundadas pelos homens e que se dizem cristãs, por quatro notas características. Ela é Una, Santa, Católica e Apostólica.

155) Por que dizeis que a Igreja é Una?

Digo que a verdadeira Igreja é Una, porque os seus filhos, de qualquer tempo ou lugar, estão unidos entre si na mesma fé, no mesmo culto, na mesma lei e na participação dos mesmos Sacramentos, sob o mesmo chefe visível, o Romano Pontífice.

156) Não poderia haver mais de uma Igreja?

Não pode haver mais de uma Igreja, porque, assim como há um só Deus, uma só Fé e um só Batismo, assim também não há nem pode ode haver senão uma só Igreja verdadeira.

157) Mas não se chamam também igrejas o conjunto dos fiéis de uma nação, ou de uma
diocese?


Chamam-se igrejas também o conjunto dos fiéis de uma nação ou de uma diocese, mas são sempre porções da Igreja universal, e formam com ela uma só Igreja.

158) Por que dizeis que a verdadeira Igreja é Santa?

Chamo a verdadeira Igreja de Santa, porque Jesus Cristo, a sua cabeça invisível, é Santo, santos são muitos dos seus membros, santas são a sua Fé e a sua Lei, santos os seus Sacramentos, e fora d'Ela não há nem pode haver verdadeira santidade.

159) Por que dizeis que a Igreja é Católica?

Chamo a verdadeira Igreja de Católica, que quer dizer universal, porque abrange os fiéis de todos os tempos, de todos os lugares, de todas as idades e condições, e todos os homens do mundo são chamados a fazer parte dEla.

160) Por que a Igreja se chama também Apostólica?

A verdadeira Igreja chama-se também Apostólica, porque remonta sem interrupção até aos Apóstolos; porque crê e ensina tudo o que creram e ensinaram os Apóstolos; e porque é guiada e governada pelos legítimos sucessores dos Apóstolos.

161) Por que a verdadeira Igreja se chama também Romana?

A verdadeira Igreja chama-se também Romana, porque os quatro caracteres da unidade, santidade, catolicidade e apostolicidade se encontram só na Igreja que tem por chefe o Bispo de Roma, sucessor de São Pedro.

162) Como é constituída a Igreja de Jesus Cristo?

A Igreja de Jesus Cristo é constituída como uma sociedade verdadeira e perfeita. E nEla, como numa pessoa moral, podemos distinguir um corpo e uma alma.

163) Em que consiste a alma da Igreja?

A alma da Igreja consiste no que Ela tem de interior e de espiritual, isto é, a Fé, a Esperança, a Caridade, os dons da graça e do Espírito Santo, e todos os tesouros celestes que lhe provieram dos merecimentos de Cristo Redentor e dos Santos.

164) E o corpo da Igreja, em que consiste?

O corpo da Igreja consiste no que Ela tem de visível e de externo, quer na associação dos seus membros, quer no seu culto e no seu ministério de -ensino, quer no seu governo e ordem externa.

165) Para nos salvarmos basta sermos de qualquer maneira membros da Igreja Católica?

Não basta para nos salvarmos o sermos de qualquer maneira membros da Igreja Católica, mas é preciso que sejamos seus membros vivos.


166) Quais são os membros vivos da Igreja?

Os membros vivos da Igreja são todos os justos e só eles, isto é, aqueles que estão atualmente em graça de Deus.

167) E quais são nEla os membros mortos?

Membros mortos da Igreja são os fiéis que estão em pecado mortal.

168) Pode alguém salvar-se fora da Igreja Católica, Apostólica, Romana?

Não. Fora da Igreja Católica, Apostólica, Romana, ninguém pode salvar-se, como ninguém pôde salvar-se do dilúvio fora da arca de Noé, que era figura desta Igreja.

169) Como então se salvaram os antigos Patriarcas, os Profetas, e todos os outros justos do Antigo Testamento?

Todos os justos do Antigo Testamento se salvaram em virtude da fé que tinham em Cristo que havia de vir, por meio da qual eles já pertenciam espiritualmente a esta Igreja.

170) Mas quem se encontrasse, sem culpa sua, fora da Igreja, poderia salvar-se?

Quem, encontrando-se sem culpa sua - quer dizer, em boa fé - fora da Igreja, tivesse recebido o batismo, ou tivesse desejo, ao menos implícito, de o receber e além disso procurasse sinceramente a verdade, e cumprisse a vontade de Deus o melhor que pudesse, ainda que separado do corpo da Igreja, estaria unido à alma dEla, e portanto no caminho da salvação.

171) E quem, sendo muito embora membro da Igreja Católica, não pusesse em prática os seus ensinamentos, salvar-se-ia?


Quem, sendo muito embora membro da Igreja Católica, não pusesse em prática os seus ensinamentos, seria membro morto, e portanto não se salvaria, porque para a salvação de um adulto requer-se não só o Batismo e a fé, mas também as obras conformes à fé.

172) Somos obrigados a acreditar todas as verdades que a Igreja ensina?

Sim, somos obrigados acreditar todas as verdades que a Igreja nos ensina, e Jesus Cristo declarou que quem não crê, já está condenado.

173) Somos também obrigados a fazer tudo o que a Igreja manda?

Sim, somos obrigados a fazer tudo o que a Igreja manda, porque Jesus Cristo disse aos Pastores da Igreja: Quem vos ouve, a Mim ouve, e quem vos despreza, a Mim despreza
.
174) Pode enganar-Se a Igreja nas coisas que nos propõe para crermos?


Não. Nas coisas que nos propõe para crer, a Igreja não pode enganar-Se, porque, segundo a promessa de Jesus Cristo, é sempre assistida pelo Espírito Santo.

175) A Igreja Católica é então infalível?

Sim, a Igreja Católica é infalível. Por isso aqueles que rejeitam as suas definições, perdem a fé, e fazem-se hereges.

176) A Igreja Católica pode ser destruída ou perecer?

Não. A Igreja Católica pode ser perseguida, mas não pode ser destruída nem perecer. Ela há de durar até ao fim do mundo, porque até ao fim do mundo Jesus Cristo estará com Ela, como prometeu.

177) Por que é a Igreja Católica tão perseguida?

A Igreja Católica é tão perseguida, porque assim foi também perseguido o seu Divino Fundador, e porque reprova os vícios, combate as paixões e condena todas as injustiças e todos os erros.

178) Há mais alguns deveres dos católicos para com a Igreja?

Todo o cristão deve ter para com a Igreja um amor ilimitado, considerar-se feliz e infinitamente honrado por pertencer a Ela, e empenhar-se pela glória e aumento dEla por todos os meios ao seu alcance.

(Fonte: Terceiro Catecismo da doutrina cristã - São Pio X)