quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

FELIZ ANO NOVO!!!





A equipe do blog Em defesa da Santa Fé deseja a todos um feliz e abençoado 2016!

31 DE DEZEMBRO - SÃO SILVESTRE I, PAPA E CONFESSOR





A Igreja reproduz na Liturgia todas as fases da existência do seu divino Fundador. Apenas nascido, o Menino Deus, é perseguido por Herodes; ainda no berço, a Igreja envia para o Céu o primeiro mártir, na pessoa do diácono Estevão, e os primeiros 25 papas que foram todos martirizados. Tendo voltado do Egito Jesus cresce em idade e sabedoria vivendo em Nazaré, onde passa os anos socegados; sob o pontificado de São Silvestre I (314 -335) a Igreja depois de três séculos de perseguição vê-se na posse de seu maior bem, a Liberdade. Estende-se pelo Império Romano; o Concílio de Nicéia, presidido pelos legados de Silvestre I (325) estabelece contra Ário a doutrina da divindade do Salvador. "O primeiro Concílio de Nicéia, diz o breviário, a santa fé católica, acerca da divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo foi explicada por 318 Bispos. Ario e seus sequazes foram condenados. A pedido dos padres, Silvestre confirmou ainda este Concílio em um Sínodo havido em Roma onde Ario foi de novo condenado.

Silvestre foi sepultado no cemitério de Priscila, sobre a via Salária, numa basílica que ele próprio mandara construir.

Epístola

Leitura da Epístola de São Paulo Apóstolo aos Hebreus (1, 1-12). Irmãos: Muitas vezes e de diversos modos outrora falou Deus aos nossos pais pelos profetas. Ultimamente nos falou por seu Filho, que constituiu herdeiro universal, pelo qual criou todas as coisas. Esplendor da glória (de Deus) e imagem do seu ser, sustenta o universo com o poder da sua palavra. Depois de ter realizado a purificação dos pecados, está sentado à direita da Majestade no mais alto dos céus, tão superior aos anjos quanto excede o deles o nome que herdou. Pois a quem dentre os anjos disse Deus alguma vez: Tu és meu Filho; eu hoje te gerei (Sl 2,7)? Ou então: Eu serei seu Pai e ele será meu Filho (II Sm 7,14)? E novamente, ao introduzir o seu Primogênito na terra, diz: Todos os anjos de Deus o adorem (Sl 96,7). Por outro lado, a respeito dos anjos, diz: Ele faz dos seus anjos sopros de vento e dos seus ministros chamas de fogo (Sl 103,4), ao passo que do Filho diz: O teu trono, ó Deus, subsiste para a eternidade. O cetro do teu Reino é cetro de justiça. Amaste a justiça e odiaste a iniqüidade. Por isso, ó Deus, o teu Deus te ungiu com óleo de alegria, mais que aos teus companheiros (Sl 44,7s); e ainda: Tu, Senhor, no princípio dos tempos fundaste a terra, e os céus são obra de tuas mãos. Eles passarão, mas tu permaneces. Todos envelhecerão como uma veste; tu os envolvas como uma capa, e serão mudados. Tu, ao contrário, és sempre o mesmo e os teus anos não acabarão (Sl 103,26s).

Evangelho do dia:

Leitura do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João (1, 1-16):  No princípio era o Verbo, e o Verbo estava junto de Deus e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio junto de Deus. Tudo foi feito por ele, e sem ele nada foi feito. Nele havia a vida, e a vida era a luz dos homens. A luz resplandece nas trevas, e as trevas não a compreenderam. Houve um homem, enviado por Deus, que se chamava João. Este veio como testemunha, para dar testemunho da luz, a fim de que todos cressem por meio dele. Não era ele a luz, mas veio para dar testemunho da luz. [O Verbo] era a verdadeira luz que, vindo ao mundo, ilumina todo homem. Estava no mundo e o mundo foi feito por ele, e o mundo não o reconheceu. Veio para o que era seu, mas os seus não o receberam. Mas a todos aqueles que o receberam, aos que crêem no seu nome, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus, os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas sim de Deus. E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos sua glória, a glória que o Filho único recebe do seu Pai, cheio de graça e de verdade. João dá testemunho dele, e exclama: Eis aquele de quem eu disse: O que vem depois de mim é maior do que eu, porque existia antes de mim. Todos nós recebemos da sua plenitude graça sobre graça.

Lefebvre, Dom Gaspar. Missal Quotidiano e Vesperal. Bruges, Bélgica; Abadia de S. André, 1960.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

28 DE DEZEMBRO - OS SANTOS MÁRTIRES INOCENTES (OITAVA DO NATAL)







A festa dos santos Inocentes é do Século V. A morte destas crianças manifesta, a seu modo, a realeza de Jesus. Foi por ter acreditado na palavra dos magos e do príncipe dos sacerdotes, por ele consultados, que Herodes viu o menino de Belém como uma ameaça a seu trono. Assim que sou mandou perseguir o Rei dos Judeus que acabara de nascer. Mas, como canta a Igreja: "Cruel Herodes, que receia tu da vinda de Cristo? Não arrebata os cetros mortais, aquele que dá os reinos celestes".

É a glória deste rei divino que os inocentes proclamam com a sua morte e a honra que eles dão a Deus é um motivo de confusão para os ímpios de Jesus porque, longe de conseguirem o fim que se propunham, não fazem mais do que dar cumprimento as profecias aos quais anunciavam que o filho do homem voltaria do Egito e que em Belém seria grande o choro das mães lamentando a morte dos filhos. E para por mais ao vivo a desolação dessas mães, Jeremias evoca Raquel, mãe de Benjamim, chorando a perda de seus descendentes. Mãe compassiva, a Igreja reveste os seus ministros de paramentos de tristeza, suprimindo o Glória e o Alleluia.

Confessemos nós por uma vida isenta de vícios a divindade de Jesus que estas almas inocentes confessaram com a morte.

Atendendo à terrível carnificina feita por Herodes, a Igreja, tomando uma das visões mais belas de São João, mostra-nos o destino magnifico reservado no Céu às almas virgens; inteiramente preservadas do pecado, formam o grupo escolhido daqueles que foram resgatados pelo Cordeiro de Deus. Os Santos Inocentes são dos admitidos a seguir o Cordeiro para onde quer que vá.

"Onde superabundou a iniquidade, superabundou as bençãos de Deus" (Santo Agostinho II Noct de Matinas)

Desde a infância Jesus foi perseguido pelos homens, para ter a certeza de conseguir os seus fins, Herodes mandou matar em Belém todos os meninos até a idade de dois anos. Grande dor para as mães. São Mateus vê aqui a realização das profecias por ocasião da tomada de Jerusalém pelos Caudeus. Os Judeus que deviam ser deportados para a Babilônia, foram reunidos em Rama, cidade situada a duas horas ao norte de Jerusalém no antigo território de de Benjamim. Para exprimir a grandeza da desolação do povo de Deus, o profeta, numa expressiva figura evoca Raquel, Mãe de Benjamim, saindo do túmulo (que ficava nos arredorres de Belém) e chorando sobre os seus descendentes.

Epístola

Leitura do Livro de Apocalipse (14, 1-5): Naqueles dias: Eu vi ainda: o Cordeiro estava de pé no monte Sião, e perto dele cento e quarenta e quatro mil pessoas que traziam escritos na fronte o nome dele e o nome de seu Pai. Ouvia, entretanto, um coro celeste semelhante ao ruído de muitas águas e ao ribombar de potente trovão. Esse coro que eu ouvia era ainda semelhante a músicos tocando as suas cítaras. Cantavam como que um cântico novo diante do trono, diante dos quatro Animais e dos Anciãos. Ninguém podia aprender este cântico, a não ser aqueles cento e quarenta e quatro mil que foram resgatados da terra. Estes são os que não se contaminaram com mulheres, pois são virgens. São eles que acompanham o Cordeiro por onde quer que vá; foram resgatados dentre os homens, como primícias oferecidas a Deus e ao Cordeiro. Em sua boca não se achou mentira, pois são irrepreensíveis.



Evangelho do dia:

Leitura do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus (2, 13-18) : Naquele tempo: Depois de sua partida, um anjo do Senhor apareceu em sonhos a José e disse: Levanta-te, toma o menino e sua mãe e foge para o Egito; fica lá até que eu te avise, porque Herodes vai procurar o menino para o matar. José levantou-se durante a noite, tomou o menino e sua mãe e partiu para o Egito. Ali permaneceu até a morte de Herodes para que se cumprisse o que o Senhor dissera pelo profeta: Eu chamei do Egito meu filho (Os 11,1). Vendo, então, Herodes que tinha sido enganado pelos magos, ficou muito irado e mandou massacrar em Belém e nos seus arredores todos os meninos de dois anos para baixo, conforme o tempo exato que havia indagado dos magos. Cumpriu-se, então, o que foi dito pelo profeta Jeremias: Em Ramá se ouviu uma voz, choro e grandes lamentos: é Raquel a chorar seus filhos; não quer consolação, porque já não existem (Jer 31,15)!

Lefebvre, Dom Gaspar. Missal Quotidiano e Vesperal. Bruges, Bélgica; Abadia de S. André, 1960.

sábado, 26 de dezembro de 2015

DOMINGO DENTRO DA OITAVA DE NATAL (OITAVA DO NATAL)






Antes da vinda do Filho de Deus, enviado pelo Pai, para que também recebêssemos a adoção de filhos de Deus, o homem era como um herdeiro na sua menoridade que em nada se distinguia de um escravo. Pelo contrário, agora que a lei nova o antecipou da tutela da antiga, "ele não é mais servo mas filho".Desta maneira o culto dos filhos de Deus resume-se nesta palavra proferida com Jesus: "Pai!" (Epístola).

O Evangelho descobre-nos qual será o grandioso papel, no futuro, deste menino cuja manifestação começa hoje no templo. É o rei cujo reino penetrará até o interior dos corações. Será para todos a pedra de toque, pedra de escândalo para os o rejeitarem, e pedra angular de suporte para os que o receberem.

Só depois da maioridade é que o filho entra na posse da herança a que tem direito. Antes disso depende daqueles que em seu nome administram o patrimônio. Era assim para os judeus da lei mosaica. Esperavam pelo rico patrimônio da nova lei, mas esperavam ainda sujeitos aos ritos e prescrições da Antiga Lei, espécie de tutela do povo de Deus, enquanto esperavam a herança que lhe foi prometida. Mas essa hora da herança chegou; o filho de Deus se fez homem para nos libertar da escravidão  da Lei e tornar-nos filhos de Deus, co-herdeiros do Reino dos Céus. Com os tempos messiânicos cessa-se a lei mosaica e começa a maioridade do povo de Deus, alcançada por meio do Batismo.

O velho Simeão e a profetiza Ana (de mais de oitenta anos de idade), que passavam seus dias no templo, dão testemunho de Jesus. Ele é o Messias e sua vinda implica necessariamente numa separação ou um julgamento. Os pensamentos secretos de cada homem referentes a Cristo serão revelados no último dia, porque ele perscruta os rins e os corações. Concenam-se os que o rejeitam, porque, fora dele, não há salvação.

Epístola

Leitura da Epístola de São Paulo Apóstolo aos Gálatas (4, 1-7). Irmãos: Explico-me: enquanto o herdeiro é menor, em nada difere do escravo, ainda que seja senhor de tudo, mas está sob tutores e administradores, até o tempo determinado por seu pai. Assim também nós, quando menores, estávamos escravizados pelos rudimentos do mundo. Mas quando veio a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, que nasceu de uma mulher e nasceu submetido a uma lei, a fim de remir os que estavam sob a lei, para que recebêssemos a sua adoção. A prova de que sois filhos é que Deus enviou aos vossos corações o Espírito de seu Filho, que clama: Aba, Pai! Portanto já não és escravo, mas filho. E, se és filho, então também herdeiro por Deus.

Evangelho do dia:

Leitura do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas (2, 33-40): Naquele tempo, Maria e José estavam admirados das coisas que dele se diziam de Jesus. Simeão abençoou-os e disse a Maria, sua mãe: Eis que este menino está destinado a ser uma causa de queda e de soerguimento para muitos homens em Israel, e a ser um sinal que provocará contradições, a fim de serem revelados os pensamentos de muitos corações. E uma espada transpassará a tua alma. Havia também uma profetisa chamada Ana, filha de Fanuel, da tribo de Aser; era de idade avançada. Depois de ter vivido sete anos com seu marido desde a sua virgindade, ficara viúva, e agora com oitenta e quatro anos não se apartava do templo, servindo a Deus noite e dia em jejuns e orações. Chegando ela à mesma hora, louvava a Deus e falava de Jesus a todos aqueles que em Jerusalém esperavam a libertação. Após terem observado tudo segundo a lei do Senhor, voltaram para a Galiléia, à sua cidade de Nazaré. O menino ia crescendo e se fortificava: estava cheio de sabedoria, e a graça de Deus repousava nele.

Lefebvre, Dom Gaspar. Missal Quotidiano e Vesperal. Bruges, Bélgica; Abadia de S. André, 1960.

26 DE DEZEMBRO - SANTO ESTEVÃO, PRIMEIRO MÁRTIR DA IGREJA (OITAVA DE NATAL)





Estava ainda no berço a Igreja, quando Estevão recebeu dos Apóstolo a missão de organizar s refeições para os pobres da comunidade. E fez tais prodígios e milagres (Epístola) que alguns judeus se perturbaram e o levaram perante o sinédrio. Jesus tinha acusado os judeus de terem lapidado os profetas; Estevão, por sua vez, ao dirigir-se aos seus juízes, declararam-lhes que, ao crucificarem Cristo, se mostraram-se dignos dos seus antepassados aos quais mataram os enviados de Deus; e levantando os olhos aos céus, clama: "Eis que vejo o filho do homem, de pé e a direita,  de Deus". Que admirável testemunho da divindade desse Menino que só adoramos no presépio. Ao ouvirem estas palavras os judeus, cumprindo o que o mestre havia dito deles, precipitaram-se sobre Estevão e lapidaram-no, enquanto que ele, de joelhos entregava a sua alma aos Senhor solicitando o perdão dos pecados para seus algozes.

Estevão é a primeira testemunha de Cristo, e é justo também que seja ele o primeiro do cortejo glorioso dos santos que cercam o berço do Salvador. O seu nome está inscrito no Cânon. Imitemos este grande exemplo de santo Estevão cuja a caridade nos ensina a amar até os próprios inimigos e como ele estejamos prontos  dar a Cristo recém-nascido vida por vida.

Epístola

Leitura dos Atos dos Apóstolos (6, 8-10; 7, 54-60 ): Naquele tempo: Estêvão, cheio de graça e fortaleza, fazia grandes milagres e prodígios entre o povo. Mas alguns da sinagoga, chamada dos Libertos, dos cirenenses, dos alexandrinos e dos que eram da Cilícia e da Ásia, levantaram-se para disputar com ele. Não podiam, porém, resistir à sabedoria e ao Espírito que o inspirava. Ao ouvir tais palavras, esbravejaram de raiva e rangiam os dentes contra ele. Mas, cheio do Espírito Santo, Estêvão fitou o céu e viu a glória de Deus e Jesus de pé à direita de Deus: Eis que vejo, disse ele, os céus abertos e o Filho do Homem, de pé, à direita de Deus. Levantaram então um grande clamor, taparam os ouvidos e todos juntos se atiraram furiosos contra ele. Lançaram-no fora da cidade e começaram a apedrejá-lo. As testemunhas depuseram os seus mantos aos pés de um moço chamado Saulo. E apedrejavam Estêvão, que orava e dizia: Senhor Jesus, recebe o meu espírito. Posto de joelhos, exclamou em alta voz: Senhor, não lhes leves em conta este pecado... A estas palavras, expirou.

Evangelho do dia:

Leitura do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus (23, 34-39) : Naquele tempo, disse Jesus aos Escribas e Fariseus: Vede, eu vos envio profetas, sábios, doutores. Matareis e crucificareis uns e açoitareis outros nas vossas sinagogas. Persegui-los-eis de cidade em cidade, para que caia sobre vós todos o sangue inocente derramado sobre a terra, desde o sangue de Abel, o justo, até o sangue de Zacarias, filho de Baraquias, a quem matastes entre o templo e o altar. Em verdade vos digo: todos esses crimes pesam sobre esta raça. Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas e apedrejas aqueles que te são enviados! Quantas vezes eu quis reunir teus filhos, como a galinha reúne seus pintinhos debaixo de suas asas... e tu não quiseste! Pois bem, a vossa casa vos é deixada deserta. Porque eu vos digo: já não me vereis de hoje em diante, até que digais: Bendito seja aquele que vem em nome do Senhor.

Lefebvre, Dom Gaspar. Missal Quotidiano e Vesperal. Bruges, Bélgica; Abadia de S. André, 1960.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

25 DE DEZEMBRO, SOLENIDADE DO NATAL DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO






Missa da Meia-noite (Missa do Galo ou hora do galo)

O Verbo desde toda a eternidade gerado pelo Pai elevou a união pessoal com ele o fruto Bendito do seio Virginal de Maria; quere dizer que a natureza humana e divina se ligaram em Jesus na unidade duma só pessoa que é a segunda da Santíssima Trindade e visto que quando se fala de filiação é a pessoa a que se designa, deve dizer-se que Jesus é o filho de Deus, porque a sua pessoa é divina: É o Verbo incarnado. Daqui se segue que Maria é com razão chamada Mãe de Deus, não porque gerou a humanidade que o Verbo uniu a si no mistério da incarnação. Compreendemos então que a Igreja cante na Missa o Solene Intróito: "Tu és meu filho, Eu hoje te gerei".

Filho Eterno de Pai, constantemente gerado por ele na Eternidade, Cristo continua a sê-lo no dia do se nascimento sobre a Terra, revestido da nossa humanidade. É no meio da noite que Maria dá a lua a seu filho divino e o coloca no presépio. Por isso celebra-se a Missa da meia-noite, e a estação faz-se na Basílica de Santa Maria maior, no altar onde se conservam as relíquias do Presépio.

Este nascimento de Cristo em plena noite é simbólico: "Deus nascido de Deus, Luz nascida da luz" (Credo), Cristo dissipa as trevas do pecado; "É a verdadeira luz" cujo esplendor ilumina os olhos de nossa alma, para que enquanto conhecemos a Deus de uma maneira visível, por ele sejamos arrebatados ao amor das coisas invisíveis. Veio arrancar-nos da impiedade e dos prazeres do mundo e ensinar-nos a merecer, pela dignidade da vida neste mundo a feliz esperança que nos foi prometida. Será em plena luz que se realizará a vinda da glória de Deus, Nosso Senhor Jesus Cristo. Natal é aparição na noite do mundo da Luz Divina, cujo o fulgor, em nós, e em volta de nós, se estende até o fim dos tempos.

Porquê, pergunta São Gregório, este recenseamento, no momento do nascimento do Senhor, senão para nos dar a entender que é a aparição na carne d'aquele que, um dia, deve recensear na eternidade os seus eleitos? O aparecimento do Homem Deus durante a noite é a figura de sua vinda no fim do mundo. Di-lo o próprio Jesus: Nomeio da noite far-se-á ouvir um clamor: Eis que vem o Esposo, ide ao seu encontro, e as almas que estiveram esperado por ele entrarão para as bodas eternas, enquanto que as outras dirá: Não vos conheço (Parábola das VIrgens).

Exposição Dogmática

Se o Tempo do Advento nos faz aspirar à dupla vinda do filho de Deus, o Natal celebra o aniversário do seu nascimento em Belém e prepara-nos para a vinda final em que virá julgar-nos.

 A partir do natal, o Ciclo Litúrgico segue passo a passo Jesus na sua obra de redenção, para que a Igreja enriquecidas com as graças que dimanam de cada um dos mistérios da vida de Cristo, seja, como diz São Paulo, a Esposa sem mancha, sem rugas, santa e imaculada, que Ele poderá apresentar ao Pai, quando vier, no fim do mundo, para nos introduzir no seu reino. Esta nova vinda de cristo, celebrada pelo último domingo depois de Pentecostes, é o término de todas as festas do calendário Cristão.

Percorrendo as páginas que o missal e o breviário consagraram no tempo do Natal, verificamos seram especialmente consagradas aos mistérios da infancia de Jesus. A Liturgia celebra a manifestação ao povo judeu e pagão (Natal e Epifania) do grande mistério da Encarnação do Verbo. Este mistério que consiste na união de Jesus, do verbo "gerado da substância do Pai antes de todos os séculos" com a humanidade "gerada da substância de sua mãe nos tempos", completa-se pela união de nossa almas com Cristo que nos gera para a vida divina. A todos os que o receberam deu-lhes o poder se tornarem filhos de Deus. O verbo que recebe desde toda eternidade a natureza divina de Deus Pai eleva até si toda a humanidade de Jesus e de todo o corpo místico, faz- se de modo particular o objeto das preocupações da Igreja nesta época.



A festa do natal a 25 de dezembro, correspondendo ao 25 de março, coincide com a festa que os povos pagãos celebravam no solstício de Inverno para honrar o nascimento do Sol que eles divinizavam. A Igreja Cristianizou deste modo o rito pagão. A Imperatriz S. Helena mandou construir uma basílica em Belém, muito simples já que Jesus nascera na pobreza. O verbo desde toda a eternidade gerado pelo Pai elevou a união pessoal com Ele o fruto bendito do seio virginal de Maria; quer dizer a natureza humana e a divina se ligaram em Jesus na unidade de um só pessoa que se designa, deve-se que Jesus é o filho de Deus por que sua pessoa é divina.




Epístola

Leitura da Epístola de São Paulo Apóstolo a Tito (2, 11-15). Irmãos: Manifestou-se, com efeito, a graça de Deus, fonte de salvação para todos os homens. Veio para nos ensinar a renunciar à impiedade e às paixões mundanas e a viver neste mundo com toda sobriedade, justiça e piedade, na expectativa da nossa esperança feliz, a aparição gloriosa de nosso grande Deus e Salvador, Jesus Cristo, que se entregou por nós, a fim de nos resgatar de toda a iniqüidade, nos purificar e nos constituir seu povo de predileção, zeloso na prática do bem. Eis o que deves ensinar, pregar e defender com toda a autoridade. E que ninguém te menospreze!

Evangelho da Festa:
Continuação do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas (2, 1-14): Naquele tempo apareceu um decreto de César Augusto, ordenando o recenseamento de toda a terra. Este recenseamento foi feito antes do governo de Quirino, na Síria. Todos iam alistar-se, cada um na sua cidade. Também José subiu da Galiléia, da cidade de Nazaré, à Judéia, à Cidade de Davi, chamada Belém, porque era da casa e família de Davi, para se alistar com a sua esposa Maria, que estava grávida.
Estando eles ali,  completaram-se os dias dela. E deu à luz seu filho primogênito, e, envolvendo-o em faixas, reclinou-o num presépio; porque não havia lugar para eles na hospedaria. Havia nos arredores uns pastores, que vigiavam e guardavam seu rebanho nos campos durante as vigílias da noite.
Um anjo do Senhor apareceu-lhes e a glória do Senhor refulgiu ao redor deles, e tiveram grande temor. O anjo disse-lhes: Não temais, eis que vos anuncio uma boa nova que será alegria para todo o povo: hoje vos nasceu na Cidade de Davi um Salvador, que é o Cristo Senhor. Isto vos servirá de sinal: achareis um
recém-nascido envolto em faixas e posto numa manjedoura. E subitamente ao
anjo se juntou uma multidão do exército celeste, que louvava a Deus e
dizia: Glória a Deus no mais alto dos céus e na terra paz aos homens, objetos
da benevolência (divina).


Lefebvre, Dom Gaspar. Missal Quotidiano e Vesperal. Bruges, Bélgica; Abadia de S. André, 1960.

Feliz Natal!

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

24 DE DEZEMBRO, VIGÍLIA DO NASCIMENTO DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO





A vigília do Natal é ela toda cheia de santa alegria, e se não fossem os paramentos indicando a penitência e o jejum, dizíamos que a festa já principiara. Com efeito, a Santa Igreja espera na alegria a vinda do Senhor que vem salvar seu povo do pecado. Todos os que crêem em Cristo fazem parte deste povo; "toda a carne verá a salvação de nosso Deus", disse Isaías. São Paulo também afirma na Epístola de hoje que foi escolhido para levar o Evangelho a todas as gente e chamá-lo para Cristo.

A missa da vigília é uma preparação para bem celebrarmos o aniversário "do adorável nascimento do filho de Deus", daquele que a Esposa de José deu a luz e que, da raça de Davi, segundo a carne, foi predestinado a reinar com poder, pela ressurreição dos mortos. O Nascimento de Cristo aparece desde já orientado, através da Paixão, para a sua ressurreição e reino glorioso. Há duas vindas, ou melhor, dois momentos da mesma vinda: O nascimento do Redentor já é a preparação para a vinda final e do juízo Triunfador. É a esta luz que devemos compreender a maior parte dos textos litúrgicos do Natal. Na humilhação do presépio cantamos já a vinda de glória e saudamos, desde a sua aurora uma obra de redenção completamente realizada. Sob este ponto a Missa da vigília é particularmente notável: o mesmo pensamento por toda ela. Compreendemos melhor São Bernardo, a comentar em Matinas o Hodie e o Mane de que fala-o Êxodo, que ele diz significar: um, o dia da vinda presente, breve e cheio de trevas ainda, o outro o da eternidade nos esplendores dos Santos.

Preparemo-nos, portanto, para recebermos com alegria Aquele que nos vem resgatar para que um dia o possamos comtemplar sem receio, quando nos vier julgar.

Epístola

Leitura da Epístola de São Paulo Apóstolo aos Romanos (1, 1-6). Irmãos: Paulo, servo de Jesus Cristo, escolhido para ser apóstolo, reservado para anunciar o Evangelho de Deus; este Evangelho Deus prometera outrora pelos seus profetas na Sagrada Escritura, acerca de seu Filho Jesus Cristo, nosso Senhor, descendente de Davi quanto à carne, que, segundo o Espírito de santidade, foi estabelecido Filho de Deus no poder por sua ressurreição dos mortos; e do qual temos recebido a graça e o apostolado, a fim de levar, em seu nome, todas as nações pagãs à obediência da fé, entre as quais também vós sois os eleitos de Jesus Cristo.

Evangelho do dia:

Leitura do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus (1, 18-21): Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: Eis como nasceu Jesus Cristo: Maria, sua mãe, estava desposada com José. Antes de coabitarem, aconteceu que ela concebeu por virtude do Espírito Santo. José, seu esposo, que era homem de bem, não querendo difamá-la, resolveu rejeitá-la secretamente. Enquanto assim pensava, eis que um anjo do Senhor lhe apareceu em sonhos e lhe disse: José, filho de Davi, não temas receber Maria por esposa, pois o que nela foi concebido vem do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho, a quem porás o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo de seus pecados.

Lefebvre, Dom Gaspar. Missal Quotidiano e Vesperal. Bruges, Bélgica; Abadia de S. André, 1960.

sábado, 19 de dezembro de 2015

IV Domingo do Advento: "João preparava as almas para a vinda de Cristo pelo batismo e pela penitência" (Ev.)







Como toda a liturgia deste tempo, a Missa do IV Domingo do Advento tem por fim preparar-nos para as duas vindas de Cristo, vinda de misericórdia para o Natal, em que comemoramos o nascimento de Jesus, e vinda de justiça no fim do mundo. O Intróito, o Evangelho, o Ofertório e a Comunhão referem-se à primeira; a Epístola, à segunda; e a Oração, o Gradual e o Alleluia podem se aplicar a uma e a outra.

Encontram-se nesta missa as três grandes figuras do Tempo do Advento: Isaías: ele é a voz que clama no deserto: Preparai os caminhos do Senhor, endireitai as suas veredas... e toda a carne verá a salvação de Deus. Ao comentar a pregação do Precursor, São Gregório explica que a ira futura com que São João ameaça o auditório é o castigo final que o pecador não poderá evitar, senão pela penitência: "o amigo do Esposo excita-nos a que não façamos apenas frutos de penitência, mas frutos dignos de penitência. Tais palavras são um apelo a consciência de cada um, convidando-nos a alcançar pela penitência um tesouro de boas obras, que deve ser tanto maior quanto mais profundos foram os estragos causados pelo pecado".

Vemos como a Igreja nunca perde de vista a última vinda de Jesus. Recordando-nos a Santíssima Virgem e lugar principal que ela ocupa no mistério do Natal a comunhão e o ofertório leva-nos ao nascimento em Belém. Na comunhão escutamos a profecia de Isaías, que anuncia sete séculos antes do nascimento virginal: Uma Virgem conceberás e dará a luz o Emanuel. O ofertório é uma saudação delicada e pura em que a Santa igreja, ouvindo as palavras do Arcanjo São Gabriel e de Santa Isabel, canta a graça especial de Maria ao gerar o homem Deus. "Gabriel quer dizer força de Deus, explica São Gregório, foi enviado a Maria, porque ele vinha anunciar o Messias, que se dignou a aparecer pequenino e humilde para vencer a todos os potentados. Convinha que fosse Gabriel, a força de Deus, a anunciar aquele que vinha como o Senhor dos Exércitos, Todo-Poderoso, o Invencível nos combates, que havia de vencer todas as potências do Mal".

A Oração alude a força de Deus, que antes de se mostrar na segunda vinda, se manifesta já na primeira, pois, que é revestido da nossa fraca e mortal natureza que Jesus vence o Demônio.

Vendo se aproximar a vinda de Jesus Nosso Salvador, digamos-lhe com a Santa Igreja: "Vinde Senhor, não tardeis".

Epístola

Leitura da Epístola de São Paulo Apóstolo aos Coríntios (ICor 4, 1-5) . Irmãos: Que os homens nos considerem, pois, como simples operários de Cristo e administradores dos mistérios de Deus. Ora, o que se exige dos administradores é que sejam fiéis. A mim pouco se me dá ser julgado por vós ou por tribunal humano, pois nem eu me julgo a mim mesmo. De nada me acusa a consciência; contudo, nem por isso sou justificado. Meu juiz é o Senhor. Por isso, não julgueis antes do tempo; esperai que venha o Senhor. Ele porá às claras o que se acha escondido nas trevas. Ele manifestará as intenções dos corações. Então cada um receberá de Deus o louvor que merece.



Evangelho de Domingo:
Continuação do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas (3, 1-6): No ano décimo quinto do reinado do imperador Tibério, sendo Pôncio Pilatos governador da Judéia, Herodes tetrarca da Galiléia, seu irmão Filipe tetrarca da
Ituréia e da província de Traconites, e Lisânias tetrarca da Abilina,
sendo sumos sacerdotes Anás e Caifás, veio a palavra do Senhor no deserto a João,
filho de Zacarias. Ele percorria toda a região do Jordão, pregando o batismo
de arrependimento para remissão dos pecados, como está escrito no livro das
palavras do profeta Isaías (40,3ss.): Uma voz clama no deserto: Preparai o
caminho do Senhor, endireitai as suas veredas. Todo vale será aterrado, e
todo monte e outeiro serão arrasados; tornar-se-á direito o que estiver torto, e
os caminhos escabrosos serão aplainados. Todo homem verá a salvação de Deus.

Lefebvre, Dom Gaspar. Missal Quotidiano e Vesperal. Bruges, Bélgica; Abadia de S. André, 1960.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

17 DE DEZEMBRO - ANTÍFONAS MAIORES

O imenso desejo da vinda de Cristo que caracteriza todo o Advento, exprime na liturgia com uma impaciência tanto maior quanto se aproxima do Santo Natal. "O Senhor vem de longe" (Intróito do 1º Domingo Advento). "O Senhor virá" (Intróito do 2º Domingo do Advento). "O Senhor está próximo" (Intróito do 3º Domingo do Advento). E esta gradação acentua-se cada vez mais. Assim começam no dia 17 de Dezembro as antífonas Maiores, também chamadas de "Antífonas do Ó" por causa de sua inicial. São um apelo vibrante ao Messias cuja as prerrogativas e títulos gloriosos nos declaram.

Die 17 Decembris
O Sapientia
quæ ex ore Altissimi prodisti,
attingens a fine usque ad finem,
fortiter suaviter disponens omnia:
Veni ad docendum nos viam prudentiae
17 de dezembro
Ó Sabedoria
que saístes da boca do altíssimo
atingindo de uma a outra extremidade
e tudo dispondo com força e suavidade:
Vinde ensinar-nos o caminho da prudência
Die 18 Decembris
O Adonai
et Dux domus Israel,
qui Moysi in igne flammæ rubi apparuisti
et ei in Sina legem dedisti:
Veni ad redimendum nos in brachio extento
18 de dezembro
Ó Adonai
guia da casa de Israel,
que aparecestes a Moises na chama do fogo
no meio da sarça ardente e lhe deste a lei no Sinai
Vinde resgatar-nos pelo poder do Vosso braço.
Die 19 Decembris
O Radix Jesse
qui stas in signum populorum,
super quem continebunt reges suum,
quem gentes deprecabuntur:
Veni ad liberandum nos; jam noli tardare
19 de dezembro
Ó Raiz de Jessé
erguida como estandarte dos povos,
em cuja presença os reis se calarão
e a quem as nações invocarão,
Vinde libertar-nos; não tardeis jamais.
Die 20 Decembris
O Clavis David
et sceptrum domus Israel:
qui aperis, et nemo claudit;
claudis et nemo aperit:
Veni, et educ vinctum de domo carceris,
sedentem in tenebris et umbra mortis
20 de dezembro
Ó Chave de Davi
o cetro da casa de Israel
que abris e ninguém fecha;
fechais e ninguém abre:
Vinde e libertai da prisão o cativo
assentado nas trevas e à sombra da morte.
Die 21 Decembris
O Oriens
splendor lucis æternæ, et sol justitiæ
Veni et illumina sedentes in tenebris
et umbra mortis.
21 de dezembro
Ó Oriente
esplendor da luz eterna e sol da justiça
Vinde e iluminai os que estão sentados
nas trevas e à sombra da morte.
Die 22 Decembris
O Rex gentium
et desideratus earum
lapisque angularis,
qui facis utraque unum:
Veni et salva hominem quem de limo formasti
22 de dezembro
Ó Rei das nações
e objeto de seus desejos,
pedra angular
que reunis em vós judeus e gentios:
Vinde e salvai o homem que do limo formastes
Die 23 Decembris
O Emmanuel,
Rex et legifer noster,
exspectatio gentium,
et Salvador earum:
Veni ad salvandum nos, Domine Deus noster
23 de dezembro
Ó Emanuel,
nosso rei e legislador,
esperança e salvador das nações,
Vinde salvarnos,
Senhor nosso Deus.
Lefebvre, Dom Gaspar. Missal Quotidiano e Vesperal. Bruges, Bélgica; Abadia de S. André, 1960.

domingo, 13 de dezembro de 2015

13 de Dezembro - Santa Luzia (Lúcia), Virgem e Mártir

Vivia em Siracusa, na Sicília, e tinha consagrado a Deus sua virgindade. Por amor a Ele renun­ciou, em favor dos pobres, a toda a sua fortuna, que não era peque­na. Chamada pelo prefeito de Siracusa, confessou a crença em Jesus Cristo e foi por isso decapi­tada. Somente em 1894 o martírio da jovem Luzia, foi devidamente confirmado, quando se descobriu uma inscrição escrita em grego antigo sobre o seu sepulcro, em Siracusa, Nápoles. A inscrição trazia o nome da mártir e confirmava a tradição oral cristã sobre sua morte no início do século IV.

A devoção à santa Luzia, cujo próprio nome está ligado à visão ("Luzia" deriva de "luz"), já era venerada desde o século V. O papa Gregório Magno, passado mais um século, a incluiu para ser citada no cânone da missa. Os milagres atribuídos à sua intercessão junto a Deus a transformaram numa das santas auxiliadoras da população, que a invocam, principalmente, nas orações para obter cura nas doenças dos olhos ou da cegueira.

A antiga tradição oral revela que essa proteção, pedida a santa Luzia, se deve ao fato de que ela teria arrancado os próprios olhos, entregando-os ao carrasco, preferindo isso a renegar a fé em Cristo. Assim, essa tradição se espalhou através dos séculos, ganhando o mundo inteiro, permanecendo viva atualmente.

Luzia pertencia a uma nobre família napolitana de Siracusa. Sua mãe, Eutíquia, após a morte do marido, prometeu dar a filha como esposa a um jovem da Corte local. Mas a jovem havia feito voto de virgindade eterna e pediu que o matrimônio fosse adiado. Isso aconteceu devido a uma terrível doença que acometeu sua mãe. Luzia, então, conseguiu convencer Eutíquia a segui-la em peregrinação até o túmulo de santa Águeda. A mulher retornou curada da viagem e permitiu que a filha mantivesse sua castidade. Também, consentiu que dividisse seu dote milionário com os pobres, como era seu desejo.

Mas quem não se conformou foi o ex-noivo. Cancelado o casamento, foi denunciar Luzia ao governador romano que era cristã. Neste período da perseguição religiosa imposta pelo cruel imperador Diocleciano; a jovem foi levada a julgamento. Como dava extrema importância à virgindade, o governante mandou que a carregassem à força a um prostíbulo, para servir à prostituição. Diz a tradição que, embora Luzia não movesse um dedo, nem dez homens juntos conseguiram levantá-la do chão. Então, foi condenada a morrer ali mesmo. Os carrascos jogaram sobre seu corpo resina e azeite ferventes, mas ela continuava viva. Somente um golpe de espada em seu pescoço conseguiu tirar-lhe a vida. Era o ano 304.

Santa Luzia é celebrada no dia 13 de dezembro e seu corpo está guardado na Catedral de Veneza, embora algumas pequenas relíquias tenham seguido para a igreja de Siracusa, que é venerada no mês de maio também.

 É invocada como protetora especial contra as doenças dos olhos.


Fonte: Últimas e Derradeiras Graças

sábado, 12 de dezembro de 2015

III Domingo do Advento: "Eu sou, diz João Batista, a voz que clama no deserto: Endireitai os caminhos do Senhor". (Ev.)





São João Batista é, como o profeta Isaías e a Santíssima Virgem, uma das três grandes figuras que enchem a liturgia do advento. Ao mesmo tempo profeta do Messias (o último dos profetas) e testemunha de Cristo (foi o primeiro a pregar as multidões a sua vinda).
São João Batista suscitado por Deus para preparar os caminhos do Senhor continua como outrora a cumprir sua missão junto de nós. A Santa Igreja compraz-se em repetir-nos o testemunho do Precursor, as suas exortações a penitência, e aponta-no-lo como exemplo de profunda humildade. Como os homens o tomassem por Cristo, humilhou-se até o ponto de declarar indigno de desatar os  cordões de seus sapatos. As suas exortações conservam ainda hoje toda a importância. O Salvador, que para nós já veio, está para vir ainda para muitas das almas que continuam a ignorá-lo. Nós mesmo devemos recebê-lo cada vez mais
em nossas almas. Na festa do Natal realiza-se a nossa filiação divina. Além disso, devemos preparar-nos para a última vinda do Senhor, em que Ele virá julgar-nos sobre a maneira como recebemos nesse mundo. A Igreja prepara-nos assim para a festa do Natal e também para essa última vinda do Salvador. A grande alegria dos cristãos à qual nos convida a Igreja, é a de sentirmos que o dia do Senhor se aproxima, dia em que virá cheio de glória para nos introduzir consigo na Jerusalém Celeste. Façamos votos para que o Natal nos prepare para esse grande dia que o Apóstolo diz está próximo e para que ele se realize depressa. Todas essas aspirações do Advento, estes "Vinde", são como um eco dos profetas e daquele "Veni" com que João termina o livro do Apocalipse: "Vinde Senhor Jesus!" é a última frase do Novo Testamento. Como sinal de alegria, tocam-se os órgãos à missa solene e o sacerdote pode usar paramentos de cor rosa, os quais simbolizam a alegria da Jerusalém Celeste e um alívio as penitências do Advento roxo. Alega-te ó Jerusalém, com Grande Alegria, porque há
ti virá o Salvador, Aleluia. "Per adventum tuum libera nos Domine", cantamos nós na ladainha de todos os Santos.

Epístola

Leitura da Epístola de São Paulo Apóstolo aos Filipenses (4, 4-7). Irmãos: Seja conhecida de todos os homens a vossa bondade. O Senhor está próximo. Não vos inquieteis com nada! Em todas as circunstâncias apresentai a Deus as vossas preocupações, mediante a oração, as súplicas e a ação de graças. E a paz de Deus, que excede toda a inteligência, haverá de guardar vossos corações e vossos pensamentos, em Cristo Jesus.



Evangelho de Domingo: Continuação do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João (1, 19-28): Naquele Tempo: Os judeus enviaram de Jerusalém sacerdotes e levitas para perguntar a João: Quem és tu? Ele fez
esta declaração que confirmou sem hesitar: Eu não sou o Cristo. Pois, então,
quem és?, perguntaram-lhe eles. És tu Elias? Disse ele: Não o sou. És tu o
profeta? Ele respondeu: Não. Perguntaram-lhe de novo: Dize-nos, afinal, quem
és, para que possamos dar uma resposta aos que nos enviaram. Que dizes de ti
mesmo? Ele respondeu: Eu sou a voz que clama no deserto: Endireitai o caminho
do Senhor, como o disse o profeta Isaías (40,3). Alguns dos emissários eram
fariseus. Continuaram a perguntar-lhe: Como, pois, batizas, se tu não és o
Cristo, nem Elias, nem o profeta? João respondeu: Eu batizo com água, mas no
meio de vós está quem vós não conheceis. Esse é quem vem depois de mim; e eu
não sou digno de lhe desatar a correia do calçado. Este diálogo se passou em
Betânia, além do Jordão, onde João estava batizando.

Lefebvre, Dom Gaspar. Missal Quotidiano e Vesperal.
Bruges, Bélgica; Abadia de S. André, 1960.