sábado, 30 de maio de 2015

FESTA DA SANTÍSSIMA TRINDADE - Iº Domingo Depois de Pentecostes





Elias, O Profeta

O Espírito Santo cujo advento celebramos no dia de Pentecostes veio nos recordar neste última parte do ano (do pentecostes ao advento, 6 meses).  O que Jesus nos ensinou já na primeira (Do advento a Santíssima Trindade 06 meses). O dogma fundamental em torno do qual todo o cristianismo gravita é este da Santíssima Trindade, de quem tudo nos vem e a todos os que receberem o sinete do seu nome deve regressar. Depois de nos lembrar no decorrer do ano litúrgico o Pai Criador, o Filho Redentor e o Espírito Santificador e regenerador das almas, a Igreja recapitula hoje antes de mais os elementos fundamentais ao grande mistério em que adoramos a Deus uno em natureza e trino em pessoas.

Depois de celebrarmos a efusão do Espírito Santo, dizia São Roberto no Século XII, festejamos logo a seguir, no Domingo a Trindade Santíssima; e é bem feita  esta escolha, porque logo após a vinda do Divino Espírito Santo começou a pregação da fé e com a pregação da Santa Fé a administração do Santo Batismo em nome do Pai, do Filho, e do Espírito Santo".

O dogma da Santíssima Trindade aparece constantemente na Liturgia da Igreja. É em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo que se começa e acaba a missa, ofícios litúrgicos e os sacramentos. Todo salmo e fecham pelo Gloria patri. Os hinos pela doxologia e todas as orações concluem em termos cheios de devoção e de ternura para com as três Pessoas divinas. O Dogma da Santíssima Trindade resplandesce ainda nos templos. Os nosso avós compraziam-se em simbolizá-los na altura, na largura e no comprimento admiravelmente proporcionados das igrejas, no coro, nas naves, no trifório, nas três portas e muitas das vezes nas três torres. Sempre em toda parte, no mais pequeno pormenor da onamentação, o número três tem lugar de honra, marca um plano refletido, um pensamento de fé na Santíssima Trindade. A iconografia cristã também nos traduz, de diferente maneira, o mesmo pensamento.

Até o Século XII era comum representar o Pai por uma mão que saia das nuvens do céu a abençoar. Nos séculos XIII e XIV começou a aparecer a face e depois o busto inteiro. A partir do século XV começou o Pai a ser representado por um ancião usando vestes pontificais. Até o século XII a segunda pessoa da Santíssima Trindade era figurada com mais freqüência pela cruz ou pelo cordeiro, ou ainda por um jovem gracioso do jeito de Apolo do paganismo. Do século XI  ao XV, é o Cristo forte, já no vigor da idade, que nos aparece. A partir do Século XVI entra o costume de lhe por a cruz e de o representar freqüentemente pelo cordeiro. - O Espírito Santo aparecia nos primeiros séculos representado pela figura mais tradicional da pomba, tocando com as asas bertas na boca do Pai e na do Filho como argumento de sua procedência. A partir do século XI é a figura de um menino que encontramos por vezes.  No século XV, a terceira da santíssima trindade, assume proporções de um homem, semelhante ao Pai e o Filho, somente com a pomba nas mãos ou na cabeça para distinguir das outras pessoas. Depois do século XVI a pomba volta a tomar o lugar exclusivo na representação do Espírito Santo.

A Geometria concorreu também para a simbologia da Santíssima Trindade. O trevo teve por sua vez lugar de relevância na simbologia tradicional, e igualmente os três círculos enlaçados com a palavra unidade inscrito pelo lugar vazio pela intercessão. Foi ainda representada por uma cabeça com três faces distintas. Urbano VIII porém, em 1628 proibiu reproduzir esta perigosa e ridícula interpretação do grande mistério do Cristianismo.

A festa da Santíssima Trindade deve a sua Origem ao fato das ordenações do Sábado das Quatro Têmporas e celebrarem a tarde e se prolongarem até de manhã, não tendo o Domingo por este motivo liturgia própria. Como todos os domingos são consagrados à Santíssima Trindade, celebra-se no primeiro depois de pentecostes a missa votiva, composta no Século VII em honra deste mistério.

Façamos hoje, conformando-nos ao espírito da liturgia, na Santíssima e Eterna Trindade e na sua indivisível unidade.

Epístola do Domingo:

Leitura da Epístola de São Paulo Apóstolo aos Romanos (Rom 2, 33-36) - Ó abismo de riqueza, de sabedoria e de ciência em Deus! Quão impenetráveis são os seus juízos e inexploráveis os seus caminhos! Quem pode compreender o pensamento do Senhor? Quem jamais foi o seu conselheiro? Quem lhe deu primeiro, para que lhe seja retribuído? Dele, por ele e para ele são todas as coisas. A ele a glória por toda a eternidade! Amém.
Evangelho de Domingo:
Continuação do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São Mateus (28, 18-20): Naquele tempo:
Jesus, aproximando-se, lhes disse: Toda autoridade me foi dada no céu e na terra.
Ide, pois, e ensinai a todas as nações; batizai-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.
Ensinai-as a observar tudo o que vos prescrevi. Eis que estou convosco todos os dias, até o fim do mundo.

Lefebvre, Dom Gaspar. Missal Quotidiano e Vesperal. Bruges, Bélgica; Abadia de S. André, 1960.

Benedicta sit sancta Trinitas atque indivisa Unitas

SÁBADO DAS TÊMPORAS DE PENTECOSTES

Elias, O Profeta



"O Temor de Deus é o fundamento dos outros dons. Defende-nos do pecado, porque nos faz considerar o respeito que devemos a justiça divina e a sua majestade" (Pe. Meschler).

Por motivo das ordenações a estação de hoje celebrava-se na basílica de São Pedro, que é pastor do rebanho de Jesus Cristo. O Espírito Santo depois de ter dado, na vigília de Pentecostes, à Igreja numerosos filhos, vai lhe dar hoje também novos sacerdotes que serão instrumentos da sua graça no mundo. Vai se derramar sobre eles como se derramou outrora sobre os Apóstolos a graça superabundante do Espírito Santo anunciado por Joel.

Já fizemos notar que as missas de sábado das Quatro Têmporas têm sempre cinco lições entre o Intróito e a Epístola e que a 5ª é invariavelmente a relação ao martírio dos três mancebos de Babilônia. A oração da missa inspira-se neste passo da Escritura e pede à Divina Bondade que nos defenda da chama das paixões e dos vícios. As leituras aludem a colheita e à oferenda das primícias, porque as Quatro Têmporas foram instituídas precisamente para obter a benção de Deus para a nova estação que principia. Quando os israelitas entraram na terra da promissão, ofereceram a Deus os primeiros frutos da terra. Havendo entrado na terra em que o Filho de Deus no legou, quer dizer, na Igreja Católica, ofereçamos também por nossa parte ao Senhor todos os frutos que a graça produzir em nós.

Primeira leitura

Leitura do profeta Joel (2, 28-32) : Eis o que diz o Senhor Deus: Derramarei o meu Espírito sobre todo ser vivo: vossos filhos e vossas filhas profetizarão; vossos anciãos terão sonhos, e vossos jovens terão visões. Naqueles dias, derramarei também o meu Espírito sobre os escravos e as escravas. Farei aparecer prodígios no céu e na terra, sangue, fogo e turbilhões de fumo. O sol converter-se-á em trevas e a lua, em sangue, ao se aproximar o grandioso e temível dia do Senhor. Mas todo o que invocar o nome do Senhor será poupado, porque, sobre o monte Sião e em Jerusalém, haverá um resto, como o Senhor disse, e entre os sobreviventes estarão os que o Senhor tiver chamado.

Segunda Leitura:

Leitura do Livro do Levítico (23, 9-11; 15-17 e 21) : Naqueles dias: O Senhor disse a Moisés: “Dize aos israelitas o seguinte: quando tiverdes entrado na terra que vos hei de dar, e fizerdes a ceifa, trareis ao sacerdote um molho de espigas como primícias de vossa ceifa. O sacerdote agitará esse molho de espigas diante do Senhor, para que ele vos seja favorável: fará isso no dia seguinte ao sábado. “A partir do dia seguinte ao sábado, desde o dia em que tiverdes trazido o molho para ser agitado, contareis sete semanas  completas. Contareis cinqüenta dias até o dia seguinte ao sétimo sábado, e apresentareis ao Senhor uma nova oferta. Trareis de vossa casa dois pães feitos de dois décimos de flor de farinha, cozidos com fermento, para agitá-los como oferta; são as primícias do Senhor. Nesse mesmo dia anunciareis a festa e convocareis uma santa assembléia: não fareis trabalho algum servil. Esta é uma lei perpétua para vossos descendentes, em qualquer lugar onde habitardes.
Terceira leitura:
Leitura do Livro do Deuteronomio (26,1-11) : Naqueles dias: Disse Moisés aos filhos de Israel: Ouvi Israel, Quando tiveres entrado na terra que o Senhor, teu Deus, te dá em herança, e ali te tiveres estabelecido, tomarás as primícias de todos os frutos do solo, que colheres na terra que te dá o Senhor, teu Deus, e, pondo-as num cesto, irás ao lugar escolhido pelo Senhor, teu Deus, para aí habitar seu nome. Apresentar-te-ás diante do sacerdote, que estiver em serviço naquele momento, e lhe dirás: reconheço hoje, diante do Senhor, meu Deus, que entrei na terra que o Senhor tinha jurado a nossos pais nos dar. O sacerdote, recebendo o cesto de tua mão depô-lo-á diante. do altar do Senhor, teu Deus. Dirás então em presença do Senhor, teu Deus: meu pai era um arameu prestes a morrer, que desceu ao Egito com um punhado de gente para ali viverem como forasteiros, mas tornaram-se ali um povo grande, forte e numeroso. Os egípcios afligiram-nos e oprimiram-nos, impondo-nos uma penosa servidão. Clamamos então ao Senhor, o Deus de nossos pais, e ele ouviu nosso clamor, e viu nossa aflição, nossa miséria e nossa angústia. O Senhor tirou-nos do Egito com sua mão poderosa e o vigor de seu braço, operando prodígios e portentosos milagres. Conduziu-nos a esta região e deu-nos esta terra que mana leite mel. Por isso trago agora as primícias dos frutos do solo que me destes, ó Senhor. Dito isto, deporás o cesto diante do Senhor, teu Deus, prostrando-te em sua presença. Depois, alegrar-te-ás por todos os bens que o Senhor, teu Deus, te tiver dado, a ti e à tua casa, tu e o levita, e o estrangeiro que mora no meio de ti.

Quarta leitura:

Leitura do Livro de Levítico (26, 3-12) : Naqueles dias disse o Senhor a Moisés: Falarás aos filhos de Israel e lhes dirá: Se seguirdes minhas leis e guardardes os meus preceitos e os praticardes, eu vos darei as chuvas nos seus tempos. A terra dará o seu produto e as árvores da terra se carregarão de frutos. A debulha do trigo prolongar-se-á até a vindima, e a vindima até a sementeira; comereis o vosso pão à saciedade, e habitareis em segurança na vossa terra. Darei paz à vossa terra, e vosso sono não será perturbado. Afastarei da terra os animais nocivos, e a espada não passará pela vossa terra. Quando perseguirdes os vossos inimigos, cairão sob vossa espada. Cinco dentre vós perseguirão um cento, e cem dos vossos perseguirão dez mil, e os vossos inimigos cairão sob vossa espada. Eu me voltarei para vós, e vos farei crescer; multiplicar-vos-ei e ratificarei a minha aliança convosco. Comereis as colheitas antigas, bem conservadas, e lançareis fora as velhas, para dar lugar às novas. Porei o meu tabernáculo no meio de vós, e a minha alma não vos rejeitará. Andarei entre vós: serei o vosso Deus e vós sereis o meu povo.

Quinta leitura:

Leitura do profeta Daniel (3, 47-51) : Naqueles dias: O anjo do Senhor havia descido com Azarias e seus companheiros à fornalha e afastava o fogo. Fez do centro da fogueira como um lugar onde soprasse uma brisa matinal: o fogo nem mesmo os tocava, nem lhes fazia mal algum, nem lhes causava a menor dor. Então os três jovens elevaram suas vozes em uníssono para louvar, glorificar e bendizer a Deus dentro da fornalha, neste cântico:



Epístola

Leitura da Epístola de São Paulo Apóstolo aos Romanos (5, 1-5). Irmãos: Justificados, pois, pela fé temos a paz com Deus, por meio de nosso Senhor Jesus Cristo. Por ele é que tivemos acesso a essa graça, na qual estamos firmes, e nos gloriamos na esperança de possuir um dia a glória de Deus. Não só isso, mas nos gloriamos até das tribulações. Pois sabemos que a tribulação produz a paciência, a paciência prova a fidelidade e a fidelidade, comprovada, produz a esperança. E a esperança não engana. Porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado.


Veni, Sancte Spiritus,
et emitte caelitus
lucis tuae radium.
Veni, pater pauperum,
veni, dator munerum
veni, lumen cordium.
Consolator optime,
dulcis hospes animae,
dulce refrigerium.
In labore requies,
in aestu temperies
in fletu solatium.
O lux beatissima,
reple cordis intima
tuorum fidelium.
Sine tuo numine,
nihil est in homine,
nihil est innoxium.
Lava quod est sordidum,
riga quod est aridum,
sana quod est saucium.
Flecte quod est rigidum,
fove quod est frigidum,
rege quod est devium.
Da tuis fidelibus,
in te confidentibus,
sacrum septenarium.
Da virtutis meritum,
da salutis exitum,
da perenne gaudium,


Continuação do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São Lucas (4, 38-44): Naquele tempo:
Saindo Jesus da sinagoga, entrou na casa de Simão. A sogra de Simão estava com febre alta; e pediram-lhe por ela.
Inclinando-se sobre ela, ordenou ele à febre, e a febre deixou-a. Ela levantou-se imediatamente e pôs-se a servi-los.
Depois do pôr-do-sol, todos os que tinham enfermos de diversas moléstias lhos traziam. Impondo-lhes a mão, os sarava.
De muitos saíam os demônios, aos gritos, dizendo: Tu és o Filho de Deus. Mas ele repreendia-os severamente, não lhes permitindo falar, porque sabiam que ele era o Cristo.
Ao amanhecer, ele saiu e retirou-se para um lugar afastado. As multidões o procuravam e foram até onde ele estava e queriam detê-lo, para que não as deixasse.
Mas ele disse-lhes: É necessário que eu anuncie a boa nova do Reino de Deus também às outras cidades, pois essa é a minha missão.
E andava pregando nas sinagogas da Galiléia.
O Tempo Pascal termina hoje após a oração da hora de Noa (15h)

Lefebvre, Dom Gaspar. Missal Quotidiano e Vesperal. Bruges, Bélgica; Abadia de S. André, 1960

sexta-feira, 29 de maio de 2015

SEXTA-FEIRA DAS TÊMPORAS DE PENTECOSTES



Elias, O Profeta


"O dom da piedade imprime-nos na alma a inclinação e facilidade de honrarmos a Deus como Pai e esperarmos nele com amor e confiança de filhos" (Pe. Meschler).

A estação de hoje tinha outrora lugar no santuário dos Doze Apóstolos. A abundância dos frutos da terra, que a Igreja implora no princípio da nova estação, é bem figura da chuva de mercês espirituais que o Espírito Santo derrama durante estes três dias nas almas dos fiéis.

As curas prodigiosas relatadas no Evangelho e nos Atos dos Apóstolos são provas das constantes intervenções de Deus, que não cessa de procurar por todos os meios a salvação daqueles por quem entregou à morte o próprio Filho.

Epístola

Leitura do profeta Joel (2,13-24 e 26-27): Eis o que diz o Senhor Deus:  Alegrai-vos, filhos de Sião, e rejubilai no Senhor, vosso Deus, porque ele vos dá as chuvas do outono no tempo oportuno, e faz cair chuvas copiosas sobre vós, as chuvas do outono e da primavera, como dantes. As eiras se encherão de trigo, os lagares transbordarão de vinho e de óleo novo. Comereis abundantemente e vos fartareis, e louvareis o nome do Senhor, vosso Deus, que fez maravilhas em vosso favor; e jamais meu povo será confundido. Sabereis então que estou no meio de Israel, que sou o Senhor, vosso Deus, e que não há outro. E jamais meu povo será confundido.


Continuação do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São Lucas (5,17-26): Naquele tempo: Um dia estava ele ensinando. Ao seu derredor estavam sentados fariseus e doutores da lei, vindos de todas as localidades da Galiléia, da Judéia e de Jerusalém. E o poder do Senhor fazia-o realizar várias curas. Apareceram algumas pessoas trazendo num leito um homem paralítico; e procuravam introduzi-lo na casa e pô-lo diante dele. Mas não achando por onde o introduzir, por causa da multidão, subiram ao telhado e por entre as telhas o arriaram com o leito ao meio da assembléia, diante de Jesus.
Vendo a fé que tinham, disse Jesus: Meu amigo, os teus pecados te são perdoados.
Então os escribas e os fariseus começaram a pensar e a dizer consigo mesmos: Quem é este homem que profere blasfêmias? Quem pode perdoar pecados senão unicamente Deus?
Jesus, porém, penetrando nos seus pensamentos, replicou-lhes: Que pensais nos vossos corações? Que é mais fácil dizer: Perdoados te são os pecados; ou dizer: Levanta-te e anda?
Ora, para que saibais que o Filho do Homem tem na terra poder de perdoar pecados (disse ele ao paralítico), eu te ordeno: levanta-te, toma o teu leito e vai para tua casa.
No mesmo instante, levantou-se ele à vista deles, tomou o leito e partiu para casa, glorificando a Deus. Todos ficaram transportados de entusiasmo e glorificavam a Deus; e tomados de temor, diziam: Hoje vimos coisas maravilhosas.

Lefebvre, Dom Gaspar. Missal Quotidiano e Vesperal. Bruges, Bélgica; Abadia de S. André, 1960

quinta-feira, 28 de maio de 2015

QUINTA-FEIRA DE PENTECOSTES

Elias, O Profeta

"O dom da Ciência é uma luz sobrenatural que Espírito Santo infunde nas almas e que possui a prerrogativa de nos fazer ver que as verdades da fé são realmente dignas de serem admitidas mesmo à luz dos princípios da razão" (Pe. Meschler).

A estação celebra-se na Basílica de São Lourenço, cuja alma tão inflamada estava no amor do Espírito Santo que o não deixava de sentir as torturas do fogo a que tinha sido lançado. Escolheu-se esta Basílica para ter passo dos Atos dos Apóstolos que fala o diácono Felipe.

O Evangelho lembra-nos que o Senhor ao conferir aos Apóstolos o poder das curas, lhes confiou também a missão de pregar o reino de Deus a todos os homens. E este ministério não tem sido interrompido a partir do Pentecostes. A Igreja prossegue incasavelmente através de todas as idades na tarefa de apontar às almas os caminhos da vida e o Espírito Santo, que fecunda a sua pregação, opera por meio dela como força divina que renova a face da terra. Peçamos a Deus que prossiga na sua obra redentora e que nos torne dóceis à ação santificante do Espírito Santo, que não cessa de operar no mais íntimo das nossas almas.

Epístola

Leitura dos Atos dos Apóstolos (8, 5-8): Naquele tempo: Assim Filipe desceu à cidade de Samaria, pregando-lhes Cristo. A multidão estava atenta ao que Filipe lhe dizia, escutando-o unanimemente e presenciando os prodígios que fazia. Pois os espíritos imundos de muitos possessos saíam, levantando grandes brados. Igualmente foram curados muitos paralíticos e coxos. Por esse motivo, naquela cidade reinava grande alegria...

Evangelho do dia

Continuação do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São Lucas: Naquele tempo:
Reunindo Jesus os doze apóstolos, deu-lhes poder e autoridade sobre todos os demônios, e para curar enfermidades.
Enviou-os a pregar o Reino de Deus e a curar os enfermos.
Disse-lhes: Não leveis coisa alguma para o caminho, nem bordão, nem mochila, nem pão, nem dinheiro, nem tenhais duas túnicas.
Em qualquer casa em que entrardes, ficai ali até que deixeis aquela localidade.
Onde ninguém vos receber, deixai aquela cidade e em testemunho contra eles sacudi a poeira dos vossos pés.
Partiram, pois, e percorriam as aldeias, pregando o Evangelho e fazendo curas por toda parte.


Lefebvre, Dom Gaspar. Missal Quotidiano e Vesperal. Bruges, Bélgica; Abadia de S. André, 1960

quarta-feira, 27 de maio de 2015

QUARTA-FEIRA DAS TÊMPORAS DE PENTECOSTES

Elias, O Profeta


"O dom da fortaleza é a virtude permanente com que o Espírito Santo informa a nova vontade, para que, mediante ela, vençamos as dificuldades que nos desviam da prática do bem" (Pe. Meschler).

As quatro têmporas do inverno (verão - hemisfério Norte) coincidem sempre com a oitava de Pentecostes. A Igreja oferece a Deus as primícias da nova estação e ora com instância pelos novos presbíteros que no próximo sábado vão receber o Espírito Santo no sacramento da Ordem. A liturgia continua a falar aos neo-batizados e a recordar-lhes os milagres de Pentecostes e a multiplicação prodigiosa dos fiéis durante as maravilhas operadas pelos Apóstolos. Também eles foram conduzidos a Jesus, levados ao Pai, que os tirou do exílio de onde viviam, para gozarem da liberdade e dos privilégios com que Deus enobreceu o seu povo.

Epístola

Leitura dos Atos dos Apóstolos (2, 14-21 ): Naquele tempo: Pedro então, pondo-se de pé em companhia dos Onze, com voz forte lhes disse: Homens da Judéia e vós todos que habitais em Jerusalém: seja-vos isto conhecido e prestai atenção às minhas palavras. Estes homens não estão embriagados, como vós pensais, visto não ser ainda a hora terceira do dia. Mas cumpre-se o que foi dito pelo profeta Joel: Acontecerá nos últimos dias - é Deus quem fala -, que derramarei do meu Espírito sobre todo ser vivo: profetizarão os vossos filhos e as vossas filhas. Os vossos jovens terão visões, e os vossos anciãos sonharão. Sobre os meus servos e sobre as minhas servas derramarei naqueles dias do meu Espírito e profetizarão. Farei aparecer prodígios em cima, no céu, e milagres embaixo, na terra: sangue fogo e vapor de fumaça. O sol se converterá em trevas e a lua em sangue, antes que venha o grande e glorioso dia do Senhor. E então todo o que invocar o nome do Senhor será salvo (Jl 3,1-5)

 Continuação do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São João (6,44-52): Naquele tempo: Disse Jesus a seus discípulos:
Ninguém pode vir a mim se o Pai, que me enviou, não o atrair; e eu hei de ressuscitá-lo no último dia. Está escrito nos profetas: Todos serão ensinados por Deus (Is 54,13). Assim, todo aquele que ouviu o Pai e foi por ele instruído vem a mim.
Não que alguém tenha visto o Pai, pois só aquele que vem de Deus, esse é que viu o Pai.
Em verdade, em verdade vos digo: quem crê em mim tem a vida eterna.
Eu sou o pão da vida. Vossos pais, no deserto, comeram o maná e morreram.
Este é o pão que desceu do céu, para que não morra todo aquele que dele comer.
Eu sou o pão vivo que desceu do céu. Quem comer deste pão viverá eternamente. E o pão, que eu hei de dar, é a minha carne para a salvação do mundo.
A essas palavras, os judeus começaram a discutir, dizendo: Como pode este homem dar-nos de comer a sua carne?
Lefebvre, Dom Gaspar. Missal Quotidiano e Vesperal. Bruges, Bélgica; Abadia de S. André, 1960

terça-feira, 26 de maio de 2015

TERÇA-FEIRA DE PENTECOSTES

Elias, O Profeta

"O dom do conselho é uma luz do Espírito Santo pelo qual a inteligência prática vê e julga, nos casos particulares, o que se deve fazer e os meios convenientes a empregar" (Pe. Meschler).


A Igreja continua a dirigir-se aos novos filhos que de a luz da graças do batismo, reunindo-os hoje a todos no santuário de Santa Anastácia. O perdão dos pecados, a participação do "Pão dos Anjos" e "Sagrados mistérios da Eucaristia", a presença e o auxílio do Espírito Santo, a confirmação que os revestiu da força e do alto e os defende continuamente das tramas do inimigo são tesouros preciosos, invocados na missa de hoje. O Evangelho diz tudo numa só palavra: entram no aprisco e são agora ovelhas do Bom Pastor, que veio, "para que as ovelhas encontrem a vida e a encontrem superabundante".

Epístola

Leitura dos Atos dos Apóstolos (8, 14-17 ): Naquele tempo: Os apóstolos que se achavam em Jerusalém, tendo ouvido que a Samaria recebera a palavra de Deus, enviaram-lhe Pedro e João. Estes, assim que chegaram, fizeram oração pelos novos fiéis, a fim de receberem o Espírito Santo, visto que não havia descido ainda sobre nenhum deles, mas tinham sido somente batizados em nome do Senhor Jesus. Então os dois apóstolos lhes impuseram as mãos e receberam o Espírito Santo.


Continuação do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São João (10, 1-10): Naquele tempo: Em verdade, em verdade vos digo: quem não entra pela porta no aprisco das ovelhas, mas sobe por outra parte, é ladrão e salteador. Mas quem entra pela porta é o pastor das ovelhas. A este o porteiro abre, e as ovelhas ouvem a sua voz. Ele chama as ovelhas pelo nome e as conduz à pastagem. Depois de conduzir todas as suas ovelhas para fora, vai adiante delas; e as ovelhas seguem-no, pois lhe conhecem a voz.
Mas não seguem o estranho; antes fogem dele, porque não conhecem a voz dos estranhos.
Jesus disse-lhes essa parábola, mas não entendiam do que ele queria falar.
Jesus tornou a dizer-lhes: Em verdade, em verdade vos digo: eu sou a porta das ovelhas.
Todos quantos vieram antes de mim foram ladrões e salteadores, mas as ovelhas não os ouviram. Eu sou a porta. Se alguém entrar por mim será salvo; tanto entrará como sairá e encontrará pastagem. O ladrão não vem senão para furtar, matar e destruir. Eu vim para que as ovelhas tenham vida e para que a tenham em abundância.



Lefebvre, Dom Gaspar. Missal Quotidiano e Vesperal. Bruges, Bélgica; Abadia de S. André, 1960

segunda-feira, 25 de maio de 2015

SEGUNDA-FEIRA DE PENTECOSTES

Elias, O Profeta.




"O Dom da inteligência ilumina-nos, projetando sobre as verdades reveladas uma luz viva, penetrante, extraordinária, e dando-nos a certeza da genuína da palavra de Deus." (Pe. Meschler)


A Igreja prolonga por mais oito dias a festa de Pentecostes. Os intróitos desta semana cantam, como os das semanas de Páscoa, a grandeza do batismo e as riquezas que neles são conferidas aos batizados. O de hoje fala-nos da comunhão. A Epístola e o evangelho fala-nos de Jesus Cristo, necessária para a salvação, e que basta com o batismo para salvar todo aquele que acreditar. Foi o Senhor que disse. E São Pedro em um outro dia de Pentecostes, afirma-o aos Judeus deicidas, que os prodígios que se seguem confirmam que é assim realmente. A proclamação da Universalidade da redenção extensiva a todos os que acreditarem em Cristo, é doutrina essencial do Pentecostes e o fulcro sobre que gira toda a liturgia desta semana.


Possa Jesus e o Espírito Santo, cujo testemunho recolhemos da boca de Pedro, reunir-nos contra as ciladas do inimigo.

Epístola

Leitura dos Atos dos Apóstolos (10, 34 e 42-48 ): Naquele tempo: Então Pedro tomou a palavra e disse: Em verdade, reconheço que Deus não faz distinção de pessoas, Ele nos mandou pregar ao povo e testemunhar que é ele quem foi constituído por Deus juiz dos vivos e dos mortos. Dele todos os profetas dão testemunho, anunciando que todos os que nele crêem recebem o perdão dos pecados por meio de seu nome. Estando Pedro ainda a falar, o Espírito Santo desceu sobre todos os que ouviam a (santa) palavra. Os fiéis da circuncisão, que tinham vindo com Pedro, profundamente se admiraram, vendo que o dom do Espírito Santo era derramado também sobre os pagãos; pois eles os ouviam falar em outras línguas e glorificar a Deus. Então Pedro tomou a palavra: Porventura pode-se negar a água do batismo a estes que receberam o Espírito Santo como nós? E mandou que fossem batizados em nome de Jesus Cristo. Rogaram-lhe então que ficasse com eles por alguns dias.



Continuação do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São João (3, 16-21): Naquele tempo: Com efeito, de tal modo Deus amou o mundo, que lhe deu seu Filho único, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna.
Pois Deus não enviou o Filho ao mundo para condená-lo, mas para que o mundo seja salvo por ele. Quem nele crê não é condenado, mas quem não crê já está condenado; por que não crê no nome do Filho único de Deus. Ora, este é o julgamento: a luz veio ao mundo, mas os homens amaram mais as trevas do que a luz, pois as suas obras eram más.
Porquanto todo aquele que faz o mal odeia a luz e não vem para a luz, para que as suas obras não sejam reprovadas. Mas aquele que pratica a verdade, vem para a luz. Torna-se assim claro que as suas obras são feitas em Deus.

Lefebvre, Dom Gaspar. Missal Quotidiano e Vesperal. Bruges, Bélgica; Abadia de S. André, 1960.

domingo, 24 de maio de 2015

Homossexualismo e poligamia no direito brasileiro


Felipe Marques Pereira*

O casamento é entre duas pessoas porque o número de seus participantes esta limitado pelo número de gêneros, ou seja, dois (masculino e feminino). Quando os cartórios receberam autorização para reconhecer a união civil de “duplas” de homossexuais inevitavelmente seguiu-se a quebra da lógica interna da monogamia, anteriormente sustentada e encontrando os seus limites na complementariedade dos dois gêneros, agora, não há porque não reconhecer como casamento uma relação entre três pessoas ou mais.

Uma das consequências quase que imediatas do reconhecimento do "casamento" homossexual é o reconhecimento e posterior amparo do Estado a prática da poligamia.

Essas leis são aprovadas a margem das discussões públicas. Hoje vigora um novo modo de governar, há uma uniformização das legislações dos países através de tratados e convenções internacionais que introduzem modificações na constituição, emendas e remendos, sem que haja votação ou mesmo discussão por parte do povo ou dos representantes eleitos.

Também as ONGs que, embora não governamentais, governam, com a ajuda de organismos internacionais, exercem pressão sobre o congresso para que se aprovem projetos de lei favorecendo determinados grupos e segmentos da sociedade. Processo que ameaça todo o edifício legislativo. Como discutimos nas linhas anteriores não é possível introduzir uma lei sem que o edifício jurídico seja abalado.

Nessa esteira subiram FHC e Lula que assinaram respectivamente o PNDH2 e o PNDH3 junto com mais 100 lideres de outros países se comprometendo, entre outras coisas, a reconhecer a prostituição como profissão com todos os direitos da previdência social e a união civil de casais (leia-se "duplas") de homossexuais **.

Fachini, recentemente indicado por Dilma para o cargo de juiz do STF, se mostrou favorável à poligamia além das invasões do MST que ameaçam a propriedade privada, protegida pela cláusula pétrea. A escolha de Fachini para um cargo tão importante num órgão para o qual compete a guarda da constituição é lamentável e me deixou de cabelo em pé ***.
***
Essa coluna esta sendo atualizada aos domingos, segundas ou terças-feiras.


* Felipe Marques Pereira é um escritor conservador. Católico leigo estudou na PUC/PR.
Para entrar em contato envie um e-mail para:

felipemarquespereira2015@outlook.com

Facebook/FelipeMarquesPereira

** http://www.pndh3.sdh.gov.br/




sábado, 23 de maio de 2015

DOMINGO DE PENTECOSTES (50º dia após a Páscoa)












Elias, O Profeta

Lançara Jesus os fundamentos da Igreja e enriquecera-a com seus poderes. Faltava ainda o Espírito Santo para acabar a formação dos apóstolos. "O Espírito Santo virá sobre vós. Deixai-vos ficar, pois, na cidade até receberes a força do alto." A festa de hoje é a festa comemorativa da expansão da Igreja no mundo.



Dissera o divino mestre que o divino Paráclito viria e a Epístola mostra-nos o cumprimento da promessa. Era a hora terça, por volta de nove horas da manhã, quando se faz de repente sentir um vento impetuoso que encheu toda a casa, e línguas de fogo desceram sobre os apóstolos. Iluminados por esta luz e a transbordar por este fogo sagrado os apóstolos sentem-se novos e vão realmente renovar a face da terra. Este dom maravilhoso consistem para cada um de nós na plenitude da graça que recebemos no batismo e que se vai progressivamente desenvolvendo e ampliando até a maturação perfeita do céu Para os apóstolos era isto mesmo com mais o dever, de que a nossa dignidade e a nossa vocação, com mais o dever de a transmitir a todos os homens. Remissão dos pecados, justificação, redenção, filiação divina, caridade cristã, comunhão dos santos, tudo isto, que constitui a riqueza e a vida da Igreja, nos foi e continuará a ser dado pelos sucessores dos apóstolos.

O Pentecostes neste sentido não é apenas uma data comemorativa de um acontecimento passado, mas uma realidade presente, sempre viva no seio da Igreja e em nós. "Vinde Espírito Santo e enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso amor."


Epístola

Leitura dos Atos dos Apóstolos (2, 1-11 ): Naquele tempo: Chegando o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar. De repente, veio do céu um ruído, como se soprasse um vento impetuoso, e encheu toda a casa onde estavam sentados. Apareceu-lhes então uma espécie de línguas de fogo que se repartiram e pousaram sobre cada um deles. Ficaram todos cheios do Espírito Santo e começaram a falar em línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem. Achavam-se então em Jerusalém judeus piedosos de todas as nações que há debaixo do céu. Ouvindo aquele ruído, reuniu-se muita gente e maravilhava-se de que cada um os ouvia falar na sua própria língua. Profundamente impressionados, manifestavam a sua admiração: Não são, porventura, galileus todos estes que falam? Como então todos nós os ouvimos falar, cada um em nossa própria língua materna? Partos, medos, elamitas; os que habitam a Macedônia, a Judéia, a Capadócia, o Ponto, a Ásia, a Frígia, a Panfília, o Egito e as províncias da Líbia próximas a Cirene; peregrinos romanos,  judeus ou prosélitos, cretenses e árabes; ouvimo-los publicar em nossas línguas as maravilhas de Deus!


Seqüência

video



Veni, Sancte Spiritus,
et emitte caelitus
lucis tuae radium.


Veni, pater pauperum,
veni, dator munerum
veni, lumen cordium.


Consolator optime,
dulcis hospes animae,
dulce refrigerium.

In labore requies,
in aestu temperies
in fletu solatium.
O lux beatissima,
reple cordis intima
tuorum fidelium.
Sine tuo numine,
nihil est in homine,
nihil est innoxium.
Lava quod est sordidum,
riga quod est aridum,
sana quod est saucium.
Flecte quod est rigidum,
fove quod est frigidum,
rege quod est devium.
Da tuis fidelibus,
in te confidentibus,
sacrum septenarium.
Da virtutis meritum,
da salutis exitum,
da perenne gaudium,



     Evangelho de Domingo:


Continuação do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São João (14, 23-31): Naquele tempo: Disse Jesus a seus discípulos:
Se me amais, guardareis os meus mandamentos.
E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Paráclito, para que fique eternamente convosco.
É o Espírito da Verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê nem o conhece, mas vós o conhecereis, porque permanecerá convosco e estará em vós.
Não vos deixarei órfãos. Voltarei a vós.
Ainda um pouco de tempo e o mundo já não me verá. Vós, porém, me tornareis a ver, porque eu vivo e vós vivereis.
Naquele dia conhecereis que estou em meu Pai, e vós em mim e eu em vós.
Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é que me ama. E aquele que me ama será amado por meu Pai, e eu o amarei e manifestar-me-ei a ele.



Lefebvre, Dom Gaspar. Missal Quotidiano e Vesperal. Bruges, Bélgica; Abadia de S. André, 1960.



Veni, Sancte Spíritus, et emítte caelitus lucis tuae rádium. Alleluja alleluja!

VIGÍLIA DE PENTECOSTES










Tempo Pascal

Exposição Dogmática: Pentecostes
A Páscoa e o Pentecostes podem considerar-se realmente pastes integrantes da mesma festa, d festa da vitória de Cristo, da sua entrada triunfal na Glória e do começo da expansão da Igreja iniciado pela descida do Espírito Santo sobre os Apóstolos. A Ressurreição, a Ascensão e o Pentecostes, são partes do mesmo mistério, o Mistério Pascal. "A Páscoa, diz Santo Agostinho, foi o princípio da graça, o Pentecoste o seu remate e coroamento". Pela Ressurreição, Cristo restitui-nos o direito que havíamos perdido, a vida divina. Na Ascensão, elevou-se ao Céu, para de lá nos mandar o Espírito Santo, e assim entrar na posse do reino que para nós e para Ele conquistou com o seu sangue. A Ascenção é com efeito o reconhecimento oficial dos seus títulos de vitória e constitui para a sua humanidade o coroamento da obra redentora, e para a Igreja o princípio da sua existência e santidade. "A Ascenção, diz D. Guéranger, é o mistério que relaciona e completa o da Páscoa e o do Pentecostes. por um lado consuma a Páscoa, declarando o Homem-Deus vencedor da morte e chefe da Igreja e colocando-o a direita do Pai; por outro, determina a descida do Espírito Santo"; "Este belo mistério delimita aqui na terra os dois reinos divinos - o do Filho de Deus e do Espírito Santo".

 "Se eu não for não recebereis o Paráclito. Mas eu vou e mandar-vo-lo-ei, diz o Senhor". O Verbo Encarnado concluiu a missão de que o Pai o incumbira e o Espírito Santo irá da início a sua; que o Pai, não contente ainda em nos dar seu Filho único para nos reconduzir a Si, nos deu também o Espírito Santo para nos santificar. É que o Pai faz tudo, conforme diz Santo Agostinho, por meio do Filho, no Espírito Santo. Toda a obra da Salvação e Santificação se realiza na virtude e pela virtude do Espírito Santo. Foi Ele quem falou pelos profetas, quem cobriu com sua sombra a Virgem Maria e a fez M~e do Filho de Deus, quem desceu sobre o Senhor no Jordão, quem finalmente o conduziu pelo deserto e lhe orientou todos os passos da sua vida terrena. Mas foi sobretudo no dia de Pentecostes, derramando na alma dos Apóstolos a luz a coragem da graça, que assentou no seio da Igreja a grande obra da Santificação. Nele foi a Igreja batizada no Cenáculo, e é o seu eflúvio divino  que continua informar o Corpo Místico de Cristo. "Recebei o Espírito Santo, disse o Salvador ao Apóstolos, e a quem perdoares os pecados lhes serão perdoados". E a Igreja gosta de repetir estas palavras e de dizer que "é o Espírito Santo o mesmo perdão dos pecados" e do batismo que é ministrado na "água e no espírito".  "Sai desta alma, diz o ministro, e dá lugar ao Espírito Santo". Este Espírito cura as nossas almas e as santifica-as com a sua graça, infundindo-nos algo da sua própria vida. O que fez dizer Santo Irineu que, assim como a vida do corpo resulta da união do corpo, assim a vida da alma resulta da união da alma com o Espírito de Deus, união que se estabelece pela graça santificante. Porém, mais ainda, lá onde a graça habita, aí está aquele operário divino que a Igreja chama de "hóspede nosso".

O Espírito Santo foi dado aos apóstolos para acabar neles e por eles a obra da santificação me iluminação iniciada por Cristo. para esclarecer as inteligências, aquecer e purificar os corações e infundir nas almas a coragem de confessar o nome do Senhor. E esta obra de revigoramento das energias dos espíritos prossegue. Foi o espírito que inspirou os Apóstolos e os escritores sagrados, e é Ele que assegura ao Papa e aos Bispos reunidos e unidos com ele a infabilidade em matéria de fé, que lhes permite continuar na terra a missão do Mestre. É Ele, o Espírito Santo, que dá eficácia aos sacramentos, que perdoa os pecados, que infunde nas almas a vida sobrenatural, que dá a Igreja coesão e unidade, que lhe dá o ser, a alma.

O Espírito Santo é a alma da Igreja. E todos os fiéis vivem ou pelos menos deveriam viver desta alma. É de notar que depois de dizermos no Credo que cremos no Espírito Santo, ajuntamos, E na Santa Igreja Católica, na comunhão dos Santos, na remissão dos pecados, na ressurreição da carne, que é o deslumbramento, radioso da santidade perene penetrando o nosso corpo, e na vida eterna, a plenitude da Glória, envolvendo todo o nosso ser para sempre.

Exposição Histórica: Pentecostes

Antes de subir ao Céu, o Senhor ordenou os Apóstolos que se não afastassem de Jerusalém, mas esperassem a promessa do Pai, querer dizer, a efusão Espírito Santo. No regresso do monte das Oliveiras, os discípulos, que eram cento e vinte, dirigiram-se para o cenáculo, onde se deixaram estar em oração com as santas mulheres e com Maria, Mãe de Jesus.

Depois desta novena, a mais solene de todas, teve lugar a descida do Espírito Santo, que coincidiu providencialmente com a festa de pentecostes, "com este dia tão grande e santo", aniversário da promulgação da lei do Sinai. Os estrangeiros, pois, que por este motivo tinham acorrido a Jerusalém, foram foram testemunhas do fato milagroso do Pentecostes Cristão.

"Eram nove horas da manhã, assim diz os Atos dos Apóstolos, quando um ruído se fez ouvir, à maneira de um violento golpe de vento, que encheu toda a casa em que Maria Santíssima e os Apóstolos estavam sentados. E viram aparecer no ar línguas de fogo que desciam em cada um dos presentes, e ficavam cheios do Espírito Santo e falavam várias línguas conforme a monção do Espírito Santo".

Revestida deste modo com a força do Alto, a Igreja começou em Jerusalém a sua obra de apostolado que o Senhor lhe havia confiado. Pedro, o príncipe dos Apóstolos, toma a palavra perante a multidão atônita e assustada com o que via, e já "pescador de homens" conforme tinha sido prometido pelo divino Mestre, lança a rede, e desta primeira pescaria conquista logo para a pequena Igreja em Jerusalém, três mil almas. No dia seguinte, reuni-se os doze no Pórtico do Templo e como o divino Mestre pregam o Evangelho e curam os doentes. "Assim foi crescendo o número dos que esperavam o Senhor". Depois sairam para fora da Judéia e foram anunciar primeiro o Evangelho aos Samaritanos e seguida aos Gentios.

Exposição Litúrgica: Pentecostes

No quinquagésimo dia após a passagem do Anjo exterminador a travessia do mar vermelho, acampou o povo de Israel no pé do monte Sinai e Deus assim se dignou a lhes dar a sua lei. As festas da Páscoa e do Pentecostes, comemorativas deste duplo acontecimento, eram para os judeus a mais importante do ano. Dezesseis séculos se passaram, a festa da Páscoa é assinalada pela morte e ressurreição do Senhor e a festa de Pentecoste a efusão do Espírito Santo sobre Maria e os Apóstolos no Cenáculo. Estas duas festas adotadas pela Igreja, são as mais nobres e antigas do ciclo litúrgico que delas recebeu origem. O Pentecostes, depois da Páscoa, é  maior do ano. Tem vigília e oitava privilegiada. Lê-se os Atos dos Apóstolos, porque é o primeiro dia da dispersão da Igreja, cuja as origens este livro nos relata. É afinal é a imitação do se fez na semana de Páscoa. É uma vida inteiramente nova que começa; convém ler as novas escrituras que narram os primeiros voos. E no Novo Testamento põe de resto o antigo, em plena evidência e demonstra que foi ele a sombra que precedeu a grande realidade que surgiu. Na missa de Pentecostes na da Oitava a lei antiga e a nova, as Sagradas Escrituras e a Tradição, os Profetas, os Apóstolos e os Padres da Igreja fazem eco a palavra do Mestre.

Assim como as diferentes partes de um mosaico, formam um conjunto admirável, que sintetiza a ação do Espírito Santo através dos Séculos. Os paramentos vermelhos nos lembram as línguas de fogo. Antigamente era costume fazer em muitas Igreja fazer cair do teto ao som de Veni Sancte Spiritus uma chuva de rosas vermelhas e soltar dentro do templo uma pomba.

Por vezes, para dar maior impressão da grande realidade que se comemorava, tocava-se trombetas à seqüência. Era sem dúvida para lembrar as trombetas do monte Sinai, ou então o grande ruído que se fez ouvir à descida do Espírito Santo.

A oitava de pentecostes é privilegiada de 1ª Ordem e nela se vê claramente a intenção da Igreja de nos chamar a atenção para o fato culminante que iniciou uma nova era. Há aqui como um convite para orientarmos as nossas leituras e meditações neste sentido. E que tesouros de doutrina se não poderá colher nos textos das missas de toda a oitava.

O Tempo Pascal termina no Sábado de Pentecostes depois de Noa (15 h)


VIGÍLIA DE PENTECOSTES


Estação em São João de Latrão

Com esta Vigília começa a grande Solenidade. Outrora batizava-se neste dia os catecúmenos que não puderam ser batizados na Páscoa. Depois de batizados "na água e no Espírito", os neófitos recebiam a confirmação do Crisma. A Missa alude a estes dois sacramentos e mostra-nos como o Espírito Santo desce sobre as almas e as maravilhas que nelas opera. Preparemo-nos para a festa de amanhã com uma santa confissão.

Epístola

Leitura dos Atos dos Apóstolos (19, 1-8): Naquele tempo: Enquanto Apolo estava em Corinto, Paulo atravessou as províncias superiores e chegou a Éfeso, onde achou alguns discípulos e indagou deles:  Recebestes o Espírito Santo, quando abraçastes a fé? Responderam-lhe: Não, nem sequer ouvimos dizer que há um Espírito Santo! Então em que batismo fostes batizados?, perguntou Paulo. Disseram: No batismo de João. Paulo então replicou: João só dava um batismo de penitência, dizendo ao povo que cresse naquele que havia de vir depois dele, isto é, em Jesus. Ouvindo isso, foram batizados em nome do Senhor Jesus. E quando Paulo lhes impôs as mãos, o Espírito Santo desceu sobre eles, e falavam em línguas estranhas e profetizavam. Eram ao todo uns doze homens. Paulo entrou na sinagoga e falou com desassombro por três meses, disputando e persuadindo-os acerca do Reino de Deus.

Evangelho do dia:

Leitura do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João (14,15-21) : Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: Se me amais, guardareis os meus mandamentos. E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Paráclito, para que fique eternamente convosco. É o Espírito da Verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê nem o conhece, mas vós o conhecereis, porque permanecerá convosco e estará em vós. Não vos deixarei órfãos. Voltarei a vós. Ainda um pouco de tempo e o mundo já não me verá. Vós, porém, me tornareis a ver, porque eu vivo e vós vivereis.  Naquele dia conhecereis que estou em meu Pai, e vós em mim e eu em vós. Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é que me ama. E aquele que me ama será amado por meu Pai, e eu o amarei e manifestar-me-ei a ele.


Lefebvre, Dom Gaspar. Missal Quotidiano e Vesperal. Bruges, Bélgica; Abadia de S. André, 1960.

sexta-feira, 22 de maio de 2015

22 de Maio - Santa Rita de Cássia, Viúva


 Vista de perto,  se nos revela o rosto humaníssimo de uma mulher que não passou indiferente ante a tragédia da dor e  da miséria e da miséria material, moral e  social.  Sua vida terrena poderia ser de ontem como de hoje.  

                                         Rita nasceu em 1381 em Roccaporena,  um pequeno povoado perdido nas  montanhas Seus pais, anciãos, a educaram  no temor de Deus, e ela  respeitou a tal ponto a  autoridade paterna que abandonou o propósito de entrar no convento e aceitou unir-se em matrimônio com Paulo de Ferdinando, um jovem violento e  revoltado. As biografias da  santa nos pintam um quadro familiar muito comum:  uma mulher doce, obediente, atenta a  não chocar com a  susceptibilidade do marido,  cujas maldades ela conhece e sofre e reza em silêncio.  

                                         Sua bondade logrou finalmente transformar o coração de Paulo,  que mudou de vida e de costumes, porém,  sem fazer esquecer os  antigos rancores dos  inimigos que se havia buscado. Uma noite foi encontrado morto à beira do caminho.  Os dois filhos,  já  jovens,  juraram  vingar a morte do pai. Quando Rita se  deu conta da inutilidade de  seus esforços para convencê-los de que desistissem  de seus propósitos,  teve a  valentia de pedir a Deus que os levasse,  antes que manchassem suas vidas com um homicídio.  Sua oração, humanamente incompreensível,  foi ouvida.  E sem esposo e sem filhos,  Rita foi pedir sua entrada no convento das agostinianas de Cássia.  Porém,  seu pedido foi negado.  

                                         Voltou ao  seu lugar deserto e rezou intensamente a  seus três santos protetores, São João Batista, Santo Agostinho e  São Nicolas de Tolentino,  e uma noite sucedeu o prodígio.  Se lhe apareceram  os três  santos, lhe disseram  que os seguisse,  chegaram ao convento, abriram as portas e levaram a metade do coro, onde as  religiosas estavam rezando as orações da manhã. Assim, Rita pôde vestir o hábito das agostinianas, realizando o antigo desejo de entrega total a Deus. Se dedicou à penitência, à oração e ao amor de Cristo crucificado,  que a associou ainda visivelmente a sua paixão,  cravando-lhe na fronte uma espinha.  

                                         Este estigma milagroso, recebido durante um êxtase, marcou o rosto com um dolorosíssima chaga purulenta até sua morte, isto é, durante quatorze anos. A fama de sua santidade passou os limites de Cássia. As orações de Rita obtiveram prodigiosas curas e conversões. Para ela não pediu senão carregar sobre si as  dores do próximo. Morreu no mosteiro de Cássia em 1457. Pouco antes de morrer e de firmar seu testamento verbal às Irmãs do convento,  veio visitá-la uma sua parenta; a Santa agradeceu-lhe a visita e, ao se despedir pediu:

- Vá à horta que fica perto de tua casa, por amor de Jesus, e traga-me uma rosa.
                                         Como os campos encontravam-se cobertos pela neve e a vegetação inexistente, sua parenta imaginou que a Santa delirasse,  porém,  acatou o que ela pedira e  dirigiu-se ao local certa de que nada encontraria. Chegando à horta, encontrou uma linda rosa, que a levou à enferma;  Rita novamente lhe pediu que retornasse e lhe trouxesse dois figos que, também foram encontrados na figueira.  Esses fatos explicam a representação da imagem da Santa com rosas, figos, cachos de uvas e abelhas. A Santa Igreja, para  perpetuar o milagre das rosas, aprovou a Bênção das Rosas que se realiza  no dia da festa,   ou no dia 22 de cada mês, para alívio dos enfermos.

                                         Foi beatificada em 1627, ocasião em que seu corpo foi encontrado no mesmo estado em que estava no momento de sua morte, ocorrida há mais de cento e cinqüenta anos.  Seu corpo, desde 18 de maio de 1947, repousa no Santuário, numa urna de prata e cristal fabricada em 1930. As vestes que lhe serviam de mortalha estão tão perfeitas como no dia em que a envolveram..  Atualmente, os visitantes podem sentir um doce aroma que provém de seu corpo.

                                         Recentes exames médicos  afirmaram que sobre a testa, existem traços de uma ferida óssea (osteomielite).  O pé direito apresenta sinais de uma doença sofrida nos últimos anos, talvez uma inflamação no nervo ciático. Sua altura era de 1,57 m. O rosto, as mãos e os pés estão mumificados, enquanto sob o hábito da religiosa agostiniana existe, intacto, o seu esqueleto.  

                                         A sua beatificação ocorreu no ano de 1900,  sob o pontificado do Papa Leão XIII. 

Fonte: http://www.paginaoriente.com/santosdaigreja/mai/ritadecassia2205.htm