sábado, 29 de julho de 2017

VIII Domingo depois de Pentecostes "Dá conta da tua administração" (Ev.)

O Espírito Santo que circula, por assim dizer, nas velas da Igreja, circula assim igualmente na vela de todos os fiéis e faz com que possamos dizer a verdade: "Pai-nosso que estais nos Céus" e que esperamos participar com Jesus Cristo na herança de Deus. Mas para merecermos entrar num dia nos tabernáculos eternos, é necessário que aqui na Terra vivamos realmente como filhos e que nos deixemos docilmente conduzir para onde nos levar o Espírito de Deus que deve orientar e informar toda a nossa vida. E aqui está aquela sabedoria cristã que a Igreja nos aconselha a pedir na oração da missa e que o Evangelho louva e diz que, em matéria de espírito, ultrapassa a previdência dos filhos dos séculos das coisas da Terra.

As lições do Breviário continuam a falar-nos de Salomão. Empregou muito bem o grande Rei a sua sabedoria em contruir um templo digno da glória do Senhor. Foi a sua Obra prima. Três anos demorou para juntar todo o material necessário: grandes pedras talhadas na montanha, as madeiras do Líbano e o ouro puríssimo que adornava os altares até o teto, porque nada havia na casa do Senhor que não fosse forrdo de Ouro. Quando a construção terminou, mandou celebrar as grandes solenidades da dedicação e nelas pronunciou a oração magnífica que a bíblia nos conserva e que inspirou muito os detalhes da dedicação de uma igreja.

As partes cantadas da missa de hoje resumem à maravilha e os sentimentos que orientavam o grande monarca na construção da obra e da composição da oração: uma grande idéia da majestade de Deus e do respeito aos devidos lugares santificados pela presença, aliada  uma confiança inabalável na proteção divina e na imensa bondade do Senhor.

O Rei Salomão e a Rainha de Sabá


Leitura da Epístola da Missa:

 Leitura da Epístola de São Paulo Apóstolo aos Romanos (8, 12-17) - Irmãos: Os que vivem segundo a carne não podem agradar a Deus. Vós, porém, não viveis segundo a carne, mas segundo o Espírito, se realmente o espírito de Deus habita em vós. Se alguém não possui o Espírito de Cristo, este não é dele. Ora, se Cristo está em vós, o corpo, em verdade, está morto pelo pecado, mas o Espírito vive pela justificação. Se o Espírito daquele que ressuscitou Jesus dos mortos habita em vós, ele, que ressuscitou Jesus Cristo dos mortos, também dará a vida aos vossos corpos mortais, pelo seu Espírito que habita em vós. Portanto, irmãos, não somos devedores da carne, para que vivamos segundo a carne.

Destruição do templo de Jerusalém pelos romanos no ano 70


Evangelho do Domingo:

Continuação do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São Lucas (16,1-9) - Naquele tempo disse Jesus a seus dissípulos esta parábola: Havia um homem rico que tinha um administrador. Este lhe foi denunciado de ter dissipado os seus bens. Ele chamou o administrador e lhe disse: Que é que ouço dizer de ti? Presta contas da tua administração, pois já não poderás administrar meus bens. O administrador refletiu então consigo: Que farei, visto que meu patrão me tira o emprego? Lavrar a terra? Não o posso. Mendigar? Tenho vergonha. Já sei o que fazer, para que haja quem me receba em sua casa, quando eu for despedido do emprego. Chamou, pois, separadamente a cada um dos devedores de seu patrão e perguntou ao primeiro: Quanto deves a meu patrão? Ele respondeu: Cem medidas de azeite. Disse-lhe: Toma a tua conta, senta-te depressa e escreve: cinqüenta. Depois perguntou ao outro: Tu, quanto deves? Respondeu: Cem medidas de trigo. Disse-lhe o administrador: Toma os teus papéis e escreve: oitenta. E o proprietário admirou a astúcia do administrador, porque os filhos deste mundo são mais prudentes do que os filhos da luz no trato com seus semelhantes. Eu vos digo: fazei-vos amigos com a riqueza injusta, para que, no dia em que ela vos faltar, eles vos recebam nos tabernáculos eternos.

Lefebvre, Dom Gaspar. Missal Quotidiano e Vesperal. Bruges, Bélgica; Abadia de S. André, 1960.

sábado, 22 de julho de 2017

VII Domingo depois de Pentecostes "Pelos frutos conhece a qualidade da árvore" (Ev.)



As lições do Breviário terminam hoje a história do Rei Davi e começam a contar a história do rei salomão. Ao ascender ao trono de seu Pai, Salomão pediu a Deus que lhe desse sabedoria necessária para discernir o bem do mal e conduzir seu povo no caminho da justiça. E Deus respondeu-lhe: "Porque isto me pedes, porque não me pedes uma vida longa e venturosa, nem riqueza, nem a morte dos inimigos, mas apenas inteligência para praticar a justiça, farei o que tu queres. Dar-te-ei um coração tão sábio como nunca existiu sobre a face da terra. E dar-te-ei mais isto que não me pediste: Terás Glória e riqueza a tal ponto, que não se achará nenhum semelhante a ti em todos os séculos passados. E se andares nos meus caminhos e guardares os meus mandamentos como fez o teu pai Davi, Eu prolongarei os teus dias." E a promessa de Deus cumpriu-se, Salomão tornou-se um monarca poderoso e sábio, cuja a aliança era desejada pelos povos vizinhos. Rei pacífico, Salomão é a figura de Cristo, o príncipe da paz, proclamado pelas nações; sábio entre os sábios, pré anunciará a vinda do filho de Deus, a sabedoria incarnada que virá estabelecer finalmente e definitivamente a separação do bem e do mal e guiar seu povo nos caminhos do altíssimo. Melhor que Salomão ensinou Jesus a Sabedoria verdadeira que nos legou no evangelho e na palavra de sua esposa a Igreja. 


É extremamente necessário e indispensável que para entrarmos no reino dos céus, saber e amar de corpo e alma esta santa doutrina. A Epístola e o Evangelho deste domingo nos irá confirmar tal afirmação: "Não é aquele que diz Senhor, Senhor, que entrará no reino dos Céus, mas o que fizer a vontade de Deus". E São Paulo procura convencer-nos da mesma verdade e da necessidade para todos impreterível de pertencer a Cristo sem reservas e de lhe ser fiel até a morte.  E neste ponto Davi e Salomão são para nós uma lição ao mesmo tempo terrível e consoladora. Salomão não perseverou, foi infiel ao Senhor e a sua glória, ainda que deslumbrante, não tardou em diluir-se no vácuo onde se erguera. Faltou-lhe a consistência. Davi, não obstante o seu pecado terrível, é maior, porque chorou amargamente, e foi sincera sua conversão e sua piedade e até hoje inspira a piedade das almas santas. Peçamos a Deus que nos guie nos caminhos de sua justiça e que aparte de nós tudo o que nos pode causar dano e nos conceda tudo o que nos pode servir de auxílio.

Jesus nos advertiu contra os falsos profetas que iriam surgir ao
longo da história para preparar o caminho do anticristo


Leitura da Epístola:



Leitura da Santa Epístola de São Paulo Apóstolo aos Romanos (6,19-23) - Irmãos: Vou-me servir de linguagem corrente entre os homens, por causa da fraqueza da vossa carne. Pois, como pusestes os vossos membros a serviço da impureza e do mal para cometer a iniqüidade, assim ponde agora os vossos membros a serviço da justiça para chegar à santidade. Quando éreis escravos do pecado, éreis livres a respeito da justiça. Que frutos produzíeis então? Frutos dos quais agora vos envergonhais. O fim deles é a morte.  Mas agora, libertados do pecado e feitos servos de Deus, tendes por fruto a santidade; e o termo é a vida eterna. Porque o salário do pecado é a morte, enquanto o dom de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor.

Evangelho de Domingo:

Continuação do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São Mateus (7, 15-21): Naquele tempo disse Jesus: Guardai-vos dos falsos profetas. Eles vêm a vós disfarçados de ovelhas, mas por dentro são lobos arrebatadores. Pelos seus frutos os conhecereis. Colhem-se, porventura, uvas dos espinhos e figos dos abrolhos? Toda árvore boa dá bons frutos; toda árvore má dá maus frutos. Uma árvore boa não pode dar maus frutos; nem uma árvore má, bons frutos. Toda árvore que não der bons frutos será cortada e lançada ao fogo. Pelos seus frutos os conhecereis. Nem todo aquele que me diz: Senhor, Senhor, entrará no Reino dos céus, mas sim aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus.


Lefebvre, Dom Gaspar. Missal Quotidiano e Vesperal. Bruges, Bélgica; Abadia de S. André, 1960.

sábado, 15 de julho de 2017

VI Domingo depois de Pentecostes "Comeram todos e ficaram saciados" (Ev.)

Jesus e o milagre da multiplicação dos pães e peixes
Um grande pensamento domina toda a liturgia de hoje: a necessidade de destruir o pecado por meio de um arrependimento sincero, e de pedir a Deus a graça de não cair novamente nele. É pelo Batismo que morremos para o pecado e é na Eucaristia que encontramos as forças necessárias para podermos caminhar sem desfalecer no caminho da virtude. A Igreja impregna ainda do pensamento destes dois sacramentos que conferiu aos fiéis na Páscoa e no dia de Pentecostes, e continua a falar deles neste tempo. As lições de matinas conta-nos com efeito o caso lamentável de Davi, em que este poderoso monarca sucumbiu as insinuações malignas da serpente, demonstrando que todo homem conserva sempre a lama original de que Deus o formou.

Queria Davi casar-se com Betsabé, esposa de um dos oficiais do exército, e para conseguir tal feito enviu o general Urias que andava em campanha para um lugar perigoso onde o risco de morte era iminente. Urias efetivamente morreu e Davi consegui se casar com Betsabé, de quem teve um filho. Mandou então o Senhor ao Rei o profeta Natan a dizer-lhe: "Ó Rei, havia na cidade dois homens, um rico outro pobre. O rico tinha ovelhas e manadas de bois em grande número, o pobre não tinha coisa alguma senão uma ovelhinha que ele comprara e criava e que tinha crescido juntamente em sua casa com seus filhos, comendo do seu pão, bebendo do mesmo copo e dormindo no seu regaço. Ele lhe queria como filha. Como pois, um forasteiro quiseste ver o rico, não querendo pois, tocar nas suas ovelhas, nem nos seus bois, para dar um banquete aquele forasteiro tomou a ovelha do pobre para dar de comer ao hóspede". Davi indgnado exclamou: "Porque Deus, que tal homem era merecedor de tal morte!" E tornou Natan a dizer: "Pois és tu este homem. Tinha todas as donzelas de Israel mas para escolher sua esposa violentasse a mulher de Urias. Por isso Deus sucitará da tua própria casa a tua desgraça." Então Davi arrependido exclamou: "Ai de mim  que pequei contra o Senhor!" E tornou Natan: "Por causa do teu arrependimento o Senhor perdoou-te. Não morrerás mas serás castigado e o filho de betsabé perecerá." Passado o tempo o pequeno morria e Davi oprimido pela dor ia prostar diante do templo  diante de Deus.

Davia, comenta Santo Ambrósio, não pode tolerar o peso do pecado que oprimia e sem dilação  confessou diante do Senhor o seu crime. A maioria dos homens não o faz assim pois, onde se encontra hoje um homem mais rico que os seus vizinhos, que não se irrita com outras coisas consideradas indignas de sua considerada posição social, se seu confessor o repreende e aconselha a seguir por caminhos mais retos e mais santos! Mas os santos do Senhor que ardem por avançar nas apertadas fendas que levam a Deus, se lhes acontece de cair, levantam-se com maior ardor para a carreira e estimulados pela vergonha da queda, redobram de coragem no combate para ressacir, e sempre com vantagem, o inadvertido lapso.

A missa completa maravilhosamente as lições do breviário. Na Epístola São Paulo nos recorda com insistência, que, uma vez mortos para o pecado, no Batismo, devemos viver a vida nova, a vida que é sem pecado e que vem de Deus. Caso venha ocorrer que caindo em pecado, estando então na grande desgraça de nos despojar dessa vida nova, deveremos então recorrer aos pés de Deus implorar o seu perdão para continuarmos a louvá-lo em torno do altar. Deus não deixará de ouvir a nossa prece e de firmar os nossos passos na vereda dos seus mandamentos, porque ele diz que é a coragem, o escudo e o guia de seu povo. O Evangelho, finalmente, aponta-nos a fonte divina aonde devemos beber a força de que precisamos para seguir o Senhor até ao Céu sem desfalecer pelo caminho.


A multiplicação dos pães é com efeito figura da Eucaristia, que é viático para todos nós, não apenas no fim da vida quando se empreende a viagem para ó além, mas durante a vida toda. Ela aperfeiçoa a graça do Batismo, dando-nos força para não cair, e alentando e desenvolvendo a vida de Deus em nós até desabrocharmos na plenitude da pátria aonde vamos.

O Rei Davi


Leitura da Epístola da Missa:

Leitura da Epístola de São Paulo Apóstolo aos Romanos (Rom. 6, 3-11) - Irmãos: Ou ignorais que todos os que fomos batizados em Jesus Cristo, fomos batizados na sua morte? Fomos, pois, sepultados com ele na sua morte pelo batismo para que, como Cristo ressurgiu dos mortos pela glória do Pai, assim nós também vivamos uma vida nova. Se fomos feitos o mesmo ser com ele por uma morte semelhante à sua, sê-lo-emos igualmente por uma comum ressurreição. Sabemos que o nosso velho homem foi crucificado com ele, para que seja reduzido à impotência o corpo (outrora) subjugado ao pecado, e já não sejamos escravos do pecado. (Pois quem morreu, libertado está do pecado.) Ora, se morremos com Cristo, cremos que viveremos também com ele,  pois sabemos que Cristo, tendo ressurgido dos mortos, já não morre, nem a morte terá mais domínio sobre ele. Morto, ele o foi uma vez por todas pelo pecado; porém, está vivo, continua vivo para Deus! Portanto, vós também considerai-vos mortos ao pecado, porém vivos para Deus, em Cristo Jesus.

Evangelho do Domingo:

Continuação do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São Marcos (Mac 8, 1-9): Naqueles dias, como fosse novamente numerosa a multidão, enão tivessem o que comer, Jesus convocou os discípulos e lhes disse: Tenho compaixão deste povo. Já há três dias perseveram comigo e não têm o que comer. Se os despedir em jejum para suas casas, desfalecerão no caminho; e alguns deles vieram de longe! Seus discípulos esponderam-lhe: Como poderá alguém fartá-los de pão aqui no deserto?  Mas ele perguntou-lhes: Quantos pães tendes? Sete, responderam. Mandou então que o povo se assentasse no chão. Tomando os sete pães, deu graças, partiu-os e entregou-os a seus discípulos, para que os distribuíssem e eles os distribuíram ao povo. Tinham também alguns peixinhos. Ele os abençoou e mandou também distribuí-los. Comeram e ficaram fartos, e dos pedaços que sobraram levantaram sete cestos. Ora, os que comeram eram cerca de quatro mil pessoas. Em seguida, Jesus os despediu.

 Lefebvre, Dom Gaspar. Missal Quotidiano e Vesperal. Bruges, Bélgica; Abadia de S. André, 1960.

sábado, 8 de julho de 2017

V Domingo depois de Pentecostes "Vai primeiro e reconcilia-te com seu irmão" (Ev.)

A liturgia deste domingo nos ensina o modo como devemos perdoar as injúrias e, como no anterior, tem aqui esta doutrina dois elementos por base: a história de Davi que continua a ler-se no breviário e uma passagem da Epístola de S. Pedro cuja festa celebramos nesta altura. Esta semana era até chamada outrora, por este motivo, a dos Apóstolos

Logo depois que Davi derrotou Golias, Israel triunfante comemoravam a vitória os soldados e cantavam: Saul matou mil e Davi dez mil. Saul ao ouvir isto se irritou e com isso a inveja mordeu-lhe o coração: "Mil eu e dez mil Davi!" Dizia então Saul. Então será Davi mais do que Eu? Que lhe falta então agora ser rei?

E desde esses dias, nunca mais o pode ver com bons olhos, como se adivinhasse que Davi teria sido escolhido por Deus. A Inveja fê-lo um criminoso pois, por duas vezes tentou matar Davi e por tantas outras Davi evitou o golpe. Então mandou-o para a guerra, na esperança que lá ele morreria. Davi, porém, regressou vitorioso à frente do exército de Saul. Com este fato Saul desesperou e começou uma perseguição aberta. Um dia que andava a procurá-lo desceu para repousar a uma caverna tenebrosa onde Davi se ocultara; desceu e dormiu. Disse então a Davi um de seus companheiros: "Eis o Rei; o Senhor respondeu a Davi o Senhor entregou-o na tuas mãos. É sem dúvida o momento de o matares". "Não! - Respondeu Davi. Não permita Deus que eu desrespeite jamais o que recebeu a unção sagrada".

Davi derrota o gigante Golias com Cinco Pedrinhas
que pode ser a imagem de Cristo destruindo a
morte e o pecado com suas Cinco chagas
E contentou-se de cortar-lhe a orla do manto e de lhe mostrar quando estivesse longe quando o dia rompeu. Então Saul chorou e disse: "O meu vassalo Davi é melhor do que eu!" Surpreendeu-o ainda Davi em pleno sono, com a lança à cabeceira e apenas pegou nela e na taça, Saul então abençoou de novo Davi sem no entanto o deixar de perseguir. Mais tarde os filisteus recomeçaram a guerra e os Israelitas foram derrotados. Suicidou-se Saul  lançando-se sobre a própria Espada. Davi longe de se alegrar com a morte do Rei, rasgou as vestes e chorou amargamente e mandou cortar a cabeça ao Amalecita que atribuía o prestígio de matar a Saul, e assim trouxeram a notícia com a coroa "Montanhas de Geboé, exclamou que nem o orvalho e nem a chuva desçam jamais sobre vós, que vistes tombar os heróis de Israel Saul e Jônatas  tão amáveis e tão belos durante a vida e que a morte não pode separar.

Uma grande lição de caridade se desprende destas considerações e compreendemos agora a escolha do Evangelho e da Epístola que nos pregam ambos o dever impreterível de perdoar. "Sede pois unânimes na oração e não deis mal por mal, nem ultraje por ultraje", diz a Epístola. "Se apresentares a tua oferta no altar, diz o Evangelho, e te lembrares de que o teu irmão tem algo contra ti, deixa diante do altar a tua oferta e vai reconciliar-te primeiro com teu irmão". A comunhão da missa exprime os sentimentos de Davi ao apoderar-se da cidade de Sião e mandar colocar nela a Arca do Senhor. Isto foi a recompensa da sua invencível caridade, dessa virtude indispensável para que o culto tributado a Deus pelo homem no templo santo lhe seja verdadeiramente agradável. A Epístola e o Evangelho salientam o que é sobretudo quando nos reunirmos para orar que mais nos devemos unir. O melhor meio para alcançar esta virtude é o amor de Deus e desejo veemente dos bens eternos e da felicidade que reina na corte do Deus vivo, onde se entra senão pela porta estreita da renúncia e da abnegação cristã.

Saul ataca Davi por Inveja

Leitura da Epístola:

Leitura a primeira Epístola de São Pedro Apóstolo (IPedro 3 8-15): Carríssimos: Finalmente, tende todos um só coração e uma só alma, sentimentos de amor fraterno, de misericórdia, de humildade. Não pagueis mal com mal, nem injúria com injúria. Ao contrário, abençoai, pois para isto fostes chamados,para que sejais herdeiros da bênção. Com efeito, quem quiser amar a vida e ver dias felizes, refreie sua língua do mal e seus lábios de palavras enganadoras;  aparte-se do mal e faça o bem, busque a paz e siga-a. Porque os olhos do Senhor estão sobre os justos e seus ouvidos, atentos a seus rogos; mas a força do Senhor está contra os que fazem o mal (Sl 33,13-17). Se fordes zelosos do bem, quem vos poderá fazer mal? E até sereis felizes, se padecerdes alguma coisa por causa da justiça! Portanto, não temais as suas ameaças e não vos turbeis. Antes santificai em vossos corações Cristo, o Senhor. Estai sempre prontos a responder para vossa defesa a todo aquele que vos pedir a razão de vossa esperança, mas fazei-o com suavidade e respeito.

Evangelho do Domingo:

Continuação do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São Mateus (Mt 5, 20-24): 20. Digo-vos, pois, se vossa justiça não for maior que a dos escribas e fariseus, não entrareis no Reino dos céus.21. Ouvistes o que foi dito aos antigos: Não matarás, mas quem matar será castigado pelo juízo do tribunal. 22. Mas eu vos digo: todo aquele que se irar contra seu irmão será castigado pelos juízes. Aquele que disser a seu irmão: Raca, será castigado pelo Grande Conselho. Aquele que lhe disser: Louco, será condenado ao fogo da geena. 23. Se estás, portanto, para fazer a tua oferta diante do altar e te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti, 24. deixa lá a tua oferta diante do altar e vai primeiro reconciliar-te com teu irmão; só então vem fazer a tua
oferta.

 Lefebvre, Dom Gaspar. Missal Quotidiano e Vesperal. Bruges, Bélgica; Abadia de S. André, 1960. 

sábado, 1 de julho de 2017

IV Domingo depois de Pentecostes "Ficaram possuídos de espanto por causa da pesca que fizeram" (Ev.)

A confiança em Deus no meio das lutas e dos sofrimentos da vida é o pensamento que domina toda a liturgia de hoje. Quando Deus rejeitou Saul por causa de seu orgulho, ordenou a Samuel que ungisse Davi, filho mais novo de Jessé, ainda criança, e desde então o Espírito Santo, diz a escritura, retirou-se de Saul e posou sobre o novo ungido. Começou então a guerra dos filisteus e apareceu aquele gigante chamado Golias que desafiava dia e noite os israelitas. "Escravos de Saul, dizia ele, escolhei um campeão que seja capaz de competir comigo. Se me vencer seremos todos vossos escravos." E Israel andava aterrado e confundido e assim ninguém ousava responder ao desafio do pagão, até que Davi veio ao campo e ofereceu-se a Saul para abater a arrogância do Filisteu. "Vai, respondeu-lhe o rei, e que o Deus de Israel esteja contigo. "Davi pegou no cajado e na funda, colocou no bolso cinco pedras bem lisas que apanhou e avançou com esta arma para o gigante. "Julgas que sou um cão para vir até mim com um cacete? - Disse o Filisteu. Deixa que já verás que tal mordem os meus dentes!" - Sim venho a ti em nome do Deus de Israel que tu insultastes, respondeu Davi. E hoje mesmo saberá a Terra inteira que Deus não precisa de espada nem de lança para salvar. Ele é o Senhor dos exércitos e dá a vitória a quem lhe apraz. Precipitou-se então o gigante sobre Davi, que jogando com rapidez a funda, lhe cravou na fronte uma pedra e o fez cair por terra. E correndo sobre ele, cortou-lhe com a Espada a cabeça, que trouxe como um troféu a Saul. Os filisteus debandaram em fuga e israel ficou livre do terro do inimigo. Os quarenta dias que o exército israelita ficou diante dos filisteus significam, diz Santo Agostinho, a Vida presente durante a qual temos que combater Golias e o seu exército, quer dizer, o demônio e seus anjos. E não poderíamos vencer, se o verdadeiro Davi, Cristo Nosso Senhor, não viesse nos ajudar com o bastão da cruz. O exército de Israel é a Igreja que, humilhada e vexada pelos inimigos, geme e espera pelo libertador e pede ao Senhor, que é escudo e defesa dos pobres, seu refúgio e libertação vindo em seu auxílio  "O Senhor é que me salva, Ele é muralha que me cinge, por isso usando vier o inimigo contra mim, não terei medo". O Evangelho da missa prega-nos a mesma doutrina. Foi na barca de Pedro que Jesus subiu para pregar, e foi a Pedro que Jesus mandou que fosse ao lago mesmo após inúmeras tentativas a noite sem sucesso, para lançar as redes. Esta barca diz Santo Ambrósio, que São Mateus nos descreve batida pelas vagas e por São Lucas carregadas de peixes, é a Igreja do Senhor, agitada e quase a ponto de afundar pelas tempestades das perseguições que lhe cercaram no início e nos tempos atuais. E navegando serena e próspera depois entre os povos que a aclama e a bendizem. E não corre perigo a barca que assim veleja com Deus ao leme e aos ventos sereníssimos da fé.
Há realmente um perigo onde a estrela da fé não cintila. mas aqui, tudo vai sereno, porque o amor é perfeito. Entrados também na barca de Pedro no dia do batismo, não nos deixemos a turbar pelas vagas tempestades do mundo. confiemos no Senhor e ele nos salvará das insídias do Demônio, como salvou Israel de Golias e seu Exército.


Davi degolando o Gigante Golias


Leitura da Epístola da missa:

Leitura da Epístola de São Paulo Apóstolo (8, 18-23) - Irmãos: Os que vivem segundo a carne não podem agradar a Deus. Vós, porém, não viveis segundo a carne, mas segundo o Espírito, se realmente o espírito de Deus habita em vós. Se alguém não possui o Espírito de Cristo, este não é dele. Ora, se Cristo está em vós, o corpo, em verdade, está morto pelo pecado, mas o Espírito vive pelam justificação. Se o Espírito daquele que ressuscitou Jesus dos mortos habita em vós, ele, que ressuscitou Jesus Cristo dos mortos, também dará a vida aos vossos corpos mortais, pelo seu Espírito que habita em vós. Portanto, irmãos, não somos devedores da carne, para que vivamos segundo a carne. De fato, se viverdes segundo a carne, haveis de morrer; mas, se pelo Espírito mortificardes as obras da carne, vivereis, pois todos os que são conduzidos pelo Espírito de Deus são filhos de Deus. Porquanto não recebestes um espírito de escravidão para viverdes ainda no temor, mas recebestes o espírito de adoção pelo qual clamamos: Aba! Pai! O Espírito mesmo dá testemunho ao nosso espírito de que somos filhos de Deus. E, se filhos, também herdeiros, herdeiros de Deus e co-herdeiros de Cristo, contanto que soframos com ele, para que também com ele sejamos glorificados. Tenho para mim que os sofrimentos da presente vida não têm proporção alguma com a glória futura que nos deve ser manifestada.





Evangelho de Domingo:

Continuação do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo Segundo São Lucas (5, 1-11) - Naquele tempo: Estando Jesus um dia à margem do lago de Genesaré, o povo se comprimia em redor dele para ouvir a palavra de Deus. Vendo duas barcas estacionadas à beira do lago, - pois os pescadores haviam descido delas para consertar as redes -, subiu a uma das barcas que era de Simão e pediu-lhe que a afastasse um pouco da terra; e sentado, ensinava da barca o povo. Quando acabou de falar, disse a Simão: Faze-te ao largo, e lançai as vossas redes para pescar. Simão respondeu-lhe: Mestre, trabalhamos a noite inteira e nada apanhamos; mas por causa de tua palavra, lançarei a rede. Feito isto, apanharam peixes em tanta quantidade, que a rede se lhes rompia. Acenaram aos companheiros, que estavam na outra barca, para que viessem ajudar. Eles vieram e encheram ambas as barcas, de modo que quase iam ao fundo. Vendo isso, Simão Pedro caiu aos pés de Jesus e exclamou: Retira-te de mim, Senhor, porque sou um homem pecador. É que tanto ele como seus companheiros estavam assombrados por causa da pesca que haviam feito. O mesmo acontecera a Tiago e João, filhos de Zebedeu, que eram seus companheiros. Então Jesus disse a Simão: Não temas; doravante serás pescador de homens. E atracando as barcas à terra, deixaram tudo e o seguiram.


Lefebvre, Dom Gaspar. Missal Quotidiano e Vesperal. Bruges, Bélgica; Abadia de S. André, 1960.

1º de Julho - FESTA DO PRECIOSÍSSIMO SANGUE DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO









(Paramentos Vermelhos)
Instituida em 1489 pelo papa Pio IX em ação de graças pela vitória alcançada pelos exércitos franceses e pontifícios sobre a revolução, que expulsara de Roma o Pontífice, o Festa do Preciosíssimo Sangue foi elevada ao rito de 1ª Classe por Pio XI, por ocasião da Celebração dos 1900 anos de aniversário da Morte do Santíssimo Salvador.
Deixando de Parte as circunstâncias particulares que motivaram a instituição da festa, a liturgia desta nos coloca sobre a recordação, sobretudo das graças de que somos devedores ao preciosíssimo Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo. Para além da tragédia do Calvário e do golpe da lança que feriu o lado de Jesus, procura fazer-nos compreender sobretudo o alcance de todo esse mistério de um Deus padecente envolvendo a salvação de nossas almas. Com profundo sentimento de Ação de Graças, rodeemos de veneração e de amor o Preciosíssimo Sangue de Jesus, que o Sacerdote oferece a Deus no altar.


Epístola da Festa:

Leitura da Epístola de São Paulo Apóstolo aos Hebreus: Irmãos,  já veio Cristo, Sumo Sacerdote dos bens vindouros. E através de um tabernáculo mais excelente e mais perfeito, não construído por mãos humanas (isto é, não deste mundo), sem levar consigo o sangue de carneiros ou novilhos, mas com seu próprio sangue, entrou de uma vez por todas no santuário, adquirindo-nos uma redenção eterna. Pois se o sangue de carneiros e de touros e a cinza de uma vaca, com que se aspergem os impuros, santificam e purificam pelo menos os corpos, quanto mais o sangue de Cristo, que pelo Espírito eterno se ofereceu como vítima sem mácula a Deus, purificará a nossa consciência das obras mortas para o serviço do Deus vivo? Por isso ele é mediador do novo testamento. Pela sua morte expiou os pecados cometidos no decorrer do primeiro testamento, para que os eleitos recebam a herança eterna que lhes foi prometida.

Leitura do Evangelho da Festa:

Continuação do Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João: Naquele tempo, Havendo Jesus tomado do vinagre, disse: Tudo está consumado. Inclinou a cabeça e rendeu o espírito. Os judeus temeram que os corpos ficassem na cruz durante o sábado, porque já era a Preparação e esse sábado era particularmente solene. Rogaram a Pilatos que se lhes quebrassem as pernas e fossem retirados. Vieram os soldados e quebraram as pernas do primeiro e do outro, que com ele foram crucificados. Chegando, porém, a Jesus, como o vissem já morto, não lhe quebraram as pernas, 34. mas um dos soldados abriu-lhe o lado com uma lança e, imediatamente, saiu sangue e água. O que foi testemunha desse fato o atesta (e o seu testemunho é digno de fé, e ele sabe que diz a verdade), a fim de que vós creiais.






Lefebvre, Dom Gaspar. Missal Quotidiano e Vesperal. Bruges, Bélgica; Abadia de S. André, 1960.