terça-feira, 30 de abril de 2013

Preparação para a morte: Da Glória


Cristo glorioso
PONTO III

A maior tribulação, que neste mundo aflige as almas que amam a Deus, é a de se acharem desola-das e sem consolo; é o receio de não o amarem e de não serem amadas por ele (Ecl 19,1). No céu, porém, a alma está certa de que se acha venturosamente abismada no amor divino, e de que o Senhor a abraça como filha predileta, sem que esse amor jamais possa acabar-se. Ao contrário, essas chamas se hão de intensificar ainda mais na alma com o conhecimento mais perfeito que terá então do amor que impeliu Jesus a morrer por nós e a instituir o Santíssimo Sacramento, no qual Deus mesmo se dá como ali-mento ao homem. Verá a alma distintamente todas as graças que Deus lhe prodigalizou, livrando-a de tantas tentações e perigos de perder-se, e reconhecerá que aquelas tribulações, enfermidades, perseguições e reveses, que chamara desgraças e tivera por castigos, eram manifestações do amor de Deus e meios que a Divina Providência punha em prática para a levar ao Paraíso. Reconhecerá, primordialmente, a paciência que Deus teve em esperá-la depois de tê-lo ofendido tanto, e a nímia misericórdia de conceder-lhe não só o perdão, mas ainda cumulá-la de luzes e convites amorosos. Daquelas alturas venturosas, verá que existem no inferno muitas almas condenadas por culpas menores que as suas e aumentar-se-lhe-á a gratidão por ter-se santificado, gozar da posse de Deus e jamais perder o Bem soberano e infinito.

O bem-aventurado gozará eternamente dessa felicidade incomparável que a cada instante lhe parece-rá nova, como se então a começasse a desfrutar. Desejará ter sempre essa felicidade e a possuirá sem cessar: sempre desejosa e sempre satisfeita; sempre ávida e sempre saciada. O desejo, no paraíso da glória, não vai acompanhado de temor, nem o gozo engendra nenhum enfado. Em suma: assim como os réprobos são vasos de ira, assim os eleitos são vasos de júbilo e de felicidade, de sorte que nada lhes resta a desejar. Diz Santa Teresa, que, mesmo aqui na terra, quando Deus admite as almas em sua adega, isto é, no seu amor divino, as embriaga de tal felicidade que perdem toda a afeição às coisas terrenas. Mas, no céu, muito mais perfeita e plenamente os eleitos de Deus, segundo diz David, serão embriagados na abundância de sua casa. A alma, então, face a face com o seu Senhor e unindo-se ao Sumo Bem, presa de amoroso delíquio, abismar-se- á em Deus e, esquecida de si mesma, só pensará em amar, louvar e bendizer o Bem infinito que possui.
Quando as cruzes da vida nos oprimem, esforcemo-nos por suportá-las pacientemente com a esperança do céu. À hora da morte, o abade Zósimo perguntou a Santa Maria Egipcíaca, como tinha podido viver tantos anos no deserto, ao que a Santa respondeu: — Com a esperança na glória... Quando ofereceram a São Filipe Néri a dignidade de cardeal, atirou para longe de si o barrete, exclamando: O céu, o céu é que eu desejo. Frei Gil, religioso franciscano, ele-vava-se extático, cada vez em que ouvia o nome do paraíso celeste. Pois bem! quando nos atormentarem e angustiarem as misérias deste mundo, levantemos os olhos ao céu e consolemo-nos com a esperança da felicidade eterna.

Consideremos que, sendo fiéis a Deus, hão de em breve acabar-se todos esses trabalhos, essas mi-sérias e inquietações, e seremos admitidos à pátria celestial, onde viveremos plenamente felizes, enquanto Deus for Deus. Ali nos esperam os Santos, ali a Virgem Santíssima, ali Jesus Cristo nos prepara a coroa imarcescível do reino da eterna glória.

AFETOS E SÚPLICAS
Meu querido Salvador, vós mesmo me ensinaste a rezar deste modo: Adveniat regnum tuum. Suplico-vos, pois, Senhor, que venha o vosso reino à minha alma, de maneira que tomeis dela posse completa e que ela vos possua a vós, como Bem sumo e infinito. Meu Jesus, nada poupastes para salvar-me e para conquistar o meu amor. Salvai-me, pois. Seja minha salvação amar-vos sempre nesta e na vida eterna.

Apesar de tantas vezes vos ter abandonado, sei que não desdenhareis de abraçar-me eternamente no céu com tanta ternura como se nunca vos tivesse ofendido. E sabendo disso, como não poderia eu amar-vos sobre todas as coisas, a vós, que me quereis dar o paraíso, apesar de que tantas vezes merecesse o inferno?... Oxalá, Senhor, nunca vos tivesse ofendido! Se pudesse renascer, quisera amar-vos sempre!... Mas o que está feito, está feito. Só posso oferecer-vos o restante da minha vida. Sem reserva, vo-la dou; consagro-me inteiramente ao vosso serviço...

Saí do meu coração, afetos terrestres, dai lugar ao meu Deus e Senhor, que o quer possuir unicamente!... Todo ele é vosso, meu Redentor, meu Amor e meu Deus. De hoje em diante, só quero pensar em vos ser agradável. Ajudai-me com a vossa graça: assim o desejo eficaz de servir-vos... Ó glória, ó céu!... Quando vos poderei ver face a face, Senhor?...

Meu Deus, guiai-me e protegei-me para que jamais vos ofenda!...

 Ó Maria Santíssima, quando me verei a vossos pés na glória do paraíso? Socorrei-me, minha Mãe; não permitais que me condene e que me veja longe de vós e do vosso divino Filho.


V/: Requiem aeternam dona eis, Domine, et lux perpetua luceat eis. Requiescant in pace. R:/ Amém.


Fonte: Preparação para a Morte - Santo Afonso Maria de Ligório - Considerações sobre as verdades eternas - Tradução de Celso de Alencar - Versão PDF de FL. Castro - 2004 


30 de Abril - Santa Catarina de Siena, Virgem



Santa Catarina de Siena nasceu em Siena no dia da Anunciação e começou a ter experiências místicas aos 6 anos vendo anjos da guarda, claramente com as pessoas as quais eles protegiam. Tornou-se uma Dominicana quando tinha 16 anos e ainda continuou a ter visões de Cristo, Maria e dos santos. Santa Catarina foi uma das mais brilhantes mentes teológicas do seu tempo, não tendo entretanto qualquer educação formal. Trabalhou com êxito como moderadora entre a Santa Sé e Florença e persuadiu o Papa a voltar para Roma de Avignon. Finalmente conseguiu a conciliação no reinado do Papa Urbano VI. Mas tarde Santa Catarina se estabeleceu em Roma, onde lutou infatigavelmente com orações, exortações e cartas para ganhar novos partidários para o Papa legítimo. Em 1377 quando ela morreu, já havia conseguido curar as feridas e acabar com o Grande Schisma Ocidental.

Santa Catarina de Siena foi ao Convento onde estava a sua sobrinha de nome Eugenia, e foi visitar o corpo incorrupto de Santa Agnes de Montepulciano, para venera-la. Quando ela se inclinou para beijar o pés de Santa Agnes, todos ficaram maravilhados ao verem que Agnes levantava o seu pé, suavemente, ao encontro dos lábios de Catarina.

Ela teve visões de Jesus, Maria, São João, São Paulo e São Domingos, o fundador da Ordem dos Dominicanos. Durante uma dessas visões a Virgem Maria a apresentou a Jesus que a desposou, colocando um anel de ouro com quatro pérolas em um círculo e um grande diamante no centro, dizendo a ela: "receba isto como um penhor e testemunho que você é minha e será minha para sempre".
Experimentou maravilhosas experiências misticas. Com a idade de 26 anos, ela começou a sentir as dores de Cristo, em seu corpo. Dois anos mais tarde, em 1375, durante uma visita a Pisa, ela recebeu a Comunhão na pequena igreja de Santa Christina. Quando ela meditava e agradecia orando ao crucifixo, raios de luz furaram suas mãos, pés e o lado e todos puderam ver os estigmas de Cristo nela. Por causa de tanta dor ela não falava nem comia. Assim ficou por oito anos sem comer líquidos ou qualquer outra coisa que não fosse a Sagrada Comunhão (Inédia).
Ela orava para que as marcas não fosse muito visíveis, e elas ficaram pouco visíveis, mas após sua morte os estigmas ficaram bem visíveis em seu corpo incorrupto, como uma transparência na pele, no local das chagas de Cristo.

As vezes quando orava ela levitava. Uma vez quando recebia a Sagrada Comunhão o padre sentiu a hóstia tornar-se viva, movendo-se agitada e voando de seus dedos para a boca de Catarina.

Na "Vida de Santa Catarina" a Madre Francisca Raphaela relata que a santa era imune ao fogo. Ela conta que certa vez Catarina caiu em um fogo na cozinha e apesar do fogo ser grande quando foi retirada dêle por outros membros presentes, nem ela, nem suas roupas estavam sequer chamuscadas.

Túmulo de Santa Catarina de Siena


Das cartas de Santa Catarina de Siena há uma trilogia chamada "O Diálogo" que é considerado o mais brilhante escrito da história da Igreja Católica. Morreu jovem, aos 33 em  anos de idade, em 29 de abril de 1380, mas   seu corpo foi encontrado incorrupto e conservado em 1430.

Foi canonizada em 1461 e declarada Doutora da Igreja em 1970.
É co-padroeira do Continente Europeu junto com Santa Edith Stein e Santa Brígida da Suécia, e padroeira da Itália junto com São Francisco de Assis.

Ela é padroeira dos Consultores. 

A festa em comemoração a santa em Criciuma, Santa Catarina  é uma das mais lindas do Brasil.

Fonte: Cadê meu Santo

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Liturgia Católica: RITVS ROMANVS ET RITVS MODERNVS (Parte II)

As "missa afro" são sinais claros das incoerências do pós concílio


Na Idade Média, as dioceses e as igrejas que não tinham adotado espontaneamente o Missal em uso em Roma, usavam um próprio e por isto nenhum Papa manifestou surpresa ou desgosto... Mas quando a defesa contra o protestantismo tornou necessário um Concílio, o Concílio de Trento encarregou o Papa de publicar um missal corrigido e uniforme para todos. Agora, pois, com a melhor vontade do mundo, eu não chego a encontrar em tal deliberação do Concílio o ecumenismo que Rennings vê.

O que fez São Pio V? Como já dissemos, tomou o missal em uso em Roma e em tantos outros
lugares, deu-lhe retoques, especialmente reduzindo o número das festas dos Santos que continha. Ele o tornou obrigatório para toda a Igreja? De modo algum! Respeitou até as tradições locais que pudessem se gloriar de ter, pelo menos, duzentos anos de idade. Assim, propriamente: era suficiente que o missal estivesse em uso, pelo menos, há duzentos anos, para que pudesse permanecer em uso ao lado e no lugar daquele publicado por São Pio V. O fato de que o Missale Romanum tenha se difundido tão rapidamente e tenha sido espontaneamente adotado também em dioceses que tinham o próprio mais que bicentenário, deve-se a outras causas; não, por certo, a pressão exercida sobre elas por Roma. Roma não exerceu sobre elas nenhuma pressão, e isto numa época em que, bem diferente do que acontece hoje, não se falava de pluralismo, nem de tolerância.


O primeiro Papa que ousou inovar o Missal tradicional foi Pio XII, quando modificou a liturgia da Semana Santa. Seja-nos permitido observar, a respeito, que nada impedia de restabelecer a Missa do Sábado Santo no curso da noite de Páscoa, ainda que sem modificar o rito.

João XXIII o seguiu por este caminho, retocando as rubricas. Mas nem um nem o outro, ousaram inovar sobre o Ordo Missae, que continuou invariável. Porém a porta tinha sido aberta, e por ela cruzaram aqueles que queriam uma substituição radical da liturgia tradicional e que a obtiveram. Nós, que tínhamos assistido com espanto a esta resolução, contemplamos agora aos nossos pés as ruínas, não da Missa Tridentina, mas da antiga e tradicional Missa Romana, que foi se aperfeiçoando através do curso dos séculos até alcançar sua maturidade. Não era perfeita a ponto de não ser ulteriormente mais aperfeiçoada, mas para adaptá-la ao homem de hoje não havia necessidade de substituí-la: bastavam alguns pequeníssimos retoques,deixando a salvo e imutável todo o resto.

Mas ao contrário, quiseram suprimi-la e substituí-la com uma liturgia nova, preparada com precipitação e, diremos, artificialmente: com o Ritus Modernus. Ó, como se vê aparecer de modo sempre mais claro e alarmante o oculto fundo teológico desta reforma! Sim, era fácil obter uma mais ativa participação dos fiéis nos santos mistérios, segundo as disposições conciliares, sem necessidade de transformar o rito tradicional.

Porém a meta dos reformadores não era obter a mencionada maior participação ativa dos fiéis, mas fabricar um rito que interpretasse sua nova teologia, aquela mesma que está na base dos novos catecismos escolares. Já se vêem agora as conseqüências desastrosas que não se revelarão plenamente até que passem uns cinqüenta anos.

Para chegar aos seus objetivos, os progressistas souberam explorar mui habilmente a obediência às prescrições romanas dos sacerdotes e dos féis mais dóceis... A fidelidade e o respeito devido ao Pai da Cristandade não chegam ao ponto de exigir uma aceitação despojada do devido sentido crítico de todas as novidades introduzidas em nome do Papa.

A fidelidade à Fé, antes de tudo! Agora, a Fé, parece-me que se encontra em perigo com a nova liturgia, ainda que não me atreva a declarar inválida a Missa celebrada segundo o Ritus Modernus. É possível que vejamos a Cúria Romana e certos bispos – aqueles mesmos que nos querem obrigar, com suas ameaças, a adotar o Ritus Modernus –, descuidar de seu próprio dever específico de defensores da Fé, permitindo certos professores de teologia a enterrar os dogmas mais fundamentais de nossa Fé e aos discípulos dos mesmos propagar ditas opiniões heréticas em periódicos, livros e catecismos?

É possível que vejamos a Cúria Romana e certos bispos – aqueles mesmos que nos querem obrigar, com suas ameaças, a adotar o Ritus Modernus –, descuidar de seu próprio dever específico de defensores da Fé, permitindo certos professores de teologia a enterrar os dogmas mais fundamentais de nossa Fé e aos discípulos dos mesmos propagar ditas opiniões heréticas em periódicos, livros e catecismos?

O Ritus Romanus permanece como o último rochedo no meio da tempestade. Os inovadores sabem muito bem disso. Daqui parte seu ódio furioso contra o Ritus Romanus, que combatem sob o pretexto de combater uma nunca existida Missa Tridentina. Conservar o Ritus Romanus não é uma questão de estética: é, para nossa Santa Fé, questão de vida ou morte. Logo tornaremos ao assunto.

Fonte: A Reforma Litúrgica Romana - Monsenhor Klaus Gamber - Fundador do Instituto - Tradução por Luís Augusto Rodrigues Domingues (Teresina, PI - 2009) - Litúrgico de Ratisbona - Revisão por Edilberto Alves da Silva

29 de Abril - São Pedro de Verona, Mártir



Pedro nasceu em Verona-Itália no ano de 1205.

Seus pais eram hereges maniqueus, adeptos da doutrina religiosa herética do persa Mani, Manes ou Maniqueu, caracterizada pela concepção dualista do mundo, em que espírito e matéria representam, respectivamente, o bem e o mal. 

Entretanto, o único colégio que havia no local era católico e lá o menino não só aprendeu as ciências da vida como os caminhos da alma.
Pedro se converteu e se separou da família, indo para Bolonha para terminar os estudos. Ali acabava de ser fundada a Ordem dos Dominicanos, onde ele logo foi aceito, recebendo a missão de evangelizar.
Foi o que fez, viajando por toda a Itália, espalhando suas palavras fortes e um discurso de fé que convertiam as massas. Todas as suas pregações eram acompanhadas de graças, que impressionavam toda comunidade por onde passava. E isso logo despertou a ira dos hereges. 

Primeiro inventaram uma calúnia contra ele. Achando que aquilo era uma prova de Deus, Pedro não tentou provar inocência. Aguardou que Jesus achasse a hora certa de revelar a verdade. Foi afastado da pregação por um bom tempo, até que a mentira se desfez sozinha, e ele foi chamado de volta e aclamado pela comunidade. 

Voltando às viagens evangelizadoras, seus inimigos o afrontaram de novo tentando provar que suas graças não passavam de um embuste. Um homem fingiu estar doente, e outro foi buscar Pedro.
Este, percebendo logo o que se passava, rezou e pediu a Deus que, se o homem estivesse mesmo doente, ficasse curado. Mas, se a doença fosse falsa, então que ficasse doente de verdade. O maniqueu foi tomado por uma febre violentíssima, que só passou quando a armadilha foi confessada publicamente.
Perdoado por Pedro, o homem se converteu na mesma hora. Pedro anunciou, ainda, não só o dia de sua morte, como as circunstâncias em que ela ocorreria. E, mesmo tendo esse conhecimento, não deixou de fazer a viagem que seria fatal. 

No dia 29 de abril de 1252, indo da cidade de Como para Milão, foi morto com uma machadada por um maniqueu que o emboscou.
O nome do assassino era Carin, que, mais tarde, confessou o crime e, cheio de remorso, se internou como penitente no convento dominicano de Forli. 

Imediatamente, o seu culto se difundiu em meio a comoção e espanto dos fiéis, que passaram a visitar o seu túmulo, onde as graças aconteciam em profusão.

Apenas onze meses depois, o papa Inocente IV canonizou-o, fixando a festa de são Pedro de Verona para o dia de sua morte.

Fonte: Últimas e Derradeiras Graças

sábado, 27 de abril de 2013

IV Domingo depois da Páscoa: "Se eu não for, o Espírito consolador não virá a vós; mas eu vo-lo enviarei."(Ev.)





(Duples - Paramentos Brancos)
A liturgia de hoje louva a justiça divina, que se manifestou no triunfo do Senhor, e pela descida do Espírito Santo, que, de volta ao céu, o Senhor prometera. Deus que dera testemunho de seu filho, ressuscitando-o dos mortos, condena o mundo que o crucificou. Este testemunho brilhante da justiça divina deve-nos consolar as almas das amarguras e das dificuldades da vida presente.
Jesus abriu-nos o caminho; Ele é o caminho, a verdade e a vida. Enquanto vivermos nesta terra temos de beber sem dúvida o amargor do exílio, de amargar com a perseguição e a hostilidade dos elementos adversos, mas quando desabrochar no dia pleno e luminoso, que antevemos, a aurora que nos leva, se não olharmos para trás, para esses pedaços de noite e dia por onde passamos, havemos de sentir com certeza como foi breve o caminho e suave o sofrimento que nos conduziram a tão grande vitória.
São Tiago exorta-nos a sofrer com paciência, com paciência cristã evidentemente, as arestas e as fadigas da jornada, porque a paciência, diz o apóstolo, dá perfeição a obra, à obra da nossa santificação, e assemelha-nos a Deus "em quem não há vicissitude nem mudança".


Epístola

Leitura da Epístola de São Pedro Apóstolo (IPedr 2,11-19): Caríssimos, rogo-vos que, como estrangeiros e peregrinos, vos abstenhais dos desejos da carne, que combatem contra a alma. Comportai-vos nobremente entre os pagãos. Assim, naquilo em que vos caluniam como malfeitores, chegarão, considerando vossas boas obras, a glorificar a Deus no dia em que ele os visitar. Por amor do Senhor, sede submissos, pois, a toda autoridade humana, quer ao rei como a soberano, quer aos governadores como enviados por ele para castigo dos malfeitores e para favorecer as pessoas honestas. Porque esta é a vontade de Deus que, praticando o bem, façais emudecer a ignorância dos insensatos. Comportai-vos como homens livres, e não à maneira dos que tomam a liberdade como véu para encobrir a malícia, mas vivendo como servos de Deus. Sede educados para com todos, amai os irmãos, temei a Deus, respeitai o rei. Servos, sede obedientes aos senhores com todo o respeito, não só aos bons e moderados, mas também aos de caráter difícil. Com efeito, é coisa agradável a Deus sofrer contrariedades e padecer injustamente, por motivo de consciência para com Deus. 
Evangelho de Domingo:

Continuação do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São João (16, 16-22): Naquele tempo: Disse Jesus a seus discípulos:
Agora vou para aquele que me enviou, e ninguém de vós me pergunta: Para onde vais?
Mas porque vos falei assim, a tristeza encheu o vosso coração.
Entretanto, digo-vos a verdade: convém a vós que eu vá! Porque, se eu não for, o Paráclito não virá a vós; mas se eu for, vo-lo enviarei.
E, quando ele vier, convencerá o mundo a respeito do pecado, da justiça e do juízo.
Convencerá o mundo a respeito do pecado, que consiste em não crer em mim.
Ele o convencerá a respeito da justiça, porque eu me vou para junto do meu Pai e vós já não me vereis;
ele o convencerá a respeito do juízo, que consiste em que o príncipe deste mundo já está julgado e condenado.
Muitas coisas ainda tenho a dizer-vos, mas não as podeis suportar agora.
Quando vier o Paráclito, o Espírito da Verdade, ensinar-vos-á toda a verdade, porque não falará por si mesmo, mas dirá o que ouvir, e anunciar-vos-á as coisas que virão.
Ele me glorificará, porque receberá do que é meu, e vo-lo anunciará.

Lefebvre, Dom Gaspar. Missal Quotidiano e Vesperal. Bruges, Bélgica; Abadia de S. André, 1960.

Nossa Senhora do Sábado: Nossa Senhora da Alegria (Lièsse)



Na diocese de Laon se acha o célebre santuário de Nossa Senhora de Lièsse. Este nome significa Nossa Senhora da Alegria, e foi dado em memória dum acontecimento feliz que o santuário de Lièsse recorda.
Durante o reinado de Fulco de Anjou, quarto rei de Jerusalém, três fidalgos de Laon, partidos para a Cruzada, foram feitos prisioneiros e conduzidos ao Cairo. O sultão tentava, por ameaças e seduções, fazê-los abjurar a sua fé. Não conseguiu abalar a piedosa fidelidade de seus prisioneiros; pelo contrário, estes converteram a filha do príncipe, que decidiu não só deixá-los evadir-se, como também os acompanhou.
A evasão produziu-se sem embaraço, levando os fugitivos consigo uma imagem da Santíssima Virgem. Mas a sua situação era muito perigosa, e, uma noite, abatidos pela fadiga e incertos do futuro, adormeceram desanimados.
Ao despertar, qual não foi a surpresa! Reconheceram sua terra natal. Estavam em França. Em uma noite foram transportados milagrosamente do Egito para a sua pátria. No outro dia, acharam no mesmo lugar a estátua de Nossa Senhora, que trouxeram na fuga.
Como explicar a sua alegria e sua gratidão pelo milagroso livramento? Fizeram erigir à Maria um santuário onde aprouve à Virgem Santíssima multiplicar os beneficios e as graças.
Peçamos à Mãe de Deus que nos seja refúgio nas nossas tribulações, e confiemos todas as nossas alegrias àquela que a Igreja chama de Mãe da Esperança e de Santa Alegria.
(Mês de Maria, Pe. B. Bord – Editora Vozes Ltda, Petrópolis – 1ª. edição, 1940, pp. 72 – 74)

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Teologia Ascética e Mística: Como os atos meritórios aumentam a graça e a glória

Caridade - Giotto

A primeira vista parece difícil compreender os atos, tão simples, tão comuns e essencialmente transitórios, podem merecer a vida eterna. Esta dificuldade seria insolúvel, se esses atos viessem unicamente de nós: mas eles são, em realidade, obra de dois, resultado da cooperação de Deus e da vontade humana, e é isso o que explica a sua eficácia: coroando os nosso méritos, coroa Deus também os nossos dons, porque tem nesses méritos uma parte preponderante. Expliquemos, pois, a parte de Deus e a do homem: assim melhor compreenderemos a eficácia dos atos meritórios.

Deus é a causa principal e primária dos  nossos méritos: "Não sou em quem opera, diz São Paulo, é a graça de Deus comigo: Non ego, sed gratia Dei mecum" (I Cor 15, 40). Foi Ele, efetivamente, quem criou as nossas faculdades, foi Ele quem as elevou ao estado sobrenatural, aperfeiçoando-as pelas virtudes e os dons do Espirito Santo. É Ele, que pela graça atual, preveniente e adjuvante, nos solicita a fazer o bem e nos ajuda a fazê-lo. É Ele, pois, a causa primária que põe em movimento a nossa vontade e lhe permitem operar sobrenaturalmente.

Mas a nossa vontade livre, correspondendo às solicitações de Deus, opera sob o influxo da graça e das virtudes, e assim se torna causa secundária, mas real e eficiente, de nosso atos meritórios, porque somos colaboradores de Deus. Sem este livre consentimento, Não há mérito: no céu já não há merecimento, porque não podemos deixar de amar esse Deus que vemos claramente ser a bondade infinita e a fonte de nossa bem-aventurança. Por outro lado, a nossa mesma cooperação é sobrenatural: pela graça habitual somos divinizados em nossa substância, pelas virtudes infusas e pelos dons somo-lo em nossas faculdades, pela graça atual até em nossos atos o somos. Há, pois, proporção real entre as nossas ações tomadas assim deiformes, e a graça, que é também em si uma vida deiforme, ou a glória, que não é mais que a completa evolução da mesma vida. É certo que esses atos são transitórios, e a glória é eterna; mas se avida natural, atos que passam produzem hábitos e estados de alma que permanecem, justo é que o mesmo suceda na ordem sobrenatural, e que os nossos atos de virtude, vistos produzem em nossa alma uma disposição habitual de amar a Deus, sejam remunerados com uma recompensa duradora; e, como a nossa alma é imortal, convém que esta recompensa não tenha fim.

Poder-se-iam objetar sem dúvida que, não obstante esta proporção, Deus não é obrigado a dar-nos recompensa tão nobre e duradoura como a graça e a glória. De boa mente concedemos tudo isso e reconhecemos que Deus, em sua infinita bondade, nos dá mais do que merecemos; não teria, pois, obrigação de nos admitir ao gozo da eterna visão beatífica, se não o tivesse prometido. Mas prometeu-o pelo mesmo fato de nos haver destinado a um fim sobrenatural; e essa promessa é-nos mais duma vez recordada na Sagrada Escritura onde a vida eterna nos é apresentada como recompensa prometida aos justo e coroa de justiça (Tiago 1,12). E é por isso que o concílio de Trento nos declara que a vida eterna é a um tempo graça misericordiosamente prometida por Jesus Cristo, e recompensa em virtude da promessa de Deus, é fielmente concedida às boas obras e aos méritos.

É em virtude desta promessa que se pode concluir que o mérito propriamente dito é algo pessoal: é para nós e não para os outros que merecemos a graça e a vida eterna, porque a divina promessa não se estende mais longe. - Inteiramente diverso é o caso de Nosso Senhor Jesus Cristo que, tendo sido constituído cabeça moral da humanidade. em virtude desse múnus, mereceu, em sentido rigoroso, para cada um dos seus membros.

É certo que podemos merecer também para os outros, mas com mérito de conveniência; e isto já é bem consolador, pois que esse mérito se vem acrescentar ao para o que já adquirimos para nós mesmos, e assim nos permite trabalhar em nossa santificação, e ao mesmo tempo cooperar na dos nossos irmãos. Vejamos, pois, as condições que aumentam o valor dos nossos atos meritórios. 

(Fonte: Compêndio de Teologia e Ascética e Mística [pag 146]- AD. Tanquerey - 1961)

quinta-feira, 25 de abril de 2013

25 DE MARÇO - SÃO MARCOS, EVANGELISTA





(Duples de 2ª Classe - Paramentos Vermelhos)

São Marcos, discípulo do Príncipe dos Apóstolos, que numa de suas cartas lhe chama seu "filho", é um dos quatro Evangelistas. Devemos-lhe o segundo Evangelho, o mais breve e o mais vivo, onde se sente vibrar ainda a voz do pescador. A narração começa pela missão de São João Batista, a voz que se ouve no deserto". Foi por este motivo que a tradição cristã representou sempre o Evangelista com um leão aos pés; o leão que é um dos animais simbólicos da visão de Ezequiel, faz retumbar o deserto com os seus rugidos. Foi um dos setenta e dois discípulos e o primeiro a pregar o evangelho no Egito. Sofreu o martírio provavelmente em Alexandria. Roma possui uma Igreja dedicada a São Marcos, onde se faz a estão na segunda-feira da terceira semana da Quaresma.

Oratio - Deus, qui beátum Marcum Evangelístam tuum evangélicae praedicatiónis gratia sublimásti: tríbue, quaesumus; ejus nos semper et eruditióne proficere et oratione deféndi. Per Dóminum nostrum Jesum Christum.

Epístola:

Leitura da Profecia de Ezequiel (1, 10-14): Eis a figura dos quatro animais: Quanto ao aspecto de seus rostos tinham todos eles figura humana, todos os quatro uma face de leão pela direita, todos os quatro uma face de touro pela esquerda, e todos os quatro uma face de águia. Eis o que havia no tocante as suas faces. Suas asas estendiam-se para o alto; cada qual tinha duas asas que tocavam às dos outros, e duas que lhe cobriam o corpo. Cada qual caminhava para a frente: iam para o lado aonde os impelia o espírito; não se voltavam quando iam andando. No meio desses seres, divisava-se algo parecido com brasas incandescentes, como tochas que circulavam entre eles; e desse fogo que projetava uma luz deslumbrante, saíam relâmpagos. Os seres ziguezagueavam como o raio.



Evangelho:

Continuação do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas (10,1-9): Naquele tempo designou o Senhor ainda setenta e dois outros discípulos e mandou-os, dois a dois, adiante de si, por todas as cidades e lugares para onde ele tinha de ir. Disse-lhes: Grande é a messe, mas poucos são os operários. Rogai ao Senhor da messe que mande operários para a sua messe. Ide; eis que vos envio como cordeiros entre lobos. Não leveis bolsa nem mochila, nem calçado e a ninguém saudeis pelo caminho. Em toda casa em que entrardes, dizei primeiro: Paz a esta casa! Se ali houver algum homem pacífico, repousará sobre ele a vossa paz; mas, se não houver, ela tornará para vós. Permanecei na mesma casa, comei e bebei do que eles tiverem, pois o operário é digno do seu salário. Não andeis de casa em casa. Em qualquer cidade em que entrardes e vos receberem, comei o que se vos servir. Curai os enfermos que nela houver e dizei-lhes: O Reino de Deus está próximo.

Lefebvre, Dom Gaspar. Missal Quotidiano e Vesperal. Bruges, Bélgica; Abadia de S. André, 1960.

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Catecismo Romano: Instituição do Batismo


1. Época da Instituição: Desta matéria devem os pastores falar com assiduidade. Dirão que, (na instituição) do Batismo é preciso distinguis dois momentos determinados. O primeiro, quando Nosso Senhor o instituiu; o segundo quando impôs a obrigação de recebê-lo.

Quanto ao primeiro, não resta dúvidas que Nosso Senhor instituiu este sacramento, quando conferiu a água a virtude de santificar, na ocasião que ele mesmo se fez batizar por São João. Dizem São Gregório de Nazianzo e Santo Agostinho: que naquele instante, a água adquiriu a força de regenerar para a vida espiritual . Noutro lugar Santo Agostinho  escreve: "Desde que Cristo nasceu na água, limpa a água todos os pecados". e noutra parte ainda: "Nosso Senhor recebeu o Batismo não porque necessitava de purificação, mas para que o contato com o seu corpo puríssimo as águas se purificassem, e adquirissem virtude de purificar".

Uma grande prova desta verdade é que por então a Santíssima Trindade, em cujo o nome se confere o santo Batismo, manifestou a sua divina presença. Ouviu-se a voz do Pai, estava ali a presença do Filho, e o Espírito Santo desceu em forma de pomba. Além disso, abriram-se os céus, para onde já nos é dados subir pela graça do Batismo.

Todavia, se alguém quiser indagar por que motivo Nosso Senhor conferiu a água uma força tão ampla e tão sobrenatural, [verá que] isto não fica ao alcance da inteligência humana.

No entanto, poderemos compreender que a água, no Batismo de Nosso Senhor, ao tocar o seu Corpo Santíssimo e Puríssimo, foi consagrada para uso salutar do Batismo. Mas, conforme a fé nos ensina, isso acontece de tal maneira, que este sacramento, com ser instituído antes da Paixão, que era por assim dizer o fim e a consumação de todas as obras  de Cristo.

2. Época da lei geral do Batismo: Acerca do outro momento, em que a lei do Batismo foi promulgada, não há lugar para incertezas. Todos os escritores eclesiásticos concordam em dizer que foi depois da Ressurreição de Nosso Senhor, quando ele ordenou aos Apóstolos: "Ide ensinai todos os povos, batizai-os em nome do Padre, do Filho, e do Espírito Santo" (Mt 28,19). Desde então, começou a vigorar a lei do Batismo para todos os homens, que queriam alcançar a eterna salvação.

E' o que provam as palavras autorizadas do Príncipe dos Apóstolos: "[Deus] nos fez renascer à esperança da vida, pela Ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos"(Pedro 1,3). Prova igual se pode tirar daquela passagem, em que São Paulo falava da Igreja: "[Cristo] entregou-se a si mesmo por ela, para a santificar, purificando-a no banho da água pela palavra"(Efésio 5,25).

Ambos os Apóstolos parecem transferir a promulgação da lei do Batismo para uma época posterior à Morte de Nosso Senhor. Por conseguinte não podemos duvidar, de modo algum, que as palavras do Salvador: "Se alguém não renascer das águas e do Espírito Santo" (João 3,5). - Também se refere a este mesmo tempo, que viria depois de sua Paixão.

3. Frutos desta explicação: Se os pastores forem zelosos na exposição destas verdades, os fiéis não deixarão por certo de reconhecer o insigne valor deste Sacramento, e de venerá-lo com a mais profunda piedade: mormente, se considerarem que, pela íntima operação do Espírito Santo, o Batismo a todos confere aqueles dons de graciosa riqueza que, no batismo de Cristo, se manifestam exteriormente por meio de milagres. 

Realmente, se nossos olhos, a semelhança do que aconteceu ao servo Eliseu (4 Reis 6,17), se abrissem ao ponto de enxergássemos as coisas celestiais, ninguém seria tão falto de senso comum, que não sentisse a máxima admiração pelos divinos mistérios do Santo Batismo. 

Ora, não seria possível igual admiração de nossa parte, se os pastores revelassem de tal forma as riquezas deste sacramento, que os fiéis as contemplassem, não com os olhos do corpo, mas com os olhos da razão, iluminados pelos clarões da fé?

(Fonte: Catecismo da Igreja Católica - 1962 - Ed. Vozes)

terça-feira, 23 de abril de 2013

Preparação para a morte: Da Glória


PONTO II

Depois que a alma entra a gozar a divina beatitude, não terá mais nada a sofrer. “Deus enxugará to-das as lágrimas de seus olhos, e já não haverá mor-te, nem pranto, nem gemido, nem dor, porque as primeiras coisas passaram. E o que estava sentado no trono disse: Eis que eu renovo todas as coisas” (Ap 21,4-5). Não existe ali a sucessão de dias e noites, de calor e frio, mas um dia perpétuo sempre sereno, contínua primavera deliciosa e perene. Não há perseguições nem ciúmes, porque nesse reino de amor todos se amam com ternura, e cada um goza da felicidade dos demais como se fosse sua própria.

Desconhecem-se ali angústias e temores, porque a alma confirmada na graça já não pode pecar nem perder a Deus. Todas as coisas ostentam renovada e completa formosura (Ap 21,5), e todas satisfazem e consolam. Os olhos deslumbrar-se-ão na admiração daquela cidade de perfeita beleza (?). Que delicioso espetáculo seria vermos uma cidade cujas ruas fossem calçadas de terso e límpido cristal e cujas vivendas, de prata brunida, fossem cobertas de ouro puríssimo e ornadas de grinaldas de flores... Quanto mais bela é ainda a cidade da glória! Como será agradável ver os seus felizes moradores vestidos com pompa real, porque, segundo diz Santo Agostinho, todos são reis! Que prazer será contemplar a Virgem Santíssima, mais bela que o próprio céu; e o Cordeiro imaculado, Nosso Senhor Jesus Cristo, divino esposo das almas! Santa Teresa conseguiu ver, certo dia, apenas uma das mãos do Redentor e ficou maravilhada à vista de tanta beleza... Nas moradas celestiais recenderão suavíssimos perfumes, aromas de glória, e se ouvirão músicas e cânticos de sublime harmonia... São Francisco ouviu, certa vez, por breves instantes, a execução dessa harmonia angélica e julgou morrer de dulcíssimo prazer... Que será, pois, a audição dos coros de anjos e santos, que, conjuntamente, cantam as glórias divinas (Sl 83,5), e a voz puríssima da Virgem Imaculada que louva o seu Deus!...

Como o canto do rouxinol num bosque excede e supera ao das demais aves, assim é a voz de Maria no céu... Numa palavra: haverá na glória todas as delícias que se podem desejar.

Mas esses prazeres até aqui considerados são apenas os menores bens do céu. O bem essencial da glória é o bem supremo: Deus. A recompensa que o Senhor nos promete não consiste unicamente na beleza, na harmonia e nos encantos daquela cidade bem-venturada; a recompensa principal é Deus, mesmo, é amá-lo e contemplá-lo, face a face (Gn 15,1). Assegura Santo Agostinho que, se Deus mostrasse seu rosto aos condenados, “o inferno se trans-formaria de súbito em delicioso paraíso”. E acrescenta que, se fosse dada a uma alma, ao sair deste mundo, a escolha de ver a Deus, ficando no inferno, ou de não vê-lo e livrar-se das penas infernais, “pre-feriria, sem dúvida, a visão de Deus ainda que com os tormentos eternos”.

A felicidade de amar a Deus e vê-lo face a face não podemos compreender cabalmente neste mundo. Procuremos, porém, avaliá-la de alguma maneira, considerando que os atrativos do divino amor, mesmo na vida mortal, chegam a arrebatar não somente a alma, mas até o corpo dos santos. São Filipe Néri foi uma vez arrebatado ao ar juntamente com o banco em que estava sentado. São Pedro de Alcântara elevou-se também sobre a terra abraçado a uma árvore, cujo tronco se separou da raiz. Sabemos, além disso, que os santos mártires, graças à suavidade e doçura do amor divino, se regozijam no meio dos seus atrozes padecimentos. São Vicente, durante o seu martírio, falava de tal modo — diz Santo Agostinho — “que não parecia ser o mesmo que estava falando e o que estava sofrendo”. São Lourenço, es-tendido sobre as grelhas em fogo, dizia ao tirano com assombrosa serenidade: Vira-me e devora-me, por-que, como observa Santo Agostinho, Lourenço “incendido do amor divino, não sentia o fogo material que o devorava”.

Além disso, quão suave doçura encontra o peca-dor ao chorar as suas culpas! Se tão doce é chorar por ti — exclama São Bernardo — o que não será gozar de ti? Que inefável consolação não sente a alma, quando um raio de luz celeste descobre, durante a oração, algo da bondade e da misericórdia divina, do amor que lhe teve e ainda tem Nosso Senhor Jesus Cristo! Parece-lhe que a alma se consome e desfalece de amor. E, no entanto, neste mundo não vemos a Deus tal qual é; divisamo-lo entre sombras. Presentemente, temos uma venda ante os olhos e Deus se nos oculta sob o véu. Que sucederá, porém, quando desaparecer essa venda e se rasgar aquele véu, e nossos olhos virem quanto Deus é belo, quanto é grande e justo, perfeito, amável e amoroso? (1Cor 13,12).

AFETOS E SÚPLICAS

Meu Sumo Bem, eu sou aquele desgraçado que tantas vezes se apartou de vós e renunciou ao vosso amor. Não mereço ver-vos nem amar-vos. Mas vós, Senhor, sois aquele que, compadecendo-vos de mim, não tivestes compaixão de vós mesmo e vos condenastes à morte dolorosa do madeiro infamante e afrontoso. Espero que, por vossa morte, terei algum dia a dita de ver-vos e de gozar de vossa presença, amando-vos com todo o meu ser. Agora que estou ainda em risco de vos perder para sempre, tendo-vos já perdido por meus pecados, que farei no resto da vida? Continuarei a ofender-vos?... Não, meu Jesus; detesto as ofensas que vos fiz. Pesa-me de vos ter ofendido e vos amo de todo o meu coração... Repeli-reis uma alma que se arrepende e vos ama? Não. Bem sei que dissestes, amantíssimo Redentor, que não sabeis repelir aqueles que, arrependidos, recorrem a vós (Jo 6,37).
Renuncio a tudo, meu Jesus; entrego-me a vós; abraço-vos e vos aperto ao coração. Abraçai-me e apertai-me também ao vosso Coração sacratíssimo... Ouso falar-vos assim, por que falo e trato com a Bondade infinita, com um Deus que morreu por meu a-mor. Meu caríssimo Redentor, dai-me a perseverança no vosso santo amor.

Santíssima Virgem Maria, nossa Mãe, alcançai-me a graça da perseverança, em atenção ao grande amor que tendes a Cristo Jesus. Assim o es-pero, e assim seja.


V/: Requiem aeternam dona eis, Domine, et lux perpetua luceat eis. Requiescant in pace. R:/ Amém.


Fonte: Preparação para a Morte - Santo Afonso Maria de Ligório - Considerações sobre as verdades eternas - Tradução de Celso de Alencar - Versão PDF de FL. Castro - 2004 

23 de Abril - São Jorge, Mártir


A existência do popularíssimo são Jorge, por vezes, foi colocada em dúvida. Talvez porque sua história sempre tenha sido mistura entre as tradições cristãs e lendas, difundidas pelos próprios fiéis espalhados entre os quatro cantos do planeta.

Contudo encontramos na Palestina os registros oficiais de seu testemunho de fé. O seu túmulo está situado na cidade de Lida, próxima de Tel Aviv, Israel, onde foi decapitado no século IV, e é local de peregrinação desde essa época, não sendo interrompida nem mesmo durante o período das cruzadas. Ele foi escolhido como o padroeiro de Gênova, de várias cidades da Espanha, Portugal, Lituânia e Inglaterra e um sem número de localidades no mundo todo. Até hoje, possui muitos devotos fervorosos em todos os países católicos, inclusive no Brasil.

A sua imagem de jovem guerreiro, montado no cavalo branco e enfrentando um terrível dragão, obviamente reporta às várias lendas que narram esse feito extraordinário. A maioria delas diz que uma pequena cidade era atacada periodicamente pelo animal, que habitava um lago próximo e fazia dezenas de vítimas com seu hálito de fogo. Para que a população inteira não fosse destruída pelo dragão, a cidade lhe oferecia vítimas jovens, sorteadas a cada ataque.

Certo dia, chegou a vez da filha do rei, que foi levada pelo soberano em prantos à margem do lago. De repente, apareceu o jovem guerreiro e matou o dragão, salvando a princesa. Ou melhor, não o matou, mas o transformou em dócil cordeirinho, que foi levado pela jovem numa corrente para dentro da cidade. Ali, o valoroso herói informou que vinha da Capadócia, chamava-se Jorge e acabara com o mal em nome de Jesus Cristo, levando a comunidade inteira à conversão.

De fato, o que se sabe é que o soldado Jorge foi denunciado como cristão, preso, julgado e condenado à morte. Entretanto o momento do martírio também é cercado de muitas tradições. Conta a voz popular que ele foi cruelmente torturado, mas não sentiu dor. Foi então enterrado vivo, mas nada sofreu. Ainda teve de caminhar descalço sobre brasas, depois jogado e arrastado sobre elas, e mesmo assim nenhuma lesão danificou seu corpo, sendo então decapitado pelos assustados torturadores. Jorge teria levado centenas de pessoas à conversão pela resistência ao sofrimento e à morte. Até mesmo a mulher do então imperador romano.

São Jorge virou um símbolo de força e fé no enfrentamento do mal através dos tempos e principalmente nos dias atuais, onde a violência impera em todas as situações de nossas vidas. Seu rito litúrgico é oficializado pela Igreja católica e nunca esteve suspenso, como erroneamente chegou a ser divulgado nos anos 1960, quando sua celebração passou a ser facultativa. A festa acontece no dia 23 de abril, tanto no Ocidente como no Oriente


Fonte: Paulinas

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Liturgia Católica: RITVS ROMANVS ET RITVS MODERNVS (Parte I)



No artigo “Quatrocentos anos de Missa Tridentina”, publicado em diversas revistas religiosas, o professor Rennings se aplicou a apresentar o novo missal, ou seja, o Ritus Modernus, como derivação natural e legítima da liturgia romana. Segundo o dito professor, não teria existido uma Missa de São Pio V se não unicamente por cento e trinta e quatro anos, ou seja, de 1570 a 1704, ano no qual apareceu sob as modificações desejadas pelo Romano Pontífice de então. Continuando com tal modo de proceder, Paulo VI, segundo Rennings, teria por sua vez reformado o Missale romanum para permitir aos fiéis entrever algo mais da inconcebível grandeza do dom que o Senhor fez à sua Igreja na Eucaristia.

Em seu artigo, Rennings habilmente se aferrou a um ponto fraco dos tradicionalistas: a expressão Missa Tridentina ou Missa de São Pio V. Propriamente falando uma Missa Tridentina ou de São Pio V nunca existiu, já que, seguindo as instâncias do Concílio de Trento, não foi formado um Novus Ordo Missae, dado que o Missale sancti Pii V não é mais que o Missal da Cúria Romana, que foi se formando em Roma muitos séculos antes, e difundido especialmente pelos franciscanos em numerosas regiões do Ocidente. As modificações efetuadas em sua época por São Pio V são tão pequenas, que são perceptíveis tão somente
pelos olhos dos especialistas.

Agora, um dos expedientes a que recorre Rennings, consiste em confundir o Ordo Missae com o Proprium das missas dos diferentes dias e das diferentes festas. Os Papas, até Paulo VI, não modificaram o Ordo Missae, mesmo introduzindo novos próprios para novas festas, o que não destrói a chamada Missa Tridentina mais do que os acréscimos ao Código Civil destroem o mesmo.

Portanto, deixando de lado a expressão imprópria de Missa Tridentina, falamos melhor de um Ritus Romanus. 

O rito romano remonta em suas partes mais importantes pelo menos ao século V, e mais
precisamente ao Papa São Dâmaso (366-384). O Canon Missae, com exceção de alguns retoques efetuados por São Gregório I (590-604), alcançou com São Gelásio I (492-496) a forma que conservou até há pouco. A única coisa sobre a qual os Romanos Pontífices não cessaram de insistir do século V em diante, foi a importância para todos de adotar o Canon Missae Romanae, dado que dito cânon remonta nada menos que ao próprio Apóstolo Pedro.

Respeitaram o uso das Igrejas locais mais para o que diz respeito às outras partes do Ordo, como para o Proprium das várias Missas. 

Até São Gregório Magno (590-604) não existiu um missal oficial com o Proprium das várias Missas do ano. O Liber Sacramentorum foi redigido por encargo de São Gregório no princípio de seu pontificado, para serviço e uso das Stationes que tinham lugar em Roma, ou seja, para a liturgia pontifical. São Gregório não teve nenhuma intenção de impor o Proprium do dito missal a todas as Igrejas do Ocidente. Se posteriormente o dito missal se converteu no próprio esboço do Missale Romanum de São Pio V, deve-se a uma série de fatores dos quais não podemos tratar agora.

É interessante notar que, quando se interrogou a São Bonifácio (672-754), que se encontrava em Roma, a respeito de algum detalhe litúrgico, como o uso dos sinais da cruz a serem feitos durante o cânon, este não se referiu ao sacramentário de São Gregório, mas àquele que estava em uso entre os Anglo-saxões, cujo cânon estava totalmente de acordo com aquele da Igreja de Roma...

Fonte: A Reforma Litúrgica Romana - Monsenhor Klaus Gamber - Fundador do Instituto - Tradução por Luís Augusto Rodrigues Domingues (Teresina, PI - 2009) - Litúrgico de Ratisbona - Revisão por Edilberto Alves da Silva


sábado, 20 de abril de 2013

III Domingo depois da Páscoa: "Ainda mais um tempo e não me vereis mais" (Ev.)





A santa Igreja, cheia ainda das alegrias da Páscoa, irrompe num cântico de júbilo e proclama a glória de Deus. "Ainda mais um pouco, disse Jesus no cenáculo, e não me vereis; havereis de chorar então e de vos lamentar. E mais um pouco ainda, e ver-me-eis de novo e o vosso coração se alegrará."
Os apóstolos sentiram de feito esta alegria iluminante, de que transborda a liturgia pascal, ao comtemplar de novo a carne e as feições do Amigo e do Mestre ressuscitado.
A páscoa da terra é a preparação e a representação da Páscoa eterna, da Páscoa das alegrias totais, de que há de partilhar a Igreja depois de dará luz no exílio e na dor os que foram marcados na fronte com o sinete da vida. Esta alegria já começa aqui na terra, começa na esperança, spe gaudentes, e por aquela presença de Cristo, invisível mas real, que prometeu aos que buscam.
Peregrinos e estrangeiros que vamos a caminho do céu, animemo-nos daquela alegria cristã a qual nos leva até Deus, o qual nos virá em auxílio e conduzirá ao término da viagem à vitória. Que a luz de Cristo ressuscitado nos ilumine a todos.

Epístola

Leitura da Epístola de São Pedro Apóstolo aos (IPedr 2,11-19). Caríssimos: rogo-vos que, como estrangeiros e peregrinos, vos abstenhais dos desejos da carne, que combatem contra a alma. Comportai-vos nobremente entre os pagãos. Assim, naquilo em que vos caluniam como malfeitores, chegarão, considerando vossas boas obras, a glorificar a Deus no dia em que ele os visitar. Por amor do Senhor, sede submissos, pois, a toda autoridade humana, quer ao rei como a soberano, quer aos governadores como enviados por ele para castigo dos malfeitores e para favorecer as pessoas honestas.  Porque esta é a vontade de Deus que, praticando o bem, façais emudecer a ignorância dos insensatos. Comportai-vos como homens livres, e não à maneira dos que tomam a liberdade como véu para encobrir a malícia, mas vivendo como servos de Deus. Sede educados para com todos, amai os irmãos, temei a Deus, respeitai o rei. Servos, sede obedientes aos senhores com todo o respeito, não só aos bons e moderados, mas também aos de caráter difícil. Com efeito, é coisa agradável a Deus sofrer contrariedades e padecer injustamente, por motivo de consciência para com Deus. 

Evangelho de Domingo:

Continuação do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São João (16, 16-22): Naquele tempo disse Jesus a seus discípulos:
Ainda um pouco de tempo, e já me não vereis; e depois mais um pouco de tempo, e me tornareis a ver, porque vou para junto do Pai.
Nisso alguns dos seus discípulos perguntavam uns aos outros: Que é isso que ele nos diz: Ainda um pouco de tempo, e não me vereis; e depois mais um pouco de tempo, e me tornareis a ver? E que significa também: Eu vou para o Pai?
Diziam então: Que significa este pouco de tempo de que fala? Não sabemos o que ele quer dizer.
Jesus notou que lho queriam perguntar e disse-lhes: Perguntais uns aos outros acerca do que eu disse: Ainda um pouco de tempo, e não me vereis; e depois mais um pouco de tempo, e me tornareis a ver.
Em verdade, em verdade vos digo: haveis de lamentar e chorar, mas o mundo se há de alegrar. E haveis de estar tristes, mas a vossa tristeza se há de transformar em alegria.
Quando a mulher está para dar à luz, sofre porque veio a sua hora. Mas, depois que deu à luz a criança, já não se lembra da aflição, por causa da alegria que sente de haver nascido um homem no mundo.
Assim também vós: sem dúvida, agora estais tristes, mas hei de ver-vos outra vez, e o vosso coração se alegrará e ninguém vos tirará a vossa alegria.

Lefebvre, Dom Gaspar. Missal Quotidiano e Vesperal. Bruges, Bélgica; Abadia de S. André, 1960.

Nossa Senhora do Sábado: Nossa Senhora do amor divino


Nossa Senhora do Divino Amor, celeste protetora da capital da Cristandade

Muito poucos, ao passear pelas ruas de Roma, estão cientes de que todas aquelas maravilhosas igrejas, suntuosas edificações, fontes, ruas e praças correram o risco de serem varridas do mapa, devido a bombardeios e combates durante a Segunda Guerra Mundial. Afirma-se que se deve a uma promessa feita pelo Papa Pio XII a Nossa Senhora do Divino Amor o fato de a Cidade Eterna ter sido preservada desse desastre.

Com efeito, o referido Pontífice, nascido numa família da nobreza romana, prometeu que, se a cidade fosse poupada das destruições e horrores da guerra, promoveria sua renovação moral, faria uma obra de beneficência e construiria um santuário para a imagem de Nossa Senhora do Divino Amor.

As tropas americanas encontravam-se às portas de Roma. Seguindo ordens loucas de Hitler, o exército alemão deveria resistir sem ceder um metro de terreno, o que significaria um combate casa por casa e a destruição da cidade, bem como um morticínio inimaginável.
A imagem havia sido trasladada à igreja de Santo Inácio de Loyola, no centro da cidade. Milhares de romanos foram rezar e comungar nesse templo, implorando proteção à Mãe de Deus. O Papa Pio XII ordenou a leitura da promessa feita, e, para surpresa geral, menos de duas horas após o Santo Padre ter feito a promessa, as tropas alemãs retiravam-se sem combate.
Tal fato, considerado inusitado, foi noticiado pelo "L'Osservatore Romano" de 12-13/junho/1944, nos seguintes termos: "Claríssimo o prodígio, e tanto mais surpreendente quanto as circunstâncias humanas pareciam opostas; parecia impossível".
Nossa Senhora do Divino Amor, é presumível, usou de misericórdia e poupou a Cidade Eterna, verdadeira jóia-símbolo da civilização católica.

A "Madonna" dos Peregrinos
Voltemos atrás no tempo. Corria o ano de 1740.

Um dos numerosos peregrinos que se dirigiram ao túmulo de São Pedro encontrava-se perdido no meio do campo, a uns 12 quilômetros de seu objetivo, quando avistou um castelo e poucas casas. Dirigiu-se a essas edificações, na esperança de obter informações seguras. Mas, ao aproximar-se delas, foi atacado por uma matilha de cães. Em tão iminente perigo, viu no alto da torre do castelo uma imagem de Nossa Senhora com o Menino Jesus em seus braços, e gritou: "Minha Senhora, salvai-me!" No mesmo instante os cachorros, como que obedecendo a uma ordem, estacaram e ficaram mansos.

Tal imagem era conhecida como do Divino Amor. A notícia do fato correu toda a região, e as pessoas começaram a visitar o local do prodígio. Nasceram assim as peregrinações, que se mantêm até hoje. Mas, à diferença de outras peregrinações que são realizadas uma vez ao ano, esta ocorre todos os sábados, desde Pentecostes até o outono. Os peregrinos saem à meia-noite da Praça Porta Capena (perto do Circo Máximo, local onde morreu a maioria dos primeiros mártires).

Nos sábados dessa época do ano reúnem-se muitos peregrinos, chegando por vezes a 3 mil, para realizar essa caminhada penitencial, percorrendo 14,5 quilômetros em cerca de cinco horas. Uma porcentagem bem significativa deles é composta por jovens, embora pessoas bem idosas também façam tal percurso.

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Teologia Ascética e Mística: Da natureza do Mérito


Dois pontos que importam fazer compreender: 1º o que é mérito; 2º Como são meritórias as nossas ações.

O QUE É MÉRITO

Mérito em geral, é um direito a uma recompensa. O mérito sobrenatural, de que aqui se trata, será pois, o direito a uma recompensa sobrenatural, isto é, a uma participação da vida de Deus, à graça e a glória. E, como Deus não é obrigado  a nos fazer participar de sua vida, será necessária uma promessa de sua parte, para nos conferir um verdadeiro direito a essa recompensa sobrenatural. Pode-se, pois, definir o mérito sobrenatural: um direito a uma recompensa sobrenatural que resulta de uma obra sobrenaturalmente boa, feita livremente para Deus, e duma promessa divina que afiança essa recompensa.


Distingue-se duas espécies de mérito: a) o mérito propriamente dito (que se chama de condigno), ao qual a remuneração é devida  em rigor de justiça, porque há certa igualdade ou proporção real entre a obra  e a retribuição; b) o mérito de conveniência (de conguo), que não se funda em estrita justiça, senão em grande conveniência, visto a obra não ser, senão em reduzida escala, proporcionada com o galardão. Para dar desta diferença uma idéia aproximada, pode-se dizer que o soldado que se denodadamente no campo de batalha tem direito estrito ao soldo de guerra, mas somente direito de conveniência a uma citação na ordem do dia ou a uma condecoração.


O Concílio de Trento ensina que as obras dos homens justificado mereceram verdadeiramente um aumento de graça, a vida eterna, e se morrer neste estado, a consecução da glória.


Relembremos sumariamente as condições gerais do mérito. A) A obra para ser meritória, deve ser livre; é claro que quem opera constrangido ou necessitado, não tem necessidade moral dos próprios atos. B) Deve ser sobrenaturalmente boa, para estar em proporção da recompensa. C) Tratando-se do mérito propriamente dito, deve ser praticado em estado de graça que faz habitar e viver Cristo em nossa alma e nos tornar participantes do mérito. D) Durante a nossa a vida mortal ou viadora, pois que Deus sabiamente determinou que, após um período de provação em que podemos merecer ou desmerecer, chegássemos ao termo onde ficaremos para sempre fixados no estado em que a morte nos colher. – A estas condições da parte do homem junta-se da parte de Deus a promessa que nos dá um direito verdadeiro à vida eterna; é que, na verdade, segundo São Tiago, “o justo recebe a coroa de vida que Deus prometeu aos que o amam”. (Tiago 1, 12).

(Fonte: Compêndio de Teologia e Ascética e Mística - AD. Tanquerey - 1961)

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Santo Ofício: Origem de algumas seitas


Somente uma Igreja foi fundada por Cristo e confiada a Pedro e seus legítimos sucessores - os Papas. Por isso ela, desde os primeiros séculos, foi chamada Igreja Católica - quer dizer UNIVERSAL - para todos. 
Todas as igrejas ou seitas cristãs têm seu fundador e a data de sua origem. Eis as datas de algumas delas: 

· Protestantes - Luteranos: Fundados por Martinho Lutero (1484-1546) na Alemanha - sacerdote agostiniano - que depois se casou com uma ex-freira. 

· Batistas: Por John Smith, clérigo anglicano, na Inglaterra e Holanda, no Século XVII. No Brasil desde 1871. 

· Presbiterianos: Por John Knox, sacerdote católico, contagiado pela doutrina de Lutero e Calvino. Na Escócia, em 1560. 

· Congregacionistas: Por Robert Brawne, clérigo anglicano, na Inglaterra em 1600. 

· Metodistas: Por John Wesley, na Inglaterra, em 1727. 

· Anglicanos Episcopais: Pelo rei da Inglaterra, Henrique VIII, em 1534, pelo "Ato de supremacia Régia". Obcecado pela paixão, casou-se 8 vezes, mandando executar algumas de suas ex-esposas. 

· Adventistas: Por William Miller - Estados Unidos, em 1831. Agricultor, sem estudos, predisse algumas vezes o fim do mundo, sem efeito! 

· Testemunhas de Jeová: Por Charles Tazed Russel, Estados Unidos, em 1874. No Canadá, em pleno Tribunal jurou conhecer a língua grega. Sendo-lhe apresentado o Novo Testamento em grego, foi convencido de perjúrio. Sua mulher divorciou-se dele em 1897, acusando-o de adultério com duas mulheres, e de maus tratos. 

· Igreja Apostólica: Por Eurico Matos Coutinho, que chama a si mesmo de "bispo". Morava em São Paulo, Brasil. 

· Pentecostais e Assembléia de Deus: Por pastores de 100 congregações diferentes dos Estados Unidos, em 1914. 

· Evangelho Quadrangular: É um ramo de Pentecostalismo, iniciado por Harold Williams, nos Estados Unidos, e promovido no Brasil desde 1940. 

· Congregação Cristã no Brasil: Por Luís Francescou, em 1910, em Platina - Paraná, Brasil. Depois estabeleceu-se entre os migranters italianos em São Paulo. 

· Mórmons ou Igreja dos Santos dos Últimos Dias: Fundação fantástica de José Smith, em 1830, nos Estados Unidos. 

· Igreja Universal do Reino de Deus: Fundada por Edir Macedo, em 1977, no Rio de Janeiro, Brasil. É um ramo pentecostal que leva as práticas de curas, milagres e exorcismo ao extremo. Edir Macedo foi um adepto da umbanda e se proclamou bispo da igreja fundada por ele e que já está presente em 46 países. 


Fonte: Rainha Maria