quarta-feira, 31 de julho de 2013

Catecismo Romano: A escolha dos padrinhos



A escolha... Diante de tais normas, fácil é distinguirmos a que pessoas não se pode confiar o exercício desta santa tutela. São as que não querem cumpri-la fielmente , ou que não podem desempenha-las com zelo e perfeição.

Por conseguinte, não podem os pais carnais assumir tal ofício, para que melhor se veja a diferença entre a criação natural e a formação sobrenatural. Além dos pais, devem ser absolutamente excluídos desta função os hereges, os judeus e infiéis, cujo empenho e sempre denegrir as verdades da fé, por meio de calúnias, e destruir rapidamente a piedade cristã.

Número de padrinhos:
Para o mesmo afilhado, não devem ser também admitidos vários padrinhos. Seja um apenas, homem ou mulher; quando muito dois, padrinho e madrinha.

Assim o decretou o Concílio de Trento, já que o ensino e a educação poderiam sofrer, se houvesse um sem-número de mestres; já porque era preciso cuidar que o parentesco espiritual não abrangesse maior contingente de pessoas, pois viria a impedir uma difusão mais amplas das legítimas uniões conjugais entre os homens.

Sujeito do Batismo: É muito útil, para os fiéis, o conhecimento das verdades que até agora temos ensinado. Urge mais ainda explicar-lhes que Deus impôs a todos os homens uma lei, obrigando-os a receberem o Batismo. Por conseguinte, os que não renascerem para Deus pela graça do Batismo, são criados para a eterna miséria e condenação, quer sejam filhos de pais fiéis, quer de pais infiéis.

Devem, pois, os pastores explicar mais vezes aquela passagem do Evangelho: "Se alguém não nascer da água e do Espírito Santo, não pode entrar no reino de Deus" (João 3, 5)


(Fonte: Catecismo Romano - Editora Vozes - 1960)

31 de Julho - Santo Inácio de Loyola, Confessor


Paladino da Contra-Reforma. Santo Inácio, fundador da Companhia de Jesus, destacou-se pela coerência e radicalidade de seu espírito.

Inácio nasceu no castelo de Loyola em 1491, sendo o último dos 13 filhos de D. Beltrán de Loyola e Da. Maria Sonnez. Aos 16 anos foi enviado como pajem ao palácio de Juan Velásquez de Cuellar, contador mayor dos Reis Católicos Fernando e Isabel, o que lhe permitiu estar em contato contínuo com a corte. Bem dotado física e intelectualmente, o jovem Inácio “deu-se muito a todos os exercícios das armas, procurando avantajar-se sobre todos seus iguais e alcançar renome de homem valoroso, honra e glória militar”1. Ou, como ele mesmo diz com humildade, “até os vinte e seis anos foi um homem dado às vaidades do mundo, e principalmente se deleitava no exercí cio das armas e no vão desejo de ganhar honra”2.

A hora esperada pela Providência

Ouvindo falar dos grandes feitos dos seus irmãos em Nápoles, envergonhou-se de sua ociosidade e participou em algumas campanhas com seu tio, vice-rei da Navarra. Depois foi enviado em socorro de Pamplona, assediada pelos franceses. Era a hora da Providência. A desproporção das forças era esmagadora em favor dos franceses, mas Inácio não quis saber de capitulação e convenceu os seus a resistirem até o fim. “Confessou-se com um companheiro de armas. Depois de algum tempo de duração da batalha, a bala de uma bombarda atingiu-lhe a perna, quebrando-a toda. E como ela passou entre as duas pernas, a outra também foi duramente ferida”3. Inácio caiu por terra. Seus companheiros se renderam.

Os franceses, admirados da coragem do espanhol, trataram-no muito bem, fazendo-o levar depois, em liteira, para o castelo de seus pais. Os ossos haviam começado a se soldar de maneira defeituosa, e foi preciso quebrar de novo a perna para ajustá-los. Isso tudo, é bem preciso dizer, sem anestesia. O que levou-o às portas da morte, de modo a receber os últimos sacramentos. Quando todos esperavam o desenlace, na véspera da festa de São Pedro o doente, que era muito devoto desse Apóstolo, começou a melhorar.

Conversão de um homem coerente

Seria longo narrar todas as torturas a que se submeteu esse soldado para não ficar aleijado; pois, como poderia aparecer assim na corte? Veio depois a longa convalescença, a leitura da vida de Cristo e dos santos, únicos livros que havia no castelo, e sua conversão se deu da maneira mais radical.
O primeiro pensamento do novo soldado de Cristo foi o de ir para a Terra Santa e viver em oração, penitência e contemplação nos lugares em que se operou nossa Redenção.
Em Montserrat, fez uma confissão geral de sua vida e depôs a espada no altar da Virgem. Viveu depois algum tempo em Manresa, onde recebeu grandes favores místicos e escreveu seus famosos “Exercícios Espirituais”.

Não lhe permitiram ficar em Jerusalém, por causa da tensa situação então reinante. Inácio voltou a Barcelona para estudar, a fim de preparar-se para o sacerdócio. Foi depois para Alcalá e ainda Salamanca, onde, por causa de sua pregação e reunião de discípulos, sendo ainda leigo — o que era perigoso naquela época de novidades malsãs e heresias — foi denunciado à Inquisição e aprisionado até que sua inocência foi reconhecida.

“Companhia”, como num exército

Resolveu por isso ir a Paris, estudar na famosa universidade local. Foi lá que a Providência o fez encontrar os seis primeiros discípulos, com os quais fundaria a Companhia de Jesus. Entre eles estava o grande Apóstolo da Índia e do Japão, São Francisco Xavier, e o Beato Pedro Fabro.
Após os votos feitos em Montmartre, o que marcou propriamente o início da Companhia, eles se encontraram em Veneza, com o plano de ir à Terra Santa. Enquanto isso, trabalhavam nos hospitais.
Como, depois de um ano, não conseguiram realizar seu intento, decidiram ir a Roma colocar-se à disposição do Sumo Pontífice. Nas proximidades da Cidade Eterna, Inácio teve uma visão na qual Nosso Senhor prometeu ser-lhe favorável em Roma.

“Inácio tinha sugerido para nome de sua irmandade `Companhia de Jesus’. Companhia era compreendido em seu sentido militar, e naqueles dias uma companhia era geralmente conhecida pelo nome de seu capitão. Na Bula latina de fundação, no entanto, eles foram chamados `Societas Jesu’”4.

Paladino da Contra-Reforma Católica

O papel dos jesuítas na Contra-Reforma católica foi essencial. Na época, pareciam perdidas para o protestantismo não só a Alemanha, mas a Escandinávia, e ameaçados os Países Baixos, a Boêmia, a Polônia e a Áustria, havendo infiltrações da seita não só na França, mas até na Itália.
Santo Inácio enviou seus discípulos a essas regiões infectadas, e estes foram reconduzindo para a Igreja ovelhas desgarradas até na própria Alemanha. Ali trabalharam Pedro Fabro, Cláudio Le Jay e Bobadilha. Mas o jesuíta que seria o grande apóstolo dos povos germânicos, obtendo inúmeras reconversões, foi São Pedro Canísio, hoje considerado, com razão, o segun do apóstolo da Alemanha, depois de São Bonifácio.

O papel dos jesuítas foi também primordial no Concílio de Trento — onde brilharam os padres Laynes e Salmeron — bem como nas universidades e nos colégios, imunizando assim a juventude européia contra o erro.

Recebendo informações dos grandes triunfos de seus discípulos, exclamava Santo Inácio: “Demos graças a Deus por sua inefável misericórdia e piedade, tão copiosamente derramada em nós por seu glorioso nome. Porque muitas vezes me comovo quando ouço e em parte vejo o que me dizem de vós e de outros chamados à nossa Companhia em Cristo Jesus

Obediência pronta, humildade exemplar

Santo Inácio de Loyola queria uma companhia de escol, para combater os erros da época, principalmente os de Lutero e Calvino, e por isso estipulou que, diferentemente das outras congregações ou ordens religiosas, o noviciado seria de mais de um ano. Dizia no fim da vida, quando sua Companhia estava já estendida por quase todos os continentes: “Se eu desejasse que a minha vida fosse prolongada, seria para redobrar de vigilância na escolha de nossos súditos“6.
Quando um noviço se ajoelhava junto a ele para pedir perdão e penitência por alguma falta, depois de ter concedido uma e imposto a outra, Inácio dizia: “Levante-se”. Se, por uma humildade mal compreendida o noviço não se levantasse imediatamente, ele o deixava ajoelhado e saía, dizendo: “A humildade não tem mérito quando é contrária à obediência”.

Discernimento na seleção dos súditos

Um dia chamou um irmão coadjutor e o mandou sentar-se na presença de uma visita. O irmão não o fez, pensando faltar ao respeito ao Superior e à visita. Inácio ordenou-lhe então que pusesse o banco sobre a cabeça, e assim estivesse até a saída da visita.
Quando o noviço não servia, Inácio não tinha contemplação nem mesmo pela sua posição social. Expulsou da Companhia o filho do Duque de Bragança e sobrinho do grande benfeitor da Companhia, D. Manuel, rei de Portugal, e ainda um primo do Duque de Bivona, parente do vice-rei da Sicília, que era também seu amigo e benfeitor.

“A obstinação nas idéias era um dos principais motivos de exclusão ou de expulsão, para o santo fundador. Um espanhol de grande capacidade, duma ciência pouco comum e duma virtude reconhecida, entrou na Companhia e exercia o cargo de ministro na casa professa de Roma, com habilidade; mas quando se lhe metia uma idéia na cabeça, não lhe saía mais. Inácio tirou-lhe o cargo, julgando inapto para mandar aquele que não sabia obedecer. [...] Uma noite Inácio soube que ele acabava de dar uma nova prova da sua teimosia; no mesmo instante envia-lhe ordem de abandonar a casa sem esperar para o dia seguinte”.

Venerado como santo ainda em vida

Essa severidade era entretanto balanceada com tanta doçura, que ele era uma verdadeira mãe para os noviços. Tal equilíbrio fazia com que fosse venerado como santo mesmo em vida.
Sua mais preciosa conquista, São Francisco Xavier, tinha-lhe tanta veneração, que muitas vezes lhe escrevia de joelhos. E nos perigos e tempestades invocava seu nome, trazendo ao pescoço, como proteção, junto a seus votos de profissão, a assinatura do Padre Inácio. Constantemente afirmava: “O Padre Inácio é um grande santo”.
Laínez, outro dos primeiros discípulos de Inácio e seu sucessor no generalato da Companhia, também o venerava como santo, do mesmo modo que São Francisco de Borja, depois terceiro Superior Geral da Companhia.

Sua vida interior era profunda, e passava-se constantemente na presença de Deus. Conforme narra em sua autobiografia, toda vez que queria encontrar a Deus ele O encontrava, bastando um pouco de recolhimento. Tinha visões, repetidamente, sobretudo quando se tratava de acertar algum negócio importante da Companhia, ou quando redigia suas Constituições. Essas visões lhe eram constantes também quando celebrava a Missa.

“Sua roupa foi sempre pobre e sem enfeites, mas limpa e asseada, porque, se bem amasse a pobreza, nunca lhe agradou pouca limpeza”.

Santo Inácio faleceu em Roma, no dia 31 de julho de 1556.

Notas:

1.
Pedro de Ribadeneira, Vida de San Ignácio de Loyola, Espasa-Calpe Argentina S.A., Buenos Aires, 1946.


2.Saint Ignace de Loyola, Autobiographie, Éditions du Seuil, 1962, p. 43. Esta autobiografia foi relatada ao Pe. Luís Gonçalves da Câmara pelo próprio Santo. Com uma memória prodigiosa, o jesuíta português, imediatamente depois de cada conversa, transcrevia-a para o papel. Santo Inácio ditou o texto na 3a. pessoa.

3.Id., ib.

4.Saint Ignatius of Loyola, J. H. Pollen, Transcribed by Marie Jutras, The Catholic Encyclopedia, Volume VII, 1910, Robert Appleton Company. Online Edition Copyright © 1999 by Kevin Knight.
5.R.Garcia-Villoslada, S.I., Ignácio de Loyola _ Um español al servicio del Pontificado, Hechos y Dichos, Saragoça, 1956, p. 221.

6.J.M.S. Daurignac, Santo Inácio de Loiola _ Fundador da Companhia de Jesus, Livraria Apostolado da Imprensa, Porto, 1958, 4a. edição, p. 255.

7.Id., p. 257 e ss.

8.Pedro de Ribadeneira, op. cit., p. 258.

9.Cfr. Autobiographie, p. 163.

10.Id., pp. 260-261.

Artigo oferecido pela Revista Catolicismo

Fonte: Lepanto

terça-feira, 30 de julho de 2013

Preparação para a morte: Da confiança na proteção de Maria Santíssima

Nossa Senhora de Salete chora diante do futuro
PONTO II

Consideremos, em segundo lugar, que Maria é advogada tão clemente quanto poderosa, e que não sabe negar sua proteção a quem recorre a ela. Os olhos do Senhor estão voltados sobre os justos, disse David. Mas esta Mãe de misericórdia, segundo afirma Ricardo de São Lourenço, fita os olhos nos justos como nos pecadores, a fim de que não caiam; e, se tiverem caído, para ajudar-lhes a que se levantem.

Afigurava-se a São Boaventura, quando contemplava a Virgem, que estava vendo a própria misericórdia. São Bernardo nos exorta a que em todas as nossas necessidades recorramos a essa poderosa advogada, porque é toda doçura e bondade, para aqueles que se lhe recomendam. 

É por isso que Maria é chamada formosa como a oliveira. Quasi oliva speciosa in campis (Ecl 24,19); pois assim como a oliveira produz azeite suave, símbolo da piedade, assim da Virgem Santíssima promanam graças e misericórdias para todos aqueles que se refugiam na sua proteção.

Tem, pois, razão Dionísio Cartusiano para lhe chamar advogada dos pecadores que a ela recorrem. Qual não será a mágoa do cristão que se condena, quando pensar que tão facilmente se podia ter salvado, recorrendo a esta Mãe de misericórdia, e que não o fez, nem haverá já tempo para remediá-lo! A bem-aventurada Virgem disse a Santa Brígida: “Eu sou chamada Mãe de misericórdia e, na verdade, o sou, porque assim o quis a bondade de Deus”.... Quem é que constituiu tal advogada para a nossa defesa, senão a misericórdia divina, que quer salvar todos?... “Desgraçado, acrescentou a Virgem, e eternamente desgraçado, será aquele que, podendo recorrer a mim, que sou misericordiosa e benigna, não procura o meu auxílio e se condena!” Tememos, acaso, diz São Boaventura, que Maria nos negue o socorro que lhe pedimos?... Não; Maria não sabe nem soube jamais olhar sem compaixão, nem deixar sem socorro aos desgraçados que recorrem a ela. Não sabe, nem pode, porque foi destinada por Deus para ser a Rainha e Mãe de misericórdia, e como tal incumbe-lhe velar pelos necessitados. Sois rainha de misericórdia, disse São Bernardo, e quem são os súditos da misericórdia senão os miseráveis? E logo o Santo, por humildade, acrescenta; “Ó Mãe de Deus, já que sois a rainha da misericórdia, é de mim que deveis ter o maior cuidado, porque sou o mais miserável dos pecadores”. Com maternal solicitude, sem dúvida, livra-rá da morte a seus filhos enfermos, pois a bondade e clemência de Maria a convertem em Mãe de todos os que sofrem. São Basílio a chama casa de saúde, porque, assim como nos hospitais de enfermos pobres os mais necessitados é que têm mais direito de ser recebidos, assim Maria, como disse aquele Santo, há de acolher e abrigar com piedade solícita e amorosa os maiores pecadores que a ela recorrerem.

Não duvidemos, portanto, da misericórdia de Maria Santíssima.

Santa Brígida ouviu o divino Salvador dizer à Virgem: “Até do próprio demônio terias compaixão se te pedisse com humildade”. Nunca o soberbo Lúcifer se humilhará; mas, se esse desgraçado se humilhasse diante dessa soberana Senhora e lhe pedisse auxílio, a intercessão da Virgem o livraria do inferno. Com essas palavras, Nosso Senhor deu-nos a entender o mesmo que sua querida Mãe disse à Santa, isto é, que quando um pecador, por vultosas que sejam suas culpas, se lhe recomenda sinceramente, ela não procura saber os pecados que o acabrunham, mas sim a intenção que o move; e se vem com boa vontade de emendar-se, acolhe-o logo e o cura de todos os males que o afligem.

“Por muito que o homem haja pecado, se recorre a mim verdadeiramente arrependido, apresso-me a recebê-lo, não considero o número de suas culpas, mas a intenção que o anima. Nem me desdenho de ungir e curar as suas feridas porque me chamam e realmente sou a Mãe de Misericórdia”.

Em verdade, pois, São Boaventura nos estimula, dizendo: “Não desespereis, pobres e perdidos pecadores, levantai os olhos a Maria e respirai, confiados na piedade desta boa Mãe”. Procuremos a graça perdida, disse São Bernardo, e procuremo-la por intermédio de Maria.

Esse alto dom, perdido por nós, acrescenta Ricardo de São Lourenço, Maria o encontrou; é, pois, a ela que devemos recorrer para o recobrarmos. Quando o arcanjo São Gabriel anunciou à Virgem a divina maternidade, disse: “Não temas, Maria, porque achaste graça” (Lc 1,30). Se Maria, porém, sempre cheia de graça, jamais esteve privada dela, como diz o Anjo que a encontrou? A isto respondeu o Cardeal 104 Hugo que a Virgem não achou a graça para si, pois que sempre a gozou, mas para nós que a tínhamos perdido. Daí infere que devemos apresentar-nos a Maria Santíssima e dizer-lhe: “Augusta Senhora, o bem deve ser restituído a quem o perdeu. Essa graça que encontrastes não é vossa, porque sempre a possuístes; mas é nossa e por nossa culpa a perdemos. É, portanto, a nós que a deveis restituir”. Acorram, pois, acorram pressurosos à Virgem os pecadores que, por sua culpa, tiverem perdido a graça e digam-lhe sem receio: “Restituí-nos o nosso bem que achastes”...

AFETOS E SÚPLICAS

Eis que aqui a vossos pés, ó Mãe de Deus, um miserável pecador que deixou perder voluntariamente, não uma, mas muitas vezes, a divina graça que vosso Filho lhe conquistou com sua morte. Ó Mãe de misericórdia, com a alma cheia de feridas, recorro a vós. Não me desprezeis ao ver o estado em que me acho; antes olhai-me com maior compaixão e apres-sai-vos a socorrer-me. Vede a confiança que me inspirais e não me abandoneis. Não procuro bens terrestres, mas a graça de Deus e o amor a vosso divino Filho. Orai por mim, minha Mãe.

Não cesseis de rogar, a fim de que por vossa intercessão e em virtude dos merecimentos de Jesus Cristo alcance a salvação. É vosso ofício interceder pelos pecadores, exercei-o para comigo — como dizia São Tomás de Vilanova. — Recordai-me a Deus e defendei-me. Não há causa, por mais desesperada que seja, que se perca quando é defendida por vós. Sois a esperança dos pecadores e a minha esperança... Nunca deixarei, Virgem Santa, de servir-vos, de amar-vos e de recorrer a vós...

Não deixeis de socorrer-me, sobretudo quando me virdes em perigo de perder novamente a graça do Senhor.

Ó Maria, excelsa Mãe de Deus, tende compaixão de mim!

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Liturgia Católica II: O papa tem o poder de mudar o rito?

Quando o Papa São Gregório Magno (+ 604), no rito romano, retirou a fração do pão do final do cânon para colocá-la justo antes da comunhão, como no rito bizantino, foi violentamente criticado; pelo que o Papa em carta ao bispo de Siracusa teve que se defender por ter procedido a esta modificação e a outras de menor importância. Em muitos lugares se teve que esperar até o século VIII para que a reforma de São
Gregório se impusesse.

Mas por outra parte, este Papa jamais pensou em introduzir fora de Roma aquele missal destinado só às missas das estações papais e não à liturgia das Igrejas paroquiais ou Igrejas titulares (“Liber sacramentorum Romanae ecc1esiae”). É conhecido seu princípio: “In una fide nil officit santae ecc1esiae consuetudo diversa”, que quer dizer “Se a unidade da fé está salvaguardada, os diversos costumes (consuetudo) rituais não prejudicam a Santa Igreja”.

Pelo fato de o sacramentário de São Gregório, pouco a pouco, ter se estendido também fora de Roma, pôde servir posteriormente de base ao “Missale romanum”. Desejava-se imitar o rito da cidade de Roma por causa da veneração que se tinha a São Pedro. Tenhamos em conta que nenhum Papa, nem depois de São Gregório, insistiu para que este sacramentário fosse adotado.

Assim, São Bonifácio, tão ansioso para seguir as diretrizes dos papas e que consultava Roma para qualquer detalhe, não utilizou o missal da cidade de Roma, mas o missal que se empregava no seu mosteiro de origem ao norte da Inglaterra. Era este totalmente diferente do missal romano, quanto a orações e prefácios, tendo somente o cânon em comum. Além disso utilizava uma versão anterior à época do Papa São Gregório.

Certamente não é missão da Sé Apostólica introduzir novidades dentro da Igreja. O primeiro dever dos Papas é vigiar, enquanto bispos supremos (episcopi = vigias, supervisores) no dogmático, moral e litúrgico. 

Desde o Concílio de Trento, a revisão dos livros litúrgicos forma parte dos plenos poderes da Sé Apostólica; consiste em examinar as edições impressas assim como em proceder a alterações mínimas como, por exemplo, a introdução de festas novas, como fez São Pio V, quando a petição do Concílio de Trento assumiu a revisão do missal da Cúria romana, utilizado até então em Roma e em muitas regiões da Igreja do Ocidente; e que publicou em 1570 como “Missale romanum”. Como temos demonstrado mais acima, não se pode falar aqui de um novo missal deste Papa.

É necessário também indicar o seguinte: nem na Igreja Romana nem na do Oriente algum patriarca, ou algum bispo, por sua própria autoridade, impôs uma reforma litúrgica. Mas tanto no Oriente como no Ocidente, ao longo dos anos existiu um desenvolvimento orgânico e progressivo das formas litúrgicas.

Quando Nikon, patriarca de Moscou, intentou no século XVIII empreender algumas modificações sobre detalhes do rito, relativas à forma de escrever o nome de Jesus ou com quantos dedos era conveniente se persignar, deu como resultado um cisma. Mais ou menos doze milhões de “velhos crentes” (raskolniks) se separaram então da Igreja do Estado.

Sem problema acrescentamos também: se o Papa, por exemplo, como conseqüência das decisões do Concílio Vaticano II, tivesse autorizado “ad libitum” ou “ad experimentum” algumas novidades, sem que o próprio rito tivesse sido modificado, não haveria objeção quanto ao desenvolvimento orgânico do rito a longo prazo. Houve mudança de rito não somente por causa do novo “Ordo missae” de 1969, mas também por causa da ampla reorganização do ano litúrgico e do santoral. Acrescentar ou retirar uma ou outra festa, como  se fazia até agora, certamente não altera o rito. Mas realmente se realizaram inumeráveis mudanças e foram introduzidas muitas inovações como conseqüência da reforma litúrgica, que não deixou subsistir quase nada
do anteriormente existente. 

Atentos ao fato de não existir nenhum documento que mencione expressamente o direito da Sé apostólica de modificar ou de abolir o rito tradicional e de não se poder provar que tenha existido algum predecessor de Paulo VI que interviesse de maneira significativa na liturgia romana, deveria ser mais que duvidoso que uma mudança de rito possa estar dentro das competências da Sé apostólica. Pelo contrário e sem dúvida alguma, esta tem o direito de sancionar e controlar os livros litúrgicos, assim como os costumes litúrgicos.

Fonte: A Reforma Litúrgica Romana - Monsenhor Klaus Gamber - Fundador do Instituto - Tradução por Luís Augusto Rodrigues Domingues (Teresina, PI - 2009) - Litúrgico de Ratisbona - Revisão por Edilberto Alves da Silva.

29 de Julho - Santa Marta, Virgem

Marta, irmã de São Lazarus e Maria de Bethany,( no oeste também chamada de Margareth), perto de Jerusalém e é a padroeira da cozinheiras e donas de casa. Ela era a anfitriã e a dona da casa por ser a irmã mais velha. Quando Jesus se hospedava em sua casa, em Bethany, Marta era solícita e cuidava do seu bem estar. Em uma visita, recorda Lucas no seu evangelho, Marta reclamou que Maria ficava sentada ouvindo Jesus, deixando-a com todo o trabalho. Jesus respondeu em tom de brincadeira, " foi Maria que escolheu a melhor parte". Assim Marta tornou-se o protótipo da ativista Cristã e Maria o símbolo da vida contemplativa. Assim Marta foi a única que foi procurar Jesus, quando Lázaro morreu, enquanto Maria ficou em casa .A tradição diz ainda que, para aqueles que diziam que já era tarde e que Lázaro já estava morto, Marta retrucou energicamente "que não tinha a menor importância e que Jesus iria cura-lo". E de fato quando Jesus chegou Lázaro já estava enterrado e seu corpo já apresentava sinais de putrefação, mas Marta não se abalou, e com enorme fé, pediu a Jesus para cura-lo e este foi o maior dos milagres de Jesus.
Mais ainda: Ela disse a Jesus que acreditava que o Senhor Pai daria a ele o que pedisse. Em resposta aquela fé inabalável, ela foi a primeira a ouvir de Jesus a sua mais profunda revelação. Quando Marta disse que ela acreditava que seu irmão iria se levantar de novo, Jesus disse a Marta: "Eu sou a ressurreição e a vida, aquele que crê em mim viverá mesmo que ele morra, e todos que vivem e crêem em mim, nunca morrerão."
"Voce acredita nisto ?" perguntou Jesus a Marta, e ela respondeu: "Sim meu Senhor, eu acredito que Voce é o Messias e o Filho de Deus."
A tradição diz ainda que Marta foi com Maria e Lázaro para a França servindo de missionária em Provence.
Em outra versão Lázaro e suas irmãs vão para Chipre onde ele se torna bispo de Kition ou Lanarka. As suas supostas relíquias teriam sido transladadas para Constantinopla e varias igrejas e capelas foram erigidas em sua honra na Síria. A Basílica de São Lázaro, santo padroeiro de Lanarka, construída em 890 DC era um templo cristão do quinto século no qual existia um sarcófago com a com a inscrição: "Lazarus, o amigo de Cristo". Isto reforça a tradição que ele viveu sua "segunda vida ressuscitado" em Kition, Lanarka.
A tradição diz ainda que Santa Marta é protetora das falsas preocupações e superstições.
Isto no Brasil, significaria proteção contra: mau olhado, inveja, pragas, bruxarias, descarrego e outras superstições para as quais ela oferece um escudo impenetrável.
Ela é a padroeira das donas de casa.

Sua festa é celebrada no dia 29 de julho.

Fonte: Cadê meu Santo

sábado, 27 de julho de 2013

X Domingo Depois de Pentecostes: "Todo o que se exalta será humilhado, e todo que se humilha será exaltado." (Ev.)

O Fariseu e o Publicano
A Liturgia deste domingo procura inculcar no espírito dos fiéis o sentido justo da humildade cristã, que consiste em atribuir a Deus todo o bem verdadeiro e toda santidade. Porque os nossos atos, com efeito, só poderão ser sobrenaturais, isto é santos, se procederem do Espírito que Jesus enviou aos Apóstolos no dia de Pentecostes, e que não cessa de conceder aqueles que humildemente lho pedem. Pelo que a obra da nossa santificação é inteiramente impossível, se tentarmos realizá-la sozinhos. É necessário reconhecer a nossa incapacidade, as nossas más tendências, toda esta gama de coisas mínimas e imponderáveis que não vemos e nos fazem apalpar tristemente a lama original da nossa natureza; é necessário, digo, reconhecer tudo isto, ser humildes, portanto, para sentimos a necessidade de pedir e Deus ter ocasião de nos dar. Porque Deus reconhece longe os orgulhosos e vê de perto os humildes. O orgulho é, portanto, o maior inimigo das almas.

A Igreja desenvolve este pensamento, de modo tristemente realístico, nas lições do breviário. Atália, depois de ter cometido os mais graves atentados contra Deus de Jacó, de Abraão e dos profetas e de ter levado o seu arrojo e o seu orgulho ao ponto de levantar no átrio do templo um altar à Baal, foi lançada numa janela de seu palácio à rua e devorada pelos cães. E Joás, um pobre órfão, descendente de Davi, mas perseguido pela fúria de Atália, que procurava extinguir toda a família real para melhor assegurar a impunidade de seus crimes, foi alçado ao poder com sete anos de idade e dele deixou a Sagrada Escritura este belo elogio:"Joás praticou o que era justo diante de Deus". É que há duas classes de homens, conform diz Pascal: "Os santos que se julgam réus de todos os crimes e os pecadores que não encontram em sim culpa alguma. Os primeiros são humildes e Deus os glorificam, os segundos são orgulhosos e então Deus os abate e os castigam.


Coroação de Joás
 "Deus, segundo São João Crisóstomo, verbera o orgulhoso. Ele submergiu o mundo, queimou Sodoma, destruiu o exército dos egípcios, porque, não tenhamos dúvidas, foi Deus que feriu todos estes povos. Mas, direis vós, Deus é bom e é Pai. Todavia, estas não são palavras vazias, mas fatos que não podemos negar. Ou não foi punido o rico que desprezou Lázaro? E as Virgens tolas não foram repudiadas pelo esposo? O Senhor diz que sim! Ora pelo que o Senhor disse e fez no passado podemos prever o que fará no futuro. Tenhamos portanto sempre diante de nós o rio de fogo as cadeias que rolam, as trevas, o ranger dos dentes e o verme que dilacera. Será o modo mais eficaz de cultivarmos a humildade que nos faz dizer com a Igreja: "Clamei pelo Senhor e ele ouviu-me" (Intr.).

Defendei-me, Senhor, como a pupila dos olhos. Vós vede Senhor, o que é reto e justo (Grad.). Ao senhor elevei a minha alma e nele coloquei a minha esperança. Não me torneis, Senhor, objeto de irrisão para aqueles que me querem mal.

Meditemos além disso na grande lição do evangelho de hoje, do fariseu e do Publicano.

Santo Joás
Epístola

Leitura da Epístola de São Paulo Apóstolo aos Coríntios (ICor 12, 2-11) - Irmãos: Sabeis que, quando éreis pagãos, vos deixáveis levar, conforme vossas tendências, aos ídolos mudos. Por isso, eu vos declaro: ninguém, falando sob a ação divina, pode dizer: Jesus seja maldito e ninguém pode dizer: Jesus é o Senhor, senão sob a ação do Espírito Santo. Há diversidade de dons, mas um só Espírito. Os ministérios são diversos, mas um só é o Senhor. Há também diversas operações, mas é o mesmo Deus que opera tudo em todos. A cada um é dada a manifestação do Espírito para proveito comum. A um é dada pelo Espírito uma palavra de sabedoria; a outro, uma palavra de ciência, por esse mesmo Espírito; a outro, a fé, pelo mesmo Espírito; a outro, a graça de curar as doenças, no mesmo Espírito; a outro, o dom de milagres; a outro, a profecia; a outro, o discernimento dos espíritos; a outro, a variedade de línguas; a outro, por fim, a interpretação das línguas. Mas um e o mesmo Espírito distribui todos estes dons, repartindo a cada um como lhe apraz.

Evangelho de Domingo:
 Continuação do Santo Evangelho segundo São Lucas. Naquele tempo: Propôs Jesus esta parábola a uns que confiavam em si mesmo, como (se fossem) justos, e desprezavam os outros: Subiram dois homens ao templo a fazer oração: um fariseu e outro publicano. O fariseu, de pé, orava no interior desta forma: Graças te dou, ó Deus, porque não sou como os outros homens: ladrões, injustos, adúlteros, nem como este publicano. Jejuo duas vezes na semana; pago o dízimo de tudo o que possuo. O publicano, porém, conservando-se a distância não ousava ainda nem levantar aos olhos ao Céu, mas batia no peito dizendo: Meu Deus, tende piedade de mim pecador. Digo-vos que este voltou justificando para sua casa, e não outro; porque quem se exalta será humilhado, e quem se humilha será exaltado.
                      (Fonte Missal Quotidiano - Dom Gaspar Lefebvre - 1957)

Nossa Senhora do Sábado: Nossa Senhora de Luján



Hoje vamos fazer uma pequena homenagem a padroeira da Argentina. Terra natal do Papa Francisco.


À quase setenta quilômetros da capital argentina está a pitoresca cidade de Luján. Suas origens remontam ao ano 1536, quando às margens do rio homônimo que atravessa a cidade, os índios executaram o Capitão Pedro Luján. Quase um século depois ela passou a se desenvolver em torno da igreja da Nossa Senhora de Luján, hoje Basílica e Santuário mariano que guarda a imagem da Padroeira da Argentina.

Segundo a história e a tradição cristã, Farias era um rico fazendeiro português que vivia na região de Córdoba em 1630. Para a capela que construía na sua propriedade, encomendou à um amigo residente no Brasil uma imagem de Nossa Senhora. O patrício despachou duas caixas: uma com a imagem só da Virgem Maria e outra de Nossa Senhora segurando o Menino Jesus nos braços. Quando a carroça que as transportava chegou em Luján, os tropeiros decidiram pernoitar na estância de Dom Rosendo. Na manhã seguinte os bois não conseguiam puxar a carroça. Para aliviar o peso seria preciso retirar algumas das encomendas, mas ficaram surpresos porque bastou descarregar uma das pequenas caixas vindas do Brasil, para a carroça se mover. Intrigados abriram para ver o que continha e encontraram uma pequena imagem de trinta e oito centímetros, da Virgem Maria com as mãos unidas junto ao peito. Os tropeiros entenderam que era um aviso do Senhor e resolveram deixar a imagem para ser venerada naquele local.

Avisado sobre o acontecimento milagroso, Dom Rosendo mandou erguer um pequeno oratório para guardar a imagem da Virgem. E designou um escravo negro chamado Manuel já convertido para ser o zelador. Manuel, entretanto se consagrou à Virgem Maria e seguiu sempre cuidando da Sagrada Imagem. Em 1670, com a morte de Dom Rosendo a propriedade ficou abandonada, mas o oratório não, o fiel devoto Manuel continuou zelando a imagem de Nossa Senhora. 

No ano seguinte, a ilustre Dona Ana Matos, proprietária de uma estância, às margens do rio Luján, pediu ao Padre Oramas administrador dos bens do falecido Dom Rosendo, para ficar com a imagem, pois queria erguer uma capela particular. Com sua aprovação levou a imagem para casa, mas dispensou os serviços do velho Manuel. Então ele ficou alí no oratório solitário rezando para a Santíssima Virgem diante do altar vazio. No dia seguinte milagrosamente a imagem apareceu no antigo lugar. Avisada Dona Ana tornou a levar a imagem para sua casa e pela segunda vez o prodígio aconteceu. 

Assustada ela comunicou tudo ao Padre Oramas, que informou ao bispo e ao governador de Buenos Aires. Estes foram ao local e verificaram a veracidade dos fatos. Por isto decidiram transladar em solene procissão a sagrada imagem da Virgem acompanhada do fiel devoto Manuel que continuaria seu zelador na nova capela. E neste local ela se mantém até hoje.

A notícia dos milagres de Nossa Senhora de Luján correu depressa entre as populações vizinhas. Em 1685, foi erguida a primeira grande igreja que se tornou o centro da vila de Luján. A primeira pedra da Basílica atual foi colocada em 1887, na mesma solenidade da coroação canônica de Nossa Senhora de Luján transcorrida sob as bênçãos do Papa Leão XIII, que indicou o dia 08 de maio para sua festa anual. Mas a magnífica arquitetura da Basílica só foi totalmente concluída em 1935, sendo declarada Monumento Histórico Nacional. O Papa João Paulo II em visita à Argentina em 1982, orou aos pés da Virgem de Luján e abençoou esse Santuário. 

Fonte: Paulinas

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Pedi, pois, ao Senhor da messe que envie operários para sua messe. (São Mateus 9, 38)

Jesus Disse que seu sangue seria derramado por muitos e não
por todos (São Mateus 26, 28)
Podemos garantir que em alguns seminários ainda se preservaram o espírito do apostolado, da disciplina e da caridade fraterna entre seus seminaristas e clérigos. Porém, em grande parte dos nossos seminários, estes mesmos espíritos foram aos poucos sufocados pela introdução do liberalismo e de doutrinas heréticas firmadas pelo Concílio Vaticano II. 

O espírito de apostolado que guiou a Igreja por quase dois mil anos, e que a manteve firme e inabalável, está sendo ameaçando por conta de doutrinas liberais. Uma destas, introduzida pelo Concílio Vaticano II, é a heresia do ecumenismo condenada pelo Papa Pio XI. 

Vejamos o que diz a encíclica Mortalium animos do Papa Pio XI:

Entretanto, quando se trata de promover a unidade entre todos os cristãos, alguns são enganados mais facilmente por uma certa disfarçada aparência do que seja reto.
Acaso não é justo e de acordo com o dever - costumam repetir à miúde - que todos os que invocam o nome de Cristo, abstenham-se de recriminações mútuas, e sejam finalmente unidos por mútua Caridade?

Acaso alguém ousaria afirmar que ama a Cristo se, na medida de suas forças não procura realizar as coisas que Ele desejou, Ele que rogou ao Pai para que os seus discípulos fossem “um” (Jo.17,21)? Acaso não quis o mesmo Cristo que seus discípulos fossem identificados por este como que sinal e fossem por ele distinguidos dos demais, a saber, se mutuamente se amassem: “Todos conhecerão que sois meus discípulos nisto: se tiverdes amor um pelo outro”? (Jo. 13,35)

Na verdade, sob os atrativos e os afagos destas palavras, oculta-se um gravíssimo erro, pelo qual são totalmente destruídos os fundamentos da fé. Nº 8 a 11


Advertidos pois, pela consciência do dever apostólico, para que não permitamos que o rebanho do Senhor seja envolvido pela novidade dessas falácias, convocamos, Veneráveis irmãos, o vosso empenho, na precaução contra este mal. Nº 15-16

***
Ora, se o discurso da Igreja atual é de que todos encontram salvação seguindo uma ordem natural impressa por Deus no coração do homem, por qual motivo teríamos atualmente para seguir os mandamentos de Jesus e de sua Igreja, já que, qualquer religião, inclusive o ateísmo, poderá garantir a bem aventurança eterna?

Visto que, isto segue uma lógica liberal e não aos ensinamento de Nosso Senhor Jesus Cristo, estes ensinamentos são uma grave ameaça a salvação das almas. Existem inúmeras religiões, que pregam inclusive o adultério, a soberba, o uso de entorpecentes, o infanticídio, e tantos outros erros gravíssimos como se fossem toleráveis ou até mesmo louváveis. 

Não poderemos admitir jamais este falso ecumenismo do Vaticano II como sendo uma doutrina verdadeira, visto que, em nenhum momento da história cristã, tal abominação herética foi sequer cogitada pelo sagrado magistério, a não ser, por hereges desejosos em destruir o reino de Deus na terra.

E a Encíclica do Papa Pio XI continua a dizer:

Ai! Os filhos afastaram-se da casa paterna; todavia ela não foi feita em pedaços e nem foi destruída por isso, uma vez que estava arrimada na perene proteção de Deus. Retornem pois, eles, ao Pai comum que, esquecido das injúrias antes gravadas à fogo contra a Sé apostólica, recebe-los-á com o máximo amor. Nº 64 

Acreditamos pois que os que afirmam serem cristãos não possam faze-lo sem crer que uma certa Igreja, e uma só, foi fundada por Cristo. Mas, se se indaga além disso, qual deva ser ela pela vontade do seu autor, já não estão todos em consenso. Assim, p. ex., bem muitos destes negam a necessidade da Igreja de Cristo ser visível e perceptível, pelo menos na medida em que deva aparecer como um corpo único de fiéis, concorde em uma só e mesma doutrina, sob um só Magistério e um só regime. Mas, pelo contrário, julgam que a Igreja perceptível e visível é uma Federação de várias comunidades cristãs, embora aderente, cada uma delas, a doutrinas opostas entre si. (nº 21-22)

Por isto costumam realizar por si mesmos convenções, assembleias e pregações, com não medíocre freqüência de ouvintes, e para elas convocam, para debates, promiscuamente a todos: pagãos de todas as espécies, fiéis de Cristo, os que infelizmente se afastaram de Cristo e os que obstinada e pertinazmente contradizem à sua natureza divina e a seu legado.

Sem dúvida esses esforços não podem, de nenhum modo, ser aprovados pelos católicos, pois eles se fundamentam na falsa opinião dos que julgam que quaisquer religiões são mais ou menos boas e louváveis...


Erram e estão enganados, portanto os que possuem esta opinião: pervertendo o conceito da verdadeira religião, eles repudiam-na e gradualmente inclinam-se para o chamado Naturalismo e para o Ateísmo. Daí segue-se claramente que quem concorda com os que pensam e empreendem tais coisas, afasta-se inteiramente da Religião divinamente revelada. Nº 5,6 e 7

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Encontro de Assis
Blasfemam contra o sangue dos mártires os que assim se dedicam a prática desta abominação pós Concílio, como lemos no livro do Apocalipse de São João: "Vi que a mulher estava ébria do sangue dos santos e do sangue dos mártires de Jesus; e esta visão encheu-me de espanto". (Apocalipse 17, 6) "porque os seus juízos são verdadeiros e justos. Ele executou a grande Prostituta que corrompia a terra com a sua prostituição, e pediu-lhe contas do sangue dos seus servos". (Apocalipse 19, 2)

Muitos de nossos santos foram martirizados em nome da pureza e integridade da fé católica. Ao reconhecer que os hereges, cismáticos, ateus e pagãos infiéis terão o mesmo direito de gozar eternamente da glória de Deus com os santos, está se blasfemando contra o sangue dos mártires e contra o sangue do próprio Senhor que disse: "porque isto é meu sangue, o sangue da Nova Aliança, derramado por muitos homens em remissão dos pecados". (São Mateus 26, 28)

Ou seja, Nosso Senhor na última ceia afirmou que seu sangue seria derramado por muitos e não por todos. Herege aquele que afirma que o inferno está vazio, ou que o mesmo não existe. Esta heresia está presente até mesmo nos missais modernos, onde se teve a petulância de se alterar as palavras do Redentor na ultima ceia (Vide as palavras da consagração no missal de Paulo VI). 

Roguemos caríssimo para que Deus envie operário santos para sua messe. Peçamos a virgem Rainha de todos os santos e mártires que suscite santos na vinha do Senhor, para que, sejam derrubado seus inimigos e que se converta o maior número de hereges, cismáticos, infiéis e ateus.

Continuaremos amanhã...

26 de Julho - Santa Ana, Mãe de Maria Santíssima e Avó de Jesus

Viveram no primeiro século e sua festa é celebrada no leste no dia 9 de setembro. A tradição dá o nome de Joaquim e Ana (significa graciosa em hebreu) aos pais da Virgem Maria (Luc 3:23).

São João Damasceno exorta Joaquim e Ana como modelos de pais e esposos cujo principal dever era educar seus filhos. São Paulo diz que a educação dos filhos pelos pais é sagrada.

A tradição diz que Joaquim nasceu em Nazaré, e casou-se com Anna quando ele era jovem. Ele era um rico fazendeiro e possuía um grande rebanho. Como não tivessem filhos durante muitos anos Joaquim era publicamente debochado, (não ter filhos era considerado na época uma punição de Deus pela sua inutilidade). Um dia o padre do templo recusou a oferta de Joaquim de um cordeiro e Joaquim foi para o deserto e jejuou e rezou por 40 dias. O Pai de Ana teria sido um judeu nômade chamado Akar que trouxe sua mulher para Nazaré com sua filha Anna. Após o casamento de sua filha com Joaquim tambem ficou triste de não terem sido agraciados com netos. Ana chorava e orava a Deus para atende-la. Um dia ela estava orando e um anjo disse a ela que Deus atenderia as suas preces. Ela estava sob uma árvore pensando que Joaquim a havia abandonado(ele estava no deserto). O anjo disse ainda que o filho que teriam seria honrado e louvado por todo o mundo. Anna teria respondido; "Se Deus vive e se eu conceber um filho ou filha será um dom do meu Deus e eu servirei a Ele toda a minha vida."

O anjo disse a ela para ir correndo encontrar com o seu marido o qual, em obediência a outro anjo, retornava com o seu rebanho. Eles se encontraram em um local que a tradição chama de Portão de Ouro. Santa Anna deu a luz a Maria quando ela tinha 40 anos. É dito que Anna cumpriu a sua promessa e ofereceu Maria a serviço de Deus, no templo, quando ela tinha 3 anos. De acordo com a tradição ela e Joaquim viveram para ver o nascimento de Jesus e Joaquim morreu logo após ver o seu Divino neto presente no templo de Jeruzalém.

O Imperador Justiniano construiu em Constantinopla, uma igreja em honra de Santa Anna lá pelo anos de 550.Seu corpo foi trasladado da Palestina para Constantinopla em 710 e algumas porções de suas relíquias estão dispersas no Oeste. Algumas em Duren (Rheinland-Alemanha), em Apt-en-Provence, (França) e Canterbury (Inglaterra).

O culto litúrgico de Santa Ana apareceu no sexto século no leste e no oitavo século no Ocidente. No século décimo a festa da concepção de Santa Anna era celebrada em Nápoles e se espalhou para Canterbury lá pelos anos de 1100 DC e daí por diante até século 14, quando o seu culto diminui pelo crescente interesse pela sua filha, a Virgem Maria.

O culto a Santa Ana chegou a ser até atacada por Martinho Lutero, especialmente as imagens com Jesus e Maria, um objeto favorito dos pintores da Renascença. Em resposta, a Santa Sé estendeu a sua festa para toda a Igreja em 1582.

São Joaquim tem sido honrado no Leste desde o início e no Ocidente desde o 16º século e imagens do culto a São Joaquim começaram no ocidente nas Comunas e nos Arcos em Veneza que datam do século 6º .

A Imaculada Concepção de Maria é comemorada no dia 8 de dezembro e o nascimento da Virgem Maria, nove meses depois, ou seja no dia 8 de Setembro.



A festa de São Joaquim era celebrada, no Ocidente no dia 16 de agosto.

Agora, ambos são comemorados no dia de Santa Ana ou seja no dia 26 de julho.

Fonte: Cadê meu Santo

quinta-feira, 25 de julho de 2013

25 de Julho - OS QUATORZE SANTOS PATRONOS

São designados pela liturgía pelo epiteto comum de Santos Patronos. Quatorze santos célebre pela eficácia de sua intecessão. Representados Ordináriamente juntos. a devoção do povo a estes santos tão compassivos e com necessidades dos homens tomou origem a maior parte das vezes em algum mosteiro célebre que possuía suas relíquias. Todos exceto São Gil que sofrera o martírio. O culto de alguns como São Jorge, São Cristóvão, Santa Bárbara, Santa Catarina e de Santa Margarida, espalharam-se muito durante a idade média e deu origem aos novos costumes e divertimentos populares. O nome deles ainda conservam grande popularidade:

São Jorge: Padroeiro dos Soldados

Santo Erasmo: Advogado das dores do ventre e dos viajantes do mar

São Brás: Advogado dos males da garganta

São Pantaleão: Patrono dos médicos

São Vito: Contra os animais peçonhentos

São Cristóvão: Padroeiro dos motoristas

São Dionísio: Contra as possessões diabólicas

São Ciríaco: Contra as doenças dos olhos e possessões

São Acácio: Contra as dores de Cabeça

Santo Eustáquio: Contra o fogo temporal e eterno

São Gil: Contra Epilepsia, Esquizofrenia e os males e medos da noite

Santa Margarida: Contra as dores de rins e pelas mulheres em trabalho de parto

Santa Bárbara: Contra os Raios e a morte repentina

Santa Catarina de Alexandria: Padroeira dos filósofos
oradores e advogados.
 Fonte: Lefebvre, Dom Gaspar. Missal Quotidiano e Vesperal. Bruges, Bélgica; Abadia de S. André, 1960.

25 de Julho - FESTA DE SÃO TIAGO APÓSTOLO


Apóstolo, santo patrono da Espanha como Santiago, tem em sua honra um grande templo em Compostela. Filho de Zebedeu e Salomé ele pescava para viver com o seu irmão João (o evangelista) na Galiléia . Mateus, Marcos, e Lucas atestam o seu chamamento por Cristo. Cristo deu a Tiago e a João o apelido "Filhos do Trovão" para expressar a sua natureza apaixonada. Eles queriam chamar o fogo do céu para os Samaritanos que rejeitaram Cristo (Lu 9:54-56) e queriam sofrer com Jesus como testemunhas (Mar10:35-41).
Tiago estava com Pedro e João quando Jesus ressuscitou a filha de Jairus dos mortos(Mc5:37). Estes mesmos três apóstolos estavam também presentes na " Transfiguração" e na "Agonia no Jardim das Oliveiras". Tiago, o maior, é considerado o protomártir dos apóstolos, morto pelo Rei Herodes Agrippa em Jerusalém (Acts 12:2). Ele foi decapitado e seu martírio é o único relatado pelos apóstolos no Novo Testamento. De acordo com a tradição ele pregou na Espanha antes de sua morte e por isso tornou-se o santo mas venerado dos santos espanhóis. É costume aceito na Espanha que os seus restos mortais foram levados para Compostela durante a Idade Media. Na arte litúrgica ele é mostrado como um velho senhor e as vezes como um peregrino.

Catedral de São Tiago de Compostela - Espanha


Sua festa é celebrada no dia 25 de julho.

Fonte: http://www.cademeusanto.com.br/sao_tiago.htm

25 de Julho - São Cristóvão, Mártir


Viveu em 251 DC e é o patrono dos viajantes e é um dos "Quatorze Santos Ajudantes" que apareceram para Santa Joana D’Arc. Um mártir, São Cristóvão chamado Kester morreu em Lycia ,na Ásia Menor (atualmente Turquia). Diz a tradição que ele era um homem muito forte que ajudava as pessoas a cruzarem o rio. Um dia um menino pediu para ajuda-lo e São Cristóvão colocou-o nos ombros e começou a atravessar o rio. A cada passo a criança ficava mais pesada e São Cristóvão se esforçava ao máximo para salvar o menino. São Cristovão disse a criança que estava muito difícil e que parecia estar carregando o mundo! E a criança respondeu:" Não fique surpreso! Você está carregando o mundo, voce carrega o criador do mundo nos ombros! O menino era Jesus!
Por isso São Cristovão é invocado por todos antes de fazerem uma jornada. Raramente se vê um taxi ou onibus sem a medalhinha de São Cristovão em alguns lugar do painel.
Christopher significa "carregador de Cristo". (Christo-phoros).
As sua relíquias estão em Roma e Paris. Ele é invocado contra acidentes.
Em algumas cidades é costume os motoristas levarem seus veículos para serem bentos no dia 25 de julho na igreja de São Cristóvão.
Existe uma tradição antiga, que diz que quem olhasse a imagem de São Cristovão, passaria aquele dia sem qualquer dano. Daí a grande quantidade de imagens e pinturas de São Cristovão nas Igrejas, lojas e residências.



Sua festa é celebrada no dia 25 de julho.


quarta-feira, 24 de julho de 2013

Quando o liberalismo atinge o berço da família

Santa Ana sempre é representada na iconografia como uma mestra
ensinando a Virgem os fundamentos da fé

Um dos motivos para expansão do protestantismo e do seu sucesso entre a população mais jovem, seria a instrução rígida herdada de seus pais que, desde pequenos, lhes impõe os dogmas da heresia sem hesitação. Enquanto isso, nas famílias católicas atuais predomina-se um liberalismo que afeta justamente a doutrinação dos pequenos nos fundamentos da sã doutrina. Este mesmo liberalismo é o responsável pela deturpação dos valores morais e éticos que desfiguram a imagem da família tradicional.

Houve tempos em que nossos pais e avós ensinavam aos filhos as orações fundamentais de nossa fé, e suas vidas eram verdadeiros testemunhos das virtudes heroicas cultivadas pela observância dos ensinamentos da Santa Madre Igreja. Em tempos atuais a disciplina e o zelo deram lugar ao liberalismo que geraram "católicos mornos" que não se importam com a salvação da alma de seus filhos, netos, sobrinhos e afilhados.

Inúmeras crianças chegam na catequese sem nenhum conhecimento sobre as coisas da religião. Muitos ainda trazem as mazelas impressas em seus caráter e comportamentos oriundos de um lar em decadência. Por muitas vezes, estes caráteres deformados pela decadente convivência com seus pais e familiares entregues a inúmeros vícios, se tornam algo impeditivo para se alcançar uma real reeducação espiritual do indivíduo.

Sabemos, pois, das dificuldade de se educar os filhos em um mundo moderno, cheio de atrativos (televisão, internet, etc) e de difícil acesso a convivência com seus genitores, visto que, os mesmo, muitas das vezes, trabalham o dia inteiro. Porém, isto não pode ser desculpa para a omissão que poderia ser suprimida em determinados momentos pelos próprios pais ao se colocarem a disposição de seus filhos para educá-los no exercício da santa religião. Visto que, esta é uma das obrigações dos pais, a de educar na fé e na caridade.

No protestantismo, os pais muita das vezes criam uma bolha em que seus filhos respiram apenas o ambiente de sua religião. Demonizando tudo e todos os que estão de fora desta bolha, impedindo assim que o seus descendentes futuramente venham a ter algum desejo de conhecer outra religião ou forma de pensamento. 

Nas famílias católicas em muita das vezes os pais seguem uma linha de pensamento influenciada pelo liberalismo, aceitando-se até, que seus filhos venham futuramente a mudar de religião ou de opinião. Ora, não é assim que se deve pensar o bom católico, que corre grave risco de ter sua alma rejeitada no paraíso. O mesmo deve-se preocupar em educar seus descendentes na sagrada doutrina.

Encerramos hoje pedindo encarecidamente aos pais católicos que eduquem seus filhos nos verdadeiros ensinamentos de Nosso Senhor Jesus Cristo. Pois, o que vemos hoje em muitos adultos e adolescentes, é muita das vezes a falta de orientação e de exemplos em seus lares. Faz-se necessário ser exemplo para os filhos.

Continuaremos amanhã...

terça-feira, 23 de julho de 2013

Do liberalismo a apostasia

O texto de hoje, tem por base, uma denúncia lançada em um livro do bispo francês Dom Marcel Lefebvre, que tem como título "Do liberalismo a apostasia", do ano de 1991. O livro descreve com total clareza como o liberalismo foi introduzido no mundo e como sua nefasta influência alcançou o seio da Igreja Católica. 

No final da Idade Média pairava sobre a humanidade uma onda de pensamentos de origem pagã que buscavam trazer de volta uma velha ótica de enxergar o mundo e as pessoas. O naturalismo pregado pelo movimento renascentista tentava utilizar uma nova roupagem do pensamento pagão greco-romano sobre a sociedade cristã européia. Eram tempos difíceis aqueles, porém, a pureza fé continuava inabalada pela fidelidade do sagrado magistério eclesiástico. No entanto havia uma crise de moral e ética sobre toda a sociedade européia que se alastrava desde o simples plebeu até aos mais altos cargos do Estado e da Igreja.

O naturalismo pregava uma valorização excessiva do homem. Abolia-se Deus como o centro da vida humana e em seu lugar entrava o culto ao próprio homem e da razão. No naturalismo há uma dedicação central em divinizar corpo humano e seus hábitos, mesmo aqueles considerados mais desprezíveis. 

O protestantismo surgiu neste período, se utilizando de uma valorização humanística contra o tradicional teocentrismo medieval. Mediante a esta doutrina abominável, somente a fé bastava, portanto, os atos humanos, mesmo os mais transgressores, seriam cobertos pelo véu da confissão religiosa pregada por estes. 

Um exemplo bem simples desta atrocidade, seria o próprio baluarte do movimento protestante, o então apóstata e cismático Martinho Lutero. Este mesmo Lutero, que não conseguia viver sobre a disciplina da castidade, dos jejuns e da oração, não conseguia também chegar a compreensão do ápice dos sacramentos, a Eucaristia.



Martinho Lutero dizia que somente a fé seria suficiente para a salvação humana. Todavia, todos nós, conhecemos estes mesmos argumento nos dias atuais. Quantos de nossos contemporâneos nos apresentam com este discurso de que somente a fé é necessária para a salvação da alma, para ter paz de espírito e para se alcançar a plena comunhão com  Deus? Ora, quem segue esta linha de pensamento está indo diretamente contra Nosso Senhor Jesus Cristo que nos advertiu inúmeras vezes da necessidade das obras e da obediência a Deus e sua Igreja: "Nem todo aquele que me diz: Senhor, Senhor, entrará no Reino dos céus, mas sim aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus". (São Mateus 7, 21)

Portanto, caríssimos, não nos deixemos enganar, e nem nos deixemos nos intimidar com as lorotas infames dos protestantes que servindo a carne ao mundo e ao demônio, se utilizam da roupagem de homens e mulheres de fé. Este mesmo quando produzem alguns frutos bons, o fazem para parecer honestos, diante dos homens e para serem louvados como eram os fariseus nos tempos de Jesus: "Quando deres esmola, que tua mão esquerda não saiba o que fez a direita". (São Mateus 6, 3)

Todos nós conhecemos estes tipos de hereges que batem no peito e sobem nos palanques para anunciar as "obras" de "sua igreja", para assim ganharem o louvor e admiração dos homens. Porém, afirmo, com toda veemência, que estes já receberam sua recompensa neste mundo: "Guardai-vos de fazer vossas boas obras diante dos homens, para serdes vistos por eles. Do contrário, não tereis recompensa junto de vosso Pai que está no céu". (São Mateus 6, 1)


As verdadeiras obras dos protestantes, que se auto intitulam como os "evangélicos" ou os "crentes", são na realidade corrupção, adultério, prostituição, relativismo, apostasia, idolatria do corpo e das riquezas deste mundo. Lembremos que Henrique VIII, fundador da igreja Anglicana, que fora um homem perverso e adultero, que matou todas as suas ex-esposas. Recordemos também de Lutero que antes de entrar no seminário, mediante a uma promessa vaga, fez uma orgia como "despedida" do mundo secular. Um dos mais recentes casos é o do fundador da igreja dos mórmons que pregava publicamente a poligamia: "Pelos seus frutos os conhecereis. Colhem-se, porventura, uvas dos espinhos e figos dos abrolhos?" (São Mateus 7, 16); "Toda árvore boa dá bons frutos; toda árvore má dá maus frutos." (São Mateus 7, 17)

Não nos deixemos nos iludir com os falsos e superficiais testemunhos que estes mesmo promovem para serem exaltados. Deus irá operar em seus filhos arrependidos para que neles brotem os verdadeiros frutos do espírito: "Ora, as obras da carne são manifestas, as quais são: a prostituição, a impureza, a lascívia, a idolatria, a feitiçaria, as inimizades, as contendas, os ciúmes, as iras, as facções, as dissensões, os partidos, as invejas, as bebedices, as orgias, e coisas semelhantes a estas, contra as quais vos previno, como já antes vos preveni, que os que tais coisas praticam não herdarão o reino de Deus. Mas o fruto do Espírito é: o amor, o gozo, a paz, a longanimidade, a benignidade, a bondade, a fidelidade, a mansidão, o domínio próprio; contra estas coisas não há lei." (Gálatas 5,19-23)

Todos estes erros oriundos do naturalismo pagão e da apostasia protestante estão impregnando a sociedade como um todo. Não podemos nos deixar levar por toda corrente de doutrina que varre a sociedade, levando-nos a morte eterna: "O Espírito diz expressamente que, nos tempos vindouros, alguns hão de apostatar da fé, dando ouvidos a espíritos embusteiros e a doutrinas diabólicas" (I Timóteo 4, 1).

Conhecemos, assim, portanto, o espírito dos naturalistas que iniciaram a sua "reforma" na sociedade outrora cristianizada, e posteriormente lançaram a sua nefasta destruição sobre os alicerces do catolicismo. Somos atualmente no Brasil uma maioria católica, porém, uma maioria ainda contaminada com estas idéias liberais e relativistas. Todos nós conhecemos "católicos mornos" que vivem como mundanos e que divinizam seus vícios, transformando-os em virtudes. 

Deixemos de lado a soberba e busquemos as solicitudes do Espírito Santo, que sempre assistiu a Esposa de Cristo em momentos de crise como os dias atuais. Não deixemos que nossos filhos cresçam sem as bases de nossa sagrada doutrina e sem nosso amor e respeitos as Deus e sua amada lei. Ensinemos a nossos descendentes o amor e respeito a Virgem aos santos e hierarquia eclesiástica.

Continuaremos amanhã... (O texto poderá ser corrigido ao longo do dia)