quarta-feira, 3 de julho de 2013

Catecismo Romano: Padrinhos do Batismo (Parte II)


Origem dessa praxe: Prova-se a origem remota dessa instituição, através de uma formal declaração de São Dionísio: "Nossos Guias divinos - assim chama ele os Apóstolos - entenderam e decidiram que as crianças fossem recebidas [na igreja], segundo aquele santo costume, que levava os pais carnais a confiarem a criança a alguém, que a fossem instruindo nas coisas de Deus, e assumissem junto dela as obrigações de mestre e educador. Debaixo de sua direção, devia a criança passar o resto da vida, como que sujeita a um pais espiritual e fiador de sua eterna salvação" [1].

Esta opinião tem a seu favor a autoridade de Santo Higino. 

Laços Espirituais - Por conseguinte, prova é de muita sabedoria que a Santa Igreja estabelecesse parentesco por afinidade, não só do batizante com o batizado, mas também do padrinho com o afilhado, e com os pais carnais destes. Os laços espirituais são de tal caráter, que não permitem legítimo matrimônio entre todas estas pessoas, e anulam qualquer matrimônio que venha a ser contraído.

Obrigações: Além disso, devem os pastores instruir os fiéis acerca das obrigações dos padrinhos. Este cargo está sendo muito descuidado na Igreja. O nome, vazio de sentido, já parece exprimir uma simples formalidade. Muitos fiéis nem vislumbram o que nele há de sagrado.

No entanto, todo padrinho deve lembrar-se que sua obrigação principal é velar sempre pelos filhos espirituais: orientá-los em tudo quanto se refira à vida cristã; empenhá-los, enfim, a moldarem todos os seus atos na solene promessa que o padrinho fizeram por eles, durante as cerimônias do Batismo. Ouçamos o que são Dionísio escreve a esse respeito, interpretando as promessas do padrinho: "Logo que esta criança possa entender a religião, eu prometo persuadi-la  e exortá-la, com toda a instancia, a renunciar categoricamente a tudo que se oponha a virtude; e a cumprir assim, por palavras e obras, a santa promessa que acaba de fazer".

Santo Agostinho externa-se no mesmo sentido: "Antes de tudo, eu vos exorto a todos, homens e mulheres, que levastes afilhados a pia batismal, para ficardes sabendo que, diante de Deus, vos fizestes fiadores por aqueles que, à vista de todo o povo, haveis recebido da fonte batismal".

Na verdade, quem assume algum encargo, tem o grande dever de honra de não fraquejar em sua fiel execução. Ora, quem publicamente se obrigou a ser mestre e protetor de alguém, não poderá, de modo algum, abandonar aquele que tomou debaixo de sua fiança e proteção, enquanto vir que ele precisa de sua valia e assistência. 

Numa instrução sobre os deveres dos padrinhos, Santo Agostinho resume, em poucas palavras, o que hão de ensinar a seus filhos espirituais: "Devem exortá-los, diz ele, a guardar a castidade, amar a justiça, e exercer a caridade. Devem, antes de tudo, ensinar-lhes o Credo, o Pai-nosso, o Decálogo, bem como as lições mais rudimentares da religião cristã". 

(Fonte: Catecismo da Igreja Católica - 1962 - Ed. Vozes)

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