quinta-feira, 30 de abril de 2015

30 de Abril - Santa Catarina de Siena, Virgem



Santa Catarina de Siena nasceu em Siena no dia da Anunciação e começou a ter experiências místicas aos 6 anos vendo anjos da guarda, claramente com as pessoas as quais eles protegiam. Tornou-se uma Dominicana quando tinha 16 anos e ainda continuou a ter visões de Cristo, Maria e dos santos. Santa Catarina foi uma das mais brilhantes mentes teológicas do seu tempo, não tendo entretanto qualquer educação formal. Trabalhou com êxito como moderadora entre a Santa Sé e Florença e persuadiu o Papa a voltar para Roma de Avignon. Finalmente conseguiu a conciliação no reinado do Papa Urbano VI. Mas tarde Santa Catarina se estabeleceu em Roma, onde lutou infatigavelmente com orações, exortações e cartas para ganhar novos partidários para o Papa legítimo. Em 1377 quando ela morreu, já havia conseguido curar as feridas e acabar com o Grande Schisma Ocidental.

Santa Catarina de Siena foi ao Convento onde estava a sua sobrinha de nome Eugenia, e foi visitar o corpo incorrupto de Santa Agnes de Montepulciano, para venera-la. Quando ela se inclinou para beijar o pés de Santa Agnes, todos ficaram maravilhados ao verem que Agnes levantava o seu pé, suavemente, ao encontro dos lábios de Catarina.

Ela teve visões de Jesus, Maria, São João, São Paulo e São Domingos, o fundador da Ordem dos Dominicanos. Durante uma dessas visões a Virgem Maria a apresentou a Jesus que a desposou, colocando um anel de ouro com quatro pérolas em um círculo e um grande diamante no centro, dizendo a ela: "receba isto como um penhor e testemunho que você é minha e será minha para sempre".
Experimentou maravilhosas experiências misticas. Com a idade de 26 anos, ela começou a sentir as dores de Cristo, em seu corpo. Dois anos mais tarde, em 1375, durante uma visita a Pisa, ela recebeu a Comunhão na pequena igreja de Santa Christina. Quando ela meditava e agradecia orando ao crucifixo, raios de luz furaram suas mãos, pés e o lado e todos puderam ver os estigmas de Cristo nela. Por causa de tanta dor ela não falava nem comia. Assim ficou por oito anos sem comer líquidos ou qualquer outra coisa que não fosse a Sagrada Comunhão (Inédia).
Ela orava para que as marcas não fosse muito visíveis, e elas ficaram pouco visíveis, mas após sua morte os estigmas ficaram bem visíveis em seu corpo incorrupto, como uma transparência na pele, no local das chagas de Cristo.

As vezes quando orava ela levitava. Uma vez quando recebia a Sagrada Comunhão o padre sentiu a hóstia tornar-se viva, movendo-se agitada e voando de seus dedos para a boca de Catarina.

Na "Vida de Santa Catarina" a Madre Francisca Raphaela relata que a santa era imune ao fogo. Ela conta que certa vez Catarina caiu em um fogo na cozinha e apesar do fogo ser grande quando foi retirada dêle por outros membros presentes, nem ela, nem suas roupas estavam sequer chamuscadas.


Túmulo de Santa Catarina de Siena


Das cartas de Santa Catarina de Siena há uma trilogia chamada "O Diálogo" que é considerado o mais brilhante escrito da história da Igreja Católica. Morreu jovem, aos 33 em  anos de idade, em 29 de abril de 1380, mas   seu corpo foi encontrado incorrupto e conservado em 1430.

Foi canonizada em 1461 e declarada Doutora da Igreja em 1970.
É co-padroeira do Continente Europeu junto com Santa Edith Stein e Santa Brígida da Suécia, e padroeira da Itália junto com São Francisco de Assis.

Ela é padroeira dos Consultores. 

A festa em comemoração a santa em Criciuma, Santa Catarina  é uma das mais lindas do Brasil.

Fonte: Cadê meu Santo

quarta-feira, 29 de abril de 2015

29 de Abril - São Pedro de Verona, Mártir



Pedro nasceu em Verona-Itália no ano de 1205.

Seus pais eram hereges maniqueus, adeptos da doutrina religiosa herética do persa Mani, Manes ou Maniqueu, caracterizada pela concepção dualista do mundo, em que espírito e matéria representam, respectivamente, o bem e o mal. 

Entretanto, o único colégio que havia no local era católico e lá o menino não só aprendeu as ciências da vida como os caminhos da alma.
Pedro se converteu e se separou da família, indo para Bolonha para terminar os estudos. Ali acabava de ser fundada a Ordem dos Dominicanos, onde ele logo foi aceito, recebendo a missão de evangelizar.
Foi o que fez, viajando por toda a Itália, espalhando suas palavras fortes e um discurso de fé que convertiam as massas. Todas as suas pregações eram acompanhadas de graças, que impressionavam toda comunidade por onde passava. E isso logo despertou a ira dos hereges. 

Primeiro inventaram uma calúnia contra ele. Achando que aquilo era uma prova de Deus, Pedro não tentou provar inocência. Aguardou que Jesus achasse a hora certa de revelar a verdade. Foi afastado da pregação por um bom tempo, até que a mentira se desfez sozinha, e ele foi chamado de volta e aclamado pela comunidade. 

Voltando às viagens evangelizadoras, seus inimigos o afrontaram de novo tentando provar que suas graças não passavam de um embuste. Um homem fingiu estar doente, e outro foi buscar Pedro.
Este, percebendo logo o que se passava, rezou e pediu a Deus que, se o homem estivesse mesmo doente, ficasse curado. Mas, se a doença fosse falsa, então que ficasse doente de verdade. O maniqueu foi tomado por uma febre violentíssima, que só passou quando a armadilha foi confessada publicamente.
Perdoado por Pedro, o homem se converteu na mesma hora. Pedro anunciou, ainda, não só o dia de sua morte, como as circunstâncias em que ela ocorreria. E, mesmo tendo esse conhecimento, não deixou de fazer a viagem que seria fatal. 

No dia 29 de abril de 1252, indo da cidade de Como para Milão, foi morto com uma machadada por um maniqueu que o emboscou.
O nome do assassino era Carin, que, mais tarde, confessou o crime e, cheio de remorso, se internou como penitente no convento dominicano de Forli. 

Imediatamente, o seu culto se difundiu em meio a comoção e espanto dos fiéis, que passaram a visitar o seu túmulo, onde as graças aconteciam em profusão.

Apenas onze meses depois, o papa Inocente IV canonizou-o, fixando a festa de são Pedro de Verona para o dia de sua morte.

Fonte: Últimas e Derradeiras Graças

segunda-feira, 27 de abril de 2015

Por que a mídia ignora o espírito conservador do brasileiro?

Felipe Marques Pereira*

Para a mídia em geral, quer se trate de um telespectador da Record, de um ouvinte da Band FM ou de um leitor da TI- TI-TI, o cidadão é convertido em um consumidor e direcionado por pesquisas de opinião pública a fim de produzir uma pauta que vá de encontro com os interesses dos opinadores. Uma vez que para uma empresa privada é vital priorizar os interesses dos seus consumidores; os telespectadores, ouvintes e quem mais consuma os produtos da "mídia" é quem deveriam pautar os noticiários da Globo da Record e “tutti quanti”, pois se este não interessar a um número suficiente de pessoas a empresa quebra.

Misteriosamente a mídia brasileira resiste a essa "lei de mercado". Endividadas até o gogó a Globo e a Record só sobrevivem com o dinheiro público e como o financiamento da programação é caro ela tem que servir para algum fim, que a muito deixou se for de interesse geral da população. Nós telespectadores fomos excluídos dessa equação.

Várias pesquisas apontam que a maioria esmagadora da população é conservadora e não confia nos meios de comunicação em massa atuantes.

Uma pesquisa bancada pela própria rede Globo em parceria com o IBOPE revelou, entre outras coisas, que quase 80℅ dos entrevistados são contra a legalização das drogas e do aborto, mais da metade são contra o reconhecimento da união civil homossexual. A redução da maioridade penal é apoiada por oito em cada dez brasileiros.

Em posse desses dados, como explicar que a grade de programação da rede televisiva brasileira promova uma cultura tão contraria a opinião pública? Quem sustenta as novelas da globo ou o programa do Gugu? Não são os patrocinadores. Eles não dão mais conta.

É inquestionável que o produto jornalístico é um serviço público, com uma responsabilidade social e com direitos garantidos pela Carta Magna e é nisso que reside, talvez, o X da questão.

O Estado monopolizou e assumiu a tarefa de determinar quais são as responsabilidades sociais do produto jornalístico.
***

Essa coluna esta sendo atualizada todos os domingos ou eventualmente as segundas-feiras.

* Felipe Marques Pereira é um escritor conservador. Católico leigo estudou na PUC/PR. 

Para entrar em contato envie um e-mail para:

felipemarquespereira2015@outlook.com


27 de Abril - São Pedro Canísio, Confessor e Doutor da Igreja


Este santo, chamado "o segundo evangelizador da Alemanha", é venerado como um dos criadores da imprensa católica e foi o primeiro do numeroso exército de escritores jesuítas.

Nasceu em Nimega, Holanda em 1521. Aos 19 anos, conseguiu a licenciatura em teologia, e para agradar a seu pai se dedicou a especializar-se em direito. Entretanto, depois de realizar alguns Exercícios Espirituais com o Padre Favro, que era companheiro de Santo Inácio, entusiasmou-se pela vida religiosa, fez votos ou juramento de permanecer sempre casto, e prometeu a Deus fazer-se jesuíta.

Foi admitido na comunidade e os primeiros anos de religioso passou em Colônia, Alemanha, dedicado à oração, ao estudo, a meditação e a ajuda aos pobres. Foi muito caridoso e amável com as pessoas que lhe discutiam, mas tremendo e incisivo contra os enganos dos protestantes.

São Pedro Canisio tinha uma especial qualidade para resumir os ensinos dos grandes teólogos e apresentar as de maneira singela para que o povo pudesse entender. Conseguiu redigir dois Catecismos, a gente resumido e outro explicado. Estes dois livros foram traduzidos a 24 idiomas e na Alemanha se propagaram por centenas e milhares.

Nos trinta anos de seu incansável trabalho de missionário percorreu trinta mil quilômetros pela Alemanha, Áustria, Holanda e Itália. Parecia incansável, e a quem lhe recomendava descansar um pouco lhe respondia: "Descansaremos no céu".

Por muitas cidades da Alemanha foi fundando colégios católicos para formar religiosamente aos alunos. Além disso, ajudou a fundar numerosos seminários para a formação dos futuros sacerdotes. Alemanha, depois de São Pedro Canisio, era mais católico. São Pedro Canisio se deu conta do imenso bem que fazem as boas leituras. propôs-se formar uma associação de escritores católicos.

Estando em Friburgo em 21 de dezembro de 1597, depois de ter rezado o santo Rosário, exclamou cheio de alegria e emoção: "Olhem-na, aí esta. Aí está". E morreu. A Virgem Santíssima tinha vindo para levar-lhe ao céu.

O Sumo Pontífice Pio XI, depois de canonizá-lo, declarou-o Doutor da Igreja, em 1925.

Fonte: ACI Digital

Obs. As datas das memórias e festas seguem o rito extraordinário.

sábado, 25 de abril de 2015

III Domingo depois da Páscoa: "Ainda mais um tempo e não me vereis mais" (Ev.)





A santa Igreja, cheia ainda das alegrias da Páscoa, irrompe num cântico de júbilo e proclama a glória de Deus. "Ainda mais um pouco, disse Jesus no cenáculo, e não me vereis; havereis de chorar então e de vos lamentar. E mais um pouco ainda, e ver-me-eis de novo e o vosso coração se alegrará."

Os apóstolos sentiram de feito esta alegria iluminante, de que transborda a liturgia pascal, ao comtemplar de novo a carne e as feições do Amigo e do Mestre ressuscitado.
A páscoa da terra é a preparação e a representação da Páscoa eterna, da Páscoa das alegrias totais, de que há de partilhar a Igreja depois de dará luz no exílio e na dor os que foram marcados na fronte com o sinete da vida. Esta alegria já começa aqui na terra, começa na esperança, spe gaudentes, e por aquela presença de Cristo, invisível mas real, que prometeu aos que buscam.

Peregrinos e estrangeiros que vamos a caminho do céu, animemo-nos daquela alegria cristã a qual nos leva até Deus, o qual nos virá em auxílio e conduzirá ao término da viagem à vitória. Que a luz de Cristo ressuscitado nos ilumine a todos.

Epístola

Leitura da Epístola de São Pedro Apóstolo aos (IPedr 2,11-19). Caríssimos: rogo-vos que, como estrangeiros e peregrinos, vos abstenhais dos desejos da carne, que combatem contra a alma. Comportai-vos nobremente entre os pagãos. Assim, naquilo em que vos caluniam como malfeitores, chegarão, considerando vossas boas obras, a glorificar a Deus no dia em que ele os visitar. Por amor do Senhor, sede submissos, pois, a toda autoridade humana, quer ao rei como a soberano, quer aos governadores como enviados por ele para castigo dos malfeitores e para favorecer as pessoas honestas.  Porque esta é a vontade de Deus que, praticando o bem, façais emudecer a ignorância dos insensatos. Comportai-vos como homens livres, e não à maneira dos que tomam a liberdade como véu para encobrir a malícia, mas vivendo como servos de Deus. Sede educados para com todos, amai os irmãos, temei a Deus, respeitai o rei. Servos, sede obedientes aos senhores com todo o respeito, não só aos bons e moderados, mas também aos de caráter difícil. Com efeito, é coisa agradável a Deus sofrer contrariedades e padecer injustamente, por motivo de consciência para com Deus. 

Evangelho de Domingo:

Continuação do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São João (16, 16-22): Naquele tempo disse Jesus a seus discípulos:
Ainda um pouco de tempo, e já me não vereis; e depois mais um pouco de tempo, e me tornareis a ver, porque vou para junto do Pai.
Nisso alguns dos seus discípulos perguntavam uns aos outros: Que é isso que ele nos diz: Ainda um pouco de tempo, e não me vereis; e depois mais um pouco de tempo, e me tornareis a ver? E que significa também: Eu vou para o Pai?
Diziam então: Que significa este pouco de tempo de que fala? Não sabemos o que ele quer dizer. Jesus notou que lho queriam perguntar e disse-lhes: Perguntais uns aos outros acerca do que eu disse: Ainda um pouco de tempo, e não me vereis; e depois mais um pouco de tempo, e me tornareis a ver. Em verdade, em verdade vos digo: haveis de lamentar e chorar, mas o mundo se há de alegrar. E haveis de estar tristes, mas a vossa tristeza se há de transformar em alegria. Quando a mulher está para dar à luz, sofre porque veio a sua hora. Mas, depois que deu à luz a criança, já não se lembra da aflição, por causa da alegria que sente de haver nascido um homem no mundo.
Assim também vós: sem dúvida, agora estais tristes, mas hei de ver-vos outra vez, e o vosso coração se alegrará e ninguém vos tirará a vossa alegria.

Lefebvre, Dom Gaspar. Missal Quotidiano e Vesperal. Bruges, Bélgica; Abadia de S. André, 1960.

25 DE ABRIL - SÃO MARCOS, EVANGELISTA






Duples de 2ª classe - paramentos vermelhos

São Marcos, discípulo do Príncipe dos Apóstolos, que numa de suas cartas lhe chama seu "filho", é um dos quatros evangelistas. Devemos-lhe o segundo Evangelho, o mais breve e o mais vivo, onde se sente vibrar ainda a voz do pescador. A narração começa ainda pela missão de São João Batista, "a voz que se ouve no deserto". Foi por este motivo que a tradição cristã representou sempre o evangelista com um leão aos pés; o leão, que é um dos animais simbólicos da visão de Ezequiel, faz retumbar o deserto com os seus rugidos. Foi um dos 72 discípulos e o primeiro a pregar o evangelho no Egito. Sofreu o martírio provavelmente em Alexandria. Roma possui uma igreja dedicada a São Marcos, onde se faz a estação na segunda-feira da terceira semana da Quaresma.


Epístola

Leitura do profeta Ezequiel (1, 10-14): Eis a figura dos quatro animais: Quanto ao aspecto de seus rostos tinham todos eles figura humana, todos os quatro uma face de leão pela direita, todos os quatro uma face de touro pela esquerda, e todos os quatro uma face de águia. Eis o que havia no tocante as suas faces. Suas asas estendiam-se para o alto; cada qual tinha duas asas que tocavam às dos outros, e duas que lhe cobriam o corpo. Cada qual caminhava para a frente: iam para o lado aonde os impelia o espírito; não se voltavam quando iam andando. No meio desses seres, divisava-se algo parecido com brasas incandescentes, como tochas que circulavam entre eles; e desse fogo que projetava uma luz deslumbrante, saíam relâmpagos. Os seres ziguezagueavam como o raio.

Evangelho do dia:

Leitura do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas (10, 1-9): Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: Depois disso, designou o Senhor ainda setenta e dois outros discípulos e mandou-os, dois a dois, adiante de si, por todas as cidades e lugares para onde ele tinha de ir. Disse-lhes: Grande é a messe, mas poucos são os operários. Rogai ao Senhor da messe que mande operários para a sua messe. Ide; eis que vos envio como cordeiros entre lobos. Não leveis bolsa nem mochila, nem calçado e a ninguém saudeis pelo caminho. Em toda casa em que entrardes, dizei primeiro: Paz a esta casa! Se ali houver algum homem pacífico, repousará sobre ele a vossa paz; mas, se não houver, ela tornará para vós. Permanecei na mesma casa, comei e bebei do que eles tiverem, pois o operário é digno do seu salário. Não andeis de casa em casa. Em qualquer cidade em que entrardes e vos receberem, comei o que se vos servir. Curai os enfermos que nela houver e dizei-lhes: O Reino de Deus está próximo.

Lefebvre, Dom Gaspar. Missal Quotidiano e Vesperal. Bruges, Bélgica; Abadia de S. André, 1960.

sexta-feira, 24 de abril de 2015

São Fidelis de Sigmaringa, Mártir



Ele nasceu numa família de nobres em 1577, na cidade de Sigmaringen, na Alemanha, e foi batizado com o nome de Marcos Reyd. Na Universidade de Friburgo, na Suíça, estudou filosofia, direito civil e canônico, onde se formou professor e advogado em 1601.

Durante alguns anos, exerceu a profissão de advogado em Colmar, na Alsácia, recebendo o apelido de "advogado dos pobres", porque não se negava a trabalhar gratuitamente aos que não tinham dinheiro para lhe pagar.
Até os trinta e quatro anos, não tinha ainda encontrado seu caminho definitivo, até que, em 1612, abandonou tudo e se tornou sacerdote. Ingressou na Ordem dos Frades Menores dos Capuchinhos de Friburgo, vestindo o hábito e tomando o nome de Fidelis. Escreveu muito, e esses numerosos registros o fizeram um dos mestres da espiritualidade franciscana.

Como era intelectual atuante, acabou assumindo missões importantes em favor da Igreja e, a mando pessoal do papa Gregório XV, foi enviado à Suíça, a fim de combater a heresia calvinista. Acusado de espionagem a serviço do imperador austríaco, os calvinistas tramaram a sua morte, que ocorreu após uma missa em Grusch, na qual pronunciara um fervoroso sermão pela disciplina e obediência dos cristãos à Santa Sé.

Em suas anotações, foi encontrado um bilhete escrito dez dias antes de sua morte, dizendo que sabia que seria assassinado, mas que morreria com alegria por amor a Nosso Senhor Jesus Cristo.

Quando foi ferido, por um golpe de espada, pelos inimigos, pôs-se de joelhos, perdoou os seus assassinos e, rezando, abençoou a todos antes de morrer, no dia 24 de abril de 1622.
O papa Bento XIV canonizou são Fidelis de Sigmaringen em 1724.

Fonte: Paulinas

quinta-feira, 23 de abril de 2015

23 de Abril - São Jorge, Mártir


A existência do popularíssimo são Jorge, por vezes, foi colocada em dúvida. Talvez porque sua história sempre tenha sido mistura entre as tradições cristãs e lendas, difundidas pelos próprios fiéis espalhados entre os quatro cantos do planeta.

Contudo encontramos na Palestina os registros oficiais de seu testemunho de fé. O seu túmulo está situado na cidade de Lida, próxima de Tel Aviv, Israel, onde foi decapitado no século IV, e é local de peregrinação desde essa época, não sendo interrompida nem mesmo durante o período das cruzadas. Ele foi escolhido como o padroeiro de Gênova, de várias cidades da Espanha, Portugal, Lituânia e Inglaterra e um sem número de localidades no mundo todo. Até hoje, possui muitos devotos fervorosos em todos os países católicos, inclusive no Brasil.

A sua imagem de jovem guerreiro, montado no cavalo branco e enfrentando um terrível dragão, obviamente reporta às várias lendas que narram esse feito extraordinário. A maioria delas diz que uma pequena cidade era atacada periodicamente pelo animal, que habitava um lago próximo e fazia dezenas de vítimas com seu hálito de fogo. Para que a população inteira não fosse destruída pelo dragão, a cidade lhe oferecia vítimas jovens, sorteadas a cada ataque.

Certo dia, chegou a vez da filha do rei, que foi levada pelo soberano em prantos à margem do lago. De repente, apareceu o jovem guerreiro e matou o dragão, salvando a princesa. Ou melhor, não o matou, mas o transformou em dócil cordeirinho, que foi levado pela jovem numa corrente para dentro da cidade. Ali, o valoroso herói informou que vinha da Capadócia, chamava-se Jorge e acabara com o mal em nome de Jesus Cristo, levando a comunidade inteira à conversão.

De fato, o que se sabe é que o soldado Jorge foi denunciado como cristão, preso, julgado e condenado à morte. Entretanto o momento do martírio também é cercado de muitas tradições. Conta a voz popular que ele foi cruelmente torturado, mas não sentiu dor. Foi então enterrado vivo, mas nada sofreu. Ainda teve de caminhar descalço sobre brasas, depois jogado e arrastado sobre elas, e mesmo assim nenhuma lesão danificou seu corpo, sendo então decapitado pelos assustados torturadores. Jorge teria levado centenas de pessoas à conversão pela resistência ao sofrimento e à morte. Até mesmo a mulher do então imperador romano.

São Jorge virou um símbolo de força e fé no enfrentamento do mal através dos tempos e principalmente nos dias atuais, onde a violência impera em todas as situações de nossas vidas. Seu rito litúrgico é oficializado pela Igreja católica e nunca esteve suspenso, como erroneamente chegou a ser divulgado nos anos 1960, quando sua celebração passou a ser facultativa. A festa acontece no dia 23 de abril, tanto no Ocidente como no Oriente.

Fonte: Paulinas

quarta-feira, 22 de abril de 2015

22 de Abril - Santos Sotero e Caio, Papas e Mártires



No livro dos papas da Igreja, encontramos registrado que o papa Caio nasceu na Dalmácia, atual território da Bósnia, de família cristã da nobreza romana, ligada por parentesco ao imperador Diocleciano, irmão do padre Gabino e tio de Suzana, ambos canonizados.

Caio foi eleito no dia 17 de dezembro de 283. Governou a Igreja durante treze anos, num período de longa trégua nas perseguições anticristãs, que já vinham sendo bem atenuadas. Também ocorria uma maior abertura na obtenção de concessões para as construções de novas igrejas, bem como para as ampliações dos cemitérios cristãos. Ele contou com a ajuda de seu irmão, padre Gabino, e da sobrinha Suzana, que se havia consagrado a Cristo.

Antes de ser escolhido papa, os dois irmãos sacerdotes tinham transformado em igreja a casa em que residiam. Lá, ouviam os aflitos, pecadores; auxiliavam os pobres e doentes; celebravam as missas, distribuíam a eucaristia e ministravam os sacramentos do batismo e do matrimônio. Isso porque a Igreja não tinha direito à propriedade, pois não era reconhecida pelo Império.

O grande contratempo enfrentado pelo papa Caio deu-se no âmbito interno do próprio clero, devido à crescente multiplicação de heresias, criando uma grande confusão aos devotos cristãos. A última, pela ordem cronológica, na época, foi a de "Mitra". Esta heresia era do tipo maniqueísta, de origem asiática, pela qual Deus assumia em si a contraposição celeste da luz e da treva. Tal heresia e outras ele baniu por completo, criando harmonia entre os cristãos.

Conforme antigos escritos da Igreja, apesar do parentesco com o imperador o papa se recusou a ajudar Diocleciano, que pretendia receber a sobrinha dele como sua futura nora Segundo se verificou nos antigos escritos, esse teria sido o motivo da ira do soberano ao assinar o severo decreto que mandou matar todos os cristãos, começando pelos três parentes.

Papa Caio morreu decapitado em 22 de abril de 296. A Igreja confirmou a sua santificação e o seu martírio, até pelo fato de Diocleciano ter encerrado por completo as perseguições somente no ano 303.

As suas relíquias foram depositadas primeiro no cemitério de São Calisto. Depois, em 631, foram trasladadas para a igreja que foi erguida no local da casa onde ele viveu, em Roma. A Igreja o reverencia com o culto litúrgico marcado para o dia de sua morte. 




Poucas são as informações biográficas de Sotero. Foi papa entre 166 e 175, período em que ser cristão era muito difícil e perigoso. Ele foi eleito o sucessor do papa Aniceto, que morreu em 165. Nasceu na cidade de Fondi, na Campânia, Itália, e seu pai se chamava Concórdio.

Durante o seu pontificado, a Igreja ampliou-se bastante. Ele mesmo ordenou inúmeros diáconos, sacerdotes e bispos; e seu pontificado foi exemplar. Disciplinou, por meio das leis canônicas, a participação das mulheres na Igreja, que até então não tinham seu caminho muito bem definido. Mas, sobretudo, o papa Sotero combateu com grande valentia e coragem as heresias que pairavam sobre a Igreja dos tempos iniciais do cristianismo.

No seu tempo, foi extinta a heresia de Montano, que propunha um exagerado rigor de costumes. Era uma doutrina de medo e de pessimismo, porque o fim do mundo sempre poderia acontecer a qualquer momento. Supondo isso, todos os cristãos deveriam viver numa santidade irreal, renunciando ao matrimônio e buscando o sofrimento da penitência constante, porque, segundo Montano, a Igreja não tinha faculdades para perdoar os pecados. Essa doutrina, que também era defendida por Tertuliano e, principalmente, Novaciano, foi condenada pela Igreja na época do papa Sotero.

Ele defendeu a doutrina ensinada por Jesus Cristo e que a Igreja sempre continuou praticando, ou seja, que para o pecador verdadeiramente arrependido não existe pecado, por maior que seja, a que não se possa conceder o perdão. Assim, desapareceu o clima de rigor e pessimismo que tanto atormentava os cristãos, tão contrário ao da doutrina do Evangelho, que prega o amor, o perdão, a alegria e a esperança.

Outra característica do papa Sotero foi sua ardente caridade para com os necessitados. Ele desejava que se vivesse como os primeiros cristãos, citados nos textos dos apóstolos, onde "tudo era comum entre eles" e onde "todos eram um só coração e uma só alma..." Papa Sotero pedia esmolas para as dioceses mais ricas, para que fossem distribuídas entre as mais pobres e esforçava-se "por tratar a todos com palavras e obras, como um pai trata os seus filhos".

Ele foi um eloqüente defensor dos cristãos perseguidos e deixou isso registrado na carta que enviou especialmente para os de Corinto. Os vestígios dela foram encontrados quando Eusébio de Cesaréia entregou a ele a eufórica resposta de Dionísio, em agradecimento pelo conforto que o valoroso papa levou aos corações aflitos pela morte iminente.


Provavelmente, foi este corajoso apoio que levou ao martírio o papa Sotero, que morreu em 20 ou 22 de abril de 175, pela perseguição do imperador Marco Aurélio. Segundo uma antiga tradição, mantida pela Igreja, são Sotero é homenageado no dia 22 de abril.

Fonte: Paulinas, Fonte 2: Paulinas

terça-feira, 21 de abril de 2015

21 de Abril - Santo Anselmo, Bispo, confessor e doutor



Anselmo fugiu de casa para poder tornar-se um religioso. Para ele o significado do ato ia além de abandonar a proteção paterna, significava esquecer toda a fortuna e influência que sua família possuía.

Anselmo nasceu em Aosta, no norte da Itália, em 1033, e seu pai freqüentava as rodas da nobreza reinante. Por isso projetou para o filho uma carreira que manteria e até aumentaria a fortuna do clã, razão pela qual se opunha rigidamente à vontade do filho de tornar-se sacerdote. Como Anselmo perdera a mãe muito cedo, e tinha um coração doce e manso, como registram os escritos, fez a vontade do pai até os vinte anos.

Mas, dentro de si, a tristeza crescia. Anselmo queria dedicar-se de corpo e alma à sua fé, contrária à vida mundana de festas em meio ao luxo e à riqueza. Estudava com os beneditinos e sua vocação o chamava a todo instante. Assim, um dia não agüentou mais e fugiu de casa.

Vagou pela Borgonha e pela França até chegar à Normandia, onde, então, se entregou aos estudos religiosos, sob a orientação do monge Lanfranco. Em pouco tempo, ordenou-se e formou-se teólogo. Tão rapidamente quanto sua alma desejava, viu-se eleito abade do mosteiro e professor. Passou, então, a pregar pelas redondezas e, como o cargo o permitia, a liderar a implantação de uma grande reforma monástica.

Como seu trabalho lhe trouxe renome, passou a influenciar intelectualmente na sua época, tanto espiritual quanto materialmente, por meio do que escrevia. Foram tantos os escritos deixados por ele que é considerado o fundador da ciência teológica no Ocidente.

Chegou a arcebispo-primaz da Inglaterra. Conta-se que enfrentou duras perseguições do rei Guilherme, o Vermelho, e de Henrique I. Mas tinha a fala tão mansa e argumentos tão pacíficos que com eles desarmava seus inimigos e virava o jogo a seu favor.

Anselmo morreu em Canterbury, com setenta e seis anos, no dia 21 de abril de 1109, e foi declarado "doutor da Igreja" pelo papa Clemente XI em 1720.

Fonte: Paulinas

domingo, 19 de abril de 2015

A tirania da igualdade. Notas sobre a divisão do trabalho

Felipe Marques Pereira*

A desigualdade é um dos motores da caridade e também da divisão do trabalho. Ela foi objeto de reflexão do filósofo Platão que já observara que ninguém pode executar de forma excelente várias atividades nem produzir com qualidade diferentes bens se não direcionar sua aptidão para uma especialidade. Mas Karl Marx, que trabalhou pouco e vivia pedindo dinheiro emprestado, acreditava que na ditadura do proletariado a divisão do trabalho seria abolida e um gari poderia ao mesmo tempo varrer a rua e governar o país.

Assim como num organismo biológico os órgãos exercem determinadas e especificas funções que o tornam membros de um corpo e que contribuem para a manutenção da vida, a divisão do trabalho torna os indivíduos membros da sociedade.

Historicamente a desigualdade das capacidades e habilidades humanas foi um dos fatores que contribuiu para o desenvolvimento da divisão do trabalho, e de fato seria um tirania exigir que indivíduos incapazes de exercer certas atividades fossem obrigados a executá-las. É uma maldade, uma monstruosidade convencer as pessoas de que elas são capazes de algo que elas não são, e é também sancionar a ineficiência. É esse espírito que esta por trás das políticas trabalhistas do PT, a chamada "inclusão no mercado de trabalho" e também as cotas de todo o tipo, onde a cor da pele ou a orientação sexual é motivo de aprovação.

O que seria de um país onde o "sonho" de Marx se concretizasse e um gari varresse a rua e liderasse uma nação? Onde uma lavadeira esfregasse cuecas sujas e comandasse o ministério da fazenda por exemplo? Obviamente um pesadelo.

Vamos ouvir o santo padre Papa Leão XIII na Carta IMMORTALE DEI (1885) falando sobre a Constituição Cristã dos Estados e condenando os princípios do "Direito Novo" *:

["É a essa fonte que cumpre fazer remontar esses princípios modernos de liberdade desenfreada, sonhados e promulgados por entre as grandes perturbações do século último, como os princípios e fundamentos de um "direito novo", até então desconhecidos e sobre mais de um ponto em desacordo não somente com o direito cristão, mas com o direito natural. Eis aqui o primeiro de todos esses princípios: todos os homens, já que são da mesma raça e da mesma natureza, são semelhantes e "ipso facto", iguais entre si na prática da vida; cada um depende tão bem só de si, que de modo algum está sujeito à autoridade de outrem"] (OS NEGRITOS SÃO NOSSOS).

O homem moderno é um ser social, não apenas um ser cujas necessidades materiais não podem ser supridas caso vivesse em completo isolamento, mas também um homem que não alcançou ou o pleno desenvolvimento de suas capacidades racionais e perceptivas.

A Santa Madre Igreja vê a o universo criado por Deus como profundamente desigual e uma ordem só é possível num universo desigual. A hierarquia igualmente tem como um de seus fundamentos a desigualdade.

Comunistas e liberais, se bem que com pretextos diferentes, fazem eco das palavras de Satanás ao proporem a igualdade:

“Porque Deus sabe que no dia em que dele comerdes se abrirão os vossos olhos, e sereis como Deus, sabendo o bem e o mal” (GN 3:4-5)

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Essa coluna esta sendo atualizada todos os domingos.

* Felipe Marques Pereira é um escritor conservador. Católico leigo estudou na PUC/PR. Para entrar em contato envie um e-mail para:

felipemarquespereira2015@outlook.com


*http://w2.vatican.va/content/leo-xiii/pt/encyclicals/documents/hf_l-xiii_enc_01111885_immortale-dei.html



sábado, 18 de abril de 2015

II Dom. depois da Páscoa: "Eu sou o bom pastor. Conheço as minhas ovelhas e as minhas ovelhas conhecem a mim, dou a minha vida pelas minhas ovelhas"






Diz-nos São Pedro na Epístola que Jesus é o pastor de nossas almas, perdidas tantas vezes pelos atalhos da vida, errando longe do redil. E que o Senhor veio dar a vida por elas e agregá-las à sua volta, não duvidando para fazer, como o evangelho acentua, deixar no deserto as noventa e nove e ir por moitas e algares à procura da desgarrada que se perdera.
Lembremo-nos que os sacerdotes são os legítimos continuadores deste pastor divino e sejamos dóceis à sua palavra e rezemos por eles para que sejam dignos do seu ministério.

Epístola

Leitura da Epístola de São Pedro Apóstolo (IPedr 2, 21-25). Caríssimos: Cristo padeceu por vós, deixando-vos exemplo para que sigais os seus passos. Ele não cometeu pecado, nem se achou falsidade em sua boca (Is 53,9). Ele, ultrajado, não retribuía com idêntico ultraje; ele, maltratado, não proferia ameaças, mas entregava-se àquele que julga com justiça. Carregou os nossos pecados em seu corpo sobre o madeiro para que, mortos aos nossos pecados, vivamos para a justiça. Por fim, por suas chagas fomos curados (Is 53,5). Porque éreis como ovelhas desgarradas, mas agora retornastes ao Pastor e guarda das vossas almas.





Evangelho de Domingo: 
Continuação do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São João (10, 11-16): Naquele tempo:
Disse Jesus: Eu sou o bom pastor. O bom pastor expõe a sua vida pelas ovelhas.
O mercenário, porém, que não é pastor, a quem não pertencem as ovelhas, quando vê que o lobo vem vindo, abandona as ovelhas e foge; o lobo rouba e dispersa as ovelhas.
O mercenário, porém, foge, porque é mercenário e não se importa com as ovelhas.
Eu sou o bom pastor. Conheço as minhas ovelhas e as minhas ovelhas conhecem a mim,
como meu Pai me conhece e eu conheço o Pai. Dou a minha vida pelas minhas ovelhas.
Tenho ainda outras ovelhas que não são deste aprisco. Preciso conduzi-las também, e ouvirão a minha voz e haverá um só rebanho e um só pastor.


Lefebvre, Dom Gaspar. Missal Quotidiano e Vesperal. Bruges, Bélgica; Abadia de S. André, 1960.

terça-feira, 14 de abril de 2015

14 de Abril - São Justino, Mártir


Justino nasceu na cidade de Flávia Neápolis, na Samaria, Palestina, no ano 103, início do século II, quando o cristianismo ainda se estruturava como religião católica. Tinha origem latina e seu pai se chamava Prisco.

Ele foi educado e se formou nas melhores escolas do seu tempo, cursando filosofia e especializando-se nas teorias de Platão. Tinha alma de eremita e abandonou a civilização para viver na solidão. Diz a tradição que foi nessa fase de isolamento que recebeu a visita de um misterioso ancião, que lhe falou sobre o Evangelho, as profecias e seu cumprimento com a Paixão de Jesus, abalando suas convicções e depois desaparecendo misteriosamente.

Anos mais tarde, acompanhou uma sangrenta perseguição aos cristãos, conversou com outros deles e acabou convertendo-se, mesmo tendo conhecimento das penas e execuções impostas aos seguidores da religião cristã. Foi batizado no ano 130 na cidade de Efeso, instante em que substituiu a filosofia de Platão pela verdade de Cristo, tornando-se, historicamente, o primeiro dos Padres da Igreja que sucederam os Padres apostólicos dos primeiros tempos.

No ano seguinte estava em Roma, onde passou a travar discussões filosóficas, encaminhando-as para a visão do Evangelho. Muito culto, era assim que evangelizava entre os letrados, pois esse era o mundo onde melhor transitava. Era um missionário filósofo, que, além de falar, escrevia.

Deixou muitos livros importantes, cujos ensinamentos influenciaram e ainda estão presentes na catequese e na doutrina dogmática da Igreja. Embora tenham alcançado nossos tempos apenas três de suas apologias, a mais célebre delas é o Diálogo com Trifão. Seus registros abriram caminhos à polêmica antijudaica na literatura cristã, além de fornecerem-nos importantes informações sobre ritos e administração dos sacramentos na Igreja primitiva. 

Bem-sucedido em todas as discussões filosóficas, conseguiu converter muitas pessoas influentes, ganhando com isso muitos inimigos também. Principalmente a ira dos filósofos pagãos Trifão e Crescêncio. Este último, após ter sido humilhado pelos argumentos de Justino, prometeu vingança e o denunciou como cristão ao imperador Marco Aurélio.
Justino foi levado a julgamento e, como não se dobrou às ameaças, acabou flagelado e decapitado com outros companheiros, que como ele testemunharam sua fé em Cristo no ano 164, em Roma, Itália.


domingo, 12 de abril de 2015

A doutrina Luterana percursora das ideologias totalitárias


Felipe Marques Pereira*

Martinho Lutero pregava uma doutrina que foi a percursora das ideologias que originaram os modernos Estados totalitários. A mudança político - social mediante a concentração de poder nas mãos de um indivíduo, grupo ou instituição já aparece na sua doutrina do príncipe divino.

Para Lutero o governante deveria administrar a Igreja; nomear os bispos, padres e elaborar os artigos de fé. É evidente que o tal "príncipe divino" não nomearia para um cargo eclesiástico alguém que contrariasse suas decisões políticas, eliminando assim a concorrência entre os poderes, base de uma sociedade que ainda pode oferecer alguma liberdade para os seus cidadãos. A Igreja inevitavelmente passaria a se transformar em um instrumento político entregue aos interesses e caprichos dos governantes. Até as ideias do comunista Gramsci já estavam aí, claramente antecipadas.

Essa doutrina foi posta em prática na Inglaterra pelo rei Henrique VIII, fundador da seita Anglicana.

Atualmente circulam muitos estudos que constatam a relação entre o capitalismo e o protestantismo e de como as doutrinas heréticas do reformador Calvino serviram de base para o moderno sistema econômico capitalista. Mas uma rápida análise das propostas dos hereges reformadores nos permite verificar os princípios do que viriam a se tornar mais tarde as ideologias que deram suporte aos modernos Estados totalitários.

De Lutero a Karl Marx existe uma unidade de pensamento que o filósofo alemão Eric Voegelin resumiu assim [1]:

< O mundano - político e o sagrado foram de tal modo interpenetrados, o Estado e a Igreja de tal modo unificados que as oposições entre o espiritual e o temporal aí se tornaram desprovidos de sentido >

Nesse processo o governante se torna o Sumo Pontífice de todas as relações; do homem consigo mesmo, do homem com o outro e do homem com Deus. Função que séculos depois Karl Marx vai atribuir ao Estado Comunista. Em que se concentra todo o poder político e econômico. Um processo de Sacralização da Política que Voegelin erroneamente classificou como gnóstica sendo antes panteísta e utópica.

No Brasil petista o governo é o provedor de todos os bens, e no lugar da providência divina temos a previdência social, a Fome Zero o Bolsa Família o ProUni e por aí vai.

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Notas

[1] VOEGELIN, Eric. As Religiões Políticas. Editora Universidade de Brasília, 1982, 2ª edição.
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* Felipe Marques Pereira é um escritor conservador. Católico leigo estudou na PUC/PR. Para entrar em contato envie um e-mail para:

felipemarquespereira2015@outlook.com

sábado, 11 de abril de 2015

DOMINGO IN ALBIS - PRIMEIRO DOMINGO DEPOIS DA PÁSCOA (Oitava de Páscoa)

Elias, O Profeta











Chama-se este domingo -Quasi modo - das primeiras palavras do intróito e in albis porque nele depunha-se outrora os neófitos a túnica branca do batismo.
Para ensinar a seus filhos recém-nascidos para a graça com que generosidade devem confessar o nome de Jesus, a Igreja condu-los a Basílica de São Pancrácio, que, de doze anos, rendeu ao Senhor o testemunho do seu sangue.

Todo o cristão deve dar testemunho de Cristo. A fé no filho de Deus ressuscitado dar-lhe-á coragem para vencer o mundo, como diz São João. É necessário, pois, que esta fé em Jesus tenha uma base sólida; e a Igreja no-la oferece na missa de hoje. Esta fé tem que ter por base, diz São João, o testemunho das três pessoas divinas e o da água, do sangue e do espírito que no batismo, no calvário e na vida da Igreja e dos cristãos dá testemunho da divindade de Jesus. A dupla aparição do Senhor aos Apóstolos e a incredulidade de Tomé que cede a evidência mas nos confirmam nesta fé.

Pela nossa crença esclarecida e forte e pela nossa conduta impoluta rendamos a divindade do Senhor, no meio desta sociedade corrompida, o testemunho sincero da nossa alma.

Epístola
Leitura da Epístola de São João Apóstolo (Ijo 5, 4-10). Amados Irmãos: porque todo o que nasceu de Deus vence o mundo. E esta é a vitória que vence o mundo: a nossa fé. Quem é o vencedor do mundo senão aquele que crê que Jesus é o Filho de Deus? Ei-lo, Jesus Cristo, aquele que veio pela água e pelo sangue; não só pela água, mas pela água e pelo sangue. E o Espírito é quem dá testemunho dele, porque o Espírito é a verdade. São, assim, três os que dão testemunho: o Espírito, a água e o sangue; estes três dão o mesmo testemunho. Aceitamos o testemunho dos homens. Ora, maior é o testemunho de Deus, porque se trata do próprio testemunho de Deus, aquele que ele deu do seu próprio Filho. Aquele que crê no Filho de Deus tem em si o testemunho de Deus. Aquele que não crê em Deus, o faz mentiroso, porque não crê no testemunho que Deus deu a respeito de seu Filho.

Evangelho de Domingo:

Continuação do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São João (20, 19-31): : Naquele tempo Na tarde do mesmo dia, que era o primeiro da semana, os discípulos tinham fechado as portas do lugar onde se achavam, por medo dos judeus. Jesus veio e pôs-se no meio deles. Disse-lhes ele: A paz esteja convosco! Dito isso, mostrou-lhes as mãos e o lado. Os discípulos alegraram-se ao ver o Senhor.  Disse-lhes outra vez: A paz esteja convosco! Como o Pai me enviou, assim também eu vos envio a vós. Depois dessas palavras, soprou sobre eles dizendo-lhes: Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados; àqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos. Tomé, um dos Doze, chamado Dídimo, não estava com eles quando veio Jesus. Os outros discípulos disseram-lhe: Vimos o Senhor. Mas ele replicou-lhes: Se não vir nas suas mãos o sinal dos pregos, e não puser o meu dedo no lugar dos pregos, e não introduzir a minha mão no seu lado, não acreditarei! Oito dias depois, estavam os seus discípulos outra vez no mesmo lugar e Tomé com eles. Estando trancadas as portas, veio Jesus, pôs-se no meio deles e disse: A paz esteja convosco! Depois disse a Tomé: Introduz aqui o teu dedo, e vê as minhas mãos. Põe a tua mão no meu lado. Não sejas incrédulo, mas homem de fé. Respondeu-lhe Tomé: Meu Senhor e meu Deus! Disse-lhe Jesus: Creste, porque me viste. Felizes aqueles que crêem sem ter visto! Fez Jesus, na presença dos seus discípulos, ainda muitos outros milagres que não estão escritos neste livro. Mas estes foram escritos, para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais a vida em seu nome..
 

Lefebvre, Dom Gaspar. Missal Quotidiano e Vesperal. Bruges, Bélgica; Abadia de S. André, 1960.

SÁBADO DE PASCOELA (OITAVA DE PÁSCOA)

Elias, O Profeta





Os neófitos ao saírem da fonte da regeneração recebiam uma túnica branca para simbolizar a graça que haviam recebido, segundo aquilo que o Apóstolo disse: "Vós que fostes batizados em Cristo revesti-vos de Cristo". Conservavam-na durante uma semana, e no sábado in albis depunham-na. Ao contemplar à volta de si estes novos filhos, a Igreja aconselha-os a beber do leite espiritual e a assentar na pedra angular que é o filho de Deus.
Em toda esta passagem da Epístola de São Pedro sente-se um não sei que de nobre altivez, que de cultivar todo o cristão consciente da sua grandeza.

Epístola

Leitura da Epístola de São Pedro Apóstolo (IPed 2, 1-10). Caríssimos Irmãos: Deponde, pois, toda malícia, toda astúcia, fingimentos, invejas e toda espécie de maledicência. Como crianças recém-nascidas desejai com ardor o leite espiritual que vos fará crescer para a salvação, se é que tendes saboreado quão suave é o Senhor (Sl 33,9). Achegai-vos a ele, pedra viva que os homens rejeitaram, mas escolhida e preciosa aos olhos de Deus; e quais outras pedras vivas, vós também vos tornais os materiais deste edifício espiritual, um sacerdócio santo, para oferecer vítimas espirituais, agradáveis a Deus, por Jesus Cristo. Por isso lê-se na Escritura: Eis que ponho em Sião uma pedra angular, escolhida, preciosa: quem nela puser sua confiança não será confundido (Is 28,16). Para vós, portanto, que tendes crido, cabe a honra. Mas, para os incrédulos, a pedra que os edificadores rejeitaram tornou-se a pedra angular, uma pedra de tropeço, uma pedra de escândalo (Sl 117,22; Is 8,14). Nela tropeçam porque não obedecem à palavra; e realmente era tal o seu destino. Vós, porém, sois uma raça escolhida, um sacerdócio régio, uma nação santa, um povo adquirido para Deus, a fim de que publiqueis as virtudes daquele que das trevas vos chamou à sua luz maravilhosa. Vós que outrora não éreis seu povo, mas agora sois povo de Deus; vós que outrora não tínheis alcançado misericórdia (Os 2,25), mas agora alcançastes misericórdia.



Evangelho do dia:

Continuação do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São João (20, 1-9): Naquele tempo:
No primeiro dia que se seguia ao sábado, Maria Madalena foi ao sepulcro, de manhã cedo, quando ainda estava escuro. Viu a pedra removida do sepulcro.
Correu e foi dizer a Simão Pedro e ao outro discípulo a quem Jesus amava: Tiraram o Senhor do sepulcro, e não sabemos onde o puseram! Saiu então Pedro com aquele outro discípulo, e foram ao sepulcro. Corriam juntos, mas aquele outro discípulo correu mais depressa do que Pedro e chegou primeiro ao sepulcro. Inclinou-se e viu ali os panos no chão, mas não entrou. Chegou Simão Pedro que o seguia, entrou no sepulcro e viu os panos postos no chão.
Viu também o sudário que estivera sobre a cabeça de Jesus. Não estava, porém, com os panos, mas enrolado num lugar à parte. Então entrou também o discípulo que havia chegado primeiro ao sepulcro. Viu e creu. Em verdade, ainda não haviam entendido a Escritura, segundo a qual Jesus devia ressuscitar dentre os mortos.



Lefebvre, Dom Gaspar. Missal Quotidiano e Vesperal. Bruges, Bélgica; Abadia de S. André, 1960

sexta-feira, 10 de abril de 2015

SEXTA-FEIRA DE PÁSCOA (OITAVA DE PÁSCOA)



Elias, O Profeta


A Igreja depois de reunir os neófitos em Latrão, em Santa Maria Maior, em São Pedro, São Paulo, São Lourenço e nos doze Apóstolos, faz a estação hoje na Basílica de Todos os mártires e sua Rainha, no antigo Panteão dos Césares que encerra para nós o símbolo perfeito da vitória da Cruz.
A liturgia deste ciclo faz-nos ver em Noé e Moisés as figuras dos acontecimentos e mistérios da Páscoa. E a missa de hoje completa e declara esta doutrina, recordando-nos no intróito, Epístola e Ofertório que a aliança estabelecida por Deus outrora com Noé e com os deles que sobreviveram ao dilúvio e depois reafirmada com Moisés e com o seu povo salvo das águas do mar vermelho, era imagem e sombra da aliança nova em favor daqueles que salvos pelo batismo entraram na terra da promessa e da adoção dos filhos de Deus.
Na cruz, com efeito, o Senhor destruiu o pecado e com a sua ressurreição deu às almas a vida na graça.
Sejamos fiéis aos compromissos que tomamos no batismo, que nos admitiu ao grande mistério de vida e de morte com que selou o Senhor o pacto da reconciliação humana.

Epístola

Leitura da Epístola de São Pedro Apóstolo (IPed 3,18-22). Carríssimos Irmãos: Pois também Cristo morreu uma vez pelos nossos pecados - o Justo pelos injustos - para nos conduzir a Deus. Padeceu a morte em sua carne, mas foi vivificado quanto ao espírito. É neste mesmo espírito que ele foi pregar aos espíritos que eram detidos no cárcere, àqueles que outrora, nos dias de Noé, tinham sido rebeldes, quando Deus aguardava com paciência, enquanto se edificava a arca, na qual poucas pessoas, isto é, apenas oito se salvaram através da água. Esta água prefigurava o batismo de agora, que vos salva também a vós, não pela purificação das impurezas do corpo, mas pela que consiste em pedir a Deus uma consciência boa, pela ressurreição de Jesus Cristo. Esse Jesus Cristo, tendo subido ao céu, está assentado à direita de Deus, depois de ter recebido a submissão dos anjos, dos principados e das potestades.



Evangelho do dia:

Continuação do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São Mateus (28, 16-20): Naquele tempo:
Os onze discípulos foram para a Galiléia, para a montanha que Jesus lhes tinha designado.
Quando o viram, adoraram-no; entretanto, alguns hesitavam ainda.
Mas Jesus, aproximando-se, lhes disse: Toda autoridade me foi dada no céu e na terra.
Ide, pois, e ensinai a todas as nações; batizai-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.
Ensinai-as a observar tudo o que vos prescrevi. Eis que estou convosco todos os dias, até o fim do mundo.


Lefebvre, Dom Gaspar. Missal Quotidiano e Vesperal. Bruges, Bélgica; Abadia de S. André, 1960.