sábado, 31 de maio de 2014

Domingo depois da Ascensão: "O consolador que vos enviarei da parte do Pai, é o Espírito de verdade que procede do Pai" (Ev.)







Postado por Elias, O Profeta

Este domingo prepara-nos para a festa de Pentecostes. Antes de subir ao céu, o Senhor prometera aos apóstolos que os não deixaria sós, mas lhes enviaria o Espírito Santo consolador que os havia de acompanhar em todas as dificuldades e contingências até a consumação dos tempos. O evangelho dos domingos seguintes recorda-nos todas essas promessas do Senhor, como para recolher o sentido profundo da missão do paráclito. Lembremo-nos no entanto, em conformidade com a doutrina exposta noutro lugar, que é sempre o espírito de Jesus que fecunda e governa a Igreja, que nos santifica e introduz pela graça no seio vivo e vivificante das três pessoas divinas. Preparemo-nos, pois, para a festa integrando-nos no sentimento de fé e de esperança que animava os apóstolos reunidos no cenáculo e peçamos ao Senhor que assegure à santa Igreja a presença e a ação renovadora do seu Espírito, que a santifica e vivifica.

Epístola

Leitura da Epístola de São Pedro Apóstolo (IPedro 4, 7-11). Caríssimos: Sede, portanto, prudentes e vigiai na oração. Antes de tudo, mantende entre vós uma ardente caridade, porque a caridade cobre a multidão dos pecados (Pr 10,12). Exercei a hospitalidade uns para com os outros, sem murmuração. Como bons dispensadores das diversas graças de Deus, cada um de vós ponha à disposição dos outros o dom que recebeu: a palavra, para anunciar as mensagens de Deus; um ministério, para exercê-lo com uma força divina, a fim de que em todas as coisas Deus seja glorificado por Jesus Cristo. A ele seja dada a glória e o poder por toda a eternidade! Amém.
Evangelho de Domingo:

Continuação do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João (15, 26-27 e 16, 1-4): Naquele Tempo: Disse Jesus a seus discípulos: Quando vier o Paráclito, que vos enviarei da parte do Pai, o Espírito da Verdade, que procede do Pai, ele dará testemunho de mim. Também vós dareis testemunho, porque estais comigo desde o princípio Disse-vos essas coisas para vos preservar de alguma queda. Expulsar-vos-ão das sinagogas, e virá a hora em que todo aquele que vos tirar a vida julgará prestar culto a Deus. Procederão deste modo porque não conheceram o Pai, nem a mim. Disse-vos, porém, essas palavras para que, quando chegar a hora, vos lembreis de que vo-lo anunciei. E não vo-las disse desde o princípio, porque estava convosco.



Lefebvre, Dom Gaspar. Missal Quotidiano e Vesperal. Bruges, Bélgica; Abadia de S. André, 1960

31 de Maio – FESTA DA BEM-AVENTURADA MARIA, RAINHA










(Duples de 2ª classe - Paramentos Brancos)
Por uma espécie de instinto sobrenatural, o povo cristão em todos os tempos reconheceu a realeza da Mãe daquele que é o "Rei dos reis e Senhor dos Senhores". Deste comum sentir fizeram-se intérpretes autorizados, no decorrer dos séculos, os Santos padres, os Doutores da Igreja, os Sumos Pontífices. Desta crença encontramos claro testemunho nos esplendores da arte sagrada e na liturgia. Os teólogos, por seu turno, não se têm cansado de mostrar a conveniência do título de realeza da Mãe de Deus, tão intimamente associada com a obra redentora de seu Divino Filho, ela a Medianeira de todas as graças.

No sentido de corresponder os votos unânimes de fiéis e pastores, São Pio XII, pela Carta Encíclica Ad Caeli Reginam, de 11 de Outubro de 1954, que seus corações todo mundo cristão vinha já prestando à Soberana Rainha do Céus e da Terra.

A Epístola apresenta-nos o reinado da Sabedoria, cujas prerrogativas a Liturgia aplica a Santíssima Virgem. O Evangelho anuncia o reinado de Cristo, fonte do reinado de sua Mãe.


Epístola


Leitura do Livro da Sabedoria (Eclesiástico 24, 5,7,9-11, 30-31): Saí da boca do Altíssimo; nasci antes de toda criatura. Habitei nos lugares mais altos: meu trono está numa coluna de nuvens e percorri toda a terra. Imperei sobre todos os povos e sobre todas as nações.Tive sob os meus pés, com meu poder, os corações de todos os homens, grandes e pequenos. Entre todas as coisas procurei um lugar de repouso, e habitarei na moradia do Senhor. Aquele que me ouve não será humilhado, e os que agem por mim não pecarão. Aqueles que me tornam conhecida terão a vida eterna.

Evangelho do dia:


Leitura do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas (1, 26-33): Naquele tempo: No sexto mês, o anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galiléia, chamada Nazaré, a uma virgem desposada com um homem que se chamava José, da casa de Davi e o nome da virgem era Maria. Entrando, o anjo disse-lhe: Ave, cheia de graça, o Senhor é contigo. Perturbou-se ela com estas palavras e pôs-se a pensar no que significaria semelhante saudação. O anjo disse-lhe: Não temas, Maria, pois encontraste graça diante de Deus. Eis que conceberás e darás à luz um filho, e lhe porás o nome de Jesus. Ele será grande e chamar-se-á Filho do Altíssimo, e o Senhor Deus lhe dará o trono de seu pai Davi; e reinará eternamente na casa de Jacó, e o seu reino não terá fim.

Lefebvre, Dom Gaspar. Missal Quotidiano e Vesperal. Bruges, Bélgica; Abadia de S. André, 1960.

quarta-feira, 28 de maio de 2014

SOLENIDADE DA ASCENSÃO DO SENHOR










Postado por Elias, O Profeta

A ascensão é a segunda festa que se celebra dentro do ciclo litúrgico da vida do salvador. Era com com efeito que o divino ressuscitado deixasse de pisar a lama da terra e voltasse ao reino do Pai, onde vive como Deus, desde a eternidade.

Quarenta dias após a festa da Páscoa, celebra o ciclo pascal o aniversário que marcou o termino do reino visível de Cristo na terra. Os apóstolos estavam reunidos no cenáculo, nas vésperas de pentecostes, quando lhes apareceu o Senhor para tomar a última ceia. Depois conduzindo-os para fora da cidade, para os lados de Bethânia, ao monte das Oliveiras, que ficava fronteiro; abençoou-os e elevou-se diante deles ao céu. Era meio-dia. Uma nuvem branca ocultou-o e dois anjos anunciaram aos discípulos que o Senhor que eles viram com lágrimas de saudade ascender aos céus, havia de voltar no fim dos tempos.

Nos quarenta dias que se passaram em celebração da Páscoa do Senhor, lançou a Igreja fundamentos, e preparou-se para a ação poderosa e renovadora do Espírito Santo.

A Igreja manda dizer o Credo para exprimir e confessar sua fé na ascensão do Senhor: Creio num só Senhor Jesus Cristo, filho único de Deus, que subiu aos céus e está sentado a direita de Deus Pai.

Celebremos pois com grande alegria a ascensão do Senhor. Alegremos nossos corações pois podemos contar com a ajuda do Filho de Deus que está nos céus, lembrando que na terra somos membros continuadores de sua obra.
Evangelho da Festa



Epístola

Leitura dos Atos dos Apóstolos (1, 1-11) : Naqueles dias: desde o princípio até o dia em que, depois de ter dado pelo Espírito Santo suas instruções aos apóstolos que escolhera, foi arrebatado (ao céu). E a eles se manifestou vivo depois de sua Paixão, com muitas provas, aparecendo-lhes durante quarenta dias e falando das coisas do Reino de Deus. E comendo com eles, ordenou-lhes que não se afastassem de Jerusalém, mas que esperassem o cumprimento da promessa de seu Pai, que ouvistes, disse ele, da minha boca; porque João batizou na água, mas vós sereis batizados no Espírito Santo daqui há poucos dias. Assim reunidos, eles o interrogavam: Senhor, é porventura agora que ides instaurar o reino de Israel? Respondeu-lhes ele: Não vos pertence a vós saber os tempos nem os momentos que o Pai fixou em seu poder, mas descerá sobre vós o Espírito Santo e vos dará força; e sereis minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judéia e Samaria e até os confins do mundo. Dizendo isso elevou-se da (terra) à vista deles e uma nuvem o ocultou aos seus olhos... Enquanto o acompanhavam com seus olhares, vendo-o afastar-se para o céu, eis que lhes apareceram dois homens vestidos de branco, que lhes disseram: Homens da Galiléia, por que ficais aí a olhar para o céu? Esse Jesus que acaba de vos ser arrebatado para o céu voltará do mesmo modo que o vistes subir para o céu.



Continuação do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São Marcos (16, 14-20): Naquele tempo: Jesus apareceu aos Onze, quando estavam sentados à mesa, e censurou-lhes a incredulidade e dureza de coração, por não acreditarem nos que o tinham visto ressuscitado. E disse-lhes: Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda criatura. Quem crer e for batizado será salvo, mas quem não crer será condenado.
Estes milagres acompanharão os que crerem: expulsarão os demônios em meu nome, falarão novas línguas, manusearão serpentes e, se beberem algum veneno mortal, não lhes fará mal; imporão as mãos aos enfermos e eles ficarão curados.
Depois que o Senhor Jesus lhes falou, foi levado ao céu e está sentado à direita de Deus.
Os discípulos partiram e pregaram por toda parte. O Senhor cooperava com eles e confirmava a sua palavra com os milagres que a acompanhavam.

Lefebvre, Dom Gaspar. Missal Quotidiano e Vesperal. Bruges, Bélgica; Abadia de S. André, 1960.

Ascendit Deus in jubilatione, Alleluja!

Vigília da Ascensão do Senhor






Ninguém, subiu ao céu senão aquele que veio do céu

"Hoje nosso Senhor Jesus Cristo subiu ao céu; suba também como Ele nosso coração. Ouçamos o que nos diz o Apóstolo: Se fostes ressuscitados com Cristo, buscai as coisas do alto, onde Cristo está sentado à destra de Deus. Ponde vosso coração nas coisas do céu, não nas da terra. Pois, do mesmo modo que ele sufiu sem por isso afastar-se de nós, assim também nós estamos já com ele, embora ainda não se tenha realizado em nosso corpo o que nos foi prometido.
Ele foi elevado ao mais alto dos céus; entretanto, continua sofrendo na terra através das fadigas que experimentam seus membros. Assim o testificou com aquela voz vinda do céu: Saulo, Saulo, por que me persegues? E também: Tive fome e me destes de comer. Por que não trabalhamos nós também aquí na terra, de maneira que, pela fé, a esperança e a caridade que nos unem a ele, descansemos já com ele nos céus? Ele está ali, mas continua estando conosco; nós, estando aqui, estamos também com ele. Ele está conosco por sua divindade, por seu poder, por seu amor; nós, embora nao possamos realizar isto como ele pela divindade, podemos pelo amor a ele.
Ele, quando desceu até nós, não deixou o céu; tampouco nos deixou, ao voltar ao céu. Ele mesmo assegura que não deixou o céu enquanto estava conosco, posto que afirma: Ninguém subiu ao céu senão aquele que desceu do céu, o Filho do homem, que está no céu. Isto diz em virtude da unidade que existe entre ele, nossa cabeça, e nós, seu corpo. E ninguém, exceto ele, poderia dizer isso, já que nós estamos identificados com ele, em virtude de que ele, por nossa causa, fez-se Filho do homem, e nós, por ele, fomos feitos filhos de Deus.
Neste sentido diz o Apóstolo: Assim como o corpo é um e tem muitos membros, e todos os membros do corpo, a pesar de serem muitos, são um só corpo, assim também é Cristo, Não diz: "Assim é Cristo", mas: Assim também é Cristo. Portanto, Cristo é apenas um corpo formado por muitos membros. Desceu, pois, do céu, por sua misericórdia, mas já não subiu sozinho, que nós subimos também nele pela graça. Assim, pois, Cristo desceu sozinho, mas já não ascendeu ele sozinho; não é que queramos confundir a divindade da cabeça com a do corpo, mas sim afirmamos que a unidade de todo o corpo pede que este não seja separado de sua cabeça."

Dos Sermões de Santo Agostinhon, bispo
(Sermão Mai 98, Sobr la Ascensão ol Senhor, 1-2; PLS 2, 494-495)

Durante 40 dias de festividades na companhia do Senhor Ressuscitado, vamos agora celebrar sua solene ascensão aos céus diante de Maria Santíssima e dos Apóstolos. Amanhã o Círio Pascal será apagado e nos restará aguardar o Paráclito em Pentecostes.

Epístola

Leitura da Epístola de São Paulo Apóstolo aos Efésios (4, 7-13). Irmãos:  A cada um de nós foi dada a graça, segundo a medida do dom de Cristo, pelo que diz: Quando subiu ao alto, levou muitos cativos, cumulou de dons os homens (Sl 67,19). Ora, que quer dizer ele subiu, senão que antes havia descido a esta terra? Aquele que desceu é também o que subiu acima de todos os céus, para encher todas as coisas. A uns ele constituiu apóstolos; a outros, profetas; a outros, evangelistas, pastores, doutores, para o aperfeiçoamento dos cristãos, para o desempenho da tarefa que visa à construção do corpo de Cristo, até que todos tenhamos chegado à unidade da fé e do conhecimento do Filho de Deus, até atingirmos o estado de homem feito, a estatura da maturidade de Cristo.

Evangelho do dia:

Leitura do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João (17, 1-11) : Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: Jesus levantando os olhos ao céu, disse: Pai, é chegada a hora. Glorifica teu Filho, para que teu Filho glorifique a ti; e para que, pelo poder que lhe conferiste sobre toda criatura, ele dê a vida eterna a todos aqueles que lhe entregaste. Ora, a vida eterna consiste em que conheçam a ti, um só Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo que enviaste. Eu te glorifiquei na terra. Terminei a obra que me deste para fazer. Agora, pois, Pai, glorifica-me junto de ti, concedendo-me a glória que tive junto de ti, antes que o mundo fosse criado. Manifestei o teu nome aos homens que do mundo me deste. Eram teus e deste-mos e guardaram a tua palavra. Agora eles reconheceram que todas as coisas que me deste procedem de ti. Porque eu lhes transmiti as palavras que tu me confiaste e eles as receberam e reconheceram verdadeiramente que saí de ti, e creram que tu me enviaste. Por eles é que eu rogo. Não rogo pelo mundo, mas por aqueles que me deste, porque são teus. Tudo o que é meu é teu, e tudo o que é teu é meu. Neles sou glorificado. Já não estou no mundo, mas eles estão ainda no mundo; eu, porém, vou para junto de ti. Pai santo, guardaos em teu nome, que me encarregaste de fazer conhecer, a fim de que sejam um como nós.

Fontes:  ACI Digital e Lefebvre, Dom Gaspar. Missal Quotidiano e Vesperal. Bruges, Bélgica; Abadia de S. André, 1960.


terça-feira, 27 de maio de 2014

27 de Maio - São Beda, o venerável


Com efeito, Beda tornou-se uma das figuras mais insignes de erudito da alta Idade Média, podendo valer-se dos muitos manuscritos preciosos que os seus abades, voltando das viagens frequentes ao continente e a Roma, lhe traziam. O ensinamento e a fama dos escritos proporcionaram-lhes muitas amizades com as principais personalidades do seu tempo, que o encorajaram a continuar o seu trabalho, do qual muitos beneficiavam. Tendo adoecido, não parou de trabalhar, conservando sempre uma alegria interior que se expressava na oração e no canto. Concluía a sua obra mais importante, a Historia ecclesiastica gentis Anglorum, com esta invocação: "Peço-te, ó bom Jesus, que benevolamente me permitiste haurir as dóceis palavras da sua sabedoria, concede-me benigno que um dia eu chegue a ti, fonte de toda a sabedoria, e que eu permaneça sempre diante do teu rosto". A morte arrebatou-o a 26 de Maio de 735: era o dia da Ascensão.

As Sagradas Escrituras são a fonte constante da reflexão teológica de Beda. Tendo em consideração um atento estudo crítico do texto (chegou até nós um exemplar do monumental Codex Amiatinus da Vulgata, no qual Beda trabalhou), ele comenta a Bíblia, lendo-a em chave cristológica, ou seja, reúne duas coisas: por um lado, ouve exactamente o que o texto diz, quer realmente ouvir, compreender o próprio texto; por outro, está convencido de que a chave para compreender a Sagrada Escritura como única Palavra de Deus é Cristo e com Cristo, na sua luz, compreende-se o Antigo e o Novo Testamento como "uma" Sagrada Escritura. As vicissitudes do Antigo e do Novo Testamento caminham juntas, são um caminho rumo a Cristo, embora sejam expressas com diferentes sinais e instituições (aquela à qual ele chama concordia sacramentorum). Por exemplo, a tenda da aliança que Moisés levantou no deserto e o primeiro e segundo templo de Jerusalém são imagens da Igreja, novo templo edificado sobre Cristo e os Apóstolos com pedras vivas, cimentadas pela caridade do Espírito. E como para a construção do antigo templo contribuíram também pessoas pagãs, pondo à disposição materiais preciosos e a experiência técnica dos seus mestres-de-obras, assim para a edificação da Igreja contribuem apóstolos e mestres provenientes não apenas das antigas linhagens judaica, grega e latina, mas também dos novos povos, entre os quais apraz a Beda enumerar os Iro-Celtas e os Anglo-Saxões. São Beda vê crescer a universalidade da Igreja, que não é limitada a uma determinada cultura, mas compõe-se de todas as culturas do mundo que devem abrir-se a Cristo e encontrar nele o seu ponto de chegada.

Outro tema apreciado por Beda é a história da Igreja. Depois de se ter interessado pela época descrita nos Actos dos Apóstolos, ele volta a percorrer a história dos Padres e dos Concílios, persuadido de que a obra do Espírito Santo continua na história. Nos Chronica Maiora Beda delineia uma cronologia que se tornará a base do Calendário universal "ab incarnatione Domini". Já desde então calculava-se o tempo a partir da fundação da cidade de Roma. Vendo que o verdadeiro ponto de referência, o centro da história, é o nascimento de Cristo, Beda transmitiu-nos este calendário que lê a história a partir da Encarnação do Senhor. Registra os primeiros seis Concílios Ecuménicos e os seus desenvolvimentos, apresentando fielmente a doutrina escatológica, mariológica e soteriológica, e denunciando as heresias monofisita e monotelita, inconolasta e neopelagiana. Enfim, redige com rigor documentário e perícia literária a já mencionada História Eclesiástica dos Povos Anglos, pela qual é reconhecido como "o pai da historiografia inglesa". Os traços característicos da Igreja que Beda gostava de evidenciar são: a) a catolicidade como fidelidade à tradição e, ao mesmo tempo, abertura aos desenvolvimentos históricos, e como busca da unidade na multiplicidade, na diversidade da história e das culturas, segundo as directrizes que o Papa Gregório Magno tinha dado ao Apóstolo da Inglaterra, Agostinho de Canterbury; b) a apostolicidade e a romanidade: a este propósito, considera de primeira importância convencer todas as Igrejas Iro-Celtas e dos Pitti a celebrar unitariamente a Páscoa segundo o calendário romano. O Cálculo por ele cientificamente elaborado para estabelecer a data exacta da celebração pascal, e por isso todo o ciclo do ano litúrgico, tornou-se o texto de referência para toda a Igreja católica.

Beda foi também um insigne mestre de teologia litúrgica. Nas Homilias sobre os Evangelhos dominicais e festivos, desempenha uma verdadeira mistagogia, educando os fiéis para celebrar alegremente os mistérios da fé para os reproduzir de maneira coerente na vida, à espera da sua sua plena manifestação na volta de Cristo quando, com os nossos corpos glorificados, seremos admitidos em procissão ofertorial na liturgia eterna de Deus no céu. Seguindo o "realismo" das catequeses de Cirilo, Ambrósio e Agostinho, Beda ensina que os sacramentos da iniciação cristã constituem cada fiel "não só cristão, mas Cristo". Com efeito, cada vez que uma alma fiel acolhe e conserva com amor a Palavra de Deus, à imitação de Maria, concebe e gera novamente Cristo. E cada vez que um grupo de neófitos recebe os sacramentos pascais, a Igreja "gera-se a si mesma" ou, com uma expressão ainda mais ousada, a Igreja torna-se "mãe de Deus", participando na geração dos seus filhos, por obra do Espírito Santo.

Graças a este seu modo de fazer teologia, entrelaçando Bíblia, Liturgia e História, Beda tem uma mensagem actual para os diversos "estados de vida": a) aos estudiosos (doctores ac doctrices) recorda duas tarefas essenciais: perscrutar as maravilhas da Palavra de Deus para as apresentar de forma atraente aos fiéis; expor as verdades dogmáticas, evitando as complicações eréticas e seguindo a "simplicidade católica", com a atitude dos pequenos e humildes, aos quais Deus desejou revelar os mistérios do Reino; b) os pastores, por sua vez, devem dar prioridade à pregação, não apenas mediante a linguagem verbal ou hagiográfica, mas valorizando também ícones, procissões e peregrinações. A eles, Beda recomenda o uso da língua vulgar, como ele mesmo faz, explicando em Northumbro o "Pai-Nosso", o "Credo" e continuando até ao último dia da sua vida o comentário, em vulgar, ao Evangelho de João; c) às pessoas consagradas que se dedicam ao Ofício divino, vivendo na alegria da comunhão fraterna e progredindo na vida espiritual mediante a ascese e a contemplação, Beda recomenda que se cuide do apostolado ninguém tem o Evangelho só para si, mas deve senti-lo como um dom também para os outros quer colaborando com os Bispos em actividades pastorais de vários tipos a favor das jovens comunidades cristãs, quer tornando-se disponíveis para a missão evangelizadora junto dos pagãos, fora do próprio país, como "peregrini pro amore Dei".

Colocando-se nesta perspectiva, no comentário ao Cântico dos Cânticos Beda apresenta a Sinagoga e a Igreja como colaboradoras na difusão da Palavra de Deus. Cristo Esposo quer uma Igreja diligente, "bronzeada pelos cansaços da evangelização" é clara a referência à palavra do Cântico dos Cânticos (1, 5), onde a esposa diz: Nigra sumsed formosa" (Sou morena, mas formosa) empenhada a arar outros campos ou vinhas e a estabelecer entre as novas populações "não uma cabana provisória, mas uma morada estável", ou seja, a inserir o Evangelho no tecido social e nas instituições culturais. Nesta perspectiva, o Santo Doutor exorta os fiéis leigos a serem assíduos na instrução religiosa, imitando as "insaciáveis multidões evangélicas, que não deixavam tempo aos Apóstolos nem sequer para comer". Ensina-lhes a rezar continuamente, "reproduzindo na vida aquilo que celebram na liturgia", oferecendo todas as acções como sacrifício espiritual em união com Cristo. Aos pais explica que também no seu pequeno âmbito domético podem exercer "o ofício sacerdotal de pastores e de guias", formando cristãmente os filhos, e afirma que conhece muitos fiéis (homens e mulheres, casados ou solteiros), "capazes de uma conduta irrepreensível que, se forem oportunamente acompanhados, poderia aproximar-se todos os dias da comunhão eucarística" (Epist. ad Ecgberctum, ed. Plummer, pág. 149).

A fama de santidade e sabedoria de que Beda gozava já durante a vida levou-o a ganhar o título de "Venerável". Chama-lhe assim também o Papa Sérgio i quando, em 701, escreve ao seu abade pedindo que lhe permita vir temporariamente a Roma para consultas sobre questões de interesse universal. Depois da morte, os seus escritos foram difundidos amplamente na Pátria e no Continente europeu. O grande missionário da Germânia, o Bispo São Bonifácio (+ 754), pediu várias vezes ao Arcebispo de York e ao abade de Wearmouth que fizessem transcrever algumas das suas obras e lhas mandassem, de tal modo que também ele e os seus companheiros pudessem gozar da luz espiritual que delas emanava. Um século mais tarde Notkero Galbulo, abade de São Galo (+ 912), reconhecendo o extraordinário influxo de Beda, comparou-o com um novo sol que Deus tinha feito nascer, não do Oriente mas do Ocidente, para iluminar o mundo. À parte a ênfase retórica, o facto é que, com as suas obras, Beda contribuiu eficazmente para a construção de uma Europa cristã, em que as diferentes populações e culturas se amalgamaram entre si, conferindo-lhes uma fisionomia unitária, inspirada na fé cristã. Oremos para que também hoje haja personalidades da estatura de Beda, para manter todo o Continente unido; rezemos a fim de que todos nós estejamos disponíveis a redescobrir as nossas raízes comuns, para sermos construtores de uma Europa profundamente humana e autenticamente cristã.


Fonte: Vaticano

Fonte: Veritatis Splendor

segunda-feira, 26 de maio de 2014

2ª, 3ª e 4ª FEIRA DA ROGAÇÕES - LADAINHAS MENORES







Em conseqüência das calamidades públicas que no século V caíram sobre a diocese de Viena, no Delfinado, São Marmeto organizou uma procissão solene de penitência nos três dias que precedem imediatamente a Ascensão. Mais tarde, em 511, o concílio de Orleans estendeu este costume a toda França e Leão III em 816 adotou-o em Roma, donde passou a toda Igreja.

A ladainha dos santos, os salmos e as orações são tudo uma oração de súplica, recebendo por este motivo o nome de rogações. Tem por fim afastar os flagelos da justiça divina e atrair as bênçãos e a misericórdia de Deus.

As ladainhas são um modelo admirável de oração; pequenas jaculatórias dialogadas, brevíssima, e a ressumar sentido e piedade.

Todas a missa de hoje mostra a eficácia da oração do justo, quando é humilde e perseverante. Elias fechou e abriu os céus, orando, e o Senhor diz-nos que Deus escuta e despacha a oração dos que pedem em seu nome e com perseverança. Quando nos sentimos atribulados, confiemos em Deus que Ele nos há de ouvir como ouviu o filho.





Epístola

Leitura da Epístola de São Tiago Apóstolo (5, 16-20) Caríssimos: Confessai os vossos pecados uns aos outros, e orai uns pelos outros para serdes curados. A oração do justo tem grande eficácia. Elias era um homem pobre como nós e orou com fervor para que não chovesse sobre a terra, e por três anos e seis meses não choveu. Orou de novo, e o céu deu chuva, e a terra deu o seu fruto. Meus irmãos, se alguém fizer voltar ao bom caminho algum de vós que se afastou para longe da verdade, saiba: aquele que fizer um pecador retroceder do seu erro, salvará sua alma da morte e fará desaparecer uma multidão de pecados.



Evangelho do dia:



Continuação do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São Lucas (11, 5-13): Naquele tempo disse Jesus a seus discípulos: Se alguém de vós tiver um amigo e for procurá-lo à meia-noite, e lhe disser: Amigo, empresta-me três pães,
pois um amigo meu acaba de chegar à minha casa, de uma viagem, e não tenho nada para lhe oferecer; e se ele responder lá de dentro: Não me incomodes; a porta já está fechada, meus filhos e eu estamos deitados; não posso levantar-me para te dar os pães;
eu vos digo: no caso de não se levantar para lhe dar os pães por ser seu amigo, certamente por causa da sua importunação se levantará e lhe dará quantos pães necessitar.
E eu vos digo: pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e achareis; batei, e abrir-se-vos-á.
Pois todo aquele que pede, recebe; aquele que procura, acha; e ao que bater, se lhe abrirá.
Se um filho pedir um pão, qual o pai entre vós que lhe dará uma pedra? Se ele pedir um peixe, acaso lhe dará uma serpente?
Ou se lhe pedir um ovo, dar-lhe-á porventura um escorpião?
Se vós, pois, sendo maus, sabeis dar boas coisas a vossos filhos, quanto mais vosso Pai celestial dará o Espírito Santo aos que lho pedirem.

Lefebvre, Dom Gaspar. Missal Quotidiano e Vesperal. Bruges, Bélgica; Abadia de S. André, 1960.

domingo, 25 de maio de 2014

25 de Maio - São Gregório VII, Papa e Confessor

São Gregório não só foi  uma das figuras  mais importantes entre os Papas da Igreja Católica, bem como foi extremamente caluniado e perseguido  durante seu pontificado. É uma das figuras que mais defendeu  os direitos da esposa de Cristo. 

O Século XI foi para a Igreja  um período de grande humilhação. Não fosse ela uma instituição divina, edificada sobre a rocha, os próprios filhos tê-la-iam destruído. 
O Clero superior e inferior, em sua maioria, tinha esquecido de sua alta missão. A simonia (tráfico ou venda ilícita de coisas sagradas), corrupção e indisciplina, tinham tomado conta dos altos e baixos setores da Igreja.   Freqüentíssimos escândalos, e os príncipes seculares, quais lobos famintos, invadiam o aprisco do Senhor. Os reis Filipe e Augusto I da França, Boleslau II da Polônia, Henrique IV, imperador da Alemanha, eram verdadeiros monstros de crueldade e imoralidade. A palma, porém, coube ao imperador, que em crueldade, devassidão e ambição não achava semelhante. 

Deus se amerciou de sua Igreja e deu-lhe um Papa, como as circunstâncias o exigiam. Foi no ano de 1073 que Hildebrando  (depois cognominado Gregório VII), assumiu a suprema dignidade papal. Ao receber essa notícia, São Pedro Damião, contentíssimo exclamou: "Agora será calcada a cabeça miliforme  da serpente peçonhenta, e será posto  um termo aos negócios torpes; o falsário Simeão Mago não mais cunhará moedas na Igreja; voltará ao tempo áureo dos Apóstolos, revigorará  a disciplina eclesiástica, serão derrubadas as mesas dos vendilhões..."

Gregório convocou o Concílio Lateranense e renovou as antigas leis da Igreja, que existiam, sobre o celibato dos sacerdotes, contra a simonia, e fez incorrer nas censuras eclesiásticas os bispos da França, que tinham rejeitado os decretos pontifícios, como impraticáveis e irrazoáveis. Dos bispos da Alemanha, só dois tiveram a coragem de aceitar e por em execução  as determinações do Papa. O mais descontente de todos foi o imperador da Alemanha, que pelas  proibições do Papa, se via prejudicado no negócio mais rentosos. Wiberto, arcebispo de Ravenna, ex-chanceler do imperador na Itália, promoveu uma conspiração contra o Papa. Na estação  da Missa da meia noite de Natal os conspiradores, chefiados por Cencio, invadiram a Igreja e apoderaram-se da pessoa do Papa, para levá-lo à prisão. O povo, porém, libertou seu Pastor e Cencio teria sido apedrejado, se Gregório não lhe tivesse generosamente perdoado.   

Um segundo Concílio foi realizado em 1075, confirmou as determinações anteriores e fez intimação ao imperador para que respondesse pelos seus crimes, sob pena de excomunhão. Henrique respondeu com um decreto elaborado por bispos alemães: "Falso monge, carregado de maldição de todos os bispos e condenado pelo nosso tribunal, desce e renuncia à cadeia apostólica, indignamente usurpada". 

Gregório, em vez de descer, lançou excomunhão  contra Henrique e os Prelados rebeldes. Os príncipes da Alemanha, há muito cansados da tirania e arbitrariedade do imperador, reunidos na Dieta de Tribur (1076), declararam-no deposto pelo prazo de um ano, caso não procurasse ser absolvido da excomunhão, tendo-lhe sido decretado que comparecesse à grande Dieta de Augsburgo, na qual devia justificar-se diante do Papa e da nação, com audiência marcada para 02 de fevereiro de 1077. Proibiram-no que se ausentasse da Alemanha antes da celebração da Dieta. Para evitar a humilhação de ser deposto, onde às claras iriam lhe expor seus crimes, tratou de clandestinamente obter a absolvição da excomunhão, dirigindo-se ao castelo da princesa Matilde, em Canossa, onde estava o Papa Gregório.  Em traje penitente, permaneceu descalço por três dias  em período de rigoroso inverno, esperando obter audiência do Papa, que negou-se a recebê-lo por saber que deveria apresentar-se à Dieta. Entretanto, graças às instâncias da condessa Matilde, acabou cedendo e recebeu Henrique, que aceitou as condições impostas mediante juramento, motivo pelo qual foi absolvido e recebeu a Sagrada Comunhão.  Mal saíra de Canossa, esquecendo-se das promessas, aliou-se aos príncipes e bispos inimigos do Papa e, uma vez na Alemanha, moveu guerra contra seus adversários. Reuniu um concílio de bispos rebeldes  em Mogúncia (1080), os quais elegeram papa o bispo Wiberto de Ravenna, que tomou o nome de Clemente III.  Rodolfo de Suábia, pereceu na batalha de Volksheim e Henrique marchou sobre Roma, para tirar vingança do Papa. Só depois de um assédio de dois anos, tomou a cidade, onde recebeu a corôa imperial das mãos do antipapa. Gregório retirou-se para Salermo, onde morreu em 25 de maio de 1085. As últimas palavras foram: "Amei a Justiça e odiei a iniqüidade, eis porque morro no exílio".

Henrique não foi feliz com as conquistas. Graves distúrbios chamaram-no para a Alemanha onde achou os filhos em franca rebelião contra o pai. Perseguido e amaldiçoado pelos filhos, Henrique teve um fim triste, ao passo que Deus glorificou por estupendos milagres o túmulo do seu fiel servo Gregório.

Fonte: http://www.paginaoriente.com/santos/greg72505papa.htm

sábado, 24 de maio de 2014

V Domingo depois da Páscoa: "Deixo o mundo e vou para o Pai" (Ev.)





A liturgia continua a cantar o triunfo de Cristo e a liberdade do povo cristão que ele resgatou.
Nesta semana das rogações convida-nos particularmente a unir com a sua a nossa prece, como nos diz na missa das ladainhas e até a oração e o evangelho de hoje. Mas é preciso pedir em nome do Senhor e pedir coisas realmente de valor e interesse para nós, a salvação em primeiro lugar, evidentemente, e então sem falta nos concederá o que pedimos; para que seja perfeita a nossa alegria e para que crendo que ele saiu de Deus, mereçamos entrar com ele na glória do Pai.
Cautela, pois, não nos iludamos. A epístola de São Tiago frisa este ponto com insistência. Não basta orar, é preciso orar bem.

Epístola

Leitura da Epístola de São Tiago Apóstolo (1, 22-27): Caríssimos: Sede cumpridores da palavra e não apenas ouvintes; isto equivaleria a vos enganardes a vós mesmos. Aquele que escuta a palavra sem a realizar  assemelha-se a alguém que contempla num espelho a fisionomia que a natureza lhe deu: contempla-se e, mal sai dali, esquece-se de como era. Mas aquele que procura meditar com atenção a lei perfeita da liberdade e nela persevera - não como ouvinte que facilmente se esquece, mas como cumpridor fiel do preceito -, este será feliz no seu proceder. Se alguém pensa ser piedoso, mas não refreia a sua língua e engana o seu coração, então é vã a sua religião.
 A religião pura e sem mácula aos olhos de Deus e nosso Pai é esta: visitar os órfãos e as viúvas nas suas aflições, e conservar-se puro da corrupção deste mundo.


Evangelho de Domingo:
Continuação do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São João (16, 23-20): Naquele tempo disse Jesus a seus discípulos:
Em verdade, em verdade vos digo: o que pedirdes ao Pai em meu nome, ele vo-lo dará.
Até agora não pedistes nada em meu nome. Pedi e recebereis, para que a vossa alegria seja perfeita.
Disse-vos essas coisas em termos figurados e obscuros. Vem a hora em que já não vos falarei por meio de comparações e parábolas, mas vos falarei abertamente a respeito do Pai.
Naquele dia pedireis em meu nome, e já não digo que rogarei ao Pai por vós.
Pois o mesmo Pai vos ama, porque vós me amastes e crestes que saí de Deus.
Saí do Pai e vim ao mundo. Agora deixo o mundo e volto para junto do Pai.
Disseram-lhe os seus discípulos: Eis que agora falas claramente e a tua linguagem já não é figurada e obscura.
Agora sabemos que conheces todas as coisas e que não necessitas que alguém te pergunte. Por isso, cremos que saíste de Deus.

Lefebvre, Dom Gaspar. Missal Quotidiano e Vesperal. Bruges, Bélgica; Abadia de S. André, 1960.

24 de Maio - Nossa Senhora Auxiliadora

A devoção a Nossa Senhora Auxiliadora, tem seu começo em datas muito remotas, nascida no coração de pessoas piedosas que espalharam ao seu redor a devoção mariana. Assim a Mãe de Deus foi sempre conhecida como condutora da felicidade de todo ser humano. E Maria, sempre esteve junto ao povo, sobretudo do povo simples que não sofre as complicações que contornam e desfazem, muitas vezes, a vida humana, mas que é levado pelas emoções e certezas apontadas pela simplicidade do coração.

Em 1476, o Papa Sisto IV deu o nome de “Nossa Senhora do Bom Auxílio” a uma imagem do século XIV-XV, que havia sido colocada em uma Capelinha, onde ele se refugiou, surpreendido durante o caminho, com um perigoso temporal. A imagem tem um aspecto muito sereno, e o símbolo do ‘auxílio’ é representado pela meiguice do Menino segurando o manto da Mãe.

Com o correr dos anos, entre 1612 e 1620, a devoção mariana cresceu, graças aos Barnabitas, em torno de uma pequena tela de autoria de Scipione Pulzone, representando aspectos de doçura, de abandono confiante, de segurança entre o Menino e sua santa Mãe. A imagem ficou conhecida como “Mãe da Divina Providência”. Esta imagem tornou-se como que meta para as peregrinações de muitos devotos e também para muitos Papas e até mesmo para João Paulo II. Devido ao movimento cristão em busca dos favores e bênçãos de Nossa Senhora e de seu Filho, o Papa Gregório XVI, em 1837, deu-lhe o nome de “AUXILIADORA DOS CRISTÃOS”. O Papa Pio IX, há pouco tempo eleito, também se inscreveu no movimento e diante desta bela imagem, ele celebrou a Missa de agradecimento pela sua volta do exílio de Gaeta.     
Mais tarde também foi criada a ‘Pia União de Maria Auxiliadora’, com raízes em um bonito quadro alemão.

E chega o ano de 1815:  Nasce aquele que será o grande admirador, grande filho, grande devoto da Mãe de Deus e propagador da devoção a Maria Auxiliadora, o Santo dos jovens: SÃO JOÃO BOSCO. Neste ano era também celebrado o Congresso de Viena e foi a época em que, com a queda do Império Napoleônico, começa a Reestruturação  Européia com restabelecimento dos reinos nacionais e das suas monarquias dinásticas 

Em 1817, o Papa Pio VII benzeu uma tela de Santa Maria e conferiu-lhe o título de “MARIA AUXILIUM CHRISTIANORUM”.
Os anos foram se sucedendo e o rei Carlo Alberto, foi a cabeça do movimento em prol da unificação da Itália, e ao mesmo tempo, os atritos entre Igreja e Estado, deram lugar a uma forte sensibilização política, com atitudes suspeitas para com a Igreja. E como não podia deixar de ser, Dom Bosco, lutador e defensor insigne da Igreja de Cristo, ficou sendo mira forte do governo e foi até obrigado a fugir de alguns atentados. Sim, tinha de fato inimigos que não viam bem sua postura positiva a favor da Igreja e nem tão pouco a emancipação da classe pobre, defendida tenazmente pelo Santo.
Pio IX, então cabeça da Igreja, manifestou-se logo a favor de uma devoção pessoal para com a Auxiliadora e quando este sofrido Pontífice esteve no exílio, o nosso Santo lhe enviou 35 francos, recolhidos entre seus jovens do oratório. O Papa ficou profundamente comovido com esta atitude e conservou uma grande lembrança deste gesto de afeto de D.Bosco e da generosidade dos rapazes pobres.

E continuam muitas lutas políticas, desavenças, lutas e rixas entre Igreja e Estado.  Mas a 24 de maio, em Roma, o Papa Pio IX preside uma grandiosa celebração em honra de Maria Auxiliadora, na Igreja de Santa Maria.  E em 1862, houve uma grandiosa organização especificamente para obter da Auxiliadora, a proteção para o Papa diante das perseguições políticas que ferviam cada vez mais, em detrimento para a Igreja de Jesus Cristo.
Nestes momentos particularmente críticos, entre 1860-1862 para a Igreja, vemos que D.Bosco toma uma opção definitiva pela AUXILIADORA, título este que ele decide concentrar a devoção mariana por ele oferecida ao povo. E justamente em 1862, ele tem o “Sonho das Duas Colunas” e no ano seguinte seus primeiros acenos para a construção do célebre e grandioso Santuário de Maria Auxiliadora. E esta devoção à Mãe de Deus, desde então se expandiu imediata e amplamente.            

Dom Bosco ensinou aos membros da família Salesiana a amarem Nossa Senhora, invocando-a com o título de AUXILIADORA. Pode-se afirmar que a invocação de Maria como título de Auxiliadora teve um impulso enorme com Dom Bosco. Ficou tão conhecido o amor do Santo pela Virgem Auxiliadora a ponto de Ela ser conhecida também como a "Virgem de Dom Bosco".
Escreveu o santo: “A festa de Maria Auxiliadora deve ser o prelúdio da festa eterna que deveremos celebrar todos juntos um dia no Paraíso".


Oração a Nossa Senhora Auxiliadora, Protetora do Lar

Santíssima Virgem Maria
a quem Deus constituiu Auxiliadora dos Cristãos,
nós vos escolhemos como Senhora e Protetora desta casa.
Dignai-vos mostrar aqui Vosso auxílio poderoso.
Preservai esta casa de todo perigo:
do incêndio, da inundação, do raio, das tempestades,
dos ladrões, dos malfeitores, da guerra
e de todas as outras calamidades que conheceis.
Abençoai, protegei, defendei,
guardai como coisa vossa
as pessoas que vivem nesta casa.
Sobretudo concedei-lhes a graça mais importante,
a de viverem sempre na amizade de Deus,
evitando o pecado.
Dai-lhes a fé que tivestes na Palavra de Deus,
e o amor que nutristes para com Vosso Filho Jesus
e para com todos aqueles
pelos quais Ele morreu na cruz.
Maria, Auxílio dos Cristãos,
rogai por todos que moram nesta casa
que Vos foi consagrada.

quinta-feira, 22 de maio de 2014

22 de Maio - Santa Rita de Cássia, Viúva


 Vista de perto,  se nos revela o rosto humaníssimo de uma mulher que não passou indiferente ante a tragédia da dor e  da miséria e da miséria material, moral e  social.  Sua vida terrena poderia ser de ontem como de hoje.  

                                         Rita nasceu em 1381 em Roccaporena,  um pequeno povoado perdido nas  montanhas Seus pais, anciãos, a educaram  no temor de Deus, e ela  respeitou a tal ponto a  autoridade paterna que abandonou o propósito de entrar no convento e aceitou unir-se em matrimônio com Paulo de Ferdinando, um jovem violento e  revoltado. As biografias da  santa nos pintam um quadro familiar muito comum:  uma mulher doce, obediente, atenta a  não chocar com a  susceptibilidade do marido,  cujas maldades ela conhece e sofre e reza em silêncio.  

                                         Sua bondade logrou finalmente transformar o coração de Paulo,  que mudou de vida e de costumes, porém,  sem fazer esquecer os  antigos rancores dos  inimigos que se havia buscado. Uma noite foi encontrado morto à beira do caminho.  Os dois filhos,  já  jovens,  juraram  vingar a morte do pai. Quando Rita se  deu conta da inutilidade de  seus esforços para convencê-los de que desistissem  de seus propósitos,  teve a  valentia de pedir a Deus que os levasse,  antes que manchassem suas vidas com um homicídio.  Sua oração, humanamente incompreensível,  foi ouvida.  E sem esposo e sem filhos,  Rita foi pedir sua entrada no convento das agostinianas de Cássia.  Porém,  seu pedido foi negado.  

                                         Voltou ao  seu lugar deserto e rezou intensamente a  seus três santos protetores, São João Batista, Santo Agostinho e  São Nicolas de Tolentino,  e uma noite sucedeu o prodígio.  Se lhe apareceram  os três  santos, lhe disseram  que os seguisse,  chegaram ao convento, abriram as portas e levaram a metade do coro, onde as  religiosas estavam rezando as orações da manhã. Assim, Rita pôde vestir o hábito das agostinianas, realizando o antigo desejo de entrega total a Deus. Se dedicou à penitência, à oração e ao amor de Cristo crucificado,  que a associou ainda visivelmente a sua paixão,  cravando-lhe na fronte uma espinha.  

                                         Este estigma milagroso, recebido durante um êxtase, marcou o rosto com um dolorosíssima chaga purulenta até sua morte, isto é, durante quatorze anos. A fama de sua santidade passou os limites de Cássia. As orações de Rita obtiveram prodigiosas curas e conversões. Para ela não pediu senão carregar sobre si as  dores do próximo. Morreu no mosteiro de Cássia em 1457. Pouco antes de morrer e de firmar seu testamento verbal às Irmãs do convento,  veio visitá-la uma sua parenta; a Santa agradeceu-lhe a visita e, ao se despedir pediu:

- Vá à horta que fica perto de tua casa, por amor de Jesus, e traga-me uma rosa.
                                         Como os campos encontravam-se cobertos pela neve e a vegetação inexistente, sua parenta imaginou que a Santa delirasse,  porém,  acatou o que ela pedira e  dirigiu-se ao local certa de que nada encontraria. Chegando à horta, encontrou uma linda rosa, que a levou à enferma;  Rita novamente lhe pediu que retornasse e lhe trouxesse dois figos que, também foram encontrados na figueira.  Esses fatos explicam a representação da imagem da Santa com rosas, figos, cachos de uvas e abelhas. A Santa Igreja, para  perpetuar o milagre das rosas, aprovou a Bênção das Rosas que se realiza  no dia da festa,   ou no dia 22 de cada mês, para alívio dos enfermos.

                                         Foi beatificada em 1627, ocasião em que seu corpo foi encontrado no mesmo estado em que estava no momento de sua morte, ocorrida há mais de cento e cinqüenta anos.  Seu corpo, desde 18 de maio de 1947, repousa no Santuário, numa urna de prata e cristal fabricada em 1930. As vestes que lhe serviam de mortalha estão tão perfeitas como no dia em que a envolveram..  Atualmente, os visitantes podem sentir um doce aroma que provém de seu corpo.

                                         Recentes exames médicos  afirmaram que sobre a testa, existem traços de uma ferida óssea (osteomielite).  O pé direito apresenta sinais de uma doença sofrida nos últimos anos, talvez uma inflamação no nervo ciático. Sua altura era de 1,57 m. O rosto, as mãos e os pés estão mumificados, enquanto sob o hábito da religiosa agostiniana existe, intacto, o seu esqueleto.  

                                         A sua beatificação ocorreu no ano de 1900,  sob o pontificado do Papa Leão XIII. 

Fonte: http://www.paginaoriente.com/santosdaigreja/mai/ritadecassia2205.htm

quarta-feira, 21 de maio de 2014

Maioria dos povos do mundo recusa o aborto e a agenda gayzista

Nenhum dos 40 países de todos os continentes que foram sondados pelo Pew Research Center aprovou a afirmação de que o aborto é moralmente aceitável, noticiou a agência LifeSiteNews.

(Para saber os resultados no Brasil, clique aqui.)
Em 13 países a oposição ao aborto venceu na proporção de três a um. As nações com menos tolerância ao crime do aborto foram as Filipinas, Gana, Indonésia, Uganda, e El Salvador.
A maior parte dos povos consultados também qualificou a homossexualidade de moralmente inaceitável. Segundo o inquérito Pew Research Center’s 2013 Global Attitudes, em 22 das nações analisadas a maioria se opõe à homossexualidade por razoes morais.
O homossexualismo só foi julgado moralmente aceitável na República Checa, Espanha e Alemanha.

“Os resultados da enquete do Pew são surpreendentes” declarou Adam Cassandra, diretor de comunicações da Human Life International, ao LifeSiteNews. De fato, o instituto Pew está muito longe de ser suspeito de propensões pelo conservadorismo ou pela moralidade.
“Os missionários do Human Life International vinham observando estas tendências pelo mundo todo. Os países em desenvolvimento ainda mantêm os valores morais tradicionais. Porém, a moralidade está declinando nos países mais ocidentalizados”.

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Nos EUA, 49% julgaram o aborto inaceitável do ponto de vista moral e 17% disseram ser uma opção ética. E 23% acharam que não é uma questão moral.

O país está no 27º lugar na rejeição ao aborto, bem atrás do Brasil, da África do Sul e dos territórios Palestinos. Porém, sua desaprovação ao aborto é maior que a da China, do Japão, da Austrália, de Israel e da Grã-Bretanha.
Na China, onde o aborto é feito compulsoriamente pela polícia socialista, mais chineses acreditam ser imoral (37%) que moral (29%) ou são indiferentes (20%).

A França apresentou o menor índice de rejeição à matança de fetos: apenas 14% disseram ser imoral e 38% acharam ser moral.

Tratando do polêmico “casamento” homossexual, a sondagem do Pew constatou que mais norte-americanos acham o homossexualismo imoral (37%) do que moralmente aceitável (23%), ou que não é uma questão moral (35%).
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“Não há dúvida de que os princípios religiosos e a existência de famílias solidamente constituídas exercem a maior influencia para proteger os valores morais na África, na Ásia e na América Latina”, disse Cassandra a LifeSiteNews.

“Durante décadas, as populações dessas partes do mundo vieram sendo alvo de campanhas de ONGs e órgãos de governos que gastaram bilhões de dólares para destruir a família por meio do controle da natalidade e do aborto, e para impor mudanças nos valores tradicionais, condicionando imoralmente sua ajuda ao desenvolvimento. Mas, como pudemos recentemente observar em vários países da África, há ainda líderes políticos mais interessados em obedecer a Deus do que comprometer seus valores em troca de ajuda financeira e promoção midiática”, concluiu.

segunda-feira, 19 de maio de 2014

19 de Maio - São Pedro Celestino, Papa e Confessor

Pedro nasceu em 1215, na província de Isernia, Itália, de pais camponeses com muitos filhos. Segundo os escritos, decidiu que seria religioso aos seis anos de idade, quando revelou esse desejo à mãe. Cresceu estudando com os beneditinos de Faifoli. Assim que terminou os estudos, retirou-se para um local ermo, onde viveu por alguns anos.

Depois foi para Roma, recebendo o sacerdócio em 1239. Entrou para a Ordem beneditina e, com licença do abade, voltou para a vida de eremita. Assumiu, então, o nome de Pedro de Morrone, pois foi viver no sopé do morro do mesmo nome, onde levantou uma cela, vivendo de penitências e orações contemplativas.

Em 1251, fundou, com a colaboração de dois companheiros, um convento. Rapidamente, sob a direção de Pedro, o convento abrigava cada vez mais seguidores. Assim, ele fundou uma nova Ordem, mais tarde chamada "dos Celestinos", conseguindo, pessoalmente, a aprovação do papa Leão IX, em 1273.

Em 1292, morreu o papa Nicolau V e, após um conclave que durou dois anos, ainda não se tinha chegado a um consenso para sua sucessão. Nessa ocasião, receberam uma carta contendo uma dura reprovação por esse comportamento, pois a Igreja precisava logo de um chefe. A carta era de Pedro de Morrone e os cardeais decidiram que ele seria o novo papa, sendo eleito em 1294 com o nome de Celestino V. Entretanto, a sua escolha foi política e por pressão de Carlos II, rei de Nápoles. Com temperamento para a vida contemplativa e não para a de governança, o erro de estratégia logo foi percebido pelos cardeais.

Pedro Celestino exerceu o papado durante um período cheio de intrigas, crises e momentos difíceis. Reconhecendo-se deslocado, renunciou em favor do papa Bonifácio VIII, seu sucessor. Isso gerou nova crise, com o poder civil ameaçando não reconhecer nem a renúncia, nem o novo sumo pontífice. Para não gerar um cisma na Igreja, Pedro Celestino aceitou, humildemente, ficar prisioneiro no castelo Fumone. Ali permaneceu até sua morte.

Dez meses depois de seu confinamento, Pedro Celestino teve uma visão e ficou sabendo o dia de sua morte. Assim, recebeu os santos sacramentos e aguardou por ela, que chegou exatamente no dia e momento previstos: 19 de maio de 1296. Logo, talvez pelo desejo de uma reparação, a Igreja declarou santo o papa Pedro Celestino, já em 1313.

A Ordem dos Celestinos continuou se espalhando e crescendo, chegando a atingir, além da Itália, a França, a Alemanha e a Holanda. Mas, depois da Revolução Francesa, sobraram poucos conventos da Ordem na Europa

Fonte: http://www.paulinas.org.br/diafeliz/santo.aspx?Dia=19&Mes=5&SantoID=241

sábado, 17 de maio de 2014

IV Domingo depois da Páscoa: "Se eu não for, o Espírito consolador não virá a vós; mas eu vo-lo enviarei."(Ev.)






A liturgia de hoje louva a justiça divina, que se manifestou no triunfo do Senhor, e pela descida do Espírito Santo, que, de volta ao céu, o Senhor prometera. Deus que dera testemunho de seu filho, ressuscitando-o dos mortos, condena o mundo que o crucificou. Este testemunho brilhante da justiça divina deve-nos consolar as almas das amarguras e das dificuldades da vida presente.
Jesus abriu-nos o caminho; Ele é o caminho, a verdade e a vida. Enquanto vivermos nesta terra temos de beber sem dúvida o amargor do exílio, de amargar com a perseguição e a hostilidade dos elementos adversos, mas quando desabrochar no dia pleno e luminoso, que antevemos, a aurora que nos leva, se não olharmos para trás, para esses pedaços de noite e dia por onde passamos, havemos de sentir com certeza como foi breve o caminho e suave o sofrimento que nos conduziram a tão grande vitória.
São Tiago exorta-nos a sofrer com paciência, com paciência cristã evidentemente, as arestas e as fadigas da jornada, porque a paciência, diz o apóstolo, dá perfeição a obra, à obra da nossa santificação, e assemelha-nos a Deus "em quem não há vicissitude nem mudança".


Epístola

Leitura da Epístola de São Pedro Apóstolo (IPedr 2,11-19): Caríssimos, rogo-vos que, como estrangeiros e peregrinos, vos abstenhais dos desejos da carne, que combatem contra a alma. Comportai-vos nobremente entre os pagãos. Assim, naquilo em que vos caluniam como malfeitores, chegarão, considerando vossas boas obras, a glorificar a Deus no dia em que ele os visitar. Por amor do Senhor, sede submissos, pois, a toda autoridade humana, quer ao rei como a soberano, quer aos governadores como enviados por ele para castigo dos malfeitores e para favorecer as pessoas honestas. Porque esta é a vontade de Deus que, praticando o bem, façais emudecer a ignorância dos insensatos. Comportai-vos como homens livres, e não à maneira dos que tomam a liberdade como véu para encobrir a malícia, mas vivendo como servos de Deus. Sede educados para com todos, amai os irmãos, temei a Deus, respeitai o rei. Servos, sede obedientes aos senhores com todo o respeito, não só aos bons e moderados, mas também aos de caráter difícil. Com efeito, é coisa agradável a Deus sofrer contrariedades e padecer injustamente, por motivo de consciência para com Deus. 
Evangelho de Domingo:

Continuação do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São João (16, 16-22): Naquele tempo: Disse Jesus a seus discípulos:
Agora vou para aquele que me enviou, e ninguém de vós me pergunta: Para onde vais?
Mas porque vos falei assim, a tristeza encheu o vosso coração.
Entretanto, digo-vos a verdade: convém a vós que eu vá! Porque, se eu não for, o Paráclito não virá a vós; mas se eu for, vo-lo enviarei.
E, quando ele vier, convencerá o mundo a respeito do pecado, da justiça e do juízo.
Convencerá o mundo a respeito do pecado, que consiste em não crer em mim.
Ele o convencerá a respeito da justiça, porque eu me vou para junto do meu Pai e vós já não me vereis; ele o convencerá a respeito do juízo, que consiste em que o príncipe deste mundo já está julgado e condenado. Muitas coisas ainda tenho a dizer-vos, mas não as podeis suportar agora. Quando vier o Paráclito, o Espírito da Verdade, ensinar-vos-á toda a verdade, porque não falará por si mesmo, mas dirá o que ouvir, e anunciar-vos-á as coisas que virão. Ele me glorificará, porque receberá do que é meu, e vo-lo anunciará.

Lefebvre, Dom Gaspar. Missal Quotidiano e Vesperal. Bruges, Bélgica; Abadia de S. André, 1960.