segunda-feira, 30 de setembro de 2013

30 de Setembro - São Jerônimo, Presbítero, Confessor e Doutor da Igreja

Doutor da igreja, e um dos maiores especialistas em bíblias de sua época

Ele nasceu em Stridonium perto de Aquiléia, Itália e estudou em Roma. Foi batizado na idade de 18 anos, mas foi criado desde pequeno como cristão .Em 374 foi para a Antiópia e teve um visão em que Cristo o admoestava dizendo:
"Ciceronianus es, non Christianus" "Você é um Cicerone e não um Cristão" uma condenação da preferencia de Jerônimo a literatura romana e não aos escritos cristãos. Ele foi então para Chalcis, no deserto da Síria e ficou lá por quatro anos, aprendendo hebreu e os escritos de São Paulo de Tebas. Após sua ordenação ele viveu em Constantinopla, hoje Istambul, estudando sob São Gregório Nazaianzus. Retornando a Roma ele chamou a atenção do Papa Damascus e serviu com secretario papal tornando-se uma figura muito popular até a morte de Damascus. Depois foi para Belém onde ficou lá com Santa Paula, São Eustáquio e outros, pregando na Palestina e no Egito. São Jerônimo devotou a sua via aos propósitos escolares traduzindo Sagradas Escrituras, revisando versões em Latin do Novo testamento principalmente a tradução da bíblia do grego para o Latin chamada "Vulgate ", na qual ficou 15 anos (teria sido uma sugestão do Papa Damascus). De 405 até a sua morte ele continuou a escrever e atacar a heresia Pelagiana. Seus outros trabalhos incluem :

1)"Uma Continuação da Historia Eclesiástica ".

2)"De Viris Illustribus" (uma apresentação dos maiores escritores dos anos anteriores).

3)Um grande número de cartas ; uma tradução de Origines e a tradução e comentários de uma vasta variedade de tratados controvertidos.

Ele morreu em 30 de setembro após longa doença.
Ele é honrado com sendo um dos primeiros estudiosos do início da Igreja e um gênio que deu uma grande contribuição para a área escolástica bíblica.

Na arte litúrgica ele mostrado as vezes como um cardeal atendido por um leão ou ainda como um eremita. Outras vezes como um escolástico.
Padroeiro dos bibliotecários e das secretárias.

Fonte: Cadê meu Santo

sábado, 28 de setembro de 2013

29 DE SETEMBRO - DEDICAÇÃO DE SÃO MIGUEL ARCANJO








Roma consagrou mais 10 santuários dedicados ao culto do Arcanjo São Miguel. A festa de hoje é a mais antiga de Arcanjo. Comemora-se a dedicação do antigo santuário consagrado a São Miguel nos subúrbios de Roma, as sete milhas da Via Salária. A Missa composta para aquela festa é atualmente a missa do 18º domingo depois de pentecostes, que se reporta a uma dedicação de igreja.

Miguel quer dizer: "Quem como Deus?", recorda-nos o combate que se travou no Céu entre o Arcanjo de Deus, príncipe da milícia celeste, e o Demônio. A batalha que aí então começou, continua ainda depois da rebelião de Lúcifer, e há de continuar até o fim dos tempos. Nesta luta terrível entre as potências do bem e do mal, está de um lado Jesus Cristo e seus aliados, São Miguel e os Anjos, a Igreja e os Santos; do outro lado, satanás com os demônios e seus aliados.

Andamos pessoalmente envolvidos em contenda. Peçamos humildemente ao poderoso Arcanjo que nos guie e nos livre de perecer no dia do juízo final. Quando deste mundo sai uma alma, a Santa Igreja pede que o porta-estandarte São Miguel a introduza na luz Céu. Daqui nasceu o costume de representar São Miguel segurando uma Balança divina em que as almas devem ser pesadas. São Miguel também preside o culto de adoração que se deve tributar a Deus. Viu-o São João no Céu diante do altar, agitando o incenso que se evolava em perfume, juntamente com as orações dos Santos. O nome de São Miguel vem no Confíteor a seguir do nome de Maria Santíssima que é considerada a Rainha dos Anjos. Foi considerado patrono da Sinagoga e agora continua sendo patrono da Igreja Universal que sucedeu aquela.





Epístola

Leitura do Livro do Apocalipse (1, 1-5) : Naqueles dias: Revelou Deus estas coisas para manifestar aos seus servos o que deve acontecer em breve. Ele, por sua vez, por intermédio de seu anjo, comunicou ao seu servo João, o qual atesta, como palavra de Deus, o testemunho de Jesus Cristo e tudo o que viu. Feliz o leitor e os ouvintes se observarem as coisas nela escritas, porque o tempo está próximo. João às sete igrejas que estão na Ásia: a vós, graça e paz da parte daquele que é, que era e que vem da parte dos sete Espíritos que estão diante do seu trono e da parte de Jesus Cristo, testemunha fiel, primogênito dentre os mortos e soberano dos reis da terra. Àquele que nos ama, que nos lavou de nossos pecados no seu sangue


Evangelho do dia:

Leitura do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus (18,1-10): Naquele tempo: Os discípulos aproximaram-se de Jesus e perguntaram-lhe: Quem é o maior no Reino dos céus? Jesus chamou uma criancinha, colocou-a no meio deles e disse: Em verdade vos declaro: se não vos transformardes e vos tornardes como criancinhas, não entrareis no Reino dos céus. Aquele que se fizer humilde como esta criança será maior no Reino dos céus. E o que recebe em meu nome a um menino como este, é a mim que recebe. Mas, se alguém fizer cair em pecado um destes pequenos que crêem em mim, melhor fora que lhe atassem ao pescoço a mó de um moinho e o lançassem no fundo do mar. Ai do mundo por causa dos escândalos! Eles são inevitáveis, mas ai do homem que os causa! Por isso, se tua mão ou teu pé te fazem cair em pecado, corta-os e lança-os longe de ti: é melhor para ti entrares na vida coxo ou manco que, tendo dois pés e duas mãos, seres lançado no fogo eterno. Se teu olho te leva ao pecado, arranca-o e lança-o longe de ti: é melhor para ti entrares na vida cego de um olho que seres jogado com teus dois olhos no fogo da geena. Guardai-vos de menosprezar um só destes pequenos, porque eu vos digo que seus anjos no céu contemplam sem cessar a face de meu Pai que está nos céus.



São Miguel Arcanjo, defendei-nos no combate, sede nosso guarda contra a maldade e as ciladas do Demônio. Instantemente e humildemente vos pedimos que Deus sobre ele impere; e vós, príncipe da milícia celeste, com o poder divino, precipitai ao inferno a Satanás e aos outros espíritos malignos que vagueiam pelo mundo para perder as almas. Amém

Lefebvre, Dom Gaspar. Missal Quotidiano e Vesperal. Bruges, Bélgica; Abadia de S. André, 1960.

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

27 de Setembro: Santos Cosme e Damião, Mártires


Os Santos Cosme e Damião eram irmãos, descendentes de nobre família da Arábia. A mãe, teodata, deu aos filhos uma educação muito boa, e fez com que os belos talentos se lhes pudessem desenvolver sob a direção de sábios mestres. Fazendo os estudos na Síria, especializaram-se em medicina. 

                                                                    
 Pelo preparo científico e não menos pela pureza de costumes, mereceram a estima e admiração de todos, até dos próprios pagãos. AproveiTando-se desta última circunstância, de preferência procuraram exercer a profissão de médico entre as famílias pagãs, para deste modo terem ocasião de ganhá-las para o Catolicismo. Deus abençoou-os de tal maneira, que não parecia haver doença que resistisse à sua medicação.  Era visível esta proteção sobrenatural. 

                                                                     
A admiração e o pasmo dos pagãos, crescia ainda mais vendo que os médicos cristâos não aceitavam a mínima gratificação. Eram outras riquezas que os atraíam. A conversão das almas, que viviam nas trevas do paganismo, era obejto principal de toda sua atividade. Realmente conseguiram deitar a semente da doutrina cristã em muitos corações, e numerosas foram as conversões de pagãos ao cristianismo. 

                                                                     
Assim viveram alguns anos, como médicos missionários em Egra, na Cilícia. Essa atividade havia de chamar a atenção das autoridades, como de fato chamou. Tendo recebido ordens do governo imperial de Dioclesiano com referência à religião cristã e seus adeptos, uma das primeiras medidas corcitivas do governador Lísias, quando apareceu em Egra,  foi ordenar a prisão dos dois médicos, que lhe foram indicados como inimigos acérrimos das divindades pagãs.

                                                                     
Citados perante o tribunal de Lísias, este os interpelou sobre sua pátria e profissão. Deram as informaçõews exigidas, declarando que eram naturais da Arábia, e exerciam gratuitamente a ciência médica.  Protestaram contra a denúncia de se entregarem às práticas da feitiçaria. 

                                                                     
_ Curamos doenças - disseram ao governador - mais em nome de Jesus Cristo, do que pelo valor da nossa ciência. 

                                                                    
Lísias bradou:

                                                                    
 _ É preciso que adoreis aos deuses, sob pena de cruel tortura!

                                                                    
_ Teus deuses nenhum poder têm; adoramos o Criador do céu e da terra.

                                                                     
Para fazê-los mudar de convicção, Lísias mandou aplicar-lhes tormentos bárbaros. Vendo, porém, que eram inúteis esses processos, deu ordem para que fossem decapitados.  Cosme e Damião morreram mártires em 303.   Os corpos foram transportados para Cira, na Síria, e depositados numa igreja que lhes recebeu o nome.  O mesmo imperador, Justiniano I,  vendo_se favorecido em grave doença, construiu em Constantinopla uma igreja em honra destes padroeiros.  Parte das relíquias chegaram no século VI a Roma e a Munique (Baviera), onde repousam no altar mor da igreja de São Miguel. Deus glorificou com juitos milagres o nome de seus dois servos.

                                                                     
Os Santos Cosme e Damião são venerados como padroeiros dos médicos, dos farmacêuticos e da Faculdade de Medicina.

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

26 de Setembro - São Cipriano e Santa Justina, Mártires


São Cipriano, cognominado o feiticeiro, natural de Antióquia, na Fenícia, foi pelos pais introduzido em todos os segredos da superstição, astrologia e feitiçaria. Para ampliar os conhecimentos na arte mágica, fez grandes viagens e visitou os centros principais do mundo, como Atenas, Menfis, Argos e a Índia. Mestre em todas as artes diabólicas da feitiçaria, entregou-se a uma vida desbravada. Para a religião cristã, havia só insultos;  crianças inocentes eram as suas vítimas prediletas; tendo-as enforcado, oferecia o sangue das mesmas como holocausto ao demônio, e nas entranhas ainda palpitantes procurava conhecer os segredos do futuro. Perseguição atroz fazia às donzelas, aproveitando-se de enredos diabólicos para demovê-las do caminho da virtude. Malogravam, porém, estes artifícios diante das jovens cristãs. 

                                                                     
Uma delas era Justina, que morava em Antióquia, cristã fervorosa, porém, filha de pais pagãos. Formosa de corpo e de espírito, pelo seu exemplo fez com que toda a família se convertesse ao cristianismo.  Agládio, jovem pagão,  ardia em paixão pela jovem cristã.  Não podendo, porém, cativar-lhe a afeição, recorreu aos artifícios mágicos de Cipriano.  Justina experimentou em si os acessos diabólicos, os quais conseguiu debelar pela oração e pelo sinal da cruz.  Vendo-se tão rudemente assaltada pelas tentações mais horríveis, a virgem recomendou-se freqüentemente à Rainha das Virgens e saiu vitoriosa das insídias do inimigo.   O fracasso de seus estratagemas mais poderosos, fez Cipriano duvidar do poder dos demônios, tanto que tomou a resolução de livrar-se deles. Lutas terríveis foram as conseqüencias desta mudança;  pois o demônio não ia privar-se de um instrumento para ele utilíssimo, como era Cipriano.  Apoderou-se do espírito deste uma profunda tristeza e a lembrança dos feitos passados levou-o quase ao desespero.  Deus mandou-lhe alívio pelo sacerdote Eusébio. As orações e as palavras confortadoras deste santo homem, fizeram com que Cipriano não desfalecesse no meio do caminho.  Grande foi a surpresa dos fiéis, quando viram o grande e terrível feiticeiro num Domingo entrar na igreja, conduzido por Eusébio.  O próprio bispo não quis acreditar no que via e pôs-se a duvidar da sinceridade desta conversão. Cipriano, porém, trouxe todos os livros cabalísticos e entregou-os ao fogo, Na presença de todo o povo, e distribuiu a sua fortuna entre os pobres. 

                                                                    
À vista desta mudança radical,  o bispo consentiu que Cipriano fosse batizado.  Junto com ele, Agládio recebeu o sacramento do Batismo.  Justina, vendo as maravilhas da divina graça, cortou a sua linda cabeleira e pelo voto de virgindade perpétua, dedicou-se ao serviço de Deus.  

                                                                     
A  conversão de Cipriano foi sincera e constante.  Os escândalos da vida passada, reparou-os pela conduta exemplar e pela prática das mais belas virtudes.  A dedicação à causa de Deus mereceu-lhe a dignidade de sacerdote e mais tarde de bispo.  Veio a perseguição diocleciana.  Cipriano foi Levado a Tiro, onde sofre atrozmente.  Também Justina, acusada de cristã, foi apresentada ao governador da Fenícia, que a submeter à flagelação crudelíssima.  Transportados para Nicomédia, onde se achava Diocleciano, pelo próprio imperador foram sentenciados à morte pela decapitação.  A sentença foi executada em 304.  As relíquias dos dois Mártires foram trasladadas para Roma, onde Rufina, cristã fervorosa da família dos Cláudios, erigiu uma igreja sob a invocação de Cipriano e Justina.   Hoje, os corpos destes dois grandes mártires, descansam na igreja de São João de Latrão, em Roma. 

NOTA -  Se São Cipriano detestou suas próprias obras de feitiçaria e queimou-as publicamente, com que direito se servem ainda hoje, muitos cristãos, do livro de São Cipriano, para fins supersticiosos e diabólicos?  Além de ser mais do que duvidoso que este livro seja da lavra de São Cipriano, é uma obra perniciosa, cuja leitura é proibida. 

Fonte: Página do Oriente

terça-feira, 24 de setembro de 2013

24 de Setembro - Nossa Senhora das Mercês


Este título da Virgem Maria deriva da Ordem das Mercês, cujo apostolado da redenção de cativos era na Idade Media chamado de obra de mercê ou misericórdia. A Ordem atribuiu sempre à Virgem Santíssima uma especial participação em sua fundação, motivo pelo qual a honrou ao longo dos séculos com especial devoção, seguindo o exemplo de São Pedro Nolasco, que já em 1249 dedicou-lhe uma Igreja. bem cedo, os religiosos deram à festividade geral da Virgem um sentido próprio. em 1600, foi-lhes permitido celebrar sob o título das Mercês a festa da natividade de Maria, e em 1616 é concedida a celebração litúrgica com textos próprios. em 1696, seu culto foi estendido a toda a Igreja.

Origem da devoção das Mercês


O vocábulo mercê, no séc. XIII, era sinônimo da obra de misericórdia corporal por antonomásia, qual era a de redimir cativos. Assim, por exemplo, as casas da Ordem de São Tiago, que costumavam receber cativos, são chamadas casas de mercê, na documentação medieval.
A 29 de abril de 1249, os frades obtiveram licença do bispo de Barcelona, Dom Pedro de Centelles, para edificar uma igreja dedicada a Santa Maria, em sua Casa-Hospital de Santa Eulália, construída próxima ao mar. O povo barcelonês, amante da brevidade, começou a chamar a comenda dos frades mercedários, singelamente, casa da Ordem das Mercês, e mais simplesmente ainda, As Mercês. Em consequência, a imagem de Santa Maria que todos veneravam na nova igreja da Casa das Mercês de Barcelona começou a ser conhecida como Santa Maria das Mercês. Nessa igreja, iniciou-se o culto a Maria com o título de Mercês, a partir de onde se estenderá a todas as igrejas em que se estabeleçam os mercedários. Doravente, todas as igrejas que construam serão dedicadas à sua Fundadora, a Virgem das Mercês, ou a ela terão dedicado um de seus altares.
Como atos em honra de Santa Maria das Mercês, a Ordem desde sue início praticou:
A entrega do hábito de Santa Maria aos novos frades e aos confrades. Dizia-se ao postulante: – Queres receber o hábito de Santa Maria? – e o peticionário respondia: - sim, quero. O Ofício diário de Santa Maria, obrigatório para todos os clérigos e o correspondente para os leigos.
A Missa e a Salve – rainha dos dias de sábado. É muito provável que o belo costume da Missa de Santa Maria e doa Canto da Salve – rainha em sua honra nos dias de sábado tenha sido introduzida na Ordem por disposição do próprio São Pedro Nolasco. Constante que, em 1307, Galcerán de Miralles legava à igreja da comenda de Nossa Senhora de Bell-lloch a quantidade de três libras de cera, para que mantivessem um círio acesso todos os sábados durante a celebração da missa da virgem e o canto da Salve-rainha.
Atos de imemorial culto mariano, e que bem poderiam provir dos tempos de Pedro Nolasco, eram a despedida dos redentores, no partir para a terra de mouros, que se fazia diante do altar da igreja; e na volta, a procissão de redentores e redimidos, com seus estandartes, até a igreja das Mercês, para agradecer à Celestial Protetora, pelo favor de seu amparo nas peripécias da viagem redentora.

O nome de Maria no título da Ordem


Um dos títulos com que, no início, era chamado o Instituto fundado por Pedro Nolasco, como já se disse, foi Ordem das Mercês ou da Misericórdia dos cativos. A esta denominação muito rapidamente se somou o nome de Maria.
A primeira vez que se encontra documentalmente o nome de Maria no título da ordem é na bula do papa Alexandre IV, Prout Scriptura testatur, dada em Perúgia a 3 de maio de 1258. O papa, escrevendo aos arcebispos, bispos, abades, etc., para informá-los das graças e das faculdades concedidas aos mercedários, por motivo da obra benéfica que praticam em favor dos cativos, diz: “Dado que o Mestre e os frades da B. Maria das mercês, outras vezes chamados de Santa Eulália... trabalham com todas as suas forças...”. O Papa, portanto, uniu o nome de Maria ao vocábulo mercê, obtendo a denominação Bem-aventurada Maria das Mercês, como parte do título da Ordem. Do contexto da bula infere-se que que o nome de Maria das Mercês já era conhecido. Não se deve supor que o Papa tenha usado o nome de Maria sem razão, nem o impôs por autoridade; ademais, o Papa não enviou a bula diretamente aos frades da Ordem. Há de se buscar uma explicação lógica na interdependência entre a Virgem Santíssima e a Ordem dedicada à redenção dos cativos. Os frades das Mercês estavam persuadidos de que a Virgem Maria, Mãe de Deus, interveio de modo direto na fundação da Ordem. Em consequência, os legisladores das constituições de 1272 oficializaram o nome de Maria no título, chamando-a: Ordem da Virgem Maria das Mercês da redenção dos cativos de Santa Eulália.
Por causa dessa convicção, nos documentos do séc. XIII não aparece nunca o nome do primeiro Mestre, Pedro Nolasco, no título da Ordem; para que toda glória e toda honra da fundação fossem atribuídos à celestial Senhora, mensageira da Trindade, àquela que a Ordem considera como fundadora e Mãe. Desde o historiador mercedário Nadal Gaver (1445), essa presença de Maria concretizou-se no relato da aparição da Virgem Maria a São Pedro Nolasco ordenando-lhe, porque era vontade de Deus, fundar uma Ordem em sua honra, destinada à redenção dos cativos.

Imagens de Maria, igrejas e santuários mercedários


Em todas as casas da Ordem, existiram desde o começo imagens de Maria das Mercês. A primeira foi de Barcelona, da Virgem sentada como o Menino, esculpida em mármore branco, mandada fazer por Pedro Nolasco e hoje conservada no museu da catedral barcelonesa. No séc. XIV, foi substituída, por ser demasiado pequena para o templo que se tornava grande, por outra imagem feita pelo escultor da catedral de Barcelona, Bernardo Roca, segundo contrato estipulado a 13 de setembro de 1361 entre o referido artista e o prior de Barcelona, Frei Bonananto de Prixana. É a que, como Padroeira de Barcelona, hoje preside o altar-mor da Basílica das Mercês da dita cidade.
Além da veneração e do culto a Maria das Mêrces, durante o primeiro século da Ordem Pedro Nolasco e seus frades sentiram especial predileção por igrejas em que se tributava culto a Maria, e, ou porque lhes foram confiadas as já existentes, ou porque a Ordem construiu-as e dedicou à invocações lugares de culto a Maria. O primeiro e mais notável santuário mariano da Ordem das Mercês, no séc. XIII, foi o de Santa Maria de EL Puig, em Valência.
Existem também outras igrejas dedicadas à Virgem: Santa Maria dels Prats (Tarragona), Santa Maria de Sarrion (Teruel), Santa Maria de Arguines (Castellón), Santa Maria de El Olivar (Estercuel), Santa Maria de Acosta (Huesca), Santa Maria de Montflorite (Huesca), Santa Maria de Perpignan (França) e Santa Maria de El Puig de Osterno ou Montetoro, Santuário Mariano da ilha de Menorca.No Brasil, existe 34 Paróquias dedicadas a Nossa Senhora das Mercês.

 Marianismo mercedário


Está fora de toda dúvida que a Ordem das Mercês nasceu, cresceu e atuou em clima saturado de amor e culto à sempre Virgem Maria.
Sem a intervenção, presença e apoio solícito da Celestial Rainha e Mãe, não podia explicar-se adequadamente: nem a origem da Ordem; nem o atrativo que sobre Pedro Nolasco e sues seguidores imediatos exerceram as igrejas dedicadas a Santa Maria; nem a ocorrência de consagrar e dedicar a Santa Maria a igreja da casa de Barcelona, cabeça e fundamento da Ordem, quando esta era conhecida por Casa, Hospital e Ordem de Santa Eulália; nem o empenho tenaz de introduzir o santo nome de Maria título da Ordem, depois de ter-se provado e usado vários; nem por que hábito branco da Ordem chamou-se hábito de Santa Maria; nem como uma Ordem de poucos frades e caráter militar; fundada por um simples leigo para a redenção de cativos foi capaz de introduzir na igreja uma nova invocação mariana, a de Santa Maria das Mercês.
Prova deste marianismo da Ordem, desde o início, é que todas as doações para a redenção eram feitas em nome de Maria. São numerosos os documentos existentes de doações feitas por benfeitores à Ordem para as redenções, em que se especifica a motivação mariana. Ferrer de Portell e sua mulher Escalona “para glória de Deus e da Virgem Maria e o bem de suas almas”, a 25 de outubro de 1234, ofereceram seus bens a Pedro Nolasco para redenção dos cativos. Igualmente Ramón de Morella, a 3 de março de 1245, no doar o hospital de Arguines a Pedro Nolasco, fê-lo << em honra de Nosso Senhor Jesus Cristo e da Bem-aventurada Virgem Maria, sua mãe>>. O Rei Jaime II, a 15 de maio de 1300, outorgava um benefício à Ordem << por reverência à Virgem Maria>>.
Se os fiéis davam essas esmolas para a honra de Maria, significa que os religiosos solicitavam-nas em seu nome, coisa que não teriam podido fazer se não estivessem convencidos de uma particular intervenção de Maria na fundação da Ordem.

Fonte: Site Mercedários

sábado, 21 de setembro de 2013

XVIII Domingo Depois de Pentecostes: "Meu filho, teus pecados te são perdoados". (Ev.)


"Meu filho, teus pecados te são perdoados".
Este domingo que vem a seguir ao Sábado das Têmporas de Setembro, era a princípio vacante. A liturgia da vigília prolongava-se com efeito até de manhã, de maneira que não sobrava tempo para os ofícios dominicais. As lições que se lêem no ofício são do livro de Judite. Todos conhecem a história desta mulher famosa que salvou a Judéia, cortando a cabeça de Holofernes, general dos exércitos Assírios. Holofernes, enviado por Nabucodonosor para conquistar a Palestina, tinha cercado Betúlia. Vencidos pela fome e pela sede, os sitiados tinham deliberado render-se, quando Judite apareceu a encorajá-los. Façamos penitência, dizia, e imploremos o perdão de Deus, porque estes flagelos com que nos castiga são para nos corrigir e não para nos perder. Depois, quando veio a tarde, vestiu-se com as suas melhores galas e fez-se introduzir no acampamento dos inimigos, sob o pretexto de lhes entregar a cidade. E elevada à presença de Holofernes, o general, seduzido pela sua beleza, recebeu-a com grande contentamento e ordenou que em sua honra, se preparasse um banquete.


A Igreja ao recordar as sete dores de Maria Santíssima, aplica-lhes o canto que se ouviu em Israel, quando Judite livrou o povo eleito. Maria é com efeito a nova Judite que decepa a cabeça do general assírio, do dragão infernal. Nestes dias lê a Igreja no Ofício divino estas passagens gloriosas da epopéia israelita, que são figuras do que mais tarde havia de acontecer numa ordem espiritual e mais elevada. A libertação do povo judeu da sujeição assíria, levada a efeito por Judite, representa a libertação humanidade operada por Jesus. É muito oportuna esta missa nesta época de Têmporas, que são tempos de perdão, por sê-lo de penitência em que Deus se deixa aplacar e vencer dos pobres mortais. Desse perdão e dessa paz consoladora, que se frue da casa do Senhor são legítimos dispensários os sacerdotes a quem Jesus concedeu o poder sublime de dizerem: "Os teus pecados te são perdoados". Os novos ungidos pelos Senhor serão encarregados também de pregar a palavra de Deus, de celebrar o Santo Sacrifício e de preparar por este modo a humanidade para se apresentar confiadamente diante do supremo juiz. É por este motivo, precisamente, que a Igreja insistirá durante estes domingos no pensamento da vinda do Senhor.


A epístola de hoje ( ICor 1,4-8) é também para meditar. Que contas tão estreitas não terá de prestar o cristão de tantas graças que recebe! E como dispensamos herança tão rica, como desperdiçamos tantas graças, os sacramentos, a pregação da palavra de Deus! Que contas serão as nossas?








Epístola do Domingo:

Leitura da Epístola de São Paulo Apóstolo aos Conrintios (ICor 1, 4-8) - Irmãos: Não cesso de agradecer a Deus por vós, pela graça divina que vos foi dada em Jesus Cristo. Nele fostes ricamente contemplados com todos os dons, com os da palavra e os da ciência, tão solidamente foi confirmado em vós o testemunho de Cristo. Assim, enquanto aguardais a manifestação de nosso Senhor Jesus Cristo, não vos falta dom algum. Ele há de vos confirmar até o fim, para que sejais irrepreensíveis no dia de nosso Senhor Jesus Cristo.



Evangelho de Domingo:


Continuação do Santo Evangelho segundo São Mateus: Naquele tempo: Subindo Jesus para uma pequena barca, tornou a passar o lago, e voltou para a sua cidade. E, eis que lhe apresentaram um paralítico, que jazia no leito. E, vendo Jesus a fé que eles tinham, disse ao paralítico: Filho, tem confiança, te são perdoados os pecados. E logo alguns dos escribas disseram no seu interior: Este blasfema. E, Jesus visto os seus pensamentos, disse: Porque pensais mal em vossos corações? Que é mais fácil dizer: te-são perdoados os pecados, ou dizer: Levanta-te e caminha? Pois, para que saibais que o filho do homem tem poder sobre a terra de perdoar os pecados: Levanta-te, disse então ao paralítico, toma o teu leito, e vai para tua casa. E ele levantou e foi para sua casa. E, vendo isto, as multidões temeram e glorificaram a Deus, que deu tal poder aos homens.

Lefebvre, Dom Gaspar. Missal Quotidiano e Vesperal. Bruges, Bélgica; Abadia de S. André, 1960.

SÁBADO DAS QUATRO TÊMPORAS DE SETEMBRO (Dia de jejum e abstinência parcial)

No dia 15 do sétimo mês do ano, os judeus celebravam a festa dos tabernáculos, precedida das expiações em que o Sumo Sacerdotes, havendo-se previamente purificado na fonte que esteve em frente ao santuário, penetrava com o sangue das vítimas no Santo dos santos e orava junto do propiciatório. O sábado das têmporas de Setembro, que outrora era o sétimo mês do ano, recorda esta dupla festa de penitência e alegria. Os profetas Miqueias, Zacarias e Daniel que se lê hoje, fala-nos do perdão que Deus nunca nega os que procuram lavar-se da mácula do pecado e imploram nas contingências, uma vez ou outra da vida, a sua proteção. A Epístola da missa de hoje (Heb. 9 2,12), mostra a nova aliança que Jesus estabeleceu entre Deus e as almas penitentes, oferecendo no verdadeiro Santo dos santos, quer dizer no Céu, o sangue fecundo que derramou no calvário. E o Evangelho de hoje (Lc 13,6-17), quer nos lembrar o milagre que o Senhor operou libertando aquela mulher das garras do demônio, diz bem os que são os sacerdotes no desempenho do seu altíssimo ministério. Por isso essa missa pode ser utilizada muito bem num dia de ordenações.

Primeira Leitura do Dia:
Leitura do livro do Levítico (23, 26-32): O Senhor disse a Moisés: “No décimo dia do sétimo mês será o dia das Expiações. Tereis uma santa assembléia: humilhareis vossas, almas e oferecereis ao Senhor sacrifícios queimados pelo fogo. Não fareis trabalho algum naquele dia, porque é um dia de expiação em que deve ser feita a expiação por vós diante do Senhor, vosso Deus. Todo aquele que se não humilhar nesse dia será cortado do meio de seu povo. E todo o que fizer nesse dia um trabalho qualquer, eu o suprimirei do meio de seu povo. Não fareis, pois, trabalho algum; esta é uma lei perpétua para vossos descendentes, em todos os lugares em que habitardes. Será para vós um sábado, um dia de repouso, e humilhareis vossas almas. No nono dia do mês, à tarde observareis um sábado, de uma tarde à tarde seguinte.
Segunda Leitura do Dia:
Leitura do Livro do Levítico (23, 39-43): No décimo quinto dia do sétimo mês, quando tiverdes colhido os produtos da terra, celebrareis uma festa ao Senhor durante sete dias. O primeiro dia será um dia de repouso, bem como o oitavo. No primeiro dia tomareis frutos de árvores formosas, folhas de palmeiras, ramos de árvores frondosas e de salgueiros da torrente; e alegrar-vos-eis durante sete dias diante do Senhor, vosso Deus. Cada ano celebrareis esta festa durante sete dias em honra do Senhor. Esta é uma lei perpétua para vossos descendentes. Celebrá-la-eis no sétimo mês. Habitareis em barracas de ramos durante sete dias: todo homem da geração de Israel habitará em barracas de ramos, para que saibam os vossos descendentes que eu fiz habitar os israelitas em barracas de ramos, quando os tirei do Egito. Eu sou o Senhor, vosso Deus.”
Terceira Leitura do Dia:
Leitura do Livro Miquéias (7, 14,16; 18-20): Conduzi com o cajado o vosso povo, o rebanho de vossa herança que se encontra espalhado pelas brenhas, para o meio de vergéis; que ele paste como outrora em Basã e em Galaad. As nações os verão e sentirão vergonha de sua própria bravura; porão a mão na boca e seus ouvidos ficarão surdos; Qual é o Deus que, como vós, apaga a iniqüidade e perdoa o pecado do resto de seu povo, que não se ira para sempre porque prefere a misericórdia? Uma vez mais, tende piedade de nós! Esquecei as nossas faltas e jogai nossos pecados nas profundezas do mar! Mostrai a vossa fidelidade para com Jacó, e vossa piedade para com Abraão, como jurastes a nossos pais desde os tempos antigos!
Quarta Leitura do Dia:
Leitura do Livro do Profeta Zacarias (8, 14-19): Eis o que diz o Senhor dos exércitos: eu decidira fazer-vos mal quando vossos pais excitaram a minha cólera - diz o Senhor dos exércitos - e não voltei atrás! Assim, resolvo agora fazer o bem a Jerusalém e à casa de Judá. Não temais. Eis o que deveis fazer: falai a verdade uns aos outros; julgai às portas de vossas cidades segundo a justiça e a sinceridade. Não maquineis o mal em vossos corações contra o próximo; não jureis falso, porque aborreço tudo isso - oráculo do Senhor. A palavra do Senhor dos exércitos foi-me dirigida nestes termos: eis o que diz o Senhor, dos exércitos: o jejum do sexto mês como também os do quinto e do nono serão doravante para Judá dias de regozijo e de alegria, dias de festa.
Quinta Leitura do Dia:
Leitura do Profeta Daniel (3, 47-51):  Então, as chamas, subindo a quarenta e nove côvados acima da fornalha, ultrapassaram a grade e queimaram os caldeus que se achavam perto. Mas o anjo do Senhor havia descido com Azarias e seus companheiros à fornalha e afastava o fogo. Fez do centro da fogueira como um lugar onde soprasse uma brisa matinal: o fogo nem mesmo os tocava, nem lhes fazia mal algum, nem lhes causava a menor dor. Então os três jovens elevaram suas vozes em uníssono para louvar, glorificar e bendizer a Deus dentro da fornalha, neste cântico:
Hino de Daniel:



52. Sede bendito, Senhor Deus de nossos pais, digno de louvor e de eterna glória! Que seja bendito o vosso
santo nome glorioso, digno do mais alto louvor e de eterna exaltação!
53. Sede bendito no templo de vossa glória santa, digno do mais alto louvor e de eterna glória!
54. Sede bendito por penetrardes com o olhar os abismos, e por estardes sentado sobre os querubins, digno do
mais alto louvor e de eterna exaltação!
55. Sede bendito sobre vosso régio trono, digno do mais alto louvor e de eterna exaltação!
56. Sede bendito no firmamento dos céus, digno do mais alto louvor e de eterna glória!
57. Obras do Senhor, bendizei todas o Senhor, louvai-o e exaltai-o eternamente!
58. Céus, bendizei o Senhor, louvai-o e exaltai-o eternamente!
59. Anjos do Senhor, bendizei o Senhor, louvai-o e exaltai-o eternamente!
60. Águas e tudo o que está sobre os céus, bendizei o Senhor, louvai-o e exaltai-o eternamente!
61. Todos os poderes do Senhor, bendizei o Senhor, louvai-o e exaltai-o eternamente!
62. Sol e lua, bendizei o Senhor, louvai-o e exaltai-o eternamente!
63. Estrelas dos céus, bendizei o Senhor, louvai-o e exaltai-o eternamente!
64. Chuvas e orvalhos, bendizei o Senhor, louvai-o e exaltai-o eternamente!
65. Ó vós, todos os ventos, bendizei o Senhor, louvai-o e exaltai-o eternamente!
66. Fogo e calor, bendizei o Senhor, louvai-o e exaltai-o eternamente!
67. Frio e geada, bendizei o Senhor, louvai-o e exaltai-o eternamente!
68. Orvalhos e gelos, bendizei o Senhor, louvai-o e exaltai-o eternamente!
69. Frios e aragens, bendizei o Senhor, louvai-o e exaltai-o eternamente!
70. Gelos e neves, bendizei o Senhor, louvai-o e exaltai-o eternamente!
71. Noites e dias, bendizei o Senhor, louvai-o e exaltai-o eternamente!
72. Luz e trevas, bendizei o Senhor, louvai-o e exaltai-o eternamente!
73. Raios e nuvens, bendizei o Senhor, louvai-o e exaltai-o eternamente!
74. Que a terra bendiga o Senhor, e o louve e o exalte eternamente!
75. Montes e colinas, bendizei o Senhor, louvai-o e exaltai-o eternamente!
76. Tudo o que germina na terra, bendizei o Senhor, louvai-o e exaltai-o eternamente!
77. Mares e rios, bendizei o Senhor, louvai-o e exaltai-o eternamente!
78. Fontes, bendizei o Senhor, louvai-o e exaltai-o eternamente!
79. Monstros e animais que vivem nas águas, bendizei o Senhor, louvai-o e exaltai-o eternamente!
80. Pássaros todos do céu, bendizei o Senhor, louvai-o e exaltai-o eternamente!
81. Animais e rebanhos, bendizei o Senhor, louvai-o e exaltai-o eternamente!
82. E vós, homens, bendizei o Senhor, louvai-o e exaltai-o eternamente!
83. Que Israel bendiga o Senhor, e o louve e o exalte eternamente!
84. Sacerdotes, bendizei o Senhor, louvai-o e exaltai-o eternamente!
85. Vós que estais a serviço do templo, bendizei o Senhor, louvai-o e exaltai-o eternamente!
86. Espíritos e almas dos justos, bendizei o Senhor, louvai-o e exaltai-o eternamente!
87. Santos e humildes de coração, bendizei o Senhor, louvai-o e exaltai-o eternamente!
88. Ananias, Azarias e Misael, bendizei o Senhor, louvai-o e exaltai-o eternamente, porque ele nos livrou da
permanência nas trevas, salvou-nos da mão da morte; tirou-nos da fornalha ardente, e arrancou-nos do meio
das chamas.
89. Glorificai o Senhor porque ele é bom, porque eterna é a sua misericórdia.
90. Homens piedosos, bendizei o Senhor, Deus dos deuses, louvai-o, glorificai-o, porque é eterna a sua
misericórdia!
Leitura da Epístola:

Leitura da Epístola de São Paulo Apóstolo aos Hebreus (9, 2-12) - Irmãos: Consistia numa tenda: a parte anterior encerrava o candelabro e a mesa com os pães da proposição;
chamava-se Santo. Atrás do segundo véu achava-se a parte chamada Santo dos Santos. Aí estava o altar de ouro para os perfumes, e a Arca da Aliança coberta de ouro por todos os lados; dentro dela, a urna de ouro contendo o maná, a vara de Aarão que floresceu e as tábuas da aliança; em cima da arca, os querubins da glória estendendo a sombra de suas asas sobre o propiciatório. Mas não é aqui o lugar de falarmos destas coisas pormenorizadamente. Assim sendo, enquanto na primeira parte do tabernáculo entram continuamente os sacerdotes para desempenhar as funções, no segundo entra apenas o sumo sacerdote, somente uma vez ao ano, e ainda levando consigo o sangue para oferecer pelos seus próprios pecados e pelos do povo. Com o que significava o Espírito Santo que o caminho do Santo dos Santos ainda não estava livre, enquanto subsistisse o primeiro tabernáculo. Isto é também uma figura que se refere ao tempo presente, sinal de que os dons e sacrifícios que se ofereciam eram incapazes de justificar a consciência daquele que praticava o culto. Culto que consistia unicamente em comidas, bebidas e abluções diversas, ritos materiais que só podiam ter valor enquanto não fossem instituídos outros mais perfeitos. Porém, já veio Cristo, Sumo Sacerdote dos bens vindouros. E através de um tabernáculo mais excelente e mais perfeito, não construído por mãos humanas (isto é, não deste mundo), sem levar consigo o sangue de carneiros ou novilhos, mas com seu próprio sangue, entrou de uma vez por todas no santuário, adquirindo-nos uma redenção eterna.

Evangelho do dia:
Continuação do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas (13, 6-17): Naquele tempo: Disse-lhes também esta comparação: Um homem havia plantado uma figueira na sua vinha, e, indo buscar fruto, não o achou. Disse ao viticultor: - Eis que três anos há que venho procurando fruto nesta figueira e não o acho. Corta-a; para que ainda ocupa inutilmente o terreno? Mas o viticultor respondeu: - Senhor, deixa-a ainda este ano; eu lhe cavarei em redor e lhe deitarei adubo. Talvez depois disto dê frutos. Caso contrário, cortá-la-ás. Estava Jesus ensinando na sinagoga em um sábado. Havia ali uma mulher que, havia dezoito anos, era possessa de um espírito que a detinha doente: andava curvada e não podia absolutamente erguer-se. Ao vê-la, Jesus a chamou e disse-lhe: Estás livre da tua doença. Impôs-lhe as mãos e no mesmo instante ela se endireitou, glorificando a Deus. Mas o chefe da sinagoga, indignado de ver que Jesus curava no sábado, disse ao povo: São seis os dias em que se deve trabalhar; vinde, pois, nestes dias para vos curar, mas não em dia de sábado. Hipócritas!, disse-lhes o Senhor. Não desamarra cada um de vós no sábado o seu boi ou o seu jumento da manjedoura, para os levar a beber? Esta filha de Abraão, que Satanás paralisava há dezoito anos, não devia ser livre desta prisão, em dia de sábado? Ao proferir estas palavras, todos os seus adversários se encheram de confusão, ao passo que todo o povo, à vista de todos os milagres que ele realizava, se entusiasmava.

Lefebvre, Dom Gaspar. Missal Quotidiano e Vesperal. Bruges, Bélgica; Abadia de S. André, 1960.

21 DE SETEMBRO - SÃO MATEUS, APÓSTOLO E EVANGELISTA


Banhada pelas águas do lago Genezaré, cortada pelas principais estradas do país, sede das casas comerciais as mais importantes, era Cafarnaum,  uma das cidades mais florescentes da Palestina. No tempo de Jesus Cristo a Palestina era província romana, e onerosos eram os impostos e direitos aduaneiros que pesavam sobre os judeus.  A cobrança destas contribuições obrigatórias, era feita geralmente por rendeiros públicos, homens conhecidamente especuladores, verdadeiros esfoladores e sanguessugas do povo, e por isto todos mal vistos e odiados. Já o apelido de Publicano, isto é, pecador público, excomungado, que se lhes dava, não deixava dúvida sobre a má fama de que tais homens gozavam.

                                                                      
Rendeiro de Cafarnaum era Levi, filho de Alfeu, que mais tarde mudou o nome em Mateus, dom de Deus. Cafarnaum era a cidade pela qual Jesus Cristo mostrava grande simpatia, tanto que os santos Evangelhos a chamam sua cidade. Na sinagoga ou na praia do lago, doutrinou freqüentemente e curou muitos doentes.

                                                                      
Foi numa dessas ocasiões que Jesus, tendo pregado na praia, passou perto do telônio de Levi, parou e disse a este: "Segue-me". Levi levantou-se imediatamente, abandonou o rendoso negócio, mudou de nome e de vida. Não é provável que esta mudança tão radical tenha sido fruto de um entusiasmo espontâneo. É antes, de se supor, que Levi tenha tomado essa resolução devido ao que vira e ouvira, de modo que o convite positivo do divino Mestre lhe tenha pôsto têrmo às últimas dúvidas sobre a orientação da sua vida futura. Diz São Jerônimo que Levi,  vendo Nosso Senhor, ficou atraído pela divina majestade que fulgurava nos olhos de Jesus Cristo. Converteu-se Levi, diz Beda o Venerável,  porque aquele que o chamou pela palavra, lhe dispôs o coração pela graça divina.

                                                                      
Mateus deu em seguida um grande banquete de despedida aos amigos e colegas, e convidou também Jesus e os discípulos. Os fariseus e escribas que, com olhos de lince observavam todos os gestos do Mestre, vendo que este aceitara o convite, acusaram-no dizendo: "Este homem anda com publicanos e pecadores e banqueteia-se com eles!". Também os discípulos de Jesus tiveram de ouvir repreensões: "Como é que o vosso Mestre se senta à mesa com os pecadores?".  Jesus, porém, respondeu-lhes:  "Não são os sãos, mas sim os doentes, que necessitam do médico. Não vim para chamar os justos, senão os pecadores".  Daí em diante Mateus foi um dos discípulos mais dedicados ao divino Mestre, e seguiu-o por toda a parte. 

                                                                      
Logo depois da Ascensão de Jesus Cristo e da vinda do Espírito Santo, Mateus, junto com os outros Apóstolos, pregou o Santo Evangelho nas províncias da Palestina e, com os demais Apóstolos, julgou-se feliz em poder sofrer injúria por amor de Jesus. Foi São Mateus entre os Apóstolos o primeiro que escreveu um relatório da vida e morte de Jesus Cristo, dando a este livro o título de "Evangelho", que significa: "boa nova". Este Evangelho era escrito em sírio-caldaico, para o uso dos primeiros cristãos da Palestina. São Bartolomeu levou consigo uma cópia para as Índias.

                                                                      
Quando os Apóstolos se espalharam por todo o mundo, São Mateus dirigiu-se para a Arábia e Pérsia, onde sofreu cruéis perseguições pelos sacerdotes indígenas. São Clemente de Alexandria diz que São Mateus era homem de mortificação e penitência, e alimentava-se só de ervas, raízes e frutas. Sofreu maus tratos na cidade de Mirmene.

                                                                      
Os pagãos arrancaram-lhe os olhos e, preso com algemas, esperou no cárcere o dia em que devia ser sacrificado aos deuses, por ocasião da grande festa idólatra. Deus, porém,  não abandonou seu servo;  mandou-lhe um Anjo que lhe curou a vista e o libertou da prisão. São Mateus seguiu então para a Etiópia. Também lá o demônio quis tolher-lhe os passos.  Dois feiticeiros de grande fama opuseram-se-lhe,  mas São Mateus venceu-os pela força esmagadora dos argumentos e pelos milagres que fazia, em nome de Jesus Cristo.  Removido este obstáculo,  o povo aceitou a religião de Deus humanado.

                                                                      
Foi por intermédio do eunuco da rainha Candace, o mesmo a quem São Felipe batizou, que São Mateus obteve entrada no palácio real. Lá havIa grande luto pela morte do jovem príncipe herdeiro Eufranon.  São Mateus, tendo sido chamado ao palácio, fez o defunto ressurgir, milagre este que encheu a todos de admiração.  O rei, em sinal de alegria e gratidão, mandou arautos por todo o país deitarem pregão da seguinte ordem: "Súditos! Vinde todos à capital ver um Deus, que apareceu entre nós, em forma humana!".

                                                                      
Afluíram aos milhares os súditos de todas as partes do reino, trazendo perfumes e insenso, para serem oferecidos ao Deus que tinha aparecido.  Mateus, porém,  esclareceu-os dizendo:  "Eu não sou Deus, como julgais que seja, mas servo de Jesus Cristo, FIlho de Deus vivo;  foi em seu nome que fiz o filho de vosso rei ressuscitar; foi Ele que me enviou a vós, para vos pregar sua doutrina e vos trazer sua graça e salvação".  Essas palavras tiveram bom acolhimento e a maior parte do povo converteu-se à religião de Jesus Cristo.  A Igreja da Etiópia chegou a ser uma das mais florescentes dos tempos apostólicos. O rei Egipo e família eram cristãos fervorosíssimos, tanto que Efigênia, a filha mais velha, fez voto de castidade perpétua e a seu exemplo, muitas filhas das famílias mais ilustres consagraram-se a Deus, numa vida de perfeição cristã.

                                                                      
Pela morte do rei subiu ao trono seu sobrinho Hírtaco, o qual, para estabelecer o governo sobre bases mais sólidas, pediu a Efigênia em casamento. Esta recusou, alegando o voto feito a Deus. Hírtaco, não se conformando com esta resposta, exigiu que São Mateus fizesse valer a autoridade de Bispo, para que se realizasse o enlace desejado. São Mateus declarou ao príncipe não ter competência Para envolver-se no caso. 

                                                                      
Vendo-se assim, profundamente contrariado nos seus planos, Hírtaco deu ordem aos soldados de fazer desaparecer o Apóstolo. Esta ordem foi executada na igreja onde São Mateus celebrava a Missa. Pondo de lado o respeito devido ao lugar e à pessoa do santo Apóstolo, os sicários do rei mataram-no no próprio altar. 

                                                                      
O corpo do Santo Mártir foi por muito tempo objeto de grata veneração do povo cristão da capital. No ano de 930, foi transportado para Salerno, na Itália, onde São Mateus até hoje é festejado como padroeiro da cidade e do bispado. relíquias para a cidade.

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

6ª FEIRA DAS QUATRO TEMPORAS DE SETEMBRO (Dia de jejum e abstinência)


A leitura de Oséias recorda-nos as palavras que este profeta dirigiu a Israel: "Converte-te, Israel, ao teu Deus e Senhor, porque te perderes por causa da sua iniqüidade" e a promessa que o Senhor afastará a sua ira dos israelitas se fizerem penitência. Uma formosa colheita de azeite, de vinho e de trigo, os produtos da estação outonal (hemisfério norte), consagrados ao Senhor nas têmporas de Setembro, são os símbolos das promessas que Deus, fez ao povo, de abundantes bênçãos. E o que Deus fez com Israel penitente, fez o Salvador com Maria Madalena, a quem muito foi perdoado porque muito amou.

Leitura do dia:
Leitura do livro de Oseias (14, 2-9) - Muni-vos de palavras (de súplicas) e voltai ao Senhor. Dizei-lhe: Perdoai todos os nossos pecados, acolheinos favoravelmente. Queremos oferecer em sacrifício a homenagem de nossos lábios. O assírio não nos salvará, não mais montaremos nossos cavalos, e não mais teremos como Deus obra alguma de nossas mãos, porque só junto de vós encontra o órfão compaixão. Curarei a sua infidelidade, amá-los-ei de todo o coração, (porque minha cólera apartou-se deles). Serei para Israel como o orvalho; ele florescerá como o lírio, e lançará raízes como o álamo. Seus galhos estender-se-ão ao longe, sua opulência igualará à da oliveira e seu perfume será como o odor do Líbano. (Os de Efraim) virão sentar-se à sua sombra. Cultivarão o trigo. Crescerão com a vinha. E serão famosos como o vinho do Líbano. Que terá ainda Efraim de comum com os ídolos? Eu mesmo, que o afligi, torná-lo-ei feliz. Eu sou como o cipreste sempre verde: graças a mim é que produzes fruto. Quem é sábio atenda a estas coisas! Que o homem inteligente reflita nelas, porque os caminhos do Senhor são retos. Os justos andam por eles, mas os pecadores neles tropeçam.

Evangelho do dia
Continuação do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas (7, 36-50) - Naquele tempo: Um fariseu convidou Jesus a ir comer com ele. Jesus entrou na casa dele e pôs-se à mesa. Uma mulher pecadora da cidade, quando soube que estava à mesa em casa do fariseu, trouxe um vaso de alabastro cheio de perfume; e, estando a seus pés, por detrás dele, começou a chorar. Pouco depois suas lágrimas banhavam os pés do Senhor e ela os enxugava com os cabelos, beijava-os e os ungia com o perfume. Ao presenciar isto, o fariseu, que o tinha convidado, dizia consigo mesmo: Se este homem fosse profeta, bem saberia quem e qual é a mulher que o toca, pois é pecadora. Então Jesus lhe disse: Simão, tenho uma coisa a dizer-te. Fala, Mestre, disse ele. Um credor tinha dois devedores: um lhe devia quinhentos denários e o outro, cinqüenta. Não tendo eles com que pagar, perdoou a ambos a sua dívida. Qual deles o amará mais?  Simão respondeu: A meu ver, aquele a quem ele mais perdoou. Jesus replicou-lhe: Julgaste bem. E voltando-se para a mulher, disse a Simão: Vês esta mulher? Entrei em tua casa e não me deste água para
lavar os pés; mas esta, com as suas lágrimas, regou-me os pés e enxugou-os com os seus cabelos. Não me deste o ósculo; mas esta, desde que entrou, não cessou de beijar-me os pés. Não me ungiste a cabeça com óleo; mas esta, com perfume, ungiu-me os pés. Por isso te digo: seus numerosos pecados lhe foram perdoados, porque ela tem demonstrado muito amor. Mas ao que pouco se perdoa, pouco ama. E disse a ela: Perdoados te são os pecados. Os que estavam com ele à mesa começaram a dizer, então: Quem é este homem que até perdoa pecados? Mas Jesus, dirigindo-se à mulher, disse-lhe: Tua fé te salvou; vai em paz.
Lefebvre, Dom Gaspar. Missal Quotidiano e Vesperal. Bruges, Bélgica; Abadia de S. André, 1960.

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

19 de Setembro - Sao Januário, Bispo, Mártir e companheiros

                                                                   
Na catedral  de Nápoles é celebrada hoje a grande festa com oitava, a que vem assistir milhares de fiéis não só da cidade como da circunvizinhança e de toda a Itália. A solenidade é viva expressão da veneração e gratidão ao grande Padroeiro São Januário, cujas preciosas relíquias se acham expostas em duas capelas da mesma Catedral. Em uma destas capelas é conservado o corpo do Santo,  quando a outra é repositório de sua cabeça e de duas ampolas de vidro com sangue do mártir, recolhido por uma piedosa mulher logo depois da decapitação deste. Todos os anos, no dia de hoje, é observado o milagre de São Januário, que consiste na liquefação do sangue contido nas ampolas, no momento em que estas são aproximadas da cabeça ou de qualquer  uma das relíquias do Santo. Sobre o fato não pode haver a mínima dúvida, pois tem sido presenciado por milhares de pessoas, e cientistas de diversos  credos  têm se ocupado deste fenômeno sem que dele tivessem achado uma explicação natural. Com sua proteção cresceu sempre o fervor da fé, e anualmente a procissão que os napolitanos lhe fazem adquirem novo esplendor. 

                                                                     
 A cabeça de São Januário está encastoada num busto de ouro e prata, presente do rei Carlos II de Anjou,  e é anualmente levada em procissão seguida à tarde de outra que transporta a ampola do sangue miraculoso, procissão cujo têrmo é a igreja de Santa Clara
                                                                     
 São Januário, provavelmente descendente dos nobres Januários de Nápoles, era Bispo de Benevento. Em sua vizinhança vivia o zeloso e santo diácono Sósio, a quem o ligavam laços de grande amizade e a quem muitas vezes visitava. Em uma das suas visitas a este santo homem, na ocasião dêle pregar a Palavra de Deus, viu uma labareda de fogo descer sobre a cabeça do pregador, fenômeno que Januário considerou aviso do próximo martírio do seu amigo. Não se enganou. Em 303 rompeu a última e a mais cruel perseguição contra a Igreja, sendo Dioclesiano imperador.  Dracôncio, governador de Campanha,  cumprindo ordem imperial, exigiu de Sósio, que prestasse homenagens às divindades nacionais. Como este se negasse, foi desumanamente espancado e fechado no cárcere de Puzzuoli. A mesma sorte tiveram diversos cristãos. Mal soube Januário o que tinha acontecido ao seu amigo, foi visitá-lo a ele e a seus companheiros de prisão, e animou-os com sua palavra de amigo e bispo.
                                                                      
Aconteceu que Dracônio fosse removido e em seu lugar viesse Timóteo, inimigo implacável do nome cristão. Uma das suas primeiras determinações na campanha anticristã, foi o aprisionamento de Januário, de quem foi exigida a apostasia da fé pela homenagem que havia de prestar aos deuses.  Januário, em vez de obedecer a esta ordem, fez profissão solene e pública de sua fé em Jesus Cristo e sua santa Igreja. Imediatamente veio a ordem do governador, para que fosse lançado em uma fornalha ardente. Deus, porém, protegeu o seu filho e fiel servo. O fogo, em vez de atacar e consumir a inocente vítima, veio com ímpeto sobre os carrascos e os feriu gravemente. Três dias teve que passar dentro da fornalha, para depois ser novamente encarcerado e barbaramente espancado.  Dois clérigos,  Festo e Desidério,  foram visitar seu bispo, e quando o viram tão mal tratado, deram expressão à sua indignação e dor, e altamente protestaram contra os processos desumanos aplicados contra um homem tão bom, "que era a caridade em pessoa, o consolador dos aflitos e o amigo de todos os que sofriam, e a ele nas suas mágoas e necessidades se dirigiam".  Resultado foi que também foram presos e, juntos com Januário, levados à presença do governador.  "Quem são estes homens?", indagou este com voz de trovão.  "Um é meu diácono e outro meu leitor", respondeu plácidamente Januário. "São Cristãos?"  Januário: "São, e espero que não negarão Nosso Senhor Jesus Cristo",   _ "Isso nunca",  exclamaram ao mesmo tempo os dois, somos cristãos e prontos para dar a vida por Cristo".
                                                                     
 Timóteo nada respondeu:  Disfarçou seu ódio, mas deu ordem para que fossem metidos em ferros e diante do seu carro levados a Puzzuoli, onde o cárcere os recebeu. 

                                                                    
 Longe de se lastimar, os santos homens se felicitaram mutuamente por se acharem em caminho para o martírio, e pedriam a Deus a graça da perseverança. Já no dia seguinte foram transportados para o anfiteatro. Lá os esperava o governador e muito povo, ávidos de assistir à cena de animais feroses e famintos se atirarem sobre as
 inermes vítimas.  Os sete jovens cristãos,  também Januário, já não contavam com mais de quarenta anos, se ajoelharam no meio da arena, com os olhos elevados ao céu. Mal se abriram as jaulas, os leões com rugidos formidáveis se precipitaram sobre os sete homens. Mas, que maravilha! Como contidos e domados por mãos invisíveis, se deitaram aos pés dos confessores,  sem lhe causarem mal algum. O povo, diante deste milagre, não se conteve e em altos brados felicitou-os.  Timóteo, porém perturbado e humilhado, deu ordem de decapitação imediata.  Outro fato maravilhoso acompanhou também  esta ordem desumana. No mesmo momento em que proferiu a sentença de morte sobre Januário e seus companheiros, ficou cego.  Em sua confusão e aflição suprema, recorreu à própria vítima, a Januário, suplicando que o socorresse. O santo bispo rezou sobre ele, fez o sinal da cruz sobre os olhos amortecidos, e estes, se abriram completamente curados.  Não obstante, o monstro manteve a ordem da morte;  talvez por medo do imperador enfurecio ou, pelo fato de quase cinco mil pessoas presentes no anfiteatro,  além de aclamarem os cristãos, se terem declarado a favor da fé cristã.  Os corpos dos mártires foram retirados pelos cristãos e com todas as honras sepultados.
                                                                      
Sete anos depois,  quando pela conversão do imperador Constantino,  houve grande mudança na política romana, os Beneventinos retiraram as relíquias de seus sacerdotes Festo e Desidério;  as de São Januário,  porém, ficaram em Nápoles. Diversas tentativas de obterem esta preciosidade, não tiveram resultado.  Em 825 o príncipe Sico de Benevento, quando com forte exército veio assediar Nápoles, se apoderou do corpo do santo Mártir que,  como em triunfo, foi transladado para Benevento. A cabeça e as ampolas com o sangue ficaram em Nápoles. Só em 1480 o imperador Fernando de Nápoles recuperou as santas relíquias para a cidade.      

Fonte: Página do Oriente