sexta-feira, 30 de novembro de 2012

30 DE NOVEMBRO - SANTO ANDRÉ APÓSTOLO






Foi um dos primeiros discípulos de Nosso Senhor. Era irmão de São Pedro, que apresentou ao Mestre. Segundo antiga tradição, pregou na região dos Bálcãs e sofreu o martírio sendo crucificado numa cruz em forma de X (conhecida heraldicamente como Cruz de Santo André).
Entre os Doze apóstolos de Cristo, André foi o primeiro a ser seu discípulo. Além de ser apontado por eles próprios como o "número dois", depois, somente, de Pedro. Na lista dos apóstolos, pela ordem está entre os quatro primeiros. Morava em Cafarnaum, era discípulo de João Batista, filho de Jonas de Betsaida, irmão de Simão-Pedro e ambos eram pescadores no mar da Galiléia.
Foi levado por João Batista à verdejante planície de Jericó, juntamente com João Evangelista, para conhecer Jesus. Ele passava. E o visionário profeta indicou-o e disse a célebre frase: "Eis o Cordeiro de Deus, que tira os pecados do mundo". André, então, começou a segui-lo.
André levou o irmão Simão-Pedro a conhecer Jesus, afirmando: "Encontramos o Messias". Assim, tornou-se, também, o primeiro dos apóstolos a recrutar novos discípulos para o Senhor. Aparece no episódio da multiplicação dos pães: depois da resposta de Filipe, André indica a Jesus um jovem que possuía os únicos alimentos ali presentes: cinco pães e dois peixes.
 
Pouco antes da morte do Redentor, aparece o discípulo André ao lado de Filipe, como um de grande autoridade. Pois é a ele que Filipe se dirige quando certos gregos pedem para ver o Senhor, e ambos contaram a Jesus.
André participou da vida pública de Jesus, estava presente na última ceia, viu o Cristo Ressuscitado, testemunhou a Ascensão e recebeu o primeiro Pentecostes. Ajudou a sedimentar a Igreja de Cristo a partir da Palestina nas localidades e regiões dos Bálcãs.
Alguns historiadores citam que depois de Jerusalém foi evangelizar na Galiléia, Cítia, Etiópia, Trácia e, finalmente, na Grécia. Nessa última, formou um grande rebanho e pôde fundar a comunidade cristã de Patras, na Acaia, um dos modelos de Igreja nos primeiros tempos. Mas foi lá, também, que acabou martirizado nas mãos do inimigo, Egéas, governador e juiz romano local.
André se intimidou à autoridade do governador, convidando-o a reconhecer em Jesus um juiz acima dele. Mais ainda, clamou que os deuses pagãos não passavam de demônios. Egéas não hesitou e condenou-o à crucificação. Para espanto dos carrascos, aceitou com alegria a sentença, afirmando que, se temesse o martírio, não estaria "pregando a grandeza da cruz, onde morreu Jesus".
Ficou dois dias pregado numa cruz em forma de "X"; antes, porém, despojou-se de suas vestes e bens, doando-os aos algozes. Conta a tradição que, um pouco antes de André morrer, foi possível ver uma grande luz envolvendo-o e apagando-se a seguir. Tudo teria ocorrido sob o império de Nero, em 30 de novembro do ano 60, data que toda a cristandade celebra sua festa.
O imperador Constantino trasladou, em 357, de Patos para Constantinopla, as relíquias mortais de Santo André, Apóstolo. Elas foram levadas para Roma, onde se encontram atualmente na Catedral de Amalfi.
Só no século XIII Santo André, Apóstolo foi celebrado como padroeiro da Rússia e Escócia.
 

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Santo Ofício: Os ataques contra a fé e a Igreja na Mídia sensacionalista

A mídia para corromper a fé de muitos cristãos, busca neste período do ano, alimentar a guerra contra a igreja com reportagens sensacionalistas repletas de especulações sombrias. Durante todo o mês de Dezembro vamos publicar informações que visam a desmascarar as mentiras da imprensa de esquerda no Brasil, que se levanta nesta época do ano para jogar o seu "estrume jornalístico" na mentalidade da população brasileira.
 
Hoje vamos publicar uma postagem do site "Veritatis Splendor" sobre as descobertas arqueológicas da Bíblia. Coisas que a mídia esquerdista esconde para recrutar seus "soldadinhos" ateus nas redes sociais, nas escolas e universidade.

Arqueólogos estão transformando céticos em crentes

Durante aquele verão escaldante, a equipe arqueológica estivera trabalhando na escavação das ruínas da antiga cidade israelita de Dan, na alta Galiléia. Com cuidado, Gila Cook, o topógrafo do grupo, desenhava as plantas das muralhas e da praça calçada em pedras, diante do que fora a entrada principal da cidade. Nesse momento, Cook notou algo estranho. Na ponta exposta de uma das pedras de basalto, viam-se letras gravadas. Cook chamou logo o chefe da equipe, Avraham Biran. Quando o arqueólogo veterano abaixou-se para examinar a pedra, seus olhos se arregalaram: "Meu Deus! Uma inscrição!"
A pedra fora identificada como parte de um monumento ou estela, datado do século IX antes de Cristo. Aparentemente comemorava a vitória do rei de Damasco sobre dois inimigos: o rei de Israel e a Casa de Davi.
 
A referência histórica a Davi caiu como uma bomba. O nome tão conhecido do antigo rei guerreiro de Israel, figura central do Velho Testamento e antepassado de Jesus, segundo o Novo, nunca fora encontrado em nenhum documento antigo além da Bíblia. Ele era considerado um personagem lendário pelos mais céticos mas, agora, por fim, estava numa inscrição feita não por um escriba hebreu, mas por um inimigo dos israelitas, pouco mais de um século após a suposta época em que Davi vivera. Essa descoberta, feita em 1993, parecia corroborar a existência da dinastia do rei e, por extensão, a dele próprio.
 
A descoberta de uma inscrição ou de um artefato pode comprovar, ou desmentir, determinada passagem das escrituras. Ainda que de formas extraordinárias, a arqueologia moderna vem confirmando o núcleo histórico do Velho e do Novo Testamento, sustentando partes centrais de histórias bíblicas importantes.
 
A ERA DOS PATRIARCAS
O livro de Gênesis traça a linhagem de Israel até Abraão, o nômade monoteísta que, conforme Deus prometera, haveria de ser o pai de uma multidão de povos, cujos filhos herdariam a terra de Canaã. A promessa divina e a história étnica de Israel foram transmitidas de geração em geração, de Abraão, a Isaac e a Jacó. Jacó e seus filhos, progenitores das 12 antigas tribos de Israel, foram forçados a migrar para o Egito.
 
A arqueologia moderna não encontrou nenhuma prova direta que confirmasse o relato bíblico, mas isso não causou surpresa a estudiosos como Barry J. Beitzel, professor de línguas semíticas do estado americano de Illinois. Trata-se de uma história familiar de um nômade e de seus descendentes, desconhecidos na época pelos grandes povos da região, motivo pelo qual não se encontra nenhum registro correspondente nos anais destes reinos.
Kenneth A. Kitchen, egiptólogo e orientalista aposentado pela Universidade de Liverpool, sustenta que a arqueologia e a Bíblia se harmonizam quando descrevem o contexto histórico das narrativas dos patriarcas. Na passagem do Gênesis 37, 28 por exemplo, José, um dos filhos de Jacó, é vendido como escravo aos egípcios por 20 moedas de prata. Kitchen assinala que esse era o exato preço de um escravo naquela região no período compreendido entre os séculos XIX e XVII antes de Cristo, como ficou comprovado por documentos recuperados na região que hoje compreende a Síria e o Iraque. Outros documentos revelam que o preço dos escravos subiu de forma contínua nos séculos seguintes. Se a história de José fosse inventada por algum escriba judeu do século VI, como sugerido por alguns céticos, porque o valor citado não corresponde ao preço da época? "É mais razoável dizer que a história bíblica é real" diz Kitchen. Afinal, seria muito complicado explicar como alguém poderia supor com exatidão um valor praticado 23 séculos antes.
 
FUGA DO EGITO
Já foi dito que a dramática história do Êxodo (de como Deus libertou Moisés e o povo judeu do cativeiro no Egito e os guiou à terra prometida de Canaã) é a proclamação central da Bíblia hebraica, embora os arqueólogos ainda não tenham encontrados indícios que comprovem esse relato. Contudo, Nahum Sarna, professor de estudos bíblicos da Universidade de Brandeis, afirma que a história do Êxodo (que liga a história de uma nação à escravatura e à opressão) não pode, de forma alguma, ser uma obra de ficção. Nenhuma nação inventaria para si própria uma história assim tão inglória, que desonrasse tanto a tradição de seu povo, a menos que houvesse um núcleo verídico. Willian G. Dever, arqueólogo da Universidade do Arizona, observa: "Escravos, servos e nômades, costumam deixar muito poucos traços nos registros arqueológicos".
 
A data a ser atribuída ao Êxodo é outra fonte de controvérsias. Em I Reis 6, 1 encontramos o que parece um marco histórico para o fim da estadia israelita no Egito: "E sucedeu que no ano de 480, depois de saírem os filhos de Israel do Egito, no ano 4º do reinado de Salomão sobre Israel (...), começou a edificar-se a casa do Senhor." Mas, a data não coincide com a de outros textos bíblico nem com o que se sabe da história egípcia. Sarna e alguns estudiosos alegam que a data citada – ano 480 – não deve ser tomado ao pé da letra. "São 12 gerações de 40 anos cada uma" explica o professor. O número "40" é um número convencional da Bíblia, usado com freqüência para designar um longo período. Ao se ser a cronologia do 1º Livro dos Reis sob esta perspectiva, isto é, com a exposição teológica e não com a história pura, pode-se colocar o Êxodo no século XIII antes de Cristo, na época de Ramsés II, em que há forte sustentação circunstancial nos registros arqueológicos.
 
JESUS
Nas últimas quatro décadas, descobertas espetaculares confirmaram o pano de fundo histórico dos Evangelhos. Em 1968, por exemplo, o esqueleto de um homem crucificado foi encontrado numa caverna funerária na parte norte de Jerusalém. Foi um achado significativo: embora se saiba que os romanos crucificavam milhares de supostos traidores, rebeldes e ladrões, os restos mortais de uma vítima de crucificação jamais tinham sido encontrados.
 
Os ossos, preservados num ossuário de pedra, pareciam pertencer a um homem entre 25 e 30 anos. Havia indícios de que seus pulsos haviam sido traspassados com pregos. Os joelhos haviam sido dobrados e virados para o lado e um prego de ferro (ainda alojado em um osso de uns dos calcanhares) fora enfiado em ambos os pés. As duas tíbias haviam sido quebradas – quem sabe confirmando o relato do Evangelho de João (19; 32-33): "Foram pois os soldados e, na verdade, quebraram as pernas do primeiro, e depois ao outro que com ele fora crucificado".Havia muito que se dizia que os carrascos romanos costumavam jogar os cadáveres dos crucificados em valas comuns ou abandona-las na cruz para serem devorados por animais carniceiros, mas a descoberta dos restos de um crucificado contemporâneo de Jesus em uma sepultura evidenciou que os romanos às vezes permitiam um enterro familiar, como reza o relato do sepultamento de Jesus.
 
Em 1990, durante a construção de um parque a pouco mais de 3 km ao sul do Monze do Templo, os operários descobriram uma câmara funerária secreta, datada do século I, contendo 12 ossuários de calcário. Em um deles, que guardava os ossos de um sexagenário, havia a inscrição: "Yehosef bar Qayafa", ou seja, "José, filho de Caifás". Os especialistas acreditam que se trate de Caifás, o supremo sacerdote de Jerusalém que, segundo os Evangelhos, esteve envolvido na prisão de Jesus, interrogando-o e entregando-o a Pilatos para ser executado.
 
Algumas décadas antes, durante as escavações nas ruínas de Cesaréia Marítima, a antiga sede do governo romano na Judéia, foi encontrada uma laje de pedra com uma inscrição bastante danificada. De acordo com os peritos, a inscrição completa teria sido: "Pôncio Pilatos, governador da Judéia, dedica ao povo de Cesaréia, um templo em homenagem a Tibério".
 
A descoberta é especialmente significante por ser a única inscrição com o nome de Pilatos já encontrada e por estabelecer que o personagem descrito nos Evangelhos como governante romano da Judéia tinha de fato a autoridade a ele atribuída pelos evangelistas.
 
Os registros arqueológicos não se pronunciam sobre boa parte da história bíblica, mas os arqueólogos estão convencidos de que existem muito mais provas a respeito, enterradas nas areias do Oriente Médio, à espera de que alguém as encontre...
 
Fonte: Revista Seleções 04/2001
 
** Traduzido para o Veritatis Splendor por Aline Cristina Viani Couto.
 
 
Reportagem da semana:
 
O Papa eliminou o burro e o boi do presépio?
 
BOGOTÁ, 28 Nov. 12 / 02:22 pm (ACI).- Um artigo publicado pela jornalista Carmen Villa Betancourt no jornal El Colombiano esclareceu que o Papa Bento XVI no seu livro "A Infância de Jesus" não eliminou a presença do burro e do boi dos presépios, como foi divulgado recentemente por diversos meios de comunicação.

"‘O Papa afirma que não havia burro nem boi no portal de Belém’, diz o jornal El Pais de Madri. ‘Também disse que o burro e o boi não vão ao presépio’, é o subtítulo do jornal El Espectador. ‘Um presépio sem burro nem boi, assegurou o Papa’, titulou este jornal na sua edição digital", recordou a jornalista.

Villa Betancourt recordou que o objetivo de um titular é "atrair o leitor e sintetizar a informação". Entretanto, embora os titulares usados por estes meios "cumpram com o objetivo de captar o leitor, distorcem maliciosamente a mensagem e não cumprem com o papel de sintetizá-la".
"Ao ler os artigos vi que estes não diziam que o Papa tirou estes animais do presépio. Por quê? Simplesmente porque isto é falso", expressou.

A jornalista indicou que sobre este tema, o que diz o livro do Papa em sua página 76 é: "O presépio nos leva a pensar nos animais, pois é ali onde eles comem. No Evangelho não se fala neste caso de animais. Mas a meditação guiada pela fé, lendo o Antigo e o Novo Testamento relacionados entre si, preencheu logo esta lacuna, remetendo-se a Isaías 1,3: ‘o boi conhece seu amo, e o asno o presépio do seu dono; Israel não me conhece, meu povo não compreende’".

"Qualquer fiel –indicou Villa Betancourt-, sabe que, assim como o burro e o boi, há outros elementos como a data de nascimento de Jesus, o nome dos reis magos ou tantos outros aspectos que são bonitos mas não essenciais para a fé e talvez por isso não sejam relatados pelos evangelistas. A mula e o boi fazem parte da tradição cristã. Tanto, que estão presentes todos os anos no presépio da praça de São Pedro no Vaticano".

Entretanto, "o incrível é que muitos colunistas e blogueiros tenham feito duras e ignorantes críticas contra o Papa pela suposta supressão dos animais em Belém, como se isso fosse a proclamação de um novo dogma de fé. Pergunto-me se já leram o livro, ou ao menos os extratos do mesmo que saíram nestes dias em tantas páginas Web".

"Acho que muitos ficaram nos titulares deficientes dos periódicos. É lamentável que estes comentários distorçam a notícia da publicação de um novo livro que completa uma magnífica trilogia e que pode preparar-nos espiritual e intelectualmente, para viver o mistério do Natal", finalizou a jornalista colombiana.

Fonte: ACI Digital

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Catecismo Romano: Da Parte dos Sacramentos – O Batismo (Parte II)

Explicação Etimológica: O termo batismo - Batismo, como todos sabem, é uma palavra de origem grega. Nas Sagradas Escrituras, designa não só ablução que faz parte do Sacramento, mas qualquer espécie de ablução. Por vezes, aplica-se a Paixão de Cristo, em sentido figurado.

Todavia, os escritores eclesiásticos não o tomam como qualquer espécie de ablução corporal, mas unicamente como uma ablução sacramental, que se faz sob a forma prescritas das palavras. Neste sentido, os Apóstolos empregavam o termo muitíssimas vezes, obedecendo as determinações de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Outras designações, segundo os Santos Padres - Os santos padres valiam se também de outras expressões para designar o santo Batismo. Atesta Santo Agostinho que se chama "Sacramento da fé", por quanto  sua percepção nos leva a professar toda a doutrina cristã.

Outros, porém, chamavam de "iluminação"  este Sacramento, porque a fé professada no Batismo ilumina os nossos corações. O Apóstolo também se expressou assim: "Relembrai os dias primeiros em que, após a vossa iluminação, aturastes o grande ardor das provações" (Hb 10, 32). Referia-se ao tempo em que foram batizados.

Numa exortação aos recém-batizados, São João Crisóstomo chama-lhe, ora "purificação", porque o batismo nos limpa dos velho fermento, para sermos massa nova (ICor 5, 7); ora, "sepultura", "plantação", "Cruz de Cristo". Todas essas expressões se encontram na Epístola aos romanos. (Rom 6, 4 - Cof. Gal 3, 27; Col 2, 12).

São Dionísio chama-se "Princípio dos sacrossantos mandamentos". Suas razões são evidentes; pois este sacramento é, por assim dizer, a porta pela qual entramos na comunhão com a vida cristã e, desde esses momento, começamos a obedecer os preceitos divinos.

Com relação ao nome, são estas as explicações que se devem dar  com brevidade.

(Fonte: Catecismo da Igreja Católica - 1962 - Ed. Vozes)

 

terça-feira, 27 de novembro de 2012

27 de Novembro - Nossa Senhora das Graças (Virgem da Medalha Milagrosa)


Onde aconteceu: Na França.
 
Quando: Em 1830.
 
A quem: A Santa Catarina Labouré.
 
As aparições de Nossa Senhora a Santa Catarina Labouré, em 1830 – Paris; marcaram o início de um ciclo de grandes revelações Marianas.
 
Esse ciclo prosseguiu em La Salette (1846), em Lourdes (1858) e culminou em Fátima – Portugal (1917).
 
Desde 1830 Nossa Senhora se manifesta deplorando os pecados do mundo, oferecendo perdão e misericórdia à humanidade pecadora e prevendo severos castigos caso ela não se convertesse. Mas também anunciando que, após esses castigos, viria um triunfo esplendoroso do Bem.
Em novembro de 1876, um mês antes de sua morte, Santa Catarina Labouré afirmou: “Virão grandes catástrofes.... o sangue jorrará nas ruas. Por um momento, crer-se-á tudo perdido. Mas tudo será ganho. A Santíssima Virgem é quem nos salvará. Sim, quando esta Virgem, oferecendo o mundo ao Padre Eterno, for honrada, seremos salvos e teremos a paz”.
E em 13 de julho de 1917, Nossa Senhora prometeu formalmente em Fátima: “Por fim, o meu Imaculado Coração triunfará”.
 
                                                  # # #
 
No ano de 1830 a Imaculada Virgem Maria vem a terra para mostrar e relembrar a seus filhos o caminho que leva a seu Filho e Nosso Senhor Jesus Cristo.
Ela veio do Céu para trazer-nos um sinal, o seu retrato em uma Medalha bendita derramando Suas Graças aos filhos que pedirem a sua intercessão; e por causa dos seus prodígios e milagres, o povo cristão deu a esta medalha o título de “Milagrosa”.
A Medalha Milagrosa é um rico presente que Maria Imaculada quis oferecer ao mundo no século XIX, como penhor dos seus carinhos e bênçãos maternais, como instrumento de milagres e como meio, de preparação para a definição dogmática de 1854.
Foi na comunidade das Filhas da Caridade, fundada por São Vicente de Paulo, que a Santíssima Virgem escolheu a confidente dos seus desígnios, para recompensar de certo a devoção que o Santo São Vicente de Paulo, sempre teve à Imaculada Conceição de Nossa Senhora, e que deixou por herança aos seus filhos e filhas espirituais.
O instrumento que a Virgem escolheu para revelar seu desejo chamava-se Catarina Labouré. Ela nasceu em 2 de maio de 1806, na Côte d'Or, na França, e aos 24 anos de idade tomou o hábito das Filhas da Caridade. Noviça ainda, muito humilde, inocente e unida com Deus, era ternamente devota à Santíssima Virgem, a quem escolhera por Mãe que desde pequenina ficara órfã. Ardia em contínuos desejos de ver Nossa Senhora e instava com o seu Anjo da Guarda para que lhe alcançasse este favor.
           
1ª Aparição: 18 a 19 de Julho de 1830.
 
A primeira aparição ocorreu durante a noite do dia 18 a 19 de julho de 1830. A Virgem Gloriosa apareceu à irmã Catarina Labouré, Filha da Caridade de São Vicente de Paulo.
Às onze e meia da noite, a irmã Catarina se acordou e ouviu claramente chamar 3 vezes:
 
"Irmã".
 
Olhou para o lado de onde vinha a voz, afastou a cortinado e viu um menino vestido de branco. Catarina viu nele o seu Anjo da Guarda.
O menino lhe disse:
 
"Venha à capela, a Santa Virgem Te espera".
 
Ela vestiu-se depressa e seguiu o Anjo, tendo-o sempre à esquerda.
As luzes por onde passaram estavam acesas, o que sobre tudo lhe causou admiração; mas muito maior foi o seu espanto quando, ao chegar à capela, a porta se abriu; mal o menino a tocou com a ponta dos dedos.
Na capela todas as velas estavam acesas. O menino a conduzia ao santuário, junto à cadeira do padre diretor.
Catarina espera e reza. Passado uma meia hora, o Anjo disse de repente:
 
"Eis a Santíssima Virgem".
 
Ao lado do altar, onde normalmente se lê a epístola, Maria desceu, dobrou o joelho diante do Santíssimo e vai sentar-se numa cadeira no coro dos sacerdotes.
Num abrir e fechar dos olhos a vidente se atirou aos seus pés, apoiado suas mãos sobre os joelhos maternais da Santa Virgem. Foi esse o momento mais belo de sua vida. Durante duas horas Maria falou com Catarina duma missão que Deus queria confiar-lhe e também das dificuldades que iria encontrar na realização da mesma.
         Conta-nos Catarina: “
            Ela me disse como eu devia proceder para com meu diretor, como devia proceder nas horas de sofrimento e muitas outras coisas que não posso revelar”.
           Essas coisas que ela não podia contar em 1830, revelou-as depois:
        “Várias desgraças vão cair sobre a França; o trono será derrubado; o mundo inteiro será revolto por desgraças de toda sorte”. Falou também de “grandes abusos” e “grande relaxamento” nas comunidades de sacerdotes e freiras vicentinas, e que deveria alertar disso os superiores.
Voltou, em seguida, a falar de outros terríveis acontecimentos que ocorreriam em futuro mais distante, prevendo com 40 anos de antecedência as agitações da Comuna de Paris e o assassinato do Arcebispo; prometeu sua especial proteção, nessas horas trágicas, aos filhos e às filhas de São Vicente de Paulo.
 
Depois Maria desapareceu, e o Anjo a reconduziu para o dormitório.
 
 
2ª Aparição: 27 de Novembro de 1830.
 
A Segunda aparição realizou-se no dia 27 de Novembro de 1830, sábado antes do primeiro domingo do Advento. Neste dia, estando a venerável irmã na oração da tarde as 05h30min nessa Capela da Comunidade, rua du Bac, Paris; a Rainha do Céu se lhe mostrou, primeiro, junto do arco cruzeiro, do lado da epístola, onde hoje está o altar " Virgo Potens", e depois por detrás do Sacrário, no altar-mor.
Depois de Ter lido a primeira parte, "A Virgem Santíssima, - diz a irmã - aparece e estava de pé sobre um globo, vestida de branco, com o feitio que se diz à Virgem, isto é, subido e com mangas justas; véu branco a cobrir-lhe a cabeça, manto azul prateado que lhe descia até aos pés. Suas mãos erguidas à altura do peito seguravam um globo de ouro, encima do globo havia uma cruz... Tinha os olhos erguidos para o céu, e seu rosto iluminava-se enquanto oferecia o globo a Nosso Senhor Jesus Cristo.
Em seguida o seu pedido foi atendido:
As Suas mãos carregaram-se à medida que desciam, a ponto de não deixarem ver os pés de Nossa Senhora.
 
Enquanto se saciava em contemplá-la, Catarina ouviu uma voz que lhe disse:
 
 "Este globo que vês representa o mundo inteiro e especialmente a França, e cada pessoa em particular. Os raios são o símbolo das Graças que derramo sobre as pessoas que  mas pedem. Os raios mais espessos correspondem às graças que as pessoas se recordam de pedir. Os raios mais delgados correspondem às graças que as pessoas não se lembram de pedir.“
 
Enquanto Maria estava rodeada duma luz brilhante, o globo desaparece das suas mãos. Formou-se então em torno da virgem um quadro de forma oval em que havia em letras de ouro estas palavras:
 
"Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a Vós".
 
Então uma voz se fez ouvir que dizia:
 
’'Manda cunhar uma Medalha por este modelo; as pessoas que a trouxerem indulgenciada, receberão grandes graças, mormente se a trouxerem ao pescoço; hão de ser abundantes as graças para as pessoas que a trouxerem com confiança. “
 
No mesmo instante, a imagem luminosa transformou-se. As mãos carregadas de anéis, que seguravam o globo abaixaram-se, abrindo-se despejando raios, sobre o globo em que a Virgem pousava os pés, esmagando a serpente infernal.
Depois, o quadro voltou-se, mostrando no reverso um conjunto de emblemas, no centro um grande M, o monograma de Maria, encima do M, por uma cruz sobre uma barra; abaixo do monograma havia dois corações: o da esquerda cercado de espinhos, o da direita transpassado por uma espada.
Eram os corações de Jesus e Maria.
Enfim uma constelação de doze estrelas, em forma oval, cercando este conjunto.
 
Passaram-se dois anos sem que os superiores eclesiásticos decidissem o que havia de Fazer-se; até que, depois do inquérito canônico, se cunhou a Medalha por ordem e com aprovação do Arcebispo de Paris, Monsenhor Quélen.
 
Paris sofria com a peste que dizimava milhares todos os dias e aos doentes nos hospitais onde as Irmãs da Caridade serviam foram distribuídas as primeiras medalhas e os mesmos milagrosamente ficavam curados, daí grande parte do povo na época passou a crer e usar as medalhas e as curas foram incontáveis até os nossos dias; isso justo numa França que na época era o berço do iluminismo e de um materialismo crescente.
Entre outros prodígios é célebre a conversão do judeu Afonso Ratisbonne, acontecida depois da visão que ele teve na Igreja de Santo Andrea delle Frate, em Roma, em que a Santíssima Virgem lhe apareceu como se representa na Medalha Milagrosa.
Para logo, começou a espalhar-se com muita rapidez a devoção pelo mundo inteiro, acompanhada sempre de prodígios e milagres extraordinários, reanimando a fé quase extinta em muitos corações, produzindo notável restauração dos bons costumes e da virtude, sarando os corpos e convertendo as almas.
 
O primeiro a aprovar e abençoar a Medalha foi o Papa Gregório XVI, confiando-se à proteção dela e conservando-a junto de seu crucifixo. Pio IX, seu sucessor, o Pontíficie da Imaculada, gostava de dá-la como prenda particular da sua benevolência pontífica. Não admira que, com tão alta proteção e à vista de tantos prodígios, se propagasse rapidamente. Só no espaço de quatro anos, de 1832 a 1836, a firma Vechette, incumbida de a cunhar, produziu dois milhões delas em ouro e prata e dezoito milhões em cobre.
Graças a esta difusão prodigiosa, foi-se radicando mais e melhor no povo cristão a crença na Imaculada Conceição de Maria e a devoção para com tão excelsa Senhora. Este grande privilégio da Virgem Maria foi proclamada dogma em 1854 pelo Papa Pio IX. Logo Nossa Senhora ficou também conhecida por Nossa Senhora da Medalha Milagrosa ou Nossa Senhora das Graças.
Em 1858, a Virgem Maria veio confirmar essa verdade de fé pelas suas aparições em Lourdes à pequena Bernadette, que trouxe a medalha ao pescoço, Maria se fez conhecer com estas palavras:
Foto do jornal de Nova Iorque que mostra a Imagem de Nossa Senhora
Intacta diante da destruição do Furacão Sandy - 2012
 
"Eu sou a Imaculada Conceição".
 
Em outras aparições subseqüentes a Santíssima Virgem falou a Catarina de Labouré da fundação de uma Associação das Filhas de Maria que depois o Papa Pio IX aprovou a 20 de junho de 1847, enriquecendo-a com as indulgências da Prima-primária. Espalhou-se pelo mundo inteiro e conta hoje com mais de 150.000 associadas.
Leão XIII a 23 de junho de 1894 instituiu a Festa da Medalha Milagrosa; a 2 de Março de 1897 encarregou o Cardeal Richard, Arcebispo de Paris, de coroar em seu nome a estátua da Imaculada Virgem Milagrosa que está no altar-mor da Capela da Aparição, o que se fez a 26 de julho do mesmo ano. Pio X não esqueceu a Medalha Milagrosa no ano jubilar; a 6 de junho de 1904 concedeu 100 dias de indulgência de cada vez que se diga a invocação: "Ó Maria concebida sem pecado, etc", a todos quantos tenham recebido canonicamente a Santa Medalha; a 8 de julho de 1909 instituiu a Associação da Medalha Milagrosa com todas as indulgências e privilégios do Escapulário azul. Bento XV e Pio XI encheram a Medalha e a Associação de novas graças e favores.
 
Hoje, todo o interior da Igreja de Nossa Senhora das Graças em Paris e o pátio externo são cheios das manifestações dos fiéis pelas graças alcançadas, principalmente placas de mármore com a palavra "Merci"- obrigado em francês – e a data, existem placas desde a época em que os primeiros milagres aconteceram, pouco depois da distribuição das primeiras medalhas ao povo, década de 1830.
 
                                    
             SANTA CATARINA LABOURÉ
 
Na pequena aldeia de Fain-les-Moutiers, na Borgonha, Catarina nasceu a 2 de maio de 1806, a nona dos onze filhos de Pedro e Luísa Labouré, honestos e religiosos agricultores.
Quando tinha apenas nove anos, Catarina perdeu a mãe. Após o funeral, a menina subiu numa cadeira em seu quarto, tirou uma imagem de Nossa Senhora da parede, osculou-a e pediu-lhe que Ela se dignasse substituir sua mãe falecida.
Três anos depois, sua irmã mais velha entrou para o convento das Irmãs da Caridade de São Vicente de Paulo. Couberam a Catarina, então com 12 anos, e à sua irmã Tonete, com 10, todas as responsabilidades domésticas. Foi nessa época que ela recebeu a Primeira Comunhão. A partir de então a menina passou a levantar-se todos os dias às quatro horas da manhã, para assistir à Missa e rezar na igreja da aldeia. Apesar dos inúmeros afazeres, não descuidava sua vida de piedade, encontrando sempre tempo para meditação, orações vocais e mortificações.
 
O tempo foi passando, e Catarina crescendo em graça e santidade.
Certo dia ela sonhou que estava na igreja e viu um sacerdote já ancião celebrando a Missa. Quando esta terminou, o sacerdote fez-lhe um sinal com o dedo, chamando-a para perto de si. Porém, tímida, Catarina retirou-se do recinto sagrado e foi visitar um doente. O mesmo sacerdote apareceu-lhe, e disse: “Minha filha, é uma boa obra cuidar dos enfermos; você agora foge de mim, mas um dia será feliz de me encontrar. Deus tem desígnios sobre você, não se esqueça”. Catarina acordou sem entender o significado do sonho.
 
Mais tarde, visitando o convento das Irmãs da Caridade de Chatillon, onde estava sua irmã, viu na parede um quadro representando o mesmo ancião. Perguntou quem era, e responderam-lhe que se tratava de São Vicente de Paulo, fundador da Congregação. Catarina entendeu então que sua vocação era a de ser uma das filhas do Santo da caridade.
Mas seu pai não queria ouvir falar disso. Já bastava ter dado uma filha a Deus, e ele tinha muito apego a Catarina. Para distraí-la dessa idéia, mandou-a a Paris, para ajudar seu irmão que tinha lá uma pensão. Foi uma provação para a santa ver-se em meio aos rudes fregueses do estabelecimento, o que a fez redobrar as orações para manter sua pureza de coração e o fervor de espírito.
Uma cunhada a convidou a ir para sua casa, em Chatillon, onde mantinha uma escola para moças. Ali Catarina podia ir freqüentemente ao mosteiro das Irmãs da Caridade, que ficava perto. E foi nessa casa religiosa que ela entrou a 22 de janeiro de 1830, quando seu pai deu-lhe finalmente a devida permissão. Catarina tinha então 24 anos de idade.
 
E foi neste mesmo ano de 1830 que Nossa Senhora lhe apareceu mostrando-lhe  a  Medalha  Milagrosa e mandou que a  propagasse. Encontrou primeiro resistência  até  do seu diretor  espiritual, mas afinal  as autoridades  eclesiásticas  convenceram-se  da  verdade das aparições. Muitos milagres, curas de doentes e conversões foram feitas pela Medalha Milagrosa.
 
Catarina, porém,  desejava ficar oculta; como  São João Batista, a respeito de  Jesus dizia:  " Ele  deve  crescer, e eu diminuir",  assim Catarina desejava:  "Maria  deve crescer e  eu diminuir" .   Mas Deus e  Maria Glorificaram a  fiel serva:  Foi ela beatificada  por Pio XI  em  28 de maio de 1933, domingo  entre  Ascensão de  Nosso  Senhor e Pentecostes e  solenemente  canonizada por  Pio XII em  27  de  julho de 1947, e por ordem do Arcebispo, o seu corpo foi exumado.
 
Então verificou-se que o seu corpo estava perfeitamente conservado. Até os olhos ficaram intactos. Depositaram-no num caixão de cristal, que foi colocado sob o altar das aparições, na famosa Igreja de Nossa Senhora das Graças na rue du Bac, 140, no centro de Paris.
Cada ano, milhões de peregrinos se dirigem até lá para implorar a intercessão de Maria Santíssima e da sua confidente a Santa Catarina Labouré.
 
 
           Simbolismo da Medalha Milagrosa
 
 
A serpente: Maria aparece esmagando a cabeça da serpente.
 
A mulher que esmaga a cabeça da serpente, que é o demônio já estava predita na Bíblia, no livro do Gênesis: "Porei inimizade entre ti e a mulher... Ela te esmagará a cabeça e tu procurarás, em vão, morder-lhe o calcanhar".
Deus declara iniciada a luta entre o bem e o mal. Essa luta é vencida por Jesus Cristo, o "novo Adão", juntamente com Maria, a co-redentora, a "nova Eva". É em Maria que se cumpre essa sentença de Deus: a mulher finalmente esmaga a cabeça da serpente, para que não mais a morte pudesse escravizar os homens.
 
Os raios: Simbolizam as graças que Nossa Senhora derrama sobre os seus devotos. A Santa Igreja, por isso, a chama Tesoureira de Deus.
 
As 12 estrelas: Simbolizam as 12 tribos de Israel.
Maria Santíssima também é saudada como "Estrela do Mar" na oração Ave, Maris Stella.
 
O coração cercado de espinhos: É o Sagrado Coração de Jesus. Foi Maria quem o formou em seu ventre. Nosso Senhor prometeu a Santa Margarida Maria Alacoque a graça da vida eterna aos devotos do seu Sagrado Coração, que simboliza o seu infinito e ilimitado Amor.
 
O coração transpassado por uma espada: É o Imaculado Coração de Maria, inseparável ao de Jesus: mesmo nas horas difíceis de Sua Paixão e Morte na Cruz, Ela estava lá, compartilhando da Sua dor, sendo a nossa co-redentora.
 
O M: Significa Maria. Esse M sustenta o travessão e a Cruz, que representam o calvário. Essa simbologia indica a íntima ligação de Maria e Jesus na história da salvação.
 
         O travessão e a Cruz: Simbolizam o calvário. Para a doutrina católica, a Santa Missa é a repetição do sacrifício do Calvário, portanto, ressaltam a importância do Sacrifício Eucarístico na vida do cristã

Fonte: Últimas e Derradeiras Graças

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Liturgia Católica II: A reforma litúrgica (Parte III)

Este importante componente da missa, nós o temos perdido grandemente como conseqüência da separação entre as Igrejas do Oriente e do Ocidente. Não faz muito tempo que Romano Guardini atraiu de novo a atenção sobre a liturgia como representação em seu célebre livro “O espírito da liturgia”.

Por assim dizer, não se observa nada parecido na prática da liturgia atual. O frio sopro do realismo vai se estendendo sobre o desenvolvimento litúrgico. Para encontrar a terceira raiz da atual desolação litúrgica, é necessário remontar à época gótica e à sua piedade subjetiva. Não é ainda a participação comum no desenrolar da liturgia, que une céus e terra e nos procura a graça divina, onde se centra a liturgia; mas o fato de encontrar a Deus e sua graça na oração pessoal.

A celebração da liturgia, pouco a pouco, se foi convertendo numa tarefa que pertencia somente ao clero. Os fiéis presentes se convertiam em simples espectadores, que seguiam as cerimônias rezando e olhando. Introduziram-se, para o povo, exercícios de piedade, fora da liturgia, ditos em língua vulgar, correspondentes à chamada “religião moderna” e a um novo ideal de piedade. A ruptura entre liturgia e piedade se foi fazendo cada vez mais profunda. O coração do povo palpitava pelas cerimônias extralitúrgicas, nas quais podia participar, e em particular as numerosas procissões como a do “Corpus” nascida nesta época, e nas peregrinações que eram cada vez mais populares.

Causar-nos-á estranheza poder constatar a aparição, ao fim da idade média, de uma espécie de primeiro “movimento litúrgico”. É provável que no início do humanismo este movimento tenha tido por origem a nova percepção que os homens começavam a ter de si mesmos. Aplicaram-se com zelo à tradução em língua vulgar dos textos da missa e do ofício divino, e para este último e de forma mais particular, os hinos. Encontrou-se em Turingia, datado por volta de 1400, um “Missale vulgare”, tal como se intitula o mesmo; um missal dos fiéis, onde ao lado das leituras, se encontra também a tradução de orações e de cânticos alternados do missal romano. Seguiram-lhe outros livros análogos.

Observa-se igualmente um florescimento dos cânticos em alemão. Criam-se novos hinos em língua vulgar apropriados para ser cantados entre os cantos latinos da missa ou seguindo a estes. Assim, no Natal, depois da prosa “Grates nunc omnes”, se canta por três vezes “Louvado seja Jesus Cristo” ou também hinos populares15 entre os versículos do “Gloria”. Além disso, apareceram então novos cânticos destinados às peregrinações e aos exercícios piedosos.


Fonte: A Reforma Litúrgica Romana - Monsenhor Klaus Gamber - Fundador do Instituto - Tradução por Luís Augusto Rodrigues Domingues (Teresina, PI - 2009) - Litúrgico de Ratisbona - Revisão por Edilberto Alves da Silva

domingo, 25 de novembro de 2012

25 de Novembro - Santa Catarina de Alexandria, Virgem e Mártir

Santa Catarina de Alexandria (festa em 25 de novembro), nasceu e viveu na Alexandria no início do século IV. Sua vida era bastante simples e piedosa já que tinha muitas riquezas, visto que o seu pai era rico e ela era muito bonita. A sua conversão e sua paixão por Jesus teve lugar em uma Ermida na qual ela descobriu sua fé. Se batizou e declarou publicamente a sua fé e que não queria homenagear ninguém nem o imperador, mas somente Jesus. Através de uma visão denunciou Maxentius por perseguir os cristãos. Metade dos seus convertidos foram queimados vivos por Maxentius. Maxentius ofereceu a Catarina um casamento real se ela renunciasse a sua fé. A sua recusa fez com que eles a levassem para a prisão. Na prisão, enquanto Maxentius estava fora, ela converteu a sua esposa e 200 de seus soldados. Na volta ele sentenciou todos a morte, e Catarina ao martírio.

Os atos do martírio eram descritos por escribas romanos que tinham ordens de relatar o martírio e dar pouca ênfase ao santo sendo martirizado de modo assustar os cristãos, pois a os atos eram expostos no local do martírio e na biblioteca em Roma. O martírio foi feito amarando-a a um poste e girava-se um roda de madeira com pás de ferro junto ao seu corpo e as pás iam dilacerando a carne num suplicio infernal. Os estudiosos dizem que as pás eram feitas, na época, de ferro, pelos mesmo ferreiros que faziam as ferraduras dos cavalos, de uma maneira grosseira, sem afiar a lamina, e desta forma, a carne era dilacerada por impacto e não por corte, provocando dores lancinantes, em especial na região dos seios. Mas com Santa Catarina a roda quebrou milagrosamente. Maxentius enfurecido mandou que fosse decapitada. Diz a lenda que de suas veias jorraram leite em vez de sangue.
No Monte Sinai tem um monastério com o seu nome.


Santa  Catarina era uma das vozes que Santa Joana d’Arc ouvia.

Ela é invocada contra acidentes no trabalho.

Na arte litúrgica da Igreja ela é mostrada segurando a roda com as pás de ferro.

Sua festa é celebrada no dia 25 de novembro.

O Monastério de Santa Catarina, no Monte Sinai é  renomado e é um dos mais velhos da cristandade. O arquiteto  começou a construir suas paredes em 542 DC. Séculos mais tarde, guiados por um sonho, os  monges desse monastério encontraram um corpo de mulher que eles tomaram como sendo o de Santa Catarina, que milagrosamente  teria sido levada da Alexandria para a Palestina por anjos.   
Nada é conhecido com certeza sobre ela  a não ser que foi uma virgem martirizada na Alexandria sob o Imperador Maximinus Daza como relatado na Historia da Igreja (viii,c14) por Euzebius. Sua “Acta” que é considerada por muitos sem valor, diz que ela é filha do Rei Costos de Chipre, que foi chamada a Alexandria para ser conselheiro do Imperador Maximinus. Os filósofos estavam na moda na alta sociedade de Alexandria e Catarina era devotada aos estudos e ela tinha uma boa cultura antes de alcançar os 18 anos. Durante seus estudos ela aprendeu sobre  Jesus Cristo. Catarina foi convertida por uma visão de Nossa Senhora e do Divino Infante.

Quando o Imperador Maximinus começou sua perseguição aos cristãos, Catarina foi ao imperador e o censurou pela sua tirania. Não conseguindo contra argumentar com ela, ele chamou vários de seus filósofos para com ela confrontar. Após eles admitirem que estavam convencidos pelos seus argumentos, o imperador furioso sentenciou que ela fosse queimada. O imperador se ofereceu para casar-se com ela mas ela recusou porque Cristo já havia aparecido a ela pessoalmente e colocado um anel em seu dedo( como Santa Catarina de Senna).

Por esta razão os cristãos  gregos a chamam ‘AEkatharina” isto é ‘sempre pura”.
 Ela foi açoitada por soldados durante horas e depois  presa enquanto o imperador partiu para inspecionar um campo. Sua cela ficou cheia de pombos e Cristo apareceu para ela em uma visão. Quando o imperador retornou, ele encontrou sua esposa Faustina e um oficial de nome Porphyrius, que haviam ido visitar Catarina  por curiosidade, convertidos e outros 200 homens da guarda imperial também convertidos. Todos foram condenados a morte.

Catarina foi sentenciada a ser morta na roda de navalhas conhecida com a Roda de Catarina.
Quando  ela foi colocada na mesma as algemas partiram-se e a roda quebrou e as navalhas  saltaram para fora matando alguns dos espectadores. Finalmente ela decapitada mas de suas veias saíram leite em vez de sangue. A lenda diz que por muitos anos óleos continuaram saindo de seus ossos e este óleo era um santo remédio na medicina da época, curando muitos doentes .

Em 527 o Imperador Justiniano construiu um monastério fortificado para os eremitas do Monte Sinai e o corpo de Catarina  supostamente foi para lá levado  no século 8°ou 9°. Desde então ele tem o seu nome. Ela é uma dos “santos ajudantes” que foram altamente venerados,  tanto individualmente como um grupo, durante a Idade Media.

Sant Joana dÁrc ouviu e seguiu fielmente a voz de Santa Catarina e de Santa Margareth. Talvez o Senhor deu Catarina a Joana para ajuda-la no debate com os famosos teólogos. A paixão de Catarina é a mesma de Joana, a qual conhecemos com detalhes. Joana é a Catarina dos tempos modernos. É uma mulher, uma santa, uma filósofa como  Catarina e não é preciso ser a filha de  um rei; da Virgem Maria e do Nosso Senhor é suficiente. Sem dúvida Catarina tinha a simplicidade de uma pastora, embora a filosofia e religião nunca são encontrados em perfeita harmonia. O que interessa é a fé pura e simples.

Por causa dos argumentos com os filósofos ela é considerado a padroeira dos filósofos. Catarina é também a padroeira dos estudantes, dos livreiros, das jovens  e dos fabricantes de rodas. Ela é padroeira das enfermeiras porque ao sangrar o seu sangue era leite.
É ainda a padroeira dos fazedores de selas, de cordas, dos estudantes de teologia da Universidade de Paris, e dos pregadores.

Seu emblema é uma roda com laminas. Ela é mostrada como uma virgem mártir, como uma jovem linda, segurando um livro ou a roda; as vezes é mostrada coroada pelos anjos e as vezes misticamente casando-se com o Divino Infante e visitando a Imperatriz Faustina na prisão; ou ainda com Cristo colocando um anel em seu dedo.  
 
Alguns historiadores e dizem que:

"Enquanto ela pode bem ter sido uma senhora nobre, educada e virginal que confundiu os pagãos com sua retórica durante as perseguições, o crescimento da lenda, romance e poesia há muito enterrou a real Catarina".

Fonte: Cadê meu Santo

sábado, 24 de novembro de 2012

Último Domingo depois de Pentecostes: "Então aparecerá no céu o sinal do filho do homem". (Ev.)

O ciclo litúrgico termina com esta ultima semana do ano eclesiástico, e com ela a história do mundo, que nos veio revelando desde a origem, no Advento até o seu término no último domingo depois de Pentecostes.


O breviário e o missal chamam a atenção para o fim do mundo e para o juízo final. Eis que o Senhor vai sair do seu lugar - diz o profeta Miqueias nas lições das orações de Matinas (Ofício divino). Descerá e pisará os altos da Terra. Destruirá as montanhas. E os vales fundir-se-ão como a cera na chama e como as águas que rolam para o abismo. E fará tudo isso por causa dos crimes de Jacó e dos pecados da casa de Israel. Depois de fulminar Israel com estas ameaças, o Profeta há de revelar a promessa de salvação. Cristo nascerá em Belém, e seu reino, o reino de Jerusalém celeste não terá fim. Os profetas Nahum, Abacuc, Sofonias, Ageu, Zacarias e Malaquias, que se leram durante a semana, confirmam o vaticínio de Miqueias. E Jesus no Evangelho começa por evocar a profecia de Daniel, que anuncia a a ruína total e definitiva do templo de Israel pelas armas romanas. Aquela abominável desolação era o castigo que o povo merecera por haver elevado ao auge, a sua infidelidade, rejeitando a pedra angular, que era Jesus Cristo. E nós sabemos como a profecia se realizou alguns anos após a morte do Salvador. A angústia foi tanta que se o assédio durasse por mais algum tempo nenhum judeu teria escapado da morte. Deus abreviou, porém, aqueles dias, para que se convertesse os que se salvassem depois desta prova tão rude. Assim acontecerá no fim do mundo "Tunc, então", quer dizer, quando Cristo voltar as atribulações serão mais angustiantes ainda. De novo reinará a abominação da desolação, porque "o homem da iniqüidade da oposição levantar-se-á, segundo o apóstolo, contra tudo que está ligado a Deus, e há de se sentar no templo e exigir um culto de divindade". Mas ainda Deus aqui abreviará estes dias terríveis por causa dos eleitos. Virá então o Senhor, não como da primeira vez, apagado e humilde num recanto da Terra, mas coroado de glória e fulgurante como um relâmpago. Os eleitos voarão ao seu encontro como as águias. Os cataclismos dos Céus e da terra darão sinais de sua vinda e todas as tribos verão o estandarte flutuante da Redenção e do filho do homem que se aproxima com grande poder e majestade. "Quando os maus desejos se apoderam de vós, comenta São Basílio, queria que pensassem naquele tribunal terrível onde todos de nós iremos ter de comparecer. Conduzidos um a um, nós, que estamos aqui a falar, daremos contas na presença do Universo de todas as ações de nossas vidas. E então aqueles que pecaram gravemente ver-se-ão cercados de anjos terríveis e disformes que os arrastarão para os abismos infernais e de confusão eterna. Isto deveis temer, e penetrados deste temor, servi-vos dele como um freio para cobrir a alma dos vícios e do pecado." E a Santa Igreja, instituindo no pensamento do Santo Doutor, exorta-nos pela boca de São Paulo, anda de maneira digna do Senhor, e há de frutificar de todas as espécies de obras, para que, fortalecidos com a graça divina, soframos com alegria e paciência as contrariedades da vida. Dando graças ao Pai que nos deu parte na herança do seu filho Nosso Senhor Jesus Cristo.


No fim dos tempos, tendo vencido totalmente os inimigos, que ressuscitarão para o castigo, e feito rei incontestável dos eleitos, que esperavam a sua vinda para entrar de corpo e alma na glória, Cristo deporá nas mãos do Pai o reino que conquistou por meio do seu Sangue, como homenagem perfeita da cabeça e dos membros. E será então a verdadeira Páscoa, a passagem plena a terra da promessa, a conquista e a ocupação definitiva da Jerusalém celeste, onde, nesse templo que não é obra humana, louvaremos o nome de Deus para sempre.

Epístola do Domingo:


Leitura da Epístola de São Paulo Apóstolo aos Colossenses (1, 9-14) - Irmãos: Por isso, também nós, desde o dia em que o soubemos, não cessamos de orar por vós e pedir a Deus para que vos conceda pleno conhecimento da sua vontade, perfeita sabedoria e penetração espiritual, para que vos comporteis de maneira digna do Senhor, procurando agradar-lhe em tudo, frutificando em toda boa obra e crescendo no conhecimento de Deus. Para que, confortados em tudo pelo seu glorioso poder, tenhais a paciência de tudo suportar com longanimidade. Sede contentes e agradecidos ao Pai, que vos fez dignos de participar da herança dos santos na luz. Ele nos arrancou do poder das trevas e nos introduziu no Reino de seu Filho muito amado, no qual temos a redenção, a remissão dos pecados.

Evangelho de Domingo:


Continuação do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo, segundo São Mateus: Naquele Tempo:
Jesus disse a seus discípulos: Quando virdes estabelecida no lugar santo a abominação da desolação que foi predita pelo profeta Daniel (9,27) - o leitor entenda bem o que é dito - então os habitantes da Judéia fujam para as montanhas.
Aquele que está no terraço da casa não desça para tomar o que está em sua casa.
E aquele que está no campo não volte para buscar suas vestimentas.
Ai das mulheres que estiverem grávidas ou amamentarem naqueles dias!
Rogai para que vossa fuga não seja no inverno, nem em dia de sábado;
porque então a tribulação será tão grande como nunca foi vista, desde o começo do mundo até o presente, nem jamais será.
Se aqueles dias não fossem abreviados, criatura alguma escaparia; mas por causa dos escolhidos, aqueles dias serão abreviados.
Então se alguém vos disser: Eis, aqui está o Cristo! Ou: Ei-lo acolá!, não creiais.
Porque se levantarão falsos cristos e falsos profetas, que farão milagres a ponto de seduzir, se isto fosse possível, até mesmo os escolhidos.
Eis que estais prevenidos.
Se, pois, vos disserem: Vinde, ele está no deserto, não saiais. Ou: Lá está ele em casa, não o creiais.
Porque, como o relâmpago parte do oriente e ilumina até o ocidente, assim será a volta do Filho do Homem.
Onde houver um cadáver, aí se ajuntarão os abutres.
Logo após estes dias de tribulação, o sol escurecerá, a lua não terá claridade, cairão do céu as estrelas e as potências dos céus serão abaladas.
Então aparecerá no céu o sinal do Filho do Homem. Todas as tribos da terra baterão no peito e verão o Filho do Homem vir sobre as nuvens do céu cercado de glória e de majestade.
Ele enviará seus anjos com estridentes trombetas, e juntarão seus escolhidos dos quatro ventos, duma extremidade do céu à outra.
Compreendei isto pela comparação da figueira: quando seus ramos estão tenros e crescem as folhas, pressentis que o verão está próximo.
Do mesmo modo, quando virdes tudo isto, sabei que o Filho do Homem está próximo, à porta.
Em verdade vos declaro: não passará esta geração antes que tudo isto aconteça.
O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não passarão.

Lefebvre, Dom Gaspar. Missal Quotidiano e Vesperal. Bruges, Bélgica; Abadia de S. André, 1960

Nossa Senhora do Sábado: Nossa Senhora da Apresentação

Tudo que sabemos da apresentação de Nossa Senhora no templo, sabemo-lo por lendas e informações extra-bíblicas (principalmente pelo proto-Evangelho de Tiago), o que não quer dizer que o assunto da festa careça de probabilidade histórica. Segundo uma piedosa lenda, Maria Santíssima, tendo apenas três anos de idade, foi pelos pais, em cumprimento de uma promessa, levada ao templo, para ali, com outras meninas, receber educação adequada à sua idade e posição. A Igreja oriental distinguiu este fato com as honras de uma festa litúrgica. A Igreja ocidental conhece a comemoração da Apresentação de Nossa Senhora desde o século VIII. Estabelecida primeiramente pelo Papa Gregório XI, em 1372, só para a corte papal, em Avignon, em 1585, Sixto V ordenou que fosse celebrada em toda a Igreja.
A Apresentação de Nossa Senhora encerra dois sacrifícios: A dos pais e da menina Maria. Diz a lenda que Joaquim e Ana ofereceram a Deus a filhinha no templo, quando esta tinha três anos. Sem dúvida, foi para estas santas pessoas um sacrifício muito grande separar-se da filhinha que se achava numa idade em que há pais que queiram confiar os filhos a mãos estranhas. Três anos é a idade em que a criança já recompensa de algum modo os trabalhos e sacrifícios dos pais, formulando palavras e fazendo já exercícios mentais que encantam e divertem, dando ao mesmo tempo provas de gratidão e amor filiais. São Joaquim e Santa Ana não teriam experimentado o sacrifício em toda a sua amargura? O coração dos amorosos pais não teria sentido a dor da separação? Que foi que os levou a fazer tal sacrifício? A lenda fala de um voto que tinham feito. Votos desta natureza não eram raros no Antigo testamento. As crianças eram educadas em colégios anexos ao templo, e ajudavam nos múltiplos serviços e funções da casa de Deus. Não erramos em supor que Joaquim e Ana, quando levaram a filhinha ao templo, fizeram-no por inspiração sobrenatural, querendo Deus que sua futura esposa e mãe recebesse uma educação e instrução esmeradíssima.

Grande era o sacrifício de Maria. Não resta dúvida que para Maria, a criança entre todas as mais privilegiada, a cerimônia da apresentação significava mais que a entrada no colégio do templo. Maria reconhecia em tudo uma solene consagração da vida a Deus, a oferta de si mesma ao Supremo Senhor. O sacrifício que oferecia, era a oferta das primícias, e as primícias, por mais insignificantes que sejam, são preciosas por serem uma demonstração da generosidade do ofertante, e uma homenagem a quem as recebe. Maria ofereceu-se sem reserva, para sempre, com contentamento e júbilo. O que o salmista cantou, cheio de entusiasmo, traduziu-se na alma da bem-aventurada menina: Quão amáveis são os teus tabernáculos, Senhor dos Exércitos! A minha alma suspira e desfalece pelos átrios do Senhor” . E entrarei junto ao altar de Deus; do Deus que alegra a minha mocidade.

Que espírito, tanto nos santos pais como na santa menina! Que espetáculo para o céu e para os homens! O que encanta a Deus e lhe atrai a graça, em toda a plenitude edifica e enleva a todos que se ocupam deste mistério na vida de Nossa Senhora. Poderá haver coisa mais bela que a piedade, o desprendimento completo no serviço do Senhor?

A vida de Maria Santíssima no templo foi a mais santa, a mais perfeita que se pode imaginar. O templo era a casa de Deus e na proximidade de Deus se sentia bem a bela alma em flor. O passarinho acha casa para si e a rôla ninho nos altares do Senhor dos Exércitos, onde um dia é melhor que mil nas tendas dos pecadores” . Santo era o lugar onde Maria vivia. Era o templo onde os antepassados tinham feito orações, celebrado as festas; era o templo onde se achava o santuário do Antigo testamento, a arca, o trono de Deus no meio do povo; era o templo afinal, de que as profecias diziam que o Messias nele devia fazer entrada.

Naquele templo a menina Maria rezava e se preparava para a grande missão que Deus lhe tinha reservado. Como os olhos da serva nas mãos da Senhora, assim os olhos de Maria estavam fitos no Senhor seu Deus”. Segundo uma revelação com que Maria agraciou a Santa Isabel de Turíngia todas as orações feitas naquele tempo se lhe resumiram no seguinte: 1) alcançar as virtudes da humildade, paciência e caridade; 2) conseguir amar e odiar tudo que a Deus tem amor ou ódio; 3) amar o próximo e tudo que lhe é caro; 4) a conservação da nação e do templo, a paz e a plenitude das graças de Deus e 5) finalmente ver o Messias e poder servir a sua santa Mãe.

Maria era o modelo de obediência, amor e respeito para com os superiores de caridade e amabilidade para com as companheiras. Tinha o coração alheio à antipatia, à rixa, ao azedume e ao amor próprio. Maria era uma menina humilde, despretensiosa e amante do trabalho. Com afã lia e estudava os Santos Livros.

Como as meninas do Colégio do templo se ocupavam de outros trabalhos concernentes ao serviço santo, é provável que Maria tenha recebido instruções sobre diversos trabalhos, como fossem: Pintura, trabalhos de agulha, canto e música. É opinião de muitos que o grande véu do templo, que na hora da morte de Jesus se partiu de alto a baixo, tenha sido confeccionado por Maria Santíssima e as companheiras.

Assim foi santíssima a vida de Maria no templo. O Divino Espírito Santo lapidou o coração e o espírito da esposa, mais do que qualquer outra criatura. Maria poderia aplicar a si as palavras contidas no Eclesiástico: Quando ainda era pequena, procurei a sabedoria na oração. Na entrada do templo instava por ela... Ela floresceu como uma nova temporã. Meu coração nela se alegrou e desde a mocidade procurei seguir-lhe o rastro”.

É de admirar que Maria, assim amparada pelos cuidados humanos e divinos, progredisse de virtude em virtude? De Nosso Senhor o Evangelho constata diversas vezes esta circunstância. Como Jesus, também Maria cresceu em graça e sabedoria diante de Deus e dos homens. Este crescimento a Igreja contempla-o em imagens grandiosas traçadas no Livro do Eclesiástico: “Sou exaltada qual cedro no Líbano, e qual cipreste no monte Sião. Sou exaltada qual palma em Cedes e como rosais em Jericó. Qual oliveira especiosa nos campos e qual plátano, sou exaltada junto da água nas praças. Assim como o cinamomo e o bálsamo que difundem cheiro, exalei fragrância; como a mirra escolhida derramei odor de suavidade na minha habitação; como uma vide, lancei flores| de um agradável perfume e as minhas flores são frutos de honra e de honestidade”. Nunca houve mocidade tão santa e esplendorosa como a de Maria Santíssima. Outra não poderia ser, devendo Maria preparar-se para a realização do mistério dos mistérios; da Encarnação do Verbo Eterno.