quarta-feira, 30 de setembro de 2015

30 de Setembro - São Jerônimo, Presbítero, Confessor e Doutor da Igreja

Doutor da igreja, e um dos maiores especialistas em bíblias de sua época

Ele nasceu em Stridonium perto de Aquiléia, Itália e estudou em Roma. Foi batizado na idade de 18 anos, mas foi criado desde pequeno como cristão .Em 374 foi para a Antiópia e teve um visão em que Cristo o admoestava dizendo:
"Ciceronianus es, non Christianus" "Você é um Cicerone e não um Cristão" uma condenação da preferencia de Jerônimo a literatura romana e não aos escritos cristãos. Ele foi então para Chalcis, no deserto da Síria e ficou lá por quatro anos, aprendendo hebreu e os escritos de São Paulo de Tebas. Após sua ordenação ele viveu em Constantinopla, hoje Istambul, estudando sob São Gregório Nazaianzus. Retornando a Roma ele chamou a atenção do Papa Damascus e serviu com secretario papal tornando-se uma figura muito popular até a morte de Damascus. Depois foi para Belém onde ficou lá com Santa Paula, São Eustáquio e outros, pregando na Palestina e no Egito. São Jerônimo devotou a sua via aos propósitos escolares traduzindo Sagradas Escrituras, revisando versões em Latin do Novo testamento principalmente a tradução da bíblia do grego para o Latin chamada "Vulgate ", na qual ficou 15 anos (teria sido uma sugestão do Papa Damascus). De 405 até a sua morte ele continuou a escrever e atacar a heresia Pelagiana. Seus outros trabalhos incluem :

1)"Uma Continuação da Historia Eclesiástica ".

2)"De Viris Illustribus" (uma apresentação dos maiores escritores dos anos anteriores).

3)Um grande número de cartas ; uma tradução de Origines e a tradução e comentários de uma vasta variedade de tratados controvertidos.

Ele morreu em 30 de setembro após longa doença.
Ele é honrado com sendo um dos primeiros estudiosos do início da Igreja e um gênio que deu uma grande contribuição para a área escolástica bíblica.

Na arte litúrgica ele mostrado as vezes como um cardeal atendido por um leão ou ainda como um eremita. Outras vezes como um escolástico.
Padroeiro dos bibliotecários e das secretárias.

Fonte: Cadê meu Santo

terça-feira, 29 de setembro de 2015

29 DE SETEMBRO - DEDICAÇÃO DE SÃO MIGUEL ARCANJO








Roma consagrou mais 10 santuários dedicados ao culto do Arcanjo São Miguel. A festa de hoje é a mais antiga de Arcanjo. Comemora-se a dedicação do antigo santuário consagrado a São Miguel nos subúrbios de Roma, as sete milhas da Via Salária. A Missa composta para aquela festa é atualmente a missa do 18º domingo depois de pentecostes, que se reporta a uma dedicação de igreja.

Miguel quer dizer: "Quem como Deus?", recorda-nos o combate que se travou no Céu entre o Arcanjo de Deus, príncipe da milícia celeste, e o Demônio. A batalha que aí então começou, continua ainda depois da rebelião de Lúcifer, e há de continuar até o fim dos tempos. Nesta luta terrível entre as potências do bem e do mal, está de um lado Jesus Cristo e seus aliados, São Miguel e os Anjos, a Igreja e os Santos; do outro lado, satanás com os demônios e seus aliados.

Andamos pessoalmente envolvidos em contenda. Peçamos humildemente ao poderoso Arcanjo que nos guie e nos livre de perecer no dia do juízo final. Quando deste mundo sai uma alma, a Santa Igreja pede que o porta-estandarte São Miguel a introduza na luz Céu. Daqui nasceu o costume de representar São Miguel segurando uma Balança divina em que as almas devem ser pesadas. São Miguel também preside o culto de adoração que se deve tributar a Deus. Viu-o São João no Céu diante do altar, agitando o incenso que se evolava em perfume, juntamente com as orações dos Santos. O nome de São Miguel vem no Confíteor a seguir do nome de Maria Santíssima que é considerada a Rainha dos Anjos. Foi considerado patrono da Sinagoga e agora continua sendo patrono da Igreja Universal que sucedeu aquela.





Epístola

Leitura do Livro do Apocalipse (1, 1-5) : Naqueles dias: Revelou Deus estas coisas para manifestar aos seus servos o que deve acontecer em breve. Ele, por sua vez, por intermédio de seu anjo, comunicou ao seu servo João, o qual atesta, como palavra de Deus, o testemunho de Jesus Cristo e tudo o que viu. Feliz o leitor e os ouvintes se observarem as coisas nela escritas, porque o tempo está próximo. João às sete igrejas que estão na Ásia: a vós, graça e paz da parte daquele que é, que era e que vem da parte dos sete Espíritos que estão diante do seu trono e da parte de Jesus Cristo, testemunha fiel, primogênito dentre os mortos e soberano dos reis da terra. Àquele que nos ama, que nos lavou de nossos pecados no seu sangue


Evangelho do dia:

Leitura do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus (18,1-10): Naquele tempo: Os discípulos aproximaram-se de Jesus e perguntaram-lhe: Quem é o maior no Reino dos céus? Jesus chamou uma criancinha, colocou-a no meio deles e disse: Em verdade vos declaro: se não vos transformardes e vos tornardes como criancinhas, não entrareis no Reino dos céus. Aquele que se fizer humilde como esta criança será maior no Reino dos céus. E o que recebe em meu nome a um menino como este, é a mim que recebe. Mas, se alguém fizer cair em pecado um destes pequenos que crêem em mim, melhor fora que lhe atassem ao pescoço a mó de um moinho e o lançassem no fundo do mar. Ai do mundo por causa dos escândalos! Eles são inevitáveis, mas ai do homem que os causa! Por isso, se tua mão ou teu pé te fazem cair em pecado, corta-os e lança-os longe de ti: é melhor para ti entrares na vida coxo ou manco que, tendo dois pés e duas mãos, seres lançado no fogo eterno. Se teu olho te leva ao pecado, arranca-o e lança-o longe de ti: é melhor para ti entrares na vida cego de um olho que seres jogado com teus dois olhos no fogo da geena. Guardai-vos de menosprezar um só destes pequenos, porque eu vos digo que seus anjos no céu contemplam sem cessar a face de meu Pai que está nos céus.



São Miguel Arcanjo, defendei-nos no combate, sede nosso guarda contra a maldade e as ciladas do Demônio. Instantemente e humildemente vos pedimos que Deus sobre ele impere; e vós, príncipe da milícia celeste, com o poder divino, precipitai ao inferno a Satanás e aos outros espíritos malignos que vagueiam pelo mundo para perder as almas. Amém

Lefebvre, Dom Gaspar. Missal Quotidiano e Vesperal. Bruges, Bélgica; Abadia de S. André, 1960.

sábado, 26 de setembro de 2015

XIX Domingo Pós Pentecostes “Como entraste aqui, não tendo a veste nupcial?” (Evan.)'

 
É por estes dias (no primeiro Domingo de Outubro) que a Igreja lê no Oficio divino a história de Ester. Julgamos, pois que vem a propósito. Conforme a nossa intenção de rever o oficio a Igreja as figura do Antigo Testamento e de estudar a luz do Breviário e do Missal. a liturgia destes Domingo! Depois de Pentecostes. Julgamos que vem a propósito falar hoje de Ester Assuero, rei dos Persas, tinha-se casado com uma donzela judia chamada. Ester. Sobrinha de ardoqueu. Nomeara por outro lado intendente do Palácio o amalecita Amam, muito conhecido pelo ódio que alimentava contra os Judeus. Invejoso da preponderância que 08 Judeus, por intermédio de Mardoqueu e de Ester, exerciam no ânimo do monarca, o amalecita convenceu o rei de que os Judeus conspiravam contra a paz do reino, e fez levantar em todo o pais as forcas para as execuções. Ester então, violando o decreto preventivo do tirano, de que ninguém se aproximasse dele naquele; dias, entrou à sua presença e lamentou que ela e o seu povo fossem entregues assim ao extermínio. Conhecendo Assuero por este meio que Ester era judia e sobrinha de Mardoqueu, perguntou irritado: “ e quem ousa falar isso?”E então Ester respondeu: “O nosso inimigo, o cruel Amam”. Então o rei, enfurecido contra o ministro, mandou revogar o decreto promulgado contra os Judeus, e suspender Amam na mesma forca que ele preparara para Mardoqueu. Assim salvou Ester o seu povo. Isto mostra como Deus vigia por aqueles que esperavam nele. E as coisas ainda não mudaram “Eu sou salvação do povo, diz o Senhor, e se ele chamar por Mim, ouvi-lo-ei”. Quando a tribulação me oprimia, Vós, Senhor, dáveis-me coragem, e contra a cólera dos meus inimigos levantáveis a Vossa mão direita. Amam, que Assuero condenou tão severamente, é como aquele homem



do Evangelho que entrou no banquete sem a veste nupcial,e que o rei condenou às trevas exteriores. Deus tratará assim também todos os que, pertencendo ao corpo d a Igreja pela fé do Batismo, entraram na sala do banquete sem a veste das virtudes cristãs. Falta-lhes na alma a graça vivificante. São estranhos nas assembléias dos vivos. E é aqui visado particularmente o grande preceito da caridade: Rejeitando a mentira, digam todos a verdade a respeito do seu próximo. São membros uns dos outros. Que o Sol se Dão ponha sobre a vossa cólera. Os que não cumprirem este preceito serão lançados pelo juiz soberano nas trevas do Inferno, onde haverá pranto e ranger de dentes. Assuero encolerizado mandou prender Amam. “O rei, diz O Evangelho. Encolerizou-se e enviou três. seus assassinos para exterminar os assassinos e lhes queimar a cidade . “Mais dum milhão de Judeus morreu no cerco de Jerusalém. A cidade foi destruída e o Templo incendiado Amam foi substituído por Mardoqueu. Os convidados das núpcias foram substituídos pelos; que. se encontravam nas estradas e nas encruzilhadas e nos caminhos. Os Judeus foram substituídos pelos pagãos. Foi para estes últimos que os Apóstolos cheios do Espírito Santo se voltaram no dia de Pentecostes. E no juízo final, que estes domingos Simbolizam, serão promulgadas as sentenças definitivas, núpcias eternas aos bons eternas, e os pecadores serão lançados nas trevas exteriores.

 Epístola do Domingo:

Leitura de São Paulo Apóstolo aos Efésios (4, 23-28) - Irmãos: revesti-vos do homem novo, criado à imagem de Deus, em verdadeira justiça e santidade. Por isso, renunciai à mentira. Fale cada um a seu próximo a verdade, pois somos membros uns dos outros. Mesmo em cólera, não pequeis. Não se ponha o sol sobre o vosso ressentimento. Não deis lugar ao demônio. Quem era ladrão não torne a roubar, antes trabalhe seriamente por realizar o bem com as suas próprias mãos, para ter com que socorrer os necessitados.


Leitura do Evangelho:

Continuação do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus (Mt 22, 1-14): Naquele tempo: Jesus tornou a falar-lhes por meio de parábolas: O Reino dos céus é comparado a um rei que celebrava as bodas do seu filho. Enviou seus servos para chamar os convidados, mas eles não quiseram vir. Enviou outros ainda, dizendo-lhes: Dizei aos convidados que já está preparado o meu banquete; meus bois e meus animais cevados estão mortos, tudo está preparado. Vinde às bodas! Mas, sem se importarem com aquele convite, foram-se, um a seu campo e outro para seu negócio. Outros lançaram mãos de seus servos, insultaram-nos e os mataram. O rei soube e indignou-se em extremo. Enviou suas tropas, matou aqueles assassinos e incendiou-lhes a cidade. Disse depois a seus servos: O festim está pronto, mas os convidados não foram dignos. Ide às encruzilhadas e convidai para as bodas todos quantos achardes. Espalharam-se eles pelos caminhos e reuniram todos quantos acharam, maus e bons, de modo que a sala do banquete ficou repleta de convidados. O rei entrou para vê-los e viu ali um homem que não trazia a veste nupcial.  Perguntou-lhe: Meu amigo, como entraste aqui, sem a veste nupcial? O homem não proferiu palavra alguma. Disse então o rei aos servos: Amarrai-lhe os pés e as mãos e lançai-o nas trevas exteriores. Ali haverá choro e ranger de dentes. Porque muitos são os chamados, e poucos os escolhidos.
Lefebvre, Dom Gaspar. Missal Quotidiano e Vesperal. Bruges, Bélgica; Abadia de S. André, 1960

27 de Setembro: Santos Cosme e Damião, Mártires


Os Santos Cosme e Damião eram irmãos, descendentes de nobre família da Arábia. A mãe, teodata, deu aos filhos uma educação muito boa, e fez com que os belos talentos se lhes pudessem desenvolver sob a direção de sábios mestres. Fazendo os estudos na Síria, especializaram-se em medicina. 

                                                                    
 Pelo preparo científico e não menos pela pureza de costumes, mereceram a estima e admiração de todos, até dos próprios pagãos. AproveiTando-se desta última circunstância, de preferência procuraram exercer a profissão de médico entre as famílias pagãs, para deste modo terem ocasião de ganhá-las para o Catolicismo. Deus abençoou-os de tal maneira, que não parecia haver doença que resistisse à sua medicação.  Era visível esta proteção sobrenatural. 

                                                                     
A admiração e o pasmo dos pagãos, crescia ainda mais vendo que os médicos cristâos não aceitavam a mínima gratificação. Eram outras riquezas que os atraíam. A conversão das almas, que viviam nas trevas do paganismo, era obejto principal de toda sua atividade. Realmente conseguiram deitar a semente da doutrina cristã em muitos corações, e numerosas foram as conversões de pagãos ao cristianismo. 

                                                                     
Assim viveram alguns anos, como médicos missionários em Egra, na Cilícia. Essa atividade havia de chamar a atenção das autoridades, como de fato chamou. Tendo recebido ordens do governo imperial de Dioclesiano com referência à religião cristã e seus adeptos, uma das primeiras medidas corcitivas do governador Lísias, quando apareceu em Egra,  foi ordenar a prisão dos dois médicos, que lhe foram indicados como inimigos acérrimos das divindades pagãs.

                                                                     
Citados perante o tribunal de Lísias, este os interpelou sobre sua pátria e profissão. Deram as informaçõews exigidas, declarando que eram naturais da Arábia, e exerciam gratuitamente a ciência médica.  Protestaram contra a denúncia de se entregarem às práticas da feitiçaria. 

                                                                     
_ Curamos doenças - disseram ao governador - mais em nome de Jesus Cristo, do que pelo valor da nossa ciência. 

                                                                    
Lísias bradou:

                                                                    
 _ É preciso que adoreis aos deuses, sob pena de cruel tortura!

                                                                    
_ Teus deuses nenhum poder têm; adoramos o Criador do céu e da terra.

                                                                     
Para fazê-los mudar de convicção, Lísias mandou aplicar-lhes tormentos bárbaros. Vendo, porém, que eram inúteis esses processos, deu ordem para que fossem decapitados.  Cosme e Damião morreram mártires em 303.   Os corpos foram transportados para Cira, na Síria, e depositados numa igreja que lhes recebeu o nome.  O mesmo imperador, Justiniano I,  vendo_se favorecido em grave doença, construiu em Constantinopla uma igreja em honra destes padroeiros.  Parte das relíquias chegaram no século VI a Roma e a Munique (Baviera), onde repousam no altar mor da igreja de São Miguel. Deus glorificou com juitos milagres o nome de seus dois servos.

                                                                     
Os Santos Cosme e Damião são venerados como padroeiros dos médicos, dos farmacêuticos e da Faculdade de Medicina.

Obs. A memória dos Santos Cosme e Damião sempre foi celebrada pelo calendário tradicional no dia 27 de Setembro, porém o Concílio Vaticano II alterou as datas das memórias e festividades de vários santos, inclusive a festa destes gloriosos mártires. Atualmente o calendário dedica o dia 26 de Setembro a festa de São Cosme e São Damião. Contudo, como este blog segue o missal tridentino, comemoramos a festa no dia original. 

26 de Setembro - São Cipriano e Santa Justina, Mártires


São Cipriano, cognominado o feiticeiro, natural de Antióquia, na Fenícia, foi pelos pais introduzido em todos os segredos da superstição, astrologia e feitiçaria. Para ampliar os conhecimentos na arte mágica, fez grandes viagens e visitou os centros principais do mundo, como Atenas, Menfis, Argos e a Índia. Mestre em todas as artes diabólicas da feitiçaria, entregou-se a uma vida desbravada. Para a religião cristã, havia só insultos;  crianças inocentes eram as suas vítimas prediletas; tendo-as enforcado, oferecia o sangue das mesmas como holocausto ao demônio, e nas entranhas ainda palpitantes procurava conhecer os segredos do futuro. Perseguição atroz fazia às donzelas, aproveitando-se de enredos diabólicos para demovê-las do caminho da virtude. Malogravam, porém, estes artifícios diante das jovens cristãs. 

                                                                     
Uma delas era Justina, que morava em Antióquia, cristã fervorosa, porém, filha de pais pagãos. Formosa de corpo e de espírito, pelo seu exemplo fez com que toda a família se convertesse ao cristianismo.  Agládio, jovem pagão,  ardia em paixão pela jovem cristã.  Não podendo, porém, cativar-lhe a afeição, recorreu aos artifícios mágicos de Cipriano.  Justina experimentou em si os acessos diabólicos, os quais conseguiu debelar pela oração e pelo sinal da cruz.  Vendo-se tão rudemente assaltada pelas tentações mais horríveis, a virgem recomendou-se freqüentemente à Rainha das Virgens e saiu vitoriosa das insídias do inimigo.   O fracasso de seus estratagemas mais poderosos, fez Cipriano duvidar do poder dos demônios, tanto que tomou a resolução de livrar-se deles. Lutas terríveis foram as conseqüencias desta mudança;  pois o demônio não ia privar-se de um instrumento para ele utilíssimo, como era Cipriano.  Apoderou-se do espírito deste uma profunda tristeza e a lembrança dos feitos passados levou-o quase ao desespero.  Deus mandou-lhe alívio pelo sacerdote Eusébio. As orações e as palavras confortadoras deste santo homem, fizeram com que Cipriano não desfalecesse no meio do caminho.  Grande foi a surpresa dos fiéis, quando viram o grande e terrível feiticeiro num Domingo entrar na igreja, conduzido por Eusébio.  O próprio bispo não quis acreditar no que via e pôs-se a duvidar da sinceridade desta conversão. Cipriano, porém, trouxe todos os livros cabalísticos e entregou-os ao fogo, Na presença de todo o povo, e distribuiu a sua fortuna entre os pobres. 

                                                                    
À vista desta mudança radical,  o bispo consentiu que Cipriano fosse batizado.  Junto com ele, Agládio recebeu o sacramento do Batismo.  Justina, vendo as maravilhas da divina graça, cortou a sua linda cabeleira e pelo voto de virgindade perpétua, dedicou-se ao serviço de Deus.  

                                                                     
A  conversão de Cipriano foi sincera e constante.  Os escândalos da vida passada, reparou-os pela conduta exemplar e pela prática das mais belas virtudes.  A dedicação à causa de Deus mereceu-lhe a dignidade de sacerdote e mais tarde de bispo.  Veio a perseguição diocleciana.  Cipriano foi Levado a Tiro, onde sofre atrozmente.  Também Justina, acusada de cristã, foi apresentada ao governador da Fenícia, que a submeter à flagelação crudelíssima.  Transportados para Nicomédia, onde se achava Diocleciano, pelo próprio imperador foram sentenciados à morte pela decapitação.  A sentença foi executada em 304.  As relíquias dos dois Mártires foram trasladadas para Roma, onde Rufina, cristã fervorosa da família dos Cláudios, erigiu uma igreja sob a invocação de Cipriano e Justina.   Hoje, os corpos destes dois grandes mártires, descansam na igreja de São João de Latrão, em Roma. 

NOTA -  Se São Cipriano detestou suas próprias obras de feitiçaria e queimou-as publicamente, com que direito se servem ainda hoje, muitos cristãos, do livro de São Cipriano, para fins supersticiosos e diabólicos?  Além de ser mais do que duvidoso que este livro seja da lavra de São Cipriano, é uma obra perniciosa, cuja leitura é proibida. 

Fonte: Página do Oriente

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

24 de Setembro - Nossa Senhora das Mercês


Este título da Virgem Maria deriva da Ordem das Mercês, cujo apostolado da redenção de cativos era na Idade Media chamado de obra de mercê ou misericórdia. A Ordem atribuiu sempre à Virgem Santíssima uma especial participação em sua fundação, motivo pelo qual a honrou ao longo dos séculos com especial devoção, seguindo o exemplo de São Pedro Nolasco, que já em 1249 dedicou-lhe uma Igreja. bem cedo, os religiosos deram à festividade geral da Virgem um sentido próprio. em 1600, foi-lhes permitido celebrar sob o título das Mercês a festa da natividade de Maria, e em 1616 é concedida a celebração litúrgica com textos próprios. em 1696, seu culto foi estendido a toda a Igreja.

Origem da devoção das Mercês


O vocábulo mercê, no séc. XIII, era sinônimo da obra de misericórdia corporal por antonomásia, qual era a de redimir cativos. Assim, por exemplo, as casas da Ordem de São Tiago, que costumavam receber cativos, são chamadas casas de mercê, na documentação medieval.
A 29 de abril de 1249, os frades obtiveram licença do bispo de Barcelona, Dom Pedro de Centelles, para edificar uma igreja dedicada a Santa Maria, em sua Casa-Hospital de Santa Eulália, construída próxima ao mar. O povo barcelonês, amante da brevidade, começou a chamar a comenda dos frades mercedários, singelamente, casa da Ordem das Mercês, e mais simplesmente ainda, As Mercês. Em consequência, a imagem de Santa Maria que todos veneravam na nova igreja da Casa das Mercês de Barcelona começou a ser conhecida como Santa Maria das Mercês. Nessa igreja, iniciou-se o culto a Maria com o título de Mercês, a partir de onde se estenderá a todas as igrejas em que se estabeleçam os mercedários. Doravente, todas as igrejas que construam serão dedicadas à sua Fundadora, a Virgem das Mercês, ou a ela terão dedicado um de seus altares.
Como atos em honra de Santa Maria das Mercês, a Ordem desde sue início praticou:
A entrega do hábito de Santa Maria aos novos frades e aos confrades. Dizia-se ao postulante: – Queres receber o hábito de Santa Maria? – e o peticionário respondia: - sim, quero. O Ofício diário de Santa Maria, obrigatório para todos os clérigos e o correspondente para os leigos.
A Missa e a Salve – rainha dos dias de sábado. É muito provável que o belo costume da Missa de Santa Maria e doa Canto da Salve – rainha em sua honra nos dias de sábado tenha sido introduzida na Ordem por disposição do próprio São Pedro Nolasco. Constante que, em 1307, Galcerán de Miralles legava à igreja da comenda de Nossa Senhora de Bell-lloch a quantidade de três libras de cera, para que mantivessem um círio acesso todos os sábados durante a celebração da missa da virgem e o canto da Salve-rainha.
Atos de imemorial culto mariano, e que bem poderiam provir dos tempos de Pedro Nolasco, eram a despedida dos redentores, no partir para a terra de mouros, que se fazia diante do altar da igreja; e na volta, a procissão de redentores e redimidos, com seus estandartes, até a igreja das Mercês, para agradecer à Celestial Protetora, pelo favor de seu amparo nas peripécias da viagem redentora.

O nome de Maria no título da Ordem


Um dos títulos com que, no início, era chamado o Instituto fundado por Pedro Nolasco, como já se disse, foi Ordem das Mercês ou da Misericórdia dos cativos. A esta denominação muito rapidamente se somou o nome de Maria.
A primeira vez que se encontra documentalmente o nome de Maria no título da ordem é na bula do papa Alexandre IV, Prout Scriptura testatur, dada em Perúgia a 3 de maio de 1258. O papa, escrevendo aos arcebispos, bispos, abades, etc., para informá-los das graças e das faculdades concedidas aos mercedários, por motivo da obra benéfica que praticam em favor dos cativos, diz: “Dado que o Mestre e os frades da B. Maria das mercês, outras vezes chamados de Santa Eulália... trabalham com todas as suas forças...”. O Papa, portanto, uniu o nome de Maria ao vocábulo mercê, obtendo a denominação Bem-aventurada Maria das Mercês, como parte do título da Ordem. Do contexto da bula infere-se que que o nome de Maria das Mercês já era conhecido. Não se deve supor que o Papa tenha usado o nome de Maria sem razão, nem o impôs por autoridade; ademais, o Papa não enviou a bula diretamente aos frades da Ordem. Há de se buscar uma explicação lógica na interdependência entre a Virgem Santíssima e a Ordem dedicada à redenção dos cativos. Os frades das Mercês estavam persuadidos de que a Virgem Maria, Mãe de Deus, interveio de modo direto na fundação da Ordem. Em consequência, os legisladores das constituições de 1272 oficializaram o nome de Maria no título, chamando-a: Ordem da Virgem Maria das Mercês da redenção dos cativos de Santa Eulália.
Por causa dessa convicção, nos documentos do séc. XIII não aparece nunca o nome do primeiro Mestre, Pedro Nolasco, no título da Ordem; para que toda glória e toda honra da fundação fossem atribuídos à celestial Senhora, mensageira da Trindade, àquela que a Ordem considera como fundadora e Mãe. Desde o historiador mercedário Nadal Gaver (1445), essa presença de Maria concretizou-se no relato da aparição da Virgem Maria a São Pedro Nolasco ordenando-lhe, porque era vontade de Deus, fundar uma Ordem em sua honra, destinada à redenção dos cativos.

Imagens de Maria, igrejas e santuários mercedários


Em todas as casas da Ordem, existiram desde o começo imagens de Maria das Mercês. A primeira foi de Barcelona, da Virgem sentada como o Menino, esculpida em mármore branco, mandada fazer por Pedro Nolasco e hoje conservada no museu da catedral barcelonesa. No séc. XIV, foi substituída, por ser demasiado pequena para o templo que se tornava grande, por outra imagem feita pelo escultor da catedral de Barcelona, Bernardo Roca, segundo contrato estipulado a 13 de setembro de 1361 entre o referido artista e o prior de Barcelona, Frei Bonananto de Prixana. É a que, como Padroeira de Barcelona, hoje preside o altar-mor da Basílica das Mercês da dita cidade.
Além da veneração e do culto a Maria das Mêrces, durante o primeiro século da Ordem Pedro Nolasco e seus frades sentiram especial predileção por igrejas em que se tributava culto a Maria, e, ou porque lhes foram confiadas as já existentes, ou porque a Ordem construiu-as e dedicou à invocações lugares de culto a Maria. O primeiro e mais notável santuário mariano da Ordem das Mercês, no séc. XIII, foi o de Santa Maria de EL Puig, em Valência.
Existem também outras igrejas dedicadas à Virgem: Santa Maria dels Prats (Tarragona), Santa Maria de Sarrion (Teruel), Santa Maria de Arguines (Castellón), Santa Maria de El Olivar (Estercuel), Santa Maria de Acosta (Huesca), Santa Maria de Montflorite (Huesca), Santa Maria de Perpignan (França) e Santa Maria de El Puig de Osterno ou Montetoro, Santuário Mariano da ilha de Menorca.No Brasil, existe 34 Paróquias dedicadas a Nossa Senhora das Mercês.

 Marianismo mercedário


Está fora de toda dúvida que a Ordem das Mercês nasceu, cresceu e atuou em clima saturado de amor e culto à sempre Virgem Maria.
Sem a intervenção, presença e apoio solícito da Celestial Rainha e Mãe, não podia explicar-se adequadamente: nem a origem da Ordem; nem o atrativo que sobre Pedro Nolasco e sues seguidores imediatos exerceram as igrejas dedicadas a Santa Maria; nem a ocorrência de consagrar e dedicar a Santa Maria a igreja da casa de Barcelona, cabeça e fundamento da Ordem, quando esta era conhecida por Casa, Hospital e Ordem de Santa Eulália; nem o empenho tenaz de introduzir o santo nome de Maria título da Ordem, depois de ter-se provado e usado vários; nem por que hábito branco da Ordem chamou-se hábito de Santa Maria; nem como uma Ordem de poucos frades e caráter militar; fundada por um simples leigo para a redenção de cativos foi capaz de introduzir na igreja uma nova invocação mariana, a de Santa Maria das Mercês.
Prova deste marianismo da Ordem, desde o início, é que todas as doações para a redenção eram feitas em nome de Maria. São numerosos os documentos existentes de doações feitas por benfeitores à Ordem para as redenções, em que se especifica a motivação mariana. Ferrer de Portell e sua mulher Escalona “para glória de Deus e da Virgem Maria e o bem de suas almas”, a 25 de outubro de 1234, ofereceram seus bens a Pedro Nolasco para redenção dos cativos. Igualmente Ramón de Morella, a 3 de março de 1245, no doar o hospital de Arguines a Pedro Nolasco, fê-lo << em honra de Nosso Senhor Jesus Cristo e da Bem-aventurada Virgem Maria, sua mãe>>. O Rei Jaime II, a 15 de maio de 1300, outorgava um benefício à Ordem << por reverência à Virgem Maria>>.
Se os fiéis davam essas esmolas para a honra de Maria, significa que os religiosos solicitavam-nas em seu nome, coisa que não teriam podido fazer se não estivessem convencidos de uma particular intervenção de Maria na fundação da Ordem.

Fonte: Site Mercedários

sábado, 19 de setembro de 2015

XVIII Domingo Depois de Pentecostes: "Meu filho, teus pecados te são perdoados". (Ev.)


"Meu filho, teus pecados te são perdoados".
Este domingo que vem a seguir ao Sábado das Têmporas de Setembro, era a princípio vacante. A liturgia da vigília prolongava-se com efeito até de manhã, de maneira que não sobrava tempo para os ofícios dominicais. As lições que se lêem no ofício são do livro de Judite. Todos conhecem a história desta mulher famosa que salvou a Judéia, cortando a cabeça de Holofernes, general dos exércitos Assírios. Holofernes, enviado por Nabucodonosor para conquistar a Palestina, tinha cercado Betúlia. Vencidos pela fome e pela sede, os sitiados tinham deliberado render-se, quando Judite apareceu a encorajá-los. Façamos penitência, dizia, e imploremos o perdão de Deus, porque estes flagelos com que nos castiga são para nos corrigir e não para nos perder. Depois, quando veio a tarde, vestiu-se com as suas melhores galas e fez-se introduzir no acampamento dos inimigos, sob o pretexto de lhes entregar a cidade. E elevada à presença de Holofernes, o general, seduzido pela sua beleza, recebeu-a com grande contentamento e ordenou que em sua honra, se preparasse um banquete.


A Igreja ao recordar as sete dores de Maria Santíssima, aplica-lhes o canto que se ouviu em Israel, quando Judite livrou o povo eleito. Maria é com efeito a nova Judite que decepa a cabeça do general assírio, do dragão infernal. Nestes dias lê a Igreja no Ofício divino estas passagens gloriosas da epopéia israelita, que são figuras do que mais tarde havia de acontecer numa ordem espiritual e mais elevada. A libertação do povo judeu da sujeição assíria, levada a efeito por Judite, representa a libertação humanidade operada por Jesus. É muito oportuna esta missa nesta época de Têmporas, que são tempos de perdão, por sê-lo de penitência em que Deus se deixa aplacar e vencer dos pobres mortais. Desse perdão e dessa paz consoladora, que se frue da casa do Senhor são legítimos dispensários os sacerdotes a quem Jesus concedeu o poder sublime de dizerem: "Os teus pecados te são perdoados". Os novos ungidos pelos Senhor serão encarregados também de pregar a palavra de Deus, de celebrar o Santo Sacrifício e de preparar por este modo a humanidade para se apresentar confiadamente diante do supremo juiz. É por este motivo, precisamente, que a Igreja insistirá durante estes domingos no pensamento da vinda do Senhor.


A epístola de hoje ( ICor 1,4-8) é também para meditar. Que contas tão estreitas não terá de prestar o cristão de tantas graças que recebe! E como dispensamos herança tão rica, como desperdiçamos tantas graças, os sacramentos, a pregação da palavra de Deus! Que contas serão as nossas?








Epístola do Domingo:

Leitura da Epístola de São Paulo Apóstolo aos Conrintios (ICor 1, 4-8) - Irmãos: Não cesso de agradecer a Deus por vós, pela graça divina que vos foi dada em Jesus Cristo. Nele fostes ricamente contemplados com todos os dons, com os da palavra e os da ciência, tão solidamente foi confirmado em vós o testemunho de Cristo. Assim, enquanto aguardais a manifestação de nosso Senhor Jesus Cristo, não vos falta dom algum. Ele há de vos confirmar até o fim, para que sejais irrepreensíveis no dia de nosso Senhor Jesus Cristo.




Evangelho de Domingo:


Continuação do Santo Evangelho segundo São Mateus: Naquele tempo: Subindo Jesus para uma pequena barca, tornou a passar o lago, e voltou para a sua cidade. E, eis que lhe apresentaram um paralítico, que jazia no leito. E, vendo Jesus a fé que eles tinham, disse ao paralítico: Filho, tem confiança, te são perdoados os pecados. E logo alguns dos escribas disseram no seu interior: Este blasfema. E, Jesus visto os seus pensamentos, disse: Porque pensais mal em vossos corações? Que é mais fácil dizer: te-são perdoados os pecados, ou dizer: Levanta-te e caminha? Pois, para que saibais que o filho do homem tem poder sobre a terra de perdoar os pecados: Levanta-te, disse então ao paralítico, toma o teu leito, e vai para tua casa. E ele levantou e foi para sua casa. E, vendo isto, as multidões temeram e glorificaram a Deus, que deu tal poder aos homens.

Lefebvre, Dom Gaspar. Missal Quotidiano e Vesperal. Bruges, Bélgica; Abadia de S. André, 1960.

SÁBADO DAS QUATRO TÊMPORAS DE SETEMBRO (Dia de jejum e abstinência parcial)




No dia 15 do sétimo mês do ano, os judeus celebravam a festa dos tabernáculos, precedida das expiações em que o Sumo Sacerdotes, havendo-se previamente purificado na fonte que esteve em frente ao santuário, penetrava com o sangue das vítimas no Santo dos santos e orava junto do propiciatório. O sábado das têmporas de Setembro, que outrora era o sétimo mês do ano, recorda esta dupla festa de penitência e alegria. Os profetas Miqueias, Zacarias e Daniel que se lê hoje, fala-nos do perdão que Deus nunca nega os que procuram lavar-se da mácula do pecado e imploram nas contingências, uma vez ou outra da vida, a sua proteção. A Epístola da missa de hoje (Heb. 9 2,12), mostra a nova aliança que Jesus estabeleceu entre Deus e as almas penitentes, oferecendo no verdadeiro Santo dos santos, quer dizer no Céu, o sangue fecundo que derramou no calvário. E o Evangelho de hoje (Lc 13,6-17), quer nos lembrar o milagre que o Senhor operou libertando aquela mulher das garras do demônio, diz bem os que são os sacerdotes no desempenho do seu altíssimo ministério. Por isso essa missa pode ser utilizada muito bem num dia de ordenações.

Primeira Leitura do Dia:
Leitura do livro do Levítico (23, 26-32): O Senhor disse a Moisés: “No décimo dia do sétimo mês será o dia das Expiações. Tereis uma santa assembléia: humilhareis vossas, almas e oferecereis ao Senhor sacrifícios queimados pelo fogo. Não fareis trabalho algum naquele dia, porque é um dia de expiação em que deve ser feita a expiação por vós diante do Senhor, vosso Deus. Todo aquele que se não humilhar nesse dia será cortado do meio de seu povo. E todo o que fizer nesse dia um trabalho qualquer, eu o suprimirei do meio de seu povo. Não fareis, pois, trabalho algum; esta é uma lei perpétua para vossos descendentes, em todos os lugares em que habitardes. Será para vós um sábado, um dia de repouso, e humilhareis vossas almas. No nono dia do mês, à tarde observareis um sábado, de uma tarde à tarde seguinte.
Segunda Leitura do Dia:
Leitura do Livro do Levítico (23, 39-43): No décimo quinto dia do sétimo mês, quando tiverdes colhido os produtos da terra, celebrareis uma festa ao Senhor durante sete dias. O primeiro dia será um dia de repouso, bem como o oitavo. No primeiro dia tomareis frutos de árvores formosas, folhas de palmeiras, ramos de árvores frondosas e de salgueiros da torrente; e alegrar-vos-eis durante sete dias diante do Senhor, vosso Deus. Cada ano celebrareis esta festa durante sete dias em honra do Senhor. Esta é uma lei perpétua para vossos descendentes. Celebrá-la-eis no sétimo mês. Habitareis em barracas de ramos durante sete dias: todo homem da geração de Israel habitará em barracas de ramos, para que saibam os vossos descendentes que eu fiz habitar os israelitas em barracas de ramos, quando os tirei do Egito. Eu sou o Senhor, vosso Deus.”
Terceira Leitura do Dia:
Leitura do Livro Miquéias (7, 14,16; 18-20): Conduzi com o cajado o vosso povo, o rebanho de vossa herança que se encontra espalhado pelas brenhas, para o meio de vergéis; que ele paste como outrora em Basã e em Galaad. As nações os verão e sentirão vergonha de sua própria bravura; porão a mão na boca e seus ouvidos ficarão surdos; Qual é o Deus que, como vós, apaga a iniqüidade e perdoa o pecado do resto de seu povo, que não se ira para sempre porque prefere a misericórdia? Uma vez mais, tende piedade de nós! Esquecei as nossas faltas e jogai nossos pecados nas profundezas do mar! Mostrai a vossa fidelidade para com Jacó, e vossa piedade para com Abraão, como jurastes a nossos pais desde os tempos antigos!
Quarta Leitura do Dia:
Leitura do Livro do Profeta Zacarias (8, 14-19): Eis o que diz o Senhor dos exércitos: eu decidira fazer-vos mal quando vossos pais excitaram a minha cólera - diz o Senhor dos exércitos - e não voltei atrás! Assim, resolvo agora fazer o bem a Jerusalém e à casa de Judá. Não temais. Eis o que deveis fazer: falai a verdade uns aos outros; julgai às portas de vossas cidades segundo a justiça e a sinceridade. Não maquineis o mal em vossos corações contra o próximo; não jureis falso, porque aborreço tudo isso - oráculo do Senhor. A palavra do Senhor dos exércitos foi-me dirigida nestes termos: eis o que diz o Senhor, dos exércitos: o jejum do sexto mês como também os do quinto e do nono serão doravante para Judá dias de regozijo e de alegria, dias de festa.
Quinta Leitura do Dia:
Leitura do Profeta Daniel (3, 47-51):  Então, as chamas, subindo a quarenta e nove côvados acima da fornalha, ultrapassaram a grade e queimaram os caldeus que se achavam perto. Mas o anjo do Senhor havia descido com Azarias e seus companheiros à fornalha e afastava o fogo. Fez do centro da fogueira como um lugar onde soprasse uma brisa matinal: o fogo nem mesmo os tocava, nem lhes fazia mal algum, nem lhes causava a menor dor. Então os três jovens elevaram suas vozes em uníssono para louvar, glorificar e bendizer a Deus dentro da fornalha, neste cântico:
Hino de Daniel:



52. Sede bendito, Senhor Deus de nossos pais, digno de louvor e de eterna glória! Que seja bendito o vosso
santo nome glorioso, digno do mais alto louvor e de eterna exaltação!
53. Sede bendito no templo de vossa glória santa, digno do mais alto louvor e de eterna glória!
54. Sede bendito por penetrardes com o olhar os abismos, e por estardes sentado sobre os querubins, digno do
mais alto louvor e de eterna exaltação!
55. Sede bendito sobre vosso régio trono, digno do mais alto louvor e de eterna exaltação!
56. Sede bendito no firmamento dos céus, digno do mais alto louvor e de eterna glória!
57. Obras do Senhor, bendizei todas o Senhor, louvai-o e exaltai-o eternamente!
58. Céus, bendizei o Senhor, louvai-o e exaltai-o eternamente!
59. Anjos do Senhor, bendizei o Senhor, louvai-o e exaltai-o eternamente!
60. Águas e tudo o que está sobre os céus, bendizei o Senhor, louvai-o e exaltai-o eternamente!
61. Todos os poderes do Senhor, bendizei o Senhor, louvai-o e exaltai-o eternamente!
62. Sol e lua, bendizei o Senhor, louvai-o e exaltai-o eternamente!
63. Estrelas dos céus, bendizei o Senhor, louvai-o e exaltai-o eternamente!
64. Chuvas e orvalhos, bendizei o Senhor, louvai-o e exaltai-o eternamente!
65. Ó vós, todos os ventos, bendizei o Senhor, louvai-o e exaltai-o eternamente!
66. Fogo e calor, bendizei o Senhor, louvai-o e exaltai-o eternamente!
67. Frio e geada, bendizei o Senhor, louvai-o e exaltai-o eternamente!
68. Orvalhos e gelos, bendizei o Senhor, louvai-o e exaltai-o eternamente!
69. Frios e aragens, bendizei o Senhor, louvai-o e exaltai-o eternamente!
70. Gelos e neves, bendizei o Senhor, louvai-o e exaltai-o eternamente!
71. Noites e dias, bendizei o Senhor, louvai-o e exaltai-o eternamente!
72. Luz e trevas, bendizei o Senhor, louvai-o e exaltai-o eternamente!
73. Raios e nuvens, bendizei o Senhor, louvai-o e exaltai-o eternamente!
74. Que a terra bendiga o Senhor, e o louve e o exalte eternamente!
75. Montes e colinas, bendizei o Senhor, louvai-o e exaltai-o eternamente!
76. Tudo o que germina na terra, bendizei o Senhor, louvai-o e exaltai-o eternamente!
77. Mares e rios, bendizei o Senhor, louvai-o e exaltai-o eternamente!
78. Fontes, bendizei o Senhor, louvai-o e exaltai-o eternamente!
79. Monstros e animais que vivem nas águas, bendizei o Senhor, louvai-o e exaltai-o eternamente!
80. Pássaros todos do céu, bendizei o Senhor, louvai-o e exaltai-o eternamente!
81. Animais e rebanhos, bendizei o Senhor, louvai-o e exaltai-o eternamente!
82. E vós, homens, bendizei o Senhor, louvai-o e exaltai-o eternamente!
83. Que Israel bendiga o Senhor, e o louve e o exalte eternamente!
84. Sacerdotes, bendizei o Senhor, louvai-o e exaltai-o eternamente!
85. Vós que estais a serviço do templo, bendizei o Senhor, louvai-o e exaltai-o eternamente!
86. Espíritos e almas dos justos, bendizei o Senhor, louvai-o e exaltai-o eternamente!
87. Santos e humildes de coração, bendizei o Senhor, louvai-o e exaltai-o eternamente!
88. Ananias, Azarias e Misael, bendizei o Senhor, louvai-o e exaltai-o eternamente, porque ele nos livrou da
permanência nas trevas, salvou-nos da mão da morte; tirou-nos da fornalha ardente, e arrancou-nos do meio
das chamas.
89. Glorificai o Senhor porque ele é bom, porque eterna é a sua misericórdia.
90. Homens piedosos, bendizei o Senhor, Deus dos deuses, louvai-o, glorificai-o, porque é eterna a sua
misericórdia!
Leitura da Epístola:

Leitura da Epístola de São Paulo Apóstolo aos Hebreus (9, 2-12) - Irmãos: Consistia numa tenda: a parte anterior encerrava o candelabro e a mesa com os pães da proposição;
chamava-se Santo. Atrás do segundo véu achava-se a parte chamada Santo dos Santos. Aí estava o altar de ouro para os perfumes, e a Arca da Aliança coberta de ouro por todos os lados; dentro dela, a urna de ouro contendo o maná, a vara de Aarão que floresceu e as tábuas da aliança; em cima da arca, os querubins da glória estendendo a sombra de suas asas sobre o propiciatório. Mas não é aqui o lugar de falarmos destas coisas pormenorizadamente. Assim sendo, enquanto na primeira parte do tabernáculo entram continuamente os sacerdotes para desempenhar as funções, no segundo entra apenas o sumo sacerdote, somente uma vez ao ano, e ainda levando consigo o sangue para oferecer pelos seus próprios pecados e pelos do povo. Com o que significava o Espírito Santo que o caminho do Santo dos Santos ainda não estava livre, enquanto subsistisse o primeiro tabernáculo. Isto é também uma figura que se refere ao tempo presente, sinal de que os dons e sacrifícios que se ofereciam eram incapazes de justificar a consciência daquele que praticava o culto. Culto que consistia unicamente em comidas, bebidas e abluções diversas, ritos materiais que só podiam ter valor enquanto não fossem instituídos outros mais perfeitos. Porém, já veio Cristo, Sumo Sacerdote dos bens vindouros. E através de um tabernáculo mais excelente e mais perfeito, não construído por mãos humanas (isto é, não deste mundo), sem levar consigo o sangue de carneiros ou novilhos, mas com seu próprio sangue, entrou de uma vez por todas no santuário, adquirindo-nos uma redenção eterna.




Evangelho do dia:
Continuação do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas (13, 6-17): Naquele tempo: Disse-lhes também esta comparação: Um homem havia plantado uma figueira na sua vinha, e, indo buscar fruto, não o achou. Disse ao viticultor: - Eis que três anos há que venho procurando fruto nesta figueira e não o acho. Corta-a; para que ainda ocupa inutilmente o terreno? Mas o viticultor respondeu: - Senhor, deixa-a ainda este ano; eu lhe cavarei em redor e lhe deitarei adubo. Talvez depois disto dê frutos. Caso contrário, cortá-la-ás. Estava Jesus ensinando na sinagoga em um sábado. Havia ali uma mulher que, havia dezoito anos, era possessa de um espírito que a detinha doente: andava curvada e não podia absolutamente erguer-se. Ao vê-la, Jesus a chamou e disse-lhe: Estás livre da tua doença. Impôs-lhe as mãos e no mesmo instante ela se endireitou, glorificando a Deus. Mas o chefe da sinagoga, indignado de ver que Jesus curava no sábado, disse ao povo: São seis os dias em que se deve trabalhar; vinde, pois, nestes dias para vos curar, mas não em dia de sábado. Hipócritas!, disse-lhes o Senhor. Não desamarra cada um de vós no sábado o seu boi ou o seu jumento da manjedoura, para os levar a beber? Esta filha de Abraão, que Satanás paralisava há dezoito anos, não devia ser livre desta prisão, em dia de sábado? Ao proferir estas palavras, todos os seus adversários se encheram de confusão, ao passo que todo o povo, à vista de todos os milagres que ele realizava, se entusiasmava.

Lefebvre, Dom Gaspar. Missal Quotidiano e Vesperal. Bruges, Bélgica; Abadia de S. André, 1960.

sexta-feira, 18 de setembro de 2015

SEXTA-FEIRA DAS QUATRO TÊMPORAS DE SETEMBRO (Dia de jejum e abstinência)




A leitura de Oséias recorda-nos as palavras que este profeta dirigiu a Israel: "Converte-te, Israel, ao teu Deus e Senhor, porque te perderes por causa da sua iniqüidade" e a promessa que o Senhor afastará a sua ira dos israelitas se fizerem penitência. Uma formosa colheita de azeite, de vinho e de trigo, os produtos da estação outonal (hemisfério norte), consagrados ao Senhor nas têmporas de Setembro, são os símbolos das promessas que Deus, fez ao povo, de abundantes bênçãos. E o que Deus fez com Israel penitente, fez o Salvador com Maria Madalena, a quem muito foi perdoado porque muito amou.

Leitura do dia:
Leitura do livro de Oseias (14, 2-9) - Muni-vos de palavras (de súplicas) e voltai ao Senhor. Dizei-lhe: Perdoai todos os nossos pecados, acolheinos favoravelmente. Queremos oferecer em sacrifício a homenagem de nossos lábios. O assírio não nos salvará, não mais montaremos nossos cavalos, e não mais teremos como Deus obra alguma de nossas mãos, porque só junto de vós encontra o órfão compaixão. Curarei a sua infidelidade, amá-los-ei de todo o coração, (porque minha cólera apartou-se deles). Serei para Israel como o orvalho; ele florescerá como o lírio, e lançará raízes como o álamo. Seus galhos estender-se-ão ao longe, sua opulência igualará à da oliveira e seu perfume será como o odor do Líbano. (Os de Efraim) virão sentar-se à sua sombra. Cultivarão o trigo. Crescerão com a vinha. E serão famosos como o vinho do Líbano. Que terá ainda Efraim de comum com os ídolos? Eu mesmo, que o afligi, torná-lo-ei feliz. Eu sou como o cipreste sempre verde: graças a mim é que produzes fruto. Quem é sábio atenda a estas coisas! Que o homem inteligente reflita nelas, porque os caminhos do Senhor são retos. Os justos andam por eles, mas os pecadores neles tropeçam.

Evangelho do dia
Continuação do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas (7, 36-50) - Naquele tempo: Um fariseu convidou Jesus a ir comer com ele. Jesus entrou na casa dele e pôs-se à mesa. Uma mulher pecadora da cidade, quando soube que estava à mesa em casa do fariseu, trouxe um vaso de alabastro cheio de perfume; e, estando a seus pés, por detrás dele, começou a chorar. Pouco depois suas lágrimas banhavam os pés do Senhor e ela os enxugava com os cabelos, beijava-os e os ungia com o perfume. Ao presenciar isto, o fariseu, que o tinha convidado, dizia consigo mesmo: Se este homem fosse profeta, bem saberia quem e qual é a mulher que o toca, pois é pecadora. Então Jesus lhe disse: Simão, tenho uma coisa a dizer-te. Fala, Mestre, disse ele. Um credor tinha dois devedores: um lhe devia quinhentos denários e o outro, cinqüenta. Não tendo eles com que pagar, perdoou a ambos a sua dívida. Qual deles o amará mais?  Simão respondeu: A meu ver, aquele a quem ele mais perdoou. Jesus replicou-lhe: Julgaste bem. E voltando-se para a mulher, disse a Simão: Vês esta mulher? Entrei em tua casa e não me deste água para
lavar os pés; mas esta, com as suas lágrimas, regou-me os pés e enxugou-os com os seus cabelos. Não me deste o ósculo; mas esta, desde que entrou, não cessou de beijar-me os pés. Não me ungiste a cabeça com óleo; mas esta, com perfume, ungiu-me os pés. Por isso te digo: seus numerosos pecados lhe foram perdoados, porque ela tem demonstrado muito amor. Mas ao que pouco se perdoa, pouco ama. E disse a ela: Perdoados te são os pecados. Os que estavam com ele à mesa começaram a dizer, então: Quem é este homem que até perdoa pecados? Mas Jesus, dirigindo-se à mulher, disse-lhe: Tua fé te salvou; vai em paz.
Lefebvre, Dom Gaspar. Missal Quotidiano e Vesperal. Bruges, Bélgica; Abadia de S. André, 1960.

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

17 de Setembro - Sagradas chagas de São Francisco

Dois anos antes de morrer, São Francisco retirou-se para as solidões do Monte Alverne e começou aí um jejum de quarenta dias em honra do Arcanjo São Miguel. No mei das Vigílias e das santas orações, a que se dera, viu o santo, um dia, um serafim de asas flamejantes com os pés e as mãos cravados numa cruz. Sabendo que era um sofrimento incompatível com o estado glorioso dos espíritos angélicos, compreendeu que esta aparição se referia nesta visão e que por um místico abrasamento do amor de Deus havia de participar de modo particular dos sofrimentos de Jesus. E para que este amor sacrificado nos pudesse servir de exemplo formaram-se nos pés e nas mãos e no lado as cincos chagas semelhantes as de Jesus. A chaga do lado corria sangue. Estes estigmas foram por muitos contestados, a ponto de Bento XI mandar que a todos os anos celebrar a memória do fato e Paulo V, para reascender nos fiéis o amor da Cruz, estendeu esta festa a Igreja Universal.

Lefebvre, Dom Gaspar. Missal Quotidiano e Vesperal. Bruges, Bélgica; Abadia de S. André, 1960.

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

QUARTA-FEIRA DAS TEMPORAS DE SETEMBRO (Dia de jejum e abstinência parcial)




As quatro têmporas tratam-se, de tempos litúrgicos aos quais a Igreja dedica a penitência, a oração e a esmola. Provavelmente relacionada ao trabalho dos homens no campos, que tinham suas vidas mudadas de acordo com as Estações do Ano. Acredita-se que teriam surgido com a cristianização da Europa pagã por volta dos séculos III e IV. O Papa Gregório fixou as Têmporas da seguinte forma:

  • 3ª Semana do Advento (Têmporas do Advento)
  • 1ª Semana da quaresma (Têmporas da Quaresma)
  • Semana de Pentecostes (Têmporas de Pentecostes)
  • Semana do 17º Domingo depois de Pentecostes (Têmporas de Setembro)

Para termos uma noção mais simplificada sobre as têmporas, seria basicamente uma miniquaresma durante quatro vezes ao ano. Nesse período dedicamos nossas práticas de piedade pedindo perdão pelos pecados cometidos e em ação de graças pelos dons concedidos por ele a nós.


O profeta Amós tinha anunciado a destruição de Jerusalém e a sua próxima reedificação. Com efeito Nenemias reconduziu as tribos de babilônia e fez reconstruir a cidade. Quando acabaram os trabalhos, reuniu todo o povo no primeiro dia do sétimo mês e disse-lhes: Este é o dia do Senhor. Não vos contristeis, pois, porque a alegria do Senhor é a nossa fortaleza. A quarta-feira das têmporas de Setembro, que era outrora o sétimo mês do ano, recorda-nos o faustoso acontecimento da restauração de Jerusalém, na volta do cativeiro, que é a figura da nossa reconstrução em Deus por Jesus Cristo. E este júbilo de resgate anda unido com o recolhimento e a penitência com a cor roxa dos paramentos o denuncia. A Igreja hoje nos convida ao jejum e a oração para dominarmos por este meio o espírito da impureza e encontrarmos a misericórdia divina o remédio para as nossas faltas.

Primeira Leitura:

Leitura do Livro de Amós (9, 13-15) - Eis que vêm dias - oráculo do Senhor - em que seguirão de perto o que planta e o que colhe, o que pisa os cachos e o que semeia; o mosto correrá pelas montanhas, todas as colinas se derreterão. Restaurarei então o meu povo de Israel: reconstruirão as cidades devastadas e as habitarão; plantarão vinhas e beberão o seu vinho, cultivarão pomares e comerão os seus frutos. Implantá-los-ei no seu solo, e não serão mais arrancados da terra que lhes dei - oráculo do Senhor, teu Deus.

Segunda Leitura:

Leitura do Livro de Esdras (2 Livro de Esdras¹ 8, 1-10) : Naqueles dias: Todo o povo se reuniu então, como um só homem, na praça que ficava diante da porta da Água, e pediu a Esdras, o escriba, que trouxesse o livro da Lei de Moisés, que o Senhor havia prescrito a Israel. O sacerdote Esdras trouxe a lei diante da assembléia de homens, mulheres e de todas (as crianças) que fossem capazes de compreender. Era o primeiro dia do sétimo mês. Esdras fez então a leitura da lei, na praça que ficava diante da porta da Água, desde a manhã até o meio-dia, na presença dos homens, mulheres e das (crianças) capazes de compreender; todos escutavam atentamente a leitura. O escriba Esdras postou-se num estrado de madeira que haviam construído para a ocasião; a seu lado encontravam-se, à direita, Matatias, Semeías, Anias, Urias, Helcias e Maasias; à esquerda, Fadaías, Misael, Melquias, Hasum, Hasbadana, Zacarias e Mosolão. Esdras abriu o livro à vista do povo todo; ele estava, com efeito, elevado acima da multidão. Quando o escriba abriu o livro, todo o povo levantou-se. Esdras bendisse o Senhor, o grande Deus; ao que todo o povo respondeu, levantando as mãos: Amém! Amém! Depois inclinaram-se e prostraram-se diante do Senhor com a face por terra. E Josué, Bani, Serebias, Jamin, Acub, Seftai, Odias, Maasias, Celita, Azarias, Josabed, Hanã, Falaías e outros levitas explicavam a lei ao povo, e cada um ficou no seu lugar. Liam distintamente no livro da lei de Deus, e explicavam o sentido, de maneira que se pudesse compreender a leitura. Depois Neemias, o governador, Esdras, sacerdote e escriba, e os levitas que instruíam o povo, disseram a toda a multidão: Este é um dia de festa consagrado ao Senhor, nosso Deus; não haja nem aflição, nem lágrimas. Porque todos choravam ao ouvir as palavras da lei. Neemias disse-lhes: Ide para as vossas casas, fazei um bom jantar, tomai bebidas doces, e reparti com aqueles que nada têm pronto; porque este dia é um dia de festa consagrado ao nosso Senhor; não haja tristeza, porque a alegria do Senhor será a vossa força.

1. Atualmente livro de Neemias

Evangelho do Domingo:

✠ Continuação do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos (Mc 9, 16-28): Naquele tempo: Jesus lhes perguntou: Que estais discutindo com eles? Respondeu um homem dentre a multidão: Mestre, eu te trouxe meu filho, que tem um espírito mudo. Este, onde quer que o apanhe, lança-o por terra e ele espuma, range os dentes e fica endurecido. Roguei a teus discípulos que o expelissem, mas não o puderam. Respondeu-lhes Jesus: Ó geração incrédula, até quando estarei convosco? Até quando vos hei de aturar? Trazei-mo cá! Eles lho trouxeram. Assim que o menino avistou Jesus, o espírito o agitou fortemente. Caiu por terra e revolvia-se espumando. Jesus perguntou ao pai: Há quanto tempo lhe acontece isto? Desde a infância, respondeu-lhe. E o tem lançado muitas vezes ao fogo e à água, para o matar. Se tu, porém, podes alguma coisa, ajuda-nos, compadece-te de nós! Disse-lhe Jesus: Se podes alguma coisa!... Tudo é possível ao que crê. Imediatamente exclamou o pai do menino: Creio! Vem em socorro à minha falta de fé! Vendo Jesus que o povo afluía, intimou o espírito imundo e disse-lhe: Espírito mudo e surdo, eu te ordeno: sai deste menino e não tornes a entrar nele. E, gritando e maltratando-o extremamente, saiu. O menino ficou como morto, de modo que muitos diziam: Morreu... Jesus, porém, tomando-o pela mão, ergueu-o e ele levantou-se. Depois de entrar em casa, os seus discípulos perguntaram-lhe em particular: Por que não pudemos nós expeli-lo?

Lefebvre, Dom Gaspar. Missal Quotidiano e Vesperal. Bruges, Bélgica; Abadia de S. André, 1960.

terça-feira, 15 de setembro de 2015

15 de Setembro - Nossa Senhora das Dores




Maria Santíssima deixa-se ficar de pé junto a cruz de Nosso Senhor, e, como predissera Simeão, "uma de dor atravessara-lhe a alma". Impotente, vira seu filho nas angústias da morte e recolhera-lhe o último suspiro. A dor que lhe ferira, à beira da cruz, o seu coração maternal, merecera-lhe a palma do martírio. Celebrada já no século XVII com grande solenidade pelos servitas, a festa das sete dores de Maria, só em 1817 fora estendida a Igreja Universal, em memória dos sofrimentos que a Santa Igreja padecera na pessoa do Pontífice exilado e detido e depois restituído à liberdade por intercessão da Senhora.

Pio X elevou-a em 1908 a categoria de festa de segunda classe e em 1912 fixou-a a 15 de setembro, oitava da Natividade. Assim como a festa das Sete Dores no tempo da Paixão nos lembra a parte que Maria teve no sacrifício de Jesus, esta no tempo depois de Pentecostes diz-nos, e cuja a devoção as Dores de Maria aumentam nos tempos calamitosos que atravessa.


Epístola

Leitura do Livro de Judite (13, 22 e 23-25) : Naqueles dias: Então todos, adorando o Senhor, disseram a Judite: O Senhor te abençoou com o seu poder, porque ele por ti aniquilou os nossos inimigos. Ozias, príncipe do povo de Israel, acrescentou: Minha filha, tu és bendita do Senhor Deus altíssimo, mais que todas as mulheres da terra. Bendito seja o Senhor, criador do céu e da terra, que te guiou para cortar a cabeça de nosso maior inimigo! Ele deu neste dia tanta glória ao teu nome, que nunca o teu louvor cessará de ser celebrado pelos homens, que se lembrarão eternamente do poder do Senhor. Ante os sofrimentos e a angústia de teu povo, não poupaste a tua vida, mas salvaste-nos da ruína, em presença de nosso Deus.


Evangelho do dia:

Leitura do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João (19, 25-27): Naquele tempo: Junto à cruz de Jesus estavam de pé sua mãe, a irmã de sua mãe, Maria, mulher de Cléofas, e Maria Madalena. Quando Jesus viu sua mãe e perto dela o discípulo que amava, disse à sua mãe: Mulher, eis aí teu filho. Depois disse ao discípulo: Eis aí tua mãe. E dessa hora em diante o discípulo a levou para a sua casa.


Stabat mater dolorosa

juxta Crucem lacrimosa,

dum pendebat Filius.

Cuius animam gementem,

contristatam et dolentem

pertransivit gladius.

O quam tristis et afflicta

fuit illa benedicta,

mater Unigeniti!

Quae moerebat et dolebat,

pia Mater, dum videbat

nati poenas inclyti.

Quis est homo qui non fleret,

matrem Christi si videret

in tanto supplicio?

Quis non posset contristari

Christi Matrem contemplari

dolentem cum Filio?

Pro peccatis suae gentis

vidit Iesum in tormentis,

et flagellis subditum.

Vidit suum dulcem Natum

moriendo desolatum,

dum emisit spiritum.

Eia, Mater, fons amoris

me sentire vim doloris

fac, ut tecum lugeam.

Fac, ut ardeat cor meum

in amando Christum Deum

ut sibi complaceam.

Sancta Mater, istud agas,

crucifixi fige plagas

cordi meo valide.

Tui Nati vulnerati,

tam dignati pro me pati,

poenas mecum divide.

Fac me tecum pie flere,

crucifixo condolere,

donec ego vixero.

Juxta Crucem tecum stare,

et me tibi sociare

in planctu desidero.

Virgo virginum praeclara,

mihi iam non sis amara,

fac me tecum plangere.

Fac, ut portem Christi mortem,

passionis fac consortem,

et plagas recolere.

Fac me plagis vulnerari,

fac me Cruce inebriari,

et cruore Filii.

Flammis ne urar succensus,

per te, Virgo, sim defensus

in die iudicii.

Christe, cum sit hinc exire,

da per Matrem me venire

ad palmam victoriae.

Quando corpus morietur,

fac, ut animae donetur

paradisi gloria. Amen.



Lefebvre, Dom Gaspar. Missal Quotidiano e Vesperal. Bruges, Bélgica; Abadia de S. André, 1960.