terça-feira, 30 de junho de 2015

30 de junho - Comemoração de São Paulo, Apóstolo






Depois de sublinhar as prerrogativas de Pedro, a Santa Igreja, que nunca separa a comemoração dos dois Apóstolos, recorda-nos hoje  o papel particularissimo que São Paulo desempenhouna conversão dos gentios. Não esqueçamos que devemos a São Paulo, além da expansão do Evangelho por todo o mundo romano, as suas exposições magnificas de doutrina, que formam quase todas as espístolas das missas.

Epístola

Leitura da Epístola de São Paulo Apóstolo aos Gálatas (1,11-20). Irmãos: Asseguro-vos, irmãos, que o Evangelho pregado por mim não tem nada de humano. Não o recebi nem o aprendi de homem algum, mas mediante uma  revelação de Jesus Cristo. Certamente ouvistes falar de como outrora eu vivia no judaísmo, com que excesso perseguia a Igreja de Deus e a assolava;  avantajava-me no judaísmo a muitos dos meus companheiros de idade e nação, extremamente zeloso das tradições de meus pais. Mas, quando aprouve àquele que me reservou desde o seio de minha mãe e me chamou pela sua graça, para revelar seu Filho em minha pessoa, a fim de que eu o tornasse conhecido entre os gentios, imediatamente, sem consultar a ninguém, sem ir a Jerusalém para ver os que eram apóstolos antes de mim, parti para a Arábia; de lá regressei a Damasco. Três anos depois subi a Jerusalém para conhecer Cefas, e fiquei com ele quinze dias. Dos outros apóstolos não vi mais nenhum, a não ser Tiago, irmão do Senhor. Isto que vos escrevo - Deus me é testemunha -, não o estou inventando.

Evangelho do dia:

Leitura do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus (10, 16-22): Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: Eu vos envio como ovelhas no meio de lobos. Sede, pois, prudentes como as serpentes, mas simples como as pombas. Cuidai-vos dos homens. Eles vos levarão aos seus tribunais e açoitar-vos-ão com varas nas suas sinagogas. Sereis por minha causa levados diante dos governadores e dos reis: servireis assim de testemunho para eles e para os pagãos. Quando fordes presos, não vos preocupeis nem pela maneira com que haveis de falar, nem pelo que haveis de dizer: naquele momento ser-vos-á inspirado o que haveis de dizer. Porque não sereis vós que falareis, mas é o Espírito de vosso Pai que falará em vós. O irmão entregará seu irmão à morte. O pai, seu filho. Os filhos levantar-se-ão contra seus pais e os matarão. Sereis odiados de todos por causa de meu nome, mas aquele que perseverar até o fim será salvo.

Lefebvre, Dom Gaspar. Missal Quotidiano e Vesperal. Bruges, Bélgica; Abadia de S. André, 1960.

segunda-feira, 29 de junho de 2015

29 DE JUNHO - FESTA DOS SANTOS APÓSTOLOS PEDRO E PAULO - COLUNAS DA IGREJA UNA, SANTA CATÓLICA E APOSTÓLICA







Elias, O Profeta

Toda a Igreja está em festa neste dia "consagrado pelo martírio dos Apóstolos Pedro e Paulo". Nas duas grandes basílicas que se elevam em Roma sobre o túmulo destes dois príncipes " que pela cruz e pela espada conquistaram lugar de honrar no senado da vida eterna" celebrava-se outrora um duplo sacrifício. Mais tarde, por causa da grande distância que separava as duas Igrejas cindiu-se a festa e consagrou-se o dia 29 especialmente a São Pedro e o dia 30 a São Paulo. A missa de hoje dá particular relevo às prerrogativas de São Pedro, a proteção especialíssima que Deus lhe dispensou e a confiança que a Igreja deposita na intercessão dos dois grandes apóstolos a quem deve a origem. Ao cantar "tu é Petrus" sabem todos que as prerrogativas do príncipe dos apóstolos continuam na pessoa dos pontífices, sucessores dele e da sede de Roma e que pode confiar numa providência particularíssima de Deus sobre o vigário de Cristo, o qual preside na hora atual os destinos da Igreja.

Celebremos pois com grande alegria a festas destas duas colunas da nossa amada Igreja católica. Neste momento em que a Igreja e o mundo ocidental passam por uma crise terrível de fé, moral e ética, não podemos nos desanimar e ser levados por correntes contrária a fé que o próprio Deus nos depositou. Muitos são os ataques à Igreja de Cristo na Terra. Recordo-vos pois que estes ataques acompanham a Igreja desde sua origem à dois mil anos atrás. Atacaram e continuam atacando a divindade de Cristo, a virgindade perpétua da santíssima Virgem e muitas outras verdades de fé, que a Igreja para preservar a pureza de sua doutrina teve que organizar Concílios durante estes vinte séculos de cristianismo. Os ataques chegam a tamanho absurdo que muitos dizem que o Papa não é uma hierarquia instituída pelo Senhor negando pois a passagem do evangelho "Tu és Pedro e sobre esta pedra erguerei a minha Igreja, e as portas do inferno jamais prevalecerão contra ela. Te dou as chaves do reino dos Céus, tudo o que ligares na terra será ligado nos céus e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus" (Mt 16,18-19). Meus caros irmãos, poderia citar muitas outras passagens em que Jesus colocou São Pedro em uma posição Hierárquica acima dos demais apóstolos mudando o nome do apóstolo Simão para Pedro (Céfas que significa rocha). Preferível é, pois, confiar os que estão nas trevas do erro nas mãos do Espírito Santo. Deus nosso Senhor continue iluminando sua Igreja para que seja a porta do céu de seu reino aos homens. Amém.

Epístola

Leitura dos Atos dos Apóstolos (12,1-11): Naquele tempo: Por aquele mesmo tempo, o rei Herodes mandou prender alguns membros da Igreja para os maltratar. Assim foi que matou à espada Tiago, irmão de João. Vendo que isto agradava aos judeus, mandou prender Pedro. Eram então os dias dos pães sem fermento. Mandou prendê-lo e lançou-o no cárcere, entregando-o à guarda de quatro grupos, de quatro soldados cada um, com a intenção de apresentá-lo ao povo depois da Páscoa. Pedro estava assim encerrado na prisão, mas a Igreja orava sem cessar por ele a Deus. Ora, quando Herodes estava para o apresentar, naquela mesma noite dormia Pedro entre dois soldados, ligado com duas cadeias. Os guardas, à porta, vigiavam o cárcere. De repente, apresentou-se um anjo do Senhor, e uma luz brilhou no recinto. Tocando no lado de Pedro, o anjo despertou-o: Levanta-te depressa, disse ele. Caíram-lhe as cadeias das mãos. O anjo ordenou: Cinge-te e calça as tuas sandálias. Ele assim o fez. O anjo acrescentou: Cobre-te com a tua capa e segue-me. Pedro saiu e seguiu-o, sem saber se era real o que se fazia por meio do anjo. Julgava estar sonhando. Passaram o primeiro e o segundo postos da guarda. Chegaram ao portão de ferro, que dá para a cidade, o qual se lhes abriu por si mesmo. Saíram e tomaram juntos uma rua. Em seguida, de súbito, o anjo desapareceu. Então Pedro tornou a si e disse: Agora vejo que o Senhor mandou verdadeiramente o seu anjo e me livrou da mão de Herodes e de tudo o que esperava o povo dos judeus.



Evangelho do dia:

Leitura do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus (16,13-19): Naquele tempo: Chegando ao território de Cesaréia de Filipe, Jesus perguntou a seus discípulos: No dizer do povo, quem é o Filho do Homem? Responderam: Uns dizem que é João Batista; outros, Elias; outros, Jeremias ou um dos profetas. Disse-lhes Jesus: E vós quem dizeis que eu sou? Simão Pedro respondeu: Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo! Jesus então lhe disse: Feliz és, Simão, filho de Jonas, porque não foi a carne nem o sangue que te revelou isto, mas meu Pai que está nos céus. E eu te declaro: tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja; as portas do inferno não revalecerão contra ela. Eu te darei as chaves do Reino dos céus: tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus.



Lefebvre, Dom Gaspar. Missal Quotidiano e Vesperal. Bruges, Bélgica; Abadia de S. André, 1960.

domingo, 28 de junho de 2015

28 de Junho - VIGÍLIA DOS APÓSTOLOS SÃO PEDRO E SÃO PAULO





Graffiti do século IV em uma catacumba romana.
Celebramos amanhã a festa dos dois apóstolos, que são o fundamento sobre o qual o Senhor quis estabelecer a Igreja como sobre a rocha firme de que nos fala o Evangelho de hoje. Pedro recebeu de Jesus o múnus de Pastor e deu a vida pela Igreja. Paulo seguiu o príncipe dos Apóstolos no caminho do martírio.

Epístola

Leitura dos Atos dos Apóstolos (3,1-10): Naquele tempo: Pedro e João iam subindo ao templo para rezar à hora nona. Nisto levavam um homem que era coxo de nascença e que punham todos os dias à porta do templo, chamada Formosa, para que pedisse esmolas aos que entravam no templo. Quando ele viu que Pedro e João iam entrando no templo, implorou a eles uma esmola. Pedro fitou nele os olhos, como também João, e disse: Olha para nós. Ele os olhou com atenção esperando receber deles alguma coisa. Pedro, porém, disse: Não tenho nem ouro nem prata, mas o que tenho eu te dou: em nome de Jesus Cristo Nazareno, levanta-te e anda! E tomando-o pela mão direita, levantou-o. Imediatamente os pés e os tornozelos se lhe firmaram. De um salto pôs-se de pé e andava. Entrou com eles no templo, caminhando, saltando e louvando a Deus. Todo o povo o viu andar e louvar a Deus. Reconheceram ser o mesmo coxo que se sentava para mendigar à porta Formosa do templo, e encheram-se de espanto e pasmo pelo que lhe tinha acontecido.

Evangelho do dia:


Leitura do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João (21,15-19): Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: Tendo eles comido, Jesus perguntou a Simão Pedro: Simão, filho de João, amas-me mais do que estes? Respondeu ele: Sim, Senhor, tu sabes que te amo. Disse-lhe Jesus: Apascenta os meus cordeiros. Perguntou-lhe outra vez: Simão, filho de João, amas-me? Respondeu-lhe: Sim, Senhor, tu sabes que te amo. Disse-lhe Jesus: Apascenta os meus cordeiros. Perguntou-lhe pela terceira vez: Simão, filho de João, amas-me? Pedro entristeceu-se porque lhe perguntou pela terceira vez: Amas-me?, e respondeu-lhe: Senhor, sabes tudo, tu sabes que te amo. Disse-lhe Jesus: Apascenta as minhas ovelhas. Em verdade, em verdade te digo: quando eras mais moço, cingias-te e andavas aonde querias. Mas, quando fores velho, estenderás as tuas mãos, e outro te cingirá e te levará para onde não queres. Por estas palavras, ele indicava o gênero de morte com que havia de glorificar a Deus. E depois de assim ter falado, acrescentou: Segue-me!


Lefebvre, Dom Gaspar. Missal Quotidiano e Vesperal. Bruges, Bélgica; Abadia de S. André, 1960.

sábado, 27 de junho de 2015

V Domingo depois de Pentecostes "Vai primeiro e reconcilia-te com seu irmão" (Ev.)




A liturgia deste domingo nos ensina o modo como devemos perdoar as injúrias e, como no anterior, tem aqui esta doutrina dois elementos por base: a história de Davi que continua a ler-se no breviário e uma passagem da Epístola de S. Pedro cuja festa celebramos nesta altura. Esta semana era até chamada outrora, por este motivo, a dos Apóstolos

Logo depois que Davi derrotou Golias, Israel triunfante comemoravam a vitória os soldados e cantavam: Saul matou mil e Davi dez mil. Saul ao ouvir isto se irritou e com isso a inveja mordeu-lhe o coração: "Mil eu e dez mil Davi!" Dizia então Saul. Então será Davi mais do que Eu? Que lhe falta então agora ser rei?

E desde esses dias, nunca mais o pode ver com bons olhos, como se adivinhasse que Davi teria sido escolhido por Deus. A Inveja fê-lo um criminoso pois, por duas vezes tentou matar Davi e por tantas outras Davi evitou o golpe. Então mandou-o para a guerra, na esperança que lá ele morreria. Davi, porém, regressou vitorioso à frente do exército de Saul. Com este fato Saul desesperou e começou uma perseguição aberta. Um dia que andava a procurá-lo desceu para repousar a uma caverna tenebrosa onde Davi se ocultara; desceu e dormiu. Disse então a Davi um de seus companheiros: "Eis o Rei; o Senhor respondeu a Davi o Senhor entregou-o na tuas mãos. É sem dúvida o momento de o matares". "Não! - Respondeu Davi. Não permita Deus que eu desrespeite jamais o que recebeu a unção sagrada".

Davi derrota o gigante Golias com Cinco Pedrinhas
que pode ser a imagem de Cristo destruindo a
morte e o pecado com suas Cinco chagas
E contentou-se de cortar-lhe a orla do manto e de lhe mostrar quando estivesse longe quando o dia rompeu. Então Saul chorou e disse: "O meu vassalo Davi é melhor do que eu!" Surpreendeu-o ainda Davi em pleno sono, com a lança à cabeceira e apenas pegou nela e na taça, Saul então abençoou de novo Davi sem no entanto o deixar de perseguir. Mais tarde os filisteus recomeçaram a guerra e os Israelitas foram derrotados. Suicidou-se Saul  lançando-se sobre a própria Espada. Davi longe de se alegrar com a morte do Rei, rasgou as vestes e chorou amargamente e mandou cortar a cabeça ao Amalecita que atribuía o prestígio de matar a Saul, e assim trouxeram a notícia com a coroa "Montanhas de Geboé, exclamou que nem o orvalho e nem a chuva desçam jamais sobre vós, que vistes tombar os heróis de Israel Saul e Jônatas  tão amáveis e tão belos durante a vida e que a morte não pode separar.

Uma grande lição de caridade se desprende destas considerações e compreendemos agora a escolha do Evangelho e da Epístola que nos pregam ambos o dever impreterível de perdoar. "Sede pois unânimes na oração e não deis mal por mal, nem ultraje por ultraje", diz a Epístola. "Se apresentares a tua oferta no altar, diz o Evangelho, e te lembrares de que o teu irmão tem algo contra ti, deixa diante do altar a tua oferta e vai reconciliar-te primeiro com teu irmão". A comunhão da missa exprime os sentimentos de Davi ao apoderar-se da cidade de Sião e mandar colocar nela a Arca do Senhor. Isto foi a recompensa da sua invencível caridade, dessa virtude indispensável para que o culto tributado a Deus pelo homem no templo santo lhe seja verdadeiramente agradável. A Epístola e o Evangelho salientam o que é sobretudo quando nos reunirmos para orar que mais nos devemos unir. O melhor meio para alcançar esta virtude é o amor de Deus e desejo veemente dos bens eternos e da felicidade que reina na corte do Deus vivo, onde se entra senão pela porta estreita da renúncia e da abnegação cristã.

Saul ataca Davi por Inveja

Leitura da Epístola:

Leitura a primeira Epístola de São Pedro Apóstolo (IPedro 3 8-15): Carríssimos: Finalmente, tende todos um só coração e uma só alma, sentimentos de amor fraterno, de misericórdia, de humildade. Não pagueis mal com mal, nem injúria com injúria. Ao contrário, abençoai, pois para isto fostes chamados,para que sejais herdeiros da bênção. Com efeito, quem quiser amar a vida e ver dias felizes, refreie sua língua do mal e seus lábios de palavras enganadoras;  aparte-se do mal e faça o bem, busque a paz e siga-a. Porque os olhos do Senhor estão sobre os justos e seus ouvidos, atentos a seus rogos; mas a força do Senhor está contra os que fazem o mal (Sl 33,13-17). Se fordes zelosos do bem, quem vos poderá fazer mal? E até sereis felizes, se padecerdes alguma coisa por causa da justiça! Portanto, não temais as suas ameaças e não vos turbeis. Antes santificai em vossos corações Cristo, o Senhor. Estai sempre prontos a responder para vossa defesa a todo aquele que vos pedir a razão de vossa esperança, mas fazei-o com suavidade e respeito.

Evangelho do Domingo:

Continuação do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São Mateus (Mt 5, 20-24): Digo-vos, pois, se vossa justiça não for maior que a dos escribas e fariseus, não entrareis no Reino dos céus. Ouvistes o que foi dito aos antigos: Não matarás, mas quem matar será castigado pelo juízo do tribunal. Mas eu vos digo: todo aquele que se irar contra seu irmão será castigado pelos juízes. Aquele que disser a seu irmão: Raca, será castigado pelo Grande Conselho. Aquele que lhe disser: Louco, será condenado ao fogo da geena.  Se estás, portanto, para fazer a tua oferta diante do altar e te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa lá a tua oferta diante do altar e vai primeiro reconciliar-te com teu irmão; só então vem fazer a tua oferta.

 Lefebvre, Dom Gaspar. Missal Quotidiano e Vesperal. Bruges, Bélgica; Abadia de S. André, 1960.                                                                                              

sexta-feira, 26 de junho de 2015

26 de Junho - São João e São Paulo, Mártires


João e Paulo eram irmãos e servos de Constantina, filha do imperador Constantino, que, como o pai, era cristã.  Quando o imperador Juliano assumiu o poder, ele, que não era cristão, deu início a uma perseguição violenta aos seguidores de Jesus.

Como os irmãos se recusaram a renegar sua fé, o imperador concedeu-lhes o prazo de 10 dias para rever sua posição.  Porém, eles continuaram firme em suas proposições e, com isso, o chefe da guarda os executou em sua própria casa. 

Algumas tradições populares permeiam a vida desses santos.  Uma delas atribui a eles uma vitória do general Galicanus em uma batalha importante.  Conta-se que o general, antes da batalha, em uma conversa com os irmãos, ouviu deles a afirmação de que se ele se convertesse ao cristianismo sairia vitorioso; e assim sucedeu: o general, convertido pela expressão de fé dos dois, venceu o inimigo cujo exército era mais poderoso que o seu.

Fonte: Amai-vos

terça-feira, 23 de junho de 2015

24 DE JUNHO - SOLENIDADE DA NATIVIDADE DE SÃO JOÃO BATISTA










Profeta do altíssimo, foi no antigo testamento figurado já por Isaías e Jeremias e de modo superior consagrado no ventre materno para anunciar o redentor e preparar os homens para anunciar o Redentor e preparar os homens para sua vinda. O evangelho refere os prodígios que acompanharam seu nascimento. Zacarias dá ao filho um nome que Deus lhe indicara pelo anjo e logo recupera a voz que perdera e cheio do Espírito Santo prediz o glorioso destino da criança; "Irás a frente do Altíssimo para aplanar os caminhos e anunciar ao povo a sabedoria da salvação". Gabriel dissera ao velho sacerdote que muitos seriam os que se haviam de regozijar com o nascimento do seu filho. Ele era com efeito a aurora da salvação e é ainda como tal que a Santa Igreja nos convida a celebrar todos os anos no dia 24 de Junho. Considerado o nascimento do Batista uma espécie de Natal do estio (Hemisfério Norte), prelúdio do Natal do Salvador e inteiramente pendente dele.


Santo Agostinho viu nas datas respectivas das duas festas, 24 de junho e 25 de dezembro, o símbolo duma relação essencial entre ambas. O nascimento do Batista ocorre numa data em que os dias (no hemisfério norte) se apaga diante daquele que anuncia e cuja influência irá gradualmente crescendo, porque "é necessário que ele cresça e eu diminua".

As fogueiras de São João derivam de uma velha tradição popular que acende pelos outeiros e que vem completar a solenidade litúrgica, simbolizando a luz que surge das trevas.

Peçamos a São João Batista que continue junto de nós o seu papel de percursor e que nos guie nos caminhos da vida eterna, e que São João Batista rogue por nós e por toda a Igreja universal.

Epístola

Leitura do profeta Isaías (49, 1-3,6 e 7) : Ilhas, ouvi-me; povos de longe, prestai atenção! O Senhor chamou-me desde meu nascimento; ainda no seio de minha mãe, ele pronunciou meu nome. Tornou minha boca semelhante a uma espada afiada, cobriu-me com a sombra de sua mão. Fez de mim uma flecha penetrante, guardou-me na sua aljava. E disse-me: Tu és meu servo, (Israel), em quem me rejubilarei. E agora o Senhor fala, ele, que me formou desde meu nascimento para ser seu Servo, para trazer-lhe de volta Jacó e reunir-lhe Israel, (porque o Senhor fez-me esta honra, e meu Deus tornou-se minha força). Disse-me: Não basta que sejas meu servo para restaurar as tribos de Jacó e reconduzir os fugitivos de Israel; vou fazer de ti a luz das nações, para propagar minha salvação até os confins do mundo. Eis o que diz o Senhor, o Redentor, o Santo de Israel, ao objeto de desprezo dos homens e de horror das nações, ao escravo dos tiranos: diante de ti, reis se levantarão e príncipes se prostrarão, por causa do Senhor que é fiel, e do Santo de Israel que te elegeu.

Evangelho

Leitura do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas (1,57-68) : Naquele tempo Completando-se para Isabel o tempo de dar à luz, teve um filho. Os seus vizinhos e parentes souberam que o Senhor lhe manifestara a sua misericórdia, e congratulavamse com ela. No oitavo dia, foram circuncidar o menino e o queriam chamar pelo nome de seu pai, Zacarias. Mas sua mãe interveio: Não, disse ela, ele se chamará João. Replicaram-lhe: Não há ninguém na tua família que se chame por este nome. E perguntavam por acenos ao seu pai como queria que se chamasse. Ele, pedindo uma tabuinha, escreveu nela as palavras: João é o seu nome. Todos ficaram pasmados. E logo se lhe abriu a boca e soltou-se-lhe a língua e ele falou, bendizendo a Deus. O temor apoderou-se de todos os seus vizinhos; o fato divulgou-se por todas as montanhas da Judéia. Todos os que o ouviam conservavam-no no coração, dizendo: Que será este menino? Porque a mão do Senhor estava com ele. Zacarias, seu pai, ficou cheio do Espírito Santo e profetizou, nestes termos: Bendito seja o Senhor, Deus de Israel, porque visitou e resgatou o seu povo.


Lefebvre, Dom Gaspar. Missal Quotidiano e Vesperal. Bruges, Bélgica; Abadia de S. André, 1960.


23 de Junho - Vigília de São João Batista







 A Santa Igreja faz preceder de Vigília o nascimento de São João Batista que ocorre amanhã, três meses após a anunciação, em que o anjo Gabriel anunciou  a Maria que a sua parenta Isabel estava grávida de seis meses e que em breve teria um filho.

Epístola


Leitura do profeta Jeremias (1,4-10): Naqueles dias: Foi-me dirigida nestes termos a palavra do Senhor: Antes que no seio fosses formado, eu já te conhecia; antes de teu nascimento, eu já te havia consagrado, e te havia designado profeta das nações. E eu respondi: Ah! Senhor, eu nem sei falar, pois que sou apenas uma criança. Replicou porém o Senhor: Não digas: Sou apenas uma criança: porquanto irás procurar todos aqueles aos quais te enviar, e a eles dirás o que eu te ordenar. Não deverás temê-los porque estarei contigo para livrar-te - oráculo do Senhor. E o Senhor, estendendo em seguida a sua mão, tocou-me na boca. E assim me falou: Eis que coloco minhas palavras nos teus lábios. Vê: dou-te hoje poder sobre as nações e sobre os reinos para arrancares e demolires, para arruinares e destruíres, para edificares e plantares.


Evangelho do dia:


Leitura do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas (1,5-17) : Naquele tempo: Nos tempos de Herodes, rei da Judéia, houve um sacerdote por nome Zacarias, da classe de Abias; sua mulher, descendente de Aarão, chamava-se Isabel. Ambos eram justos diante de Deus e observavam irrepreensivelmente todos os mandamentos e preceitos do Senhor. Mas não tinham filho, porque Isabel era estéril e ambos de idade avançada. Ora, exercendo Zacarias diante de Deus as funções de sacerdote, na ordem da sua classe, coube-lhe por sorte, segundo o costume em uso entre os sacerdotes, entrar no santuário do Senhor e aí oferecer o perfume. Todo o povo estava de fora, à hora da oferenda do perfume. Apareceu-lhe então um anjo do Senhor, em pé, à direita do altar do perfume. Vendo-o, Zacarias ficou perturbado, e o temor assaltou-o. Mas o anjo disse-lhe: Não temas, Zacarias, porque foi ouvida a tua oração: Isabel, tua mulher, dar-te-á um filho, e chamá-lo-ás João. Ele será para ti motivo de gozo e alegria, e muitos se alegrarão com o seu nascimento; porque será grande diante do Senhor e não beberá vinho nem cerveja, e desde o ventre de sua mãe será cheio do Espírito Santo; ele converterá muitos dos filhos de Israel ao Senhor, seu Deus, e irá adiante de Deus com o espírito e poder de Elias para reconduzir os corações dos pais aos filhos e os rebeldes à sabedoria dos justos, para preparar ao Senhor um povo bem disposto. 



Lefebvre, Dom Gaspar. Missal Quotidiano e Vesperal. Bruges, Bélgica; Abadia de S. André, 1960.

segunda-feira, 22 de junho de 2015

Homossexuais ou pedófilos. Sinônimos ou alternativas? A esquerda aplaude!


Felipe Marques Pereira*

Na quase totalidade das culturas humanas os jovens eram iniciados na vida sexual após os primeiros sinais de desenvolvimento; nos meninos o crescimento dos pelos e a mudança da voz, nas meninas após a primeira menstruação. Portanto o corpo sempre dava sinais de algum preparo para a vida sexual, mas para aqueles que defendem a ideologia de gênero, o gênero - masculino ou feminino - não tem nenhuma relação com a anatomia fisiológica do indivíduo. Portanto qual a idade apropriada para ter as primeiras experiências sexuais? Na lógica interna da ideologia do gênero o indivíduo poderia começar a atividade sexual desde os primeiros anos de vida já que o gênero não guarda nenhuma relação com a sua constituição fisiológica/anatômica.

Portanto a ideologia do gênero é um suporte a prática da pedofilia, independente da intenção e finalidade dos seus idealizadores.

A AMC, num estudo publicado em 2004, questiona as motivações políticas das pesquisas que tentam provar a imutabilidade da tendência homossexual e as motivações que levam alguns pesquisadores a tentar convencer o público de que a atividade sexual tem bases genéticas. Os autores são enfáticos**:

"Tais tentativas podem ter como causa motivações políticas porque as pessoas se sentem mas inclinadas a aceitar sem dificuldades reivindicações e mudanças nas leis e nos ensinos religiosos quando creem que a atração sexual é geneticamente determinada e imutável"

O marxismo, com sua dialética histórica, revestiu a luta de classes com uma oposição fantasmagórica. Da batalha entre a burguesia e o proletariado o primeiro foi revestido com varias roupagens, e o segundo também. Na luta dos revolucionários por dividir e conquistar, os heterossexuais, o homem branco e os países ricos tomaram o lugar da burguesia já os homossexuais e as mulheres, os negros e os países do terceiro mundo tomaram o lugar do proletariado comprando a retórica marxista da opressão histórica seguida da promessa da salvação. Com isso, sobretudo a partir da década de 70 e com queda da União Soviética, os movimentos utópicos, para revolucionar a cultura e destruir todas as instituições reconhecidas e construídas pela civilização cristã ao longo de dois mil anos, começaram a levantar e manipular as minorias buscando ceder poder a eles para que oprimam o restante da população. O que segundo Aristóteles é uma das características dos governos tirânicos***.

Com o propósito de eliminar toda a autoridade concorrente, um governo tirânico não pode admitir na célula da sociedade, ou seja, a família, a autoridade do marido sobre a mulher nem dos pais sobre os filhos.

Por isso estou disposto a admitir um vínculo político entre o ativismo gay e o grupos que pretendem diminuir a idade consensual para início da atividade sexual e promovendo o sexo intergeracional, um nome novo para uma abominação antiga, a pedofilia.

Qualquer tentativa de vincular homossexualismo e pedofilia como faz o grupo Catolicismo e Conservadorismo com a intenção de provar que um homossexual é um "pedófilo em potencial" só reforça o discurso dos ativistas gays que vivem pedindo mais armas jurídicas para se proteger de um inimigo imaginário. A esquerda aplaude! E Jean Wyllys agradece!

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Sobre a polêmica, leia também:




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Essa coluna esta sendo atualizada aos domingos, segundas ou terças-feiras.

 * Felipe Marques Pereira é um escritor conservador. Católico leigo estudou na PUC/PR.

Para entrar em contato envie um e-mail para:

felipemarquespereira2015@outlook.com


**http://www.presbiteros.com.br/site/homossexualidade-e-esperanca/


domingo, 21 de junho de 2015

21 de Junho - São Luis Gonzaga, Confessor (Padroeiro dos seminaristas e da juventude)

Luís nasceu no dia 9 de março de 1568, na Itália. Foi o primeiro dos sete filhos de Ferrante Gonzaga, marquês de Castiglione delle Stiviere e sobrinho do duque de Mântua. Seu pai, que servia ao rei da Espanha, sonhava ver seu herdeiro e sucessor ingressar nas fileiras daquele exército. Por isso, desde pequenino, Luís era visto vestido como soldado, marchando atrás do batalhão ao qual seu pai orgulhosamente servia.
 

Entretanto, Luís não desejava essa carreira, pois, ainda criança fizera voto de castidade. Quando tinha dez anos, foi enviado a Florença na qualidade de pajem de honra do grão-duque de Toscana. Posteriormente, foi à Espanha, para ser pajem do infante dom Diego, período em que aproveitou para estudar filosofia na universidade de Alcalá de Henares. Com doze anos, recebeu a primeira comunhão diretamente das mãos de Carlos Borromeu, hoje santo da Igreja.
 

Desejava ingressar na vida religiosa, mas seu pai demorou cerca de dois anos para convencer-se de sua vocação. Até que consentiu; mas antes de concordar definitivamente, ele enviou Luís às cortes de Ferrara, Parma e Turim, tentando fazer com que o filho se deixasse seduzir pelas honras da nobreza dessas cortes.
 

Luís tinha quatorze anos quando venceu as resistências do pai, renunciou ao título a que tinha direito por descendência e à herança da família e entrou para o noviciado romano dos jesuítas, sob a direção de Roberto Belarmino, o qual, depois, também foi canonizado.
 

Lá escolheu para si as incumbências mais humildes e o atendimento aos doentes, principalmente durante as epidemias que atingiram Roma, em 1590, esquecendo totalmente suas origens aristocráticas. Consta que, certa vez, Luís carregou nos ombros um moribundo que encontrou no caminho, levando-o ao hospital. Isso fez com que contraísse a peste que assolava a cidade.
 

Luís Gonzaga morreu com apenas vinte e três anos, em 21 de junho de 1591. Segundo a tradição, ainda na infância preconizara a data de sua morte, previsão que ninguém considerou por causa de sua pouca idade. Mas ele estava certo.
 

O papa Bento XIII, em 1726, canonizou Luís Gonzaga e proclamou-o Padroeiro da Juventude.

A igreja de Santo Inácio, em Roma, guarda as suas relíquias, que são veneradas no dia de sua morte. Enquanto a capa que são Luís Gonzaga usava encontra-se na belíssima basílica dedicada a ele, em Castiglione delle Stiviere, sua cidade natal.

Fonte: Últimas e Derradeiras Graças

sábado, 20 de junho de 2015

IV Domingo depois de Pentecostes "Ficaram possuídos de espanto por causa da pesca que fizeram" (Ev.)



A confiança em Deus no meio das lutas e dos sofrimentos da vida é o pensamento que domina toda a liturgia de hoje. Quando Deus rejeitou Saul por causa de seu orgulho, ordenou a Samuel que ungisse Davi, filho mais novo de Jessé, ainda criança, e desde então o Espírito Santo, diz a escritura, retirou-se de Saul e posou sobre o novo ungido. Começou então a guerra dos filisteus e apareceu aquele gigante chamado Golias que desafiava dia e noite os israelitas. "Escravos de Saul, dizia ele, escolhei um campeão que seja capaz de competir comigo. Se me vencer seremos todos vossos escravos." E Israel andava aterrado e confundido e assim ninguém ousava responder ao desafio do pagão, até que Davi veio ao campo e ofereceu-se a Saul para abater a arrogância do Filisteu. "Vai, respondeu-lhe o rei, e que o Deus de Israel esteja contigo. "Davi pegou no cajado e na funda, colocou no bolso cinco pedras bem lisas que apanhou e avançou com esta arma para o gigante. "Julgas que sou um cão para vir até mim com um cacete? - Disse o Filisteu. Deixa que já verás que tal mordem os meus dentes!" - Sim venho a ti em nome do Deus de Israel que tu insultastes, respondeu Davi. E hoje mesmo saberá a Terra inteira que Deus não precisa de espada nem de lança para salvar. Ele é o Senhor dos exércitos e dá a vitória a quem lhe apraz. Precipitou-se então o gigante sobre Davi, que jogando com rapidez a funda, lhe cravou na fronte uma pedra e o fez cair por terra. E correndo sobre ele, cortou-lhe com a Espada a cabeça, que trouxe como um troféu a Saul. Os filisteus debandaram em fuga e israel ficou livre do terro do inimigo. Os quarenta dias que o exército israelita ficou diante dos filisteus significam, diz Santo Agostinho, a Vida presente durante a qual temos que combater Golias e o seu exército, quer dizer, o demônio e seus anjos. E não poderíamos vencer, se o verdadeiro Davi, Cristo Nosso Senhor, não viesse nos ajudar com o bastão da cruz. O exército de Israel é a Igreja que, humilhada e vexada pelos inimigos, geme e espera pelo libertador e pede ao Senhor, que é escudo e defesa dos pobres, seu refúgio e libertação vindo em seu auxílio  "O Senhor é que me salva, Ele é muralha que me cinge, por isso usando vier o inimigo contra mim, não terei medo". O Evangelho da missa prega-nos a mesma doutrina. Foi na barca de Pedro que Jesus subiu para pregar, e foi a Pedro que Jesus mandou que fosse ao lago mesmo após inúmeras tentativas a noite sem sucesso, para lançar as redes. Esta barca diz Santo Ambrósio, que São Mateus nos descreve batida pelas vagas e por São Lucas carregadas de peixes, é a Igreja do Senhor, agitada e quase a ponto de afundar pelas tempestades das perseguições que lhe cercaram no início e nos tempos atuais. E navegando serena e próspera depois entre os povos que a aclama e a bendizem. E não corre perigo a barca que assim veleja com Deus ao leme e aos ventos sereníssimos da fé.
Há realmente um perigo onde a estrela da fé não cintila. mas aqui, tudo vai sereno, porque o amor é perfeito. Entrados também na barca de Pedro no dia do batismo, não nos deixemos a turbar pelas vagas tempestades do mundo. confiemos no Senhor e ele nos salvará das insídias do Demônio, como salvou Israel de Golias e seu Exército.


Davi degolando o Gigante Golias


Leitura da Epístola da missa:

Leitura da Epístola de São Paulo Apóstolo (8, 18-23) - Irmãos: Os que vivem segundo a carne não podem agradar a Deus. Vós, porém, não viveis segundo a carne, mas segundo o Espírito, se realmente o espírito de Deus habita em vós. Se alguém não possui o Espírito de Cristo, este não é dele. Ora, se Cristo está em vós, o corpo, em verdade, está morto pelo pecado, mas o Espírito vive pelam justificação. Se o Espírito daquele que ressuscitou Jesus dos mortos habita em vós, ele, que ressuscitou Jesus Cristo dos mortos, também dará a vida aos vossos corpos mortais, pelo seu Espírito que habita em vós. Portanto, irmãos, não somos devedores da carne, para que vivamos segundo a carne. De fato, se viverdes segundo a carne, haveis de morrer; mas, se pelo Espírito mortificardes as obras da carne, vivereis, pois todos os que são conduzidos pelo Espírito de Deus são filhos de Deus. Porquanto não recebestes um espírito de escravidão para viverdes ainda no temor, mas recebestes o espírito de adoção pelo qual clamamos: Aba! Pai! O Espírito mesmo dá testemunho ao nosso espírito de que somos filhos de Deus. E, se filhos, também herdeiros, herdeiros de Deus e co-herdeiros de Cristo, contanto que soframos com ele, para que também com ele sejamos glorificados. Tenho para mim que os sofrimentos da presente vida não têm proporção alguma com a glória futura que nos deve ser manifestada.





Evangelho de Domingo:

Continuação do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São Lucas (5, 1-11) - Naquele tempo: Estando Jesus um dia à margem do lago de Genesaré, o povo se comprimia em redor dele para ouvir a palavra de Deus. Vendo duas barcas estacionadas à beira do lago, - pois os pescadores haviam descido delas para consertar as redes -, subiu a uma das barcas que era de Simão e pediu-lhe que a afastasse um pouco da terra; e sentado, ensinava da barca o povo. Quando acabou de falar, disse a Simão: Faze-te ao largo, e lançai as vossas redes para pescar. Simão respondeu-lhe: Mestre, trabalhamos a noite inteira e nada apanhamos; mas por causa de tua palavra, lançarei a rede. Feito isto, apanharam peixes em tanta quantidade, que a rede se lhes rompia. Acenaram aos companheiros, que estavam na outra barca, para que viessem ajudar. Eles vieram e encheram ambas as barcas, de modo que quase iam ao fundo. Vendo isso, Simão Pedro caiu aos pés de Jesus e exclamou: Retira-te de mim, Senhor, porque sou um homem pecador. É que tanto ele como seus companheiros estavam assombrados por causa da pesca que haviam feito. O mesmo acontecera a Tiago e João, filhos de Zebedeu, que eram seus companheiros. Então Jesus disse a Simão: Não temas; doravante serás pescador de homens. E atracando as barcas à terra, deixaram tudo e o seguiram.


Lefebvre, Dom Gaspar. Missal Quotidiano e Vesperal. Bruges, Bélgica; Abadia de S. André, 1960.

terça-feira, 16 de junho de 2015

A natureza do inferno


Felipe Marques Pereira*

Foi o autor da beleza que criou todas as coisas. E pela beleza e formosura das criaturas podemos visivelmente chegar ao conhecimento do criador. Deus é simples e sem composição, nele, verdade, bem e beleza se identificam. Como em todo o efeito encontramos, em menor grau, as qualidades da causa, assim, nas coisas criadas encontramos o reflexo da verdade, bondade e beleza de Deus. Podemos encontrar o reflexo das qualidades infinitas de Deus, no finito das criaturas. Jesus Cristo, por exemplo, usava coisas do cotidiano do público para os quais ele ensinava e para se fazer compreendido, comparando o reino dos céus com um grão de mostarda.

Existe um valor simbólico nas criaturas. O fogo é um símbolo de destruição, algo que consome. As Sagradas Escrituras falam com frequência do “fogo do inferno”.

Deus criou os céus e a terra "no principio". Estamos dentro do tempo que como uma linha dividida entre antes e depois de Cristo, terminara com o "fim dos tempos". Quando o próprio tempo linear, - uma sucessão de instantes mutáveis - será "absorvido" na eternidade. Sendo o propósito da vida amar a Deus para adorá-lo na eternidade, devemos sempre nos perguntar onde queremos passar a eternidade?

Com o fim da Idade Média nossa civilização perdeu o senso do sobrenatural e uma pergunta como essa já não faz nenhum sentido para o homem comum. Suas aspirações estão voltadas para o mundo natural e toda a esperança reside na técnica, na tecnologia ou nas ciências (econômicas, sociais etc.). Em substituição a vida eterna o homem busca melhorar e prolongar a vida quem sabe alcançando até a imortalidade. A punição dos maus e a recompensa dos justos foram substituídas pelas modernas ideologias milenaristas que prometem um paraíso terreno, como é o comunismo, fascismo e o nazismo. A pena civil da prisão perpétua por exemplo, é uma metáfora do inferno e para a sorte do condenado o arrependimento já não produz nenhuma esperança de libertação.

São Tomas explica que a pena do inferno é eterna porque os pecados são contra Deus, que é infinito. Uma ofensa é tanto mais grave quanto maior for a dignidade do ofendido, Deus tendo mérito infinito e sendo o ser humano finito, por tanto incapaz de alguma qualidade infinita, não pode por seus próprios méritos obter o perdão. Santo Agostinho se referia ao inferno como sendo a sujeição do espírito a um fogo material. Sujeição de um espírito caído, privado de movimento.

Os nossos santos não conheciam a missa universalista da CNBB que diz que "Cristo se entregou por todos", heresia que prega que cada um pode ficar na sua, porque no final serão todos salvos mesmo. Eu não li todos, mas quase todos os chatos documentos do CVII e a palavra inferno não aparece em nenhum deles. O CVII aposentou Satanás e interditou o inferno.

A doutrina de sempre, em contraste com a doutrina do nunca conciliar, professa a existência do inferno.

Vamos encerrar com a leitura alguns parágrafos do Catecismo de São Pio X a respeito **:

<<248. Em que consiste a desgraça dos condenados?
A desgraça dos condenados consiste em serem para sempre privados da visão de Deus, e punidos com tormentos eternos no Inferno.

249. Por ora, são só para as almas os bens do Paraíso e os males do Inferno?
Os bens do Paraíso e os males do Inferno, por ora, são só para as almas, porque por enquanto só as almas estão no Paraíso ou no Inferno; mas, depois da ressurreição da carne, os homens, na plenitude da sua natureza, isto é, em corpo e alma, serão ou felizes ou infelizes para sempre.>>

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Essa coluna esta sendo atualizada aos domingos, segundas ou terças-feiras.

 * Felipe Marques Pereira é um escritor conservador. Católico leigo estudou na PUC/PR.

Para entrar em contato envie um e-mail para:

felipemarquespereira2015@outlook.com


**http://www.filhosdapaixao.org.br/doutrina/catecismos/catecismo_maior_pio_x/catecismo_14.htm


sábado, 13 de junho de 2015

III Domingo depois de Pentecostes: "Ele a procura até a encontrar" (Ev.)

A liturgia de hoje canta os tesouros insondáveis da misericórdia divina para com os homens. Como Jesus, que não veio chamar os justos e sim os pecadores, o Espírito Santo, que continua a ação benéfica e redentora de Cristo entre os homens, estabelece o reino de Deus na alma pecadora.
É o que a Igreja nos diz hoje no Breviário e no missal. Senão vejamos. Dizem as lições de matinas que os israelitas depois da morte de Heli se submeteram a Samuel e que, estando este já velho, lhe pediram um Rei. Ora havia então na tribo de Benjamim um jovem chamado Saul que era o mais belo e forte em Israel. E aconteceu que, andando à procura do gado que perdera, se dirigiu a Rama, onde se encontrava Samuel, e lhe perguntou se lhe sabia o paradeiro das reses. Disse-lhe o profeta que já tinham sido encontradas; e sabendo do Senhor que era aquele o escolhido para reinar Israel, derramou-lhe na cabeça óleo da unção e disse-lhe: O Senhor te ungiu para a cabeça de sua herança e tu salvará teu povo da mão de teu inimigo. Diz São Gregório que Saul, que fora enviado pelo pai a procura das muares perdidas, é figura de Jesus Cristo que também fora enviado pelo Pai celeste à procura das ovelhas extraviadas. E é também pelo fato de receber a unção real para libertar o povo, do mesmo modo que Jesus Cristo, o ungido por excelência, veio libertar-nos do poder do demônio, que continua a rodear-nos como leão rugidor. Daqui, sem dúvida, a escolha do Evangelho e da Epístola de hoje.

O evangelho é o da ovelha perdida e do bom pastor, que deixa as noventa e nove no deserto e va i procura-la pelas fragas e algares das ilusões da vida e a reconduz aos ombros para a segurança e fartura do aprisco. A Epístola expõe por sua vez os perigos a que as ovelhas do Senhor andam continuamente expostas. Vigiai, diz São Pedro, porque o Diabo inimigo rodeia-vos como leão rugidor, resisti-lhe firmes na fé. Este aviso anda, evidentemente, sempre acompanhado da certeza de que Deus é nosso protetor e de que não nos poderá faltar se o invocarmos. E lembrando-nos de Saúl e do fim que teve por se ter orgulhado contra o Senhor e desobedecido suas leis, façamos da nossa miséria motivo para pedir a Deus, "sem o qual nada é santo", que leve a cabo em nós a sua obra de misericórdia, a fim de que guiados por ele não percamos os bens eternos pelo engano dos temporais.
Epístola

Leitura da Epístola de São Pedro Apóstolo (IPed 5, 611). Caríssimos: Humilhai-vos, pois, debaixo da poderosa mão de Deus, para que ele vos exalte no tempo oportuno. Confiai-lhe todas as vossas preocupações, porque ele tem cuidado de vós. Sede sóbrios e vigiai. Vosso adversário, o demônio, anda ao redor de vós como o leão que ruge, buscando a quem devorar. Resisti-lhe fortes na fé. Vós sabeis que os vossos irmãos, que estão espalhados pelo mundo, sofrem os mesmos padecimentos que vós. O Deus de toda graça, que vos chamou em Cristo à sua eterna glória, depois que tiverdes padecido um pouco, vos aperfeiçoará, vos tornará inabaláveis, vos fortificará.  A ele o poder na eternidade! Amém.




Continuação do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São Lucas (15,1-10): Naquele tempo:
Aproximavam-se de Jesus os publicanos e os pecadores para ouvi-lo.
Os fariseus e os escribas murmuravam: Este homem recebe e come com pessoas de má vida!
Então lhes propôs a seguinte parábola:
Quem de vós que, tendo cem ovelhas e perdendo uma delas, não deixa as noventa e nove no deserto e vai em busca da que se perdeu, até encontrá-la?
E depois de encontrá-la, a põe nos ombros, cheio de júbilo,
e, voltando para casa, reúne os amigos e vizinhos, dizendo-lhes: Regozijai-vos comigo, achei a minha ovelha que se havia perdido.
Digo-vos que assim haverá maior júbilo no céu por um só pecador que fizer penitência do que por noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento.
Ou qual é a mulher que, tendo dez dracmas e perdendo uma delas, não acende a lâmpada, varre a casa e a busca diligentemente, até encontrá-la?
E tendo-a encontrado, reúne as amigas e vizinhas, dizendo: Regozijai-vos comigo, achei a dracma que tinha perdido.
Digo-vos que haverá júbilo entre os anjos de Deus por um só pecador que se arrependa.


Lefebvre, Dom Gaspar. Missal Quotidiano e Vesperal. Bruges, Bélgica; Abadia de S. André, 1960.

sexta-feira, 12 de junho de 2015

SOLENIDADE DO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS (Festa Móvel)










Elias, O Profeta

Nos séculos XVI e XVII o protestantismo e o Jansenismo procuravam deformar ou mesmo abolir por completo um dos dogmas essenciais do cristianismo - o amor de Deus aos homens. Era pois necessário que o Espírito de amor que orienta a Igreja, encontrasse meio novo de se opor à heresia nascente, por que a esposa de Cristo, longe de ver diminuir o seu amor a Jesus Cristo, o sentisse crescer cada vez mais. Foi então que apareceram os grandes precursores do novo culto ao Coração de Jesus, já precedidos na Idade Média pelas grandes figuras beneditinas de Gertrudes e Matilde. São João Eudes foi o primeiro a lançar o grito de alerta contra os perigosos e subversivos discípulos de Jansénio e instituiu em 1670 a missa e o ofício do Sagrado Coração de Jesus para uso particular da congregação que fundara. Pouco depois, em 1675, escolheu a providência uma filha espiritual de São Francisco de Sales, Santa Margarida Maria Alacoque, a qual Jesus mostrou o seu Coração em Paray Le Monial no segundo domingo depois de Pentecostes e pediu que estabelecesse uma festa do Sagrado Coração de Jesus na primeira sexta-feira depois deste mesmo domingo. Em 1765, Clemente XIII aprovou a festa e o ofício do Sagrado Coração e em 1856 o Papa Pio IX estendeu-a à Igreja universal. Em 1929, Pio XI compôs missa e Ofício novos para esta festa.


Epístola
Leitura da Epístola de São Paulo Apóstolo aos Efésios (3,8-19) . Irmãos: A mim, o mais insignificante dentre todos os santos, coube-me a graça de anunciar entre os pagãos a inexplorável riqueza de Cristo, e a todos manifestar o desígnio salvador de Deus, mistério oculto desde a eternidade em Deus, que tudo criou.  Assim, de ora em diante, as dominações e as potestades celestes podem conhecer, pela Igreja, a infinita diversidade da sabedoria divina, de acordo com o desígnio eterno que Deus realizou em Jesus Cristo, nosso Senhor.
Pela fé que nele depositamos, temos plena confiança de aproximar-nos junto de Deus. Por isso vos rogo que não desfaleçais nas minhas tribulações que sofro por vós: elas são a vossa glória. Por esta causa dobro os joelhos em presença do Pai, ao qual deve a sua existência toda família no céu e na terra, para que vos conceda, segundo seu glorioso tesouro, que sejais poderosamente robustecidos pelo seu Espírito em vista do crescimento do vosso homem  interior. Que Cristo habite pela fé em vossos corações, arraigados e consolidados na caridade, a fim de que possais, com todos os cristãos, compreender qual seja a largura, o comprimento, a altura e a profundidade, isto é, conhecer a caridade de Cristo, que desafia todo o conhecimento, e sejais cheios de toda a plenitude de Deus.



Continuação do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São João (19, 31-37): Naquele tempo:
Os judeus temeram que os corpos ficassem na cruz durante o sábado, porque já era a Preparação e esse sábado era particularmente solene. Rogaram a Pilatos que se lhes quebrassem as pernas e fossem retirados.
Vieram os soldados e quebraram as pernas do primeiro e do outro, que com ele foram crucificados.
Chegando, porém, a Jesus, como o vissem já morto, não lhe quebraram as pernas,
mas um dos soldados abriu-lhe o lado com uma lança e, imediatamente, saiu sangue e água.
O que foi testemunha desse fato o atesta (e o seu testemunho é digno de fé, e ele sabe que diz a verdade), a fim de que vós creiais.
Assim se cumpriu a Escritura: Nenhum dos seus ossos será quebrado (Ex 12,46).
E diz em outra parte a Escritura: Olharão para aquele que transpassaram (Zc 12,10).


Lefebvre, Dom Gaspar. Missal Quotidiano e Vesperal. Bruges, Bélgica; Abadia de S. André, 1960.

Suávi jugo tuo domináre, Dómine, in médio inimicórum tuórum