terça-feira, 31 de dezembro de 2013

FELIZ ANO NOVO!!!





 
A equipe do blog Em defesa da Santa Fé deseja a todos um feliz e abençoado 2014!

31 DE DEZEMBRO - SÃO SILVESTRE I, PAPA E CONFESSOR





A Igreja reproduz na Liturgia todas as fases da existência do seu divino Fundador. Apenas nascido, o Menino Deus, é perseguido por Herodes; ainda no berço, a Igreja envia para o Céu o primeiro mártir, na pessoa do diácono Estevão, e os primeiros 25 papas que foram todos martirizados. Tendo voltado do Egito Jesus cresce em idade e sabedoria vivendo em Nazaré, onde passa os anos socegados; sob o pontificado de São Silvestre I (314 -335) a Igreja depois de três séculos de perseguição vê-se na posse de seu maior bem, a Liberdade. Estende-se pelo Império Romano; o Concílio de Nicéia, presidido pelos legados de Silvestre I (325) estabelece contra Ário a doutrina da divindade do Salvador. "O primeiro Concílio de Nicéia, diz o breviário, a santa fé católica, acerca da divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo foi explicada por 318 Bispos. Ario e seus sequazes foram condenados. A pedido dos padres, Silvestre confirmou ainda este Concílio em um Sínodo havido em Roma onde Ario foi de novo condenado.

Silvestre foi sepultado no cemitério de Priscila, sobre a via Salária, numa basílica que ele próprio mandara construir.

Epístola

Leitura da Epístola de São Paulo Apóstolo aos Hebreus (1, 1-12). Irmãos: Muitas vezes e de diversos modos outrora falou Deus aos nossos pais pelos profetas. Ultimamente nos falou por seu Filho, que constituiu herdeiro universal, pelo qual criou todas as coisas. Esplendor da glória (de Deus) e imagem do seu ser, sustenta o universo com o poder da sua palavra. Depois de ter realizado a purificação dos pecados, está sentado à direita da Majestade no mais alto dos céus, tão superior aos anjos quanto excede o deles o nome que herdou. Pois a quem dentre os anjos disse Deus alguma vez: Tu és meu Filho; eu hoje te gerei (Sl 2,7)? Ou então: Eu serei seu Pai e ele será meu Filho (II Sm 7,14)? E novamente, ao introduzir o seu Primogênito na terra, diz: Todos os anjos de Deus o adorem (Sl 96,7). Por outro lado, a respeito dos anjos, diz: Ele faz dos seus anjos sopros de vento e dos seus ministros chamas de fogo (Sl 103,4), ao passo que do Filho diz: O teu trono, ó Deus, subsiste para a eternidade. O cetro do teu Reino é cetro de justiça. Amaste a justiça e odiaste a iniqüidade. Por isso, ó Deus, o teu Deus te ungiu com óleo de alegria, mais que aos teus companheiros (Sl 44,7s); e ainda: Tu, Senhor, no princípio dos tempos fundaste a terra, e os céus são obra de tuas mãos. Eles passarão, mas tu permaneces. Todos envelhecerão como uma veste; tu os envolvas como uma capa, e serão mudados. Tu, ao contrário, és sempre o mesmo e os teus anos não acabarão (Sl 103,26s).

Evangelho do dia:

Leitura do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João (1, 1-16):  No princípio era o Verbo, e o Verbo estava junto de Deus e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio junto de Deus. Tudo foi feito por ele, e sem ele nada foi feito. Nele havia a vida, e a vida era a luz dos homens. A luz resplandece nas trevas, e as trevas não a compreenderam. Houve um homem, enviado por Deus, que se chamava João. Este veio como testemunha, para dar testemunho da luz, a fim de que todos cressem por meio dele. Não era ele a luz, mas veio para dar testemunho da luz. [O Verbo] era a verdadeira luz que, vindo ao mundo, ilumina todo homem. Estava no mundo e o mundo foi feito por ele, e o mundo não o reconheceu. Veio para o que era seu, mas os seus não o receberam. Mas a todos aqueles que o receberam, aos que crêem no seu nome, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus, os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas sim de Deus. E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos sua glória, a glória que o Filho único recebe do seu Pai, cheio de graça e de verdade. João dá testemunho dele, e exclama: Eis aquele de quem eu disse: O que vem depois de mim é maior do que eu, porque existia antes de mim. Todos nós recebemos da sua plenitude graça sobre graça.

Lefebvre, Dom Gaspar. Missal Quotidiano e Vesperal. Bruges, Bélgica; Abadia de S. André, 1960.

sábado, 28 de dezembro de 2013

DOMINGO DENTRO DA OITAVA DE NATAL (OITAVA DO NATAL)






Antes da vinda do Filho de Deus, enviado pelo Pai, para que também recebêssemos a adoção de filhos de Deus, o homem era como um herdeiro na sua menoridade que em nada se distinguia de um escravo. Pelo contrário, agora que a lei nova o antecipou da tutela da antiga, "ele não é mais servo mas filho".Desta maneira o culto dos filhos de Deus resume-se nesta palavra proferida com Jesus: "Pai!" (Epístola).
 
O Evangelho descobre-nos qual será o grandioso papel, no futuro, deste menino cuja manifestação começa hoje no templo. É o rei cujo reino penetrará até o interior dos corações. Será para todos a pedra de toque, pedra de escândalo para os o rejeitarem, e pedra angular de suporte para os que o receberem.
 
Só depois da maioridade é que o filho entra na posse da herança a que tem direito. Antes disso depende daqueles que em seu nome administram o patrimônio. Era assim para os judeus da lei mosaica. Esperavam pelo rico patrimônio da nova lei, mas esperavam ainda sujeitos aos ritos e prescrições da Antiga Lei, espécie de tutela do povo de Deus, enquanto esperavam a herança que lhe foi prometida. Mas essa hora da herança chegou; o filho de Deus se fez homem para nos libertar da escravidão  da Lei e tornar-nos filhos de Deus, co-herdeiros do Reino dos Céus. Com os tempos messiânicos cessa-se a lei mosaica e começa a maioridade do povo de Deus, alcançada por meio do Batismo.
 
O velho Simeão e a profetiza Ana (de mais de oitenta anos de idade), que passavam seus dias no templo, dão testemunho de Jesus. Ele é o Messias e sua vinda implica necessariamente numa separação ou um julgamento. Os pensamentos secretos de cada homem referentes a Cristo serão revelados no último dia, porque ele perscruta os rins e os corações. Concenam-se os que o rejeitam, porque, fora dele, não há salvação.

Epístola

Leitura da Epístola de São Paulo Apóstolo aos Gálatas (4, 1-7). Irmãos: Explico-me: enquanto o herdeiro é menor, em nada difere do escravo, ainda que seja senhor de tudo, mas está sob tutores e administradores, até o tempo determinado por seu pai. Assim também nós, quando menores, estávamos escravizados pelos rudimentos do mundo. Mas quando veio a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, que nasceu de uma mulher e nasceu submetido a uma lei, a fim de remir os que estavam sob a lei, para que recebêssemos a sua adoção. A prova de que sois filhos é que Deus enviou aos vossos corações o Espírito de seu Filho, que clama: Aba, Pai! Portanto já não és escravo, mas filho. E, se és filho, então também herdeiro por Deus.
 
Evangelho do dia:

Leitura do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas (2, 33-40): Naquele tempo, Maria e José estavam admirados das coisas que dele se diziam de Jesus. Simeão abençoou-os e disse a Maria, sua mãe: Eis que este menino está destinado a ser uma causa de queda e de soerguimento para muitos homens em Israel, e a ser um sinal que provocará contradições, a fim de serem revelados os pensamentos de muitos corações. E uma espada transpassará a tua alma. Havia também uma profetisa chamada Ana, filha de Fanuel, da tribo de Aser; era de idade avançada. Depois de ter vivido sete anos com seu marido desde a sua virgindade, ficara viúva, e agora com oitenta e quatro anos não se apartava do templo, servindo a Deus noite e dia em jejuns e orações. Chegando ela à mesma hora, louvava a Deus e falava de Jesus a todos aqueles que em Jerusalém esperavam a libertação. Após terem observado tudo segundo a lei do Senhor, voltaram para a Galiléia, à sua cidade de Nazaré. O menino ia crescendo e se fortificava: estava cheio de sabedoria, e a graça de Deus repousava nele.
 
Lefebvre, Dom Gaspar. Missal Quotidiano e Vesperal. Bruges, Bélgica; Abadia de S. André, 1960.
 

28 DE DEZEMBRO - OS SANTOS MÁRTIRES INOCENTES (OITAVA DO NATAL)

 





A festa dos santos Inocentes é do Século V. A morte destas crianças manifesta, a seu modo, a realeza de Jesus. Foi por ter acreditado na palavra dos magos e do príncipe dos sacerdotes, por ele consultados, que Herodes viu o menino de Belém como uma ameaça a seu trono. Assim que sou mandou perseguir o Rei dos Judeus que acabara de nascer. Mas, como canta a Igreja: "Cruel Herodes, que receia tu da vinda de Cristo? Não arrebata os cetros mortais, aquele que dá os reinos celestes".

É a glória deste rei divino que os inocentes proclamam com a sua morte e a honra que eles dão a Deus é um motivo de confusão para os ímpios de Jesus porque, longe de conseguirem o fim que se propunham, não fazem mais do que dar cumprimento as profecias aos quais anunciavam que o filho do homem voltaria do Egito e que em Belém seria grande o choro das mães lamentando a morte dos filhos. E para por mais ao vivo a desolação dessas mães, Jeremias evoca Raquel, mãe de Benjamim, chorando a perda de seus descendentes. Mãe compassiva, a Igreja reveste os seus ministros de paramentos de tristeza, suprimindo o Glória e o Alleluia.

Confessemos nós por uma vida isenta de vícios a divindade de Jesus que estas almas inocentes confessaram com a morte.

Atendendo à terrível carnificina feita por Herodes, a Igreja, tomando uma das visões mais belas de São João, mostra-nos o destino magnifico reservado no Céu às almas virgens; inteiramente preservadas do pecado, formam o grupo escolhido daqueles que foram resgatados pelo Cordeiro de Deus. Os Santos Inocentes são dos admitidos a seguir o Cordeiro para onde quer que vá.

"Onde superabundou a iniquidade, superabundou as bençãos de Deus" (Santo Agostinho II Noct de Matinas)

Desde a infância Jesus foi perseguido pelos homens, para ter a certeza de conseguir os seus fins, Herodes mandou matar em Belém todos os meninos até a idade de dois anos. Grande dor para as mães. São Mateus vê aqui a realização das profecias por ocasião da tomada de Jerusalém pelos Caudeus. Os Judeus que deviam ser deportados para a Babilônia, foram reunidos em Rama, cidade situada a duas horas ao norte de Jerusalém no antigo território de de Benjamim. Para exprimir a grandeza da desolação do povo de Deus, o profeta, numa expressiva figura evoca Raquel, Mãe de Benjamim, saindo do túmulo (que ficava nos arredorres de Belém) e chorando sobre os seus descendentes.

Epístola

Leitura do Livro de Apocalipse (14, 1-5): Naqueles dias: Eu vi ainda: o Cordeiro estava de pé no monte Sião, e perto dele cento e quarenta e quatro mil pessoas que traziam escritos na fronte o nome dele e o nome de seu Pai. Ouvia, entretanto, um coro celeste semelhante ao ruído de muitas águas e ao ribombar de potente trovão. Esse coro que eu ouvia era ainda semelhante a músicos tocando as suas cítaras. Cantavam como que um cântico novo diante do trono, diante dos quatro Animais e dos Anciãos. Ninguém podia aprender este cântico, a não ser aqueles cento e quarenta e quatro mil que foram resgatados da terra. Estes são os que não se contaminaram com mulheres, pois são virgens. São eles que acompanham o Cordeiro por onde quer que vá; foram resgatados dentre os homens, como primícias oferecidas a Deus e ao Cordeiro. Em sua boca não se achou mentira, pois são irrepreensíveis.



Evangelho do dia:

Leitura do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus (2, 13-18) : Naquele tempo: Depois de sua partida, um anjo do Senhor apareceu em sonhos a José e disse: Levanta-te, toma o menino e sua mãe e foge para o Egito; fica lá até que eu te avise, porque Herodes vai procurar o menino para o matar. José levantou-se durante a noite, tomou o menino e sua mãe e partiu para o Egito. Ali permaneceu até a morte de Herodes para que se cumprisse o que o Senhor dissera pelo profeta: Eu chamei do Egito meu filho (Os 11,1). Vendo, então, Herodes que tinha sido enganado pelos magos, ficou muito irado e mandou massacrar em Belém e nos seus arredores todos os meninos de dois anos para baixo, conforme o tempo exato que havia indagado dos magos. Cumpriu-se, então, o que foi dito pelo profeta Jeremias: Em Ramá se ouviu uma voz, choro e grandes lamentos: é Raquel a chorar seus filhos; não quer consolação, porque já não existem (Jer 31,15)!

Lefebvre, Dom Gaspar. Missal Quotidiano e Vesperal. Bruges, Bélgica; Abadia de S. André, 1960.

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

27 DE DEZEMBRO - SÃO JOÃO, APÓSTOLO E EVANGELISTA (OITAVA DO NATAL)





A estação de hoje é na Basílica de Santa Maria Maior para honrar aquela a quem Jesus ao morrer confiou a João: "Mãe eis aí o teu filho". É a um Deus a quem adoramos  em Belém no tempo do Natal. São João o Evangelista por excelência da divindade de Cristo, fica bem ao lado do presépio para nos descrever toda a grandeza do menino que repousa. São João autor do quarto Evangelho, de três Epístola e do Apocalípse, as mais belas páginas sobre o Verbo, feito carne. Por este motivo é simbolizado pela águia que paira nas alturas.

O Deus-menino cerca-se de almas puras do presépio. Maria, a Virgem Santíssima; José o esposo virginal; Estevão o primeiro mártir que lavou o seu manto no sangue do Cordeiro. Eis agora São João, o Apóstolo Virgem; corodo pela auréola daqueles que souberam vencer a carne, tornou-se por este motivo, "o discípulo que Jesus amava". E na ceia descansou sobre o peito do Senhor. Grças a sua pureza evangélica, São João possuia esta sublime sabedoria da qual nos fala a Epístola e que lhe valeu a Auréola dos Doutores. Por esta razão o Intróito da missa é do comum dos Doutores.

Recebeu tam´bém a Auréola do Martírio pois, se escapou a uma morte violenta, foi apenas por uma proteção muito especial, de que nos fala o Evangelho,e que levou muitos a julgarem que o discípulo amado não morreria. Foi o último dos apóstolos a deixar este mundo. O seu nome é citado como o dos outros apóstolos no cânon da missa. O desejo de ligar os grandes santos à festa do Natal fazia com que celebra-se também neste dia, exceto em Roma, a festa de São Tiago, irmão de São João, e no dia 28 a de São Pedro e São Paulo.

Neste dia benze-se o vinho, oferecido pelos fiéis, em memória e honra de são João, que bebeu, sem lhe fazer mal, uma taça envenenada. (Ritual Romano)

Epístola

Leitura do Livro da Sabedoria (15, 1-6) : Aquele que teme a Deus praticará o bem. Aquele que exerce a justiça possuirá a sabedoria. Ela virá ao seu encontro como mãe cumulada de honrarias, e o receberá como uma esposa virgem; alimentá-lo-á com o pão da vida e da inteligência, e o saciará com a água salutar da sabedoria. Ela se fortalecerá nele e o tornará inabalável, ela o sustentará para que não seja confundido, e o exaltará entre os seus próximos. Abrir-lhe-á a boca no meio da assembléia, enchê-lo-á do espírito de sabedoria e de inteligência, e o revestirá com um manto glorioso. Acumulará sobre ele um tesouro de alegria e de júbilo, e lhe dará por herança um nome eterno.

Evangelho do dia:

Leitura do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João (21, 19-24) : Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: Por estas palavras, ele indicava o gênero de morte com que havia de glorificar a Deus. E depois de assim ter falado, acrescentou: Segue-me! Voltando-se Pedro, viu que o seguia aquele discípulo que Jesus amava (aquele que estivera reclinado sobre o seu peito, durante a ceia, e lhe perguntara: Senhor, quem é que te há de trair?). Vendo-o, Pedro perguntou a Jesus: Senhor, e este? Que será dele? Respondeu-lhe Jesus: Que te importa se eu quero que ele fique até que eu venha? Segue-me tu. Correu por isso o boato entre os irmãos de que aquele discípulo não morreria. Mas Jesus não lhe disse: Não morrerá, mas: Que te importa se quero que ele fique assim até que eu venha? Este é o discípulo que dá testemunho de todas essas coisas, e as escreveu. E sabemos que é digno de fé o seu testemunho.
 
Lefebvre, Dom Gaspar. Missal Quotidiano e Vesperal. Bruges, Bélgica; Abadia de S. André, 1960.
 

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

26 DE DEZEMBRO - SANTO ESTEVÃO, PRIMEIRO MÁRTIR DA IGREJA (OITAVA DE NATAL)





Estava ainda no berço a Igreja, quando Estevão recebeu dos Apóstolo a missão de organizar s refeições para os pobres da comunidade. E fez tais prodígios e milagres (Epístola) que alguns judeus se perturbaram e o levaram perante o sinédrio. Jesus tinha acusado os judeus de terem lapidado os profetas; Estevão, por sua vez, ao dirigir-se aos seus juízes, declararam-lhes que, ao crucificarem Cristo, se mostraram-se dignos dos seus antepassados aos quais mataram os enviados de Deus; e levantando os olhos aos céus, clama: "Eis que vejo o filho do homem, de pé e a direita,  de Deus". Que admirável testemunho da divindade desse Menino que só adoramos no presépio. Ao ouvirem estas palavras os judeus, cumprindo o que o mestre havia dito deles, precipitaram-se sobre Estevão e lapidaram-no, enquanto que ele, de joelhos entregava a sua alma aos Senhor solicitando o perdão dos pecados para seus algozes.

Estevão é a primeira testemunha de Cristo, e é justo também que seja ele o primeiro do cortejo glorioso dos santos que cercam o berço do Salvador. O seu nome está inscrito no Cânon. Imitemos este grande exemplo de santo Estevão cuja a caridade nos ensina a amar até os próprios inimigos e como ele estejamos prontos  dar a Cristo recém-nascido vida por vida.

Epístola

Leitura dos Atos dos Apóstolos (6, 8-10; 7, 54-60 ): Naquele tempo: Estêvão, cheio de graça e fortaleza, fazia grandes milagres e prodígios entre o povo. Mas alguns da sinagoga, chamada dos Libertos, dos cirenenses, dos alexandrinos e dos que eram da Cilícia e da Ásia, levantaram-se para disputar com ele. Não podiam, porém, resistir à sabedoria e ao Espírito que o inspirava. Ao ouvir tais palavras, esbravejaram de raiva e rangiam os dentes contra ele. Mas, cheio do Espírito Santo, Estêvão fitou o céu e viu a glória de Deus e Jesus de pé à direita de Deus: Eis que vejo, disse ele, os céus abertos e o Filho do Homem, de pé, à direita de Deus. Levantaram então um grande clamor, taparam os ouvidos e todos juntos se atiraram furiosos contra ele. Lançaram-no fora da cidade e começaram a apedrejá-lo. As testemunhas depuseram os seus mantos aos pés de um moço chamado Saulo. E apedrejavam Estêvão, que orava e dizia: Senhor Jesus, recebe o meu espírito. Posto de joelhos, exclamou em alta voz: Senhor, não lhes leves em conta este pecado... A estas palavras, expirou.

Evangelho do dia:

Leitura do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus (23, 34-39) : Naquele tempo, disse Jesus aos Escribas e Fariseus: Vede, eu vos envio profetas, sábios, doutores. Matareis e crucificareis uns e açoitareis outros nas vossas sinagogas. Persegui-los-eis de cidade em cidade, para que caia sobre vós todos o sangue inocente derramado sobre a terra, desde o sangue de Abel, o justo, até o sangue de Zacarias, filho de Baraquias, a quem matastes entre o templo e o altar. Em verdade vos digo: todos esses crimes pesam sobre esta raça. Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas e apedrejas aqueles que te são enviados! Quantas vezes eu quis reunir teus filhos, como a galinha reúne seus pintinhos debaixo de suas asas... e tu não quiseste! Pois bem, a vossa casa vos é deixada deserta. Porque eu vos digo: já não me vereis de hoje em diante, até que digais: Bendito seja aquele que vem em nome do Senhor.

Lefebvre, Dom Gaspar. Missal Quotidiano e Vesperal. Bruges, Bélgica; Abadia de S. André, 1960.

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

25 DE DEZEMBRO, SOLENIDADE DO NATAL DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO






Missa da Meia-noite (Missa do Galo ou hora do galo)

O Verbo desde toda a eternidade gerado pelo Pai elevou a união pessoal com ele o fruto Bendito do seio Virginal de Maria; quere dizer que a natureza humana e divina se ligaram em Jesus na unidade duma só pessoa que é a segunda da Santíssima Trindade e visto que quando se fala de filiação é a pessoa a que se designa, deve dizer-se que Jesus é o filho de Deus, porque a sua pessoa é divina: É o Verbo incarnado. Daqui se segue que Maria é com razão chamada Mãe de Deus, não porque gerou a humanidade que o Verbo uniu a si no mistério da incarnação. Compreendemos então que a Igreja cante na Missa o Solene Intróito: "Tu és meu filho, Eu hoje te gerei".

Filho Eterno de Pai, constantemente gerado por ele na Eternidade, Cristo continua a sê-lo no dia do se nascimento sobre a Terra, revestido da nossa humanidade. É no meio da noite que Maria dá a lua a seu filho divino e o coloca no presépio. Por isso celebra-se a Missa da meia-noite, e a estação faz-se na Basílica de Santa Maria maior, no altar onde se conservam as relíquias do Presépio.

Este nascimento de Cristo em plena noite é simbólico: "Deus nascido de Deus, Luz nascida da luz" (Credo), Cristo dissipa as trevas do pecado; "É a verdadeira luz" cujo esplendor ilumina os olhos de nossa alma, para que enquanto conhecemos a Deus de uma maneira visível, por ele sejamos arrebatados ao amor das coisas invisíveis. Veio arrancar-nos da impiedade e dos prazeres do mundo e ensinar-nos a merecer, pela dignidade da vida neste mundo a feliz esperança que nos foi prometida. Será em plena luz que se realizará a vinda da glória de Deus, Nosso Senhor Jesus Cristo. Natal é aparição na noite do mundo da Luz Divina, cujo o fulgor, em nós, e em volta de nós, se estende até o fim dos tempos.

Porquê, pergunta São Gregório, este recenseamento, no momento do nascimento do Senhor, senão para nos dar a entender que é a aparição na carne d'aquele que, um dia, deve recensear na eternidade os seus eleitos? O aparecimento do Homem Deus durante a noite é a figura de sua vinda no fim do mundo. Di-lo o próprio Jesus: Nomeio da noite far-se-á ouvir um clamor: Eis que vem o Esposo, ide ao seu encontro, e as almas que estiveram esperado por ele entrarão para as bodas eternas, enquanto que as outras dirá: Não vos conheço (Parábola das VIrgens).

Exposição Dogmática

Se o Tempo do Advento nos faz aspirar à dupla vinda do filho de Deus, o Natal celebra o aniversário do seu nascimento em Belém e prepara-nos para a vinda final em que virá julgar-nos.

 A partir do natal, o Ciclo Litúrgico segue passo a passo Jesus na sua obra de redenção, para que a Igreja enriquecidas com as graças que dimanam de cada um dos mistérios da vida de Cristo, seja, como diz São Paulo, a Esposa sem mancha, sem rugas, santa e imaculada, que Ele poderá apresentar ao Pai, quando vier, no fim do mundo, para nos introduzir no seu reino. Esta nova vinda de cristo, celebrada pelo último domingo depois de Pentecostes, é o término de todas as festas do calendário Cristão.

Percorrendo as páginas que o missal e o breviário consagraram no tempo do Natal, verificamos seram especialmente consagradas aos mistérios da infancia de Jesus. A Liturgia celebra a manifestação ao povo judeu e pagão (Natal e Epifania) do grande mistério da Encarnação do Verbo. Este mistério que consiste na união de Jesus, do verbo "gerado da substância do Pai antes de todos os séculos" com a humanidade "gerada da substância de sua mãe nos tempos", completa-se pela união de nossa almas com Cristo que nos gera para a vida divina. A todos os que o receberam deu-lhes o poder se tornarem filhos de Deus. O verbo que recebe desde toda eternidade a natureza divina de Deus Pai eleva até si toda a humanidade de Jesus e de todo o corpo místico, faz- se de modo particular o objeto das preocupações da Igreja nesta época.



A festa do natal a 25 de dezembro, correspondendo ao 25 de março, coincide com a festa que os povos pagãos celebravam no solstício de Inverno para honrar o nascimento do Sol que eles divinizavam. A Igreja Cristianizou deste modo o rito pagão. A Imperatriz S. Helena mandou construir uma basílica em Belém, muito simples já que Jesus nascera na pobreza. O verbo desde toda a eternidade gerado pelo Pai elevou a união pessoal com Ele o fruto bendito do seio virginal de Maria; quer dizer a natureza humana e a divina se ligaram em Jesus na unidade de um só pessoa que se designa, deve-se que Jesus é o filho de Deus por que sua pessoa é divina.




Epístola

Leitura da Epístola de São Paulo Apóstolo a Tito (2, 11-15). Irmãos: Manifestou-se, com efeito, a graça de Deus, fonte de salvação para todos os homens. Veio para nos ensinar a renunciar à impiedade e às paixões mundanas e a viver neste mundo com toda sobriedade, justiça e piedade, na expectativa da nossa esperança feliz, a aparição gloriosa de nosso grande Deus e Salvador, Jesus Cristo, que se entregou por nós, a fim de nos resgatar de toda a iniqüidade, nos purificar e nos constituir seu povo de predileção, zeloso na prática do bem. Eis o que deves ensinar, pregar e defender com toda a autoridade. E que ninguém te menospreze!

Evangelho da Festa:
 
Continuação do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas (2, 1-14): Naquele tempo apareceu um decreto de César Augusto, ordenando o recenseamento de toda a terra. Este recenseamento foi feito antes do governo de Quirino, na Síria. Todos iam alistar-se, cada um na sua cidade. Também José subiu da Galiléia, da cidade de Nazaré, à Judéia, à Cidade de Davi, chamada Belém, porque era da casa e família de Davi, para se alistar com a sua esposa Maria, que estava grávida.
Estando eles ali,  completaram-se os dias dela. E deu à luz seu filho primogênito, e, envolvendo-o em faixas, reclinou-o num presépio; porque não havia lugar para eles na hospedaria. Havia nos arredores uns pastores, que vigiavam e guardavam seu rebanho nos campos durante as vigílias da noite.
Um anjo do Senhor apareceu-lhes e a glória do Senhor refulgiu ao redor deles, e tiveram grande temor. O anjo disse-lhes: Não temais, eis que vos anuncio uma boa nova que será alegria para todo o povo: hoje vos nasceu na Cidade de Davi um Salvador, que é o Cristo Senhor. Isto vos servirá de sinal: achareis um
recém-nascido envolto em faixas e posto numa manjedoura. E subitamente ao
anjo se juntou uma multidão do exército celeste, que louvava a Deus e
dizia: Glória a Deus no mais alto dos céus e na terra paz aos homens, objetos
da benevolência (divina).


Lefebvre, Dom Gaspar. Missal Quotidiano e Vesperal. Bruges, Bélgica; Abadia de S. André, 1960.

Feliz Natal!

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Equipe do Blog "Em defesa da Santa Fé" deseja a Todos Feliz Natal!






A Equipe do Blog deseja a todos um Feliz e Santo Natal!

24 DE DEZEMBRO, VIGÍLIA DO NASCIMENTO DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

A
 vigília do Natal é ela toda cheia de santa alegria, e se não fossem os paramentos indicando a penitência e o jejum, dizíamos que a festa já principiara. Com efeito, a Santa Igreja espera na alegria a vinda do Senhor que vem salvar seu povo do pecado. Todos os que crêem em Cristo fazem parte deste povo; "toda a carne verá a salvação de nosso Deus", disse Isaías. São Paulo também afirma na Epístola de hoje que foi escolhido para levar o Evangelho a todas as gente e chamá-lo para Cristo.

A missa da vigília é uma preparação para bem celebrarmos o aniversário "do adorável nascimento do filho de Deus", daquele que a Esposa de José deu a luz e que, da raça de Davi, segundo a carne, foi predestinado a reinar com poder, pela ressurreição dos mortos. O Nascimento de Cristo aparece desde já orientado, através da Paixão, para a sua ressurreição e reino glorioso. Há duas vindas, ou melhor, dois momentos da mesma vinda: O nascimento do Redentor já é a preparação para a vinda final e do juízo Triunfador. É a esta luz que devemos compreender a maior parte dos textos litúrgicos do Natal. Na humilhação do presépio cantamos já a vinda de glória e saudamos, desde a sua aurora uma obra de redenção completamente realizada. Sob este ponto a Missa da vigília é particularmente notável: o mesmo pensamento por toda ela. Compreendemos melhor São Bernardo, a comentar em Matinas o Hodie e o Mane de que fala-o Êxodo, que ele diz significar: um, o dia da vinda presente, breve e cheio de trevas ainda, o outro o da eternidade nos esplendores dos Santos.

Preparemo-nos, portanto, para recebermos com alegria Aquele que nos vem resgatar para que um dia o possamos comtemplar sem receio, quando nos vier julgar.

Epístola

Leitura da Epístola de São Paulo Apóstolo aos Romanos (1, 1-6). Irmãos: Paulo, servo de Jesus Cristo, escolhido para ser apóstolo, reservado para anunciar o Evangelho de Deus; este Evangelho Deus prometera outrora pelos seus profetas na Sagrada Escritura, acerca de seu Filho Jesus Cristo, nosso Senhor, descendente de Davi quanto à carne, que, segundo o Espírito de santidade, foi estabelecido Filho de Deus no poder por sua ressurreição dos mortos; e do qual temos recebido a graça e o apostolado, a fim de levar, em seu nome, todas as nações pagãs à obediência da fé, entre as quais também vós sois os eleitos de Jesus Cristo.

Evangelho do dia:

Leitura do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus (1, 18-21): Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: Eis como nasceu Jesus Cristo: Maria, sua mãe, estava desposada com José. Antes de coabitarem, aconteceu que ela concebeu por virtude do Espírito Santo. José, seu esposo, que era homem de bem, não querendo difamá-la, resolveu rejeitá-la secretamente. Enquanto assim pensava, eis que um anjo do Senhor lhe apareceu em sonhos e lhe disse: José, filho de Davi, não temas receber Maria por esposa, pois o que nela foi concebido vem do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho, a quem porás o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo de seus pecados.

Lefebvre, Dom Gaspar. Missal Quotidiano e Vesperal. Bruges, Bélgica; Abadia de S. André, 1960.

sábado, 21 de dezembro de 2013

IV Domingo do Advento: "João preparava as almas para a vinda de Cristo pelo batismo e pela penitência" (Ev.)


 




Como toda a liturgia deste tempo, a Missa do IV Domingo do Advento tem por fim preparar-nos para as duas vindas de Cristo, vinda de misericórdia para o Natal, em que comemoramos o nascimento de Jesus, e vinda de justiça no fim do mundo. O Intróito, o Evangelho, o Ofertório e a Comunhão referem-se à primeira; a Epístola, à segunda; e a Oração, o Gradual e o Alleluia podem se aplicar a uma e a outra.

Encontram-se nesta missa as três grandes figuras do Tempo do Advento: Isaías: ele é a voz que clama no deserto: Preparai os caminhos do Senhor, endireitai as suas veredas... e toda a carne verá a salvação de Deus. Ao comentar a pregação do Precursor, São Gregório explica que a ira futura com que São João ameaça o auditório é o castigo final que o pecador não poderá evitar, senão pela penitência: "o amigo do Esposo excita-nos a que não façamos apenas frutos de penitência, mas frutos dignos de penitência. Tais palavras são um apelo a consciência de cada um, convidando-nos a alcançar pela penitência um tesouro de boas obras, que deve ser tanto maior quanto mais profundos foram os estragos causados pelo pecado".
 
Vemos como a Igreja nunca perde de vista a última vinda de Jesus. Recordando-nos a Santíssima Virgem e lugar principal que ela ocupa no mistério do Natal a comunhão e o ofertório leva-nos ao nascimento em Belém. Na comunhão escutamos a profecia de Isaías, que anuncia sete séculos antes do nascimento virginal: Uma Virgem conceberás e dará a luz o Emanuel. O ofertório é uma saudação delicada e pura em que a Santa igreja, ouvindo as palavras do Arcanjo São Gabriel e de Santa Isabel, canta a graça especial de Maria ao gerar o homem Deus. "Gabriel quer dizer força de Deus, explica São Gregório, foi enviado a Maria, porque ele vinha anunciar o Messias, que se dignou a aparecer pequenino e humilde para vencer a todos os potentados. Convinha que fosse Gabriel, a força de Deus, a anunciar aquele que vinha como o Senhor dos Exércitos, Todo-Poderoso, o Invencível nos combates, que havia de vencer todas as potências do Mal".

A Oração alude a força de Deus, que antes de se mostrar na segunda vinda, se manifesta já na primeira, pois, que é revestido da nossa fraca e mortal natureza que Jesus vence o Demônio.

Vendo se aproximar a vinda de Jesus Nosso Salvador, digamos-lhe com a Santa Igreja: "Vinde Senhor, não tardeis".

 
Epístola

Leitura da Epístola de São Paulo Apóstolo aos Coríntios (ICor 4, 1-5) . Irmãos: Que os homens nos considerem, pois, como simples operários de Cristo e administradores dos mistérios de Deus. Ora, o que se exige dos administradores é que sejam fiéis. A mim pouco se me dá ser julgado por vós ou por tribunal humano, pois nem eu me julgo a mim mesmo. De nada me acusa a consciência; contudo, nem por isso sou justificado. Meu juiz é o Senhor. Por isso, não julgueis antes do tempo; esperai que venha o Senhor. Ele porá às claras o que se acha escondido nas trevas. Ele manifestará as intenções dos corações. Então cada um receberá de Deus o louvor que merece.



Evangelho de Domingo:
 
Continuação do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas (3, 1-6): No ano décimo quinto do reinado do imperador Tibério, sendo Pôncio Pilatos
governador da Judéia, Herodes tetrarca da Galiléia, seu irmão Filipe tetrarca da
Ituréia e da província de Traconites, e Lisânias tetrarca da Abilina,
sendo sumos sacerdotes Anás e Caifás, veio a palavra do Senhor no deserto a João,
filho de Zacarias. Ele percorria toda a região do Jordão, pregando o batismo
de arrependimento para remissão dos pecados, como está escrito no livro das
palavras do profeta Isaías (40,3ss.): Uma voz clama no deserto: Preparai o
caminho do Senhor, endireitai as suas veredas. Todo vale será aterrado, e
todo monte e outeiro serão arrasados; tornar-se-á direito o que estiver torto, e
os caminhos escabrosos serão aplainados. Todo homem verá a salvação de Deus.

Lefebvre, Dom Gaspar. Missal Quotidiano e Vesperal. Bruges, Bélgica; Abadia de S. André, 1960.